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Full text of "Memorias historicas do Rio de Janeiro e das provincias annexas a jurisdicção do vice-rei do Estado do Brasil, dedicadas a el-rei nosso senhor D. João VI."

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MEMORIAS HISTÓRICAS 

RIO DE JANEIKO 

iOXÍ-^^ROVINCIAS ANNEXAS A'JUR!SD1CÇX0 

DO VICE-REI DO ESTADO 

DO BRASIL , 

DE Dl C A D A S 

A 

EL-REI O SENHOR 

D. JOÁO VI. 

POR 

JOZE DE SOUZA AZEVEDO PIZARRO E ARAVM, 

Natural do Rio de Janeiro ^ Bacharel Formado em Ca-» 
noves, do Conselho de SUA MAGESTADE , ãfome^ 
nhor Adpreste da Cnpeíla Imperial , Procuradpr Geral 
das Três Ordens Militares, Deputado da Meza da Cmis^ 
ciência e Ordens , Encarregado de Lançar os Ha- 1 
ò^ios das Ordens de Christo^ e de Aciz ^ Sçc* Sçc^ ^ 



Tomo IX. 




RIO DE JANEIRO. 
NA IMPRESSÃO NACIONAL. I8â^. 



St cpioã est aevo hoc liferalisslmo s&ãivm, m mtott 
lonHZ"'^"*'; f Pr^^^P^-Or^^ eruditionu Ma alimS 
tam IT *«"?f «"'"'■' eidemqueferme totam suam vi. 
TcL''iZfyJ''''''ÍT ^"í^^crar^Bí , cui artes , et 
ÍZ f '""^Y''^e s^a Ment incrementa, suumaue flo- 
iTiif Tt '"'T, *""*'"'* '"'"" "-*' literário prae eae- 
mui '"^'^*l'''in>'dprofeetoest studium. antiqui^ 

Zallwein Tom. 2, Quaest; 4. Cap. §. I. 



«!,„„„ ^^°^ ^ """^«^ engrandecer a Nação Por- 

pffr;! 'I™''"!? • ■ • ''®'^"'"="*'^ *^^^ as Memorias d» 
JMtna, da mdjgna escuridade, em que jazião atéao^ 

H*;^'.. ^ * ^''*' "^ Historia um fecundo Seminário de 

Alexandre de Gusmão na Falia & 
Jmdemia Real da Mistor.. Portug,. 



Pag. a 



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MEMORIAS HISTÓRICAS 



D O 



RIO DE JANEIRO. 



„ I i0 Kr^ ^^0e^^i^9^^i 



LIVRO IX. 

Que cpmprekende as Metnorias das Provindaá 

unnexas à Jurisdicção do Vice- Rei do 

Estado do BrasiL 



C A PI T U LO 11 

Cuiabá * 

OUÇO contentes os afoitos , e aventurei- 
ros Paulistas de haverem penetrado grande 
parte de sertaons cerrados alem dos Campos 
\le* Piratininga , (1) cuidaram no empenho de 
proseguir as SíUas diligencias, fazenda ap- 




(1) O Padre Vasconcel. descreveu as suas qualida-* 
dss beliâs no Liv. l, da Chron. da Companhia num, l49 jf 

1 a 



i 



Memorias Histoeicas 



m 



\ 






farecer novos thezojuros. Gom essas vistas ^ 
e intentos, subiram o Rio Pardo, (2) em a»- 
nos anteriores ao de 1626, e tomando a bar- 
ra dos Rios Anhandoy , e Anbambobj , 
eidos ambos de uma sò madre, e conríuea- 
tes d'aquelle ^ felizmente chegaram á ver na 
Vacaria (3) algumas Póvoaçoens de Castelha- 
nos misturados com os índios , que batidos , 
e sentindo, destroidas ás suas officinas, foram 



€ no Liv. I., Cap* 4r , n. 9., e lOy da Vida do Padre 
Anchieta, dizendo-, que lhe parecia feitos da natureza, 
como de propósito, e c©mparando-os com os Elizeos. 

{2y A principal orJg^iR deste Rio provem de ontro 
chamado Smigéexuga , por passar junta de uma la^oa^ 
onde as há de boa qualidade. Da sua boca à do Tietê , 
forre a distancia de 35 legoas , cujo espaço povoam va,« 
tias Ilhas,. Alem de outros rios, se lhe une o Anhaa*i 
duyuássú, que desde o A^aradouro de Camapuãn fazem 
junto^ o curso de 45 legoas por hum s® canal, até o lu- 
gar da junqaò ; e por 16 lej^oas por ura sò canal , até 
a Síia foz de 64 braças de largura , confluem com o Pa- 
yaná , na margem Oriental- delle , em lati^L de 2l°, 36'.- 
Velocíssimo cm se despejar, discorre duas milhas e sete 
décimos no. intervalo de uma ora; e a sua descida per 
isso he de 5 , à 6 dias > mas em subi-lo naõ se passam^ 
jníienos de 50 à 60 , à custa de braços , e de ,varej®e»s 
capazes de vencer a correnteza , e pezo d'aguas, 

(3) Com esse nome se conhece o lugar , em que 
ês Castelhanos do Paragway sustentavam © gado vacum» 
e onde haviam fundiado {na margem do ^oFte do Ri» 
aBtignmente denominado Imbotetiú , e hoje Mondego , 
vinte legoas á cima da sua foz) a Cidade Cherez, qytr 
®s Paulistaà arruinaram de tod© petes annos- de 162^v, 
cuj@s vestígios TÍu o Capitão JoaÔ Leme do Prado em 
1'778, quando por certa diligencia foi áquelle rio. Na 
distancia de lO legoas superiores á esse lugar, e nas 
ISerras , que formam a parte central do Rio , ha tradk> 
faõ de existirem minas mui ricas , e jà vistas pelos mésmoi 
£sipanhoee. 






®o Rio rrK Janetro. S 

obrigados à desaloja-las. Correndo os tempt^s 
Jaavegáram outros Heroes semelhantes o Para^ 
guay , (4) e por elies o liio Coxiim, (5) Im^ 
bcUítiá, (6) e Cahj, (7) originados do terri* 
tório da Vacaria , até o de Cuiabá. (8) Seii« 



L/ 



(4) Ao Poente áas Cabeceiras do Rio Ariíios ^ braça» 
o mais oriental do Rio Tapajós , e na latlt. de 13°, me- 
ridiano <le 328 , (ou nas sete Lagoas, originadas do alta 
da Serra da Melgueira , muito fundas , e rodeadas d'uma 
grande , e paludosa várzea ) tem as suas próprias , e mais 
remotas fontes , o famoso Paraguay , que dirigindo-se á 
Sul pela estensaõ de 600 a 700 legoas , entra no OcceanO, 
formando a boca amplíssima do Rio da Frata , compre- 
hendida em mais de 40 legoas. Por esta circunstancia, 
pelo grande volume d'agua , e peio caminho dilatado, 
que faz , disputa preferencia ao Amazonas.. Distam as ca« 
beceiras do Paraguay 70 legoas a Nordeste da Cidade 
de Mato Grosso , e 40 ao Norte da Cidade de Cuiabá » 
divididas em muitos braços, que correndo á Sul se varíi 
unindo á formar o sen aHeo , logí) caudaloso, e navegá- 
vel , cujas fontes primeiras encerram copiosos > porem ve* 
dados e jâ vistos tbesouros. 

(5) Originado das visinbanças do Sangiiixuga, faa, 
barra no Taqeary pela sua margem do Sul , e tem de boca 
a largura de 25 braças. Corre encanado por entre raon* 
tes altíssimos, com velocidade notável; e debde a foz 
no Taquary , até desaguar nelle o Camapuãn , se contam 
SO legoas de estensaõ no rumo de Nordeste. 

(6) Esse era era outro tempo o seu^ nome ; hoje se 
conhece cem o de Mondego. A copiosa abundância 

de aguas o faz caudaloso , e navegável t;té o Paraguay , 
cinco legoas á baixo do Taquary. 

(7) Tem a sua origem doa Campos da Vacasia , e 
vai engrossar a bahia de Jacuy no Continente do Ri© 
Grande de S Pedro. 

(8) Os povoadores primeiros do distrirto deraõ-lbe 
« nome , por acharem plantado nas suas margeus certo 
fruto' conhecido com o appellido •=: Cabaço ;^ ou ín Caba» 
§ap: 9 espécie de aboberu 4e miolo amargo, o cj^ui^I m 



6 



Memorias HisTOEitSAs 



do Antoiíjo Pires de Campos o primeiro que 
rompeu este rio com o destino de prase^uir, 
e cativar o Gentio Coxipóne , não foi Gontudo 
o primeiro que povoou o sitio, í^s Pp.vcoal 
Moreira Cabral , que se^taindo o mQsmo ru- 
mo , e subindo o Rh Ccxipó , (9) fez pouso 
á cirna da sua barra, por encontrar, e des- 
cobrir ouro em granitos cravados pelos bar- 
rancos d'e]]e. 

Considerando Cabral a nova descoberta, 
como preludio de riquezas immcnsas , que ^e 
depositavam nos Sertaons ,' subiu o rio, ate 
o Jui^ar chamado Forquilha, onde avistou o 
Gentio ornado com enfeites de ouro, como 
tinham também os seus bodoques; (iO) e vol- 
tando ao lugar primeiro aportado , assen- 
tou ahi vivenda com os companheiros , que 
se foram occupando no trabalho de cavar' a 
ter^ corn' as maons , da qual extrahiram abun- 
dante porção de ouro. Convencidos todos da 
nquezci , e utilidades grandes do novo paiz , 
prmcipiáram à cuJtiva-lo, fazendo lavouras', 
€ aposentos pelas raar^veus dos ries Coxipó , e 
Cuiabá ; e entretaoíoque d'esse descobrimen- 
to faziam scieate ao General da Capitania D 
redro de Almeida ,X onde de Assumar , poi 
António Antunes Maciel,, deliberaram os novos 
Colonos eleger a Cabral por seu Chefe, com 



se sepai-a , e deixa um casco rijo , de que se fazem cuias . 
«ecanlo-o, para guardar farinha, liqnidos , &c, 

(9) Entra no rio Cuiabá pda. margem de Leste 

(10) Arco com duas cordas, e uma rede no meio, 
Pa qual se põem a bulia, o» pelloiaro de barro, côé que 



feo R to DE J^NEme. 



f 



(k trtuía de GiiarJa^mór , a qnem ficaram pres« 
tando obediência , em virtude de uiii Auto 
feito à 8 de Abril de 1819. 

, A' pesar de her Cabral ^ Paulista, pobre 
de letras , e grosseiro , pos&uia eoníuáo qua-^ 
lidades dignas do emprego , poiscf^ue de en- 
tendiraeiàto agudo ^ ^inceio, caritativo por ex* 
.tremo, esperto na miiicia dos Seriaons, exer- 
citado no modo de minerar , víii^1l)so , cons- 
tante nos trabalhos,, prudente, affavcl , e apa-. 
ziguador de contendas entre os seus compa- 
nheiros y sabia comportar-se com dignidade 
AcGornpanhado de circunstancias tão bellas ,.. 
dirigiu Cabral o povo Sertanejo com discretoe 
acerto, administrando-lbe justiça verbal à con- 
tento das partes, até o anno 1723, em que 
Rodrigo Cezar de Menezes, 1."^ Governador^ 
^ Capitão General privativo da Capitania de 
S. Paulo, (II) proveu no Cargo de Reg^te 
a João Antunes Maciel , e no de Superin- 
tendente das terras mineraes a Fernando Bias 
Falcão ,. (i2j eoino fez saber o mesmo Gene- 
ral em Carla- Ofíicial de IO de Julho de 1724, 
dirigida á Cabral : e não tardou então que 
© povo, atropellado por novas Justiças , visse 
"\á uns recolhidos na Çadea erecta n'aquella épo-^ 






\1 



(11) Governou desde 5 de Setembro de I721 , ate 
15 de Agosto de 17^7 > chi <iue tomou posse o íseu Sue- 
€f?ssor , estando elle entaõ em Cuiabá. V^ a sua memo- 
ria no Liv. 8. Cap. 3, 

(12) Por termo lavrado a 6 de Janeiro de I721 hãi' 
yíb o Povo de Cuiabá elegido a Falcaõ para substituÍE 
a Cabral , promettendo-Ihe obedieiacia jaab matérias p©li» 
ticíis , e militares. 



» 



Memorias HisTonrcAr 



% 



1 



l^ 



ca, à outros sera bens, por se lhe arremata^ 
rem , e a ifiiiitos perseguidos com iguaes 
procedimentos. 

Divulgada a noticia de tão bello desço* 
brimento , muita parte dos habitaates de S. 
Paulo, das Geraes , e do Rio de Janeiro, 
deixando as suas Casas, familias , e fazendas [ 
procurou o^ novo paiz mineral , como outra 
Terra da f^ siissão, ou Paraizo encoberto, 
onde se su, ^ unha achar quanto a cobiça hu- 
mana podia appetecer. Com esfe pensamento fi- 
zeram* viagem numerosos iridividuos, em 1720, 
que, divididos em comboios, subiram o Rio 
Anhandohj, à través da Vacaria, e descendo 
pelo Imbotetiíi, se metteram no Para^^uahy, 
e por elle foram descobrindo vários lugares 
mioeraes, uns dos quaes se trabalham hoje 
pela soa abundância, e outros se despresáram, 
pon, não corresponderam ás esperanças dosex« 
ploradores a módica porção de ouro , cuja 
avidez então so a muita grandeza satisfazia: 
mas, fakando-lhes os Pilotos , ou práticos dos 
rios, por que caminhavam, não só perderam 
todos as fazendas, importantes em g^rosso ca- 
bedal , mas as vidas, escapando mui poucos 
a tantas desgraçss. 

Chegados estes no fim do mesmo anso 
80 lugar chamado (hoje) S. Gonçalo Velho, 
passaram d'ahi a cima de Coxipò , e no sitio 
denommado Forquilha formaram um Arraial, 
dedicando ao mesmo tempo uma casa à N. SraV 
da Penha em reconhecimento da sua protecção 
mm particular nos perigos, e trabalhos > 'de 
que se haviam livrado «'aquella derrota. Eu- 



Bo Rio de Janeieo. 



9 



Iretarto acconteceu em dias do m€z de Ou- 
tubro de 1722 , qie o Sorocabano Miguel Su- 
ti', uiKi ílos povoadores primeiros , retirandu- 
se [aia uma roça íí beira do Cuiabá , mandou 
dous índios em diligencia do niel para se sus- 
tentar ; os quaes , em troco das colmeas , e 
d'esse sueco doce cl^s abelhas, ihe trouxeram 
uni embrulho de folhas silvestres ^ que guar- 
davam 23 granitos de ouro com o peso de 
120 oitavas, â' vista pois da insperada des- 
coberta, seguido Subtil de seus companheiros , 
e adjuntos, acconipanbou os famosos Molei- 
ros , que chegados ao lugar, onde se vê a 
Yiíla ( hoje Cidade ) mostraram o do seu in- 
vento no sitio da Capella de N. Sra. do Ro- 
sário , chamado Campo do Aroesto , de cuja 
fartura se aproveitaram todos , apanhando o 
metal áureo , que apparecia sobre a terra , 
sem necessidade j nem moléstia de o deseotra- 
nhar d'ella. ' 

Patenteada a grandeza , e fertilidade do 
descoberto , despejaram o Arraia! de Cosipó 
quantos o pccupavam ; e onde se deu o nome 
de Lavras do Sutil, lançaram os fundamentos de 
um Arraial , correndo o anno 1723, para me- 
lhor desfructarera as riquezas da circunvisi- 
nhança do Tanque , em que appareceu a maior 
porção de ouro, como nao se achou jamais 
em todas as terras mineraes do Brasil ; por 
quanto se avaliou em mais de 400 arrobas 
de ouro, o que dentro de um mez se extra- 
hiu dalli. Regulando então Cabral o Direito 
^enhoriai do Quinto a 2| oitavas d'esse metal 
j2or cada pessoa , que minerava , coino erâ 
Tanu IX, 2 






101 



lo 



MemoUíáé Hístorigas 



1^ 



estabelecido nas Geraes , se apuraram quatro 
arrobas, que no mesmo anno foram levadas 
à S. Paulo sob a vfg-ilancia do Padre André 
dos Santos Queiroz ; de cujo facto se originou 
á exag-eração, que asseveraram, de servirem 
nas espingardas os granitos de ouro , como os 
de chumbo, para caçar veados, e aves; do 
que resultou uma geral ambição pela colhei- 
*a, que taftto satisfaria a sede universal. En- 
tretanto remetteu o Governador de S. Paulo 
^li Regímeiíto para se arrecadar o Quinto, o 
Dizimo dos ffuctos, e os Direitos assim das 
fazendas conduzidas para o novo paiz , como 
dos ercravos, que Cabral recebeu no fim d^a- 
quelle ànno. (lâ) 

Por execução da Ordem Regia havia de- 
liberado o Governador sobredito passar ao no- 
vo Continente no niez de Jufíio de 1724, cc- 
mo certificou à Cabral em Carta de 10 de 
Junho antecedente; e vendo os grandes in- 
commodos , que tinha de vencer em tão dila- 
tado marcha por Sertaons estensos , desde 
itu, nos continuados de perigosa navegação 
em canoas , e difíceis pelas cachoeiras impor- 
tunamente intermeiadas , tratou de fazer abrir 
caminhos de terra mais proveitosos, e de me- ' 
Bores embaraços, offerecendo prémios compe- 
tentes aos executores doesse trabalho, à que 
preferiu por escolha da Camará , Manoel Go- ^ 
dinho de Lara. Comeguida felizmente a em- 
presa, proveio d'ahi^ a utilidade tanto publica. 



^ (13) O Annal de Cuiabá fez mençaõ do conteud 
B esse RegiraeBto, referindo algumas- das suas disposiçoea^^ 



s%. 



P0 Rio de Jakí;i38# 



p^lo meio binais fácil do giro epmiínercial , cp- 
mo da Coroa. 

Acompanhado do Ouvido-r da Coijomarqa 
António Alvares Lanhas Peixoto , saiu o Gç- 
nèral da Cidade de S, Paulo em Julho de 
1726., e chegou a Cuiabá a 15 de Novem- 
[bro , cuja pauo^ção erigiu ern Villa sdb ^ 
titulo áíd Ji,eal do Senhor Bom Jeztis de Cuia- 
ia, por haver o Capitão Mor Jacinto Barbo- 
S^ Lopes dedicado ao mesmo Senhor a Igreja 
.Matriz, que ho anno 172:^ levantara á sua 
tçusta : em consequência do que se creou ^a 
Ca^ da -Garriara , arvorou-se o Pelourinho, e 
,fez o f)ii¥ÍdQr os I*6lcaii^os no principio do 
anno 1727. 

^Segundo as informaçoens dadas na Era 
4769, em cujo tempo governava esta Provin- 
.çia Luiz Pinto de Souza, ^14) está a barra 
de Cuiabá na latitude de 17°, 4', 58", e a 
Villa j a quem a Carta de Lei de 17 de Se- 
tembro de 1818 elevou à classe de Cidade , 
Gom todos os Foros , Liberdades, e Prero- 
^.gativas , de que gozam as outras Cidades do® 
..^einos Portuguezes, na de 14°, 50', 27" : m^b» 
em conformidade das oi)servaçoens feitas em 
dias do mez de Setembro de 1786 pelos As- 
,^ronomos mandados da Corte .para a demar- 
^a^^ão dos Limites ,(153 foi iiraiada a sitija- 



l! 



\i 



(l4) Veja-se a sua memoria no Cap. seguinte. ^ 
(Id) Nomeados pela Corte os Doutoras Matheniaticos 
•António Pires d^ Silva pontes, e Francisco Jozé de La- 
cerda , os Engenheiros Bicardo Franco de Ah^eida Serra, 
,e Joakitn Jozé Ferrfiira , o Naturalista Alexandre Kodri- 
^i^s,, F,ej;reira ,, e dt>»s . degenhadores , ,ale|n^| osítrçs í^^^ifi 



mai 



f 



iâ 



Memorias Hístorica§ 






ção^ da Villa na latit. de 15^, 3&, e íonaríf. 
,32 i°, âS', (16) em distancia de 95 legoas^^aci 
Oriente de Viila Belia, e em pouco maior 
espaço da foz, que o Rio Cuiabá, unido com 
o de S. Lourenço, faz no Paraguay. 

O assento da Cidade , considerável , c 
florente, entre montes distantes do Rio Cuia- 
bá, que lhe dà o nome , e apartado delle um 
quarto de legoa , he chão , e também o pavi. 
mento dos edifícios, que a formoseam , cons- 
truioos de taipa , alem de alguns levantados 
de sobrado, entre os quaes he mais notável 
o da residência do R. Bispo Prelado , e se- 
ram hoje o da residência do Governador da 
Capitania ^ e outros de novo erectos pela mu- 
^ança da Junta da Fazenda, e Fundição do 
Uuro de Mato Grosso mandadas transferir por 
EiRei em Í820 para Cuiabá , em attençâo 
aos motivos de ser pesiifero aquelle sitio e 
sugeito á Caroeiradas. As suas ruas sam cal- 
çadas. No íargo da Ponte do Rosário tem um 
ctiatariz, que erecto no auno 1790, princi- 
piou no fira de Agosto de 1792 à despejar 
as a|uas conduzidas da Bica do Arnestol em 
Deneíicio de seus habitantes. 



pelo Sá Tp.r r '^'^'^''''''t, ^'' Demarcações , foram 

Fp erdío e fo J T""" ' T^" chegaram no dia 28 de 

ntaõ em'ol!' ' ^'"T .f" ^^^^ ; e occnpados desde 

ZuLr í ' ^^"^'^^ Continente, exao.inar, e de- 

à fa er ontra^'''; ^"' ' '"^'^^^"^ ' ^''''^^"^^ «^ ^"«^ 1786^ 
v;ir X ^"^«^^^oens semelhantes em Cuiabá à cuia 

n^r^i^t'"™ "^ 1-' ^^ Setembro. ' ^ 

Qrh\iy f«/^^'/' /Ví^7 <la Obra intitulada :=; FastiNovi 
Orbi^p, tratando COrd.590 pagv 593. ) da creaçaõ di 



DO Rio de Janeiro. 



1^ 



Esta Frovincia , de aspecto agradável , e 
variado de Planuras dilatadas , bosques sober- 
bos , charnecas estensas, collinas, e monta- 
idias , he regada por muitos rios ^ no dilatado 
espaço de Hiais de 100 legoas N. , S. , e pou* 
CO menos de 70 na maior largura de L. , O. 
Goga de bom clima ; as suas terras pródigas 
na producção dos viveres , ainda hoje sam far- 
tas de ouro , (j"e no toque excede à 23 qui* 
quilates : tem Minas mui ricas , mas sente faltas 
de ag'ua , com que se possam trabalhar em 
tempo seco, e abunda de diamantes , cristaes , 
ferro, c outros mineraes. Distante da Cidade 
14 leg. , no sitio da Vargem Formoza , ao Su- 
doeste , se acham minas de Sal , e de Sali- 
tre : o sal d'ahi extrahido , porque he de baa 
qualidade , comparativamente ao d'ootras sa- 
linas , foi isento de direitos (17) pelo Gover- 
nador Luiz Pinto de Souzh , k dihgencia de 
quem se descobriu também na& Campanhas do3 
Cocaes esse producto tão puro, e alvo, sem 
a menor diíFerença do que se coalha nas sa- 
linas maritimas. Por tão útil descoberta pare- 
ceu desnecessário em diante o gasto do mes- 
mo- género transportado das Salinas do Pilão 
Arcado ( situado no sertão Geral dos Curraes 
da Bahia , e margens do Rio de S. Fran- 
cisco) , d'onde entraram para as Províncias 
das Geraes, e de Goiás porçoens avultadis- 
simas h custo de trabalhos , e despezas gran- 

Prelazia de Cuiabá , &itou-o na latitude austral de 40°, 10' 
e longit. da Ilha do Ferro 322. 

(17) Vede Liv. 8. P. 2. Cap. 4. sobre a Villa d® 
Príncipe in fine> nota (*) 



MamniBBBB 



14 



Meívíorius Históricas 



% 



àes: o pouco cuidado dos habitantes do paiz, 
ou porque o sal nâo iguale no adubio ao da 
niariníia , ou por ser despendiosa a sua pu- 
.rifieaçáo, fez necessitar aindu .o consummo dp 
.conduzido de fora. ^ , 

A carne do gado vacum nunca Ih^ falta,, 
porque 05 seus Colonos o criam abundante^ 
çnente , assim como ovelhas^ e porcos , nem 
a de aves , e de outros animaes , de que são 
abastadíssimos os Campos , e as matos. He 
fartissíma de peixe criado no rio Cuiabá, Crua-^ 
vá, e outros, de que se fazem salgas: e ahi 
mesmo colhem os pescadores certa qualidade 
4'esse animal , chamado P/ç^z/rí/ (que' costuma 
subir todos os annos na vasauíe da Lua .cheia 
de Maio, cujo comprimento excede pouco mais 
de uma poieg^da , e se prende em peneiras 
a beira do Rio ; e se junto às cachoeira, em 
uma canoa atravessada) p^ra d'elle se extra- 
iur o azeite, com que susteníani as luzes nas 
horas da noite, poupando o povo nesse siab^ 
sidio a despeza necessária d'outra qualidade 
de oleo mais caro. 

As frucí^s próprias do paiz, e quaesquer 
outras estrangeiras , ou sejam de pevide , ou 
de caroço , vegetam muito bem : as Jarangei- 
ras, os mejoens, melaiiGias , .^qnazes, ^c. 

^tructiíicam igualmente, e com fartura : a hor- 
taliça, e 0^ viveres ordinários, o ajgodâo, 
e a cana doce, de cujo suco e^ctrab^m pela 
maior parte a agu.ardenie , por ser género d.e 

>aida mais prompta, que o assacar, sara ©^ 
pbjecíos principaes da cultura rural. 

CQiTjpreliei^de o estenso território Cwíab^- 



Eo Rio de Janeiro 



ít 



no mais de 37:396 habitantes^ conforme o Mapa 
do Ouvidor ao Desembargo do Paço em 1818 , 
cuja poprJação poderá íiorecer com exuberância, 
se o Gentio bravo nSo a destroisse com as 
incursoens continuas , como accontece tambem[ 
nas roças ^ que estragam, 

Alguffiâs Povoaçoens , e Presídios se acham 
neste districto , cnjos estabelecimentos *arn de- 
vidos aos discretos cuidados , e á efficacia do 
zelo publico j com que os Governadores tem 
olhado p&ra o bem geral da Provincia. Em 
caminho para a Cidade de Mato Groso está 
a de Vílla Maria , situada na vasta planície 
distante mais de 30 legoas da Cidade de Cuia- 
bá , á margem oriental do Paraguay , onde 
existe o morro das Pitas , em latitude austral 
de 16° 3' 33", e longitude de 320® 2' contada 
da Ilha do Ferro , è baixo 2 à 3 legoas da 
foz do Rio Cabaça);, (18) que fundada pelo 
Tenente de Dragoens António Pinto do Rego , 
com Ordem do General Luiz de Albuquerque 
de Mello Pereira e Cáceres, em 1778, he 
mui útil. Em seus Campos dilatados se criam 
com abundância os gados vacum ,, e cavallar : 
e Fazendas há, que recolhendo n'outFO tempo 
3 à 4:000 bezerros, desd' o anno 1818 tem 



(18) Áiniia que pequeiío , be este rio aurífero, e 
entra no ParHguay pela margem de Oeste , 3 legoas- 
à baixo do rio Sypotuba. He fornifido por dous braços ; 
lun a© N. ,fc e outro ao S. Os índios Bororós , Asaviràs , 
e Parcorionés, que o habitara , e sam mistura de duas 
Tribus differentes ,. procurara m no anno 1797 a amizade 
dos Portoguezes, mandando à Vilia JBtiia cotii esse êm 
alguns abaii&ados da^ Naçu^, 



SB 



16 



Memorias Históricas 



m 



% 



^ 



decaído, por se lhes tirar os vaqueiros para 
guarnecimento dos Presídios. Sua população 
excede a 1:030 almas ^ que recebem o pasto 
espiritual da Freguezía €ihi' creada , cwjo es- 
J^abeleciaiento se refere adiante ^ e seu rendi- 
mento. 

A de Albuquerque , situada no angulo do 
Sul para o Parag-uay , em latitude austral de 
>9« 8' 10'', e longitude de 320' 3' 15" ( se- 
cundo as observaçoens dos Astro.nomoíi Ricar- 
do FrauGo de Almeida Serra , e outros , de 
quem fallei na nota (15)) distante de Cuiabá 
perto, ou mais de 140 legoas , se lev^ntçu 
em 2i de Setembro de 1778! O torrão de 
terra úeste districto , onde abunda a pedra 
calcaria, cooserva grandes matarias, ,e Íie 
assas apto paia a cultura por mui fértil, 
fecundando-o muitos ribeiroens. Do Jaurú para 
baixo , em ambas as' margens do Paraguay , 
só lhe igualam as terras , que formam as mar- 
gens de Oeste das Lagoas Mandioré , e Cai- 
ba. (19) A povoação ahi existente comprehende 



(Ig) Ao Occidente das Serras de unaolar, que or- 
Hana , e tocam o lado do Poente do Rio de S. Lourenço, 
existe uma cordillieira grossa d^e montanhas, distantes 
entro' si mais de três legoas , formando como um va|le 
de vinte de comprido , ao Norte do qual se acha a La- 
goa Uberaba , de três lej^oas de diâmetro , no centr© a 
denominada Gaiba , e ao Sul a conhecida pelo nome Man- 
dioré , maior que a primeira. A Gaita têm ura canal es^ 
tenso uma legoa , dirigido de Norte, e encostado à Oes- 
te , que cortando as Serras situadas ao Poente , a com- 
niunica com outra menor, chamada Gaiba-nvrim. Na 
profunda quebrada da Serra da Insúa , era latitude de 
17° 43', está a sua boca, e terá de estençaõ pouco mai§ 
de duas legoas àp N. á S. , e pouco menos de duas. 



IVO Rio de Janeiro, 



n 



liiais de 200 pessoas , que sam paroclnadas 
pelo Capellão do Forte de Coimbra. Nella 
reside o Missionário Barbadinho Italiano Fr. 
Joze de Momerrâle, por cujas diligencias se 
i^etn baptizado, e cazado muitos Bugres da 
Nação Guaná. 

A levantada p^\o Padre Manoel de Al- 
buquerque , em Í779 , no sitio das Pedras, 
junto ao Rio àe S. Lourenço, que d*antes 
se denominava /dos Porrudos, (^0) e se apar- 
ta 26 iegoas da OTtr'ora Villa Real , he também 
útil, e mui proveitosa aos Viajantes para Goiás, 
e para Mato Grosso. 

A úe S. Fedro de El R ei ( conhecido, des- 
d^o seti principio com o titulo de Ipoconê , ou 
Beripoamé , at^ níuda-la o General Cáceres 
para lugar actual, por Ordem de 18 de De- 
zembro de 1780, o que se realisou a 21 de 
Janeiro do anno seguinte ) foi estabelecida pelo 
mesmo Cáceres à 8 do mez , e anno dito na 
distancia de 20 á 21 legoas ao Sudoeste da 
antiga Villa Real, cuja situação fica na lati- 

de L. à O. A Uberaba, com quem se com mu nica , se- 
rá de estençaõ pouco maior , comprehendendo três legoas 
de diâmetro. 

(20) Em conformidade das observaçoens feitas no 
tempo do Governador Luiz Pint© de SDuza > está a bar- 
ra do rio S. Lourenço na latit, de 17*^» 3l'. Seu nas- 
cimento se acha na latit, de 15°, distante à Leste da 
^ Cidade de Cuiabá , 40 legoas , e se eag^rossa com os 
seus confluentes , entre os quaes he um o Cuiabá , pela 
margem de. Oeste , na latit. de I7®, 20'j e longit. de 
320*^, 50 , o Parntíiba , e o Pequerí , pela parte de Les- 
te. Neste ultimo ^e introduzem o Jaquiri , e o Itiquira , 
navegáveis, até 'fazerem barra no Paraguay, em latit. 
de Í7^ 55'. 

Tom, IX, 3 



18 



Memorias HisTORrcAs 



tsde austral de 16'^ 16' 8", e na longitude da 
Ilha do Ferro de Sâl- 2' SO^V em proximida- 
de da margem Occidental do Ribeirão de Ben- 
to Gomes , longe do qual If legoa está sl £a* 
hm denommada do Rio de Janeiro, Porque o 
numero avultado de 2:000 pessoas, que ac- 
túalmente habitavam ahi , e a distancia do lu- 
gar obrigava o povo á incommodosndó, pe- 
quenos , além das pespezas consideráveis em 
procurar nas^ suas dependenda^ a Justiça re- 
sidente ^ na Capital da ProMcía Cuiabana ; 
por deliberação do sobredito Governador, uni- 
da ao voto do Ouvidor da Commarea, se creou 
em Gamara do anno de 1783 um Julfi:ado nVsse 
í?^ •' P^^a ^ 9«al foram eleitos os Juizes , 
e Othciaes competentes. Extingumdo porem 
o Decreto de 25 de Agosto de 1SI8 esse es- 
tabelecimento , e consequentemente as nomea- 
çoens de Juizes Ordinários , de Orfaons , de 
i-ommissarios de Auzentes , e seus Officiaes 
respectivos, Mandou-o annexar- outra vez aa 
iermo da então Villa do Cuiabá , Determi- 
mndo , que o Juiz de Fora , com a Camará , 
nomeasse os Juizes necessários da Vintena pa- 
ra o Arraial, por cuja deliberação^ represen- 
tou o Povo à ElRei o seu prejuízo notável, 
aeprecando a perpetuidade ,^ ou restabelecimen- 
to da providencia antiga , mas" sem effeito, tal- 
^'ez porque encontrasse a opposição dos que 
tinham a Provincia á seu cargo. O terreno 
plano , e estenso deste districto cria abun- 
dante gadaria, quer vacum, quer cavallar , 
^ sustenta vários Engenhos , onde se trabalha 
o assucar, e aguardente. Delle se tem ex- 



150 RíO DE JáÍíEIRO. 



m 



trahido immenso cabedal ;%'ô ouro ahí mU 
nerado he commuínaiente de 23 quilates , e 
2^graons. Sua povoação monta à 2:606; ou 
mais almas; e seria mais avultada, se o Ria? 
Diamantino n^.o lhe ouvesse divertido, ou rou* 
bado muita parte dos^^seus habitantes. A Ca-' 
pellá subsistente , e dedicada a N. Sra. do 
Rosário , que he Curada , foi de novo funda- 
da á custa quasi do Padre Francisco Lopes 
Sá, seu Capellâo , e ficou concluida no anão 
180T, O rendimento desíta Capellan ia (segun- 
do a informação do Ouvidor da Commarca 
em 4 de Julho de 1822) monta annualmen* 
te a 360:000 ireis. 

A de Miranda , estabelecida na niargen^ 
setentrional do Uio Mondego , detiominado 
anteriormente J^oíeínV, on Imbotetiá (21) (on- 
de he a raia , por que o Continente Portugueai 
se divide com o de Espanha) cuja fundaçãá 
foi commettida, pelo General Cáceres á João 
Leme do Prado, Capitão Mor das Entradas, 
e naturd de ItiÀ , se effeituou em 1778 no 
sitio denominado Morro das Pitas , á margem 
dô Paraguay.Diz-se de Miranda, por haver 
erigido ahi no anno 1797 um presidio o Ca- 
pitão Geneàal Caetafi» Pinto de Miranda Mon- 
ItiUígro. He habitado por 59 almas (à ex- 
cepção dos individuos que guarnecem o mes- 
mo Forte ) , cujo povo recebe os Santos Sacra- 
mentos , e a su^í parochiação , de um Sacerdote 
com vezes de Capellãò Curado. 

A do Alto Fcú^aguaif Diamantino se ori- 



(2l) Vede a nota (6). 






J'\ 



^ 



3n 



20 



Memorias HisTOBrcAs 






^^ 



Cap.tão M6r Gabriel AntL-ei^Macfel fir'» 

(segundo a Carta de 18 de Setembro i 

anno , mviada à C<»mara Regente de Pk? 

por mão do Capitão Mór SÍ 1 rT^^ 

Governando em S Panl?. uTf A ^°''<'« ' 

Menezes ) «endo a ma,, í í^" ^^^«"^ ^e 
/ 8CUUU d mais notavpl íir»fr'^n 

«jue se achou distante de Cuiabá Slf ^ 

J)'«m morro .visinho ao Ri^T ■ '^^"^^ ' 

Oitro, que com o^.trn k •^«"«"""ado Oa 

diia= 1^ -^ P r ™^'^í?em Occidental, distant» 
porL S7a ta^^ferÍSa;"^^-^"'^- ^ '-«^^^^ 
correu muita gente no an„o nJs à V 1^"- 

te com a^dl Sof '"h T '"T ^"'"'^'J""- 
C-Po AntrniÍTÂl^SfpP^-M-tre de 

filhos moradores em Mato Qroiso ' ''"' 
1742 deTermin^dn^^^^^l'' de â6V de .Marco de 
Cuiabá q7e„aVflT'''T '° ouvidor de 

Ças, 'na forma da Le fn?. '^*'^.''^ ''"«ti- 

go> Manoel AnSne'NÍ"uLr7:uen T^^^" 
onde executando quanto se íh.' T ^ '"^^'■' 

«ou à repartir as^ ter aVpe]!^ cl'"'""' P"^- 
<|ue as pretenderam r^ ^ Colonos novos, 

b«H,o delias enl I P"'^"" P^'« t'^" 

íossem apna/ecendo . ''T "'"^^«' ^^ <^"'o 

(. ainda que pequenas) não só nos 



DO Rio de Janeiro. 



n 



Córregos, mas nas mesmas terras , isto bas- 
tou a fazer despejar d'ahi sem demora o* Po- 
vo , que pela evacuação rápida do sitio ficou 
reduzido à miséria excessiva, accrescendo-lhe 
demais a falta de chuvas até Setembro do aii- 
no antecedente 1749 (em 24 de cujo mez 
rompeu alli um trovão estrondosíssimo ^ e tre- 
meu a terra , dando três balanços compassa- 
dos ) para o privar da cultura dos eíFeitos 
necessários à subsistência humana. 

. ; Do descobrimento dos diamantes se ori- 
ginou o nome = Arraial Diamantino do Pa- 
raguaj -= que deram ao sitio , onde a Po- 
voação se formara , e o de r= Rio Diaman- 
tino = com o qual foi notado o primeiro dos 
unidos ao Paraguay. Sua situação na longitu- 
de austral 23° 23' 8/', e longitude de 331o 
2' contada da Ilha do Ferro , sobr' ambas as 
margens do Ribeirão do Ouro, e no lugar ^ 
em que este faz barra no Ribeirão Diaman- 
tino, alem de desagradável , por montuosa , 
e pedragosa , he também incommoda ; o que 
não acconteceria , se se houvesse firmado a 
população na plaiúcie do Arraial de Boríty , 
e nas margens do sobredito Ribeirão Diaman- 
tino , como insinuaram o Governador Manoel 
Carlos de x4breu e Menezes , e o Ouvidor da 
Conimarca Sebastião Pita de Castro. 

Inhibido o Povo de cultivar as terras des- 
te dislriclo , supplicáram as Cawai;as da Pro- 
vincfa aníe o Throno a faculdade de trabalha- 
h\s , ficando salvos os diamantes para a Coroa. 
Por eífi-ito d'aquellas Representaçoens , à que 
aunuiu o Miiiisteiio , como publicaram os Baa- 



â2 



MeMOEIAS HiSTOCARrS 



dos de 30 de Março de 1800, de II de Agosto 
de 1804, ,e o de 16 de Março de i805^ 
principiou de novo o sobredito Ouvidor a re- 
partir as terras a 13 de Maio do mesmo an^ 
no Í805 : e Mandando a C. R. de 13 de 
Novembro de 1809 erigir uma Junta de Gra- 
tificação de diamantes em Cuiabá , para que 
se lhe deu um Regimento Provisional, ^ô 
lhe abriram as portas desse Paraizo, vedado 
atélli á Cultura, e ao Commercio , permit- 
tindo outra C. R. de 14 de Setembro dé 1SI5, 
que de Cuiabá, e de Mato Grosso se cora' 
merciasse para o Porá pelo Rio Arinos , (2'^) 
cuja navegação dá esperanças bem fundadas 
de ser para o futuro mui notável esta Povoa- 
çõo, creada em Villa sob a denominação de 
= Villa de N. Sra. da^ Conceição do Alto 
Paraguay Diamantino = pelo Alvkrá de 23 dé 
Novembro de 1820 , em consequência da sup- 
plica de seus habitantes protegida pelo Go- 
vernador , e Capitão General , e Corregedor 
da Commaica António Jozé de Carvalho Cha-? 
ves , fuudamlo-a , em obediência^' do Officio 
do mesmo GovernadoF datado d^ 4 de Julho 
de 1821; e desunindo o seu território do Ter- 
mo da Cidade de Cuiabá , creou ahi as Jus- 
tiças necessárias ao sen estabelecimertto. 

Tendo os Colonos primeiros levantado nes- 
se lugar uma Capella á N. Sra. do Carmo em 
5 de Agosto de 1781 , cujo exercido princii 

r ■ ■ ■ I II • , 

_' (92) He o mais notável , e o mais oriental braço ào 
Kio lapajos, que enlaça as suas cabeceiras com as do 
Kio Cuiabá, e à dfstaucia breve das do Paraguav. Vede 
Cap. 2. nota (44) ■ "^ 



DO Rio de Janeiro. 



23 



píou com o dia 16 de Julho de 1783, ^peía 
notável decadência, em que se achava ^ foi 
demolida , construindo os novos moradores 
putro Templo mais durável à N. Sra. da Con- 
ceição , o qual não tardara à concluir-se de to* 
do , por estar já acabada a Capella IVlór à custo 
da actividade, e zelo do Padre Francisco Lo- 
pes Sà, de quem o Povo ahi habitante rece- 
bia o pasto espiritual , até ser mudado para 
a Gapellania Curada de S. Pedro de ElRei , 
donde voltou no anno de 1808. Sob a pro- 
tecção do Sargento Mór Sebastião Barboza 
de Menezes Commandante da Villa, levanta- 
ram os Homens Pretos outro Templo á N» 
Sra. do Rosário. 

A população da Villa no anno de 1811 
chegava á 1:314 pessoas ; porem no de 1822 
numeráram-se em 150 Fogos dentro da mes* 
ma Villa, e por mais de 400 fora delia, o 
total de 4:400 à 4:500 habitantes: d^oiide se 
conhece facilmente q grande augmento , que 
no periodo curto de onze annos tem havido 
na população ^ e por consequência o quanto 
cresce a cultura, assim mineral, como su- 
cursal. Foi lotado o rendimento desta Igreja 
pelo Ouvidor da Commarca na sua informa- 
Ção de 4 de Julho de 1822; em I ;(jCO:0(iO reis. 

Distando longamente a Villa do Termo 
Parochial da^Freguezia do Senhor Bom Je- 
zus de Cuiabá, foi preciso fst«be]ecer--se ahi 
um Curato , que o Padre Francisco Lopes Sá 
exerceu desd' o anno 1805, no fim do qual 
passou à satisfazer outro emprego semelhante 
na Povoação de S. Pedro d^ÈiRei, d'4)nde 



Memorias Históricas 



regrgssou no anna 1808 , continuando ne.ta 
o antigo Lavgo de Capeiíão Corado. Entretán- 
to porem , que o mesmo Padre saiu a certa- 
nejar conseguindo dar ao manifesto em 1814 
e 1815 os lugares intitulados S. João da Bo' 



caína, e Conceição da Serra 



e por ultimo 



o Rio Verde , distante 10 à 13 legoas ao Norte 
da Villa em cujo tempo foi também incum- 
bido pelo Governador João Carlos de explorar 
o Cabaçal, substituíram outros Sacerdotes a 
parochiação até o mez de Janeiro de 1820 em 
que de novo tomou conta o mesmo Sà do Cu- 
rato, e nelle permanecia correndo o anno 1822 
Informando o R. Bispo de Ptolamaida ' 
Prelado de Cuiabá , em_4 de Julho de 1810 
e em 29 de Janeiro de 1813 sobr'o estado 
acua! da sua Diecese , em consequência das 
Ordens da M. C. O. do Brasil datadas em 28 
de ^ovembro de 1808, e em 22 de No vem- 
bro de 1809, requereu ao mesmo tempo a 
divisão do districto de Paraguay Diamantino 
e a creaçao de uma Parochia ahi , além d'ou- 
tras em lugares diííerentes; o que sen Jo Con- 
sultado a 24 de Julho de 1811 , Foi Resolvi- 
Cio a y de Agosto do mesmo anno. MandanJo 
LIKei , que as Igrejas Parochiaes nimiaraentí 
estensas se desmembrassem , para se lhes pôr 
J^aroctís próprios. Como porem depois disstf 
nao appareceu quem promovesse as divisoens. 
e os títulos ccMnpetentes de erecção das novas 
rarochias, ficaram elias por se realisar até o pre- 
sente armo 1822 Entretanto/ considerando o 
sobredito Padre Sà ultimada esta dependência, 
requereu o Provimento de Proprietário da aJ^ 



1^0 IÇíSO t)E JâííESItOj 



Ú 



1?a ?Ra!K)clda deN. Srá. da Conceifão do Alio Fa- 
raguay Diamantiivo ^ cuja creação pende ainda cia 
Real líesoluçio de Consulta, em que se irabaiha» 

Desviado da Vilia Im um liio denominafln 
Pceto , que entra i>© dos ATÍnos , c còm eile 
desagua no das Arnazonas , defroíite da Ilha 
4e Saatarem , para cujo skio iRcogiíito mandots 
o Governador Marioei Carlos abrir a carreira 
^ navecração , pof desejar a felicidade d<'» 
3Povos .Provincianos , prornovend© o seu Cònv 
•inercio :: e .p© r q a.e k " o se ac h o u u ti l a c ul í u « 
a«a d*iini terreno assas iucomuiodo pria iofeg» 
itação do Gentio^ pelas c^lioeiras , e «ai tos im- 
ínensQS , falta de pescado , e 4e caça, com que 
se podeèsem sustentar os eovos Ctffenos , foi 
«bandonado. Nã© obstante ©s naotivos assas 
^consideráveis ^ -q^e obrig:àrâm 4 abrir mão de 
4al projecto., determinou o Successor inimc- 
diato do Bastão frequentar a mesma caiTeira, 
ipromovendo assim o degoladour^o dos ©eg^cian- 
tes, que neMa ievã perdido numerosas canoas, 
ie em iííenos de quatro annos fíaàram de ío- 
me, e de epidemia ak^m de 400 pessoas^ 

A' cusla dos moradores da Viila vê-se 
construída uma Ponte no Eifeeirão do Ouro , cu- 
ja obra dirij^iu , governou, e conclíiiu o Desem- 
bargador, e actual Corregedor o.u Ouvidor da 
Commarca António Jo^^e de Garvalíio Chaves, 

Por motivo dd" obstar à deàerí^*ão dos fa- 
cinorosos , h tiigida dos escravos para os Do- 
minios Espanfioes , de refrear os insultos con- 
tiauqs dos Gení4os Poyagsar , e Guaycurú , 
ou Cavaileiro , e tarabem de segururar a pofc- 
ie de grande numero de iegoas de terreno ^.v. 
Tom, IX. é 




PMIP 



m 



Memorias Hisfoniírns 



l^ 



n 



e a da na Ví^gaçãô do Paf^ ; à reqtíéií* 

JTienlo do* Povo Guiabano UFandou o .Gt*nerai 
Luiz de .Albuquerque^ em 9 de Maio de !775 
ao Capitão de Auxiliares de Cumbá Matbiaà 
Kibeiro da Costa , que acompanhado de al^ 
giins Soldados Dfagoens , e outros, fosse oc^ 
cupar o siío deiioíiiinado í:= Fecho dos JV^òr- 
los (23) =:^ Ião celebrado pelos antigos Ser-*» 



-•**> 



(23) A* baixo da foz do . Mondego II legoas ,^ exis« 
iem dous aUns ^^ e ilhados luoiUes sobre a murgein dOr 
raragiiay j e coaiò este rio no teifapo da sua maior secàv 
^\iic be meiíosi da metade do annO , cofre encanado por? 
•PI» t ré esses montes, foi po^r isso considerado o sitio ^;elo9 
Portujrnezes antli>os , coato a meta das suas Navegaçoetíf^ 
litiViUivas. Ao Sul do Forte de Bourbon , que na latit. dé 
21", 22' Kvaiítaram ©a Espiinlioes , correndo o a^nno l7í>2í: 
íí dista 9 \vgén^ de navegação , cujo Vwgar deiioíaiiiàram; 
í>9 Paulistas, ;g^ Monte de Miguel Jozé == , existem, sobre^ 
%iuibas as n»ai?j*en3 do mesmo Paraguay outros {nente» 
semelhjjiiUç ^ que fermaia o verdadeiro Fecho deste grati- 
«€ rio, por ser a sua margem Oriental de alta Serrania íí 
*!"*^ ^^ estende par* o centro do paiz , bavendo em parte 
«.'• í'ila um remarca vel , e elevadcjk- monte de figara conita ^ 
4"'^ ua Demareaç^õ de 1786 foi designado com o nome 
Jt ão do assacaM- A margecu opposla do referido Pu raguay 
íi>^ tambtui uioíxtuas>a, aíudaque menos afta , e eMensai*!; 
'^lii , *;m meio do lio, ha uma ilba de penedia alta,, que.^ 
í* alcaace dt; clíQSquete „ forma <iíí»s canaes esíreií-os-. ISnj^ 
tts fechos verdadeiros (lugar iRspQítutitissimo do Pare* 
gnay ) termi!>a^i a^ uljagadas ,, amplas, e inntindadâs 



^ >ordii);íiÍyu(;ieBt^ com 4^ dç largo no tempo de, nn^iu.r^ 
chea, Uu ajw.iUameií,to das «g«as > que entaõ cotífundern' 
lís barriis tio P»»ragvfca)t com a sua madre , « os çapaesi 
^os ^ipst Cuiabá ,^ ^, JUeviçíD^o», Taípjg^ry , Im^obetiA ^^«* 
pp»f'-"-<f. % Lri.yo. assas, espaçoso Xorats , dNvade iii. :uo« 
' . ^ '" ((tom erro wui coi^tsiáefavd;)^ àt4Áúr^\JX % 
%Zs>tmm^i do- FuLiiguajv 



Bo Rfo DE Janeitio. 



27 



^amstas, cujo sitio se acha aa latiritade de 
19% distante da foz do rio Taquary (2i) al- 
guns dias de viagem ao Sul, e abaixo da foz 
úo rio Mondego (25) onze legoas. Co»hecid«, 
^ .importância do lugar, que seg^w-a^a tair- 
bem as Minas Dianiantinas das cabeceiras -do 
Páraguay , impedia a nayegaç ao franca de 
Buenos Ayres , e facilitava a. dos Portugue- 
.268, desde o Porto da Vilia de Araritaguába i^ 
-ou Porto Feliz jíelos rios Taquary , Coiim ^ 
Pardo , Paranàa , ou Rio Grande , (?^) e Tie- 

^ \-^^ •; ' : — — — — —■■ — -; — -— f — • 

(24) A boca prmcipaí do, Taquarf no Paragnay eç- 
*à em lat/t. de 19% 15', e longit, de 320^, 32^ lS»s 
primeiras dez le«;oaB de navegaçaã se perde o sen ulveo 

^jpàt tí^rgoB campos, correndo com oito palriíea d'a<rua sc- 
bre a sua superfície, até o Boqueirão do mesmo nome 
Tfariuary, onde corre encanado com a larg4ira de 22* bra- 
ncas , e quasi I de fuado, segundo a descri pçaõ do Dou- 
tor Lacerda em Outubro de 1786. 

(25) ; A* baixo da foz do Taquary 5 lep^oas, entra 
BQ Paraguay o Mondego , (antigamente írabotetiú) pelo 
qual naregàram os primeiros Sertaniâtas , passando as 

'Canoas ' do Anhaoduahy , braço meridional dó Pardo , 
para este, à sahirem no Paraguahy. Na margem dol>^or- 
ti 4» raesoao Mondego, distante 2o legoas à cima da 
SVA foz , ba¥Ía n os Èspanhoes fundado a Cidade Cheres, 
cuja destroiçaõ ficou referida na nota (3), 

(26) Onginando-se o rio Paranàa , ou Grande (como 
iambem o denominam ) , da ISerra Mantiqueira , «listante 
da Villu de Paratii 25 legoas à Oeste; e passando pelo 

, districto da Commarra de 8. Jozé d'ElRei, uma das cinco 
( hoje ) incluídas na Capitania das Minas Gerae.3 , vái por 
Uiuitos, e differentes rumos confímr no Paraguay em 
iatiJt de 27". 25', com 400 legoas de curso totaí,. re- 
cebendo p«r toda essa estensaõ dilatada , e por ambí)^ o» 
Judos, muitos, e j^randes rios , como o Parà-iba , q de 
S. Francisco, o de Tocantins, &c, ao.Norte, e pela 
margem opposta , o Coritiba, e outros staieliiantemeute 
^'•iameso^* Misturend«**e coi» o Paraguay , peia sua ma^- 



I 



'|é, (27) atra vedando o Istimo de Cama? 



gein orientai , toma o Bmne dê Rio <?a Prata coaj" que 
«Htm lio Oeceaniô* VVdg €a[u 3 ,. it©ta (0) e (25). 

(27); fc'*i*aiijentad«i .0 Tieté á Le&íc da Cidade de ^ 
,.l?;mio eiií diatíiiicia: de 2^ legoas, imiis , ou meãos., ing 
barru no iiaraiiàa , pela snu niargírni de Leste i e tem 
de í 02 H largura de 7í> braças , aparta ndo-»e^ da beca do 
liio Í*aido 35i le^pas, seguiide a* v»ltasa do mestiio ri<»* 
JJes-Je a iWz no Lía-ranaa , atè a. Vííla/> de Araritaguàba.^ 
Oiuie íiíuia a iiHVf^;>aíÇaó „ aoií4>.í;Ekse l4í> lagoaí^ no runi» 
gera! díiíSíKlQtíbU„ O Doq^k Mathernatico FrcMicisco j. ^é 
HM Lactrda , uavegandô de Cmabà para S. Paul«, em í78ã* 
iei uui Uiario de Ol^sepvaçõesdoti rios navegáveis atè A^a-â-"! 
^guàba , que com a data de 9 de Setífmbro de I78y remet-^ 
ttíu para Mato Grosso , ond« se conserva , deixando outro s^- 
Hítílhaut^ ôiu S« l*au!o , cuja coiiteudo he assim ** Embarca* 
do em Porto Feliz íio Kio Tietê , por elle êe vai com vinte, 
ou mais dia« (.fitando o Rio cheio ^e t^tmad^ baixa j deu» 
Miete»^,, 9\h mais , conforme o numero de canaa&)j atè o 
!Uio Graiiíie ( no-q^jal desagua o Tietê ); , e á«sí;eado p^r 
•Mite quvíiro, ou cinco dias <ie viagent,. se chega à* b^r!^« 
d)0' Kio Fardo , tenda* passado desd' o porto de etJibaruHt', 
iítè o Rio Grande,, ou à sua^ t^tuida , por cachoeiras nc» 
't4.'9ieis, e dois saltos íbrmidavjyisí, dVtide a agu» se det*^ 
penha , fa2«^tódo-íse preciteo descarregar as canoas , e vare*^ 
ím pm terra, em todos ess<»s lugares escabrosos, e de' 
f^rki^o^ g/ande. Na de*»cidí* do Kio Grande, àpeaas un:^,^ 
iiò ij,i\xiimm denominada' r=Jupiar = , è i^oníío cjwisjdv*- 
ravel , obs^ta o com modo da viagem: e sobindo o» l;io' 
JHvio , por íílk naÕ se enconSsraõ esses objtjes até chegar o* 
> alto do Caria, donde corne^asi a apparecer, coid grar» 
ác^s corren^ezis outras Caxoeiras, que á muito cusio is»e 
veèicem , s^obindo^as à força de Viiras ,, e dte zingas. Dei» 
>náo o Hjo Vardo , sobe se o deiioíairkado Sa^ab^ixai^a cm 
'viuií^tíjii de tr«& à quatro dia* , ondfe s<f fie*caregam ^s 
faunas,, as <|iuy#s,. e suas carga» passam por terra qbí 
♦.iirr©.s até © porlo d» Itio Camapoãn , distante três Ig- 
IjOa^., K^te Kh:^, pequeno ^ &. pouco abundante d'agua vai 
ciríi^if-stí u*i Hjíf» Coxiim ,, à i^Hem entrega o cabedal , 
Cj^uij iMii t,t «o^ítáíra,, para fa>sel^ caudalobo cooi outrp^ 
s^nviítiiautes. , Vixa, q, Co^jiia &*& ^^ssaí» as ca|tp^ em,^ 



00 Rs(f 'BE Jax-íí». 



j^uaii; (ãB^) por Ordeta d© wesraô Geaeral ^ 

_,. • - I _ , . i -, - , ..I, I , .i.^. I I I ^; ■ ii K i < > ii 

telloen», poisc|^«ie a* Canoas graixles só vazias podem pi<^r 
ahi navegar ^ e assim iiiesiwe com grande trabalha em. 
islguta»» psirag-ens , ppiíuipalunentc eni tèmpo seco : car- 

-re^adas pforeai a& Canoa* dos eSíitô» c,a;e lhe« pteifeeít- 
çein ^ e dos proviiiieiitoji precisos i^ descem eiise Rio, ixela 
qual «e gastam seis» a sete dia&^ passando tombem poc 
inuitds Caxoetrsis, até o Kio Taquary , em cuja hviftn 
está a nltit»» » conhecida pelo nom*? de *r Biliago sr ; e 

ídVhi^ í»té o Cuiabá, iieahunia mais se encontra^ De*» 
eido o Taquary por três à quatro di as » e ccwn elle o 
Goxiir», ambos se es^praiaÕ iio» ehamado r: Grande Pauta* 
nal ;=: assas esjtcnso na sua ciríunFerenc-a , cujo íim se desc©» 
lihece , onde naõ se percebe correr, part^cendo estar para- 
da a agua , a qual por mui diáfana , deixa ver o funiio 
de areia , e a fartura de peixe e^!ic«ud]ào pelo a|çuapè , 
( Herva aquática, que cobrií-ido densamente 09 rios ^ ina* 
"deiM a paisagem aws barcos , a.tè í-e. desU^ai-eni pov Fou- 
ces ,^ mi outffos in&trutJadiattts sem«áibai*tcs ) de que abçiii- 
daÕ os rios > e laj^os , fazendo retardar a fucilidade dit 
voga doa barcos peia grossa contextura da sua raunfica^- 
çaõ. Neste pântano ha alguns Capoeiís de matos , uns 
dos quas m<-nos alaígadiçós , faciiilaiH o pouso aos vvajau- 

■Ats pelas horas da tioile : e qu.*ndo elle e«tá elevado eÉr| 
águas, cora um pratico bom da ciírreira «e navega a^Ô 
»QÍr às Povoaçoe»s primeira» do Rio Cuiabi\ na suu subi» 
lia , roas no >eu ubaÈÍmcnt€> , o« quando seco , he precisa 

-|)roc«rar o Kio P»raguay , para chegar aa qaal ^ui'as 

Tvr/.es se gastam osío , dez , e tuí-h dias, conf<jrr5\ç o es^ 

- tado das aguas, e o eouhe(in>ento pratico do director 
«a navegatj-aõ. Chegando ao Parugmvy ^ sobe se pór eil^ 
»té a barra do Rio Ciiiabà , eui cwja d g-fressuõ í*e g •.ra- 
iaram pomo mais, ou ttjeuos de doze djas , e ouircia 
tantos na sulwda desse Rio, até -o lugar, onde se a< h-;* 
o porto g^ral da Riovintia C»iabana^ ,j A parte do Pa- 
ranàn , desde o eneontro^com o Rio Panio , até «ta SêU: 
Quedas , foi particula?^ objecto da observação do Biigíi-. 
deiro Jozé CiiStoriio de Sâ e Faria, em Í774: e o rc lo 

-éo Paraiiàa , das Sete *Quedas para o Sul, e Rio Píití^w 
:|fUHy da Nova Coimbra 3^ tauihem para q Sul, í<^ri.na 

^^àiâervados pelos deaiarcad ores de 1702, 




Memoras Histokicas 

ífevantou alli tífn ptesidio com o nome ãê 
Nova Coimbra, arvofando-se a Bandeira Por- 
tugueza em^l3^ dts^ Set^iwo d^^sé^anttôr^a 
fralda de um morro de meia le^oa de diâme- 
tro , e çolloeado ria margem Oriental do Pa- 
raguay , qiie p cerca pelos lados de L. * ^ í*^. :, 
.é tem pelo O , e S, um pantanal de bastan*- 
te fundo , que se une com aquelle^ rio , ilhando 

V o morro. He este Presidio o ultimo y e ò mais 
austral estabelecimento PortuguezsoÉre o gran- 
de Paraguay, que no anno 1777 teve a des- 
graça de sentir um incêndio , do qual ficou. 
:salva a Casa da Pólvora. Dista de Cuiabá 
190 leg. , po(lendo-se descer pelo rio com via- 
gem de 20 dias. Conta a população de 69 
almas , alem dos indivíduos que o guarnecem , 
as quaes são Curadas poir um Capellão ahi 

s residente/ 

Sobindo o morro do Presidio , situado na 
latitude austral de 19^ 55', e longitude de 
o20^ l', 45"., conforme as observaçoens dos 
Mathematicos jà referidos no anno 1786, e 

boca uoCoxiifii pela marfçeiii do Norte^ A' proporção que 

•por elle se sabe, e passado» alguns córregos seu» ti^ibu^ 

*^|^i**s» vai-se estreitando, e perdendo o fiindo i que re- 

giilarníente fchega a dous palmos d^agua. Com o mesmo 

nome de CamfapnSn e»tâ na latit. de ly^, 35', «má Fa- 

«enda, cujo estafeelecimeato Portuguez , sendo o único 

fundado no centro ^e vastos, e desertos Sertâoris entre 

■ «s grandes rios Páraguay . e Paránàa , e dístuhte em li- 

iika recta à Sulsudoeste da Cidade de Cuiabá 90 legoas , 

he importatisfeimo , assim como o lugar òníais próprio 

parti se fundíir ura Registro à fim de se evitar o extravi© 

' íIq oiíro, que com facilidade se pôde fazer,, e fixar tam- 

hem o direito das fazendas introduzidas '{)0r ahi para e 

Cuiabá, cuja diminuição be inevitável. " \ 



ÍK)^ Rl^ DÊ JaNEIIIÓ; "" 



m^ 



5^00 passos distante dô. rio se acfeam duas* 
Grutas , ou Ca verníis rectangulares , mas di- 
TÍdidas por umtL pedra grande , que forma as 
ÔU9S abobedas , de 50 palmos de comprido, 
e 25 de largo * donde pendem muitas pirami-, 
des íigudissima^ de 6 , à 8 palmos de altura , 
foràiádas de eongelaçõens. Ricardo Franco de 
Almeida Serra , Sargento Mor Engenheiro , 
que do Rio de Janeiro havia acompanl-adò o 
Cr General Luiz de Albuquerque , e sendo jà 
Tenente- Coronel no anno 1796 succedeu no 
interino governo da Capitania por fallecimen' 
to do seu General Jof. o de Albuquerque , foi. 
o primeifo dos escrutadores d*ellas , e quem 
primeiro as descreveu , dando n nome de GVw- 
ia do Inferno ao lugar, p«r acha-lo escutissi- 
mo nas horas mais brilhantes do dia. O Fi- 
losofo Naturalista Alexandre Rodrigues Fer- ; 
reira V qwe acompanhara os sobreditos Ma íhe- 
maticos da Expedição , por ordem positiva 
entrou segundo no exame d'aquella maravilha, 
é do Presidio, cujas pinturas foram por elle^ 
descritas em Carta de ciiíco de Maio de 1791 
ao General João de Alhuquerí|iie , como se \ô, 
♦'Como V. Ex.^ me tem 1^empre pernait- 
iido a kberdade de fallar na sua prese?'ça &,, 
que âlosoficamente sinto > até eu mesmo, (tii3, 
de Portlficação nada entendo , notarei os ini u- 
feriveis delVitos , que aquella tem. Porque;, 
sendo eHa uma Paliçada rectangular , que nem 
no cDadrado a metteu quem a construiu eem 
as quatro €'ort»»as flanqueadas eadá uma pop 
i^u baloorte xato , à saber, a da frente que 
©fim paia O Sul > pelo baiuasiic Saala Ann^^ 



• 



?fv^ 



Mfilldiirâ^ HísfôRT^áí 



€ dà retcfe^aarda áò Norte, ^e^o tóluárfê S^ 
Gonçalo, a d^ lado do Nascente , pelo da^ 
invocarão de ^. Tiago, e a dó Poente, pelo 
da CoGceíção , e estalido a^uella estaead^ eii- 
costada íl escarpa de naaa Colifaa, que afeéi- 
ra na margem õccidHitai d« rio , entre iicna 
duas tTombas , que faz a referida Colina ; taii- 
to aquelias duas trombaií , como o vértice da*^ 
Colina ^ «am outr 9s taiítos padrastos , que a do- ' 
minam demancira , que à i^ed radas #e pôde 
de cima d'ella olfe^.der a guarnição. 

*^ A situação geográfica do referido Presi- 
dio foi detersnrnada pelos Doutores Astrono-- 
«nos da Expedirão de J 786 na latitude A us-' 
Irai de 19'', 55', e na longitude de S^-^O , 15. 
Também entúo se reconheceu, que tinha aquel- 
la Colina meia Jegoa de comprimento N. S. , 
e uui Ter^u» de distancia da sua raaior gros- 
sura. Da outra banda do rio , à akance de* 
um tiro de canhão de calibre 4, fica outras 
Coliaa dominante, que também abeira no rio; 
e essa he a razão ^ por que aquelle angusto* 
canal, que medeia entre ambas a-s Colinas,' 
chamavam os antigos Sertanistas , q«iando por^ 
alli subiam, = Fei&o dos Morros :^=: ; e sen- 
do ent^o certo, que por mais guarnecido que 
seja semelhante passo , nenhuma necessidade^ 
tem os Espantioes de por cile passarem, caso 
que queiram subir aos nossos estabelecimentos, 

** Por ambas as suas margens se derrama o' 
Paraguay , quando cheio , em vastas lagoas , 
e pántanaes, por onJe se pode navegar mui-- 
tO' à vontade na maior parte do annò coniO' 
6.ii* mesmtí naveguei com canoas, carregadas* ^ 



DO Rio DE Janeiro 



È3 



sfgumão viagem sempre pelo compo desde que 
V(']tei do Presidio para cima, até vir sair ao 
Tíiorro do Rabicho , quasi cinco legoas á baixo 
da Povoação de Albuquerque ; e isto com a 
vaniajosa diíFerença de se abreviar muito mais 
a viagem , por,;ue se não perde tempo cm 
segnir as voltas, que faz o aiidâmeiíto do rio , 
«eiirio aliás í*ão grande a sua alagaçâo , que 
segundo a reconheceram os sobreditos empre- 
gados na referida Expedirão de 80 , com.pre- 
hende 80 legoas de N. , à S. , isstu be , da 
foz do JauTu , até a barra da Bahia Negra , 
e 40 d€ largo de Nascente à Poente ^ sobre- 
^mbas as margens do Paraguay, eomprehca- 
dendo grancie parte dos rios Mondego, Ta- 
quary ., S. Lourenijo , ou Porrudds , e Coiab:i , 
qiie entram iielle pela sua margem de Leste. 
*^' Â mesma Gruía do luferno (qtie assim 
ouvi chamar a quem a descreveu o Sargento 
Mór Ricardo Franco *de Almeida Serra) he 
outra armadilha , de que creio que até o pre- 
mente não tem lançado mio o Gentio, por nuo 
ter dado fé delia. Para examina-la, à ciim» 
prir as soberanas Ordens d« Sua Mag^&tade , 
que por V. Ex.^ me foram intimadas , sahi 
d'aquelle Presidio pelas oito horas e meia da 
m^nhãa de 4^ de Abril embarcado em canoa 
ligeira, e esquipada ; e com uma hora , e quar- 
to de caminho , que fiz , rodeando a dita Co- 
lina pela parte do Norte /cheguei ultimamente 
ao porto de desembarque, d'onde gastei ainda 
um quarto de hora afazer uma picada ligeira, 
€ andar a distancia de boas desenove braças 
^ meia entre umas quatro e meia de terreno 



1 

I 



Mejuorias Históricas 



plfino , e coberto de mato , que andei , 
base da Colina , e as quatorze e meia de escar-, 
pa j que subi ,ialé a boca da mencionada^ ruta' 

'' Está situada na contraponta do morro 
que. olha para o Norte ; e a interposiição de 
uma grande pedra a divide em duas , ambas 
rectangulares: porém, a primeira, que he in- 
Híferior, tem^ onze pa4mos de eotaprim.ento ao 
Fumo de Nascente , e oito de largura ; e a 
segunda , que he a superior , por onde entrei ^ 
tem dez pahnos de comprimento E, O. , e sete 
de largura. Pelo que mostram ambas ellas ,. 
ninguém pôde ajurxaF , do que dentro em ú 
he semelhante Grata. O mesnio Sargento Mór 
Ricardo Franeodie Almeida Se ura, quand® n'el- 
la entrou , e a descreveu , não^ a viu em^toda ^ 
quanto he a sua extensão ,, e magnificência. Pe- 
lo que, se k alguém ategora tem parecido enca- 
recida a sua deseripção, he porque à ninguém 
©ocorreu examina-Ià , á%>mo de\e ser ,- para vir 
ao conhecimento do quanto eHa he realmente su- 
perior à; todo o en CÊ r^ cimento. Nâo he como 
a celebrada Gruta^ das Onça« , onde, exceptua- 
da a grande^ia , nada mais ha que ver, se não 
agua , entulhos ,. e morcegos : porem, . até ne 
grandeza, a deixa muito* à perder de visla^ j 
Gruta do Inferno, dignai certamente de un 
mais apropriado* nome, que este, poslo por 
quem a viu primeiro , que sem duvida se lior- 
rorisou da? sua escuridão , e profundidade. 

** Para ver-lhe o fundo , me conduzi com 
muito geito por uma precipitada escarpa à 
baixo , até dar comigo na profundidade de- 
i90 calmos,, sendo aq,uella escarpa^ um enof^ 



ho Uio ixE Janeiro 



:SS 



iiTiissimo entulho de pedras abatidas da abo- 
%eda, que constitue o tecto da Gruta, por 
onde está sempne pingando agua. Marchavam 
adiante de mim doze Pedestj^s com outros 
tantos archotes, que eu providentemente havia 
mandado fazer, nio só para me guiarem os 
passos ,ao descer por um t?.o tenebroso pre- 
cipicio.,, mas tamherti ;para iliuminarem a Gru- 
ta,, <demaíieira^ que ^podessem ver à vontade 
ambos os desenhadores., que me acompanha-, 
-v^am. para a figurarem como convinha. Porem , 
tão grande se foi cila mostrando , e tão teme-' 
rosamente.escura , qne espalhando- se as^luzes,, 
apenas via <^ada qual oprecipicio, .de que es- 
capava, se bem que assim mesmo nos condu- 
zimos :S&m a menor lesão, até chegarmos ao 
.seu .verdadeiro fundo. 

*^* Eis aqui onde a natureza me tóha pre- 
'parado o maravilhoso espectáculo, que recoai- 
pensou dignamente taHto o meu perigo, como 
o meu trabalho. Porque, .olhado â primeira 
vista o todo, depois de distribuidas as luzes 
em proporcionadas distanciai, .representou-se- 
me uma Mesquita subterrânea , e observa :la« 
as suas partes^ cada uma delias fazia saltar 
aos olhos uma difieíente perspectiva. A que 
d» fundo d^aquelle grande Salão se oíferece 
À vihta do espectador collocado à entrada del- 
ia , he a de um magnifico, e snmptuoso theatro , 
todo decorado de curiosíssimos Staleclites , uns 
dependurados da abobeda , que constitue o 
tecto , á maneira de outras tantas goteiras 
susiformes , curtas, ou compridas, grossas, 
í^it delgadas , xedonda^ , .ou compressas, sim- 

11 



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BRKH 



SBBB 



3è 



Memorias Históricas 



pi ices , bifurca cl as , ramosas , tiibe rosas, verru co- 
sas &c. ; outras sahitjdo do pavimento, á maneira, 
de pilares, coliimnas , eolumellos lisos , ou canel- 
fados , pavilboens de eampo , e um (âo Q-ros- 
so , que dous homens o não abarcam. Ao la- 
do esquerdo da mesma Saia se deixa ver ^ 
com.o debruçada sobre elía , uma soberbissinra 
Cascata natural , com todas as suas pedra» 
cobertas de encrustaçoens e^patbosas , e cal- 
f áreas , que vivamente represei^^tavam alveos 
borbotoens de escuma das aguas precipitadas 
d'aqueíla altura. Em outra parte porem do 
mesmo lado parece que a natureza se moldou 
ato gosto da Achitectura Gótica. Por todo esse 
lado estíina espalhados diversos laberintos ^ ca- 
da um cios quaes de per si eonstitue uma ett- 
riosissirnsa gruta. Tem aquella Sala a sua li- 
nha de direcção lançada ao rumo de Leste , 
que he o mesmo, que segue o iiUerior de to- 
da a gruta , com difl'erença de ser cruzado, 
Pelo que segue a boca inferior, viu-se, que 
tão somente o Salão ^ iacluida uma recamara 
sua , tinha de comprimento total cincoenta e 
uma braças. T(?do o seu plano , que aliás 
era irregular, se havia então convertido en^ 
Vim Lago de agua salobra , porem clara , fria , 
€ cristalina ; e recoubeceu-se , que pouco , ou 
uenbum curso tinha , por estar represada pela 
enchente do rio. 

" Como nestes . e n^^outros reconheci rnen to* 
se passaram as quatro horas , que decorreram 
desde as dez da mnhãa , até as duas da tarde „ 
gucceden que se consummissem os archotes ^, 
«a diligencia de coafigurar o que alli vi , <|U€^ 



©o Rio PE Janeiro. 



37 



^ra o mais netavel , fitou reservada para o 
seguinte dia. Voltamos coríi efíeito , já então 
áccompanhados do mesmo Sargeiito Mor Com- 
mandante , e de alí^nmas praças dagnarnição, 
que qiiizeram presenciar as maravilhas , que 
lhes contávamos : porem desta segtmda vez 
fomos tão mal succedidos , como da primeira ,- 
porque a Griua ainda conservava o fumo, qi.e 
lhe havia deitado a iliuminação do dia ante- 
cedente ; e outros novos archotes , que se ha- 
viam feito , sairam delgados , e tão mal brea- 
dos , que apenas davam um.a luz muito escassa. 
Ulumamenie as foí^ueiras , que entSo lembrou 
accender , para substituírem os archotes^ aca- 
baram de a defuuiar de todo , que nem o fo- 
go podia aílumiar , nem nós podíamos res- 
pirar. 

** Terceira vez voltaram á eíla os desenha- 
dores, que foi quando se apromptàram uns 
cacos cheios de azeite , que generosamente deu 
onící-mo Sargento M6r para servirem de lu- 
iTiinariâs , as quaes pouca luz deram , porem 
a. que foi bastante para se tirarem os dous 
proí^pectos que tenho, Vòòq n'aqueHa Gruía 
aquartelar-se à vontade um Corpo de até mil 
homens. Nenhum vestígio achi^mos de ter alli 
entrado outra qr.aíidsde de gente junta „ senão 
a da Expedição passada. O que vimos alli de 
alguma sorte alierado , mostrava que o havia 
sido por mão curiosa : porem dos conhecido» 
sinaes , que costuma deixar o Gentio , nenhum 
achamos. ,, 

Pouco depois da; sobredita entrada >,. inda- 
gando novamente /a Giuta o Tenente Coronel 



3S 



Mesííorias Hístorica^ 



?:;. Vi 



Joakim Jozé Ferreira , achou , que de uma 
das Camarás referidas no fundo d'ella ^ se pas- 
sa-va â outra de grandeza , e curiosidade não 
inferior. Depois de Ferreira descobriu o Aju- 
dante l?raaci^o Rodrigues do Prado , que ae- 
tualmeiíte commaadava o Presidio de Coim- 
bra, outra não menor, eonti^^ua , e commu- 
nicada da mesma forma com a precedente , 
como noticiou na Historia dos índios Guay- 
curas , ou Cavalieiros ^ escriía em 1795^ cujo 
coíiteado íi'auserevo iejmente. 

*' No tpez de Maio de 1775 tiveram vinte 
canoas destes índios a ouzadia de subirem 
peio Rio Paragiiay , até junto de Villa Maria 
que está na latitude de iO"", 3% aonde presio- 
náranj algumas pessoas, e niatiram deseseis 
«a Fazenda de utn Domipgos áa Silva , a quem 
também deixarão morto ,,, e a um filho seu , 
sem embargo de distar esta paragem mai^ de .cena 
iegoas das suas verdadeiras terras. 

** Justes repentinos, e ameudados assaltos ^ 
sofridos pelos Cuiabanos , sobre os quaes ca* 
hiram todos os danos, qtie os Gentios causavam , 
!6imas fVezes nos seus ^lavradores , oatras noa t 
Comnéierciantes , que de S. Paulo, e Rio de 
Janeiro lhes traziam 03 ^generoi , tudo os obri- 
gou a derí'amarem lagrimas. Ora choravam os 
pais, ©s êlhos , os esposos; ora os irmaons, 
parentes, ^ amigoss ^ sempre os bens com 
târo grandes suspiros,, .« ais, que chegados aos 
ouvidos do Il!.^° e Ex.^? jSenhor Luiz de Al- 
buquerque de Mello Pe;r(^ifa e Cáceres , en^- 
tão Governador das Gapitai^ias de Mato' Grosso 
^ Caiabâ^-e eoiaae^anájo^ o seu màmie mIq^^ ■. 



iro Rio de Janeiro. 



39 



-e natural compaixão apensar no grande dano , 
que causavam aí|iieiie5 Selvag-ens ( pois avalia-se 
em mais de {{uatro mil pessoas portuguezas as que 
acabaram em suas maons , em mais de três 
milhoens a perda das fazendas y ouro , &c. ) 
deliberou cohibi-los , mandando sair de Villa 
Bella, h # de Maio de 1775, o Capitão de 
Auxiliares Mathias Ribeiro da Costa , para 
na Vilia de Cuiabá receber poderosa escolta, 
e com ella descer pela& Rios Cuiabá, e Por- 
rudos , até se metter no Paraguaj , è passan- 
do os pantanaes , e variaTeis bocas , que de 
ordinário offerecem os Rios- Taquarj,, e Em- 
botetiu , ir fundar um Presidio no lugar cha- 
mado pelos antigos Sertamistas -=: Peixo dos 
Morros = onde se estreita o Rio por causa 
de uma pequena Ilfea , que o divide; lugar 
já por mim descripto no principio desta obra. 

/' Deu ao sobredito Capitão as instruc- 
çoens mais sabias, que cnt-âo se podiam dar r 
e este homem , mais obrigado dos seu^^ fra- 
cas companheiros, que timida, e inexperto, 
parou deseseis legoas- à baixo da foz d#Ta- 
qijary em \xm lugar ,. em que doos mentes ,. 
que estão lateraes a© Rio , seguem parallelo» 
mm pequeno espa^?© ^ ©nde formaram, na en- 
costa, do monte do lado Occidental , nma fra- 
ea estacada , a qaal denominaram o Real Pre* 
siaio dé nova Comera, na latitude de 19% 
55', ultimo, e mnm austral estabelecimenta 
poítuguez no Paraguay. 

*' Este lugar he insuficiente para a agricul- 
tura , e incapaz para a criação de animaes ^ 
for ser alagada quasi iodos os aiinos set^ m€^ 




SOB 



--^ 



rar 



■ 




40 



EMOiíiAs Históricas 



^•t 



li^^ 



zes : passam-se dou^ annos , sem que os cam- 
pos surjam das aguas , como accotitecea nos 
de 8791 , e 1793. Pouco pôde eile servir psira 
embaraçar a passagem dos Espanhoes , e nada 
a fuga dos Portugueses , e de seus escríivosu 
Contudo, depois da sua fuodaçao os GuaV" 
ruius, e Payaguás não tornai ram à insultar 
os Portu^uezes : só os primeiros íizerão um 
grande massacro na guarnição deste Presidio 
i de Nova Coimbra ; e para narrar este sue» 
cesso , aparo de novo a peuiia. 

^-^ Antes de me apartar deste lusçar , con- 
tarei ^ que no monte , cujas fraldas occupa o' 
Presidio , está uma grande Gruta , na qual , 
depois de d.escer-se ^8 varas por uma descida 
trabalhosa, chega-se a íhb Salão de 59 va- 
ras de comprido, e 35 de largo, .sendo dei- 
tas 11 occupadas de aguas as mais frescas, 
e cristalinas , porem no sabor desagradáveis 
Este Lago termina a Gruta pelo lado direito , 
e por toda a extensão; e na parte mais fun- 
dada tem 24 palmos de alto. Neste presente 
anno de 1795, indo-se à Gruta no mez de 
Fevereiro , topou-se no Lago um Jacaré , que 
tinha uma mão cortada: cousa que me fez 
persuadir , que o dito Lago se coramunica com 
o Rio distante mil passos. Nesta sala estam sete 
colunas; três em frente, e quatro à fundo, 
todas de pedras congeladas das aguas , que 
de continuo estam pingando da abobeda: a 
mais grossa tem 30 palmos de circunferência , 
e 26 de alto; e a menor, 12 de grossura. He 
o lugar o mais maravilhoso de todo este sob^ 
terraneo edifício. Em parte se divisa (à> bp- 




i>0 Iliô DE Janeiro. 



41 



^i^fi-ciô àe luzes ) o iseu pavimento de uma 
arêa lusente; em outra, cristalina agua, im 
qual vai fenecer a abobeda, onde estam cres- 
cendo mii figuras bellas , e iaiuimeraveiá j>e- 
dras , que a natureza coiu hábil mão vai for- 
mando. As colunas parecem feitns cohí arte : 
umas sam de meias canas, outras aÍ3ería« em 
tarjas: eatas se prendem no tecto; sobre a 
fjndlas esíaiii pendentes ditlerentes folha^çens. 
A altura dâ abobeda no mais alto , teiu 60 
palmos. 

*' Observado etíte soberbo edifício , não 
he possivei que o esjíectador deixe de se trans- 
portar de praser , uiisíurado contudo de seu- 
limento de ver uiua producção assas elegante > 
e admirável da natureza, posía em iijgar , 
ovule tão raramente obtsm o tributo próprio 
da sua raridade, e belleza, que merece. Ou- 
ti-as particularidades tem esta celebre Grala,, 
que deixo de escrever, por tê-la o Doutor 
Naturalista Alexandre Rorlrigues Ferreira dese- 
nhado, e feito delia narra<;jão por Ordem de 
Sua Ma2:estade. Em outro monte , -que dista 
algumas íegoas do Presidio, estam. *ei8 uru- 
tas, porem menores da que fica referida. „ 

Além das Povoacoens atéqui rcfetidas , es- 
tam no Termo Cuiabano , do Rio abaixo , o Ar- 
raial de Santo António de Amaraiíte ( como 
foi appellidado peio Governador Luiz Phíío de 
Souza, mudando-lhe o nome Araés da sua 
origem (29) ) distante 6 Íegoas da Matrix do 



Ú 



(29) Por Aira Bando publico de 14 de Março de 
I769 mudou aquelle General os nomes ás rtívoa^ocasí 

Tem. IX^ 6 



4â 



Memorias Históricas 






Senhor Bom Jeziis ^ onde ha uma CstpéHa 

dedicada ao mesmo Santo , e existia um Ca-^ 
pelião para administrar o pasto espiritual aog 
alii. habiíaetes, que no anno 181 1 montavam 
a J:417 pessoas, cuja população tem. diaiinui- 
do, peVd ex-tinc^do de vários Engenhos , onde 
trabalhava muita parte de seus índividuos. 

O de S. Jozé dos Cocaes , que ontr^ora 
fora parochiado por Capellão Cuiado, em be- 
nefíciu de, g;228 almas , que ahi babitavam , 
e diííta 9 le^ous ao Poeate da Cidade ,^í em 
cujo sitio exista o Templo dedicado ao Me- 
aino Deus do Livramento. O do Rio acima,, 
onde há a Cí>pe!ía de N. Sra, do Rosário. 

As Aldeãs dé S. João, .de S. Jozé, e 
de Santa Anna; e o Districto do "Rio á cima> 
no q^n] , não havendo povoação janta, exis- 
tia contudo um Capeilão Curado para auxi- 
liai com os Santos Sacramentos a 2:000 almas- 
derramadas por sitios dirferentes , roças , fa^ 
zeodas , e engenhos á distancias notáveis, 
como he a de 40 k-goas , en> que fica de 
Cuiab' a Fazenda, ou Eog-enho <Ie, Ignaeio 
de Souza.. A Capella abi fundada tem por saa 
Titular, e Orago N. Sra do Rosário. 

Guarnecem o Districto Cuiabano uma Es- 



áan^o-íhes, segundo as Ordens Regias, outros semeilwp* 
tes porque se conhecem vários Hio^dres d'o Reino. O Forte 
dâ Conceição ficou d'entaõ coníiecido pelo appeilído de 
Bragança; e hoje Forte do Principe da. Beira : a ATtkm 
^e S. JeaÕ, Lugar de Lamego; o Desíacaujerito das Pe- 
éras, Palmella; o Lucrar de S, Jozè , Leomil; e o d=e 
^anta Anna da Chapadi no diathcto de Cuiabá , Gui>^ 



maramis. 



ho Rio BE Javeíií®, 



4$ 



quadra paga de Dragoens, que o 1.° Govef- 
nador e Capitão Gonerai D. Autoiíio Ilolim 
de Moura creou , uma Legião Auxiliar de 
de Cavailaria , levantada oiiv 21 de Ag'osío de 
J769 pelo General Luiz i^^inio de Sou/a coai 
o tituJo áe Ussm^s , e uma Legião Auxiliar 
de infantaria. 

Da p.ovíj Província de Cuiabá foi primei- 
ro Guarda Mor / e l*€geute/ o seu desco- 
bridor Pascoal Moreira Cabral , aíéque o Go- 
vernador de S. Paulo nomeasse a João Au- 
tunes Maciel fará o subslituir ns Regência; 
e creando o mesmo Goveruador afíi o cargo 
de Superintendei^te das terras liuitieraes , e uma 
Provedoria de Fazen la Real , proveu ii'aquelle 
a Fernaudo Dias Falcão, e nesta a Jacinto 
Barboza Lopes ^ revestidí) do Posto Capitão 
Biór, que menos prudente n-o modo de co- 
brar os direitos da Fazenda de Elflei , e mais 
ambicioso de ersgro«sa-la , principiou à assolar o 
Cuiabá, exibindo de toda, e qualgucr pessoa 
do seu continente 6 oitavas de ouro por cabeça , 
8 oitavas por entrada de cada fardo de fazendas 
secas, 5 oitavas por cada carga de molhados ^ 
e 4 oitavas por cada preto ou índio. 

Com princípios diametralmente oppostos 
ao fundamento d^essa nova província, se foi 
consternando o paiz , cuja cultura diminuiu , 
faltando lhe os braços, e a principal siistan- 
cia , por taes vexames , pela fome , esterilidade, 
moléstias ; e perdas de soccorros , que toma- 
dos umas \ãzes pelos . índios bárbaros ^ e ac- 
tuaes perseguidores, dos novos colonos , chega- 
ram em outras perdidos , e sem algum proveito. 

6 ii 



4é 



MCMORIAS HlSTOKIClS 



D'ahi SC originou a de&esperação, em que entrotí 
o Povo, resoluto a deixar secretamente a ter- 
ra para ir ej^tabelceer-se no novo Goiás , di»^ 
tante 162 legoas , cujo descobrimento seiíavia 
ROtiriado no anno 1727; accressendo à es-es 
iBotivos os factos memorandos, que os An- 
KF.es de Cuiabá. (30) referiram accontecidos no 



&BUO 1728, e sam os seguintes. 



l.° Tenda-se collocado kio dia Qííinta Fei- 
ra Maior o Santissimn Sacrarftento em- Custo- 
dia soí re uma banqueta de ma/.íeira , e sem 
qiíe aiii chegasse pessoa alguma , i\n ella vis-. 



> (3{>) Por Ordem do Consfelho Ukramaiino de 2Ò áe 
JmIHo de 1782 , qu-u se íeoistrou no Liv. de lie^istr. das- 
Provisoens da CamHra da' villn de Cui;^oá a fí. I96 v. 
iiè obrigHdo o Vereador segiiirdo d'ella k ef-crtrer chrr- 
wõlogicauieiíte m taetos mais notáveis , qne na seu an«o 
acronteíerem. NaÕ havendo eiitaõ pessoa- ujoiuna d® te*tn- 
po antigo, í^ue podesse oofetribuir coin instruiçoeus para 
se orf>anistir o Ánn^l desde o principio fi>i ida menta! de 
(yuiabà' existia áuenas um reiatario de memorias, que 
J®zè Barboza de Sà , Ad vogado da ViHa-, e^Teveru alè 
© aijno 176'Ô, com o-qwal,. e com ontFais uotkias , dudas 
por habitantes mais longe^-o» da Pmviutiií , começou o bu- 
bredito Verx-ador à coHipor a I istoria do descobrimento ^ 
e«uocessos rcíspectivos de Cuíidtà , ctjjo escrito corri<j-i'U 
o douto Juiz dê Fora Diogo de Tolledo^ í.ara Ordonbes 
(boje Conselheiro dftCon^eli{o d^i Fa^euda do Brasil ) tenda 
presentes os Livres primeiros de Vereaiiç.as , e Rei^istros>, 
qi3e e5<istiam ik) Arehivo da mesma Cam^ura , à vUta doa 
Quaes ticàran» notados alg^uas aiiacronismos , e erros^es^eA- 
feiaes da historia escrita, atè o anno 178-7. D'ahi em dí-' 
an4e íicou estabelecido, que apresentada a memoria-los 
tacto» de cada anno em Camnra , por ella ,. com o "seu 
Iresrdente, fo^^^se notada, approvada, e assinada, para ter 
& píecisa qualidade de veridi< a. O mesmo accontece^ cí>i^ 
CS Annaes de Mato Grosso: e de^mbos eífes à vista e^S*. 
iraln, a maior pane das naticuis , q^ue refiio. 



:N! 



BO Rio de Janeiro. 



45 



ta volta rse pura o lado da Epistola; e pare- 
cendo acs circunstantes, que al^inii descuido , 
ou iupeifeiçSo do assento podesse orcssionar 
o, que presenceavarn , de novo foi o Sacerdote 
endiieilâ-la , -e examinar o lugar: mas nr*o 
obclaute o cuidado, a cautela, e circunsp«c- 
tjc^o^ com que se procedeu então , foi preciso 
li-petir o mesmo exame à face do Povo , até- 
tjue ficou a Custodia immovel 2." Saindo de 
Cuiabá em diaas do mez de Abiil do mesmo 
auno mi^iíi de mij pessoas para S. Paido , en- 
viou o General Rodrigo César ii^aquella mon- 
ção, e conducta , sete arrobas de ouro dos 
Quintos, e mais Diíeitos Reaes , em quatro 
caixoens , ou cunhetes , de qtie foi ene arre ^a- 
d(» o Padre André dos Santas Queiíòs, o mes- 
mo, que conduzira a primeira remessa ex- 
pedida por Pascoal IVioreira ; e sendo elles 
flelmeiite eníreo^ues em S Paulo ao Provedor 
da F. Real Sebastião Fernandes do Reo-o , 
d'alli se remetteram com as devidas cautellas 
ao Rio de Janeiro para passarem à Li>bGa , 
Oíi^le abertos . appareceu chum.bo em graons de 
muiii^ão, à troco do ouro. Dando tanfo estron- 
do essa metamorpbose , mandou ElRei ao Juiz 
(então) do Fisco do Rio de Janeiro Roberto 
Cár Ribeiro de Bustamante , que fosse imme- 
diatameriie devaçar do caso, de cuja dilio^n- 
cia resultou a prisfio do Provedor sobredito, 
e o stquestro de seys bens: mas .remettido à 
Caqea de Lisboa , e mostrando com assas evi- 
dencia a falsidade do Crime imputado, n?o só 
conseguiu a sua liberdade , mas a entrega to- 
tal dos mesmos bens. 



Memorias Históricas 



Como quer qne fosse , ou parecesse aos 
juízos ciifíerentes dns homens cordatos , he cer- 
to , que o Povo de Cniabi derramou lagrimas 
amargo5;as com a falta, dos escravos, e das 
fazendas ( por não terom outros recursos , e 
meios ) , qiii» deram em pagamento dos f>irei- 
tos íleacs, de cujos bens , extriihid(;s à força 
da violência, e da mai^í odiosa crueldade, se 
prefizeram as sobreditas sete arrobas de ouro, 
com as quaes deiigenciou o executor d'esÊa 
arrecalaçíão agTadar ao General, pela escolha 
q')e d'el!e íi/;era para fiscal da cobranc^^a, e 
lisongoar ao Monarca , de quem pretendia ob- 
ter avultadas Gradas por taes serviços, de- 
formando depois o General a cobrança do 
Quinto pela contribuiçi^o dos Escravos, e pro- 
videnciando de outra maneira sobre as ne- 
cessidades, e proveito piíblico, se retirou 
à Capital de S. Paulo em dias do mez 
de Setembro do anno dito 17^28, deixando a 
terra cm mais socego , para lamentar à seu 
gosto os vexames , porque passara , e o go- 
verno militar d'ella ao Brig-adeiro António de 
Almeida Lara. 

Por D. da 19 de .lameiro de 1736 fo. 
ram ds novo creados os lugares sobreditos de 
Provedor, e de íntentendente de Cuiabá, com 
o Ordenado de i;600:000 íeis annuaimente : 
e como se duvidasse a qualidade de ajuda de 
custo, que convinha dar-se ao Ministro, in- 
cumbido de estabelecer a Capitação da nova 
Intendência ; por Aviso de 30 do mez , e anno 
accusado foi mandado o General Conde de 
Sarzeda^ informar-se de pessoas praticas sobre 



DO RrO DE jANEmO. 



élí 



da Cru 2 o Cargo de 



© assumpto, para se arbitrar, como pareces- 
se coaveíiírnte. O Bacharel Manoel Rodrigues 
Torres , provido nVlles , prindpiou à servi- 
los em \73S : mas nao tardou ; que pelas 
suas violências, excessos^ e muito mais por 
faltar meia arroba de ouro no Balanço^ que 
por Ordem do General D. Luiz de Mascare- 
nhas deu o Ouvidor da Provincia , fosse pre- 
so no atmo seguinte 1739. í)'enlão ficou o 
Ouvidor servindo ambos os luo-ares , atéqúe 
o D. de 4 de Janeiro de 1774 , separando 
o de Provedor da F. H. , proveu-o , com o 
Ou?enado de i ; 8000: OCO reis , em Filippe Jo- 
zé Nogueira , que entrou à servi-lo em 1776 : 
e separada igualmente a intendência, foi ser- 
vir Jo?ão da Fonceca 
Intendente , occupando-o desde lléG. 

Conhecida a precisão extrema de um Ma* 
gistrado privativo , que em Continen!e assas 
remoto administrasse Justi^-a aos Póvbs con- 
forme as Leis Pátrias , cujt> recurso não po* 
diam ler com presteza, 'pela longitude enor- 
me de S. Paulo, onde resi<!ia o Ouvidor Ge- 
ral ; e dt>cl:iraado ElRei a Sua Resolução sobre 
esse assumpto, Mar.dou ao Desembargo do 
Paço, poF D. de 6 de Abril de 1727, que 
lhe consultasse um Bacha^rel para Ouvidor de 
Cuiabá. Provido n^essa Magistratura Jozé de 
Bargos Villalobos , chegou ao lugar do seu 
destino no fim do anno"l730: e substituindo 
no emprego a António Álvares Lanhas Peií- 
xoto, Ouvidor que era Geral da Capitania de 
S: Paulo , poz os seus cuidados não só na. 
arrecadação das Fazendas da Corea, e dos 




Memorias Históricas 



Defuntos e Au^^entes , mas na constrncção das 
Casas de Camará , Cadea , e da sua residência, 
que fez erigir. Tendo-se contado ahi quatro 
Ouvidores corn o ultimo Jo^o António Va« 
Morilhas , se extinguiu esse lugar em Cuiabá , 
por passar o seu assento pai*a a ViUa Baila , 
Caj)ital de Mato Grosso, em 1758, e creando- 
s^e para esta a Vara de Juiz de Fora , foi seu 
1.° Serventuário o Bacharel Constantino Jozé 
de Azevedo , por C. H. de 28 de As^osto de 
1760 ao General D. António Uollim. Dirigindo- 
se este Ministro à Mato Grosso para dar o 
jurainento de Provedor das Capellas ao mes- 
iiio Governador, tomou posse dos empregos 
€m Cuiabá a V> de Agosto ae I7oO. 

Tendo a Ordem Ues^ia de 8 de Feverei- 
ro de 1730, e o Decreto de 28 de JaReiro 
de 1736, mandado esta'>elecer nesta Provincia 
uma Casa de Fundição, onde o Ouro -em pó 
se reduzisse á^ barras , como se providenciou 
também noutros lugares mineraes , (^81) à fim 
de se pod«ír mais proíicuamente executar o 
systema da Capitação , e senso ; e restabele- 
cendo o Alvará com força de Lej ^e 3 de 
Dezenbro cie 1750 ( C^p. l , %, l.) as Casas 
de Fundição, foi por elle ordenado ( Cap. ^. 
§. 2. ) que em cadauma das cabeças de Com- 
marca das Minas do Brasil se fabricasse , e 
estabelecesse logo à custa da F. R. uma ca- 
sa , na qual se fundisse o ouro extrahido das 
mesmas Minas. Para se eífeituar em Cuiabá 
esse estabelecimento, se lhe inviàram os Offi. 



{3l) Vede Liv. 8, P. <2. Cap. 4, Minas Geraes. 



DO Riò DE Janeiro. 



49 



cias competentes em 1751 , mas inutilmente; 
porque , nem as Ordens anteriores , nem o 
citado Alvará se cumpriram ahi , atéque o Ge- 
neral Lui2 Pinto de Souza , ouvindo as re« 
presentaçoens do Povo (desde 20 de Julho, 
até 3 de Novembro de 1769, em cujo espaço 
de tempo residia n'essa Vilia ) , determinou 
erigir em Mato Grosso a Fundição à benefi- 
cio dos Cuiabanos ( como fe*z saber peio Ban- 
do de 19 de Novembro de 1771 , que foi 
publicado na mesma Vil!a a õ de Dezembro, 
e se registrou no Liv. de Registr. das Provis. 
de fl. 1 Í7 V. à íl. 119 d^aquella Camará ) cu- 
jo exercicio prin<'ipiou no mez de Janeiro de 
1772. (32) Por Ordem Ue^ia do anno 1820^ 
e pelos motivos nella ponderados, foi man- 
dada transferir para Cuiabá esta Gaza de Fun*- 
dição , a Junta da Fazenda , e a da residên- 
cia, do Governador , elevando a Cidade de, 
Cuiabá ao assento de Capital da Provincia. 

Os jovens desta Provincia acham nos Pro- 
fessores íiegios de Primeiras Letras , Grama* 
iica Latina , e Filosofia , com quem se instru- 
am competentemente: mas sendo a terra mui 
própria para crear homens , sente contudo fal- 



(32) Estabelecida a Fund-çaõ em Mato Grosso , fi 
càram os Cuiabanos pagando o Quinto por inteiro, en" 
tretantoque os habi antes de Vil la Bella gozaram a graça 
de pagar só meio Quinto atè o fim do anno 1 789. Exce* 
diendo o ouro de Cuiabá o toque de 23 quilates, seu va- 
lor se reputou á 1;20() reis por oitava, e ò de Mato Gros" 
so á 1350 reis : e o ouro do mesmo Cuiabá fundido no 
anno primeiro de I772 , importou I07 arrobais, 3 mar- 
cos , 1 ouça , 2 ©itavas , 42 graons , ou como referiu o 
Annual de Mato Grosso , 4Í<|)323 oitavas. 
Tom, IX. 7 



1 



(I 




Memorias HiST^Hictàf 



ta de meios proporcionados , que ^s condu* 
5?am á perfeita uístnicção politica , e civil. 
Por effeito de Bina Conta do Governador e 
Céipitlo General des^a Capitania João Carlos 
Augusto de Oeynhausenj , datada em 31 de 
Maio de J8 14, confirmou a €. R. de 16 de 
Janeiro de \8\7 os Estatutos de uma Socie- 
dade formada para a Mineração dos metaes , 
preciosos deste di^tricto Cuiabano , animando 
assim ajnduíitria dos povosMiesle ramo im- 
portantissimo da riqueza do Império do Bra- 
sil : e paraque no mesmo Cuiabá se mlrodu» 
^sse esse fabrico , quanto fo?^^e possivel , Or- 
denou também áqueile (íovernador , que insi- 
|iua«he á mesma Campanhia o mandar à sua 
casta pessoas capazes de se iní^truirem na ar- 
te de fundir o ferro , em que a< tnalmente tra- 
balhavam as Fabricas Reaes estabelecidas nas 
Capitanias de S. Paulo, e Mina» Geraes^ logo- 
que as suas forças o permittissem. 

Com o augmeiíto da cultura do p£à2 crés* 
^m ^ sua povoação , que em pouco tempo s€r' 
fjg* notável : e como as vistas do Pastor Or* 
dinario do Rio de Janeiro nâo podiam abran-* 
ger tão reiBoía parte do seu território, seiBt 
que á muito custo administrasse a pasto e&- 
|>ír|tHal aos habitantes d^elle por Sacerdote» 
tfe pouca discripç: o , e algumas vezes de mm 
escassa moralidade , os qnaes , occasionando dis- 
sabores públicos , cuidavam antes nos meio-S 
de se enriquecerem , que de &e fazerem! digj* 
Bos do cargo parochial pelos bons exemplos 
em meio de um povo necessâtíido de conduc^ 
tores saoiis, jp^g^ scLi* felia! ao negoexQ impoi?- 



DO Rio de Jakeiuo. 



Si 



tantissimo da salvação, e cumprir também com 
probidade as obriga çoeiis inherentes de Cida- 
daons , e de Subditos obedientes às Leis â9 
Soberano ; Debberou ElRei D. João V. sup- 
plicar a creaçao de uma Prelazia no districto 
de Cuiabá , à que estava annexo o de Mato 
Grosso , à fim de vigiar o novo Diecesano os 
interesses espirituaes dos Povos allr residentes^ 
de que tanto pende a felicidade do Estado. 
Com este intuito , próprio de tam Monarcha 
Catholico , e assas Religioso, obteve do SS, 
Padre Benedicto XIV. a Bulia zr- Candor lu- 
€Ís = datado a 6 do mez de Dezembro do 
anno i746, que desunindo do Bispado do Rio 
de Janeiro a porção de Cuiabá , e de Maio 
Cfrosso, n*ella deu assento à nova Diecese. (33) 
Era de esperar , que por esta creaçao se 
Bomeasse logo algum Ecclesiastico digno de 
sustentar o Cargo Prelaticio, à ctya vigilância 
ficasse a providencia espiritual d'aquelles po- 
vos. Não accontecendo porem assim , decorre- 
ram annos, atéque , em 23 de Janeiro de IT82, 
mereceu o Padre Joze Nicoláo de Azevedo 
Coutinbo Gentil a Eleição d« Prelado de Cuia- 
bá , a quem as Letras Apostólicas de 1 1 de 
Setembro do anno segíiinte declararam Bispo 
Titular de Zoara, Havia a saudosa Rainha 
escolhido , em 1788, para a Prelazia de Goiás 
a P. Fr, Vicente do Espirito Santo , da Or- 



(33) Vede a Bulia , que creou esta Prelazia , e a é« 
Goiaz , totaliter exemptas^ ôforelli ( Fasti Novi Orbis ) 
a. referiu &ub Ord. 5^0 , An. 1746, Decetnb. 6, cuja e«*- 
posição ( pelo naesmo Á \ transereverei , quando 
4e Cr«iks , €ap. 3. 

7 ú 



52 



Memorias Históricas 



dem de Santo Agostinho, e Bispo de S. Tho- 
mé,.a quem as acíuaes moléstias inhsbiram de 
passar á essa Diocese ; e como pouco depois 
failecesse^ íbi nomeado à succeder lhe o Bispo 
de Zoára em 7 de Março do mesmo anno. 
Vagando porém o Decanato da Real Capella 
de Villa Viçosa em 179i , por falleçimento de 
seu possuidor D. Vicente da Gama Leal , Bispo 
de Hefalonia , que havia sido Eleito na Coa- 
djuíoria , e futura §uccessão do Bispado do 
Rio de ^Janeiro à 21 de Janeiro de 1755, 
por nomeação Regia de 22 de Março d'aquelle 
anno 1791 entrou o mesrao Bi.spo na posse 
do novo Beneficio Decanal , ficando por esse 
facto ambas as Prelazias sem praprietarios , 
que as regessem. Entretanto conservou o Bispo 
do Rio de Janeiro a sua jurisdicção sobr'elIas, 
atéque ¥cá Sua Magestade ( hoje , e então 
Principe Regente) Servido Resolver em 20 de 
Outubro de 1805 a Consulta da Meza da Cons^ 
ciência, e Ordens, á favor de Luiz de Castro 
Pereira , Cónego Regular de S. João Evan- 
gelista , e Doulor em Tbeologia, que provido 
no Cargo Prelaticio de Cuiabá em 29 do mes- 
mo mez^ e anno , e impetrando o Titulo Epis- 
copal in partibus (com Permissão Regia)., 
obteve do SS. Padre Pio VIL o de Ptoiomai- 
da, com que se Sagrou em 1 i de Julho de 
3805. Não affirmo, que dezejando este novo 
Prelado melhorar de Diecese (como dezeja a 
maior parte dos nomeados para as de fracos 
reditos , ou pouco saudáveis , apenas se achí^o 
Sagrados, e bem protegidos) se atrazava ra 
deliberação de deixar Lisboa , tenda alias sido 




DO Rio de Janeiro. 



53 



cuidadoso em se empossar do Beneficio para 
colher os seus fructos com suavidade^ sí ego, 
e sem trabalho: mas he certo , que o Minis- 
tério o obrigou em 1807 à retirar-se para 
o lugar do seu destino , e que elle desde o 
mez de Agosto de 1808 ( tendose empossado 
por seu procurador o Vigário da Igreja do 
Sr. Bom Jezus Padre Agoslinho Lviiz Gularíe 
Pereira a 8 de De/embro do anno antecederUe ) 
residia na mesnna Cidade Real de Cuiabá , 
onde exercia o Pastoral Officio com satisfa- 
ção geral de seus Diecesaoos. Por nonteação 
do SenhoT Hei D. João VI, em 2\ de Abril 
de 1821 foi designado para subvstitt ir a Mitra 
vaga do Bispado de Bragança. Falleceu no 
mesoío Cuiabá a 1 de Agosto de 1822, 

Com prebende esta Prelazia (assim como 
a Capitania de Ciiiabà , e Mato Grossp ) um 
vastissimo território no ctntro da Amenca Me- 
ridional , cuja superlicíe igsiala ao quadro de 
880 leproan superíicsaes , de que lhe resulta 
quasi <f20 peia esíensão de cada lado. Extro^ 
ma ao Norte com as Capitanias do Pará , e 
Rio Negro; ao Oriente, com as de Goiás, 
e de S. Paulo, pelo no Araguay, ou Arara- 

guaya ; ao Sul com o Paraguay ], (34) e ao 

1 1 ..i—^^.— - II I I 

(34) Com o nome de Rio Grande he este rio conhe- 
cido na Capitania de Maio Grosso, de ctp T- ' \ dig. 
ia 200 leg. , e faz a extrema mais Orie tal d'ella com 
a de Goiás. Origina-se pela latit. de 19^ ; v cO-.e. do d 
S, á N, cortado em vários pontos pelo Meridiano d 
328"^, conflue com o rio Vermelho , e outios, ena latit u^ 
de 6** , cora o Tocantins , onde perde o n®m>e. Unidos en" 
ta© , e cofrendo 370 leg®as , vam engrossar esses dous rios 
© Oceano, fazendo, com 6 legoas de hz ^ a boca austral 




M 



Memorias Históricas 



* 



Oeciãente confina com o amplíssimo Peru nos 
três Governos Espanhoes do Paraguajr , Cara- 
cas , Ciiiqnitos^ e Mochos (35) 

Sendo tão dilatado o districto ecclesiasti- 
CO , em todo eile se conservam poucas Paro- 
quias, cujas origens constam dos Annaes de 
Cuiabá, e de Mato Grosso, como esporei. 

Na comitiva dos novos povoadores de Cuia- 
bá , chegados em dias quasi últimos do anno 
JTâO, foi o Padre Jerónimo Botelho, que, 
como Capeilão , celebrou os primeiros Officios 
Divinos no Templo erigido á N. Sra. da Pe- 
nha de França , e situado no lugar denomina- 
do Forquilha Correndo o anno 1722 levantou 
o Capitão Mor Jacinto Barboza Lopes outro 

4(> TOUximo Amazonas na latit. de 1^, 40' entre as duas 
bahias famosas de Morapatà , e do Limoeiro , fronteira^ 
á grande jlha de Joannes ou de Marajó, e ^20 legoas á 
Oeste da Cidade do Pará , onde as Naçoens de valentes 
Jndios , seus povoadores , o denonainam Araguaia , «te 
^raraguaia, He elle abundante em todos os efteito* , que 
fa^em a privativa riqueza do Estado do Peru ; e desde 
a Cidade da mesma Provincia Peruana se pôde chegar 
por uma navegação seguida, sem interrupção, ao centro 
do Brasil , e Capitania de Mato Grosso , como se pôde 
praticar tombem pelo R,io das Mortes, que retalha n 
Capitania das Geraes , eajas fontes mais distantes se ori- 
ginam muito ao Poente das do Rio Grande { do qual he 
br^ço mais superior, e oçcidental ) correndo por grande 
espaço á Leste, e ao Norte »,atè encorporar-se no de Ara* 
raguaj^i^ c^n^ 150. legoas de correnteza pela latit. de 1'2° : 
ppis que todo o Rio das Mortes está dentro da Capita- 
nia de Mdto Grosso. Paliando Berredo { Annaes Histor 
4p MaranhÕ Liv. 17 ) sebre a expedição do Tocantins , 
disse ( num. 1205), que elle descobrira o grande de 
J.raguaia, até a altura de 12,« 22, §çn4p aesse teoi|í9 
Qqvernador do E&tado. 

(35 j Vede Cap. 2 nota (^), 



»G RfO DE JAHBIKÕà 



§9 



Templo para servir de Maíiiz , cledicaíráo-o ãô 
&irihor Bom Jtsus ( ci?js imagem consta que fi- 
zera uína mulher em S Pauio , e sí- conduziu pa- 
ra alliem 1729) , (*) ouíie Fr. Paritico dos An- 
jos, Religioso Franciscano , e irmão do funda- 
dor , celebrou a primeira Missa. Arruinado esse 
fraco, e pobre edifício, poisque era até cober- 
to de palha , se fundou no mesmo lugar ou-* 
tro mais subsistente com paredes de taipa , (36) 
que foi substituido pelo fabricado de novo n^ 
anno de 1740 à diligencias do Vicário Jono 
Caetano Leite , contribuindo cada pessoa cottt 
a esmolia de doze vinteins. O Vigário Jogé Pe* 
reira Duarte , ajudado pelo efficaz trabalha 
pessoal , e instrueçoens de Fr. Jozé da Coi$-# 
Geição Paço d' Arcos , Religioso Leiga, qut 
alli residia empregado na requisição das B^ 
molas para a Terra Santa, concluiu essa obra , 
erigindo-lhe a torre , e fez outios benefícios 
á mesma Igreja, á custa das suas rendas pa- 
i^oehiaes , e de algumas esmolas dtrs parochia*- 
310S. Por providencia do Cabido Sede Vacanté 
do Rio de Janeiro, em falta do R. Bispo D. 
Francisco de S. Jerónimo, pa&soii no anno 
1724 o Padre Manoel Teixeira Rebello á ad- 
Biinistrar essa Igreja , então Curada, e a Va^- 
ra ahi creada de novo ; mas o Padre Loureiífo 
de Tolledo Taqnes;, que por proviímento d# 
R. Bispo D. Fr. António de Guadalupe , lhe' 



' -^? ' - I ■ *'n'^MT i n- | 



iiiifit-(rr.i 'tm*tfi'^nt' 



(*) V, o Appendice junto. 

(SCy Parede feita de terra pissàrrèuta , ou bar¥ò caT- 
«?«das entre deus tabooeiis paTirlleltís, é Ctfja diètí^cia 
be proporcionada» a^gtcMttraf <fe |fòi^d^. 





Memorias Históricas 



succedeu em ambos os cargos , teve a nomea- 
ção de l.« Paroco"d'aqiielías Minas , e tam- 
bém a de J.® Visitador Ordinário do seu con* 
tineiite. Por Alvará de 16 de Dezembro de 
1803 foram os reditos parochiaes da mesma 
Igreja applicados como parte ^ ou adjutorio 
à diminuía Côngrua do Prelado ; e por isso 
íicou ella exceptuada da classe das Colladas. 
He servida por dous Coadjutores na Cidade, 
e suas visinhanças. Seu território comprehende 
em grandes longitudes as Povóaçoens de S. 
Pedro d'ElRei , Paraguay Diamantino, e Rio 
à cima , as quaes estam nos termos de se 
dividirem da Matriz Mái , n'outras tantas Pa- 
rochias , poisque esta conta espalhadas por 
quarenta legoas 14 a 15:000 almas. Seu ren- 
dimento annual foi lotado em 1; 200: 000 reis, 
como informou o Ouvidor da Commarca a 4 
de Julho de 1822. 

Ahi se erigiram à pouco o Hopital Real 
que se intitula de N. Sra. da Conceição , e a 
também Real Caza Pia de S. Lazaro. 

He do distrieto da Freguezia a Capella 
de Santo António do Rio abaixo. 

Entre os objectos mais consideráveis , e 
mui interessantes , sobre que fixou o Minis* 
terio as suas vistas providentissimas , foi sem 
duvida singular o de abolir a idea da escra- 
vidão dos índio do Brasil , sobre que se pií-^ 
blicàram repetidas Leis, (37) e de faze-los an- 
gariar ao grémio da Igreja pelos meios oppor- 



(37) Vede Liv. 3, Cap. 6, nota (14), relativa ao 
governo de Salvador Corrêa de Sà e Benavides. 



150 Rio BE Janiíir». 



i?^ 



tvmos da catequesi. Para se conseguir esse 
liiii no Continente de Cuiabá , e de Mato 
Grosso, por Ordem da Corte acompanha sam 
G 1.° General D. António Rollim dous Missio- 
nários Jezuitas do Coliegio do Rio de Janei' 
ro, Estevão deCrasto, e Agostinho Louren- 
ço, que unindo os Jndios nranços , e já dis- 
persos pelos moradores , derana principio em 
Cuiabá à organisa^aó de uma Aldeã , correa- 
do o anno i751 , sob a tutela de Santa An- 
nà, a i^uem a dedicaram. Eoiquanto o Pa- 
dre Agostinh.0 Lourenço passou ""à exercitai 
em Mato Grosso os Oííicios da Missão , fi- 
cou em Cuiabá o Padr^ E^tevi^.^ de Crasto^ 
ou Castro, em igual diligencia, com fruct® 
mui proveitoso peio avultado numerx^ de Jn- 
dios Catecumenos, de qire foi Director até 
o anno 1759, ao qual, «brigado à retirar-se 
por Ordem da Corte, deixou à cargo de um 
^acerdot€ Secular a mesma Aldeã , e a di- 
recção dos seus habitantes. Corpo por 04atra 
Ordem semelhante se elevaram a« Igrejas 
das Aldeãs à natureza ,* e classe de Paroqui 
as , principiou esta à gozar da prerogativa 
de Matriz, cuja fundação se vê na distancia 
de 9, à 10 kgoas à L. da Cidade, e arre- 
dada meia legoa do lugar da Chapaila de 
Guimaraens , e sitio denominado Aidea Ve- 
lha sobre a Serra de S. Jerónimo . Teve as- 
sento entr' às Parochias })erpetuas , por effei- 
to da Representação do R. Bispo de Pt<»la- 
maida, Preladt^ próprio da Diecese , à que 
se seguia a Consulta da M: CO. de 24 de 
Jjfâlho de 1811 , e Resolução Regia de 9 de 
Tm. IX. 8 



m 



Memorias HisToiíicàs 



Agosto do mesmo anno. Deiiomina-se= Fre- 
g-iiezía de Santa Anna do Sacramento da Cha- 
paria = .: seu Pároco he congruado com 
^00:000 reis , e os reditos da igreja andam 
aiinuídmeníe por 700:000 reis , como' informou 
em 4 de Julho de i822 o Ouvidor da Conir 
marca António Jozé de Carvalho Chaves. Sua 
populaçso consta de 3:818 valmas. 

'Acha-sç esta Freguezia sitnaíja n'uraa pla- 
nície vasta à niargein do sobredito Paraguay, 
cisjos Campos abundam de fazendas de j>ado va- 
rum , e ca\aiíar , que ate o tempo do Governa- 
dor Manoel Carlos floreceram muito ; mas , dest 
líco anno 1808 tem decaído , porque , tirando- 
s^eoâ vaqueiros para o guarnecimento dos Pre* 
.sidios , o gado -se alçou notav^jlmente com 
prejuízo considerável das mesmas fazendas , 
que recolhiam ;j, 4, e 5 mjl bezerrros em 
tada anno. Seu território occupa vastissima 
extensão , e por isso não pode o Pai-oco co- 
wliecer as orelhas nelle habitantes , nem ser 
-por ellrs conhecido. A' noventa legoas disían- 
le da Matriz esta «ma povoação, a que os 
mesmos Párocos nunca foram , tanto p«la sua 
noíavel lungitnde , difí'culdad^ , e risco de 
lida, como por nao haverem Sacerdotes ^ que 
substituam na Matriz as suas auzencias , ao 
•menos dous mezes : d'oade procede viver 
«iquelle povo sem soccorro espiritual, bem ;que 
o Diocesano , de acordo com o General ^te- 
nha posto neste lugar interinamente Min Sa- 
■■■ cerdote , fornecendo-lhe o necessário para !0 
seu sustento, e os guizamentos para a ce- 
lebrarão dos Oflicios Divinos. Suppost« não 



êo RlÕ Í)É JANÉliíé/ 



m^ 



seja actualmentfi grandiosa áqueila povoação* 
pode contudo predizer-se o seu ?ing'mento , 
por situada nas margens do Rio Grande , que 
serve de divisa ou extrema à Caoitania eom 
a de Goiás (cnjo Registro dista de Cuiabi 
100 legoas, e he povoado por mais de ÍGO 
pessoas) navegável para ò Pará, e at>undâft-- 
te àe peixe; e o terreno nuii pro|)rio para afí 
criaçco de gados, mui produetivo de todo^* 
e qualquer grão , tendo de nlais mineiros j<t^ 
provados de ouro, que 'prometteni dia-rto (joik 
curso de gejite. Por todas esí?as ciridanstan^ 
•Cias precisa se alli de uma Parochia- nova y 
desuniiido se da FregMieziá ÚÁ Chapada- tan* 
dilatado terreno. Mas que \ A falta de^piâsfa»^^ 
mento das Côngruas aoâ Párocos , e (íos ÔúK 
íamentos das igrejas (as^ini éomo aos Capela 
laèns das Capelianias Militares) desvia ctó Sa- 
cerdotes de pretenderem nestes lugares oc^ii- 
par Benefícios Cura de Almas , dé cujos re- 
ditos nao possam subsistir ; e por isso , neln 
os que os servem interinamente , os preteu- 
dem de propriedade. Fatal desgraça \ \ í 

Arruinado o edifício, qúe híida maTs era , 
ique dm palhaço , príljectou o zelo religioso 
•do 3."^ Juiz de Fora d'aqueila Viila Jo«é Car- 
los Pereira construir um Templo sufficientií , 
onde se celebrassem os Officios Divinos com 
decoro dievido , e o Culto de Deos se prati- 
casse com decência mais respeitosa. A* pezar 
da falta dos matei iaes para a nova cbra , além 
da madeira que ha-via no lugar , deliberou 
áquelle Ministro fundar o eddiciò , deligen- 
^ciando os meios de entrar no seu trabalho , 

8 ii 



I 



60 



ME»raRiAS HísToarcA^ 






que com actividade, fervor, e grande exces- 
so * principiou á move-lo em dias ile Maia de 
1779 , e ultimou , deixando também eoncluida 
i\o fim de Julho do mesmo ,anno a casa de 
vivenda do Pároco, por concorrer em grande 
parte para eKsas obras com a s^ua intelligen- 
eia , e adnaiaisirâção eíficassissiraa, o sf>bredita 
Er, Jozé da Conceição Paço d' Arcos. Benzi- 
do o noifo Templo no dia ultima do mez de 
Julho, em que a Santa Vgreja solemniza a 
memoria de Sauto Ignacio de Loyola , n'eile 
S4Í ceiebrou a Festividade da Santa . Padroeiia 
em I do Seguinte mez de Agosto. Não dan- 
do lugar a niusia presteza , com q-ue no breve 
período de dous mezes^ se rematoi* o referido 
edifício , á fíize-lo mais firm© , acoíifcegeii por 
isso , que as chvivas do an;rM> is^SG derrubaram 
© seu frontespicio , talvez para obrigar o me^» 
fno fundador à levanta-lo d^ novo com pare- 
de de pedra ^ awgmentar com vinte palmos 
mais- o comprimento do seu corpo ,; e erigir- 
na fient,€ duas turrei* aiém de outros 



Wneficiíís interiores^ com que ficou snbsistin- 
lío. Outra tormenta de aguais no anno í7h3 
knçou por terra a par^ie do fundo da Capei- 
la Mór : e não existindo então o mesmo juiz 
de Fí^ra fundador para reparar essa ruina , 
. substituiu-lhe nos officios piedosos^ e de igual 
bemfeitor o 4.° Juiz de Fora António Rodri- 
gues Gaioso ^ que succedendo immcdiato á 
Pereira na Magistratura , também o seguiu 
Ba contlucta religiosa, declarando-se protector 
do Templo Parochial , por cujo zelo não só 
foi levantada de nova a parede com seguran- 



tK> Rio PE Janeiro 



BI 



ça maior, porem augmentado o mesmo edi- 
íicíQ. (38) 

A Parochia de S. Luiz, Missão de ín- 
dios , erecta em meio do caminho para a Ci- 
dade de Mato Grosso , se originou da neces- 
sidade , que houve, em se administrar os Santos 
Sacramentos ao Povo hal)itante do sitio de- 
Dominado Morro das Pitas , à margem Oíién- 
taL do Paraguay , onde por providencia do 
General Luiz de Albuquerque , se fundou o 
Presidio de Villa Maria, em 16° 3» 33" de 
latitude austral, de 320« 2' de longitude da 
Ilha do Feiro, para segurar a Fronteira além 
do, outro Presidio da Nova Coimbra. T<^ndo 
n'e$tas circunstancias desistido o Vigário de 
Villa Bella do território medido entre os rios 
Jaurii , e Paraguay , e o Vigário de Cuyabá 
a parte do seu districto desde o Sangrador 
chamado do Mello, até a margem esquerda 
do referido Pai'aguay , solicitou aquelle Ge- 
neral a erecção de nova Parochia dentro doa 
mencionados limites , dirigindo um Officio da- 
tado à 17 de Maio de 1779 ao actual Vigá- 
rio da Vara de Cuiabá Padre Jozé Corrêa 
Lòítão , por quem autuados os Term.os da 
Cessão de ambos os Párocos, foi erecta alli 
a Igreja Parochial sob o titulo de S. Luiz 
(em contemplação do Rome do General) à 16 
de Jwlho do mesmo anno , na persuação de 
ser e^íe facto confirmado pelo R. Bispo Die- 
cesano do Rio de Janeiro, como appro^^ou, e 



(as) Yede T* 4 pag. Il5, 



m 



"M 



% 



RÍÉivíORiAs ETistôricáV 

róbobu o Edital de 4 de Abril de 178Ò : (39) 
epara occupar a nova Parochia foi nomeado 
pelo referido Ministro Ecciesiastico o Padrç 
Júzé Ponce Diaiz, que entrou à servi-la de 
Eacommenda. Esia igreja diátante de Cuiabi 
mais de 30 iegoas ao Poente, ciija população 
con&t^ ser de 1:030 almas, acha>se lotada pelo 
Ouvidor da Commarca em 80:000 reis annual- 
meate, como informou à i de Jyiho de 18^*-^. 
Além das Parochias mencionadas subsis- 
tem algumas Capellas no districto Cuiabano, 
que se dedicaram ao Senhor dos Passos , ao 
Senhor do Bom Despacho , à N. Sra. do'ílo* 
sario no Campo do Amento, à S. Jozé no sitio 
de Cocaes; que distante 9 legoas ao Poente 
da Cidade, conta 2:22H almas; à N. Sra/do$ 
Prazeres, e à S. Gonçalo, nas margens do 



{39) Pelas circuastanciits referuias póde.se de^-culpar 
pYocedimento do Viirano da Vara de Cuiabá , e ii^u^- 
mente o do R, Bispo na creaçaõ d'esga Parochia : mas 
sabendo o mesmo Prelado, que á pesar da autoridade 
dp clarada pelo Concilio de Trento Sess. 21 de Reform. 
Cap. 4 , estam os Bispos do Ultramar inhibidos de fa- 
zer Cessoens , Divisoeus , Desmembraçoens , Unioens , e 
de encontrarem por quaesquer putros factos semelhantes 
O ami>!i8siLao Padroado de todnâ as Igrejas, e Benerieis 
LTtramarinos , como repetidas vezes llíes foi manifestado 
pelos boberaiios Graons Mestres das Ordens Militares, - 
ultimamente firmou o Alvar» de li de Outubro de 1786^ 
no ^ 10; naõ se lhe perdoa a falta de pôr na prèsenc i' 
Augusta, do Senhor Graõ Mestre, pelo seu Tribunal 
respectivo da Consciência , e Ordens-, o procedimento 
contrario as suas Reaes Determiuaçoens , e com injurra 
bem denodada da Jurisprudência própria da^s Ordens 
CUJOS Direitos , e Regalias bloqueava mansaruente. Que 
se poderá dizer à respeito d'esses lactos praticados d« 
PQI3 do sobrtdito Alvará! ^ 



DO Rio Dii Janeiro. 



63 



Rio Cuiabá , cujo Templo haviam' levantado 
os primeiros povoadores; mas destroido jà , e 
de todo abandonado, n'elle conlisdo se con- 
servava a Sar-ía Ima^^f m d'esge illustre espe- 
lho dos peregrinos, Anachoretas , e Preírado- 
res, sem o nunor culto, por não haver quem 
lhe tribntasse. Condoído o 3.° Juiz de Fora , 
Jozé Carlos , do desamparo em que viu a 
Casa, e o se» Orago, tomou à si levantar 
novo edifício junto ao porto da Villa, onde 
se rendesse a \eneração devida à um modello 
ti'o distiiicto do Christianismo ; e n'esse em- 
penho não perdoando à despezas próprias, 
no dia seg^undo da Páscoa do anno de ] 780 
fez lançar a primeira pedra fimdamcnlal. Aju- 
dado entSo de esmolas dos fieis, e tendo à 
favor da obra a singular actiiidade do Leig-o 
Franciscano Fr. Jozé da Conceição Paço d'Ar- 
cos ( mencionado pelos seus bons serviços nas 
Igrejas do Senhor Bom Jezus , e de Santa 
Anua) no dia !5 de No\embro do mesmo 
anno teve o prazer .de assistir à primeira AJlssa 
solemne , que ahi se celebrou , e de oíferíar 
os seus desvelos à S. Gon|íalo em Templo 
aovo. 



i 



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í — l l 



^ ■ %V »VW»V%%%»»V » V»V»^>%<ií<i»»< 



APPENDICE 



A* MEMORIA DE CUIABÁ- 



Mm qúe se descreve a viagem dessa Provin- 
da para Porto Feliz , uditando mais aia^ 
piamente amarração feita a pag. 28 cuj^ 
eseripto he parte da Descripção Geogra)^ 
fca da Provineia de J)Iato Grosso por seu 
^âutQr Ricardo Franco de Almeida Serra , 
Sargento Mér do R. C dos Engenheiros » 
traballj^ada m& Fvrte da JVeva Coimbra, 
jem 1707. 



o 



Rio Cuiabá tem as sim« fontes quarenta 
legoas superiores à Villa ( hoje Cidade ) , e he 
culúvado na maior parte da «ua e<ítenção por 
uma continuada cukura , a qual ainda se es- 
tenda 14 legoas pelo Rio abaixo, inferior á 
dita Vil la. 

Quatro legoas á baixo da principal boca 
do Rio Porrudos (denominado posteriormente, 
de S. Lourenço ) , abeiram no Paraguaj ás 
Serras , que bordam , dcsd* o Gaiba , a sxh 
Occidental margem, chamadas neste lugar 
Serras das Pedras d* amolar , por serem iws 
Tom. IX. 9 



m 



MeíMorias Históricas 



:è-Ã 



fiv,fi A8 formai» *deata .natureza na bliíude ífe 
18° 1' 4r, e na latitiíde de S^Q^^ \S' ; senda 
©mesmo lugar o ponzo único, que se não 
alaga na eheia do Rio, por ser escarpa de 
aíta montanha, e gor isso buscado sempre 
das canoas ^ que o navegam. 

Duas legoas mais inferiormente ao Sitl 
terminaiii as Serras sobrxíditas n^outras charão- 
das dos Doirad&s , à baixo das^ quaes há um 
furo pela margem do Oeste do Paraguay , que 
^Tcanando as aguas entr" os dois altos , « de^r 
lacados montes , conhecidos pelo nome Chunes/ 
^8 'conduz ao Lago ?4andioré, cuja . es tensão 
jbe de cinco legoas , o maior de Paraguay. 

Ao Occidente das Serras dos Dourados^, 
cjue ornam, e tocam o lado do Poente des- 
te Rio , existe uma Cordilheira grossa de 
njoníanhas^ entr' as quaes ( distantes entre si 
pouco mars de três kgoas, forqiandp como 
wm valle de vinte de comprido) se achaiiK 
ao Norte a Lagea Uàeram , no centro a Gm^ 
M, e ao Sul 2k Manãioré. A GaiM tem U'^ 
,€anal de lego a denestea^o, ,qu^ cortaijdé a« 
Serras , qt^e formmn p seu lado do Poeate ,, 
,a communka pela ÍBíer>allo dito com outra 
menor chamada Gaiha-nnrim, fícan^do â estre- 
jnidade de Norte desta.cprda de montes, cha- 
mada^ Fonta dos i imites , s«te legoas à 0_^s>\t 
^e Uberava , que por !^m canal semelhante 
36 communica com outra m^ior Lagoa , que 
«obre à Norte a dita Ponta. Nestas Lagoas. 
Tíiyeo Gentio Guató. 

Dos Doirados corre o Píiragnay á Sul , 
>^t@ a^ Serras d*Albuqm'qm,,M quaes tocaax 



Dô Rio de Jàníii 



et 



piBrpenflicularmefíte na sua face de Norte^ 
sobre que e»tá a Povoação des^^^e nome na 
ktitude de 19^, e na longitude 3*20^ 3'. For- 
niam estas Serras um c|na(lfo solido de desr. 
legoas de lado: tení muita pedra calcarea , 
grande mataria , muitos ribeiroeas , e torrai- 
e,%ccl!eate§ para cultura ; sendo por essas cir^' 
cu n st anciãs o melhor torrão que do Jaurú pará^ 
baixo se encontra em ambas as margens d^' 
Para|2::uaj , podendo-lhe só igualar as terras^ 
que for;maíii «« margens de Oeste das Lagoas^ 
Mandi^ré , e Gsiba , pela snu maior estensãa. 

De Albuquerque volta o Pâraguay à Les- 
te , encostado ás Seri-as deste nom^ ^ as quaér 
terminam por cinco iegoas de esteasEo nz &/** 
rã do liíil)i€k&, defronte da qual , e (na mar^ 
gem de Nort^e op posta do Rio , «stá a bocJT 
inferior; e de Sul de Paraguaj-mirim , iètá 
he de úm braço do Paraguaj , qiie finda neste 
logar, forsnando uma ilha de jquatorze legoas 
de comprido de N. á S, 

Da boca do Par^âguay-miritíi vai o Rié 
tbltando ao Sul até a foz do Rio Taquary , 
fiavegado todos os annos pelas monçoens dé 
Canoas^ que desdç a Cidade de S. Paulo venÉ 
à Commercio para Cuiabá; e quando se des- 
tinam para Mato Grosso até o Registro dé 
Jaurú : coja trabalhosa , e longa navegação 
consiste resumidamente no que descreveu o 
Poutor Francisco Jozé de Lacerda , em sua 
Derrota, ou Diário no anno 1785, e mez dé 
Outubro, quando o Paraguay principia à reen- 
Irar em seus limites. 

4 boca principal, ou uma dasimata»^ 

d ti 



■ n' ÍÉíi"ifSiri>riiiãri1ilii 



iniiÉi liraiiM iiim 




Memorias HisTotteM^ 



que fótma o Rio Taquary no Paragusy , esfi 
na latitude de 19" 15', e longitude . de 320? 
32\ Nas dez legoas primeiras de navegação 
se perde o alveo deste Rm nos largos campos ^ 
por nieia dos quaes corre ^ alagados oito pal- 
11108 sobr' a suí^ superfície ^ até o Boqueírã) 
do Taquary , ou o lugar , em que este Rio ap- 
garece encanado com 22 braças de largo, e 
uma quasi de fundo*^ «cujas margens consee- 
yam apenas a superiorid^ade de u^a palmo 
d*agua ao seu nivel. 

, Do Boqueirão se navegam 2Q legoas até 
q Pouso Alegre na latitude de 18^ 12, em 
çontraudo-se nesse espaço, em ambas as mac- 
fens do Taquaí'y , varias bocas de veredas , 
pelas quaes se navega no teaip© das cheias^ 
à sahir à differentes , e distantes lugares 4®^ 
Paraguaj, do Kio Per rudos , e do Cuiabá. 

Do Pouso Alegre, atié a Caehoeira dm 
Barra, na latitude de 18° 24', e longilude de 
Ã22« 31' ^ se nave^m 30 legoa« á rumo ge- 
ral dp Leste^ por cujo espajeo esiiirm semea- 
das iíhas sem conto, umas com 30 braças dé 
largura , e outras com 60, &c. Duas legoa* 
antes cie chegar à esta Cachoeira abeiram nas« 
Hiargens do Rio aJtos ,. e destacados montes ^ 
que chamam dos CavaJlekos, por ser ahi o- 
lugar, d'onde os Guaycurús atravessam d'ura 
gafa outro lado. 

Tem de extensão a Cachoeira dita 725^ 
feraças^, parte das quaes passara as Canoas k 
meia carga , e parte vazias. Na cabeça dellsfe 
fez barra o Rio CoróV;? no Taquary pela sua 
margem da Sul], e deixando e&te àesquerda>. 



DO 1^10 DÊ Jakêíro; 



69 



segiie-se a navegação pelo Rio Goxiim ^ o qual 
tem na sua boca a largura de 25 braças; e 
RavegBndo'0 à cima uma legoa , entra- lhe pela 
margem do Sul o Rio Taquarj-mirim de 15 
braças de boca, tendo o Goxiim só 19 neste 
lugar. Sua primeira Cachoeira , chamada da 
Ilha, que se pa«sa com Canoas vazias , está 
lego á cima da dita barra, formando um ca- 
nal de dex braças de largo, 

DistHuie uma legoa à cima se encontra 
a Cacboeirp Giguitaía , que í^e passa à meia 
carga ; e a diante delia uma legoa , e quarto , 
fica a do Choroddra , que he um plano assaz 
inclinado. A^vante desta uma legoa está a de 
Jiíiclova-mir.im : e mediando pouco espaço á ci- 
ma topa-se a Cachoeira Avanhandova-nassu ^ 
onde descarregara as Canoarpara passarem por 
um canal único, e estreito três braças^ pelo 
qual corre a agua mui velozmente , e com 
peso grande; e as cargas se conduzem por 
terra, e pelo desaguadouro de 300 braças 
no fim dessa Cachoeira se varam as Canoa 
por cima de penedos á vencer a sua cabeça 
©u salto. 

Meia legoa à cima d'aquella esta a do^ 
Jaurá cujo nome lhe dá o Rio assim chama- 
do que entra no Coxiim peia margem do Nor- 
te , o qual conta a largura de dez braças na 
su ío7é , e conforme a fama vulgar , he aurífe- 
ro. Do Jau^ru adiante , e pelo espaço de cÍRca 
legoas e mei?i acham-se sete Cachoeiras deno- 
minadas de André Alvar gs , Pedra Red&nda „ 
Vamicanga, do Bicudo, das Ánhumaê y da Rê^ 
halo, e do Álvaro. 



m 



i 



Memorias Históricas 



As margens do Goxiial são mòntuosas ; 
e no meio dessa dístaacia eorta o Rio, e se 
encana pelo meio diurna montanha, correndo 
placidamente por ahi , k pesar de ter nesse 
Jugar apenas cinco braças de Jar^^ura, entrando* 
lhe pela margein do Sul o Ribeirão do P^^ 
redão , que dizem ser auriferO. • , 

Meia legoa á cima da Cachoeira do Al*^ 
Taro está a dos Três Irmaotis , assini chama'* 
da , pela proximidade entre si nas suaá posi- 
Çíoens : ,e n'outr,a distancia igual á^ima delia 
8^ encontra a das Furnas , que se passa corn 
m canoas d<2scarregadas , e algum trabalho. 

Duas legoas e meia á ci.na da anteceden* 
te existe ^ cpie denoniinam Qutbra-Proas , en^*- 
Irando x\q Coxiira pela margem do Sul ; e logo 
á cima delia , o Ribeirão dqi Figueira. Supe* 
rior á. barra deste Ribeirão duas legoas está 
a Cachoeira das Três Pedras , à qual se segue* 
por mais meia legoa a (conhecida com o no^ 
me de Cutapâda , e à cima deila duas legoaà' 
a do Vare, A' cima. desta uma legoa entra no 
Coxiim pela margem do Norte, e, na latitude? 
de 19° 3' 16", ò Ribeirão do Barreiro; e tre» 
Ifegoas à cin)a da sua foz , está a Cachoeira 
do Peralta , seguindo-se-lhe em distancia de 
meia legoa a da Pedrãf^hranca ^ ambas traba^ 
Ibosas , mas não difficeis de se passar. ANan-- 
te desta uma legoa chega-se h. do Mangabal , 
mltima das 24 dp Rio Coxiim. 

Distante duas emeia legoas à cima do 
Mangabal entra pela margem do Norte de 
Coxiim o Rio Camapuãa, latgo na sua boca 
45 p^lraíQS, pelo qua} se continua a aí^yegai. 



I>0 Rio DÉ jANEmÒ, 



ii 



f ro , dí^ixando á direita o Coxiím , 4:jue ]oo'o 
í< cima desta confliienna se divide em deis 
braços estreitos. Encanado o Ccxiim entre 
Hnontes, que forniaifi as sya« iBavgeiís , e cor- 
rendo com velocidade grande , tem desd* a sim 
foz no Taqnary, a(é a que nelíe faz ô Rio 
Camapwãa, a estensão de 30 legoas no ru- 
mo de Nord'E.vte. 

A proporção que se vai subindo esse Rio, 
e pasando aJguns córregos pequenos , que o 
eiigrossam , vai eile estreitando , e perdendo 
ti fundo em (ermos de não ter mais de dou§ 
palmos cPagua regularmente, por cujo mctivo 

. fcam aqui puxadas as canoas , e arrastadas 
0iais á forca de braços por cima das areias , 
que formão o seu leito, do que navegadas. 
Com dez legoas desíe trabalho, o deixado i 
mào direita o Rio Camapgãa-uassó , entupida 

- -For arvores caidas, troncos, e folhas, se en- 
tra pelo Camapufa-mirim , uma legia miais 
«e viagem, ate a Fazenda desse nome, 
•situada na sua margem Occidental , em la'- 
titude 1^0 ^af, e no Meridiano S23« 38»^ 
45^'. 

No centro de tão vastos, e dezertos ^er- 
• taous , que miedeam entre os giandes Rios 
Paraguay, e Paranáa, he a sobredita Fazen- 
da o único estabelecimento pcrtuguez , e o 
mais importante, que da Viíia de Cuiabá di^- 
la 90 legoas à S. KSyd'-Oeste em linha recta , 
por cuja circunstancia parece ser esse lugar 
© niais próprio, e propofcionado pára asse^- 
'lo d'um Registro , à evitar o extravio to otE- 
JOí que impuBeK}€m^ se p6de Jazer por ^sta 



7S 



Memorias Histouica* 



carreira , fixando-se ahi o direito das faeea- 
das entradas para o Cuiabá, e toda esta Pro- 
viacià , e cobibindo-se assina a fraade dos ne- 
gociantes , que serii este Registro poiiem il- ' 
ludir à seu salvo os pagamentos dos impos- 
tos competentes. 

Da Fazenda CaraapnSa passam as canoas, 
e cai^gas por terra, <ité o Rio Sanguichuga 
(origem principal áo Ftio Pardo ) distante 
6:230 braças : e dó fim desse varadouro con^ 
tinua a navegação, descendo o naesmo Rio,, 
e passando ao espaço de três legoas as Ca- 
choeiras do Banquinho, do Saltinho , do Hcd" 
mmo , Taquàvapaia , até o Rio Vermelho ( que 
entra ao Pardo pela margem de Leste) o qual 
he chamado assim, por serem as suas a^^uas 
desta cor, e mui vivamente. A largura deste 
Rio , e a do Sangaichuga , não passa de oito , 
dez , e doze pahnos ; ma» seus fundos bas-» 
tantes dam lugar à navegação, 

A* baixo do Rio Vermelho meia legoa es« 
tà no Rio Pardo a Cachoeira das Ptdras d*amo* 
lar : e uma legoa adiante entra na margem 
do Sul do Pardo o Rio Claro, que sendo 
limpo de Cachoeiras pelo espaço do duas le^ 
goas , depois delias apparecem , por outra igual 
estensão , as do Formigueiro, do Paredão, as 
Jnibiruçú-uassú , e Imbiruçú-mirim , a Lage 
grande , e Lage pequena , a da Canoa velha , 
a do Sucuriú , e a do Bcmgu^, A' baixo desta 
iiitima entra logo no Rio Pardo , e pela mar- 
gem do Sul o Ria Sucuriú, tendo aquella 
^inco braças de largura neste lugar: e sendp 
^çil ^ passçiçem d^rS nove Cachoeiras sobre ^ 



to Riò BE Jaííeiiiô. 



73 



altas em Hm dia, descendo o Rio gastam-sô 
qmnze em subi-lo. 

Três legoas inferiores da ío% do Sucuriú 
cstà o Salto do Curau ; e na distancia de 
um quarto de legoa antes de chegar à ^lle , 
descarregam as canoas , para serem arrastadas, 
ou navegadas por cima das Cachoeiras, até 
se vararem por terra, camiiiho de trinta bra- 
das, para safvar o Salto quarenta palmos alto. 

Desd' esse lugar, caminhando sete legoas , 
íie passam as Cachoeiras cio Valle , de Tamanduá, 
onde descarregam as canoas, os Três Irmaons , 
a Taquaral ^ a Cachoeira, na qual se varam 
a« canoas por terra , caminho de vinie e uma 
braças; a do Anhanduy' mirim (entrando à 
baixo delia na margem do Sul do Rio Pard® 
o .Rio Anhanduy-mirira ) Jiqná do Tijuco, 
onde se varam as canoas por sessenta braças 
dç terra; a do Mangabal , a Chico Santo , e 
a Imbirussu, Sendo fácil a pas-agem dessas 
Cachoeiras em um dja, quando se descem, 
na subida do Rio gastarn-sè quinze á vinte 
dias. Nesse lugar tem o Rio 22 braças de 
largura. 

A' baixo duas legoas da Cachoeira Imbi- 
russu está a Sirga estensa 390 braças ; e á 
baixo delia meia legoa , a . Canoa do banco , 
onde se varam as canoas por 57 braças de 
terra.^ Meia legoa distante à baixo desta Ca- 
choeira topa -se com a da Sirga Negra , e 
logo. depois uma legoa a da Sirga do Mato , 
navegada a qual por pouco mais de legoa , 
segue-se o Salto do Cajuru , de altura Sò pal- 
mos , por cujo canal estreito passam as ca- 
Tom. IX. . 10 



Blfe¥(íiiiAs His^TO^íCÀ» 



laoas sirga íl as : e dentro d^ontTo espaÇo fgjtíil 
ao antecedente está o Pajú-mirim , seguindo- 
se logo a Cachoeira da Ilha ^ que se conta 
33a e ultima do Rio Sucuríiu Estas sete Cap- 
choeiras se passana n'um dia. 

Navegando seis legoas à baixo da Ca- 
choeira ultima, se ehéga ao Rio Orelha d^^An- 
ta, qwe pela margem do Norte entra «o Rio 
Pardo: c quatro legoas mais adiante , e pel«> 
iiiesmo lado, o Rh> Oreliia d'Onça, desd" a 
ío'i 4a qual^ e com a navegação de «nze le- 
goas , chega-se à junção , que por Sulfaz 
wo Rio Pardo o denominado Anhanduj*assu , 
correndo o Pardo, desd' o Varadouro de Ca- 
B)apuãaj, ate este lugar, à rumo^ ^ral (íe 
S-Este^ e pela estènsâo de 45 fegoas. 

Da eonflueneia do Anhanduy-assú còin % 
Pardo correm ambos o^ Rios por um só ca- 
íial , e por 16 legoas de navegação a(é a sua 
foz larga 64 braças na margem oceidentai á0 
Rio Paraná , ou Grande , cuja latitutle he ade 
SI*» 3G'. Veloz ô Rio Pardo em correr „ ga* 
Bha dentro de wma ora o es^paeo de duas mi- 
lhas., e sete décimos: e gastando-se em detre* 
lo cinco, ou seVs díi^s , não se sobe em me- 
nos de cineoenta à sesseiHa , á força ãè braços , 
€ de varejoens , poisque os remos são iiíeffi- 
caues â vencer o grande peso d*agajas , e a 
velocidade delias pefe piano indicado deste Rio, 

Para se buscar a foz do Rio Tietê , se 
navega o Ri© Paraná de grande largura, e 
peso d aguas barrentas , contra a s^ua corren?- 
teza. Nas treze legoas primei raa dé navegação 
se chega à Ilha de Mánod Homem , celebra 



m^ Rr© DÈ JANíiEt^ 



T5 



pela íradição pia dos moradores de Cuiabá , 
de que nella guardara a Providencia de Deos 
uma Imagem de Christo pre25o á coluna , para 
ser adorada em tempo oportuno na ViUa , e 
Advogado delia, como he. Dijrem portanto ^ 
que refugiando-^e o dito M<inoe] Moinem alli 
com essa Saivta iTiiag-em , e tendo depois de 
èe retirar para S. Paulo , a deixaria collocada 
íí*úma cabaaa q#e construiu; de cujo facto,' 
é deposito , fazendo «ciente aos moradores d*a- 
qne Ha Cidade , moveu em vários a piedade 
de a vir procurar em differentes tempos para 
dar-lbe o devido culto , cujo projecto jamais 
poderam conseguir , pelo extraordinário pezo , 
e gravidade , superior ás forças humanas na' 
díhgearia de move-la. N'uma monção porem, 
que se destinou , e navegava para a Viiia át^ 
Cuiabá no principio da sua fundação , sendo 
procurada a mesma Imagem , e achada no seu 
peso natural, foi para aili conduzida sem dif- 
iculdade. Esta Tradição constantemente re- 
petida em Cuiabá^ ratificou Manoel Homem 
em S. Paulo ao Doutor Lacerda , que a re-í 
referiu no Diário, concluindo com as seguin- 
tes expre>isoe«s = Quam incomprebensibilia 
sunt judicia tua. Dominei =n= 

Cinco legoas a cima da sobredita Ilha 
"tiitra na margem Occidental do Paraná o Hió 
tVerde^ largo 22 legoas na sua boca: e dis- 
tante dele cinco legoas desagua na margeni 
<ípposta de Leste o Rio Aquapehj , de doze 
iDraíças de boca. Oito legoas á cima deste , e 
'namai^em de Poente do Paraná, tem a sua 
foz /de 09 braças de largo o Rio Sucuriú j 

10 ii 



Memorias Históricas 



jà naveg^ado , passando se do Itiqmra , braçé^ 
do Porrwdos, para elle , como ficou dito. An* 
tes de checar ao Sucuriú, na subida do Pa- 
raná, ha um Jupiã, ao lado do i|ual passam 
as canoas com toda a cautella , sirgando-sc^ 
ao descer. 

Com quatro legoas mais de navegação 
çhega-se em fim à foz do Rio Tietê,, cuja 
largura be de 70 braças , que faz barra no Para* 
»à péla súa barra de Leste. A distancia en- 
tr' as bocas dos Rios Tietê , e Pardo , segun- 
do as voltas do Rio , he de 35 legoas po- 
\oadas de Ilhas. O rumo be à Norte , indican* 
do 18° para Lesta. 

Entrando pelo Tietê , aguas à cima ^ 
♦bcontra-se nas primeiras três legoas o grande 
Salto de líapiira, cuja altura he de 44 pal- 
líios, formado por três pontas agudas, e sa- 
lientes, que íxí uru monte , atravessando^^ 
Rio por toda sua largura, do qual se preci- 
pita, cujo óbice obriga varar as canoas por 
terra, e por distancia de 60 braças. 

Uma legíia superior à esta Cachoeira está & 
de ItUjmra-miFím , de grande estensio , e que s© 
vence com álg mi trabalho. A' cima desta outra 
legoa estam c<tiitiguas três Cachoeiras, denomi- 
nadas dos Três Innaom : c a cima destas em 
pouco esp&ço esta a do Jtupirú comprida 
meia lego^, A^vaste doze legoas do. Itupirá 
çhega-se á doiíominada VaicuriUiha-mirim y pe- 
la . parte de cima da qual entra na margens 
de Norte do Tiet<^ o pequeno Riob Suçury ; 
^ uma legoa à cima delle se encontra a Ca- 
ehoeira, Utupéba , estensa q^natr© legoas*. Uitta 



DO Rio BE Jákeiro. 



77 



kgoa á cima dessa existe a Cachoeira Irara^^ 
cangua-uassii , que se passa com as canoas 
descarregadas. 

Adiante cinco legoas se encontra a Ca- 
choeira Jraracanguã-mirim. Uma legoa à cima 
desta topa-se com a de Arcssatuba : e em 
distancia igual a de Vaicvrituba-nassú, Aresta, 
pelo espaço de nove legoas , e em diílíncias 
iguaes, seguero-se as sete denominadas Funil 
grande, e Funil pequeno , Ondús grandes, e 
Ondas pequenas y do Mato seco, da Ilha, ca 
Uiupcíncma , na qual se descarregam as canoas. 

Adiante de Utufpaneraa Ires legcas está 
a Cachoeira da Escaramuça ( assim denomi- 
nada pelas ameudadas voltas que faz o canal 
do Rio, e porque se navega à rumos oppos- 
tos entre mil penedos , e remarços ). Duas 
legoas à cima daquella está a grande Jr«7?/£í7W- 
dava , onde se descarregam as canoas por 365 
braças de terra , para vencer a grande altura 
de 43 palmos perpendiculares que tem este 
Salto. Legoa emeia à cima delle se encontra 
a Avanhanduoá-niirim , e logo a do Ccn^po. 
D'aqui se navega ao Tietê por 14 legoas de 
Kio liínpo até a Cachoeira Ccmloyu-xGca , à 
que se seguem as duas Tamhoú-wirim , e Ta7n' 
'baú-uassú , e todas três no intervallo de duas 
legoas. A' uma legoa mais esta a Tfwbaritm- 
rica , e com andamento de três legoas mais 
se chega á de Vamicanga, 

Com pouco mais de duas legoas adiante 
desta ultima entra no Tietê ^ pela sua nargem 
de Norte 5 o Rio Jacarépipira, cuja boca he 
larga quinze braças ; legoa emeia à cima dclle. 



7S 



MtíMORTAS HiSTOaíCAf 



^ 



è pelo mesmo lada , o Jacarépipira-mirim , dor 
qual dista a Cachoeira da Congonha seis fe-^ 
goas , a qual tem o comprimento d*uraa le- 
goa , e he um baixio. Seguem-se à esta por 
espaço de oito le^oas de rio as chamadas Sâ!/>e- 
::al y e l^irvriu-Htssú , depois da qual está a 
de BarurUmirim y e logo ^deBaurii, ão Ita^ 
puia , ^c. , a (lo SVíi^ conhecida mais com o 
nome de Pitunduba (em cuja subida á vare- 
joens se consmíiie bom dia e meio , por ser um 
esteusio baixio) e a do Esteirão , da qual dis- 
ta sete legoãs a de Baranfiào, 

D'aqui à foz do Rio Piracicaba , largo 23 
braças, correm três e meia legoas , até ènlrar 
€ste no Tietê pela margem de Norte , redu- 
zindo se ã 40 braças de largura desde a Foz 
deste seu bra^o para cima. Da boca do Pira 
cicàba 8e navegam quatro legoas até a peque- 
nas Cachoeira da Ilha , e desta mais 14 pelo 
Tietê i^m voltas repetidas , em que lhe entram 
varros Jlibeiroens até a Cachoeira, ou Baixio 
Itahy. Deste, à Cdicho^ivà. Pederneira, que lie 
estensa quatro legoas , correm seis legoas : e 
na distancia de meia legoa à cima delia desa- 
gua na margem do Sul do Tietê o Rio Soro- 
caba , que vem da Villa do mesmo nome si- 
tuada na latitude de 23° ST. Perto desta Vil- 
la estam as famosas minas de ferio, oride á4 
libras dessas pedras deram 17 do mais p^ir- 
feito ferro, (a) 

• Meia legoa à cima da foz do Sorocaba 
esta o Rio Gapivari-mirim ; e uma legoa mais 



•«-■hM^i 



í») V. lÀv, 8. P, L Cáp. 3, oota 17. fíag. 267. 







DO Rio de Janeíu©. 



t9 



adíaníe deste ò Capivariu assú , os quaes en« 
tram no Tíe é pela margem do Norte. Adiarsr 
te uma legoa da foz do jCapivaiv se cncort- 
ira a Cachoeira Itapema nnrim , " à cima da 
qwal meia legoa está a de Itapemau-ossu , se- 
guindo-se-lhe por uma legoa a de Matinas Fe- 
res , e à poBco maior distancia a do Garcia. 
Em distancia de cinco legoa» á cima des- 
ta Cachoeira, se desc<^brcni pelo Tietê, no es- 
paço de seis legoas, do^^e Cachoeiras denomi- 
nadas P//oí«^, fíejiiy, Pírapó givnde , Pirapô- 
pequeno, Itagassába-mírim , ítagassáhau-ussú , 
a do Machado, a Tiririca, Itanhaem , Arara- 
nhaiidnha^ Juri-mirirn , e Cangueira, ultima ^ 
e a ò6^ do RioTieíé, sendo aliás a 113** de 
toda carreira. Perto delia , e na margrm (fe 
Sul do Rio, está a Viila de Aiaraytaguába , 
onde finda a r.avegafão trabalhosa , e longa 
desde Cuiabá. Desde a foz deste Rio Tietê no 
de Paraná até o porto de Araraytagiiaba , (ho- 
je denominado n::^ Porto Feliz '= se navegam 
Cjuasi 140 Icgoas de estensão no rumo geral 
de Sud^Oeste : e d*aqnelle lugar , ou porto à 
Cidade, de S. Paulo , he o caminho de terra 
por 2Z legoas , que tanto marcham os animaes 
carregados de fazendas de Commercio , para 
serem levados ao interior do Sertão do Bra- 
sil pela navegação de Rios , vencendo se as- 
perezas, que parecem difficultar a communi- 
cacào d(»s homei^s^^ mas que á risco de 
>'ida, e de trabalhwl immensos só os Paulistas 
( cuja animosidade para emprczas árduas , e 
igual constância, he assas conhecida) e mui 
notória^ foram capazes de superar*^ 



Iv 



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Bo Rio BE Janeiro. 



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■%/%%/%*.%%X»^%*.%'i*»W *►"»■%■*%«■ v*^*-*^*^'**- v^**** 



CAPITULO 11, 



Mato Grossê, 




Onseguiíla a cultura r^ineral á(^ CoiabS ^ 
e não se contentando os expioradoí es i!as ter- 
ras novas com o que haviam descoberto , por- 
que a sagrada fome do ouro lie iusaciavei , 
continuaram na diíigencia de ach^r caiipo mai* 
amplo, por onde estendessem a lavoura a uri- 
fera, cujo metal, superior à todo outro, ni- 
cítava a cobiça de extralii-Io das entranhas 
da terra , sem respeito às fadigas , |?€r!- 
gos de vida, e desj>ezas notáveis lío seu 
trabalho. Com esses intentos, rompendo as 
brenhas, e vogando por desconhecidos rio§ , 
penetraram o terreno mais remoto , e ccci- 
dental dos do Brasil , até patenteei rem o bilio 
de Mato Gros^o , para que foram menos ciif- 
. ficeis os meios. 

Seu descobrimento »e deveu ans S( roca- 
banos ^Fernai^o Paes de Bairos , e Artur Paes , 
irmãos, (I) que entranhando-se antes do anno 



(I) Joa6 de Souxa de A^^evedo^ homem casado eru Ará- 
íitaguábii , que ct)in u:na cafi/e^açaô de fazetidas pstsson 
à Cuiabá, d' onde f<?f ter à Jaurú , e auV>iado pelo W- 
Taguay navegoa o rio Si{jot>iva, o Suiuuíoíkro , e o cÍq* 
Ari nos , do qnarfez caininlio para o dua Aiua/oua* atè 
a Cidade do Pará, d'oiid€ voltou no aano I74Ó para 

Tottu IX. li 



m 



eMoriAs Históricas 



povoadas pelo Gentio Pare -íb^ (2) se arran- 



nnal 



-ip-,— . 



— ."~-^' 



-as Mmas de' Mato Grosso 'com igual negocio, como fez 
em dííiereaíes tempos; sendo' por esse motivo ouvido soi 
bre o iratudo de Liaiites n'uma Conferencia, que se 
celebrou no Collegio. de §. Alexandre do mesmo Pará 
l ^^"''i KT^'? "" ''"'^^ Generui da Previncia Francisca 
Jedro de Mendonça Gorjaõ ; iio seu Discurso sobre a 
íiicsrno assumpto (cujo papel conserva o A. destas ^ivfe, 
nionvs por «opuí extmhida do seu original ,. desviado áa 
ríjçcretana d' Estado ) dis.e , qv.e Anton-Q Fernandes de 
Abreu descobru-a a^ Mimis de Mato Grosso. Os Ãtinaes 
portsn do mesmo Mato Groáso aífirmam , qué ãós doii» 
armuoHS reíeridos foi devida essa noticia , e descoberta^ 
,.que Cíjmaiunicada aoMlegente dè Cuiabá o^ Brigadeiro 
.Aíitooio de Almeida Lara, aquém mandaram três quar- 
tos de uma citava depuro por amostra, na Era de 17,34 
pediadcíhe juntamente pólvora, chumbo, e férfamentk! 
eotn q^e podes^era ékanúnar melhor, e penetrar o Ser! 
tio; e naõ^satunueudo o Regente no requerido, àbenas 
enviara- o Sargento Mór António Fernandes de Abr^u 
paru exammar o descoberto , cujo emissário , acompanha- 
do de l^eraando Paes de Barros, e d' alguns Carnes • 
,^ue. jhe serviram de gh\a , foi cumprir a sua commisW 
. , ^ .^2) A^^Naçaq de Judios dei^te nora€ , que habitaox 
©s. vastos Campjs de superiicie desigual ,. e formada pòr 
ôltos, e prolongadas cômoros de arêa , deu-lfie o ti tu 1© 
com que se^coahece. Por grande espaceje largura, fól-- 
Bíiam esses Ci^npos a sumidade das estensas , e altas SeS*. 
,f as,, chamaias lambem das Parecis , e- skuadns no ter- 
reno mais elevada de todo Brasil , d'onde teçii as suas 
ori|ens remotas os doas rios maximos^^^da Amèfica Mè« 
txidiéaa , como^sam o Paraguay , n^s suas próprias ,' e 
inuítiplKadas Cabi^ceiraa { do n^esmo modo que os seg* 
|rarídes, e mais -superiores braços desenvolvidos nos ríoa 
Jauru, Sipotuba, e Cuiabá ), e o grande Madeira, con^ 
^uent^^ maTor da murge-m Meridional do Amazonas , que 
dos mesmoo- Campas traz uma das suas origens principa- 
:es, pelo notável, e oriental braço o Rio Guaporé. F^ 
?éido^ con^:raverf entes nos fôos meucienados , nasce- V 
alto d acudias S-^ras o Tapajós , m dilaUd^g , , e dís. 



.IKV B:I^:^E lAU^m 



;:sGl4áràm n*òm ribeirão^ cujas aguas origind- 
.^as -d^s fraldas da Serra hoje cháiivada dm 
.Chapada de S. Francisco Xavier, è nonen- 
-do do* Nascente à buscar o Rio Gufiporé , {'i) 
^^vani. coBfuiidir-se no denominado Galáfa. (4) 
úCoiii o exariae do lugar, e do oaro , qoe ti'eilé" 
íiixiviaj e prosegaiado a mesma diliguencia iíí>5 



tantes bra(^o3 , dos qiiaes he mais oriental o Aruiòs , au- 
tifero jà nas suas cabeceiras, onde , anuo 174?^ se dès- 

- cobriráni as Minas intituladas de Santa Iza'bí'i , e qoe eali- 

.ça as suas fontes com as de Ouiabá ^ i^ialípe^itfí qt*^ 

coui as de Paraguay em distancia curta. VeHe a notíi (3^j. 

(3) No osesiiio Griíaporé desa5>uam o lio Alegre, ç^ile 

dinianudo Occidente, nascendo . da Serra dó uadpih/ ; 

.-©í.Rio Verde^ Gúarajuz , S. Simuo grande, e r.eqaenO, 
?r«n.o'uinhas , Buurep , Cantario? , Itonamas , todos nave- 
sáveis desde o Cubataõ par^a baixo. Todo dií-trscío^^o 

' ?Íuapdré à baixo se pocie chamar arn Archipiiirfgo , n<iS 
■^ô pbr sév cortado de muitos riáé , ribeiroeríS , sangras 

-ídonros, e lagoas , mas por se inundarem as siias vast^- 
j|!)Unicies, de u^i e outro lado, nos nie^es denán Jan.í^i- 

tTaté Junho, ^ern mndo , qye por ellus se pôde nav|?- 
? à rertios', à excepção de alguns v«dnctOti, onde há 
■'àiafiScientè commodo pura vivenda, e {>yra plantaçoeli^ 
^'lilvres de íilag-amentos. Cercam esse Arcliipelao-o grandfjs 
/Serranias ao loige:; e us que correm da pm-te oiieutal 
do rio, continuam com as da Cliupadu de S. Francisct» 
IXâviér, até se afastarem d^elie , fazendo um j^iro largi 
^.^■'prócnfar o encontro d© niesmo rio no iugar |40ú-co 'à 
ibaixr) da barra do Mamorí'„> 

(4) Fermentado o GaU ia nos Campos Parecls , tem 

.,^_^^3..-«ç«|i^,ee44-a -.{mmeirí» 1 -legoa a<» N da on-^em da 

S;iraré; e correndo ionç^e do -Arraial de S. Viceiilvr duas 

.|egoaS|. desagua no Gua íoré , como m^u conílivcntc, s?^- 

, 7gnndo , pela margem de L , oude de. Oiniiíum CubutaS, 

•^^8 lagoas à baixo . Capivary, E»te Cíipivary , que teu 

^ a sua oritrem curta nâíí Serras . fr-í) atei ris à Cidade fia 

; -^iitc-^grosbo ,; entra n/> Gnaporé peia sua murgesa peçi- 

íWíitai ,: eífibíktJt, .è^ i4^4 40'.. 



ÍÀ 



P 



li 



.«* 



MexMorias Históricas 



IJlJ 



libeiroens de^Santa Anna/ do Brumado, « 
tía Conceição, consegniram us indagadores le- 
var à Cuiabá, no anno segointç de 1735, 
sjfficiente [)orção do solicitado iretal, que ai- 
voroçeu o Povo da Villa, e o incitou à cc« 
biçâ de ir desentranha-lo, coinó realizaram 
«s prinveiros Cuiabanos no anno immediato 
de J 736, marchando à cm preza , à cOslo da 
indiscreta opposição do Ouvidor da Commar- 
ca Jozé de Burgos Villalobos , por motivo» 
alheios do seu Cargo. Por esse ingresso ficou 
conhecido o território í e sua riqueza se foi 
í atenteaudo aos cultivadores das producçoen» 
ayrifcTas. Com a noticia prospera da vastidão 
fias terras niineraes, da stia fertilidade, e das 
Ttmk circunstancias, que as faxiam appeteci- 
das por novos colonos , milhares de individa- 
c» as procuraram habitar : mW accontecen» 
do-lh?»s outra igual desgraça , qae aos primei- 
ros lotes de pessoas destinadas à povoar o 
Cuiabá , miseravelmente perderam ai? suas prCT» 
prias vidis , com o graode cabedal empre- 
gado cm fazendas , no meio da navegação 
dos rios, á(£s>áe o Pardo, (5) peia falta de 
práticos, quo difigissenri o rumo, ou porque 
«^ntivssem^ a« erueis hostiliJade» dos Jnàm 
Guaycuru^, ou Cavalleiros, (6) e dos Paya- 



(5) Vfcde Cap, 1 , nota (2) 

(^) Entre as muitas Naçoens de índios, que haW 
tím o }3»iz de Paraguay , be rtiui sir.golar a d»s Goajtw 
ruries, situada pelo lado orienta], desde 8 latit. de iQ** 
«O', atè 230, 36/. Ella se estende «o Sul , desde <í 
Jaqnary, por todos os rios, que entram na margem 
•rieatal do Purajjuay» até a Btargem boreal do Ipaa^ * 



t ntig 



PO* Kio t)t Jatíeir«. 



»5 



^úàs, (7) cujas Naçoens habitam as aguas 



e semelhantemente na margem do grjuide rio da» Ser- 
ras de Albuquerque para baixo, espÉço notável de te»:- 
reno ainda não occupado pelos Espanhots, e que ds^ín 
segura morada às mesmas Na(çcens Índias. 1 eiido o» 
Paulistas destroido imraensas Tribws de indígenas de tao 
vasto território, e os Jesuítas transportado milhsares dé 
indivíduos para as suas Missoens do Uraguoy , Piiíaii;.a , 
e do mesmo Paraguay , muitas outra» IS^çoeus fugiram 
ao fiagello , que ás devastava , emigrando jjara lufares 
menos felices , porem líiais recônditos à avideíí dos !io- 
Vbs povoadores , a quem só í.gradava esbulhar, pelo 
dir«íito da força , os possuidores primeiros da Amerita 
da posse naõ interrompida do «eu terreno desde o dia 
primeiro do^ Séculos, e reduzir ao jugo do Cativeiro os* 
que n*elle nasceram taõ livres, couh) os mesmos ex- 
trangeiros , que os perseguiam. Atemorisados portanto 
68 Gentios , e conservando sempre .a iiâéa du oppressaÕ 
J}«la falta da liberdade , naõ se dtlil eráram à ccp^^ra. -. 
sar facilmente com os seus antigos iniii-igos , coutia 
quem meditam só a vingança , dentro mtsmo das ^u s 
Cazas , assellando-lhes as fazendas cultivadas , mataii- 
do-lhes as pessoas de suas fumilias , e cativando eui- 
fim os individues , que podiam aprehender. Da turba 
dos Judios indomáveis foi sempre cefibecido o Gua^- 
curu por mais formidável , já aos Espantices , e já 
aos Portuguezes, a quem naõ perdoavam , entpiegui - 
de contra elles as suas lanças longas , seus ar'-i s ,. 
fiexas , e porretes, e fazendo em ligeiros Cavailos ( d o. - 
de &e denominam Cavalleiros^ dilatadas niurchati , jara 
©e^irem «s seus aggressores , e devastarem os ter. 
renos , que os cercara. A numerosa cavaigadura do stu 
f«?rviço faz o seu respeito , e accrescenta o temor du.^ 
contrários , na certeza de naÕ ihe^ podtr fugir i. li- 
geireza da guerra , e do assalto. A'maneira dos Tár- 
taros errantes, vive o Guaycurú do suor alheio, fqr- 
tando às outras Naçoens o que ellas cultivam para o 
•eu svretento. Sempre volante , e sem certeza de mora- 
da , traz no* Cavallos a sua Casa, que consiste n'uns 
grandes taquaruçús , os quaes lhe serveiia de cumieirits ^ 
• fi^outro» ffl^atres para esteios, c»]o taadeiram€ij>*fO co- 



w|6 



MEMô!tIÁ§ Hismí^^s 



áo Paraguay; (8) ,e n|a obstante :a cereeza 



brem algumas esteiras, qug tarabei^ dividem os auar- 
tos, conforme o stumero dí>s Cazaes, e das fáíniliaíí. .He 
belleza entre el 1 es ( qn . sejam homens, ou muíheres i, 
é grande disUnctn^ , arra^ncgr os cabellos dns pestanas. , 
u sobrancelhas. As ínulheres sam marcadas n'uma pe^r- 
ria, ou ^no peito, pelos maridos, çom a mesma marca , 
rciue à ferro, e togo , põem nos seus Cavallos ; e mui- 
tas vezes accompanham os maridos por ionoasjornadas , 
£jue fazem, para hostilizar os 3eus visi<ihos, Poj- este 
luotivo, e também por outros libidinosos, apenas sé 
sentem pejadas, mattam o feto^ no ventre, para evi- 
tar, que o» maridos se abst^níiain da rcoínmuniçaçaõ 
jnatrimomal , durante a prenhez;, e só depois de en- 
trarem nòs quarenta annos de idade , deixam criar, ' e 
nascer os filhas, se entaõ os. tem. De «fstema diame- 
tral mente contrario à propagação humana, seria ine- 
Mtavel efteito^ extincçuõ do Gentio Guaycurú, se 'eÍIe 
Dao adoptus.e para mulheres as que adqi^ire de outras 
Naçoens, 05 filhos destas, e o^ pais, ou seja pelo di- 
reito da guerra , a que chamam Cativeiro , ,oa .pelas 
ligaçoens reciprocas, que tein contrahido. Depois de 
tantas,, e assà^ cruéis hostilidades, com que essa ila- 
ção infestava os nos, desde o tinno 1725, destroinilo 
as frotas de Canoas de Commercio , e dando a moçtf- 
a milhares de homens;, qu^ se destinavaai à Cuiab^ , 
e a Mato Grosso, e depois de coraraetterem com trai- 
ção w muis bárbaro assaçimo. na distancia de 300 pasmos 
do Presidjo de €onnbra; á. ^ de Janeiro de I771 , e,n 
que acabárahi 54 Portuguezes , dos que o defeiidiarp ■ 
c. nveio emfim o Chefe . da mesma. NaçaÕ , ckalfaadó 
Queima, em pazes com os nossos, persuadido da boi 
fe, e do agazalho, com que foi tratado pelo Coui- 
wandant^ daqueile Presidio,^ o Sargento Mór Enge- 
nheiro. Joakim Jozé Ferreira, em consequência das Or- 
dens positivas da Corte, e das instrucçoeas Rarticuía. 
res do Governador Joàõ de Albu^wrque de Mello I>e. 
■r^Jia e Cáceres. Para se celebrar físsid acto/sojetpne , 
'pa^.áram o referido Cheíe ( chamado: dypois Joad Qh^Í- 
;iia de Albuquerque ) , e o- se a Capitão . ^Eraavidi' . ^a- 
SKí ( conhecia^ de eutaõ por P^ulo Jksakti^ j[)«é 'F|r- 



bo Hio M JANEmO. 



4t, K 



^ 



rle se ençonfrarem taes inimigos na carreira 
de tão dilatada \iaí?:çm, foi a ambição levan- 



reira ) à Capital de Mato drosso , onde, no dm^jj do 
'rcez de Agosto de 1791 , em presença d© niesm#G(?-. 
líeral 5 .da Camâra, e da Nobreza -assistentes, disserárj) , 
que* éni seus nomes , e nos de todos os ovitres Chefes 
da siia NaçaÕ , seus Compatriotas , e súbditos , ncâ de 
6ens filhos, e m|iis descendentes, protestavam, e p^* 
mettiam d'aHi para sempre nos liiaous do Geiíeral , 
nianter corâ os Ffeltuguezeè a paz mais intiraa ,. e mni- 
2ade inviolável, asi^im como a fidelidade , e oljedieniia 
mais respeitosa ao Soberano de Portugal , e às suas Le- 
is ^ da mesma maneira, qflie lhe tributavam es seus 
Vassallos , ò que faziam de vontade livre. Em confor- 
midade deste Tratado, e Protesto, mandou o sobre- 
dito General , por Çí^rta Patente de 80 de Julho , 
reconhecer, tratar, e avixiliar os dous Guftycuríis, e 
a sua * NaçaÕ, com as' dem^dnstruçoetis de amigos, e 
como tacs vivem actualmente , cobimuíiicando-se cbni 
i'€)S Portuguezes. Dos VISOS, costumes, leis, aliiaíiças , 
ritos, governo do m«stico , • e hostilidades deste Gen- 
tio contra as duas Naçcens, Portugueza , e Espanho- 
la , escreveu o CcmBiandante do Prezidio de Coimbra^ 
Francif^co' Rodrigues do Prado*, no attiio 1795,' uma 
particular Memoria Histórica , cuja . obra manuscrita 
deixo agora de. publica-la juntamente com estas me- 
morias ( tendo-a já incorporada) , por vê-la dada ao 
Prelo no Patriota do Kio de Janeiro , Terceira Svibs-^ 
eripçaõ N. 4, l8l4 , desde pag. 14, e N. 5, desde 
0^p^g. Jí'6, onde se poderá ler com extensup ci^sa no- 
ticia mui singular* 

(7) Por se ignorar de todo que os Guaycurus fos- 
.sem os agressores dos Portuguezes sobre ss sguas da 
Paraguaj ,. e geus confiuciítes , todos es maleg , e dam- 
lios que elles sofreram , se atribuira^i aos Ptiyaguazes , 
cujii liga cõm os Ciuaycuríis naõ era coiihecida dos 
antigos povoadores do Continente. No ^nno de 1/68 eHes 
iç separaram, é com inimizadade tal da parte dos Guay- 
curus , que pprisso foram viver em Ingar A baixo da 
Ciíjade da Assumpr,aÕ , Capitíil da Província do Para* 
^uáy , cousérvunáo bóa paz cotu os s€us bubitaotes. \\è 



Memórias HistoricaI 

dí) successi vãmente os povos dos Continente* 
portuguezes à estabelecer no paiz de noro 
descoberto a sua vivenda. 

As terras desta Província criam de pró- 
pria moto o Cacáo, a baunilha, e outros gé- 
neros commerciaes , que a natureza produz 
com prodigalidade: ajudadas porem do bene- 
fício da cultura, e melhoradas, à proporção 
db trabalho, sustentam abundafites fructas, e 
de varias espécies, como a uva, a Í?iranja, 
a lima, o limão doce, a banana, a melan- 
cia, o melão, e outras muitas, ou sejão de 
pevide, ou de caroço, que, além das que 
*í)ovoam os mitos, e os campos, se acham 
cultivadas jà nos prédios circuHvisinhos da Cu 
da4e , e nas fazendas mais .distantes d'ella. O 
arroz; e o milho, (cujas producçoens sam 
de 200 por l ) todo , e qualquer legume , a 
mandioca , o fumo { cuja lavoura se promoveu 
por um Bando no anuo de 1789, conceden- 
do-se aos seus cultivadores os mesmos privi- 
légios , que aos de amoreiras ) , o algodão , (9) 

o Payaguâ mui exercitado em canoa, guerreiro, e va- 
Jente. 

(8) Vede Cap. l , nota (4). 

(9) A indolência, ou a decadência em que se aclm< 
esta Pnvdicia, Ke tal , que podendo cultivar o algodão 
tfu tec!do de panos, para evitar a saída de 20 a 30 mil 
cruzidos annualrnente em moeda para o Cuiabá , d'onde 
he importado esse geneso , pouco se lembram os seus ha- 
bitantes de econotnisar uma tal despéza , cedencJo-a aoa 
seus visinhos, qne por isso mesmo se mostram mais Ha- 

"beis em Commercio. Tudo porem se deve á pouca di- 
ligencia dos ^ue atég'>ra Com mandaram esta Provi ncia , 
em anmia-ja, e aos seus povoad«»res , para progressar a 
%m agricultura , augmcRtar a exportação dos seus geae- 



mm^ 



Dt) Rio DE Janeiro. 



m 



o café , a cana doce, que dà o assncar mais 
claro, que o refinado, « qualquer outro gé- 
nero, assim da primeira necessidade, como 
de horta ^ e que he o objecto da lavoura, ve- 
g; ta felizmente , e florece sem cainheza. O 
gado vacum, ovelhum , e porcum , propaga 
muito bem: oa quadrúpedes selváticos se en- 
contram com frequf^ncia , como as aves. Cora 
o anno 17ô8 principiou o assucar à ger fa- 
bricado lem Engenhos próprios ; mas abando- 
nando os habitantes do paiz a cultora da ca* 
na, por se interessarem mais nos descobrimen- 
tos mineraes foram decahindo aquelles edifícios, 
lífáque , por Ordem do General da Capitania 
Loiz Pinto de Souza, se commeçàrão a ree- 
diacar desde 1769/ 

Conservo!í-se a direcção desta nova Pro^* 
tíí c?a , que era parte da dê Cuiabá, sob o 
Governo do Capitão General de S. Pau^o ^ 
então o Conde de Sarzedas António Luiz de 
Távora^ e semelbãnteniente o Judicial , sob a 
jtiíis(ficçâò do í)n%idor d'aqueila Commarra, 
stéqiíe a CR. de 2ír ée Agosto de 1747, 
diiigfda ao Governador D. Luiz de Mascare- 
nhas , e outra da me&ma data ao Ouvidor , para 
executa ia , mandou levantar era Mato Grosso 
uma Vijja , dando se lhe o Cubatão por termo 
confinante com a de Cuiabá: (10) ma«í <-Hsa 



ro^ , e fiizer impertar os de que precisam, e necessitam 
no paiz, e das sobras em fim estabelecer- se um Com- 
mèrrio rico. 

(10) Ácit* Ce R, se registrou nos Livr. daSetre- 
tar» do Governo do Rio de Janeij-o, d'onde passou ao 
novo Liv. do Senado, desde fl. l59 , à fl. l6i ; econs- 
Têm. IX. 12 



m 



MEMORIAS HíSTOKICAS 



i 










^ 



ereação não teve efFeito no tempo indkad<>> 
porque talveíí seiente ElRei H. João V. da 
enorme longitude^ que ined^a entre a Capi* 
tania de S. Paulo, è o Cuiabá , por dilatadas 
navegação , e conhecendo igual necessidí^de 
de providenciar os Povos no Civil ^ e Judicial, 
como havia promovido no Espiritual pela erec*. 
cão da Prelazia, deliberou desunir d'aqueU2| 
Capitania os territórios já desmembrados údk 
Diocese do Rio áe Janeiro , e n'elles crear 
uma Capitania nova, e distincta , de cujo es- 
tabelecimento^ se esperavam utilidades grandes 
aos Povos, e interesses particularissimoB^ 
Real Coroa. Assim o executou, participandbf 
à Sua Resolução Regia em 9 de Maio de 1748 : 
e como por falta de melhores conhecimentos , 
€ dé mapas Geográficos, e Politicos, pare- 
ceu então menos preciso, que em S. Paulo 
se conservasse um Governo separado, aggre- 
gou o território da sua competência âo da 
Capitania das Minas Geraes. 

Para occupar o Posto de Governador, e 
Capitão General de Cuiabá, e Mato Grosso,, 
foi nomeado em principio do anno 173^ I>. 
António Rollim de Moura Tavares , Capitão 
actual de Infantaria do Regimento . do Conde 
de Coculim , descendente da lllustrissima Va- 
ronia de Vai de Reis , por filho d© Nuno, de 
Mendonça, 4.° Conde d'esse Titulo , e muito 



ta também do Bando de 15 de Dezemb» do mesmor 
anno 1747 > publicado na Capital do Rio de Janeiro 
pelo General Gomes Freire de Andrada , que se vê 
i«gistrado no Liv. de Reg, da Camará da Ilh a Gran-» 
4e., fl). 32, 



fió Rio í)e jAKÈmè. 



Si 



mais illúslre por sua feciencia militar , e pd* 
litrca , mefeciiaentos próprios ^ e virtudes pes* 
soaes. Saindo da Corte á S de Fevereiro d'á- 
quelie anno , e passando a Pernambuco pot 
necessidade da viagem , ou poíque tiveáse de 
trazer comsigo a D. Marcos de Noroíiha, Coii- 
<ie dos Arcos j. que a governava ^ e fora des- 
tiiijado à occupar igual Posto na Capitania tam- 
bém nova de Goiás , proseguiu a viagem no 
principio de Maio do mesmo anno , até o Rio 
de Janeiro , dVjnde caminhou à Cuiabá , mor^ 
tificado de trabalhos , peia marcha dilatada 
entre Sertàons , rios , e veredas , tanto esca- 
brosas , como rodeadas de perigos , que ter- 
minou no dia 7 de Jaaeiro de 1751. Empos- 
sado áú Governo à 12 do mesmo mez , cujo 
acto ministrou a Camará da Villa , principioa 
a exeiter os dí5?eres do s^u conimandamento; 
e no período de .seis oíezes, qí»e alh se de* 
itiotou , entreteve-se em dar providencias, não 
éó uteis ao Povo , ni s pro^cuas ao cresci* 
ínento do paiz , e s?Hi>mamtnte proveitosas à 
Coroa. Por felicidade semelhante suspirata a 
nova Província de Mato Grosso , onde o des- 
tino preparava à tiollim o theatro da sua glo* 
ria. Saindo este General de Cuiabá em 30 de 
Juniio do sobredito anno, e tendo vencido 
tanto risco, tanta aspereza, e grandes diífi' 
culdadtís \)0v cera legoas de caminho de terra , 
entre Sertão inhabitavel até o sitio do rio 
<jrua|oré j d*ahi vogou ao fugar , à que se di- 
rigia , e rompendo os embaraços de páés atra- 
vessados , que dispersos lhe impedião a derrota , 
"^ ^uí €« ttó ât 14 éê Dè5z^mbro, mm 5 

lã ii 



wêêêm 




m 



EMGRiÁS Históricas 



dias de viagem , ao Campo conhecido pelos 
pescadores com o nome de Pouso Alegre , 
d*onde foi rodar dexe legoas mais do mesmo 
rio na diligencia de descobrir, e examinar 
algum sitio apto para assento da nova Vílla 
Capital da Provincia , que tinha de fundar. 

Sem annuir à opposição dos moradores 
dos Arraiaes distantes 15 legoas, que indi- 
geíavam outro sitio mais conveniente aos seus 
interesses, escolheu o General o do Pouso 
Alegre, como ornais apto para fundar n'elle 
a Vilía, cujo estabelecimento firmou a 13 de 
Março de 1752, dando-lhe o titulo de F/Z/a 
JBella , e no dia seguinte 19 fez arvorar o 
Pelourinho, que posteriormente se mudou 
para lugar mais acommodadò , onde a Camará 
tem a sua Casa de Vereança. 

Com designio de augmentar a nascente 
povoação, e accressentar os braços que cul- 
tivassem as terras em proveito publico,, e de 
ter sufficiente numero de indivíduos, com quem 
podesse , não sò defender o largo Continente 
da. sua Jurisdícção ,. mas repartir os necessá- 
rios serviços da Provincia ; à dispetidio pró- 
prio mandou este General conduzir de Cuiabá 
muitos Colonos. Foi vigilantis&imo sobre os 
interesses do Estado, e dos Povos; e desde 
o anno 1759, até o principio de 1764, sus» 
tentou à ponta da espada , contra os Caste- 
lhanos nas Fronteiras de Santa Cruz dela Sier- 
ra , os limites dos Domínios Portuguezes , à 
que uniu a Missão de Saata Roza, (II) so- 



(II) Divulgada a notiqa da Demarcação dos jLi-^ 



DO Rio de Janeiro. 



93 



frendo em todo este tempo incommodos no- 
táveis na saúde , é perigos evidentes de vi- 
da. (12) Por serviços praticados cora heroís- 
mo tão distinetOj e mui singular importância, 
não sendo equivalente o Posto de Brigadei- 
ro^ com que a Magnanimidade , e a Grandeza 
Generosa de EiRei D, Jozé I. lhe remunera- 
ra as suas acçoens primeiras, à vista da& que 
posteriormente praticou alli , foram-lhe confe- 
ridos pelo mesmo Monarca Augusto a Com^ 
menda de Çamora Corrêa ^ da Ordem de Chris- 
to , e o Condado de Ay.ambuja à que se se- 
guiram os Despachos de Governador da Ca- 
pitania da Bahia, e de Vice-Rei do Rio de 
Janeiro. (13) Por C. R. de 26 de Agosto de 
1758 y teve a faculdade de premiar os bons 
serAÍços dos habitantes da Capitania nova com 
as Mercês dos Hábitos das Ordens Militares, 
e Tenças competentes , (^14) cujos despachos 

mites , desampararam os Padres Jesuítas de Castelja no 
anno 1753, as Missoens de S. Miguel, edeS. Sirnaõ, 
de que eram Curas , situadas rio à baixo do Conti- 
nente portuguez pela parte ©riental , deixando destroi- 
das as suas obras , e bemfeitorias , e incendiando a 
primeira. A de Santa Roza , que se achava à baixo do 
rio Itnnama foi mudada, em 1754, pelo Padre Cura 
Nicoláo dé Medenilha, para aparte de Espanha; e en- 
tão se apossou d'ella o General Rollim em dias do mez 
de Fevereiro de I76O , à custo das impugnaçoens d'a- 
quelles Padres , substituindo-lbe com o titulo de N. 
Senhora da Conceição o antigo de Santa Roza 

(12) Os Annaes de Mato Grosso perpetuaram cora 
assas miudeza os factos entaÕ praticados por este Ge- 
neral , e os seus trabalhos grandes em defender dos Cas- 
telhanos o território portraguez 

(13) Vede Liv. 5, Cap. 5, e Liv. 8, Cap, 1. 
(14) Vede Liv, 4, Cap. 1 , e ahi as memor, dos 



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Ô'í 



lfEM6ÉIA§ HiSfOltiêAS 



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deviam m confirmados à vista da- Hia^feónlí 
'à Secretaria d* Estado do Ultramar , para oiitíè 
se remetteriam os documentos respectivos. Por 
outra C. semelhante, e de ig-ual fecho , foi^lhe 
tonferida a auíboridade de fazer processar 
verbalmeníe os criminoços públicos , e de tam- 
bém fazer (era conformidade das Leis, e por 
tima Junta) executar as penas sem estrépito 
judidicial. 

Soccedeu àquelíe Conde João Pedro da 
Câmara , sen Sobrinho , que no dia 1 de Ja- 
Janeiro de ['/Gô tomou posse do Governo. 

Luiz Pinto de Souza recebeu immediatà- 
itiente a Capiíania a 3 de Janeiro de 1769, e 
aléni de alguns estabelecimentos , erigiu na 
Capital a Casa da Fundição do ouro de toda 
á Capitania , que principiou a trabalíTar em 
Janeiro de 1772, como referi no Capituío 
âtecedcnte, e se verá neste. (15) Falíéceu em 
Lisboa occupando o importantíssimo Cargo 
de Secretario d*Estado dos Negócios do fteino. 

Luiz de Albuqueruue Pereira, e Cace* 
res , succedèu ao antecedente pela posse à 13 
de Dezembro dé í77^^. (16) 



CjoVemador. António Paes de Sande> è Arttis de Sá > 
em cujas notas se noticiam outras ptovidencias seme- 
lhantes, que também se deram presentemente ao Ge- 
neral M&gessi. 

(15) Os Annaes de Mato Grosso , e os de Cuiabá, 
que referiram os factos do seu Governo , dam certeza 
de, ter íido nm sábio Governador de Provinciãs. Fez 
construir ura Mapa Geográfico da Capitania, quê levou 
para Portugal. Foi Enviado Extraordinário em Londres» 

(lo) Consummindo 14 nfiezes de jornada , no tran- 
m^ dedStJ, âeoo legoas, desdç à Capital do Rio de 



DO Rio d£ Janeiro. 



95 



Par^ succçder a Luiz de Albuquerque foi 
nomeado João Pereira Caídas , que Marithal 
de Campo , Commendador da Ordem de Chris- 
to, e posteriormente Conselheiro do Ultramar , 
opeupava ig-ual Posto no Pará : mas iiao che- 
gou á nova Capitania. 

João de Aibuqueroue de Mello Pereira e 
Caceies, irmão de Luiz de Albuquerque, se 
empossou da Capitania a 20 de Novembro de 
1789. Falleceu abi a 28 de Fe'vereiro de 1796, 
ç jaz. na Igreja Matriz da Capitai , que elle 
havia edificado em sumptuosidade , e não 
chegou à concluir. 

Em conformidade do Alvará de 12 de 
Fevereiro de 1770^ ficou o Governo da Ca- 
pitania à cargo do Ouvidor Geral Antónia da 
Silva do Amaral , do Tenente Coronel Enge- 
nheiro Ricardo Prancp de Almeida Serr^,e 
do Vereador L° da Camará Marcellino Ribeiro. 

Caetano Pinto de Ciranda Monte- Negro , 
recebeu do Triunvirato as redeâs do Governo 
á 6 de Novembro de 1796, e deixou-o pel% 
promoção ao de Pernambuco, de que se em- 
possou a 26 de Maio de 1804. (17) 

Por auzencia deste deste Governador íi* 



Janeiro j até Mato Grosso, onde chegou a 5 de Dez^m-, 
l>i:o de I772 , fez da sua, Jornada ura Itinerário mui cu- 
rioso, e iitil , à que ajuntou um Mapa Geográfico, tra» 
balhado pelo ÇapitaÕ Engenheiro Salvador Franco da 
Mota , vindo de Lisboa era sua companhia, para o ser- 
viço da Capitania: e no anno de I78.5 remetteu à Lis- 
boa outro Mapa semelhante da Capitania , que o Capi- 
tão Engenheiro Ricardo Franco de Almeida havia f©r- 
^>alizádo. 

II7J Vede Eiv. 8. P. h Cap. 2. , 



II 



9¥ 



Ms^fORIAS HisTonrcAS 



COM a regência da Cjtpitania , à cargo de ou- 
tro rríMiv^rat:» semelhante. 

Man;)el Carlos de Abreu e Menezes re- 
cebeu dos Governadores interinos a posse da 
CapUania, que por sua morte alli vagou de 
novo. 

João Garlos Augusto de Oejnhaiísen , que 
por Patente de 24 de Abril de 1793 havia 
governado o Giarà , succedeu no governo does- 
ta Capitania. Nomeado a oecupar outro Pos- 
to semelhante da Capitania do Pará , por. novo 
Despacho de 4 de Julho de 181? foi transfe- 
rido para a de S. Paulo. Em 17 de Dezem- 
bro de 1813 teve o lugar de Conselheiro do Con- 
selho da Fazenda desta Corte do Rio de Ja- 
neiro , e Reino do Brasil. 

Para sucçeder*a Oeynhausen foi nameado 
a 25 de Abril de I81Í Luiz Barba Alardo. 
de Menezes , que governava a Provinria do 
Ciar^ : mas depachado no lugar de Conselheiro 
do Conselho da Fazenda de Lisboa em 1815, 
d'onde outro Dcspiícho transferia o exercício 
para o Conselho desta Cf»rte , não chegou à 
ir para o destinado Governo. Por Despacho 
de 7 de Abril de I8là foi nomeado Succes- 
sor de Luiz Barba p Marichal de Campo Gra- 
duado dos Reaes Exércitos João de Son;?a 
Mendonça Corte ll^al , que occupava o car- 
go de Inspector da Infantaria de Linha, e das 
Milicias dcíita Corte do*Rio de Janeiro :,n^o 
se realizando porém esse Despacho, teve lu- 
gar a nomeação de 

Francisco de Paula Magessi Tavares, de 
Carvalho, Cavalleir© da Ordem da Torre c 



ImOS 



t>o Kio DE Janeiro 



m 



Espada, Commendador da Ordem deCliristo, 
e Marichal de Campo graduado , que substi- 
tuiu aquella nomeação por Despacho de 4 de 
Julho de 1817; e em meio do seguinte an- 
no marchou ao seu destino , com a graduação 
de Tenente General. 

Segundo as observaçoens dos Astrónomos, 
e Engénhiros envia*1os pela Corte, dos q unes 
fâllei no Capitulo auíecedente , está a Cidade 
de Mato Grosso (antiga Villa Bella) na la- 
titude austral de Io"", e longitude de Sí7(„ 
42', 30", contada da Jiha do Feiro, e Situa- 
da na margem oriental do rio Guaporé, etri ter- 
íeno distante 20 legois iío Boqueirão dó no 
Taquary, (i8j que anaualmcnte se innunda , 
e he cercado de pantanacK do mef-mo Gia- 
poré , c éo Sararé, (19) longe 3 Icfi^o. s inr 
Sul. A estensãx) da Ca}íitaaia he igUitl à da 
Prelazia ^ e tem os mesmos limites. 

Sendo o rio Panguay a laii liuiilrofe eiv 
ire as posse«soett» , Portuguesa, e HtspanhoLí ,, 
he na parle meijia commiim à ambâ ' , coroo 
sam igualroeate , e om graVíde por<^ o , os 
lios G,«aporé , Madeira , (20) e Masnuré , for- 



' (18) V-fde Ca 5». 1, iioíh (i4) 

' (I9)' Nasfjeudo doe t^ampcs Partíeis, i-.c esie no 
o f)rÍQieiro que entra no (T!uHpr.ré pelit uutr^t m ú;" L^s- 
t^e , eni latit. de 14*^, 51', à baixo 5 le^oas da (.'ida- 
«èe de Mato Gros<io, e 3 esi iialui rtn'tii. Do lii^ar d^^ 
snâ orig-eru ('orre 15 It^^cms ao Sul , r<>ccí><'5ido < or o,3v.<' 
éá «ç > muitas. ri(>^^ivoeaK , ;is>-i*u <.'uni«í outrfts bifrieliiiiii- 
ttí^ por i^u d (lisUtiiiia ao Poeiitj*. • 

(^0)' C«>'n o nouiíi dr />.''«/ he con' ecii-' . ♦' h'i- 
fcítado © IVicídfira peí 's lv-.pwaho(:'r^ , dw.dc' as auA.- ori~> 
jgetv* em SamIu,. Cruz de ..; ^.eira , ;*^u O iuà<^5». v a le 









ia 



,<?! 



9n 



M E ^l í)R ÍÂS H 1 S TO H ÍC1Il§ 



mando juntos na situação geográfica 'de Mata- 
Grosso ivn estensa, e largo fosso natural de 
600 legoas de circuito, que fecha, separa, 
c-dei^ende a Capitmia dos ingressos pelos p o-'. 



coaíiue com o Murnor»; : e sea;Io tile um dos que" ftiai»' 
vokim.Hn as aguus <lo Arnnzoiris, liavia taõ pouco co- 
nhecimento do sea. canal , que •porisso todas as Carjas 
f Jeogra^cas , . até o anno 1 777 » ^ t> faíiaii» entrar n'aquel- 
le i como braço do rio X»>res , o qual por muitag bo- 
ca& o engrossa na diataiciâ de í)0 legoas ao Poente da 
fo2 do Mídelr;!. '^^u latit. de Ig*?^. tem este Rio lar 
sua» fontes remotas : e considerando por todos os pohtbs. 
de vtstfi , <{ue po»i'm fi<>urjr a totalidade de um Rio 
íiotavel , e ab angeior de terreno « ui vasto, está nas, 
circnn;^timcia8 de naÕ ced.er u sna nobreza à outro alguna. 
tips (•omprcheiulidos lio amplissiuio paiz das Amaaonas » 
i*. no e?íen-!o íiuperio Litsitano áa iim eriça Meridional«i 
fodQ^ os rios, «)i>e r}t'elle entram, perraitter» façil , e 
ií<5»ntje»;:radri n jvegaçao : a-* suas margens, e as dos rio» 
iatenics , assim coíno o; !ago§ (juc o fecuudam , sustea* 
íáííí densao mata ; as, su u povoadas por numerosas Naçoen!^ 
de índios, e aU nidam de salsa parri lha , cravo, bauni- 
lha, pi(;hiry , e cacio em tanto exctf^so, que navegaudo- 
S€ o Vludeira por muitos dia« , naõ »e vê bordarerq aá 
sna^* mar^j^e )s outros arvore los , além dos Gacoaes ; cujo* 
fruitrisi a;):) ov.nt.i;íi os ladiís tlu h*rovincia dos Mochos, 
^)ani fibrieiren f) choj;»late , sem lhe ajuntar o assucar » 
ntrt ã bunilha; e co n tal arte o fazem, que por annoa 
se conserva perfeito , consistindo titsse género um do» 
do rico com nercio co.rj o Perj. As matas densisisimas , qu<& 
por alli se ena n , proliiz/m Ole© ^ouaiaa . e outro» 
f»e .eroá. do Hei ao Vegetal ; e as rwadeiras , além de há» 
be!S pira toda, e {|ualq[iier construcçaõ , e para obra* 
delicidiá de mirciíiiuia, sam pela maior parte largas» 
Nas l86 Icí^r^as, que se n ivega.u desde a foz no Ama- 
2o MS ( coja boca te n 494 braças de largura, e funda 
de IO, n* Utitiilg aistrul de 2^, ^Of), até a Cachoei • 
ia de S;iito Aíioaio,' sobiiido para Mat^ Grosso , »Q 
eo.nprehe;ile n mjis de SO iihas , ouaioreí de 1 , a 3 le-! 
%ou' ii*i eâtK.iàd5 , ci>bertas todas d« alto» arvoredos • 



' r 



Bo Rio DE Janeir^í 



Vt>8 dos Dora iaios Espanhoes : fo^so, pcl» 
cjual^ e por mais de triífia rios , que desa- 
guam nos quatro proxiíiiameíjte !eferido&3 s<^ 
pôde penetrar por muitos , e dihíaiítcs ))Oíik)S 
o interior , do Brasil , cujo propugnaciilo tem 
sido o Mato- Grosso , não só por cobrir as Ca- 



«.com praias espaçosas, onde as imii»easas a^fes , que aS 
|3iOVott.ai 4 depositaín 08 seus ovo*. Ko rio j íaríúíJnio .áti 
peixe de espécies differeníeíi , e de gosto gtíito » i.e tru- 
trem abuixlantes tar&tirugas : as suas* umrgeiis , ffííncipvtl- 
Ihente as das Cachoeiíras ^ «.it^^adas coti: vuiit;it>err. , por 
ser O terreno iunis alto, e pinique, partct tjne oíuvifíúífi 
^s homeiíâ à habita-las , naõ ^ó psvá. colhtfeui í>3 fruíoá' 
■criados pela nuturexa seai indubtría fcumaiín, nm? \yãvn 
se utilisárem d© metal louro, que a avidez d;ts íi<-i.tt:í 
éonatituiu o primeií'© vjilor de t;> ktft as co«s is. Si tiikt » 
iH© Madeira (descoberto no aui^o l7*2s pt^io Ríjoetitij. 
Bíòr Francisco de Mtllo Pa!beíu , xotijO nferm o •Í^1- 
dre Bento d4i Foiicei:a na Carty aniií^a t^.u prúnipio' 
áos Atiiiaes Históricos do M^raubão ) , asiàs iarto dr rira- 
tos , e tão ricos eííei tos , de iatil mivtgação, Hbiindari^ 
fe de terras habilissiuias para dlltitadá cídiura , e dé 
Êbuito' lucío ; entrando no A<na2tin;?s vxjih a direvção de 
Sid à Norte , pelo centro do va?to , e iinpí.nantf í)é^' 
fninio' Portiígoez 5 "cm grande parttí íinjirjoíe tntre ás 
'^uas Naçoens, e abriwdo an)|»ÍK,!í;iinys portas ao centro 
^o mui dilíitado , e rico INerú , dt^&de as iir.:iH''!riiíçoefis 
daCidaoe da Paz, até o Potnsi ; o1ie.<c«ii5do isat, Naçoèua 
liumerotias, que o habita n , trauquilos , m r«obn&íos br«- 
§ôá, que coadjuvem à colher, e a protp^er^v' tantas ri(,He*^ 
^âs :, logoque x>s seus individuas se rCfUizaiPí à vi\er cu« 
Ire nós com a fraternidade proj.;Orc!ouu<]a ao sen t^ttíd© 
ainda incUltó; e sèndo etnfinr o canal unieo , por ondé 
^e podem prosperar as duas interessantes , e ehtensaa Ca^ 
pitauiàs , do Para, e do Mato (Imtíso : ■em'coij^eq«'erí<iíi 
i4lè tantas vantagens parece, CjU-e ede evturia jà | (.voa<io \ 
feu eontiecendo^se -íio uienós h arai de utilidade de se- íVe* 
<\u«ntar , tivesse raulado de ro!tur;a O coníiítilij poriam 
4e tíido , be o qi!e «liuda accositeee {:or deys:ra(.ií hOis^a. 

13 ii 



100 



EMORíAS HrSTrtklCAS 



piíanias^ .interiores desta vastíssima porçãor 
(lo Mundo No\o, d^oDtle nascem og se»3S niaio- 
íçs rios , cujos braços gannl?m em si grandes , 
e ainda nõo íocados* thesoiiris;, mas pqrquçí , 
pelo n^esmo fosso, podem lambem os Portu«, 
guetes íojar os esíHbj)ecimentos Espanhoès' 
maiíí ncos do pof)u!o5iO Peru. Da nova Cidade , 
ao Poente da foz cio rio Jautú , (âl) correru 
cujo CvSpaço , extremando ao Oc- 



50 leooas , 



(21)* Nsisce este rio dos Cainpos jà referidos do» 
IPanoís, latitude de 14-^, 31', e iongitude de 19'*, 32'» 
segundo na o!>«íervaçoeiis do Douúr Pontes em 1789; e 
«orsend» ao Sul até a latitude «u»«tral de 16^, â3 ', 47", 
<?:oma dviaarcou o meàino Pohtes np aipuo 1786, onde se 
estabe-ieíTu uiu Ht-gÍNtro que (o Coronel Engenheiro Aa- 
tonio Btímardíno Pert^ira do Lajçí> refcriu-o na latitude 
açistral de 15** 45', e na longitude de 319*' 3' 30*'') cora 
<) ruesno lioiue de Jaurii ^ o ,4"»! distando da Cidade- 
36 lejç. , v€Mta d* ahi ao Sudoeste por 34 legoas , até a 
b^na no Furaguay , com 6o legoas de curso total. Seii 
porto íitóta 35 legoas, da mesma Cidade à Leste ;e en- 
tfé t^}íttí rio» e o Gii:iporé , medeam 7| legoas de Cam- 
pos ra*os> pelos quíies bem ge poderiam communicar, se 
aão lhes obstassem as cachoeiras que *em. Ená seis braças 
aoiíiteríor da suaríiehi Occideatal na íatit. de 16®, 20'j^ 
oa 16**, 23', 47*^'> conforme as observa^oep* d'aquell« 
ptiutor Astr^n^^Hwo no an. l784 , e I786 ^ se assentou ,^ 
90 anão d*? 1754, o IMarco d<* Limites , cujo moHúraen?^ 
to trabalhtvlo eíT> pedra mármore com figara piramidal ^ 
<)uadrilateni , e truncada sobre a sua base , arremata uma 
pirâmide de quatro faces , do vértice da qual nasce um% 
Cruz de quatro bi^aços iguaes com altur<^ de 3f palmos, 
tendo a sua total elevaçaS 23 pa?lmes. A maior áas facea 
trapesoides abrange 1 2 palmos de alto, livres da ba^je,, 
«ra ii^ue assentam ( e he alta 5| palmos , a ^»trá , 4)» 
e da cúpula, que as orna. ^a que olha para o í^àrá* 
guaj se lè, «ttb as Armas de Portugal, a losccipça^ 
Sttgaittte» 



»-aa 



5^0 Bjo CE JyvKEIlfO. 



lOi 



Ciíltnfe com os Pciiiinics Espanhoes da Pia- 

. . * ■ . . 

■ ■ V ' .1 , > . I — ...■ .1 — ■ • ■■- ' ■ — ...»..■- .^~^->y 

Súb 

j0;iniuí'V. 

Liifitiinorum 

Rege 
Fitlfclifesirao. 

jS"a fiàee opposta t^ue ttm as Armas de Espaaha 

Sub 

Ferdinaiido VL 

lliiípaíiiac 

Rege 
Catholifo, 

Na face frontsira ao Sueste, e centro do paií^ 

Justitia 

Et 

Pax 

Osculatae sunt 

Na face oppMta, que olha para o Jaurt^ 

Ex pactis 

Ffiiivím 

RegHndorum 



Idib. 



Gonvencti» 
Madridi. ' 
Januar, M. DCC.L. 



Tgnal Tiiscrifçaõ se vc »os outros três marcos isat^-. 
dados pela Corte , »m dos quaes foi asientado' pelo Crt- 
Bcral Gomes Freire de Andrada , Commissario Plf nijjc- 
téirciarió das Demarcaçocns , em Cafetilbos no aiirio 1752 ; 
outro na Índia Morta, e o terceiro n^uma das Serras de 
l^aldonado, como sè verá noCap. 6, sob a nota (*}, 
papeis de Noticias N. 1. Tem o Jaurú n'esse Uigar ia 
largura d» 140 brecas. Seu isthTno de 2*400 br»)ça% entre 
#s Rios Alegre, e Aquapihy , está na latitude de l5^ 
4^9 'i e longitude de Ife*'^ 30', e ileve ser considerado cojt^j 



102 



iiíORÍAS HíSTOatCA*^ 



tincia dos ,Xií|uitos , e dos Mochos , (22) he 
coberto por alfcaá Serrarias, detisas matarias , 
grandes pantanaes , e largos canripas, que sarn 
cortados por dous aãd esteiisos rios , o Ale- 
gTe, e Âqaapihj: (23) e da-rnesmá Cidade y 



«Jih dú3 pontws niaÍB interessa ates para as denriarcaçoens 
do CoMtiní»ijte Meridioriiil, Vede nota (34). O Re^-itit» 
t;iít.<r»elc(íido em Jaurí dist» 20 legots de Villa Muria 
fciu casDiiih» nara Ciiiabí, e be povoído por 124 almas, 
éxcejtuadas l2 p^a^as da aiva ^aaraiçaê. 

{■2.2) Das iVIisisoeas ^a tíxàhuí^aõ . de Santa Anua ^ 
de S^ Fran isco de Borja» ám Santos Heis , àe*S. Pedro , 
Tle Santo Igaaeio , da Trindad^t , e do Lorêto , que po- 
voam o terreno do rio Mnworé , á q'ie se ajnntatn as 
do Baure* ♦ Iton-tmas , e Beny , se fórrrta a í^rovíncia 
de Mochos , hahituda por íridis de 23:000 alinaa , e pau- 
<o saud ivel , em consçpiencia de serem inundados os ter- 
renas do seu districto , e sempre paludosos. Os caiapof 
íar^os ({ue o clivuii Iam , e^os bosjues densos , se cobrem 
de veiçetaes , e drf inléctoá , cuja putrefac<4 lÕ < fermen- 
tada niais pelo nimi» calor da atmosfera , inficiona o ar 
ambiento,, é*' occi^^-iona moléstias próprias dè ilti^açoens 
«emelhantes. Ella abanda de mantimentos , de caça , e 
«le peixe j tem muito gki© vacum , e cavallar : e os ín- 
dios seiífi habitantes, saâi dé cor pálida, ralentes , in- 
dutsriosos , bons OíRcíaes dâ fundição , de cultura , € 
<ii'o<rtr;is obras, assim coaio as índias, mui perfeitas na 
tecedura do algorlaÕ. Alli se fabrica ,. muita assucar , é 
aguardente. Os Espanhoes tem n*essa Província grande 
à<)Ccr»rro , pela ini mediata comraunica'jaõ cqai o' Forte 
doPriacipe da Beira , e líé , i<*ualmente com a Provincia 
iy Xiíjuitos , um refugio próximo dos Portu^uézes màos*, 
iiue por Cr.uies ou por motivos desgraçados , desertam d« 
»eu paiz ; ct.> uo fizem também os escravos de Mato Gros- 
so , fui>*iado de seus Seíihorei.' * 
(23) NasL*em a'nt)os esses rios- Ha alta Serra cha- 
inada Áqu:»;ííhy , jjtíla latitude de lô^-^í e corréiti 'pa- 
ira' e lios » com peque jo intírvallo entre feii etti díétànci^a 
d« 7 legias , até se precijíitarem pdr duas Caclioeirá* 
iiltai, é'B"iptíradis una quUrto -de kj^oa a ia a da outra'. 



DO Rio de Janeiro. 



103 



à Corte do Rio -de Janeâro , inedeam 5S0 á 
600 Jegoas. (24) 

No anuo 1755 constava a popub^rro de Vií- 

la BeJía, e do seu privativo distncto, de ponc» 

mais de 500 alii»as ; e nSo era a\idtud;i a que 

habitava em todo territcrio cultivado : por e>8e 

motivo ordenou o D. de 20 de Novembro de 

1797 a condemnação dos recs mereeedcies de 

degredos do Brasil, paia a Capitínia de MaíQ 

Gh)?so (igualmente que para os dihiricto» do 

Rio Branco , e do Madeira) cujo au^tmeu^ 

to popular era preciso prcuiovfr. se. PcIos"£nn< $ 

1782 >e contavam mais de 7:0C0 Almss adultas 

em mais de õCO Fogos : mas na época pre.ente 

numeram-se nrsta Capitania mais de 31:0Cí) 

almas, repartidas por ^tòO fogos, que i 

proporção do vastissimo Campo com.prehen- 

dido em seus limites, he ainda pcuco suffi- 

ciente, baveudo a necessidade de tultivfí-ío 

cm proveito commum, e de segura-lo cora 



forraando nos ceiujjos, à baixo *cÍh escarpa ] le«oa , o 
isthme de 3:S20 braças. JD'ahi vollu o Aíjvàpihy ao Nhs- 
cente com ©ppostas dirtcícfns, ttu dtiuai.da èojamú,, 
3 legoas h baixo do Fegisíro, cem 20 de c;iíijo ; e 7> 
Álegr^, prçeurando © I ©ente , vai entiyr , ccu) esttiifsaô 
pouco maior, no Gutípcré, péla ruergcm do Sul, r>ei;* 
legoa à cima da antiga Villa Eclla. Correiido nez de 
Abril de 1773 mandou o General Luiz de Albu(]ce:que 
fazer a posnvel diligencia para se communicartm (>U« 
ncs nas suas eabtceiras , à fim de facilitar © corrnie:c'o 
entre a Coipital da Capitania , e a P}o\incia de Cuiabá • 
Bia»,. apesar de todo e>forro em fazer subir as aouas 
do A quap^ihy ao varadouro no isthnio , que medtava ^ppr 
ser o tempo próprio das maiores aguas), nada se coiv. 
eeguiu.. 

(24) Vede a nota (16), 



104 



M Etf^RiAs Históricas 



força mais poderosa dos accornrrtetímentos hos-' 
tis (los visinhos de Espanha, e dos índio* 
selvagens, quQ o circundam , e sam indigenaf 
cleste Continente. 

Não sendo bastante a força actual da» 
Companhias de Dragoeníi , Leaes Cuiabanos , 
6 Pedestres, para providenciar os meios de 
defensa j e sefçtjrança da Capitania , e para 
íiãí» írravar o? Corpos Milicianos delia , sem 
iirgeacia maior com o serviço ordinário de 
Gijrirdas, e Destacamentos, por, D. de 22 de 
Janeiro de 1818 se mandou crear , e orga- 
irisar un»a Legião compostja das três armas 
«ie Infan.taria, Cavaliaria> e ArtiUiaria , conií» 
proposera o Tenônfe General Graduado Fran- 
I" isco de Paula Magaj^si , nomeadc^ Governa- 
dor e Capitão General da mesma Capitania, o 
ifue i\n executado em Cuiabá. 

Os Barbados habitam junto ao rio Sipi- 
túm : 03 Bjrorós , (^8) e Aravirâs , vivem noCa- 



[iò] A Niíí,' í'i Bororó, que nVoutro tempo 'pos«$uia 
o st ir eh imoíio Kfino ao Poente , e rebatia os impulsos 

víiiíCiúapó , de quem ern a inai» forte adversaria, íoi 
* «hqCiUtuéIu pelo valereso Sertanista António Pires de 
C;»nii»os. e reduzida áo ^remi» <la Igreja. Por Oml, Rejj^. ^ 
f*o lhe estabdeeeu «ma Alílea sobre as luargeus *io Rio 
íi ande, por nude «e divide a Capitania de G»iàs com 
íi de S. Puuiò. O projeito foi adinirave!: porque seiído 
;« Nhçhõ Bororó m^ís forte, que as outrí^s , e de geiíio 
fíiaU domuvd , nodfrirt f.fcil rientc , depois de polida, e 
discijilinadu ptlvs Porlu4ne7.es , sui^eitar os Cai após , e 

' ' -ipedir *■>« ssní^ estid^vw. l\ías a morte do Coronel Çant •• 
p'»'* , áíco ní-Tida poM' o depois d 'e^se facto, desgostou m 

■ C-ífí^^ni^t-rdo-eH , e.iii!;>d;ií o pro^rreí^so de. lu5 utd es- 
taí>rh íiuiento. Ai i lu hoj»^ se consíírvnt a .referi<la Aldeã, 
•lide havcr-Aiiíí peaur. íâõ irhíias , tcndo-a povoardo"á potí- 



Do Hio DE Janeiro. 



10% 



>• b 



baça] ; os Pararionés , nas visinhança» deste» 
para a parte dp Sipituba : os Gua3curi'js , ou 
Cavalleiros , se estendem desde o rio Taqua- 
ry, para o Sul» até o Rio I pane : os Paya- 
guazes regidem hoje mais chegados aos Espa- 
nhoes do Paraguay : os Giíanàs cultivam a» 
matarias de seus Campos alagados : os Gua- 
xís , mancommiinados com os Guaycurus , fa- 
zem o todo desta Naçfo: osGnatòs, m? con- 
Sisrvam leo fundo , e Se nas da La^oa Gaiba , 
e buscam a amizade dos Purtn«-ue/*cs : o'* 
Çliamicocos . para se livrareMi dos Guaycurus, 
assistem nas Serras , e na aspereza d*e!!as tem 
a, sua defensa: (>s Cavarís , ou Coioados , fi- 
iialjnente , estam de assento no alto das Ser- 
ras , e nos Campos da Vacaria , próximos das 
oiigens dos rios Itratemy , e Ipané. (26) Es- 
l^s saí^i as Naçoens prineipaes dos índios , 
q.ue cobrem as niarg-ens próximas, e esteusas 
do Paraguaj. 



pt)noGs aimos lOO Casaes, lie mc'n<«^ de s<_*ntV a dimi- 
HJuiçaõ d*esses indivi4't08, que de ía^tiiuar a desgraça 4o« 
npvos filhos da Igreja, ehauindos Clirktaon* , por terem 
stiperfi cia li« ente abratçiid© .% ne!ijçi;i5 Cstlâí=jiica , enjoi 
'IVlisterios ignoram, re<|'«lHtido íipeiias as í^uaís acçoeus |>e- 
líts regras dietada.:* por u\n SertHiiJsía P**iUit)U( z , seu 
I>irector , e pi>r uhí Sa<-er<!«le timíidado á í<íri;a iiiara 
•dirigir aqtielks aJrtjas.ueaíiíHH, ícuj« «r^t^íti pio , longe de 
cie ediHca-lás , he muitas fezes eapaz de defetroir a boa 
litoral de f<»stu mes sHoriS^ 

- : (26) 0;is Seira* de McrraeaTà se orio-ina o cauda-. 
3 aso rio jjatémy , ou íguray^ ewjd foz -se mÓih &ã ln^hu" 
ilí? de "23^, 47'; e à -erma dtilla 23 legoas , tiver;íiiíi os 
V#rt,ngtiezes (na iisargetn do Norte) mna. ir í'^ a, de no- 
xiiinada d<&s Pruzeres^ que no ànno 1 777 foram obriga- 
ndo» à evacuaT, Y. Liv. 8. Ci*p. 3. ua stíle À^a Go*^X-* 



tm 



Memorias Hi^TORieAS 



No prolongamento de CGntiniíàiíat, e âl-' 
tas montaiihas à Leste éídatle , que dirij^idan' 
de 8, âi N N^ O ; Sê acham na latitude âé 
K)'', í^l% e vaih fomiar com 10 iegoas de 
eíitensão a Cachoeira grande do Aiiúapehy ,' 
e com 40 íeg-oas terminam a sna long-ura, 
e^tam sit-jadòa» os Anaiaés ; e Minas adja- 
centes à mesma. He d'ei{es mais antigo o 
da Clmpiiúix *dé-S, Francisco Xavier , na la- 
titude de 14° 47', disíanfe (5 iegoas da so^ 
bredita Cidade à Nordeste ; n«as seuniiulo 
as voltas da estrada pela ia ce Occidental da^ 
ífcrrasHa, corre o caminho de 12 l^s:bas. Fòr 
*í»te lugar descol>erla em 1734, e siíus mina* 
*e repartiraíii em Ontubro de 1730; Cada es- 
cravo , nóanno primeiro d*esse de^coberm' 
liquissjmo ^ dàvá de jornal diário trcs , e qtiá-' 
tro oitavas de ouro, cuja grande-za fòi potic» 
íiíd aos povoadores prnnéiWí, idos de Cuia-V 
bd , por lhes faitar o mantimento pro|X)rcio-' 
nado ao numero de povo mineiro , que con* 
correu,, não ha\rendo tempo para o l^zer cul- 
tivar antecipadamente. Castâva porisso cada 
íílquefre de milho seis ^ e mais oitavas de ouro; 
um alqueire de íVjjão, dc^, e trinta oitavas; " 
um arratei de carne s^eca de vaca, onde por- 
m, e também de t(»uGÍulio , duas oitavas ; 
mií frasco de aguardente de caoa , ^quinze 
oitavas ; Min praío de ^al , quatro, e m?ia. 



naciures (la ChVÍí eí: i- de F. Paulo o 7.'^, e %,^ f^perío- 
res ■ ^j lt;oo:ís n <^sa> Íng'ar, ten? ívs suas («beceirâs eo^ 
tre^aaj^-iMs ., e elevadas rnoHtaiihas.. Olfjané desa'J-ua 
< como o Ji^Hteai)' I iMi. Puraguuy peiu sua uiaFg;«ètá ^d& 



>ô Rio ]&É JANEim 



lof 



miavas; uma galinha, um arraiei d^assiicar, 
uma Camisja grossa, seis oitavos; e tudo 
niais à proporção d 'esses géneros. Nos dons 
annos porem seguintes, aindatpie o jornal 
igualava à duas oitavas e meia por dia ,. foi 
contudo diminuindo o ouro, e a mineração s» 
atrazou d*então pela falta (i' aguas, que obri- 
gava a grande força de írabaliio , e cmpe- 
](iho ,. havendo alias copiosos veeiros do metal 
áureo , em um dos cpiaes foi achado o ourd 
ra pureza máxima de 24 quilates > como não» 
se encontrara , nem consta appareeer ainda 
em algum outro iugar» Sua população era de 
500 almas. 

O de N, Sra, do Pilar (cujo Templo le- 
vantado pelo Padre Jozé Manoel Leite , foi 
reedificado em A gostíí de 1755,) dista Íl , à 
14 legoas da Cidade Capital; e situada na 
escarpa orientai das sobreditas montanhas, tem 
muitas fabricas , que principiadas à erigir-se 
com o descobrimento do paiz , formavam o seu 
todo. He assento de um*a Cipelíania Curada. 
Apartado V legoa deste arraial , ^estava i^ de 
JSanta Anua t no Rio deste nome , que sendo 
coevo com o da Chapada, se acha mui deca- 
dente , e abandonado. Pouco mais adiante de 
$anta Anna fica ?l Fabrica de Ouro Fino \ e 
nesses ires arraiaes se acham l:15íí almas, lon- 
ge 4 legoas de Ouro Fino está o âa Boa Vis^ 
ít7, cronJe, caminhando 2 iego^s , se vai ao 
Arraial de S. Vicente Ferrnra , na latitude 
de 14''. 30', cuj as minas descobertas em 1767 
pcIò^Çapitão Mor Bento Dias Botelho,, e dan- 
4ô çyu€Q de boa conta no anno de i7(>8^ não 

ii 14 



108 



Memorixs^ Históricas 



foram proveitosas ao tnesmo descobridor , qué 
morreu })ubre cm 1776; mas saai presente^ 
ineiiíe niui úteis, e hzv.m ser esse povoado (>' 
lííais apulenlo dos do Contir,ente. Dista d^ 
Caj>itai sõtjndifa , em hnha recta, 12, i\ 14 
lego-ds ; e seguindo as voltas do caniinlio ; 
aparra-..e (VvVín 21 legoas. He também o as- 
sento de uma Caprílania Corada. Sua |iopula- 
lâíi comVd de 9'i;i almas. Õ ' í/íí Lavruiha , 
kiituada na estrada que \ai á Cuiabá, cm iíi- 
. liíude do lò^ JB', e distante da Capitai 17 
legoas , vô-se (toí.'ahido da sua primeira gra»> 
deza. Conta 655 á GGO al^iias. O de Santa 
Barbará ,(perio do qual ha uma i"(Kite . que 
leparle as suas ag*uas para ambas as vertentes 
dos Kios Aquapehy , e Ategre ) situado ^obre 
^a Tromba da Sena do mesmo nome no Des- 
coberto novo da Campanha , cuja povoaçiío 
se deveu ao Alferes Jozc Pereira , no a suio 
1782, ^e acha na latitude' de 16^ 40'. Sen- 
do este sitio abundante de boas pedreiras mi-' 
neraes , a iaita de aguas pri-va-o de ser tra- 
baliiddo pei^maior pírte do auoo, e os seus- 
baliitanttís por essa causa Gtssam de mineja- 
lo; Ojí Itigares até(|aíi referidos^ e suas la- 
vras se exlrabeni rí-gularmente 10 arr<ibas de 
ooro em cada anuo , quando as aguas sacr^ 
abundante?. 

He coe\a da amiga Viila RcHa a povoa- 

fíío díT.ominada CamlVascú, que situ>a<lâ ha 

.margem de Le.^te do Hi©^ dos íiarbados . (t?) 



(27) ^.ira pelo Sul no rio Ategrtí, 3 tegoas à ci» 




©o Riô DE Janeiro. 



109 



em la;itude de 15^ 19' 46", dista da raes- 
ma Capital, por (ena, 7 a 8 legoas/ e pe- 
lo rio, 10. Consta de 370 almas, alem de 
43 pessoas ma»s, que Fa/em a sua giiamlção. 
Den<iíiiinnda em seu priucií^io Povoação do liio 
dos Bíuhacks, como no aiiiio de 17S2 esta^ 
beleceu ahi o General Luiz de Albuquerque 
uma Patiulha para guardar as canpaul.as pró- 
ximas , e impedir a fuga dos escra\os para 
08 Dominios Espanhoes , deu-se-llie no annò 
Eeguiute o titulo ck Casal Vasco y porque fi- 
cou cm diante conhecido. Regulada a povoa- 
ção , e quando progresj-ava no seu augmento, 
padeceu, em SO de Dezembro de 1786, um 
incêndio grande, que lhe abrazou duas terças 
partes das casas de vivenda , tendo sentido a, 
3 de Novembro do mesmo anno um tif^eníor 
leve de terra. AlFi se levasítou a Capella de- 
dicada à N. Sra. da E^^perança, que foi ben- 
zida a 7 de. Setembro de 178õ , e se construiu 
lima Caíia de rentlencia para os Governadores, 
Distante dVsse lugur 7 , à 8 legoas ehtam m 
Cajnpos cbamados das Salínaò' , per abunda- 
rem de suco í-âlino. , 
A de Viseu fuíidada na margem oeciden- 



bita-''0 certa N;!çaõ de índios mansos, e valentíssimos 
d'esseg contornos, e á única, que se distint^ue <ias ©u- 
tras pfela copia de barbas. Tcr>i o seu trtuc® prinéipat 
na B^bia do Ceivo, «u na Lagoa fíebeca, que corre 
directamente ao Sul , cm distancia de de/ tegoas da 
povoação de Casal Vasco, cajos campos formam uma 
«wpeTticie quadrudíi lie mais, ou menos U ie^oa» M 
larguru» ' 



no 



Memorias Histõkica« 



tííl, e fronteira à foz do rio Curumbiára, (28) 
fui levantada no annp 1776. Nas s^as vísi- 
líhanças se descobriram piutas de ouio,prin- 
cipalmeníe na Serro dos Guarajús , que por 
prdem do General Lui-^ de Albuquerque foi 
examinada no anno 1779, e dava boas , e bem 
fundadas esperanças de proveito : mas por Or^ 
àem da Corte, que se communifou aos ac- 
iuaes operários d^essas Minas em 14 de Fe- 
yov(iivo de 178ã , cessou alli a lavaur* mine- 
ral com a retirada dos novos Colonos , e con- 
sequentemente se extinguiu a povoação de 
Guarajús na latitude de 13° , 29', e lonait^jde 
de J13« 05'. 

: A de Lçomil (denominada assim pelo 3. o 
Paieral Luiz Pinto de Souza) deveu o s^u 
prmcipio ao Estabelecimento da Aldea de In- 
(iios no mio da Casa Bedontía , de que adiante 
fallarei; mas está extincta. A de BaUamão 
íoi erecta pelo memo General (indo de; ca- 
ininho para o Governo em UGS) cofn os in- 
divíduos da Nação dos Pamas , { oue, jà se 
íiçhavam aldeados) no sitio da Cfthoeiía do 
Giráo. (29) A que se intitula Aldeã (hs Pa- 
mas íqsq por seu instituidor ao Juiz de Fora 



T % ^j^^ j ^í^^? no Guaporé pela margeiD direita, em 
latitude de IS'', 14'. o 

_. (29) A' baixe, da Cacheeira, que st^ intlti.ía dc^ 
Três Irm>.ous , no no Madeira , e iia ©rdem d'eilas he 
-a íía, acha-se a do Salto do Giráo , distante 8 leooas 
Cie trabalhosa navegação,, na latiíude de 9^, 2^, "Jj^^ 
contam por 5^a na subida do mesmo rio , e he onía da« 
ttiaiores. Estreitando-se consideravelmente as a^u?)* uVsse 
lugar entre m©ntes , correm dahi com velocidade insu- 
peravel, que obriga à varar as Canoas por terra, cujo 



Dé íllÒ ^E JÁNÍEhfttè^;^ 



1 



lo de Vi lia Bella , Teotónio ida Silvá<3òhíéâi ^ ' 
que a ^ituoji sobre a Caclmeira dó Salto , 
em terVeno fértil, abuiiclante de caça , e de 
peixe, ciijo lugar ser\e de escala prompta 
aos Correios, e Commerciantrs da carreira 'do 
Pará; e seus habitantes podem colher avul-'^ 
tadas ricjuezaji pela troca de muitas produc-J 
ç(*ens nauraes , que o' Sertão d'esse Contí^ 
iieoíe "espontaneamente prodigaliza. A conhe» 
cida com a denominação de Mden Carlota se* 
orii;inoíi do estrago de um populoso Quilom-' 
bo , (SO) que por Ordem do General Luiz 
Piíito de ^ouza foi destraido no an no de 1770, 
cuja dêligeiícia se repetiu no de 1795 , por' ■ 
constar, qiie o resto dos escravos fugidos , e 
habitantes actuaes do sitio, de novo se ha- 
viam ajuntado para restabelecerem o seu an-' - 
tigo domicilio : então se apanharam 54 pessoas/ 
que foram conduzidas à Capital ,' escapando' 
muitas à captura , e grande parte dVJlas sòf- ;' 
fren a morte, que lhe deram. (31) Diàa és-' ' 



varadouro tt-m 3C5 braças de estensaõ ; e iitsta Cachoei* 
TH ae gastam sempre U) , á 1 5 dias de pnsíjagem. De»' 
noiniua-se Salto do Giràu , por.íiiie fazendo o jíio urna 
baixa u'esse luijar entie d(»Lisí ujorro»; pequenos, heprt-^ 
h\so coutitruir uhi uma estiva de madeiras fortes para se. 
yarsuvm as canoas vazias per cima d'ella , a teriíar ao 
rio. Os niatós deste sitio abwndani de salsa paniília: 

(<30) Casa levantada no mato, ou lugar rriro , oude-' 
vivetn os escravos fugidos , e amoiitados , que chaiuam 
f.aiha:nboías no Brasil. 

fU) A' respeto de twcs in»lividuos se expediram 
alii^unias Ordens Regias , que se conservcwu ria Capitania 
de Minas fieraes , entre vs quaes he sinottiàr f, fjg 12 çte 
AbriVde 1/3». A de 7 de Ma-ço de I741 uiandou pôr a 
marca = í' ^ em uma tspàdua dós fíegios achados 'cm 



11* 



Memorias HistoricaI 



ta povoação 15 legoas , da margem do rio Gua* 
poré, e pouco mais de vinte do Arraial de 
»S. Vicente Ferreira. A inexjjeriencia dos que 
foram a referida diligencia haviam dado es- 
peranças de bom thesouro K'aqué»lle Ingar : 
rnas examinadas as terras por mineiros práti- 
cos de Mato Grosso, decedida , e unanemem- 
te se conheceu, que 'aUi nenhum sinal appa- 
recia de ouro., E^tà extincta , e também as 
de Lamego , de Guabjus , e da Casa Re- 
donda. 

Para impedir o estabelecimento dos Es- 
panlioes no território Portii^ne?: , por OrJem 
do 1.° Governador, e Capitão General D. 
i\ntoni*o Rollim t^e Monia se e$l'àbele<:eu em 
1760 um Destacamenío Militar no sitio das 
Pedras, (32) cujo posto na latitude austral 
fie 12", 52', 55'', e longitude de 314^,374', 
jpi sempre olhado ccnu) importante , e he o 
vinieo terreno alto , e uma colina , que se en- 
contra em toda' a èstensa margem de Leste 
do rio Guapoíé. Este Ingar parece ser a 
irietade meridional do vasto paiz das Ama- 
seonas , por findar ahi a producção de al- 
gumas arvores, e íruttos que n'elle se en- 
contram, como a Sapucaia, e outros cocos < 
senjelhantes. 

O Porte de Bragança pelo mesm^o Go- 
vernador , em 1760, a Oeste da foz do rio 



Quilombos pela^ prim<?ira ve« ; e pela segunda, se lhe 
eorlasisp umii f»rélha , sem uiais procevsso. ^ 

(3^) O rio das Pedras di>jta de VilU ^eila .13 dias 
de via^éra , e eiitra no Guaporé. 



wm* 



DO Rio de Jakeirò. 



113 



Itunama {23) sobre a margens do \Norte do 
rio Guapoié^ (34) onde foi a Missão Espanho- 
la de Santa Ro^a , (c5) e se acha na latitude 



(33) Neste rio , de grawdeza uaõ pequena , está 
situada em latitude de l3®, 21', a MissaÕ Espanhola 
da Magdâlcna cem powc© menos de nove mil habitantes: 
A' 30 legoas de navegação atè a sua foz no Mamoré, 
« á cima d'eHa duas legoas e meia a entra-lhe pela mar- 
gem do Poente o no Machupo , em cujo sitio fundaram 
os mesmos Espanhoes , no anno l792 , uma povoação nova, 
que denomiinâram de S, RumaÕ 

(34) Tem este rio o seu nascimento nas Serras dos 
Parasís , em latitude austral de l4^, 39, ou 42/, e lon- 
gitude d(e 3Í8°, 39', 54", e longitude occidental de 
SlS'^, 39', segundo as observaçoens ultimas do Doutor 
Pentes em 'i789. Dista das origens do rio Jauru , ao Poen- 
te, 6' legoas; da origem principal do rio Juruena j\ à 
Leste, duas legoas; e da do rio Sararè , no mesmo ru- 
mo, 3 legoas. Precipitando-se com o Jauru pela alta 
escarpa das* Serras mencionadas, formam de caminho 
muitas cachoeiras , e vam correndo paralleles ao Sul 
trom o intervallo de 7| legoas , até voltarem á rumos op- 
postos. O Jaurú pára ao Nasceiíte , entrando no Para- 
guay ; e o Guaporé, correndo por 15 legoas ao Sul, 
volta à Leste por mais de lO legoas , até o lugar da 
ponte , que atravessa a estrada geral de Muto-Grosso 
para os portos de mar , e para Cuiabá, onde tem a 
largura de l5 braças, e fundo de 2; e caminhando d'ahi 
por 2'2 legoas ao Óccidente , passa pela Cidade de Mato- 

è Grosso, Welle desagua o r"'0 Alegre , que dimana do Óc- 
cidente Depôs de correr 260 legoas, confloe com ò 
Ãíasioré na latitude de IP, 54', 46' , e longitude de 
312°, 28', 30'-', como observou o Doutor Francisco Jozé 
de Laeerda , no anuo 1 784. Vede nota (S) 

(35) Para se apossarem os Espanhoes das terras 
coraprehendidas no termo do Domínio Portuguez , levaii'» 
taram algumas povoaçoeni pela margem Oriental dò Gua- 
poré entre as quaes foi uma a de Santa Roza : ma» 
vendo que pelo Tratado de limites de 1750 deviam eva- • 
€ua-las , clandestina, e espontaneamente as deixaram no 

2om. IX, ' 15 



Ili 



MeiíORIAS HlSTORIUASf 



de 12o 26', segundo as observaçoens do Dou- 
tor Mathematico Francisco Jozé de Lacerda 
eai 1784, ficou substituído ^ por decadente 
com o denovo construído no lugar distante 
lima milha à cima , sob o titulo de Forte do 
Príncipe da Beira , que o Governador Luiz 
de Albuquerque lhe deu , principiando-o à fun- 
dar no dia 20 de Junho de 1776 , como per- 
petuou a InscJÍpção alli gravada na forma se- 
guinte. 

Jozepho Primo 
Lusitaniae , et Brasilae Re^é Fidelissimo 
Ludovicus Albuquerquius a Mello Perezius 

Cáceres 

Regia Magestatis a Consiliis 

Amplissimae hujus Mato Grosso Provinciac 

Gubernator ác Dux Supremus 

Ipsius Regis Fidelissimi nut« 

-Sub Augustissimo Beirensis Principis Numinc 

Solidum hujus Areis fundamentum jaciendum 

curavit 

Et primum lapidem posuit 

Anno Christi M.DCCLXXVL 

Die XX Mensis Junii. 

Esta nova Praça fundada na margem Orien- 
tal do Guaporé em terreno solido, muito 
próprio para obras desta natureza, e o único 



anno 1753 , depois de as queimar , c reduzi-las á tatal 
d€stroiçRÕ , ficando s6 em pé as casas de vivenda d^ 
Curas Jesuítas, e as Igrejas sena portas. Assim se achou 
a de Santa Roza, d*©nde pretenderam levar os índios , 
domesticados anteriormente pelos Portuguezcs para tam- 
bém c^m elles povoare» a Proviacia dt>8 Moxts- 



Bo Rio de Janeiro* 



113 



que se não alaga no tempo das grandes cheias 
do Guaporè , o qual se eleva ahi à 45 pal- 
mos , desde a foz do Mamoré , (36) até o 
Destacamento das Pedras ( hoje Palmela ) , 
tem quatro baluartes dedicados à N. Sra. da 
Conceição, à Santa Barbara, à Santo Antó- 
nio , e á Santo André Avellino. Foi construí- 
do todo este edifício cora pedr.as de cantaria; 
e a muralha escarpada até a cortina , tem de 
altura 25 palmos , com um portão magestoso 
na frente do Norte , sobre o qual , fabricado 
de abobeda , e com pedra lavrada por can- 
teiro , se collocou a referida Inscripção. De- 
fronte deste portão está um rebelim com pon- 
te levadiça , e um famoso foço , sistema , caza 
de pólvora subterrânea , hospitaes , almazens , 
quartéis para o governador , e para a guar- 
nição , prisoens , e uma Capella decente , sem* 
que algum d*esses edifícios se veja de fora 
das muralhas. Logo que se concluiu a obra 
passou à habita-la no dia 31 de Agosto 
de 1783, o Oommandante , que era do Forte 
antigo da Conceiçào , com todo Trem mili- 
tar , e Fazenda de ElRei : he porem pata 
lamentar, que tenstruido esse edifício , assas 



(36) Das Serras de Cochabamba na latiude de l8^ 
tr^z este rio a sua origem; e correndo de N, áS, re- 
cebe por ambos es lados muitos ©utros rios , dos quaes 
he maior o Aquàpehy , que fazendo e«ntra vertentes com 
o Pilco Maio ( braço do Paraguay ) na latitude de 50"^, 
corre ao Nascente, e depois ao Norte , passa lo l^oas 
à L,este da Cidade de Santa Cruz de la Sierra , e coni 
1Í50 legoas de curso entra por Nordeste na margem Orien- 
tal d© Mamoré. TcBa 490 braças de largura, e fund» 
de lo. na. boca« 

15 ii 




Memorias Históricas 



útil, a tanto custo, e não havendo alemdrss^o 
outro semelhante , á excépçâo do de S. 3o?Á 
4e Míic a pá na - Ga p i ta n i a d P a rá , (i e in o ra e n - 
to à momento se và arruinando, por se apo- 
derarem os Morcegos de todas as cazas , e 
tão abundantemente , que principiando à sair 
d^ellas uma hora antes da entrada do Sol , o 
encobrem, cornp formando uma nuvem densa, 
pelo espaço dilatado da sua carreira , até as 
campanhas de Espanha, d'onde voltam de ma- 
drugada. Dista de Villa Bella liO legoas era 
linha recta, e pelo rio 190 por muitas voltas^ 
qu€ faz em toda essa estensão. Occupam este 
lugar 477 habitantes 1 e aqui termina o dis- 
tricto. da Cidade de Mato Grosso, dividido 
pelo Rio Paraguay. Conformando-se o Gover- 
nador Luiz Pinto com as Ordens da Corte , 
em 14 de Março de 1759 deu o nome de 
Bragança ao antigo Forte da Coneeição , co- 
mo praticou também* com outros lugares desta 
VilIa de Cuiabá, e de Mato Grosso. 

Em beneficio dos habitantes * de Cuiabá , 
e districto annexo de Mato Grosso /havia uma 
Ord. Regia , expedida em annos anteriores, 
ao de 1751 , mandado fundar s n'aquella Pro- 
vincia uma Casa de Fundição, para evitar, 
que o ouro extrahido das Minas do seu termo 
fosse levado em pó para a Capital de S. Pau- 
lo , e se desviasse, com prejuízo dos Reaes 
Quintos: por essa providencia acompanharam 
a mesma Ordem os Officiaes Fundidores, mu- 
nidos dos petrechos necessários. Não tendo 
eíFeito por então o determinado estabelecimen- 
to, foi a sua execugão d« novo ordenada aí> 



DO Rio de Janeiro. 



117 



General Luiz Pinto de Souza: porem deíiri- 
da, por motivo de algumas representaçoens da 
Camará, que exigiram novas instrucçoens da 
Corte sobre o seu methodo de operar, prin- 
cipiou finalmente à trabalhar a Casa no dia 
21 de Janeiro de 1772, ficando obrigados oís 
moradores da Villa , e seu termo, á pagar 
níeio Quinto, no valor do ouro à 1:350 reis 
por oitava, e os de Cuiabá, qumto iníeiro 
no valor dô ouro à J :200 reis por oitava , 
cuja graça durou ate o anuo 1789 (37) 

]Não contendo o território de Mato Grosso 
numeroso Povo , que pudesse cultivar à prin- 
cipio as terras do seu estenso termo , e tirar 
das entranhas d'ellas abundante ouro , assim 
mesmo se levaram d'abi para a Fundição de 
S. Paulo, no anno de 1737, 80 arrobas desse 
metal, ou 1:300 oitavas, segundo o Annal da 
mesma Provincia. Em 1769 sahiu da Capital 
para a Cidade do Pará a quantia de 85:963^ 
oitavas; e para a do Rio de Janeiro a de 
105:488 oitavas, |, 13 : o qne junto faz a 
soma de 191:452 oitavas, 1, 135 de ouro em 
pó. No anno 1770 foram para o mesmo Pará 
103:000 cruzados, 270 rs. ; e para as Praças do 
Rio de Janeiro , e da Bahia 55:075 oitavas 
entr' ouro era pó, e barras (além d'outras par- 
cellas módicas ) e de mais 28 contos de 
reis. (38) Estabelecida a Fundição, produziu 



• (37) Vede Cap. 1 , §. Tendo a Ordem, 
(38) Calculadas as dividas de Mato Grosso, e de 
Cuiabá, ás Praças do Pará, e do Rio de Janeiro, no 
anno 1769, pelo resultado da analize se achou ascende- 
rem as relativas i l.a, Ô5:885;7,lô reis; e a 2.a , 39:000; 000 



J18 



Memorias Históricas 



i 



essa Gasa , desde o anno 1772, à 1778, a 
total de â04 arrobas, 26 marcos, 3 onças, 
e 17 graons de ouro , em cuja quantia se in- 
cluiu a que por Ordem R. foi da Capitania 
de Goiás para Subsidio desta: e ajuntando à 
mesma parcella 107 arrobas, 3 marcos^ 1 
onça , 2 oUavaa/ e 25 p^raons , fundidos *^em 
Cuiabá, importou tudo 311 arrobas, 30 mar- 
cos , 4 onças, 2 oitavas , e 42 graons de ou- 
rp. As escovilhas da mesma casa nos annos 
sobreditos renderam 19 marcos , 3 onças , 7 
oitavas, e 23 graon* 

As minas , d'ouro descobertas neste paíz 
foram, sem duvida, (como n*outros lugares) 
o attractivo mais singular, que o povoou, e 
quem o conserva : logo parece , que para d- 
las se poderem trabalhar, subsistir, e prós-, 
perar , devem as matérias necessárias , e in- 
despensaveis à sua lavoura, e manutenção, 
ter no seu valor uma proporção relativa ao» 
fructos , e aos jornaes do trabalho , em modo , 
que equilibre o interesse dos mineiros, e dos 
lavradores, com a balança do Commercio, à 
qual , pendendo só para a decadência , os con- 



reis , entrando n*essa soma as parcellas devidas á diíFe- 
refltes pessoas da mesma Capitania de Mato Grosso, 
Ajustadas as contas da F. R, no anno I770, excedeu 
a divida á 700 mil cruzados: e nesse anno mesmo sai* 
ram para o Commercio do Pará, em ouro em pó, e 
#m barras, I04 mil cruzado», 270:000 reis^; e para a 
da Bahia , e Rio de Janeiro ( sem se mencionarem par- 
cellas módicas) 55:075 oitavas; a cujo total ajuntando 
a decima do ouro , q»e de Villa Bella saiu np referido 
anno, somou o cabedal entaõ exportado em 299 aí*l 
cruzado*, 856:937 reis cora pouca differeuça. 



Bo 0*10 DE Janeiro. 



110 



duzirá com facilidade, e em breve tempo à 
ruína mui certa , e inevitável. Faltando entío 
a consistência reciproca' 8e cada classe , que 
se enlaça, e nutre nos seus próprios, e mú- 
tuos interesses, será sem remédio a aniquila- 
ção do mesmo Commercio , e de seus operá- 
rios , o resultado da falta de equilíbrio. 

Por duas vias se tem feito, e sustentado 
com frequência maior o Commercio de Mato- 
Grosso para os portos marítimos. A primeira 
he a do Rio de Janeiro : a segunda do Pará. 
Querendo seguir a primeira (cuja derrota prin- 
cipiou era 1758 por persuasoens do 1.° Ge- 
neral D. António Rollim aos merca4ores da 
Capitania , em beneficio d^ella , e de seus ha- 
bitantes) ou se procura o caminho de terra, 
indo à Cuiabá, e d*alli à Goiás, em deman- 
da da estrada das Minas Geraes , até á Ca- 
pital do Estado, ou a navegação em canoas, 
desde Casal Vasco, pelos rios Guaporé, Jaurú , 
e Paraguay , até a Villa de Araritaguába no 
Porte Feliz, (S9) pelos quaes se fazia a com- 
municação com a Villa de Cuiabá : mas diri- 
gindo-se ao Grão Pará , âpeiias se navegam 
os rios , desde o Guaporé , à entrar no Ma- 
deira. 

Com a dilatada marcha de 5 mezes por 
680, (4j)) à 600 legoas , segiaem os nego- 
ciantes a via primeira, fazendo conduzir era 
..- ^ — , ~ - - ■ -■ ^ 

(39) Desde Cazal Vasco , à Perto Feliz da Villa de 
Araritaguába , que he da Capitania de S. Paulo , se passam 
113 cachoeiras, umas, mais, outras, menos trafealhcsa*. 
Vede Cap. T, Nota (30) , e o Appendicc à elle jnnto, 

(40) Vede nota (l6). 




IfO 



Memorias Históricas 



avultada tropa de bestas muares as fazenda$ 
grossas, como abaeta, panrio de liobo, e ou- 
tras semelhantes, à t^e acompanham algans 
escravos : mas as de maior peso , como p fer- 
ro , e o aço brutos , a cobre , ferramentas^ 
pólvora, espmgardas, estanho , lonça , vidro , 
vinho, e outros liquidos , i^ualmenteque o im- 
portantissimo Sal, (41) cujos eíFeiíos sam ne- 
cessários à conservação, e augmento d'essas 
Minas , se transportam do Rio de Janeiro por 
mar à Vilia de Santos , e d'ahi ao porto do 
Cubatão , em canoas, d'onde as conduzem por. 
terra à S. Paulo, e finalmente, com 23 le- 
goas descaminho, ao sobredito Porto Feliz. 
Por este meio lie menos difficil a conducção 
das fazendas pesadas, e de risco, e também 
se diminue. a despeza excessiva de seus trans- 
portes em jornada assas longa, e trabalho? 
sa ; poisque faltando esses recursos , subiria o 
importe dos effeitos à preço excessivo, e ino- 
tivaria em poucos annos o abandono, e a 
ruína total das Minas , único nervo, e ob- 
jecto mais interessante ao sustento , e conser- 
vação d'esta Província tão remota. 

Pela carreira navegável do Pará (42) não 
se encontra a mesma difficuldade no transpor- 
te de pesados, e custosos volumes, que por 
preços racionáveis chegam à Mato Grosso 
menos sugeitos à perigos , e mais ativiados 



(4l) Vede Liv. 8. P. 2. Cap. 4., e único, sob a 
luemoria da Villa do Priucipe, 

,(42) Em I74'2 desceram os primeiros viajantes de 
Mato Grosso para q Pará, onde os prendeu o Governa-, 
dor , femettendo-os á Liabça. 



)!• Rio BE Janeir®. 



ÍSI 



de Jncommodos. Emquanfo se frequentou 
esse giro, floreceram as Mina*; mas enfra- 
quecida consideravelmente a navegação , ahàs 
importante, tem os moradores da Capitania 
sentido porisso um golpe mui penetrante, su- 
bindo de valor alguns géneros, cuja falta 
obriga à compra-los à peso extraordinário de 
moeda, com damno rnanisfesto de quenrs d'^ 
«lies necesííita. Por exemplo : uma quarta de 
Sal, que no anno 1797 custava 8, até \0^ ' 
reis, subiu à 40^^ reis; um arrátel de ferro, 
qae se vendia à 150 rei^ , comprou-se à 300 
reis; e à proporção cresceu tudo ao valor 
do quádruplo. 

Calculada esta despexa exorbiíante com 
oa jornaes das Minas", deeahida» à muit^ s 
aouos da sua riqueza primeira , vem elíes à 
ficar por naetade dos que d'aiites se tiravam. 
He portanto evidente, que do abandono das 
mesmas Minas , por não corresponderem os 
jornaes A despeza 'do ferro, do aço , do sal, 
,&c., cuja carestia ligava os mineiros com em- 
penhos grandes, enfí aquecia- os , e de todo 
os inhabilitava no proseguimcnto de Fuas tare- 
fas , se originou a decadência manifesta éa 
mineração , deixando os lavradores do ouro de 
trabalhar na sua importantíssima extracção. 

Os géneros da primeira necessidade com- 
prados para a conservação , e subsistência de 
qualquer lugar do Uai verso , por preço exor- 
bitante, ou ainda á 50 por 100 mais do va- 
lor antigo, ham-de , sem duvida, arruinar a» 
povoaçoens , e íàzeA^^ cahir em decadência. 
E quê accontécerá com uma Provincia ainda 
IX. ' i6 



122 



MjEMORIAS HlSTO«ICil 



infante, ORcIe o ouro, seti iinico , e princi-- 
pal cftVito, nunca exce 'e do seu privativo, 
intriuceíTO , e taxado valor! A carreira do Pa- 
rá , que pode oíi^tar á <:aí estia dos géneros 
declarados, como or mais difétei» de transs 
porte para Mato- Grosso, foi o objecto da- 
4íOOsideraçt»ens mui particulares do 1.'', e 3.^ 
Capitão General d'csta Froviíicia» que porisâo 
mandaram fundar no síiuo tia Cachoeira do 
Salío do Thcotonio (43) uir.a Fevoaçâa, para 



\o 



(43) He esta famosa Cadioeira a 2.» das 12 d© r; 
Madeira, subindo- o do Pará. Acha-se na latitude de ô 
52*, e lie formada d' um a cí*rda de penedias unidos , * 
altas, Cjue atraveasam o rio de margem à margem, e 
quebradas em ijuatro partes, dam stshida às aguas poe 
outros taqtos ouwaes perpendiculares de b&ns 40 palmou 
de altura: e eot^io ca margem do JNat^cente corre uma& 
restinga comprida, que se oppoem às aguas dos três ca- 
tiaes , formando coin o quarto, iirn só, por onde sai 
o notável pes* d' aguas entre a poiíti da restinga,. 
e a margem do Poente do rio', ntarcb^tada de mií 
pedras ^« vem à ser esta Cachoeira de grande trabalho ,^ 
pela necessidade de se vararem as Canoas por teria j^ * 
para vencer a aspereza d© 2ôO bra(;as de caminho „ 
em /que se cousa me. a muitos diag, JFoi povoado tste 
lu^ar por diligencia do l.o Juiz de Fora Tbeotonio. 
da Silva GusfuaÕ ( de quem se lhe cominunicou a 
nome) ; e depois de abandonado por mui^tos annos , de 
novo subsiste com a denominação de S. Luiz do Salta 
do Theotonio, O peixe ahi he taÕ copioso , que sem ne- 
cessitar de anzoed, arpoens , pu fisgas , mEtta*se à bordaõ* 
O Sertaõ.proxi.ao abunda de Tucari, que chamam €as* 
tanhéí do M íranh^ia ; cujo ouriço he do tamanho djp un» 
coco de Parilatnbuco , ou da Bahia; e cada um encerra, 
de 2a, à 30 castanhas , de que se exlrahe o||leQ pam 
te-upt^ro de varias iguadas , e sustento de Inzès. Í)q coc^ 
(iurmijiQ , e inai soUdo^ se faz^m uo Fucà diô^r^i^ 



Bd Iti@ DE Janeiro. 



12S 



«ervir de escala aos Commerciantes , facili- 
tando, e animando com ella a mesma mui 
interessante navegação. Como então faltavaife 
à Capitania os meios proporcionados para 
erig-sr um estabelecitBento com força, e po- 
pulação conveniente á necessidade da suâ, 
conservação , e augmento, e até com dig:ni- 
dade, para ser respeitosamente olhada peia$ 
íiiimerosas, e vaieotes Naçoens de índios., 
qwe habitam as circnnferencias da referida 
Cachoeira, nera esse numero pequeno de Co- 
lonos, concentrados em hi^^ar remoto do po- 
voado, podia colher as riquezas, que terre- 
nos iestensisòimos offerecem ; tudo concorrea 
à desaminar a conservação úo lugar» assas pro- 
fícuo pelas suas circunstancias , e à abando- 
nar o estabelecimento, aliás utilissimo, pelofe 
avanços, que d'elle podiam resultar ao Coni- 
mercio desta Província , e dado Pará. 

Por todas as faces, que se considerar 
qualquer fundação vantajosa à si mesma» útil 
ao Estado, e até como único meio para se 
augnientar a força, a população, a riqueza , 
€08 effeitos do paiz , se alcança, que ò es- 
íabelecimento da Cachoeira sobredita do SaU 
to produzia tão benefícios resultados às duas 
Províncias importantíssimas, ambas coníinari- 
4:^3 com as vastas possessoens Espanholas dè 
ioda America Meridional , por uma extrema 
de 500 legoas de estensão , que circula o 
centro deste vasto , e novo Continente. 



Ifcs vaéoé para agiia , levUíídc-:) ^o Iofím . Da «a cj d'e^- 
ie páo se extrahê estopa para calafeto 'iâas cauoa?* ' 

16 ii 



Memorias HisToiíiCAt 



D^» 



l^f?v 



o ttígar da mencionada Cachoeira ^/on- 
4e existe o seu varadouro, situado na latit. 
lie 8/ 50',' à baixo do Forte do Príncipe 
J33 leg-oas , e à cima da Villa de Borba (44) 
160 j he fortíssimo por- natureza ; e como está 
sobre a extrema das duas Naçoens coníinan* 
tes , a posse .privativa d'elle não ser«\ so- 
mente a chave do Rio ^'ladeiía, a seguran- 
ça da sua navefçaçâo , e a dos terrenos, que 
por Sul se' limitam eom o Pará, mas um 
posto remoto , pelo qual se pôde penetrar 
até as possessoens da NaçTo vísinha. Por 
estas circunstancias importa muito, que se 
funde alli uma povoação avultada , e capaz 
de abranger os ramos dilferentes de negocio, 
que a natureza ofle.ece, firmando-se no cen- 
tro* do Brasil um dos maiores estabelecimen^ 
tos, O Sertão vastíssimo, qué circunda , a 
mesma Cachoeira, abunda de salsa parrilha, 
baunilha > cacáo , craVo , pixeri , e de outroa 
géneros commerciaes mui úteis: ia'elle se cri- 
am corpulentas madeiras de préstimo, e de 
que se podem fabricar longas canoas de duas^ 



(44) A* baixo do rio Vantas , ou da &ua boca , 5 
legoas, está situada essa Villa sobre a roargem orierittiá 
do Madeira , e defronte da Ilha das Onças , na latitude 
de 240 , 23*, e longitude de 3l8o , 7 ', I5", único , e 
pequeno estabelecimento portugez , formado de individuo*, 
indígenas do paiz, e de alguns aiítios brancos, e mesti- 
ços, que no mesmo Madeira se conservanfi» Seu territe,- 
rio abunda de eacào , esponaneamente criado pela natu- 
reza , e que faz a principal riqoeza d*clle, de tabacçt^ 
t de viveres, A pescaria das ta tarugas he para 68 habi^» 
tantes do lugar um suptemeíito da falia do gado v»Cttm« 
Que. ajli se «eat«. 



DO Rio DE Janeiro. 



lãã 



e (res mil arrobas de carga, para levarem 
os elfeitos das lavouras ao Pará com 30 di- 
8S de navegaçfo. As viagens dilatadas , q 
perigozas; que os Ser tara is tas d-uqtulU Ci-* 
dade fazem ao alto Uio N«gro, (45) ao Sc- 



(45) Etn Carta de l4 de Juuho de l749, que se 
imiu aos Aunaes Histor. do M«>ranliaô , reftriu o Pudr© 
Bí^nt© da Fouceca , Jesuíta » e Frocurador Gt^ral d/yaut]-. 
la Provincía , que no anno de 1739 se soub^ da con- 
fluência do Rio Negro com o Orinoco ^ e qwe desciíA da 
poente para o Nascente, qoah*i parallelo ao tiio das AmW- 
7onas. He uni braço oriental do rio Arinos ; e desde o 
lugar cnde se pôde navegar , correin 8 legcas (ie irajecr 
to de terra, á cair no Hio Cuiíibá : mas do Arino§, ao 
mesmo Cuiabá, se pas»ani |2 leiloas por caniinh» de 
terra, O Rio Aviíios he aurifero desde, suas cabeceiras ; 
e as minas dVsse distriçto foram descobertas no aunp 
1745 pelo Me&tre de Campo António de Almeida Falcaõ , 
e seus filbo$ , todos moradores de Mato^GroFso : mas no 
anno .segumte , quando alli trabalhavam muitos brac^ot 
dos liabitanle» do tnesm® Mato-Gro&so , e de Cuiabá , 
repentinaniente desappareceu o ouro , por cuja falta í»e 
retirou o povo, deixando perdidas a* lavras , os serviços , 
roças, e-. casas, que haviam feito. Occasionando este fuc- 
to a maior consternação àqnelles Colonos , e notável pre^ 
juizo, se descobriram no anno 174? outras miiias , que 
»e denominaram de Santa habel nas Cabeceiras do lio 
Arinoí, para fiv^àe correram os pó, vos ; e como tiaõ en- 
chessem as esperanças dos s€«s trabalhadores, por serem 
m jornaes mui escassos, à vista dos que tirav^im das jà 
conhecidas Minas de Cuiabá , e de Mato-Grobs© , foriMU 
lo^o abandonadas, accressendo à esse motivo a nulti- 
plicidade de Gentio valente, que habitava o pai?, contra 
quero era preciso estar vigilante ; e para lhe resistir ao» 
peus assaltos, sem desfalcar ao mesmo tempo' os traba- 
lhos das lavouras, naõ havia numer© j^ufficiente dv indi- 
víduos. Verificada alèmdisso a noticia de se descobtirem 
diamantes n^aquelle terreno, concorreu t«mbem es^a cir- 
CMOstancia para o despejo do Vovó, que o Ouvidor Ma, 
mú Antunes Kogi4euu Uz evacuar, jicudo ^wardas ^iap* 



JMf 



126 



Meuortas HisTORrcÂs 



limoens, (46) e aos seus braços lateraes ( mui- 
tos dos qaaes sam doentios), na drlig-encieí 
das proJucçoens fertilissimas , e espontafiea^ 
da natureza, commerciadas era oiit'ro íeinpd 
pelo Madeira, c^a carreira foi ■ abandonadai 
pelos assaltos repetidos, que a traidora, guer- 
reira, e numerosa ludiada dos Muros ( hoje 
nossa ailiada ) lhes fazia, diminuiriam cería- 
menle por essas providencias :" e nlo seria 
pouGo útil acolheita da Tartaruga , e dos se- 
us ovos , de que se povoa a celebre praia 
de Tam^índuá , ( um dia de viai^em à baixo 
do referido Sajto ) e a da manteiga extrahida 
delles, que nao serve só de sustento às la- 
7es , mas de- tempero à qualquer comida , e 
para fritar o peixe. (47) 



« defensa ría extracção diamantina. Dl'ahi proveio nova 
can«a íi« misérias , que o povo lamentou , vendo perdidas 
«s suas diiiajencias , trabaliios, e grandes despezas ( Vede 
Ca ,^.l. nota (20) ) O arraial tem por Titular a N. Sra. 
da Conceição 

(46) A Província deste nome fóraia um governo su- 
balterno do Graõ Pará , e jnz entre os 3^, 23', e o» 7|9 
de latitude austral. He povoado de naçoens numerosas 
de indígenas com difFerentes idiomas, e sen território 
mni fértil de plantas, e de arvores conhecidamente pro- 
veitosas ,co no as do cravo , ca cio , e outras também ateis. 

(47) l>o Para vam an malmente muitas canoas à 
essa colheita, em que consiste um dos, ramos do seu 
commercio- Km certa e^taçaÕ do anno saem as tartaru- 
gas à desovar. nas margens de Zovar , onde, cavaiido a 
arei.i, depositam r>í} , e -200 ovos semelhantes na gran- 
deza uos de sçatiuha , maa redondos , cujo liquido he to- 
todo hiuiiíi'iga ; e cõuí^Vuido o desovamento , tornam à 
íobrir Hs covas. Os habitaates do Para íazera á\ tartaru- 
ga muito-í m u!ja»-eg i&;i!uiaveis , e aífirmarasêr esst alimerf- 
t© iijiiiLÍ ««tritivo. 



RO Rio de Janeiro, 



m 



r As terras do mencionado pai/ , além r da 
Sfreni naturalmente produttivas dos geeeios 
já referidos , conservam em si muita anaio* 
gia para a cnltura do Tabaeo , ou do fumo, 
do anil, café, algodão, e da cana doce. O? 
hssucar a!li trabalhado faria uma positiva ri' 
queza do In^ar : porque, ccs-tumado» ós mo, 
radores do Pará com a pJantaçcío , e fabiíCO 
da cana nas margens, e ilhas Amagonas^ C^- 
jos terrenos formados da canadas do lodo 
na altura de S , à \2 palmos sobre o fundo, 
detabatinga, além de insutleientes, não cou- 
tribuem á nuíri^ão perfeita , e sucosa da lu- 
na, procede d'ahi, que o assucar , chama- 
do branco, no mesmo IVrà nunca e^^ccde 7% 
consistência do conhecido em Mato Grosso cooi 
o nome áe inascavGdo.fit^núo apenas apto para 
alguns usos mais particulares, depois^de se apu* 
rar com assas trabalho, e vendendo se eníâí» 
por dobrado preço, do que custa crdinariamcn' 
te em Farnambuco , Bahia , e ilio de Janeiro ; 
portanto melboraria a Província de Mato Gros- 
so n^sse género, cultivando as terras da Ca^ 
choeira mencionada , e das su^s iraraediaçoens 
firmes^ solidas, e pingues, onde se nutrirá essa 
planta da tana dc-ce com pérfeiç?o para o esta».. 
belecin)ento de um fui^do utilíssimo de Com- 
mercio, em proveito d'aquel|es Colonos. 

Não he pouco considerarei a vantag-em , 
que resultaria, de se povoar a sobredita CV 
choeira, pela redução de miutas Naçcens de 
índios habitanifs das margens^ e sertaons do 
rio Madeira.^ Estes homens salvagens, des* 
coftfiados dos Europeos pela kmbran^*a fu» 



12S 



Memorias HisTôRreAg 



nestaí do Cativeiro, e que vivendo em per- 
feita igualdade entre si, sem necessitar de 
vestidos, e nus, até das máximas politicas, 
da propriedade, e da jerârchia, não costu- 
mados à manufacturas , ao commjercio , ao lu- 
xo , e aos mefaçs preciosos , que desconhe- 
cem , é desprezam ; fundam todos os seus in- 
teresses na rede, no arco, e na frecha, e 
coin esseíí instrumentos nâo só se sustentam , 
tendo tamhem no Sertão fructas ^ e raizes / 
d^e que usam em comidas, e dfe que fazem* 
os seué vmhos, mas gje defendem do^ con- 
trários Bem se vê portanto, que para cos- 
tumar ao trabalho os homens criados sen> elle , 
e que vivem íargos annos em fartura, sem<^ 
|>re contentes à sombra da Uberdade, dos 
foesoos, e dos Sdiidaveis bosques da Zona 
t^írrida , he necessário usar de um cnethodo^' 
mais analog-o às suas ideas, até os trazer- 
graduahnente aos nossos costumes, virtudes, 
uu vicios, por meio do soíFrimento , do agra- 
do, e da indulgência, que pela successão 
dos tempos lhes formem nova natureza, fa-' 
xendo-os dependentes do trabalho. (*) A per- 
mutação dos eífeitos, qt»e^ elles podem con- 
duzir do Senão, por facas , machados , con- 
tas , e quinquilharias , seria um meio mui 
suave para insensivelmente perderem a fero- 
«.idade , e a desconfiança natural , aggt eg^m- 
dose à povoação, e fazendo com o seu avnl- 
íadi? nu nsro de uxlividuos o fundo maior dos 
hahitHiites do sitio." D*essa fea, e commer- 



(*> y. noU (<)j e Cjip. .'íi §. Seado mwi difficil. 



Bo Rio de Jaskirô. 



cio y em boa fé , pode ser , que se facilitas- 
se o meio de apparecereni as noticiadas Mi- 
«as do Jamary, e do Ribeirão , que, pela, 
convexidade do Madeira no mesmo sitio da; 
Cachoeira j não distara^i d'ahi mais de 20^ 
à 30 legoas , além de oatras semelhantes , 
que indicam as Serrais notáveis dos Parecis :- 
descoberta j que augmeníará a força, e a po-^ 
pulação d'aquella fronteira es tens a , e faci- 
litará , pela maior concurrencia do Comnier- 
cio^ a cultura , e a exportação dos eíreitos 
do seu continente. 

Os negociantes que se destinam á car- 
reira do Pará , gastam regularmente d'alíi , 
até a antiga Villa Bella, oito, e dez meze* 
de, navegação, empregando três, e quatro/ 
em pas«ar Cachoeiras^ à custo de 25 por 10^ 
de de^peza, que aliás poderia fazer-se mui- 
to roais moderada, e dentro de géis raezeí»^ 
se no sitio indicado se fundasse com firme- 
%n a povoação fcfefida. Cada Canoa de ne- 
gocio está regulada à 20 pessoas de equipa^ 
gera entre remeiros , pescadores , piloto , dono ^ 
á aggregados ; e para sustento dft cada uma 
d'eiTas mettem na Yilla de Borba 5 alqueireií 
de farinha ordinária da terra , alem do peixe 
«eco. Povoado o Salto , bastam pouco maij 
de 20 a^ueires para toda a equipagem; e 
o excesso da despeza se pouparia , ficando] 
ás Canoas mais deserapedidas para as carg^» 
•do Comraercio / em troco das do sustento.^ 
ÀUi achariam os viandantes o mantiment© 
necessário, e o auxilio prompto de gente para 
as passagens da§^ Cachoeiras , em. meiâdíi d# 



Toi^i. IX. 



11 



li 



Memorias Kistorica^ 



teinpo , qíiê n'ellas gastam , com pequena 
ioteress© dos moradores ; e os remeiros doen* 
Ws setroeariam pop outros vigorosos. Além- 
disto, quando às Canoas d'aquella povoação 
íbsseííi levar os seus eífeitos ao Pará, po* 
feriam trazer il'^elfe , à frete, a mfítor parto 
áas carregaçoens , e por novo frete leva-las 
à Cachoeira da Bananeira, (4S) cuja despexa 
importaria decerto muito menos , que a or» 
atoaria , desde o Pará , com remeiros , e man- 
timentos. Os novos ColoRos , conduzindo úo 



He à l5.a da navegação do Madeira para Mato- 
Gross», mas situada no Rio iVlamoré. A sua cabeça está 
âa latitude de 10^, 3?', e a cauda , na de 10^, 3S '. Com-i^ 
l^rehendendíO n*ais' de legoa de esteosaÕ ,, pelas muitas, 
"loitas , que fai, o ri© povoado de pedras n'esse lugar , e- 
í^« ilhotes , a sua passagem por muitos dias obriga à tnui 

..jaeti\o trabalho, sendo ella uma das maiores, e mais 
famosas d'es8a carreira , cuja transito se veaee umas ve^ 
aes variando as canoáé por tefra , e n*eutras por entre^ 
«ítnaes pesados. A' baixo da 11. a Cachoeira da Misericorí* 
dia., Bp Madeira, ^ meia legoa , está a cabeça da lo»» 
Cachoeira do RibéiraÔ na lutitude de IC, 10', a qua| 
lie temível , e trabalHosa , por se compor de cine© saltoig 
áifferentes. As canoas se descarregarit de todo , e.as sua^ 
i^argaa se conduaerin por três mil passos d^ terra , at^ 

^* cabeça principal da mesma cachoeira , o que accor»tecQ 
iambem quasi sempre ás canoas. Nesse lugar denomina* 
Mo lioje S» Jczè do Ribeirão ha um destacamento de iròpa 
paga , 6 de e»cravos da Coroa , destinados á cultivar »a 
terras em beneficio dos negpcijantes do Para , e soccorr® 
d©s de Mato Grosso, que por oi-dera do Ministério creoa 
© General Caetano Pinto, e fíbreceu abi a a^^ricultura , 
ibraeeendo jabundantes viveres , e saprindoí os necessida- 
des do» viajantes do Pará para Mato-grossa: ma» coia* 

,<fi falia do Geoeral Manoel Carlos princfpioi» a decahir 
a cultura, em aíodo, qu«? até a mesma guarnição se vê 
precisada de auxilies para o seu sustento diário, c^ú<s â@» 
JFôrte cio p¥ii)r6ip« da Beira &e llke iaimstr% 



]^0 Rlô DE JâK-EíB#. 



ISI 



PíiTcí OS géneros próprios ao consummo daft 
Minas, podiam facilmente ieva-los á Mato? 
Grosso , quando as Cachoeiras permittisseoii 
menos, perigo, e trabalho : e podendo-se f'â^: 
zer na Bananeira Canoas próprias para .Oh 
Commercio , nenhuma difficuldade coliibiiiâ 
aos habitantes do Salto à roanda-Ias traba- 
lhar em beneficio commum dos neg;;ociarjte5 ^^ 
e utilidade de ambas as Capitanias. 

Diminuído o giro de commereio pela ríit^ 
do Pará , dobrou o numero de negociantes 
por terra pam os portos da Bahia, e d# 
Kio de Janeiro. Muitos homens de poeco. 
Ou quasi nenhum fundo, se anim(ir'.m à se- 
guir esta nova .carreira^ pela in troducção ám 
usnra de 10, J5, e ^0 por 100, com fia-í 
doré^ abonados, de quie resnltou a vendii 
das fazeiídas carregadas à 4^ , e 50 por IGO 
do valor, porque as poderriam largar os ho-r 
mens negociadores com seus cãbedaes pro-* 
prios. Sendo portanto desigual a balança da 
Commercio para Mato Grosso , nenhum raei# 
a equilibri^ria , senão a carreira continua dí> 
Pará, e o estabelecimento firme da Povoa- 
ção do Salto. Um negociante , qi^e por a 
quéiía via carrega era cáljoas 3, ou 45) cru- 
isados empregados çm géneros gros^sos, coní)«í 
,1) ferro,; o sal , &c. , traz ainda 30, ou 40 
fardos de fayendas , que valem até lS(fe*çru* 
^^ados , sem augmentar a carga /*e sem faxer 
€om ellas despeza mais considerável* Os es- 
cravos comprados alli por mais cO, ou 40^ 
reis, do que se compram n'ò«tros [: ditos, vem 
à ficíir pelo meamo preço em ^^to^feosso,, 

17 i 



2 



Memorias HistorÍgaií 



por se poupaTem pelo menos 20è reis de ujti 
remeiro, e 14|) reis de entradas, e direitos/ 
O «(^^ociante do Pará não pode vender o»? 
seus géneros apressadamente ; porque , n'5o 
sendo elles da classe da primeira necessidade , 
só quando a precisão obriga , se compram. 
Cem mil reis de fazenda de luxo não vest^ 
a nimg-òeni por uma vez; mas com essa quaii*^ 
tia se sustenta no paiz oma fabrica de 40 es?# 
cravos no espaço de um anuo, quando os pre- 
gos dos géneros sam módicos. N§o sendo por- 
tanto os lucros do negociante do Pará lãoi 
repentinos, nem tâo vantajosos, como accon* 
tece aos da carreira dos portos maritimosv 
peift demora dobrada^ que as fazendas stn-^ 
tem na sua extracção ; nem porisso se deduz, 
^ue a via do Pará he a menos própria, ne*.. 
cessaria, e equivalente à conservar o preciso 
«quilibrio do Comn^ereio entre elle , easMi- 
jias de Mato Grosso; poisqne o contrario 
d'essa o^Y^"*^^ mostra evidentemente a expe*i 
liencia, fazendo ver, que só pelo Pará p6- 
ée pfosperar a Capitania de Mato Grossa, 
, a quem se deve , e he assas preciso prestar 
todo. o au^xilio. 

Reparlindot a Natureza os seus pi!oduç« i 
tos com esta Provinoia, deu-liie diíFerentes 
inineraes^ afêm do ouro, diversas íranimasí, 
eoma a copaiba, a eteme , ou alineeega, o^ 
«angue de Drago, madeiras, e h ervas aromá- 
ticas de conhecido préstimo., e copiosas Sali^ 
Bas. As de Jauru provisionàram de Sal os ha^ 
líitajites do Continente, desde o principio da 
fuudaçãa portitguez^a ; ^ dislmtç í legoai^ aí<a^ 



DO Rio de Janeiro. 



133 



S, do Recistro do nesnjo noire Jaitrís. incH- 
nando ao PoeiUe alé a lat tude de I6°j 19^> 
»e acha a Salina dcnciiiDada do ^AUr.ekla , per 
ter esse apjeliido o [.rime iro ^ que a desco- 
briu :, e trabalhou. A jaiiianoíía vereda da La- 
goa da Rebeca nas visinhaijças de Ca^al Vas- 
co, abunda taníleiii de suco svmeUiante : nas 
cabeceiras dos Barbados se descobieni diUtía^^ 
das Salinas; e iftini graiuie Lago, formado 
de um braço do rio Xacuruina , ^e coalha j, 
e gela todos os anros copiosa quantidade d^ 
Sal, que motiva scmpie guerras enti o os la-» 
dios habitantes d'aquelie território. 

ISas Serras, à baixo 4 Jegoas da boca prin«' 
cipal do rio S. Lourenço, qwe abeiram a 
Paragnay , e bordam a sna inargcni occiden* 
tal desde a Lagoa Gaiba , cbiiniadas dçis Pê-^ 
dras de amolar, e situadas na latit. de IS'^, 
1', 44", e lor^git. de o20^ 13, ahi se acLang 
as d'essa na^uLexa, 

Povoada a teira de IShdo Grosso pela 
noticia de si>a fertilidade aiiiea , fci d'ella L*^ 
Juiz de Fora Theolonio da Siha Gt:?n :5o , (49) 
que acompanhando ao L° Go\ern«dor e Cn^ 
pitão Geneial , saiu de Cuií^là à SC de Ju- 
nho de 175{ , e seguido por Frsr cisco Xa^ 
vier J alio Leite, 1/' Gi:arda ni(^r destas IVli-* 
nas ^ chegou à ellas em dias do n:çz de ^gos- 



i 1 



{4^] Tísiwou posse d« rsirgo em C in?ii'à, dVinfíe 
sahiu para Mato Grasso a 30 dr Junho tie 17^1 ; c U^a^ 
do alli cooperaílo (rm o pTÍn.tiro C^t Ktral p;ru o f si abe-* 
leoiínenío, de Villarbella, ínaliíou o lugar a .'> deJuiib©, 
de 1756 , entregando 9 Vara a etu succfwçír $y.^.»f)íí| 
Jf^íl^ueiro Fíavbto, 



i 



fsk 



Memorias HistortcaI 



to do mesniò antió. Trasladada í^ Ouvidoria 
de Cniabá para Mito Grosso, (ciijo Cargo* 
occíipòu alii poY ulti^HiO João António Vaz' 
Morilhas ) (30) proveíi-a Sua Magesíade em 
Manoel Franqueiro Ffiiusto, que desde 5 ôé 
.lunho de .í/756 v se em nossa ia da Vara de. 
juiz de Fãra, sacce.íando immedsatamente á 
Gíismio. ]^''icand(i extincfca a Vara de Juiz de 
l^^óra de M ito Grosso , qae de novo se érià> 
giii em Caiabá ^ e occupo»i-a L"" o Bacharel 
Constantino Joz^ de v\.zevedo, por C. R. de 
|8 de Agosto de !76í), e po^se a 9 de ou- 
tro igual mez do anão 173'í^, sií^citou-a o 
AiVarA de 25 do me-imo A2:o<íto de Í813^ 
creando de novo em Villi Bella o lugar dtf 
Juiz de Fora do Civel Crine e Orfaons, que 
o Bacharel Joíré Siai^ens de Almeida foi oc- 
cnpar, mas que não o acabou, por fallecer 
alli antss de íiadar o t<»mpo , e augraenland© 
o Ordenado do Ouvidor à três mil cruzados 
om cada anno^ a quem d-^u o predicamento 
de primeiro Binco , com po^se , e Beca t>ti 
4lelaçno da Bahia. Ao lugar de Ouvidor an- 
dava aunexo o de Provedor da Fa7euda R. : 
uias sepirando-o o Decreto de 4 de Janeiro 
*de lt74 , creou tamb MU esse novo emprego 



(50] T<">n»o'i posse da Ouvidoria dp Cuiabá à 30 
de Novembro de 174!). A' reqàe*iiiieiifodn Camará d'essa 
Villa ío\ de »í>s!:<> da Cn-ào por D. de 2,? de Maio de 
1753, minifestado jih Ordem de 2) do mesmo mez , e 
:ííjwr>, que acinix i inho'i o Sii(;ces«4or nomr^ndo Fernartdo 
Ca ni ihd de Cnst-o , par?>. svndi^ar dit «na residência , c 
fados ,' iiot! e*n)reij*v<{ ijwr elle aeciipados , fuja dep©si- 
çaã se^realisou à 2í de Dazembro de 1/55 



©o Rio BE Jj^NEJIÍO. 



135 



cora o ordenado de l;8G0:C0O reis , qwe Fi?. 
iippe Jozé Nogueira serviu l.'' desde 1776 ^j 
depoi^s de occupar as Varas de Juiz de Fora 
ée Faro / e de Ouvidor de Alenqiier. 

Havemio a C. R. de 26 de x4g€sto de 
1258 conferido . -10 I.'' Governador da Capita# 
nia a authoridadc de providenciar, e tastigar 
os delictos piiblicos com a pena ultima ,: pre^ 
cedendo a processo verbal em conferencia d^ 
Juizes* por elle romcados, conforir.e a Insíruç-í 
çSo, que acompanhou a inesrna Carta, ^em 
fue da Sentença proferida, ou fosse á rcs* 
peito dos Militares , ou dos Paisanos, se ad-* 
inittisse appellaçSov, ou aggravo, para deixar 
de ser executada ; por outra C. R. de 177Í 
$e estabeleceu alli nova Jvnta de Justiça par^ 
Qs mesmos fins. Em consequência do^Alvaré 
d^ 18 de Janeiro de 1765 se í^rwMn J um as^ 
n'aque]Ia Ouvidoria, T^^a ccnhêcerera dos Re*r 
curses para a Coroa, lendo a secunda Carta 
Regatoria os effeitos de Assento do Dezem- 
bargo do Paço; e por efieito do AIv. de IQ 
de Setembro de 1811 se estabeleceu a Jvtm 
f^ra conhecer dos negqcios ^ principalmente^ 
forenses, que antes se expediam pelo recur-. 
• «o à Meza do Desembargo do Paço. O Alvará 
d€ 13 do mesmo Setembro de 1813 creou em 
fim outra Junta era Viila Bella , fará os Des- 
pachos de alguns negócios pertencentes i< mec, 
ma Meza, a qual se ccmpoem do Governa^ 
dor , è Capitão General, e Ministros Ter- 
^Jtóriaes. 

A' pezar de serem auríferas as terras de 
íftatô Gj-osso , ftão p^TmiUí»m cGBti^da r§. 



^í-. 



136 



Memorias Históricas 



m 



diios da Capitania , qae ella subsistisse inde- 
paíideate de aaxiiioai exrerao^í ; e foi por isso' 
ae íe^sario , que em 1 75S se appllca&sem para, 
a sua .maiiuteação 51 i marco* de ouro da 
P^uiidição de G liás. En 1769 foram d ali 7 
arijbcis d(i mes no aietal Por Ordem de#8 
de Julho , e de 19 de Agosto de 1779 , se re- 
du/iia e^sa consignaçio à 309 marcos, á que , 
por outra Orden de 6 de Março de I?8l > 
uccresseram 20 contos de reis , em quanto 
durasse a diligencia da Demarcação do limi- 
tes , para a qual se enviaram da Corte vários 
operários. Interrompida porem <ssa expedi^ 
ção em 178J , com a ausência dos Mathema- 
ticí)s , Naturalistas, e d'outros empregados/ 
ge suspendeu a re nessa d'aquelles contos de 
reis, e s) continuada a contribuição antiga 
de 300 marcos ou 8 arrobas de ouro, para 
que não chega hoje o Quiato da referida Pon-í- 
dição, e por isso tem cessado de se remet- 
ter a referidji quantia para as despegas, e 
«ubsistencia de Mato Grosso. Por applicaçSo 
de Sua Majestade , depois de chegar ao Rio 
de Janeiro , tem a Capitania os reditos da 
Decima, do Sollo , e da Siza da Capitania 
de Goiás , pa^a as stias despeza^ : e por pfo- 
Tidencias ultimis do mesmo Soberano em 1818, 
foi o Geaerdl Mages^i autorizado para esta- 
, belecer u'âqueUa Provincia uma Casa de eu- 
nh^r Moada de 900 reis de prata , reduzin- 
do . á elU a p ata, ou os pez os Castelhanos , 
para o que levou comsigo a Fabrica com» 
p«tente. 

O Quartel áo Governador he como abar» 



t)ô Rio Dfi JANEtiè^ 



137 



racaclo , mas de bom prospecto ^ e foi obra 
do General Luiz Pinto. A' frente deíle fica 
o Quartelamento da Tropa M /Hl ar , onde se 
conser\a o Trem das arrnaç , e de artilharia , 
4ííDa Botica , e o Hospital Real , cujos edifi^ 
cios foran^ coiisíruídos em teujpo do General 
Luiz de Albuquerque, por direcção, c sob 
a inspecção do Engenheiro Ricardo Franco 
de Almeida; e iiiimejdiato ao Trem ^stara o» 
Armazéns. 

A Villa Capital , a quem a Cartaí^^e Lei 
de 17 de »Sclenibro de 1818 erigiu em Ci- 
dade com todos os Foros , liberdades , c 
Prerogaiivas , do qóe gozam as outras Cida- 
des d'estes Reinos Portuguezes , tem seto rua» 
principaes , e ciíico travè-sas , todas alinha- 
das por Engenheiros : é á excepção de uma 
xjasa de sobrudo levantada á beira do liio , sain 
^ralmente as de vivehJa de seus habitantes 
térreas^ rnas ellavadas, e de bons prospectos. 
Sendo dilatàdissimo o território da Pro- 
viticia de Mato Grosso^ e devendo por elijft 
crear-se algnnius Parochias em utilidade tiè 
Povo Catholico , que dispersamente a habita , 
e o cultiva era numero maior de 31 mil al- 
mas , como se calcula , com tudo só ahi sub- 
siste uma Igreja Matriz, de cujo principio , 
e progresso se vera o que ficou dito no Liv* 
4. Cap^ 4. pag 208. Por não ter entrado na 
serie das Parochias perpetuas , esteve incon- 
gruada essa mesma Igreja at^éque por eííeito 
da liepresi^ntaçaõ do 11. Bispo de Ptolamaida, 
Prelado da Díecese Cuiabaense , deu E! liei 
p. João 6 em 1811 aa proyideacias próprias 
TjQtn IX, IB 



i( 



138 



Memorias Históric^as 



U 



3ó excesso da Siia iaío^íta^^el Piedade > ê Reli* 
g i a o , à q u e àcc r r s ei a asa tis fa ç ã o d os de Ve* 
res de Gram Mestre da Ordeni^ áe Cbristo^' 
&ol) cuja protecção,, e inteQikrKíia éstam aíj. 
Igrejas (io Ull rumar, elevaíido' a Parochkl 
Igr ja da S^aatissiixta Trindade á Catíg^oria de 
Collada com a, Cotig:rua Ue íiOO:E) i^eis,, álêm 
da quaV chegará q ^e^i anuual rcadnueuto ptl-^ 
los dkeiíos párochiaes à <iOO(fe rei», como ííjí- 
forino44 tx Ouvidor da ComrnarGa em 4 de Ju^ 
lho de Í822. Suu povoação no- aím?o»- de Í8l l 
/«era de 2 : o 34 almas., ^ íjêin tie U^i pessoal^ 
%«€ guarneciam o Porte do Principe, ©ade 
reside um Capellão Curado, (jue admiáistra 
os /^^iGramentos a 477 pes&oas aiosadopas elB» 
se5j> Giicuito. 

Demorida a CapeUa de S. Anèonio,. que 
servia de Paroebia, p^flo àW^t de felóra^ Thea^ 
lonio dá Silva GuimiSo , eia Agosto de 1 755^ 
*iea-sc pí;incipio à uíq Templo tiovo^ que con- 
cliiiílo , e benzido eíos dias p-^ka^eixos do anno, 
scg-uinte ( ser» â menor despex^a da F. II ) fí* 
tpu o srn Corpo com o compriítiento, de 80» 
/|aln)os , kygnira de 1 8 „ e otitro tanto àa aUu- 
té.,^,^,€ii- de^arJínUe, erigiu o Governador João 
s)e âlí>uqii.erqne o que sitbsiste , ettjo Tcntiplo 
t|ctaJhado com sinuptuosidade', ficou por aca- 
bar,, e náo mereceu os dí^svelos de nenhum dos= 
Su.c^e*s<jríá& gW Po8.to ^m. pnonjovéu o seu remate^ 

Sii*>sistiu a Capellania por provimentos 
éo Vigário da Igreja de Cuiabá , até s^r ellaí 
f^eada ê;gi Fr^giíK^jí]^ dlstincta*,. e ind^fendeur 
te , da qual, foi , P^ Pároco Encoinimendado o. 
Padi:e BaAtholojaueu Gomjcs Pombo , pela posí^ 



^0 Rí© »E jANI^Rd. 



139 



te etn dias do rivez de Julho de 1743^ como 
foi tambeni o 1"* Vigário da Vara da Com mar- 
ca Ecclesiastica dts«e distiicto , «nlio erecta 

^com independência da de Cuiabá ,^ e o 1"* Visi- 
tador (lo mesmo Continente. 

Sam filiaes da Matriz dedicada á Santis- 
jima Trindade o Templo de N. Senhora Mii 
dos Homens , q^e o sobredito Juík de Fora 

.principiou ,à construir era 7 de Dezembro de 

.1753,. e benzido a 21 de Novembro do anno 
seguinte serviu interiíianiente de Parochia. A 
Capella de S. António, principiada à edificar 

mo i"* de Junho de i77y{ à beira do Rio) 
pelo Governador Luiz de Albuquej&que Pe* 

.reira , substituindo a que deiíiolira o Juiz de 
Fora referido a 12 de Agosto de 1755, para 

jse fundar ahi a Igreju Matriz, Junto á esta 
Capelia , e ao seu lado direito, engiii o Go- 

^^'ernador João de Albuquerque uma soberba 

iCasa de Canoas da Real Fazenda. A de N. 
/Senhora da Esperança em Ca^zal Vasco dis- 
tai^te da Cidade 7 a8 legoas, que se benfcu 
a7 de Setembro de 1785, onde se coníam 370 
habitantes, exceptuadas 43 pessoas da sua 

-^amiçSo. A de N, Senhora do Carmo, que 
principiada à consíruir-se em 5 de Agosto de 
1781 á custa da fazenda do Intendente do Ou- 
ro Pilippe Jozé Nogueira , eiitrou era uso com 
45 dia i 6 de Julho de 1783. 

, Alem d^essas subsistem as de S. Vicentô 

iPerreira, dislar^te da Cidade 8 à 9 leiçoas ^o 
Koite, cujo p rilhei pi o foi devido ao descobri- 
iBento mineral n''esse sitio em 1767. He po« 
pof 923 aímas^ e tem a prerogaíiva 

18 ii 



1&1 



r^ 



EMORUS HlSTORICi? 



ie Curada. A cie N Seu hora do Pilur, 4istí?Liit# 
€a Cidade 14 logoas , cjiie erecta peio Padp^ 
íJoz<^ Manoel Leite em- 1749, foi reedificadíi 
com parede» de taipa uo aiaao 1755. Be Cívt 
rada ; e à sua applicaçaÕ tem as Capellas % 
Santa Amvd , erecta pela Padre André dos. 
$i\ nlos , com pardieiro dós Ctilonos^ primeiroíi 
^as Novas Minas^j^ € do Ouro fino, distante^ 
12 ]eg'oas da Cidade , a© Noyte, em cujos 
Arraiaes residem I :ln2 alínas. A útM. Fraa-^^ 
cisco Xavier, n*outro arratal do mesmo nome 
te\õ o íjeu estabelecimeato ptlo me^mo Pa- 
dre André dos Santos, que mandado pelo 
Vit^ariíO tia Vara de CuiaWi acompanhar os def- 
f abridores primeiros do nset^r áureo , ( conio 
.veu CapeliSo ) eriçiu no sifio da Chapada â>> 
Teííipltf^ dedicado pelo Povorá cpícHe Santo-;, 
para lhe servir de Parotchía , como serviu , nté 
ísc muHar a parochiação para oi>k(> Tempí'o 
erecto na Pras;a de Vdia Bella mh o titu>a 
*leS. António > Oftde o Bjspo IX Fr. Ante- 
líio do Descerro delermim)u , emt 1754, ía 
rreecao t^d Matria; propr!a. Foi levantado d'e- 
»ovo pelo 2^ Capei jâo- Padre ManoeK AnUi* 
i^es de Araifjo em i7S?, e por ultimo co«3-. 
iruido de pecfra em 1744. A èo Arraial d^s 
la V riu Iras ,, distatite da Cidade 15 le^oas ao* 
^?1Korte, onde re$ideBí 6q5 ajmas. A do Fot- 
1e do Piincipe» i>a margena do G»aparé, oa- 
de ò sen actual Capellãô Curado* adm*ÍHÍstfa 
:.fs Saatos Saeranvatos â 41'?!' pessoas , coma 
disse à cima, (.^1) A de S. Jozé fiuiahneate^ 



^ J J " ^. ' l«W - 



^Ij Cmoiq. ^*r. est.ubtfleelítiento • dos Vi^ams da^T 



jío Çi0 DE Janeiro» 



141 



uo arríiial e MTssao do mesmo nonae> cujosi 
principio^ se deveram a» Missionário Je§uit^ 
padre Agostinho Loure;'.ço^ que. lendo pas- 
Sa(io do Collegio do llio de Janeiro com ^ 
seu Con)[)anheiro Padre Estevão de Crastro ^ 
e em quanto este ticou trabai bando era Cuia* 
\>á , tQinou a derrota de Mato Gcosso, para 
exercitar alii os seus Officios particulares da 
Mi^sÃo. (5í;i?) Havia no sitio da (Jam Redonda^ 



-f»^ 



Vliiras cleCmnbà , e de M ifo-Grosâo , os Clérigos pre^^* 

„deijtes d<á alg.«iiia das Ca^Jfcllas Cn,ra(ias lhes prestavam 
aiinual mente h pensuõ de uino Ulí.r«i de o-tir»» pnra se 
èoiíservareiH uii posse parochial ; pai*eeett mu^'£lo bem aíí» 
ftttual Prelado a observitrticia dV«se pi-oviuifenito , e cont- # 
Uuou à praticij*!©. D'abi precedte, t{ue i pesa-r de haver 
determinado a C. íi. de 1 1 de' Nov. de 1/07 » M***^ **^ 
Furocliias íjxaruente estabelecidas sej,ara ãe nat« rezar 'Cob- 
tativa , e se ponbaní à concurso, quereâdo «obviar x^arias- 
iiierepáçocfis «noutra algm^s liispíws , t^we |3ívra fazerei» 

Hiais í^ttdosos pss tli reitoiv dí\ Camará Eccls^siaíítiei» tiuhaíMi 
deixado fuuitas d'es!»as lf>fejas importantes^ recaídas pQ,r 
Curas arooviveis. ♦ com dano cs^piriliial dás tií;miiiS ^«a^ coií- 
tra os innUeraveis Direitos, qite as>sisteui á K, Ceroà»^ 
e à jR. l*es§o« áo Soberaià® , cotmo Gru^ Mestre da* Oi|- 

-dem de Christa j e Fadroeiro de- toflas as igrejas da 
Aincri.ca ; as GapeMa». Ctiradas desta Preíazia conliiinani 
à subaiistiif à cargo de Curas amovíveis, que eontribue^k 
€oín a referida lH)ra de oura ao Ppela<Jo , e jàjriHis. seraím 
providas tíxametite » e»M|iiaiitt5., sabJdií. «^ssa ne§ociaça,5 
^ternaUj.. naõ for providenciada > como coiiveiis > por ;§» 
lytag^esta-íe , ordenando positivamente ao mesmo Pfelado 
e à todos os outros , a exee«ça§ da sobredita C. R^ 

" Héhi «Ifees admktir o Roenor s-ubteíi^ugío. Kara &« fxeciitar 
porém essa providencia, he de necessidade ultima, qiiQ' 
«e pAguem as Côngruas aoR Párocos , no cpie tem havi- 
é^ a Uiais escandalosa laejçligencia. Sob.r'as CiipeUas refe» 
íidas, e ieus éoínpetente» Arraiaes , rede o |* auttçíi*^ 
«deiite — No píoiojíg:am.ei.UoM -« ^, 

{^i Vííde Uiv. 4* pag. 20S.. « seg;* 






Mêí^íQ^As HisTofticiá 

Rio Guáj^dré à bâixò , um l5of»ií!g^os Aliarei 
da Cruz , que conservava sob a sua direcção / 
è obediência vários Caciques (53) com seus 
lotes de índios Guajaíutás, e Mekins, os qua- 
es sentindo a fnlta de quem os eoniinba/ por 
fallecer no anno 1753, estavam resolutos à 
tétirar-se de novo para os matos. ^ntes que 
àã«itn accontecesse , foi o Padre Agostinha 
Ijourenço organiza-los; e conseguindo não s6 
p«cifi<!ar, mas reduzir aquella gente á novo 
tí^diencia de um Director, voUou à Capital 
Icom o destino de ir acomímnhar o Padre Es- 
tevão, que o chamava de Cuiabá para ajuda- 
iò na Missão da Aldeã de Santa Anna ; inir 
pedido porem pelo General , que interessava 
éo progresso da reducção da Indiada , tornou 
âquelle^ sitio em Juníro do ^anno sobredito, 
«ade esteve até o ími de Dezembro, no qual 
se retirou à Capital, e a 4 d 'outro me z se- 
ineltente do anno seguinte 1754, foi áar prin- 
cipio à levantar unia Capell a à S. Jozé, a 
Ijaém dedicou também a Missão. Como os ín- 
dios não estavam costumados à ouvir praticas 
doutrinaes , e menos à assistir à acto algum 
de Religião , fugiam do Cathequisador , logo 
<^u« lhes mostrava a Santa Imagem de Jezus 
Crucificado : diminuida porém a barbaridade 
'd^ 'seus costumes pela instrucção Çatholica , 
pouco à pouco se foram chegando á doutri» 



t 



■'**?- 



(j5á) C«m a deaofsalnaçHÕ de. Caciquíe /,o^ Cncich , 
'^itóbiiio êscrievea b Pádíre Atifoiito Vi^ifa t s^ conhece o 
Chefe dos Índios naõ aldeados, que vmw tôeutos 40* 



DO Bio de Janeiro^ 



W 



na , 'e á elía trouxeram antros /que yiviaiB 
dispersos pelas Serioens. 

Era o vasíis&imo terreno de Guaporé pof 
Yoado em outro tempo de numeroso Gentio^ 
atèque,» eutrando os Paulistas por Mato Gros* 
$0, e os E,spanlvoes pela parle opposta, s^ 
foi dínúiuiiado a wmUidãa de taes habita ntesf 
^ |>rincipalrriente por entradas, e conquistas 
d(?í^ nossos Sertanejos, acabaram os Curixá> 
íás, os Ambios, os Mabas , e outros, de que^ 
appâ.reciiun ainda e<n Mato Grosso mui pau^* 
cos individu)Oc>. Não acconieceu o mesmo eom 
os Guajarutás ,, e Mekins , que sendo tanfi" 
"bem numerosos, porem menos eoaq^istados j. 
sõftVeram menor destroço. Com estes,, k ye^ 
s»r de assus traballio, se tbi conseguindo a 
cultura da Missão : e como as anuuaes es> 
tagílaçocns òis aguas fazem doeiiítio o paiz^ 
nunca se í^oude adiantar o nu^arero dos Calhe*- 
cumeuQS à mais de 250 alni;is.(>brig3ido> desta 
causa deliberou o Missionário mudiir a AWea 
p ara o s itia* , onde bo je se con ser v a a M i ssaa^, 
ou Parochia de S. Jozé, pouco à cima da 
barra do Rio do» Meoens , tujo lugar erfi 
o iiiais conveniente pela bondade , e e&tensão 
das terras , abuBídancia de caga „ e pescada„ 
benjque fosse também pouco ^audaveè: ib 
assim executou» correii^do o mez. de í^tembrOi 
de 1756. Dotado aqueile território das« qua*- 
lidades referidas, em tempo breve tbi culii- 
\'ado , fcizendo se n'elle ditrerentes^ plantaeo- 
eHs , e as mais> aecessarias à sustentar os sew& 
colonos , e no^os habitantes : pfingi,piou çntS^i 
^4*^ ai^parecet 0^ nlgodãa,, de que sc&iaoix ai»* 



fí 



Memorias HistomcíIé 



iBfíando ieares , para tecer o pana wsual do 
Vestido dos índios ( entre os quaes haviam per* 
feitos teceloens ) ; eatabeleceram-se Engenho- 
cas para trabalhar a cana doce; levantaram ge 
ferrarias , carpintarias, e autras Officiaas pre* 
cisas ao estabelecimento da Povoação, e se 
introduziu para alli o gado vacum. 
^ Reduzidas emfim àqueila Missão as relí- 
quias dos índios sobreditos^ resolveu o Mis- 
«ionario entrar a Serrania com o projecto de 
Teduzir também uma Nação numerosa do Geli- 
tio Goaitiriás ; e para conseguir esse intento 
com felicidade , ex|>edi« algumas pessoas de 
confiança, recommendando-ihes , que abeiras- 
sem uma das po\oaçocns^ e trouxessem, 3era 
violência, alguns jovens , para se instruireiíi 
uo idioma portuguez . e poderem depois ser- 
vir de interpretes ao chamamento de seu» se* 
melhan CS. Nãq apparecendo então os indiviír 
duos pretendidos, viêrão apenas duas^ rapari- 
jgas de 15, á 20 annos , em cujas Índoles pro- 
duzia a cathequisação fructos benéficos à 
Igreja, aprendendo eibs os Mistérios da Santa 
Fé , e instruindo-se bem na linguagem portu- 
guesa. Com principio lâo prospero se dili- 
jrencion de novo a vinda dos rapazes , qoe sem 
diffit^uklade fallâram o portuguez ; e por taes 
neófitos terceira vez se intentou a reducção 
de outros índios , os quaes seguindo os emis;- 
sarios da diligencia , e offçrecendo-se de boa 
vontade à vós do Mis«ionario , foram acom- 
panhados do sobrinho de Aquaré , um dos 
Caciques principaes , que em nome do tio 
veio certificar a sua deliberação. Quando n'esse 



«* 



f%Ò Rio DE jANEHlér 



ítí 



èrtpenho meditava o Padre Agostinho Lo«- 
ire«ço , aconteceu a sua retirada da^ Aldeã poc 
Ordem da Corte , que inhibindo os Jesuítas 
do exercido da ]VU«são , e ào governo total 
áo& índios, incumbiu os seus ministérios â 
Sacerdotes Seculares , nomeados pelos Prela- 
dos respectivos. N^essas circunstancias , tendo 
aquelle Missionário consumido quatro annos 
e meio de trabalho na fundação da Aldeã de 
S* Jozé , dèixou-a em 19 de Fevereiro de 
l7Bf ; e por nomeação do General foi subs- 
tit,ui-ío , com vezes de Pároco , o Padre Do-; 
ipifl^s Gomes da Costa, a quem o Vip^ario; 
da Vara de Cuiabá proveu competentemente 
em 7 de Março do mesmo anno* Denomina*' 
m hoje essa povoação Leomil , cjue he situai 
da Junto à boca do rio de S. Domingos |- 
pouco est^«o , o qual entra no Guaporé pela;^ 
s-ua margem Boteal : está porem despov<»adajr* 
e nesse lugar erigiu o Governador Luiz Pinto . 
IHA Destacamento , que se diis de Palmella, (53) 



í^3) y. píig. Mo. §* A de JLeamiL 



Tom. IX. 



Memorias HisTOBrcA» 



% 



%!V!k'>fc%%.**v».v^-v^*^-y*i><%>3l(,%'V«,'»,<í, 



C A P l T U VO 



€toid^^ 



W 



JtGuae» motivos, qi^ obrigcVanih os Pbultss* 
tas à atravessar es tensos S^rtaions até as Pro*»^ 
-vincias do Pará , e db CoíS-te^âs, ^l) os in>«i* 
Ikirain à entrar tanabe^ra |íelos íIík «©^-io Goiás*.: 
©a traição con&tan te eiitre aquelles ÍB.dividuyíí ^» 
consta , que Manoel Corrêa , bof»©ni nascidoí) 
fem S. Paulo , resoluto , @ dêsleaiMo-^ fôi^a o* 
primeiro^, qiie^aaies áa antio 1070^, asso- 
çiando-se com outros^,, cujos, t^ten^tos se diri- 
giam á eatív&r Índios , e armaéo ée petrechos» 
próprios a©^ fai proposfeo, iíDvad^t* © Stertuo até 
Q Kio éenominado Ara és ^ ondie extraiiiti uina? 
porção dÍLííik»uta d^ ouro com a qjial se reco-^^ 
lí^en á ptííria , tevaado iBaiiiaMdoS" os ludiosH 
^prehe!34ido& N .@ que in<jUÍrido Çorf,ea ..st^br© 
© higitr éo ouro desíiolíer.to y áf eiias poude 
fofoimaír ^ que pai^a chegar ao sitiií , pasmara puB 
©làtuo 8io aássás no^vefe, cujas posij^oens iguo-^ 
i^ava< (2) 

fia, mesma dilig^iicia de apíresionar ÍH'. 
Índios saiu Bartholomeu> Baení» da Sílrva na« 



(!) V@<le Berredo , Anriaes Histor^ do £k»tado do> 
Mar.iiihuõ , Liv. IS, n«im. 956 ,. í^ seg* 

(2) Os fVóes-, por ((iie -e dirigiam os Sertanejos^ 
msLm. ííjh i^içoô, de. ulta^» Stirras, e ojoutes seovtihiiaíts. 



' i>o Rio de Janeiro, 



m 



tttral tat^bem de S. Paulo , ou da Parnaiba ^ 
apelos ânuos mais ou raenos de 1680; e ché- 
';gaiido à communicar-se com o paeifo Genti® 
da Naçlo Goiá , cujo talhe ^r^orporal era me- 
fíor do ordinário , (3) cobiçou menos a fort fi- 
na de possuir íi riqueza das folbeta^ de ouro, 
•Cjue ornaram os célos das índias, que a sa- 
tisfação de levar por escravos <os habitantci 
do paiz , . vâlend o-se €lo estratagema de Re- 
cender a^^uardcfite em uma vazilba , para m- 
enlear àqueJíes ignofanles o f^eu ilJimitado po- 
"d;er, e ameaçando os de abrazar todos os In- 
éios que lhe resistissem ; por cuja ardileZa 
cimmàram os caesmos índios z=z Anihangue* 
Ta =: , que nti linguagein pertugueza signifi- 
ca = Diabo velho. === 

Na certeza das noticias áadas pelos -re- 
feridos Sertanejos sobr« a fatura do ouro em 
ião distantes lagares , iMetitou o Goverjnador 
de S. Paulo Rodrigo Cezar de Menez€«^iu- 
iCitar a animosidade dos proviiicianos , paraque 
iBatassem is ovas descofoertus , fallando-Hies 
com heroismo ^ e promettendo-Mies não só a 
recompensa dos seè« trabalhos , mas os lagra- 
jdecimentGs do Soberano pelo grande serviço, 
que lhe faziam. Mostrando-se então intrépid© 
«m filho de Bartholomeii Bueno da Silva ( que 
tinha o mes^o nome de 6eii pai, e ò acompa- 
nhara na digresaão passada por aquelles Ser. 
laons ) se ofíereeeu à si^ e quanto possuia 
^o General , para entrar rm ena prez a dezejada ' 



t (3) Os indivíduos d' €a»a Naçai iin«ensivehjàéiit« aca- 
iiáraiu. 



^; 



n 



H6 



Memorias Históricas 



** I 



á pezar de ser-lhe difficLl consegui-la ,. por 

.ignorar a sciencia ^ que ensijia a demarcar 

terras desconhecidas , diiigiaciose apenas pelo 

roteiro do pai. Agra<iecie4a a ofFerta , deu-ihe 

v Governador um regimento para sna guia, (4í) 

e entre as mepcc^s, que lhe prometteu , fç>i 

jnais considerável a das passagens dos Kios.^ 

.Bo caso de íchz snccesso da diligencia , de 

cujo facto deti conota à ElRei ,. qiUe approvanr 

do a resolução ^ mandatt ,. por C. II. de 14 

de Fevereiro de 1121 , consignar ena Seu Real 

Nome os prémios devidoa ao di«G(^bi:ldor , der 

.pois de r^afisada a descoberta.. (5) 

Associando Bueao ,. tiiho , com Jo5o Leit^; 
da Silva Hortiz , seu genro, saiu de S. Paulu 
Ko fim do anno sobredi^to^ levand®'- míiis d@ 
.íhuzentas armas (ie fogo, e pê>r companlieiros 
finitos individuos , além de vários artifices i, 
tin demaítda do Poe®;te :: mas os va^tissimpâ^ 



(4) Achasse registrado & cjoeuoiefivbo citadb no Liv^ 
4*v''fr.^'l.! <áa S*^ do Cliovérnô. éè 8. Paulo» 

(5) Por €. II., de 8 de MVíO de 1248» foram con*. 
cedidas^ p^jr tr-ss vi-ias aa filjao tk> descobndjor >. que tev« 
« mestufiu uoaie dt> pai,, as^ |>assag;efj*. dos Kios Grande,? 
das Veíàí\s, e Coriinibá^, t dos chamados Atibaia , ot 
JojJ^oroaiiíílm , 011 Ja(>auriíi^ínirH. alam do qtí# , t v<e tam-í»' 
Ibern em t^i^boa 2w^ cruzados de ajuda dt cu>tô. For 
^lleciíuetito deste se encartou clA- mesii^a Gruça seu filho 
j^artholoiíif^n Bueno de Campos Leme e Gusn aõ , ím 
virtude da G. H. de í^7 de julh» de l7S4 ; e f?rpscne-* 
jiiénie' se fi» tia «joziítjdí* de igual Mersê o Sibo d*aque! e|j^ 
BartboloQieu llueuOí da Camará. Lerrje e Gusrnaõ , b £* 
uelo do descobridor, o qual morreu. pt»bre , à pesar de 
tatita« fadigas , e serviços iiGíaveis ao Estado. Semelhas;»-». 
teíuTittí «íw-oncederanj outras Passagens ajs> filho de. Jea^ 



m* 



i^ô Rio de JANEina; 



ÍW 



Sertáons , tjue peneirava , a diversidade áas 
«erras , c outros aceidentes , accasionando-lhe' 
a perda da run>o procurado, por nâa con- 
servar firiries as ideas do paiz em otvtro tem--' 
j)o adquiridas ,^ o levaram,, depois delongas, 
€^ perigosus inari-lias j h u^m Ribeirão/ cha» 
niado hoje de JMeiapoJite , (6) e d'ahi a Bo-* 
Cama- veika , ondií, perdido o norte , Ibi vol- 
teando o lugar demandado, de que não dis-' 
tava muito ,. ate nm rFO, conheeido presen-*' 
lemente * cckii o nome de Piioais , (7) em cnj6 
sitio tez pouso por aígap^s dííís para fabricar 
gráes de madeira, apíos á írituraçrio do milho > 
djC: qué se poríesse íâzer a foinha para sus- 
tento da Comitiva. Entreíanto se trabalbárani 
a}ii alguns sHcavoens , qi^e de sn^as entranha» 
pateíiteàram ba.^tante ouro r e eoma o desva- 
rio do rumo de Goiaz di^ffieultava a esperança 
de jàíuais toea-lo , disp€tà«ram os dois Sociosf 
p proseguffiientí> da marcba, qtierenáo Hortiz, 
«jue n'esfe0 sitio assas farto- de ouro^ e de boa 
conta, se assentasse o quartel; ao que uáo 

(6) Paru se atravessar esse Ribtíiraõ- fi^zepam os Pa«* 
Ks^tas uma espetie de pente com dous pào» : e porque 
wm delies. foi kvado pela corrente, éertiai por iss© ú 
poríie ds Meia-^ponie ao- iBeaino Ribeiriaõ , d' onde se 
eomríuinicoii ao Armial })©&tefiormenfee estabelecido,. 

,(•7)^ O aorne de Fí7o<?«s ,. &u pEovef©: d*is pedras con-^ 
cavas com a coniio;iiraçaÕ de piloens, que ainda hoje 
se achjwa us^. Rio Ciaro,. ou dos instramentos fabricadosi 
peios Sertanejos para: reduzi 3em à feriídiu o mi ih© d&- 
Seu soAten.t©* A campanha d' esse território ( ?;t^gundo aa^ 
iaforrrstiçotns ) aimnda em rL^neza ; e os jornae». das svu-at 
lavras sam ,, em aigamas. partes , de meia. oitava, ou qua-.- 
torz-e, viníeins de onro por dia de cada escravo , e eiHí 
^yJtros. lugaEeej.- de d,uas ^, e aiais oita^cas»» 



i 



# 



&ÍEMORIÀS HlSTÒRIÍlAÍÍ 



íissentiu' Bueno , por não ser a terra desco-i 
berta dç Piloens , a do promettido ^ e procu- 
rado Goiás. Nesta deliberação proseguiu-se a 
derrota ; e passados muitos dias de caminho 
no runio^ de Oeste , deram com um rio , que 
denominaram da Perdição, à baixo do qual 
encontraram outro braço , semelhante em tudo 
ao primeiro, cçm bastante arêa, de que to- 
mou o nome , e logo adiante do Rio-Graude 
© terceiro braço , onde observada a boa for- 
tnação do ouro , se sucavou a terra com fe- 
liz successo, e porisso teve o anpellido de 
lo-Rico. (8) 

Considerando frustrada, e perdida de todo 
^ descoberta de Goiás , intentou Bueno ficar 
^lli: Leite porem, oppondo-se ao premeditado 
assento do sitio, em despique de não convir 
p sócio na vivenda de Piloens , nasceu da dis- 
córdia, que voltando a Comitiva ao turno de 
Leste , passou desconhecidamente por Goiás, 
^derrotou para o rio Paranàa, (9) onde se 



{%] Por Ordem do General Jozé de Almeida Vas* 
çoncellos saiVi o Capitão Francisco Soares de Bulhoen» 
a descobrir esse Rio , raandado explorar à principio pelo 
Oeneial D. Luiz de Mascarenhas, guiando-se poir Ur- 
bano de Couto, soe3<» «jue fora das expedi çoens do des- 
cobridor de Goiás 4 e pelo roteiro das suas digressoens. 
Couto falleceu no ^tÍ9 denomiiiado Córrego de Jarag«i4 
em dias do ann« 1772, Veãe nota {14| 

(9) Da confluência do Rio Paranahyba , que vem 
cio centro de Goiás, e do Rio Grande, originado do 
interior das Minas Gera€s^ ambo« caudalosos, se fórrn» 

; ^0 Paranàa, que dá o nome ao dilatado Sertaõ de 80 le^ 
goa» entre Serras, onde se acham Fazendas de gados mui 

i abundantes, por ser apropriado o terreno á sua cílaçaO* 
Vjede Cap. 1 , npta (^6) jca nota ( 25^ deste Çap* 



Bo Rio de JÍANEruo 



jiUgoii prdida toda diligencia , por appare-i 
terem vesíigios de povoação Visinha: Chega- 
dos íinaimervte os Sertanejos ao lugar coiihè-' 
eido hoje^ ptio titulo de Arraial de S. Feli&^' 
e prevalecendo ahi a dese^sperada intrie^a , tu-^ 
niidtuàrain toflos : liiía, desfceratn enf balsa.* 
© rio , aíá o Grh) Paca;; outros se ausentàw 
ráni tnrtivanieate , e Eueno , eom o seu Só- 
cio , j:edti5í tdo ao extitímo áe nio poder con- 
tinuar nos seus deseoèriniento», em que havia, 
Irabalhadx? ^ e consumido três anhos, pela 
lalta de gente escrava^ e^ compíiiikeira, cuja* 
vidas íefríwViítraai as maons- dos ha r baios , e as' 
garraio das. fe^as , voltou^ sobre os mesmos 
passos^,, até^ o í^ibeirâo do Oabrinha., e se-' 
guido dos poucos , qm restavam , âpp arecea 
etivergonhado> em Sv Pia tdo^ mas com a mes- 
Kia constanciít , e coragem. 

Auxilkdo denovo pelo General , @ pelos 
seus coíUerraneo^ , voltou Bueno à' dilígehci%' 
ée Goiás ,^ e^ní fefâcidaÉR „ no a^mo de I7^6j* 
A* vi.stat da Serra daurada , distaní®^ daVilla, 
(hoje Cidaile )í 4legoas, f^je bnsea^^ia áhcioí^o^^ 
por se lembrar de ouvir das NaçQeas bàrba^ 
Eas , e povoadoras d'aquellas ^^isinhanças (qHan-^ 
^ 4o seu pai Ihea fea guerra*), qíje nas corrente*' 
l?ibeiras da mesma Serra se depositaíVam gran- 
des ri qu^^^as ;e descobepto o sitio das rocas 
antigas da. Bocama , dis-tante i legoas da C da- 
de , can veio a Comitiva no assento do qifart©! 
em lugar , que pareceu n>ais fèvçorajvrl , d^oLd^^ 
destacaram alguns indivíduos à r^iiigenciar ò 
Bíel , e a caça para suísíento de todos En* 
€Qití:rados mi^o ^or íoaxxm àim IMms má^ 



i 



SleiroKiAs HiSTouieAi 



g08 da Nação Goiá , e conduzidos à presen^ 
ça de Bueno, d'elies houve a noticia da si- 
tuaço , era que o velho Bjáeno estivera , « 
facilmente ' foi mostrada. Reconhecido portan- 
to o higar do pouso antigo , junto ao ria 
Vermelho, ahi se assentou a vivenda com a 
formação de um arraial, que teve o nome 
do Ferreiro 9 por trabalhar nellé a forja eoii 
reparo das ferramentas dos Sertanejos ^ 

A certeza do captiveiro, que sofriam os 
índios prendidos pelos novos , e estranhos^ 
|)0 voadores do Sertão , impedia o meio de 
se lhes descobrir com facilidade o lugar, 
d'oiide se extrehlam as folhetas de ouro , de 
que o Gentio se ornava ; e só depois de uma 
paz firme, à que precedera o armamento no 
sitio da junção do rio Vermelho com o do» 
Bugres, distante 3 legoas da Cidade , foi mos--; 
trado o manancial do ouro uã Ponte da meio ^ 
diBnominada do Telles , em que, da primeira^ 
baleada de cascalho , appareceu mais de meia* 
libra d*esse metal , e se foi manifestando im- 
mensa riqueza no lugar do Batatal , entre Ou- 
rp Fino, e Fendei ro, e n^outros sitios como; 
consta da conta dada à ElHei em 1726 ,, que 
se vê registrada no L<iv. competente de Reg.f 
da Secretar. de S. Paulo. ^ 

Satisfeito Bueno de achar as Minas pro«- 
mettidas ao General Rojrigo Cezar de Mene-? 
a:es , regressou à Capitai , para dar conta da i 
fiua expedíjção , levando com sigo 8 mil oita- 
vas de ouro, por amostra do que alli se en-j^, 
cerrava: não existindo porem na Capitania 0;> 
laásiuo GQxmvú f e opcupaudo o. Bastãp An^>' 



vsua 



Bo Rio de Janeiro. 



151 



toniô^dá Silva Caldeira Pimentel , por orden» 
6tia marcharam Tropas Militares da Praça da 
Santos, para efteito de se arrecadarem da in- 
fante província, e que ainda não era provi- 
sionada, ob Reaes Quintos, pelo methodo pra- ' 
ticado nas Geraes, e i'oiitra Minas interiores . 
e também para o estabelecimento do Direiíí* 
íias Passagens dos Rios. Entretanto, com a 
promessa do rendimento d*essas Passaf ens , e 
munido d$ vários priviíçgios , voltou Bueno à 
Ooiás incumbido de reger a nova colónia, 
com o titulo de Capitão JMór , de^ dirigir íf 
povo, que à habitava, e dònceder Sesmarias , 
como se collige da Ordem Regia de 14 dít 
Mar^o de i73i registrada no Liv. I. da O^i- 
vedoria de S. Paulo Ô. 181. 

Patenteadas as novas Minas pelos annos 
i728, concorreu à cultiva-las avultadissimo» 
numero de homena atrahidos das Geraes , de 
Cuiabá , do Rio de Janeiro , Bahia, Parnain- 
buco , e até da Europa, pela insaciável fome 
do ouro ; (10) que abrindo por Sertaons in- 
culto^^ estradas de communicação, fundaram 
os Arraiaes da Barra, de Santa Cruz , de 



(10) Na alluviaõ dos homens adoraderes de Múmitu^ 
««, a queiM os Siiíacos intitulavam Deos das riquezas , e 
08 Gregos eharnam Phto , que concorreram ao descobri- 
Hiento de Goiás , appareceram muitos sem costumes , e 
sfciii religião, que comsaetterara alli os mais horrorosos, 
é aboaaiíwveis crimes , cuja memoria se conservará sem- 
pre , ai^gmentando-a os extraordinários factos de Sacer- 
dotes diá^reutes de ambos os Estados , cujos procedimen- 
tos deram motivo íi diversas providencias em Prpviíií)en6 
distinctas. Vede, a Meiíiori^ da Provincia de Miiiae Ge^ 
*i-aes tio*Liv. 8.^ P, 2, aatecedente , noUi il5). . *» 

Tom. IX. 20 



152 



Memorias Históricas 



i 



w 



Meia Ponte, de Chrixá, da Natividade, e do 
ífontal,. à custa de incotiimodos notáveis, e 
*eria msiip^ de dpus annos lavraram suíBciente- 
men^. a terna do Continente , fazendo appa- 
recer os seus fructos : mas não bastando à sus-, 
teataç3*>de milhares de indivíduos os provimen- 
tos repetUdos de viveres , tado se vendia por 
alto preço. Descobrirão-se rios , ribeiros (a que. 
os mineiros cham.arn córregos), e terras rai- 
neraes , de cujo seio se foi desentranhando mui^ 
abundante ouro : a Serra Dourada , o Rio 
Vernjslha , e o Ria, Maranhão, como outros 
cofres mais importantes , despejaram de si avuN, 
tadissima riqueza , a medida da qual, e de 
ávido interesse em adquiri-la , foi crescendo o 
numero de povoadores , que a impureza, do ar^ 
em alguns lugares do paiz , çamo eram as 
Tisinhanças do Rio Maranhão ,^6 as, viandas 
^Ivestres , ministradas pela necessidade de ou* 
tfas mais proíicuas à subsistência humana, dí-^ 
miniiiu , dando-lhes a. mofte, e abrindo- Ihèa 
% sepultura nas margens d'aque!le Rio. 

D'este, principio se originou o^ estabeleci- 
mentQ da Provincia de Goiás , cuja Capital ^^ 
situada n*uma planura junto às fraldas de duas 
montanhas sobranceiras ao Rio Vermelho, que 
a divide em duas partes qua?i iguaes , e creada 
Vilfa^ por Ord. Reg. de It de Fevereiro de 
I7â6\ que o Governador de S. Paulo D. LuÍ23; 
de iSjascarenhas, Conde de ^rzedas executou 
em^5 de Julho de 17S9, dando-Ihe o titu^ 
lo de Boa, por contemplação à Bueno des^» 
cpbridor do paiz, jaz na latitude meridional 
áe 16*', iC cout§dp^ da Ilha da Perro ^ &e^ 



■PVkd 



Bo Rio b£ Jan£ir«. 



153 



gundo as observaçoens alli feitas peloâ Padres 
Diogo Soares, e Domiiigos CIfapaci. (11) A 
excepção da Capinania de Mato-Grosso, he 
'ô de Goiás a mais OcGidenlal das do Brasil , 
áchandO'se iio centro dos descobrimer.tos por- 
tuguezes rodeada por aquella ao PoeiíteV pe- 
las do Pafá , e Maranhão , ao Norte / Per- 
nambuco , e Minas Geraes , ao Nascente y e 
pela de S. Paulo ao Meiodia, distantes ' dos 
puftos de mar 2(X) , SOO , e mais legoas. Sua 
estehsao de N , à S , chega á S31 legoas; e 
de L, à O, à 226. Termina , ao N, no Rio 
das Almas^ ou no de Manoel Alvares, 80 legoa& 
à baixo do Pontal , cujo termo deu a Hiela- 
ção de António Luiz TaVares , na viagem feita 
d© roesmo Pontal para o Pará , no anno 1773 ;, 
por Ordem dò General Jozé de Almeida ; fe= 
por alli se divide com a Capitania í:1 o Para. 
'D'aqueile rio corre uma Serra eminente , cjué 
curva para o Poente até o Rio-Grande , por cá- 
dé se aparta , ao Sul , da Capitania de S. Paul© 



<^1I) Diogo Soares^ « Domingoj Cbapaci , amb<?iS 
Religiosos da Companhia, e peijtes ftlatlieni Áticos , foras:* 
xlestinados^ € nomeados pov El Hei D. Joaõ 5° à ma- 
p«arera as terms do Estado do Bra3.ii ^ tanto peia mari- 
nha , com» peio Sertão, paraque melfaor se sinalasseÀn 5 
.« se conhecessem os distnctos de cada Bispado, Gover- 
no, jèapJíania, Commarca, e Doaçaõ. Com este projecto 
vieram os sobreditos Padres ao Ri© de Janeiro «d' onde 
proseguirara ao interior dos Sertaons , acompanhados d« 
Alvará de 18 de Novembro de 1729 t qúe se registrou no 
i.iy. 23 , 11 136 V, do Registro Geral da Provedor, da 
mesma Gidatle ) pelo q«al se lhes mandou dat compe- 
tente ajuda d^ casto , e todo o .»cce«sario para as suas 
subsistências , e de dons criados , pelo tempo , que día- 
ratse a diligencia. 

20 u 



M 



\i 



MeMOHJAS HíSTOEl€Ag 

cujo rio serve também de divisa às Capitania» 
dé IJlaranhão, de Para^aibuco , è de Mina»* 
. Geraes. Com esta principia à separar-se peía 
Nascente em uma Ribeira chamada dos Arre- 
pendidos , e ao Poente balisa no Rio Arara- 
^aia cofíi a Capitania de Cuiabá , ou Mato- 
Oros.^0. Pelo N. finalmente vai ao Rio-Ne^ro 
diviáuse com o disliicto do Governo de Piau- 
hjv(l2; Comniumca-sc com a Cidade de Be- 
lém do Grão- Pará pelos Rios Araraguaya, e' 
Maranhão , os quães de diversos poetes da 
Capitania levam as suas aguas ao Tocan-^ 
tins , e este ao grande Amazonas. (13) Por 
Carta de Lei de 17 de Setembro de 1818- foi 
esta Villa Capital elevada à Cidade^ e o mi to- 
dos 08 Poros , Liberdades e Prerogativos , de 
que gozam as outras Cidades dos Reinos Poe- 
te guez es. 

Sob a direcção áo General de S. Paufo 

se conservou a Proviucia nova de Goiás, até- 

\ que Resolvesse ElRei D. Jo§lo V. crea-la em 



(!2) Alterados esses limites , sara hoje, à Oeste, da 
|iaTte do Cuiabá, o^ Ri© Grande; ao Norte , d« S. Joa5 
das dnas Barras, e ao Sul, e Rio Grande da Estradi 
ée S. Pauío; pela parte do Dezembo€fU€, a Palestina , 
Serra do Castanho, e da Parida; pela Leste, Arrejaen** 
'didos, naõ tenho liníites demarcados da parte do Rio 
das Mortes, em <|ue media um Sertaã va»t^ atéi|o Ríck 
"Negro . nem da parte de Lessueste, que tem outro ter- 
?enó ttmbena estensò , e despovoado ; e prefixados posteri» 
©rmente os limites^ do Governo dte Goiás cem odeMaraí» 
líbaõ , ficou o terrilorio da intitufedu Povoação de S; Pe- 
dro de Alcântara pertencendo ao Maranhão , por se aehar 
da outra parte do Rio denominado de Manoel Alvares*. 
(13) Vede Berred» Ann, [ii»tor, do-Eístada do^Ma*» 
ranh. Lâv. l, n. 33* 



DO Rio BE Janeiro. 



155 



Capitania dií^tincta, e independente,^ como fes 
participar era 9 de- Maio de 17-^8 , tendo jà 
desunido d'aqiiena de S.^ Paulo a^de Cuiabá, 
e Mato-Grosso ^ por Alvará de 8 de Novem- 
bro de 1744, e e^^ta mesmo de Goiás. Te 
sido portanto governada a Província por 

1.° Rodrigo Ce?ar de Menezes , desde O 
seu descobrimento ", até o anno 1728, 

2,"^ Aotonio da Silva Caldeira Pimentel , 
desde Abril de 1729 até 19 de'Agosto de 1732, 

3.« D. António Luiz de Távora ^ Coade 
de Sarzedas , desde o dia 19 de Agosto, e 
anno dito, até o do seu fallecimento no Ar-. 
raiai de Trahirss , em «nja Igreja se sepul- 
tou, por motivo da digressão, que fez, ás 
povoaçoens do Norte , com o destino de pa- 
cificar as pertprbaçoens suscitadas no Desco- 
berto de Carlos Marinho ( S. Felis) , de que 
o Governador do Maranhão disputava a posse. 
Regulou em 4 de Fevereiro de 1737 os pa- 
gamento^ da Capitação; e senso, e determinou, 
que se nomeassem em cada um dos Arraiaes 
dous Juizes Ordinários annualniente , Tabel- 
lião , Alcaide, e Písrteiro, o que ficou con- 
firmado per Ordem Regia de 31 de Outubro 
de 1739, 

4,° Gomes Freire de Andrada, que go-* 
vernava o Rio de Janeiro , e estava authorisa- 
do pela C, R. de 29 de Outubro de 1733, 
para substituir a Távora em qualquer acciden- 
te , desde a sua saida da Capital, tomou pos- 
se do Bastão no l.« de Dezembro de 1733. 

ô."" D. Luiz de Mascarenhas , àesàe a 
sua posse em S. Paulo à lâ de Fevereiro de 




m 



15Ô 



ME^ÍOIlfA« HfSTOalCAS 



1 73 i)/ Pasmando à esta Provincia naqúellc ati- 
no , creou a nova Villà , que intitulou Boa 
de Goiás , eui conteiíplaçao ao seu descobri- 
dor Buéno , 45 ao Gentio Goíj. , indígena, e 
tobitaate do paii : fe« erigir b Pelourinho, 
oesig-Qou os ! )c:ijs da Praça , da Garoara, è 
da Cadea , estabeleceu i o t> Corpo dos Senado- 
res , que no dia' l.'* de Alisto do mesmo 7S9 
ÁQ ajuntaram esn* Vereança , e semelhantemente 
indigetou os sitio? pira outros cdiíicios mais 
principais. Piorno /ej os Descobrimentos mi- 
ne raes , e por ordeai/ sua se explorou a Serra 
Dourada, que despejotl de si grande quantida- 
de de ouro. Expediu exploradores ao Rio Ri- 
co 3 e aos Araés : occorreu as desordena do 
Descobri mento da NTatividade ; girou em tor- 
èa de Gíúà^ , e assistiu aos Descobertos de 
Arraias , Conceição , e Cavalcante ,^qne deram 
muito ouro. Creou emfii» dlias Companhias 
3e Pe lestres cotn o titulo de Aventureiros , que 
reduzidos à uma, e approvadis por S. Má- 
gestade , mandou a Ordem de 26 de Março 
de 1743 conserva-la , em quaata fosse precisa. 
Deixando instrucçoéns ao Ouvidor Manoel An- 
tunes da Foaceaa , S2 ausentou depois de tfe« 
annos para S. -Paulv) , d*onde remettèu outras 
para o regulamento das nov is Aldeãs de Santa 
Anua, do Rio da^ Pedras, e de Lanhoso \, 
que se povoaram de índios Bororós, Por esta 
viagem (ie Goiás se lhe pagaram doze mil 
cruza io^ de ajíida de custo , em vktude da 
Prde nd3 7 de Maio da 1753. Goveruou até 
o anno* 174S , etn que. Deliberando El Rei 
crear nova Capitaiiia u'esta Pí*ovihciá, como 



IVwCI 



£0 Ric X)E Jakj me. 



157 



na de Cuiabá, deu por extincta a de S. Pau- 
lo, da qual, e das Minas da sua repartição, 
tomou conta 

6.° Gomes Freire de Andrada ^ pela pos- 
se- em S. Paulo no referido anno 1748. No 
seg-uinte anno foi este General estabelecer o* 
Contracto do» Diamantes np Rio Claro ^ e de 
Piloens, dando posse d'elle aos Contratadores 
Joakim Caldeira Brant , e Felisberto Caldeira 
Biant , por cujo motivo prohibiu no distrido 
4e Piloeus 40 legoas de terias mineraes, que 
comprehendeu na Demarcação Diamantina; 
e para se evitarem os extravios ^ deixou-as' 

. ordens mais positivas (14) 

•-i-w * ^ 

\ * (14) Em tempo do governo de Andràda , qu€ actuifi 
%1 Governador do Rio de Janeiro , teve à seu coinmaiida-* 
mento as Provindas de S. Paulo, de Minas Geraes,e 
das outras mais interiores, arrémattou Joakim Caldeira 
Brant, e seus irmaons , o Contrato dos Diamantes nas"" 
Minas Geraes , com a condição de estabelecer no Rio' 
Ctartí UTri serviço diamantino de duzentos pretos trába-' 
Ihadores. Para esse effeito foi Andrada à Villa-boã «©an- 
no 1749, com os Contratadores, e com o Intendente- 
próprio d' aquei la extracção Sebastião Mendes de Carva- 
lho ; é no mencionado Rio se levantou um Arraia], que' 

, teve o nome de Bom Fim t p^r o mtsnio Governador 
jevat eomsigo uma Imagem de Jezus Christo , a qual 
0Q conserva hoje na Igreja Matriz da Villa ) , onde fío- 
receu muito ò Commercio : mas fiaõ fazendo conta a mi* 
héraçaõ diamantina , ficou o Contrato abolido , e o Rio' 
inhibido d'esse trabalho, apesar de se guardar alli muito 
ouro. Consequentemente acabou o Comtòercio , que man?. 
tinh^ com florencia a povoação, co sitio, à pesar das 
perse^wiçoens do Gentio Caiapó, que obrigaram ernfim 
os novos Colonos à deixar as suas vivendas: e contudo v 
muitas pessoas continuaram occwltuihente á cultiví.r ô 
Hio, indo encorporada» , e armadas por entre os ji; atos/ 
Igor ,<;tijd motivo foi pr^d^so , qu« a ôiaidr jparlt; clíi Cem- 




i5â 



MsMiaiAS Históricas 



Desunida da Capitania de S. Paulo o 
território da Goiás, e iVelle creada a nova 
Capitania, foi sau Gomcao privativo. • 
' 1,® D.' Marcos de Naroíiha, Conde dos 
Arco3 , qus deixin io o governo de Parnani- 
baco ; se enipoisotii debita à 8 de Novembro 
d© Í7t9. Fixou 03 -"liínite? da nova Capitania, 
ém coiifiirmlda U da demircaç^o , 'que seu 
antecessor fizera, sepiranjo-a de Minas Ge- 
rpLçs pelo Hibsirão dos A rri piados , de S. Pau- 
lo pelo aio Grinie, e de Cuiabá pelo Rio 
das Mortes. (15) Aboliu por Ordeia R. a Ca- 



■míAm* 



^^nhia de Dra;çoea| , coitf 09 O BcUes ceropetentes ,. pa- 
trulhasse o sitíb, *té se r atirarem ©s faisçadort». Hoje 
4efeíide à pena» a sua catada wnaa guarda dirniiiUta. 
P,or auxilio do Governador Aatonio Carlos Furí;ado de 
iPeiidoiiça saiu do Oorrego Jaraiçuá t-Oia Bandeira for- 
Wiada à custa de Pra ici^co Soares de Bulhoens , e guiar 
4a por Urb*ao de Couto , coío o intento de descobri- 
Q lusçar cliaiTiado Funil lõ pQ\o inesiuo guia; mas adoe- 
ceud» este eo caminho, voltoii ao Córrego, deixando 
eu» maõ de Bulhoen^ o seu roteiro, par» ir ao sitie de^ 
çlarado, que depois de pouco mais de dous uiezes de 
jmarcha se descíbria cim a eatrad* em um Kio , . ue 
qual desiiçuam rnuit»» ribe»roens , e onde o referido Cou» 
%Q proíuettia címsideravel ri^uevi, por ter experiência do 
terreno, quanlo p«p elle pas«iJ coiii ^,ueno. Feita a 
prova do sítio, e confarenclido , naõ se duvidou , de çer 
O Fuadaõ a orij^e u d» Kio Claro: mas lembrado Bulho- 
ens da prohibiçiQ de se trd|j d lar esse Rio por causa doi 
diamantes, voU)U A dar cojti da sua derrota ao sobre- 
dito GavernaJjr, en l772, que achou substituído pelo 
General Jor.é d» AUn^idi, o jj a ai desejoso de se firmar 
na notici I , deiiovo miii>i arerigu í-^h ; e no termo de 
quinze dia-r, que o e niss^rio da <'ll|ii>'e.'icíyi gastou ,cos- 
. teaudo todo a fuelje pV.z , ' ciq coiapijihia de Bulhoens, 
yeceúea a certc.a do tj.u« ,prdteadia saber*. 

(15) Goasta d* iidVraiiçaõ dada áElReij q^e se 



Do I?íio DE Janeiro; 



161 



.•)>itaç3o , e senso : estabelleceu duas Casas dç 
'Fundíçco , uma em Villa Boa , outra em S. 
"Fclis , dando-lhes rc£,iníie.nto : e d'eníao cada 
oitava de ouro que \silia 1:500 reis , ficou 
'correndo à 1:200 reis. Viajou toda a Capitá- 
.:iiia , c foi duas ve/es aos Arrames do Duro , e 
'deS Felfe. Mettidas de paz as Naeocns Acroá, 
e Cacriabà , fez formar p?rra ellà* as Aldeãs 
do Duro, e da- Fornnga, em que èe despên- 
.cítiraín enormes sommas, (16) Em sèos dias se 
descobria Corai , que , em ni^nos espaço de 

yê regUtrada nò Liv. 1 , fl. 3 Z , da Seerttai;. do Giéi^* 
yerno. 

,^ {l6) DiíFerenfíís Or<!ens dirií^das aos Gov^randor^s 
da Capitania de Minas Ger»esV e de Goiá:^ , tiaõ »o, lhes 
*apj>rováram as despezas feitas coiij a recliíK.;çuô doshidio?;, 
«uas aldeaçoens , e cuthequisaçaõ^, porem i« andara ii>" as- 
sistir d"o producto dos Di/.imos aos Missionários {)ara o 
«eií transporte, e subsistência ,^e que pela Faze ida lietA 
Se tizess»? udespeza das Bandeiras destiuíidHs àqueiies íiiis. 
O -Avizo de l'i de Maio de l§0^2 , expedido pela Secre*^ 
taria d' Estado da Fozenda ao Governador Joaõ Manoel^ 
em resposta aos seus OíFicios , récoinmendou-llie, que 
pelo qué respeitava ao estahelecinVento ,'.e eonseivaçaÕ dos 
Índios já aldeados, e d* outros^ qne se podesseni iddear , 
-«e regulasse peío sysíhema estabelecido pelo Ex-Gover- 
.liidor Jozé de Almeida, Bfifaõ de Mossainedes ,. afãs- 
tando-se da prodigalidade , ç ignorância óm outros, que 
liie sucçtiderani ,• e procurando isçualniente animar os ín- 
dios à. trabalhos úteis , quaes õs de Minas , e de cutturas , 
C| le possam ter extracção fíBlos Rios, até o Pará: que 
-|)fr 1. Fazenda li eal se lhes- destinassem Missionxirios ]ydva\, 
aaitrui-los na Réíigiaõ , ecivilisa-los , procurando imitar 
'à este respeito o que se tinha feito na (^^liaitalila do Paríi , 
depoli da aboliíjaõ do Difeetorio , qué de nenhoia modíi 
m devia tambera seguir; na Capitania de Goiás; jnas, 
que neste arraòjaniento devia, haver toda a economia, 
paraque a F. R. pod esse ti rap d'el!e as vanta^e^jí , L^e, 
lhe sam próprias Vede anota (44). ♦ - 

tom IX. -21 



Memorias Históricas 



i 




um oitavo de Ipgoa , deu 150 arrobas deotiro,' 
e as suas datas de preferencia renderam 5 
iT^il oitavas. Alevn do soído- de 8 mil crniados ; 
teve mais quatro mil cruzados de ajuda d.e 
custo, desde o dia do seu embarque, até sô 
retirar do Governo , por Provisoeas de 15 de 
Setembro de 1748^ e de 1 1 de M^rçQ de \lòi\,' 
além de outros 4 mil cru/ados de ajuda dp 
cuslo da viagem de Pernambuco. (17) 

2.® D. Álvaro Xavier Botelho, Conde de 
S,. Miguel tomou posse da Capitania a .30 
de Agosto de J755, e achando rebelados os Irv- . 
dlos da3 duas Aldeãs ^ do Duro', e da Formiga^ 
cuidou muito em congraç3-loa^ e faze-los vol- 
tar i\s suas residências. A vantajosa desço- 
^"btírta de Tezouras , onde houve uma Paro- 
èliia,^ (citja memoria sg verÁ no Liv. 5 , Cap, 
1 , ) aeconleceu em dias do seu governo. 

3.'' ,loão Manoel de Meílo , que tornou 
posse do Basf o à 7 de Julho de 1759 , e 
tisifeou toda a Cnpitania. Por motivo das per- 
turbaçoens , i]\ie observ9.u no Arraial de S^ 
Felií» , teve ordem R. para fager levantar for- 
ca ,.Ve crear Jiunta. de Justiça , em qtle 80^ 
senteeeasseíP summapiamente os criminosos ^ 
5em appeilaçao , nem âggr^vo. Formou a Jun- 
tíi da F. R. por Ord. de 23 de Oufubro de * 
1761 , efB consequências da qual estabelecei* 
Mm Cofre com U^es chaves para, o recebiraeur 
.%o.y e pagamento do í>ura da meíma F. 11.^ 



><i»w->gU»i» fcâ I H A i i n i»i ^ 



t».7) JK"^^ Ordfiiudo , e ajuda dè custo , que fazianat 
^t total de l ?<^ ciuziíd©» , percebenàUà s«a§ Successorea* atè 
Jc&.i'. de A^ja^^da» 



%Ô Rio DE •Faneíro. 

que . 'àié entro se conservava em poder de 
iim Thesoureiro. Creou em 1763 o Regimenta 
de Cavallaria auxiliar eom 10 Companhias! 
promoveu por O. R. a obra ia, Cadeia da 
Capital, em que se consumiram mais de 30 
ínil cravados : expediu uma bancíeira de ex^ 
t)*orgdore« aos Araés , e à liba do Bananal , 
a fim de descobrir as sna« riquezas, o que 
Iião produziu éffeito : e d@ resultado das suatâ 
Ooiitas ao Soberano, foi do Uio de Janeira 
o Desemba gador Manoel da Fonceca Bran^ 
d o syndicar dos empregados em ^eargos , é 
Gfficios pubiçòs , que fez prender e remettcr| 
ao liimoetro de Lisboa no an^o 1762 , iní 
deranisatldo a F. H. FaUeceú de wm ataque 
violento de apoplexia a 13 de Abril de 17705 
*e jaz na Capella mor da Matriz ds nova Cidade. 
Como faltava aLei^ que rí guiasse" a suc- 
cessão do governo em casos laes, convocou se 
a Camará , c com assistência doá^bomens boné 
do povo se nomeou um Triumvirato , com- 
posto do Ouvidor da Commarca António Joz^ 
Cabral de Almeida, ( que posteriormente foi 
'Dezembârgador da Relação do Rio de Janei- 
ro , onde occupou a Vara de Juiz do Crime) 
do Sargento mór da Cavallaria Auxiliar An- 
tónio Thomaz da Costa, e do CapiiSo de 
Dragoens Damião Jozé de Sá Pereira , que 
tomaram fosse da regência, e a conservaram 
até 4 de Julho,* em cujo tempo extra- 
nhando-lhe o Vice- Hei do Estado (Marquez 
de Lavradio ) a BomeaçS» sobredita / sem pre- 
cedência de Ordem Regia , por designação 
«ua foi governar interinamente. * 

ii 



161 



MEMORrAS HíSTOUIGAf 






4:® António Carlos Fíirtado de Mencloa>í^ 
cq , Brigadeiro com exercício do Çoroneí ddí 
ÍWimenta dest.acaJo de Moura na Hio de Ja-, 
Rciro, que tomou posse à 17 de Agosto -da 
iticsmo a^no 1770. Saiu -fiara o Arçaial de S»' 
Feiis no l.° de- Setembro d'íse aano , à dac 
fiigu5n;:ts Providencias necessárias sobre objec- 
km \ interessantes. Prqmo vtíu a desco.bet ta do| 
0jiro /fazendo expedir do Gorrego de Jara-* 
g.uà uma bandeira avultada de homens pràti- 
ticos d'essàs diligencias , sob a direcção de 
Urbano de Couto ( síocio das ex]>tdiçoen9- de 
Bueno)^ por nvoleslia do ijunl stíguio o Ca* 
jpitão Francisco Soares de Bnlhoens (confi* 
pandante da bandeira) o distincta roteiro , que 
iíb^* deu o mesmo Couto, e goversiando se à 
iusca por eile , foi ter ao iu« ar chamado /'y/w- * 
i/íío com (>7 dias de marcha. Depois dtí atra- 
vessadas cstensas matas ^ e canipinag. (entre 
as c|uaes se distu>gnia uma njui notável , por 
'^er íio meio um monte de pedras, como ai> 
Tsbjadas por arte^ à que os primeiros Sert%- 
nisUs deram o uome de Torre dt Mabcl) che- 
gou a comitiva à um rio , em que desaguam 
vários ribeiroens ,. onde a S4)brediío Couto aa- 
^nunriava riqueza considerável : e fazendo se 
áhi alguniívs provas , com eíFeilo se realisoii ,^ 
á ahundi*n€ia do otiro. Címferenciando pprcrix 
Bulhões com os seus compunheiíos sobre, aqucl- 
le lugar , e parecendo à todos que estava n<LS 
.Terteiíteí» do Rio Claro ^ e se tooíptehendia na 
Tèdada de*i)arcaçâo das terras Diamantinas,, 
sus}}endeu os principiados sucavoens, e teudj» 
perdida a grande tíespeza, q^ae fizera à sm^ 



,»Q Rio BE Janeiro. 



sta-,com os mesmos Companheiros, e um^ 
Capeilão, volto» à dar coata cPesse facto. Te-^ 
ye Mendonça o mesmo Ordeísado de sí)U^ an-, 
tecessorejji , /importante . em 12 mil cruzados ,v 
0«En oá 4 -mil criízados de ajiKla de custo, eí 
inm$ outros 4r mil cruzados pela jornada do^ 
Kio de Janeiro. Por nova eleição do sobredi- 
to Vice-Re^ do Estado passou á governar a^ 
Capitania de Minas Geraes , onde se verà aii 
sua aneiporia, deixando a de Goiás ^ depois 
de 1 anno , 11 mezes , e 9 dias. 

5y Joié de Almeida.de VasGoncellos úè 
Soveral e Carvalho tomou posse da Capitania 
à 26 de Julho de 1?72 ^ e fez examinar de 
liovo o lugar do -Fundão- para le certificar ^• 
se com etfeito estava incluído nos limites dia» 
maníinos , o que se confirmou. Por Ordem de 
20 de Agosto de 1771 reformou a Junta da 
Fazenda na forma , que com pouca alteração 
existe hoje. Apromptou à sua custa unm ex- 
pèdi^rêò para se descobrir o Kio Hici> ^ e so- 
líciíár ao mesmo tenipo a communicação dos 
Indigenas do^aiz pelo-meio da brandura. Que» 
rendo auxiliar a mineração do ?/wrro chamado 
(Io Ckinente , que riquissimo, não ulilisa [lekk 
falta de aguas, procurou o modo de introduzi- 
l?ts ao meio do morro , à custa de um ser- 
viço grande por 9 leg;oas de distancia , e de 
iim assude , cuja obra se avaliou em 5 mil 
oitavas : mas falJeccnrío o administrador d'essé 
trabalho, e nâo* havendo quem o s\*hstituissé 
para continua-lo, ficou sem fruclo tão profí- 
cua diligencia. Visitou a Capitania / e os seus 
Julgados, dando- lhes ajustadas direc^oens k 



fi 



t|Í# IffeMoélAS HlStORlCAS ^ 

bem do sôcego publico , e fazendo cohibír áif 
excessivas violências dos Di^imeiros empenha* 
dos em arruinar a mesma Capitania. (18) Es-í^ 
tando no Pontial fez expedir péla primeira vèz^^ 
á navegação do Ftió Tocantins para o Para , (19) 



',; (lè) Sobre esse artigo as&às informou o Dezenibar- 
^adoir Í5Tudicant€ iíintonio Luiz de Souza Ceai nh Coiitâ 
âkda 'à Secretaria d* Estado , em que fez-'í'er a decaden 
<?ia ,dc Goiás pccasionada pelo imprudente, e ambicioso 
excesso na cobrança dos dizimes, cujo assumpt# be mo- 
tivo de geral clamor eip todas as Provincias , e Capita- 
nias , contra o% Arrematantes , e cobradores do Contrato , 
que a casta das ]a<^rimas dos Povos com rapidez »e en» 
riqueiSereu Este artit^e de tanta consideraçap indiget re- 
Jhrmationé Vede Memoria sobre 95 Dízimos puiiiicada 
lio Reverbero N. 24 e ség. até o í7. O Decreto de id 
de Abril tie 1821 providenciou sobre esse objecto. 

{10} O Rio Toca atuis , cuja direcção he de Sul à 
N»rte, nasce da Serra d«s Vei»deiros em Minas Geraes ^ 
c n*tlte se comprehende a Vasta Capitáiíia de Goiás. Se- 
4»;undo o» Aan. llistor. do MaVanhao por Berredo Liv. 1 i, 
ft- 33 , limita-se a Capitania de PiauKy à Oeste néstè 
Rio, pelo qual buscavam muitas da« Noço^ns GeMtilica» 
a ptôtecçaÕ do Governador do Pará, fugindo à persegiii*-. 
çaÔ daJs tropas dos Paulistas , capitaneadas pelo Mestre 
^e Camp© Pascoal Paes de Àraujo , quie havia reduzidl^ 
à cativfeijrcji a Naçaõ dos Gfuarajus. Por este facto expe^ 
êm o Governador do Maranhão Pedro César de Menezes , 
a quem era também sugeito o drstricto do Parai ««» 
armamento de na© pequena força, à fim de descobrir ó 
fumoso Tocantins no anno de 16/3; mas encontrando^^ 
Commandàftté Fraitciseo da Mota Falcaõ o desabrido 
^eolhiraento de Araújo, que cuidou logo em se fortif|car 
com boas • trincheiras , se resolveu prudentemente voltar 
aoi Pará setii alg^um effeito. Quando no anuo seguinte 
1674 intentava o sobredito Governatmr nova expedição corn 
i^rojecto de se desagravar da arrogância d'aqueUe Pausr- 
Itísta, chegou de Lisboa o Padre António Raposa Tava- 
r-es , encarregado do mcsmò descobrimento : e como nas 
iíitelligentes instrucçoens de Araújo affiançava elle a íulu 



■>■ rr 



©o Rio Dis Janeiro.- 



m 



que realís?Q%a 7 de S^embro çfe 1773. For- 
xiioii pelos Afraiâes* da Capitania as Compa» 
,ui)ias de Ordenanças com he^mens brancos, e 
pardos ; e ao Corpo de Cavaliaria auxiliar , que 
desde o seu principio à penas se compuniia 
de 10^ Oompanhias, âccrescentou duas niçki^ 
ém 1773. Empenhado nOs descobrimentos do 
ouro, e na reducçaõ da Gentilidade, conseguiu,, 
que de alguns lugares saissem varias expedi- 
çoens,; eà pesar de itâo produzirem, algunias 
o {írenieditado eôeito, pela resistência da Indiai- 
da ^ e por outros accidentes, <:hegáram con- 
tudo ás Aldeãs do Javaés, e dt) Carajás, onde 
se construiu uma espécie de Prisidio com o ti- 
tulo de Nova Beira na grande Ilha do Bana.- 

cidade do sea destino, perdeu de todo íís boas esperart* 
^as pela certeza da morte do direetor , e regressou inútil^ 
rnênte. Assim ■ referiu o citado Berredo no Liv. 17, n, 
IISG, e se«'. = He o Tocsuitias um dos mais celebrados 
Rios da Cupitania âo Pura, menoa pela abundância das 
suas ay^uas ( que rt-stitue ao Gcceano na grande baliia d:e. 
Marapatá, distante trinta legoas da Cidade de Eeletii );, 
que pela$ esperanças de riquíssimas minas;, que segura 
tuts.suas cabeceiras a continuada tradição de difFerentea 
iriemorias, .authorisHdameJite repetidas pelo Padre Manoel 
Koilrigueg no síu Maraílon , y Amazonas.. . = Os setia 
^vastos Sertoens sani habitados todos.de numerosa genti- 
lidade , e alguma bellicosa ; es ares fn»i benignos ; e en- 
tre os ráui to* rios, que desend)ocam n'ene , àtè onde se 
acha descoberta, he o roais decantado o de Jrcjy , ch-A-, 
mado da Snude por antonoiíiasa, por serem as suas a^i-uas 
taõ niedií^inae» , que naÕ só curam difíerentes qneixas , 
mas também as preservam : a varia cmUidaõ de aves, e 
feras, he como ordinária era toda a dilatada Ktgiaõ da 
Ainerica , principalmente, Liisitana 't=: O roesnso A. fiv. cit, 
à num. 1203 Para a navegação deste Kj», e o do Ma- 
ranhão , deu provi icncias ao Goveirnadôr a C. K. de ^ 
de Setembro de lôii. 



■->^ 



Memorias rHistoftiÇ4l 



( I 



I / 



fiai , que annos depois foi desamparado , pc^- 
*^dendo aliás servir vantajosamente para a nâvq^ 
'gação do Araraguaya, (20) Fez erigip, ákm 
da Serra f3oarada, ajAtdea de S, Jozé, com 
os índios Acroás. transportados d' outra chama- 
da do Duro : e miuiou ©s Cacriabáâ para a âjb 
^fearita An na do Rio das Velhas. Descobriu- se 
tio seu tempo o Borrifim , . de cujas lavras saiu 
abundante ouro. A Capital deveu-lhp as calca- 
das, e pontes, de que sp utlHsa ; e a obra do 
'Chafariz no largo da Cadeia perpetuou os seus 
desvelos em beneficio do publico. Tendo licen- 
ça para regresí^ar à Corte, depois de 5 annos, 
b mezes , c 21 dias de governo, deixou .^ 
Capitânia aós nomeados no Alvará de 12 da 
Dezembro de 1770. 

Substit^uiram a ausência de Almeida o ac- 
tual Ouvidor António Jozé Cabral de Almei- 
da , o Tenente Coronel de Cavallaria auxiliar 
João Pmto liarboza Pimentel , e o Vereador 
', primeiro Pedro da Costa , que tomaram pos- 
se, da governança a 7 de Maio de 1778. 

6." Luiz da Cunha* Menezes entroq ,|t 
governar no dia 17 de Outubro do anno so- 
bredito. Cuidadoso em promover a mineração , 
diligenciou a do Rio MaraHhão , (2i) man- 

(20) Vede Memoria de Cuiabá , nota (34). 

(21) Sobre a orij^etn deste íiio veja-se o mesmo 
Berredo Óv. lO, n. 698 , e seg-uintV», que referiu nas* 
cer no Ptrú da celebre lagoa Lauricocla, junto da Çi* 
ddde-«de Guanuco d«s Cavalleiros. Outros o deduzem da 
Kerra de Itiquirá , que se levanta ao Nascente da Capi- 
tania de Goiás , e se dirige de Leste , à Oeste , ^procu- 
rando depois o rumo de Sul, à Norte, por entre os Ar- 

\ taiaes de Agua-(|uente , e de Traifas , em cuja direeçaã 



mim^aa 



^0 RlÔ DE TANÊtRd. 



't69 



dando no anno 1779 , persuadir aos operários 
d'aquelle districto o fructo do* seu trabalho, 
para o qaal lhes assegurou a protecçeío mais 
efficaz^r mas a debHidade da Capitania, jà 
incapaz de novos esforços , e de novas tenta- 
tivas , impediu o effcito d'esse empenho. Cora 
successo melhor emprehendeu a conquista do 
Cayapó indomável : e dando para o mesmo 
fim as instrucçoens precisas ao Commandante 
da expedição ^ fez marcha-la em 15 de Fe- 
vereiro de 1780. Passados sete mezes entra- 
ram 36 Índios a Capital, onde foram recebi- 
das com magnificência , e agazalho , que lhes 
fez perder o antigo horror de se comniuni- 
carem- com os actuaes habitantes da paiz ; e 
depois de verem as Aldeãs de seus semelhan- 
tes , e o tracto pacifico , em que elles se con- 
servavam , voltaram ao seu domicilio , á ex- 
cepção dei «m Itidio idoso, que não queren- 
do passar adiante do Rio Claro com as mu- 
lheres/ e crianças , mandou os mais convocar 
os da sua povoaçSo , ordenando-ihes que vol- 
tassem dentro de oito luas (oito mezeè) , ao 
que não faltaram. Chegados, em 29 de Maio 
de 1781, dous Caciques accompanhados de 
237 Cay após , receberam o mesmo tratamento, 
que os primeiros ; e com assistência das pes-? 
soas mais consideráveis , em 12 de Junho se 
ministrou o Sacramento do Baptismo à 113 
meninos.* Em meio d.este acto assas pomposo, 
brilhante , e de grande alegria , surgiu uma 



se lança n© Rio das Almas, junto ao extincto Arraial de 
Maranhão. Vede à nota 1(19)» 

Tom. IX. 22 



\4 




no 



MEMORIAS HiSTOÍtICAS 




Injia idosa exclamando^ paraque também |^ 
baptizassem ; e à pesar de lhe fazerem aíaberj 
que, por adulta, necessitava instruir-se» «os 
radiínenios da Santa Religião , para conhecer 
a Lei ; qitô havia de professar , e habilitar-se 
ao baptismo , nada a conteve, nem as lagri- 
M]as impacientes que derramava , até ser bap- 
líizada com o nome de Maria. Para alojamento 
destes neófitos , e dos novos povoadores Caya- 
pós, formou junto ao rio Tartaruga, 11 1<b^ 
g-oas ao Sudoeste da Villa , a Aldeã , que aç 
iiititala il/íír/a, cuja obra foi executaria poj? 
mm desenho de sua mão. Depois desta ex«^ 
pedição vieram ajuutar^se àquelles primeiro^, 
«aais 2S8 da mesma Nação, e constava a Al- 
deã de 600 indivíduos. Fez conduzir da Novj^ 
Beira para a Aldeã de S. Jozé de Mossame- 
des 700 Javaés , e Carajós , alguas dos qua^ 
aprenderam offioios, e se mostraram liabeis 
para occupaçoens publicas , como as mulheres 
para costumr, c íiar. Animou, o"i.rabalt^o das 
salinas^ para que os habitaates da Capitanisi 
íião se inclinam com vig;or , querendo antes 
ir compra-lo à maior distancia em Campo Lar- 
|^> e em S. RumSo , que trabalharia ? nas 
minas do continente. Zelou a alinhamento das 
ruas , € a perfeita construc^ção dos ediiicios ádk 
Capití)^!. Creou a Companhia dos homens Par^ 
dos v^qtie nnida à outra, jà existente, for- 
maram ambos o Regmiento de Infantaria^, 
nomeando-lhe! Sargento Mor, e Aju.dante em 
eonformidade do Regulamento de 1763. Creoa 
pa me^raa Capital , em Crixaz , em Pilar , e em 
Trahiras j as Co«ipanbiâ3 áo& iomensJPretQja^i 



©o Rio DE Jan5:ir6. 



171 



quê se dixem dos Henriques , com exercício 
na Artilharia. Armexoa às 12 Companhias (io 
Regimento de Cavallaria, mais 4, com qu©^ 
organisou dous Regimentos. Regulou as ÕrC^- 
denanças ^ e os seus uniformes. Augmentoii 
o património da Camará , mandando fazer em 
sua utilidade a Casa, onde se talha , e ven- 
de a carne , para cuja obra estabeleceu uma 
Loteri» , íjue rendeu i:Ô0O oitavas. Desabu- 
sou |o povo ignorartte , fazendo prender , © 
fcastignr os inculcados Feiticeiros, Por sua vi- 
gilância se reedificaram as três pontes da Ci- 
dade , é no largo do Chafariz se levantou uma 
alameda para passeio publico. Tendo goYer? 
tiadò 4 annos , oito mezes, e 1Í dias , pa^e 
iou com o mesmo cargo á Capitania de Mi** 
tíás Geraes 5 onde fica referido. Foi o l."^ G^t 
Vernadof , a quem pela Patente se declaroit 
o Ordêàdò de 12 mil cruzados, como ficaram 
vencendo os seus succèssores. 

7.« Tíistãò da Canha Menezes, irmã» 
^o antecedente j e Chefe de Esquadra da Real 
Armada, termou posse da Capitania a %! d@ 
Junho de 1783, e empreiíendendo a conquista 
€o indigena GhavaMe , consegniu , que 3:500 
tivesses indrvidoos viessem povoar a nova Al- 
úea do Carretão , denominada de Pedro HL 
Promoveu a navegação do rio Araraguaya , 
começada era ]791 por Ord. R. ,» cuja derrota 
para o Pará comprehende 732 legoas. Des- 
cobriu-se em dias do seu governo a riqueza 
úe Arraias , que se denominou Descoberto dú 
Ouro-podre f por ser de mà cor^ e denegrido 
«í^ que alli se conservava n' uma ^segunda for* 

22 U 



Memorias Históricas 



mação em terras jà lavradas „ e em veelros 
de.erisíal, que profundamente atrayessavatn a 
pissarra : o'eÍle houveram baleadas de 60 oi? 
tavas , e caictVloii-se em três arrobas de ouro 
o extrahido n*uma noite pelos trabalhadores 
insurgontes. Fez mudar, êní Março de 1796, 
para o Arraia! de Cavalcante a Casa de Fim- 
diçlo estabelecida pelo Governador D. Mar- 
cos, de Noronha no Arraial de S. Felís : fun- 
dou os Registros das Salinas , do Ribeirão 
das Egoas, do Ojro-podre , e com outras 
providencias úteis à Fazenda Real, acabou 
seu governo de \6 annos , nove naezes , e 
27 dias 

8.^ D. JoSo Manoel de Menezes entrou 
à g-overnar em 25 de Fevereiro de 1800 , e 
principiando com boas dtsposiçoerxs à exercer 
o seu Cargo, não tardou, que pessoas mal 
intencionadas,, e por caprichos particulares, 
perturbassem a ordem harmoniosa das cousas , 
fazendo ferver a dissençaõ entre os maiores, 
• gemer o resto do povo, de que se orig^iná- 
rauí os procedimentos* desgraçados contra al- 
pim sugeitos de representarão , e actualmente 
efí|p*^egados em Officios, públicos. Promoveu as 
Milícias, creou muitos Officiaes, efez exerci-' 
tar os Corpos de Cavallaria, e Infantaria : ac- 
crescentou, por Avizo de 25 de Abril de 1801 , 
o numero dos Dragoens à 80 praças: e eri- 
giu um Registro, ou Presidio na carreira 
do Araraguaya entre a barra da Itacaiunha, 
e Tocantins ; mas esta povoação foi desam-. 
parada alguns annos depois. Por Ordem do. 
H.-Erario de 10 de Setembro do anuo so* 




90 El® EE JiKEIH©, 



173 i 



brediío, fellos os exames necessários nas ter- 
ras de Piluens, e do Rio Claro, a que se se- 
giuri nm Assento cia Junta da Faxenda Reaí^ 
se franquearam as mineraçoens n^aquelles Ino-a- 
res , sob a condição de se recolherem os Dia- 
mantes , alli apparecidos , à um Cofre de trea 
chaves. Em quanto foram vedados esses ter- 
renos , desde o governo de Gomes Freire de 
Andrada , não cessaram as representa^oens so 
Throno , para que se permittisscm âs suas la- 
vras , como iinico meio cje aliviar a Capitania 
da actual fraque^^a , em que jazia: mas nâo 
acconteceu assim ; poique, achando-se jà .van- 
gradas as mii;as mais preciosas d%>t]UfJ}e dis- 
tricto , talvez pelos ( akleiras , Contratadores 
dos Diamantes , ou pelos occiíUos exíiavÍ8do- 
res , pouco deram de utilidade os seus tiaVm- 
lhos, e por isso se conservam alli Bfenas 50 
faiscadores sob a vigilância de im a o;narda 
militar : e supposto existiam intactas muitas teN 
ras , cuja riqueza he conhecida, como para 
se fazerem as especulaçoens precisas, e o« 
serviços necessários, que se perdem muitas ve- 
,zes conformiC as circonstancias , não enimam 
a pobreza, dos mineiros, e a falta de braços 
cooperadores, continuam as mesmfls tertas sem 
cultura mineral. Por oídcm deste General se 
renovaram as calçadas da Carioca na entrada 
da Cidade. O seu goverro não transgrediu o 
termo de 4 annos. 

9.^ D. Francisco de Assis Mascarenhas, 

descendente da mui esclarecida Fíimilia de 

.Óbidos > rama da Casa Real de Bragança, 

(hoje 3.* Conde de Paínaa, Governador 4 



ffi 



miífiií 



Gapittcr General ultimd da Bahia) succedeti 
k 26 de Fetrereiro de 1§04í, acaompanhado dè 
vraa Alçada, de qiie foi Juis o Desembar^ 
gador Aggravisía Antoaio Luiz de Souza Leu\ , 
exigida pfelas perturbaçoens da Capitania > as 
^uaes cessaram^ àpenás entoii à subsistir à 
tranquilidade publica cotn a boa , e discreU 
diiccçãô do novo Governador. Calculando aá 
forçfis moraes da mesma Capitania» é tendo 
certeza do estado débil , e^ que se achavam as 
suas finanças , cuidou em organizar ô plano 
económico para diminuir ás des|>czãs, cujo 
excesso era assas pesado ; e com este fim abo^ 
}iu a Casa de Fundição de Cavalcante, ti* 
irou parte pos Ordenados estabelecidos aos em- 
pregados na Casa da Fundição dá Capital ^ 
extinguia algumas Cadeiras de instrucçlo pu- 
felica, quarctou o Ordenado dos Professores i 
è resumiu o numero dos Soldados. Em con^ 
fótmidade d'esse plano , póT Alvará dé 18 
dè Março d« 1809 se extinguiu o lugar át 
intendente da Fundição da Cidade , considè* 
randò como desnecessário nas circiínstahcíáâ 
ãctuáes, ficando no rtiestno exercício oâ Fis- 
í^es , ^ue se noniéaâsem. Promoveu o Commer^ 
«?iò da Capitania com o Pára, para onde se exí. c 
jrediram canoas carregadas de géneros do paiz , 
% a navegação do Arafaguaya, fazendo duais; 
^^xpediçoiens , à que áãsistiu, e {jersuadindô 
os negociantes à carregarem a^ «uãs fazendas*, 
^tigênciòá abrir á nova carreira de Ahicuns 
^tira S. Paulo , para quie feiz à sua cústâ 
^Ma expedição, a qual, sahindo do llíbeifãó 
€òs Bois eõm o dtstino de descer ^elo Fápáb/, 



Dp Rio de Janeiro, 



até o "Rio Graiide , dSo foi feliz: m^s eip. 
(lias do seu governo se ])atenteàram as Minas de 
Anieuns ( conhecidas já pdos descobridores de 
Goiás , e por vezes procuradas ) onde o açasQ 
manifestou ao pardo Luciano de tal uma pe- 
dreira mui rica, que corre de N , à Sopeio» 
interior da terra. Estas Minas, à pesar de 
ser o seu oiro de baixo tcque , abundam d'esse. 
tíieíal , e poderiam desj;ejar com vantageni 
maiores riquezas, senão lhes obstasse a faltí^ 
<Ae conhecimentos, e muitas desordens. Fes^* 
organisar ^s Tabeliãs Slatisíicas da Capitania, 
para que cooperaram o então Intendente, Fío-r 
rencio Jozé de Moraes Cid , e o actual Ou^ 
vidor do Norte Joakim Theotonio Segurado, 
n'e^se tempo Ouvidor de toda a Capitania, 
Fez abrir a estrada para traAisitarem os Cor- 
reios , e Paradas do Rio de Janeiro, até [q 
Pará: Visitou as Aldeãs de S. Jozé de Mas^ 
samedes , e Maria , e conseguiu da H. Grajii? 
deza de S. Magestade o subsidio de três nr-; 
rôfcâs de ouro do Real Quinto para as desr 
pciZ^s da Capitania. Por efíeito das suas Ins- 
truççoçns creou o Alv. de 18 de Março 
de 1809 a nova Commarca de S. João 4as 
, Paas farras na repartição do Norte ; e ou- 
tro Alvará da jcnesraa data creou tambeaj 
para Gpàs o lugar de Juiz de Fora do Civel , 
Crime, e Orfaons , com o Ordenado, P^opi* 
pas j e Emolumentos do de Ciabá , competindo? 
lhe servir de Procurador da Fazenda com o 
Ordenado já estabelecido, tirar a Devaça do 
Extravii^, e exercer a mesma jurisdicção^ 
f6fa da Gas^ da F;un^ití^ /que competia ^p§ 



176 



Memorias IIístoricas 



Inteaieâtés , sem por este respeito receber 
Ordeaaclo. Governou 5 anrios , 8 mezes , 29 
dias , e passou com o mesmo emprego para 
a Capitania das Geraes. 

iO.° Fernando Delgado Freire de Casti- 
lho, depois de g-overnar a Provinda da Pa- 
rà-iba pelos annos antes de 1799 à 1802, to- 
mou posse a 26 de Novembro de 1S09-, e 
adoptando os planos do seu antecessor ,• man- 
teve òs povos em tranquilidade, procurando- 
Ihes os meios de faze^los felizes. Reduziu o 
Quartel General à melhor forma, e decência ; 
mudou a Casa da Secretaria , e ordenou-a 
em termos; e h sua custa Êez erigir o edifí- 
cio que serve de Corpo da Guarda , gastan- 
do n*esta obra , e antecedentes, 16 mil e tan-^ 
tos cruèfados. Reigulou as Companhias de Dra- 
goens , e Pedestres, economisando a F. Ri 
em 2:444:00Q reis. Dirigiu a marcha dos Cor- 
reios , e Para las da Corte , para o Pará , dan-^ 
do providencias effica-zes para seguirem prom^ 
piamente de Arrependidos à Cavalcante, e d'aht 
à Porto Real. (22) Animou a navegação da 
Araraguaya, e Tocanttins , em consequência 
do que concedeu S. M. à todos os que sé 
estabelecessem nas margens d'esses rios , a ^ 
isen§ão de Direitos por dez annos, a mora- 
tória de seis annos de divida à F. R. , além 
do Direito das entradas livre nas carregaçoens ; 
que se fizerem , também por dez annos , e 



(22) Vede o Roteiro do Maranhão à G©i^s , pela 
Capitania de Piauhy , publicado pelo Patriota do Rio de 
Janeiro, Terceira Subscripyaõ , N.*' 3 , pag. 3^ 



DO Rio de Janeiro. 



JtT' 



|fe)o mesmo tempo a sugeiçãb dos Iiidios rc- 
sistentes , que em guerra justa se tomassem. 
Abriu o novo Porto do Rio Grande na dis- 
tancia de 25 legoas de Santa Kita , onde â' 
tbdo.o tempo, e sem os embaraços, que na 
estação seca se encontrei y a no Rio do Peixe , 
podein subir as canoas, e checar até a pas- 
sagem; do mesmo Rio níi eíitrada de Cuiabá. 
Providenciou a fundação d^ tyrft presidio na 
f<ôz do" Rio Manoel Alvares, para desinfestar 
d€ Jiídiós a riavegação do Tocantins ^ e au- 
xiliar as necessidades dos naveg-arííes. Em be- 
neficiò da mesma navegação , fundou .tambeni 
em meií^ de um desertí^ entre o Porto da Pie- 
dade, e S. Jo5o das' duas Barras, o novo- 
Presidio de Santa Marit*9 para o qiial ; e pa- 
ra o antecedente , estalebecea dois inspectores 
eom residência no Porto Real , e no dá Pie- 
dade em Salinas. Solicitoii finalmente it má So-i 
ciedade mercantil entre a sua Capitania, e' 
a de Grão- Para , com o fundo de cem mil 
cruzados /'^1é^ por tempo de quinze annos ; 6^ 
por Ofíicio d^ ide Fevereiro de 1811 , acom- 
panhado da memoria do Desemba-rgador Ou- 
vidor Joakim Theotonio Segurado, qué for- 
mava o Plano para o seu estabelecimento , ré^ 
quereu a R. Approvaçro/ q»e a C. R. dè 
5 de Setembro do mesmo anno lhe períRittiu | 
liiandíindo executar as instuc^çoens propostas ^^ 
conc^endo o pHvilegiO de se cobrarem as^ 
suas dividas como as da F. R. , um Posto 
de accesib até Coroiíeí , é Capitão Mor in- 
clusive , à todos os que entrassem para a mes- 
Kia Sociedade com um conto de reis , e outras 
Tom. IX. 23 



ItÍS líí&T(miCA« 



^traças scmeíh.int*es , que a C. R. í^e 1^ , d-e 
Maio de 1808 pprmiltira à líivv)r dos G lo- 
nos novos da Capitania das M nas peila Na- 
T€g'^ção do Rio Doce. Em d«as do *eu ^^o- 
Vt*i no vieram d>; paz alguns índios Gier^^sUes 
do Se t o do Dnro , qtir , £f g /0«> voltaram 
para o s€ii domicilio: e os tía Naç o Ca»a- 
jahí , njpiidentes na» margens do Ara aguaya, 
q^ie ^oíTt ig«al destino haviam deixa lo algn- 
inas mulheres em Salinafí , pederiam iiítimar 
a sua vinda , se o desacordo , e im; rudeftciã 
de iim Pedestre não a obstasse , fazendo re^ 
trocede-lps com perda de alguns indivíduos ;, 
a quem a^sacinàram. Lar^on o Governo a é 
de Agosto de I8^^0, sem e*i pêra r quê^ chegasse 
ô seii Snccesíor , para- o que teve faculdade 
da S. Mag-fíitade : e cotife rindo lhe o Despa- 
«ào de 6 de Fevereiro de IS 18 uma^ Com^ 
menda da Ordem de Christo de Lotd^ição fJSb 
^0:900 reis , por outro Despacho de 4 de^ 
Jimho do mesmo anno foi provido Gon^^lhfiro 
do Conselho da Fazenda de Lisboa , d'(mde 
lia^ftransfenM o Despatho de 26 de Dezçmhn^ 
de 5 1820 para o Tribunal da Faz*^nda do Hra^ 
«U Possuído de epicondria assas violeatai^^ 
íjiie pof tdtimo o privou de reflexionar eo^ 
prudência / e madure/a sobre a sua iwi^eT- 
Yaçâo própria , -çom u!¥«ft"*pistoJa\ disparada 
^i5ia ísi mesmo , termiilou bo I^io de Janeiro^ 
Havida , eoBtí^ndo- se adia l-f da laez cH Fe-» 
vereiro de 1821. 

11.*^ Manoel Igiiafeio de Sampaio, Ofl^ 
ciai de Marinha , e qwe governava ^ províi^ 
cia de Giarà , iaWi^tSKlo a 4 di^ J^aaho 4e 161% 



■p^Mua 



&i Rl0 Í>E Jmíeís^I- 



1?§ 



^uccedeu a Delgado em 1820. Foi condeco- 
rado com uma Comnieftda na Ordem de Chrk- 
t% em remuneração dos serviços pr^^ticados 
rro Ciara , por Desoacho de G de Fevereiro 
de 1818. 

Bemqne seja temperado o Clima de Goiás > 
Steu terreno arenoso , e árido , não refrigem 
o ar ambiente, pola maior parte do tempo 
quente, e pouco sadio, priticipaimente noa 
lagares paludosos , e visinho§ de rios , cujas 
enchentes arrastrando muitas impurezas depo- 
sitadas em suas margens, iuficlonam a atríios- 
fera, e d'ahi provem negarem as Campinas 
próximas à Capital a boa pasttgem ao gado. 
As- terras do território desta í^rovincia sam 
sobix^maneira férteis em itovidades . e produ- 
zem quanto os seus habitantes iiecessitam para 
.'a* coniiwodidades de uma vida frugal , e abun- 
dante. Q rnijho , o feijão, cana doce, café, 
mandioca, arroz, e algodão , faaem os arti- 
gos prihcipaes da lavoura do pdz : a vinha 
'renova os seus fruetos duas vezes no anno : 
trigo vem em* a^umas papagens : nao falta 
o gado vaeum , nem o oveilium, e o porcum ; 
ifias carece peia. maior parte de Salinas, par 
B30 se aprovei til pe|ii as-que ahi redescobrem, 
ou por serem dispendiosas no seu trabalho^. 
De terras diífe rentes tiram* se cores diversas, 
^em utilidafíe da tinturaria , e áa pintura : a 
tabatinga supre o gesso cré ; 'a terra amarella , 
a oca ; e outras, ha , que servem pelo ver- 
melhão , pelo rouxo-lerra , e fa^eni óptimos 
^e^ew^pOB. O enxoiVe , e o vitrfôlo , o saí-amo- 
f^iaeo ^ «43 tiía@«!Í# , e vctuiras. d roga^ , dg pois 

23 n 



ISO 



Memori.\s Históricas 



íe p(?rificadas , e preparadas, tem muilo? nsos. 
O salitre se descobre com faciliílade em mui- 
|r,s lugares ; o sal gemma do sitio das Sali- 
na. s , teiinO; de Çhnxàs , he dos conliecíSo!» 
jor mcíhor : e o sal neutio se extrahe dai* 
aguas do Araxà no termo do Desemboque. 
Ht rvas^, rsizt s , senne , rlieobarbo , quina , 
pianlas m.edicinaes , e de tinturaria, baunilha, 
cojjgonha, gtiaranà , tamarindo, pií^ht ri , fava 
de S. Caetano , salsa parrilha , e infinita* ou- 
tras producçoens vegetaes produz a natureza 
nos campos , bosques , e margens do» rioi 
deste Território Goianense , f^em o menor be- 
neficio, A raiz da ruivioíia da ^or carmizirsi 
fino: da raiz do capim sipê se extrahe licor 
espiritnoso , e também maníi purgante, como 
o commurn: e do anil de fulha larga , herva 
trepadeíia coilio o sipó-» e bem conbe^da en 
Meia-ponle, sai o azul mais fechado, e tic 
me, que nunca desmente. Do gado vacum ^ 
c jOvelhí^m, se tir?im utilidades grandes: os 
animaes repttis , e insectos dam matéria às fa- 
bricas : da cobra amphibia Sucurí, toda com- 
posta de partes mtvssilrtiçinoísa? f aproveita-saí 
a coIia , que também da o peixe criado nos 
gr^indes Lagos do Araraguaya , e do Tc^ 
cantins. 

Não nbstanie ^er © paiz de Goiás beni- 
grio , fértil , e aurífero, exti»abindo-se d'e\le, 
c das suas Minas annoalmente uma porçio 
considera vel de ouro , benique dimini.ta cona 
relação ao passado, (23) e tenha também so- 



(^J Oá^oroaes das suas kyouriís e&cedem q dotu» 



D© Rto dií; Jan 



181 



bejas proc!ucçorn« pprâ o reu consuirmo ; a 
Capitania contuiio esif^ pobie^ e aunuatia , (14) 
por liâo expoifar n ms , q» e aJgun as fcoiacas 
da Ribeira (ie Píiii.n: a (^5) para a Eahia , e 
ser passivo todo seu con niercio Mt i os do» 
géneros, que se lhe iijtitduiíem d» p portos 
ma n ti mos , wwo o ferro, ȍo , (W) cobre, 

dos que oiíerec^-íii ns Miiias Geiats, souuíido o calculo „ 
€|u> hd tPti; verífícado , comparando o tuinsero de t-scraroa 
e ! prfgcíd©!* ui^sie iç^neti» de agencia, e importância do 
çiiro, que anijuaimeau^ se. It-va às Fuiidiçoea«<. 

(•24) A dec^)(!eâuiu , A que tila te-m chegado , se mos- 
tra com evidencia jieios l>a!at:Vt)s feitos em cuda aano , 
e reinettidos «sela JuntH da Fazenda ao II. Erário, do^ 
quaes !*e njamfeHta, a pr(>»»•^ei^8iva áiniinuiçaõ dos Direitr?j 
l.eae?* , e com eí^picialida<^e o do Quiuto Sènljo-iHÍ ; í» 
igual, ou sejuelhauif abaiiiiicnio se d* scobre taiiilu rn i o» 
outros ramos de Adusiiii^travi^Õ publica , e pyírimouics» 
pa ti< uiare?. 

{'25) ^^aranóa se chama n^õ só o Hio , m; s o Se»^« 
taõ de 80 le^ons enírv Serra? , pc.voadu de Fazendós le 
gado. Da Serra chajuada da Mahtújueira , distante V^ 
lej>oas ao Oe^íe <la Vil a de Paratii , se origina esse rio, 
qne pas^ando pelo distric'o d« Con-niarca de S. Joaõ d' 
ElRei , orna d»j» da Capitania de IVIuias Geraes, vai cop- 
iíiir no Paraí^uay por niuiins, e diíierentes runos , com 
400 legoan de cnrso total , recct cndo em toda^ et^sa diU - 
tada estensaõ , f por ambos os lados, muitos, c grand. s 
rios, como oPará-iha, y.^lo Norte, or-He S. Ff adieis co , 
o Tocantins, ^.c. ; e pela ipargem oppohta o Coritiba , 
e otitros semel! iintenen^e voluirosos. Pela si;r coníínen» 
cia na iiiargerii oruntal dr Paraguay em latit* de S/,*^ 25*, 
toma o mesmo Faragoáy o nome de Rio da Prata , tona* 
qwe entra no Gcíauo. Vede Cap. I , nota (2(5). 

(^26) Vede Di8cv^r^o sobre o esi;ído actual das Minas 
do Brasil, por J. J, da Cunha de A. C. , ( que tina- 
lisou os sens dins nô Cargo de Inquifidor , || de De- 
putado nas ( orus por p^íte do l^ic* de Jííi tiro ) im- 
presso eai 1804, e ríftrido pelo Investij^ad. í ortng. nd 
Joru. do awno 1811, íí.® 3 , pag. 46). -Quasi p©jr \«da 



IffeíCmtAS HlSTORÍCÀÍ 



Thuiilbi, polVõra, fazandis de lãa , e de li- 
rilio 5 e lOuça, torhaii-se caríssimos pelos trans- 
portes , não chegando muitas vezes o ouro 
klas Lavras para pagar os géneros de necessi- 
dade , e de luxo. O q^ie saí todos os annos 
peia retirada dos Fancionarias públicos , e de 
i^lguus de seus hiibitantes , á que se ajunta a 
porção pertènceate ao Jivizo dos Auzentes , 
tudo aiigfnanta consideravelmente o empenho 
•ar nual da Capitania, (que lie avulèaditsimo) 
à F. R. , aos Auíientes , e às três Praças da 
Bahia, S. Paulo, e Rio de Janeiro. 

A sua população de 55:422 pessoas (27) 

rstà em grande desproporção cem o território. 

Os obstáculos, que conhecidamente tem enii- 

'l»araçado o augmento dVlla , reduzem-se \ tre^, 

He 1.® o pouco dcs/elo em atrahir, consex- 

VjT , e cívilisar os In lios ( primeiro germe 

'd'êssa população) tratando-os coto doçura , 

e não como cativos , e inimigos ; poisque p. 

experiência confirma, que os tirados da coni»-' 

municação de seus semelhantes em idade tes)- 

"ra, recebem doutrina , tomam a direcção quíè 

f se lhes dà ^» são fáceis em apviender át líossS 

ling:ua, e os Oíficios mechanicos , hábeis para 

Os serviços públicos, para os trabalhos á\>i_ 

_■■». — ■ I ^ ■— ^«^^ ■ — — *iW— ^^W> II ■ ■ ■ I ■ >■ . wl ■ ■ - ■ - - - I - I ,111 1 - , 

."^e§ta Capitaaia , e com §inoulajãdade na repartição do 

Tíórte , se encontra o ferro , que já por vezes teto s»ido 

. extrabido ein peqti,enas fandis;oeus ,. e o aço. Actualmente 

em Sorocaba da Capitania de S. Paulo, e n' outro lugar 

_ do dititricto de Minas Geraes , .se-traballia n69$a qualiua- 

'de qe Mina. Vede í i -. 8, í*. l.a Cap. 3. 

^ . (-27) Em confor«iidade do Mapa , que se deu á 

-í^ecretaria d' Estado na Ria dje janeiro , sendo Ministro 

1^ Rodrigo CPe Soaza Coutinho, Conde de Linhares. ' 



IH» 



DO RjO BE JaKLIU!^ 



l&i^ 



Ca rapo , e para a navegí^ro; c c,U€ es pou- 
cos atégóra a} roveiledi^ cy nii buiiani, e coiv 
lril)uem actiialmeiííe para a frlcidade da Ca- 
pitania , augni(HlnR(Ío o rvirero de seiis ha- 
bitantes por cíísairiíTícs , c a riqueza do paiti 
pelo seu íiabalÍK» ^2,^ C<#no us Euicpios, *; 
outros hoiviens br»ne<vs (segundo gexmt} hs^- 
vidos de uma fortiiria rajada, no livtram *» 
projecto de se e»talelecer no lugar, para oiuÍ3 
a cobiça , o a avaitza do ouro os arrastiàra. 
conservàrani pela maior parte o dezejo di 
voltar à pátria, semque í-e fixasi^em no paii 
por meio de aiianças, e de prcpritdadc per- 
iranente. 1)*cí1 i protedeu , Cjue uma parti 
d'esses individues se retiion , oufra perece. i 
sem descendentes , e a c.uc asseritou vivtudi 
foi tão diminuta, rue d'elía se; crigioííii ape^ 
l)as um pequeno nurr^ero de ^a!ríi]iai^ bríiiicaa 
gnaes as q.ue se conservam no pai?. (*i8) 3.' 
IVo tempo primevo da tifuenria n ii eraí mai^ 
se esforçárani os seus cí ]ít)ns ra introducçâo 
dos homens da Costa d'Africa , que das mu- 
lheres , excluídas do mesn o si rvi^-o : oç ho- 
mens porisso subiram por milhares , e rstas 
em numero diminuto , e desproporciorado. Eíb 
Consequência de tão ccnfelaiiíe i^cío o ouro 
cxtrabido da^ Minfes te hi ultou outaa ve^a 



(í8) D» in8ubsi^teneia dos estiíl elecimeiítos ^nascea 
o abandono dos matrimenios ; € du falta fl''é'í»te« proct»deij 
fi extinfçaÕ d#i8 fanii))H8 : ati^iin eoii.o da pouiia cuUur^i 
da Rfllgiaõ proveio a «oirufçaõ dos ef)^í^1n3^B ,■ a d<vs%. 
bediencia impune âs Lf is , e aos seus exei utores , ecoa- 
«v^íjuentemente a dctsuLiaõ de força» ííia bentiticio 4«íí .«>, 



fp' 



Memorias Histouicas 



^rm' 



nos' Ce niterioá, sem proirressaf a populaçio / 
coim era dé esperar da latro iucção das Co- 
linas Africanas , se ellas foram surtidas cotn 
alguma igu ildade relativa. Tal a sorte de um 
paiz riquíssimo em ouro , comprar mij^hares de 
habitantes / que o fi/:eraaa pí>bré , e o deixà- 
raríi vazio, ao mesmo tempo que ás províncias 
jiáo mineiras tiraram do^ [) nicos , que poderam 
adqu^rrr , unia populaçlo mais considerável, e 
m\iUip]icada aiada hoje em seus descenden- 
tes, (td) 

Se as causas referidas não obstassem aos 
estabelecimentos d 'esta Capitania, pelo que 
respeita ao numero de habitantes , àpezar de 
dobrado , nem sempre uma população avulta- 
da he argumento segiro da sua prosperidade. 
A distribuição do trabalho em todas as qlas- 
sés , a cultura das terras do paiiz , é as ma- 
j^úfacturas , sim a^ que p^dem (ornar um Po- 
^q feliz. No periodo primeiro de Goiás ,quan- 



€;í 



(29) Como a extrMcçaÔ do ouro depende de braços , 
líé indispensável a meio provisional do aufjmênto dos es- 
cravos; e sen^o este iticoj^uatível com as posstbilidadíis 
dos habitantes no estado àctnal ; sò poderia 'Ser fácil, 
e vantajoso, se se lançasse maÕ de outro meio,, naÕ só 
Tilais conimodo aos mineiros, mus que attendendo aos f»e- & 
us interess:?s\ e conservação , ©s desviassem de ConéVibii^ií? 
à cnsto de notável prejuizo, para o excessivo lucro dos 
negociantes d' esse. «género , os quaes te«i accumulado í^ros- 
SQã cybedaes com damuo c,.»iih^cido dos mesnfio» minei- 
ros. Ex.í^. F. vendefi a F. oito^ escravos por l:86o oi- 
tavas: por íVilleciítieiíto do comprador naÕ só tirou nove 
escravos, mus mostreuse credor de 400 oitavas, ou de 
4Ó0,|) reis r, veadeii a F. deseseis escravos à 330/^ reis 
cada «hl : cobrou 9|j cruz idos, e ^0(J> reis , e para seu 
pagamaato total tirou deraais vinte e unà escraves. 



BcTltio DE Janeiro. 



185 



do a míneraçfo, além de fácil / foi abundante ^ 
todoH os €olono« novos eram Mineiros , e s6 
a pequena porção de habitantes , que pare- 
ceu necessária para sustentar aquelles , se ap- 
plicou à agricultura. O preço excessivo de 
toda sorte de mantimentos he uma prova desta 
verdade ; e o numero dos Escravos , superior 
at> dos homens livres , certifica a sobra do 
ouro para os comprar. Tornou-se a extracção 
mineral mais ditficil , e menos lucrativa ; ces- 
sou proporcionalmente a introduil^ão dos Es- 
cravos , abateu a opulência do paiz , diníi- 
nuiu o credito dos Mineiros , e a maior parle 
dos homens livres buscou a sua subsistência 
na tiavoura , e no Commercio. 

Os Europeos , aindaque activos , sem as 
forças necessárias para serviços , que exigem 
muitos braços ; os índios Indigenas , natural- 
menta indolentes , e preguiçoso-s; os Libertos, 
* entregues ao descanço para se i n de mni sarem 
dos trabalhes da escravidão; (30) as Fabricas 



{3Ú) O oicio , jde maons dadas t^om o extravio , tem 
causado grande qnebra nesta Capitania : porque os liber- 
tos , ou sejam brancos, pardos, ou pret«s , quasi que 
liaÕ trabalham , nem as Autoridad-es publicas os obrigam 
á occuparpse em serviços públicos, e «teis. A' par dos 
ocisos, estam os vadios, e-oa que ( em conformidade do 
D. de ?3 tle Set, de J7'0l ) vivendo j*em aígutri exerci- 
cio útil com eseandalo , e prejuízo da Republicii , se coiis« 
tituem prejudiciaes à s@us concidadaens , à custa de cujos 
patrimónios vem à per sustentados , c taõ r«inosos ao beca 
i:otRmum , e ao particular, como he a má administra- 
ção , que cada um faz aos seus bens. Considerados taes 
indivíduos na Sociedade à maneira de peste , tiveram 
sempre centra si , desde o principio do nosso Keino , 
iiítjitas Leis V que os puairauif D' ellas fez cneinom P, 

2em. JJ[. ^ 



185 



MíMORIAS HlSTORICAS^ 




y i'V'!; 



atenuadas peia mortalidade' dos escr vcys ; ê 
a Falta de meios para os substituir com outros 
novos , tudo concorreu à não se eniprelieude» 
rem trabalhos grandes de ntilidade iacerta , 
e à desamparar aquelles jà começados. Deser-* 
taiido portanto da mineraçai) os mesmos Eu- 
ropcos , ficou àperías a menor parte dos seus 
babitante;ã òccu pando esse trabalho : e como 
nunca se cuidou em oetros productos natarses, 
nem de industria , para supprir á tudo devia 
o .ouro exceder o ¥alor do& eííeitos : mas fal* 
tou está proporção. 

Pensou -se por muito tempo , que nesta-s 
Capitanias não deviam haver mais que Agri- 
cultores , Commerciantes , e Mineiros: (Jise o 
ouro extrabido sobejaria para pagar os objec- 
tos do cfònsiimmo , o valor dos Pretos , os^ 
instrumentos da mineração, e os da lavoura^ 
l>ein como o de tantos artigos de necessidade , 
e de luxo , indispensáveis à um poTO , que 
não tiíiha aíguma sorte de m^an u facturas. (3 i; 



J. M. nas Instit. . Jur. Lusit. Tit. 10, De Jure Polit» 
§20: eà essas disposiço^tis geraes sa devem aj^aatar ou- 
tras puj-ticulaies nas Ord. de 11 'de Março de 1757 í>«ra 
% Capitaiiia de Minas Geraes, e C. li. d'e 22 ^de Julho 
4^1766 dirigida ao&Governad()res das Capitanias do Bra- 
sil, contra os. vadios, e facinorosos habitantes dos Ser- 
laons. Cptn ©s vadios povoou o General das Minas Ge- 
yaes D* Rodrigo Jozé de Menezes & SerÊaõ ã'e €uyaté\. 
^ítnç ficou reíeridio na Mem. d;' aquella Capitania. Vede? 
a nota (44) e (50) . 

(31) As manufacturas saih úteis ao Bera Gommutn ^ 
(Alv. de, 22 de Agosto de 1750, D. de 2 de Abril ,. 
€ de 24 de Qutubro de 1757 ) dando , à uns, meios para. 
adiantarem o& seias eabedaès, e fazend© viver outros Úí> 
kuvavel UabaLho de suas maous». 



DO Rio de Janeíro, 



.i«#.i 



Assim aconteceu por algum tempo : mas , ten- 
do ct\ssadò a copla míftalica pela difficuldade 
<la mineriíç^c) , dimmuiu o pre(^'o dos manti- 
nientos , o lavrador não teve com que com- 
prar o ouro, e as necessidades de todos fi- 
caram sendoL as niesmas , peio que respeita à 
dependência dos géneros externos. Aindaque 
híija muito ouro 5 passaram contudo os tempos 
felices , em que esta Provincia espoíitaneamen- 
te , e qaazi na superfície da terra, os the- 
«ouros , que havia formado no volver de mui- 
tos séculos. A falta de braços para extrahi-lo , 
he em geral o motivo ali egado da pouca pros- 
peridade do paiz : mas , ijuando poderá o 
fídneiro reembolsar-se do valor d€ um escra- 
vo , que lhe custa 240 , ou mais de 300:000 
reis , pelo jornal semanário de 600 reis, cati- 
vos de sustento, e de despezas ? Todoã se 
applicam Bâturalmente ao que lhes he tnais 
iUil , sem outro estimulo , qiíe o dezejo .de; 
melhorar de fortuna : elle foi quem de<3Cobriui 
as Miaas, e animou #s trabalhos desta ordem ; 
porem hoje., que a Agricultura produz mais, 
que a Blineração, (32) os que não se podem 
occupar n'aquella , por falta de consurnmo, 
fogem desta por trabaJhosa , e pouco lucrativa. 
Sjendo a Agricultura,; (33) o Commer^ 



(32) Unia pessoa empregada no serviço do Campo , 
produz, em anbo commum , o valor de ôO(^ reis; e na 
pldfâtaçaõ, da Cana doce , 60 , à 72(^ reis , com© infor*^ 
iDiun os práticos. Um mineiro, à jornal de 600 reis por 
semana , tirará ao mesrnO tempo em ouro 31^200 reis« 

(35) Vede Liv. 7 t^p. 6, nota (l?). 

^4 li 




f83 



M^EMOIlfAS HíSTaRlCÍf 



cio , (34) e a Industria, (35) as fontes dai 
riquezas verdadeiras, os seus frwctos necessíi^ 
(am de extracção , para se reproduzirem. A 
industria luimana exerci ta-í?e sobre tuda, quô 
tem sido crcado , e que os Naturalistas divi- 
dem lios três Reinos Minerai , Vegetal , e Ani- 
mal. Para exercita !a no Continente de Goiás 
í à pesar dè ter prohibido o Alva Já de 5 de 
Janeiro de 1785 todas as maniiíacíuras , e 
fabricas no Estado do Brasil , ^om excepção 
sómeníe das fazendas grossas de alfíjodão ^ 
enjo Alvará, e toda* e quaesquer ontras Lei*^. 
ou Ordens , tendeníes à mesma prnhibição \ 
derrogou o de I de Abril de I80S ) ha prom- 
ptas , e com assas abundância , todas as ma-» 
terias precisas , além do o^.ro , que passa uni- 
camente nas formas ordenadas por Leis posi- 
tivas , e do ferro, (86) de que a p parecem in- 
dreaçoens decididas de Minas copiosas. 0# 
haMtaotes de um paiz não extrahiram da ter- 
ra mais , qne certa quantidade de producçoen* 
conf<»rme as suas necessidades , ae elles a» 
Bão poderem trocar [-elos geaeros , de quç» 
preeisam. Só a exportação he ea paz de pro- 
curar este beneficio O local da Capitania do 
Goiás, cortada quasi ao meio pelos dois Rioa 
Araraguaya , (373 ® Tocantins , (38) ciajas aguat 



(34) Vede Uv. 7 praximanieiite citado» Cap. 4* 
nota (2). 

(35) Vede a tptéreçsantissfnía Obra dos Estudei d» 
JBeni CommuEa por J. Sé L. publicada em ISiilO* 

(36) Vede a nota (26). 

(37) Vede Cap. 1 , notí> (34)» 
|38) V«de úota (lyj. 



I' I' 



■»«»l 



ijío Rio BB Janeiiio. 



189 



copiosas se engrossam com as d'oiitros Ribei» 
ros , e Ribeiroer.s , uns navegáveis sempre» 
outros em tempo de chuva, ofíercce felizmen- 
te o meio mais fácil de saída , e consumrco 
dos frnctOvS , das producçoens, e das prniiei- 
ras 'matérias fabris, peía navegação conhecida 
para o Pará , que pouco se frequeiiti , por 
faltar ao» navegantes os socorros de gente, e 
de mantimentos, em meio da estonsTo de ccn^ 
tos de legoas , (39) com prejuízo mui nota-' 
\el do Comuiercio. (40) 

Assim como o cuidado do Governo Pof 
litico de Goàs esteve à cargo do General d& 
S. Paulo, por ser parte d^e^sa Capitania, 
lambem a adniinistraçf o da Justiça do conti- 
nente corria toda pelo Ouvidor Geral do dis- 
tricto Paulopolitano , atéque entrasse Agostinho 
Pacheco Telles, nomeado 1.® Ouvidor Gerat 



(39) Obstavam à frequência desta navegação a falta 
de especuladores com fundos para arriscar, e de Feito» 
Tias intermédias , que prestasse soccorro aos navegantes , 
assim de gente , cemo de mantimentos , cuja providencia 
mui útil , e de grande proveito , deu a C R. de 5 de 
Setembro de 1811 , approvando as Instrucçeens offereci- 
das peió Governador Fernando Delgado, de que fallei 
na tua memoria. 

, (40) A opulência das Naçoens tem à«ua origem na 
BaVegaçaõ : e Hunca esquecc^rá , que em tempo dVEIKei. 
D. Manoel estimou Portugal a prata, mais que o ouro. 
Da navegação frequente resulta o Bena-conmium dos Vas- 
salUs , como se expressou o Alvará «le 11 de Deeembro 
de 1756. Zeloso o Geneial D. Francisco de Assis ]^a8« 
carenhas , e assas activo em promover , animar , e pro« 
teger o Commercio desta Capitania, foi assistir à expe* 
diçaõ das canoas , que d» Porto de Sapta Kit a descera nt 
para o Pará carregados de generes da produrçaõ du paiz» 
V^e a 8ua utuoria na serie dos Governadores Xs.^ ^, 



190 



Memomas Históricas 



$1 ( 



h ' 



d« Goiás , e t(irnasãe posse do Cargo em dias 
do anuo 1737 Cumpreiíeiídeadci a Capirania 
Goiaea^e a dilataJa esteaí^ão de 331 iegoa^ , 
e Sendo coríada de muitos rio& , que jio tem- 
po daguas não penniUem fácil transito , toda 
ella fazia uma so Co-waiarca , sugeita ao On- 
vidor Geral , e Corregedor assistente na Ta- 
pital. Esta razão bastava por si mesníia para 
se conhecerem os deífeitos , que de fiecessi- 
dade haviam na adininistraç o judicial à povos 
tão distantes , entre os quaes parece ainda 
subsistir a Lei bcirbara do mais f@rte. Os mes- 
lUQs Juues Ordinários dos Julgados , em que 
sé dividia a Commarca / se faziam ob^^ervar 
ÊS Leis d' umas occasiuens , eram n*outras os 
niaiores transgressores d'ellas : e por isso ti- 
nha o Ouvidor geral necessidade extrema de 
Visitar toda a Commarca, e corrigir os povos 
còrn frequência. Mas, de que modo venceria 
elle as grandes diíficuldades , que lhe interrom- 
piam os passos? Para dispensar as' oppres- 
sòens de uns , e reprimir as violências de ou- 
tros , era-lhe preciso andar continuamente de 
povo em povo, e de arraial em arraial; e 
ainda assÍRi , quando os que estavam debaixo 
das suas vistas guardavam a boa ordem da 
Justiça , os remotos d'ellas peisistiam de«or- * 
denados. Consideradas por tanto estas rázoews 
pela paternal Comprehenção de Eillei , resul- 
tou d'abi o Aiv^ará de 18 de Março de 1809, 
que dividindo a Commarca em dwas , desan- 
siexou a nova de S. João das duas Barras, 
da de Goiás , e or4enQi:^y q,uç. ò Ouvidor d'e!Ia-! 
veaces&g o mesma Qcdeiíado, e exercitasse a 




DO Bio de Janeiro. 



19Í 



mesma iurisdiccão , òne o Ouvidor cie Villa- 
Boa. Pvv outro Alvará de 25 de Fevereiro de 
1814 se creou no sítio da Barí«i da Palma' uma 
Vilia cnm a denominação de S. João da Fal- 
ma , para ser Cabeça dgi Commarea de S. »Joãa 
das duas Barras , tan(o por ser iiiars central 
a sua situaçc-O, coir.o |:or niais con.nnKla para 
a adminiíííraçâo da Justiça , nsais pioxima aos 
Dislrictos actualmes.íe [o\oado», e lambcin 
\antajosa para a con.nninicaí^âo interior do 
Paiz; e acs que alii edificHgsem cn.sa para a 
sua liabitaçeo , roca , ou Ftr/eiida , foiam con- 
cedidas varias iseiícçoens , eoníu) se ccnctdcrani 
ao me^nio tempo aos habiíaiites , e povoadores 
da Villa de S. Jcão das drirs Barras, QÇje i- 
cou pei tcnccndo , corro Ctniii.sríãa â sobre- 
dita Commarca de S João. C( nij>reheiíde por- 
tanto esta C cn; marca Dova do JNcrte os» Julga- 
dos de Po)to Real, Natividade, CoRceição> 
i\rraia8 , S. Feiis , Cavalcante , Flores , e 
Trahiras ; e a do Sul ^ conh^er>ou os de Villa- 
boa , Crixás , Pilar, jVkia-Pcnte , Santa Lu- 
zia, Santa Cruz, Araxà, e DeFcni.brqiie , até- 
que o Alvará de 4 de Abril de 1816 sepa- 
rasse d'eHa os dois oltin os , qite íicáiam per- 
tencendo à nova Conimarca de Peratatíi , des- 
membrada da de Sabaià. (a) A descripção 
d*eiles se inchie na ícgniiite narrací^^o. 

Da antiga Yilla-boa saem qiiatro Estra- 
das principaes , das quíícs a 1.® se diijge ao 
Poente, e por ella ao Cuiabá; a 2,^ ao Korte^ 



(a) Vtíáe 'A íiota (48), 



192 



Memorias Históricas 



H 



at(5 o Arraial iiltimo por esta parle ; 3.* aò 
Nascente, até Paracatíi , e iVlinas Geraes ; 
4.» ao Stil , ou Sueste, que termina em S. 
Paulo. Ommittido o debucho do que se vê 
na Estrada 1.^ à Piloens , com 18 legoas de 
distancia da Cidade, e com a de 20 ao Ar- 
raial de Amaro Leite, situado da parte d'aléni 
do Hio Araraguaya , no lugar chamado Rio 
Grande, o qual no Politico pertence ao dis- 
Iriclo de Cuiabá , e no Ecciesiastico à Pre- 
lazia de Goiás , passo a referir o mais notá- 
vel das outras , principiando pela do Norte. 

N'esla^ estrada se acha o arraial da Bar^ 
ra , distante 5 legoas à Oeste da Vil la , onde 
Bueno estabeleceu a §ua lavoura mineral. As 
suas lavras foram , e sam ricas : mas padecem 
faltas d'agua , que não se lhes podem intro- 
duzir sem muita despeza. He pequeno, e por 
motivo das febres periódicas , e malignas , á 
que a situação propende , está reduzido à no- 
tável decadência. Tem uma Capella dedicada 
à N. Sra» do Rosário, que presta obediência 
à Matriz da Cidade. N'esse lugar se mistura 
o Rio dos Bugres com o Vermelho. Uma Com- 
panhia de Ordenanças o guarnece. A' Lesfe 
da mesma Cidade 7 legoas está o *.4rraial pe- 
queno Cu rr alinho , onde há a Capella de N, c 
Sra. da Abbadia. 

Distante d'aquelle Arraial primeiro 8 le- 
goas / e na latitude de 16^, 14', se encontra 
ode Anta (assim denominado, ou fosse por 
%Q ter matado uma Anta no príacipio do seu 
estabelecimento, ou por corrupção da palavra 
J)'anias , sobrengme de um do» povoadores 



Do Rio de Jaxeiuo. 

■é- 



ip 



prlineiros ) í situado entre raontanha^'/ e cer- 
cado de bosque?;, por entre os qiiaes corrtm 
jjereones dous rt^g-atos d 'agua ; mas os seus 
Jiabitaiites usaai da do silio do Feixo , por 
jiiai^ superior em qualidade. O lograr , à pe- 
sar de triste , e «lelancolico , go/a de ar pw- 
ro , e- sadiio. As soas l-ivras descobertas era 
JT^T, oii 3-> por um F. Calhamares , ainda 
hoje são feríeis, e os montes eircunviyird)os\, 
.ou da sua eircunferencia^ muito auriferos, 
jiincipalmetitG o de S. Jozé , cujo ouro ap- 
f a.rece em íbMieta-s de toque rxcellonte , e 
dktante 1 legoa a ri jiá-ssinja Pedreira deno- 
.WÚnada do Taveira , (pre descoberta no ami® 
M02 y he mui difíicultosa de se trabalhar, peííi 
necessidade de profundar as suas entranhas 
çnais de 80 pahiios, e de esgotar ao mesmo 
tempo a agua , xjue por diversos \eios se en- 
caminha à cavidade, para jeKtialiir d%-drl?i ape- 
dra nrarchiítadA de auro , cujo tú^ue eiiega à 
f3 quilates, e 3 gr. A priuieira paR-el la (res- 
te metal desenvolvido da jiies^mci pedreira, 
tocou à 24 quilates na Fundiço; mas dimi- 
nuiado depois o ouro nos quiiule.s , e fra(|ueaó~ 
do jíor isso os jornaes , ficou a^banílofiada a 
pedreira , a tique instruídos os Oiiiieiros pela 
Sarg-ento Mor Jozé Zefirico Montriro de Men- 
donça no m^íhodo novo de tirar o ouro da 
peira , reuveu o trabalho mineral em \S\}3. 
Keste Arraial está a igreja Matrir. dedicada 
ío Senhor Bom Jesus , que no anno Í75H leve 
lugar entr<e -as perpetuas, cujo Teniplo :^e 
(oustruiu com alicerceyS profnfíilos , e rom ar- 
quitectura regular, Sarn lhe .^<jbditas as Capei' 
Tom, IX. 2^ 



194 



Memorias Hisf&iiiCAU 



n 



Ias de N. Sra. do Rosário , e da Boa-moríer 
Para seu guarnecinaeRto se conservam no lu- 
gar 1 Companliia de Cavallaíia, l de iiifan. 
taria de hooieng pardos, e um de Ocdenan- 
Ça. (b) Ahi fmaiisa o. terma jurbdiecional da 
Camará da Cidade. 

Ádiaiite 3 legoas^ de Anta esià o 4.° Jr-* 
valai úíiiúo n*unia planície, oi^de , sem em- 
baraço de moiUeS: , se vê nascer o Sol, e 
recol.lier , como no raeio do Occeano , e ien\ 
a denominaç-do (k Sajita Rita, por ser a mes- 
Ria vS^anla a^Títidar da Capella alli fundada 
em beneficio da povoação, e filial de Anta. 
O ífrreno, à jícsar de húmido, 8 de ser aH- 
ijientado. por ar *ambicr)le pouco fresco , nSò 
deixa de ser saudarei: as pastageas pafá o 
gado vâCum, ou cavallar^. saBi de boa nutri- 
«çao,. e eslensas^ e eo /?íí) chamado do Peixe ^ 
(por abundar d'e!ís ) eaudaloso, e navegável", 
em tesnpo d'ai^uris , se estabeleceu à pou 03 
annos o Porlo priacipãl de navegação do Paíà, 
Por este Ria, que he alg-dma cousa pesti'ero»', 
subiu eíii uma gaiióta armada de 
anno iSuO o General D. João Manod 
Menezes, e d'ldli seguiu por terra à Ccpiiaf; 
No Forto existe uma Capella d*.'dicada à S» 
Sebastião,,, que hc' filial ck Anta, maS' eni. 
grande decadência. Tem o Arraial uma Com-^ 
paobia de fníantaria por g:uarnição. 

Caraiahánd® ÍO legoas adiante de Sanía 
Kita v,è'&e o 5.° Arraial de Tesouras (deno- 
>nmado assim, por apparecerem no sitio* ceCí- 



vellí s ao 
de 



■p ; ^ w * .p pywmwn^ 



(b)^ Vsdfí Liv.; 5... pag. 8U 



»0 Rio DE tTANElItO. 



195 



tos pássaros do mesmo nome), que fundado 
na latitude de 15'', 16\ cm terreno descoberto 
fió anno 1755, se acha qiiasi despovoado pe- 
las invasoens do Gentio, e cslcriíidades tanto 
-tle agua , eomo 'de maiitimenlos , sendo aliàs 
iniii tVrteis a« suas lavras, «as Campinas do 
ilistricto assas criadoras de «ados vacnm , e ca- 
Vallar. A' insta^iciaí; do Gí^ncraí D. Álvaro Xa- 
vier Botellío, Conde de S. Mip^uei, se erigi i| 
alit uma Freguesia , por Provit^ão do R. Bis- 
po do Rio de Janeiro datack a 9 de Jolho de 
Julho de J 757, sob o título de S Migisel , 
em contemplaeâo no ine?.mo General; porém, 
decahida a povoação, desap pareceu a Ficgne- 
5LÍa , e já da Teiííplo não se divisam \esU- 
gios. ítí) 

Passadas oneras 10 Irgoas úwm de Tezon- 
ras , se cliega ao §.^ Arraial^ -que da nome 
•do Geiítio Crixâ t habitante do sit^o, assim 
ficou conhecido. Foi este ly*gar dcíicoberto em 
1734 pelo Paulista abso^luto Domingos Rodri- 
gues do Prado ^ que com ©s seus sucios , (i- 
ron d'el!e mnito ouro, ^^m\ clur parte do seu 
invento., e nâo consentia, que ont; os mineiros 
aili achados , t^^abalhassem nos ribeiros por 
veh'e descobertos, fazendo-se senhor de todos , 
e quasi que do Sertão , ale apparecer-lhe o 
Superintendente Gegorio Dias da Silva , aconi- 
panha^do de gente sufficiente , com o destino 
de repartir e aovo descoberto. (41) Suas la- 

(r) Vede Li.v. 5. ps^. 88. 

(41) Confíta es^e fado da Attesta^aõ passada em' 
Liisboa pelo referido SuperiMíteiidente à 25 de Kovenibró 
«de 1766 , por hiive-la requerido o Coronal Francisco Xa- 

2õ íi 



196 



Memorias HisTOKieis 



\\"ãs boas decaiiram , por falí arem trabiillia- 
fiores nas grandes fabricas , que à principio 
tivera. A Freguesia creada iibi na latitude de 
J4.*', 42', e dedicada á Conceição da Santa 
\irgem , con!*erva snbditas a-s Capellas de 
N. 8ra. óo Rosário , N. Sra da Abbadia, e 
<!e Santa Efigeaia.. Tem k Companhia de CV 
i(ai!aria, I de luíkntaria de homens pardos, 
l de Pretos, e I ú^ Ordenança, ile Julga- 
do á^ rep'cí.rii^rio do Sul. (d) 

A' vaate de Crixà 6 leg-oas fica o 7.° At^ 
iYJal^ de Qúarimhs^,_ (jue }>e do Julgado de Pi- 
lar, ijnasi d,es.po voado pela cii mi nniçõo de su-a:» 
lavras, N'elle subsiste uma Capelia filial da, 
Matriz -d-e Pilar. 

Do Arraial de Goarinos ao S.« de PUíjp 
(denominado no seu pri^icipio Papucia , poT 
.^er o hiaar coberlO' de certa qwalidade de Cct- 
pim fonbecido com esse nome ,, quando Joãio 
Godoj Pinto da Silveira casnalmente o desfxh- 
líriu em l?4i ) correm 3 legais. As suas la- 
cras sai n ri^aa, e muhío mais rica a Pedreira 
do sen dihtricto , à pe^ar de lhe faltar a agua 
pftra se trabalhar ;: (4í*2) pofeipie e^se cofre ajii^ 
I fero he o fiajor constante do Arraial, onde 
^nra o Cmmmercio eora as»sàs> florentia , naò 



« , " ! » . ■' i 9. ^ 'm . 1 W ..JJ J « i« 



fier Pi/.a#ro ( A\ò materno do A, (>estas M*?r»orias ), ura 
cios que coiKAOPrtrani <.oiii qs &euâ eritiavori. paru es^e íiin. 
SeguiiílQ a, i|^.esrná att/tiaíiií^aã €ligta Cri,\ás. inais de 8.9 
lég, <|o Arraial de Santa Aiinu, 

(íl) Vede Viv. 4. pag. Ifeí). 

,|42) Sem o beatíicio d'agiia ^) díulo o morro mais. 
cje 100 arróbJS d»:- uuró : e quaiito liaõ produziria, se pcy 
dfcs^t> »j,o ar de taõ »ji^ceí>sario soccorro , cuja estéril iduiClíí. 
3l»pt^Í4 o trabalho luintííai cm lufares, âiésàs |iiagt2jes í' 



DO Rio BE Janeir©, 



im 



tanto pela fartura do ouro , mas pelos eíFci- 
í<js das lavouras ruraes, que exporta para as 
povoaçoens visiuhas , por cujo motivo he o 
l'jlar um dos mais opulentos Arraiaes da Ca- 
pitauia. O Te^^pio parochial dedicado á Mai 
de Deos sob o titulo especioso do Pilar deu 
o nome ao sitio, e à mesnva Parochia , que 
está em 14« 15', à qual prestam obediência^ 
eonio íiiiaes , as Gapellas da Sra. do Rosário,*^ 
d;i Sra. das Merecíi , e de S. Gonçalo , fu^I 
dadas no seu território. He cabeça de Juigc^-t 
do^ à quem recorrem os Arraiaes de Goari-* 
nos, e das Lavrinhas em $uas dependencicís » 
e no disUicto d^Uc eslá a Aldeã de Pedra 
Ili. do Carretãa, fundada em 1784 ^e\o Ge^ 
neral Tristão da Cunha para os Chavantes , 
a qual dista da Capital 22 legoas , e tem 
Igreja Parocliiaí. Guarnecem esse lugar 2 
Companhias de Cavallaria Miliciana do 2.^ 
»He<,nmento, 2 de Intantaria de homens par-. 
dos , I de homens pretos , e 1 de Ordenaa* 
Ça. Há no mesmo sitio um Chafariz. 

Andadas sete lagoas do Filar esta o 9.^ 
^ruual chamado das Lavvinha» ^ de pouca 
monta . e quasi despovoado^ onde se \^ a 
Capella de S. Seba&tião , filial da Matriz do 
Pilar. 

Longe das Lavrinkas 9 legoas fica o 10» 
Arraial de Agiia-quente , situado cm \A^ 25", 
« distanie l' legoa da margem oriental do Rio 
Ãlaranhâo. Sua origem foi devida à grande 
-epidemia , que grasso» no Arraial antigo d'a- 
quelle rio (descoberto em 1732 por Manoel 
Modrigues tornar^ morador da parte à'ôléí»>^ 



t9â 



IVIemôriás HíSTÓRtcAS 



ciijos liabitantes desamparando o sitro , onfe 
ee conservara ainda nlg^uns vestígios de viven- 
da , procuraram eacapar à morte , passando-se 
l^ara o de Agua queate , denominado assim, 
porq-ue à um lado d*elle , e n*um lugar hor« 
rivel , existe ura Lago formado d'um olho d*a- 
gua , muito fundo, no meio ^ e irregular ua 
circunferência, por altos , e baixos / d^otide 
sai quente a agua, de que se fórraa «m esr 
pa«ço«o ribeirão , salobro , e de mau cheiro. 
A ambiiÇão , e a avareza do ouro apparecido 
aqui em abundância, altrahiu mais de 12 mil 
pessoas, que concorram à colhe-lo ; e neste 
sitio he que se achou a mui singular Folhe- 
ta de 43 arráteis d 'ouro , conduzida h Por- 
tugal era tempo d'ElUei D. João V.: porém 
çonsiderando-se os maneiros na maior felicidade 
á vista de tanta riqueza, com que se alegra- 
ram , «aí> tardou , qne sentisseoa punida a 
sna mesrna cobiça insaciável , por sq petriii- 
cár o rio , de que resultaram doenças graves > 
e mortes successivas , havendo dias de se con» 
tarem 50 cadáveres , d*onde se originou a 
despovoação do Arraial à principio mui opu- 
lento. He sugeito ao julgado de T'ahir?i da 
correição do Norte; e as Capellas de N. Sra. 
das Mercês , e de S. Sebastião , que ahi exis- 
tem , prestam' obediência filial à Matriz de 
N. Sra da Conceição de Trahiras. Tem 1 
Companhia de Infantaria, e 1 de Cavallaria, 
Ipara «eu guarnecim.ento. 

A'léni de Agua-quente 4 legoas se desco- 
bre o U.° Arraial, que da fartura de Cô- 
ijjaeiros ahi criados pela natureza, tem o no 



m Rio de 



Jâníiròí, 



199 



me de Cocai, eojo sítio descobriu em l749j 
Diogo de Goijvea Ozorio, ou (como se prel 
sunie com ppbabiiidade) o Coronel Felis Cae^- 
tano, assistente na visinhança cie Sete ranchos^ 
i^>nde suHícDtava uma Fabrica mineral Suas 
lavras^ foram h principio riquíssimas ; mas não 
fazendo conta os jornaes diminutos / qae dé- 
pets da segunda' repartição das terras em 
1759 , se tiravam do trabalJio , deixaram os 
operanos de seguir essa lavoura. Assim mes- 
mo rendeu a data do General João Manoel 
de Mello SOO oitavas , tendo rendido a do 
Conde dos Arcos 500. Na época presente está 
este Arraial mui despovoado pela sua pobreza : 
e ahi se conserva uma Capella do titulo dê 
S. Joakira , filml da Malrix de Trahira, .á 
cujo Julgado pertence o íerrilorio. 

Depois de 4 leg-cas adiante de Cocai ae- 
parece o \2- Arraial de Trahíru , h ouerh 
deu^o nome o peixe 2 r ahi r a ^rhúo no Ri- 
beirão da sua visinhança, cujo lugar situada 
e^n 14^ 15'^ descobriram António. de Souza 
i^astos^, e Manoel Kodrig-ues Thomar no aa- 
no líSa, O terreno ( m que se fundou , he 
sadjo, e agradável. Tem alii o seu assenta 
a igTPja Maíriz dedicada á Conceição da San- 
ta Virgem, à quem prestam obediência filial 
as Capellas do Senhor Bom Jezus, e de N 
^^ra. do Rosaria. He Julgado, a quem recor- 
rem os Arraiaes de Agua-quente, Cocai , Ma- 
ranhão S. Joxé de TocarUins, Cachoeira, 
bantaHita, Moquem , Piedade, c Amaro Lei- 
te. Guarnece-o 1.^ Companhia de Cavalla- 
m do ^.o RegimeEtQ, 1 de laíantaria, 1 d© 



200 



M&MÔRIA» HíSTdRIC A« 



Ordenança , e 1 de Henriques. Seu terrHorio 
laJbunda de malacacheta , de que fazem usq 
as lanternas maritlmas. (e) 

O Arraial i3,« do Maranhão, que lie do 
Julgado de Trahira , acha-se desporoado por 
lima epidemia, tendo ali -is sido riquíssimo pela 
abundância do ouro descoberto uo rio do mes- 
mo nome em 1730. 

Distante da Trahira legoa e meia está 
o H.*» arraial de Tocantins , em sitio desco- 
berto pelos mesmos sugeitos, que manifesta- 
ram o de Trahira, e em igual Era, cujo 
lugar arredado 10 legoas do rio, de qaesa 
liouve o nome , produziu mui abundante ca- 
bedal. A Igrrja Matrix dedicada à S. Jozé'^ 
apezar de eonstruida" eom alguns defeitos, he 
contudo a melhor das desta Prela/ia; e à suji 
jDbediencia filial conserva as Capeílas da Sra. 
jda Bo^amort^, do Rosário, e de Santa Efi- 
genia , fundadas dentro do Arraial. Tem ã 
Companhias de Infantaria , e 1 de Henri- 
ques, (f) 

I^onge de Tocantins 4| legoas se avis- 
ta o 15. Arraial da Cachoeira, cujo titulp 
Jhe communicou fl do rio próximo, descober- 
%Q flo anno 1736 por António da Silva Cor- 
dovil. Sua povíaç^o foi sempre mui pequena. 
jB procedendo d'ahi não haver maior numero 
de casas , qqe o formosec , nem de habitantes, 
^cba se quasi deserlo. 

Ao sobredito Cordovil , e no mesmo anno , 



, ^»)».i— gr^ w—J 1. 1 jy 



^e) Vede Liv. 4. pag. IO5, 
|f) Vtíde Lít. 4, po-r, 170. 



■M 



x^o Bio de Janeiro. 



201 



foi devedor do seu descobrimento o sitio do 
JG."^ arraial de Santa Rita , distante 6 le- 
goas da Matriz de S. òozé , cuja povoação aa-^ 
da em paralello do antecedente seu visinho, 
Deu-lhe o nome^ o Orago da Capella ahi sub- 
sistente. 

A' mão direita da estrada d'esse Arraial^ 
fica o 17.° do jMoquem , distante 9 legoas , 
cujo lugar descobriu também o mencionado 
Cordovil , € no mesmo anno, em que paten- 
► teou os dous precedentes. He de pouca moa- 
ta. Tem uma Capella dedicada à S. Thomé, 
onde se vê collocada a Santa Imagem da Sra. 
da Abbadia , à quem os povos do continente 
tributam fervorosos, « devotos cultos, feste* 
jando-a cora um triduo até o dia 15 do mex 
d€ Agosto. Em seus arredores se sustentam al- 
gumas fazendas de gado. O Arraial 18"* da Pie» 
dade tem uma Capella dedicada à S. Jozé. 

Seguidas 25 legoas do Arraial de Santa 
Rita, se vai ao 19° de S, Ftlis de Ca/ií alicio,^ 
chamado à principio de Carlos Marinho , por 
haver esse sugeito descoberto o sitio no anno 
3736, He Julgado, c desde 1754 foi assento 
da 2.^ Casa de Fundirão estabelecida pelo Ge- 
neral D. Marcos de Noronha, até muda-lã 
o General Tristão da Cunha para o Arraial 
de Cavalcante em Març© de 1796 : por essn 
cousa ficou despovoado, e pobre de dinheiro. 
Seu território pertenceu ao Bispado do Para; 
mas à requerimento do Prelado Bispo de Ti- 
topoli, acha-se unido à Prelazia de Goiás, 
em conformidade da Bulia que a creou. A* 
Igreja Matrix dedicada á S, Felis prestam 
nm, ÍX. 26 



SOi 



Memorias Historícàs 



«obediência filial as Capellas de N. Sra. do Ro* 
Bíirio , è de Santa Anm, Tem 1 Companhia 
de Gávallaria ; I de hífaníaria^ i de Orde- 
Rança, e 1 de Henriques. Esik em I3« W, 
de laíi:tude. No districto d'es(e Jcdgado ficam 
os Arraiaes 2^^ de Carmo, e 21 da Chapa- 
da de S, Felis , os quaes todos pertencem à 
Correição do Norte; c suppsto seja o de S. 
Felis abastado, aindaque medíocre, o do Car- 
tão divsíante Siegoas d^^èlle , be mui peqirerro^ 
e se aeiía despovoado. O da Chapada fenge § 
legoas , não lhe excede em numero de almas> 
nem na grandeza, * 

Apartado do Arraiai^ e Parochra de S. 
Felis 45 kgoas , existe o 22« da Natividade 
áa Mãi de Deos , qu@ à principio se intitu- 
lou de S, Luiz, em ©bzequio do General D. 
Luiz de Mascarenhas , situado Ea latitude dú 
ll« 22'. Descobriu esse Jugar Manoel Rodri- 
f ues de Araújo no anno 1734 / ou 1739 , on- 
de se ftindou um Jul;^ado , que hoje perteaee 
á Commarca nova do Norte. Tem Igreja Ma- 
Hfiz dedicada à Nativklade da Senhora , e à 
sua obediência filial estam as Capellas de Sa^n- 
ta Anua da Chapada ,. da Natividade , e da 
Senbor do Bomfim. Resrde ahi '© Vigaifi© Ge*^ 
ral da repartição do Norte,, que sendo d'an- 
t^ provido pelo R. Bispo do Pará , à qtieí» 
pertencia o distríeto ^ presentemente recebe a 
sua jurisdicíjão do R. Prelado, de Goiás , á 
cujo território se acha uwiáo o mesmo Jiil--^ 
gado, e os Arraiaes a^nnexos. O Corregedoip 
do Norte tem também a sua residência hitec^* 
íiíia nesse lugar , em quaata mo »e firma - 



«W*rfW 



DO Rio DE JaKF.IR0í 



203 



em que se ha de fundar a nova Villa , des- 
tinada para cabeça da Commarca. Fazem o 
seu áj^uarnecimento 2 Companhias de Cavai- 
Jaria Miliciana, 1 de infantaria^ I de Orde- 
nança , e 1 de Henriques. 

Distante 1^ legx^as do Arraial da Nativi- 
dade apparece o 23" da Chapada da Nalivi-^ 
dade , hoje mais florente , coim uma Capélla 
dedicada à Santa Anna : e 15>legoas ao No^ 
roeste d'elle está © 24^ do Carmo, em 10\ 
56', ornado com uma Igreja Matriz sob a 
dedicação de S, Manoel , de quem he filiai 
a Capei la de N. Sra do Rosário ; cujo sitio, 
<áes€oberto por Manoel de Souza Ferreira em 
1746, suppostoque pequeno, se acha suíli- ; 
cientemente povoado, em razão da utilidade 
-das suas minas. Conserva 1 Companhia de 
infantaria, 1 de Cavallaria , e 1 de Henri- 
ques. Dista do Porto lleal do Pontal 26 le«^oas. 

Em distancia de 12 leíçoas do Arraial do . 
Carmo., existe o 25" do Pontal (assim cha- 
mado, por fazer o Rio Tocantins uína ponta , 
grande , ou cotovelo , na sua visinhança , e i 
de quem se aparta 4 le^oas) situado na la- , 
<it«de de II" 30', cujo lugar retirado da Ca- 
pital 120legoas, e comprehendido no destri-., 
cfo da Nova Beira , descobriu António San- 
ches em 173^. He assento de uma Parochia 
dedicada à Santa Anna, com a qual se fina- : 
lizam as da Prelazia pela parte do Norte ^ 
e termina também o districto da Capitania* 
Conserva l Companhia de Infantaria e 1 de 
Ordenança. Ao Norte do Pontal 3 legoas es- 
tá ^ Aldeã ^Matança ^ que supposto seja alada 

26 ii 



âÕ4 



Memorias HisTÓR} CAS 



pouco consideiiuvel , por ^er o Gentio amassa- 
do em tempos clit^eFentes os traballiadorcs de 
suas lavras mui ricas , abunda de caça, de 
fructas , e de peixe nutrido no Hio Tofíintins; 
d 'onde se conimunica à uma rabeira próxima; 
e sua tributaria. Na li^raiide liba do Bananal, 
ou de Santa Anna, onde babitam os Javaes , 
e Carajás , forniori o General Jozé de Abnei- 
da outra Aldeã com a denominaçHO de Nova 
Jícira cm 1777, que, depois de consumidos 
»*e]la perto de !2 mil cruzados, ibi deixada. 
Novíi Baíra se intitula a provincia ao Norte 
de Goiás , que corre ao Septentriâo entre os 
rios Araraguaya , e Tocantins , e ainda he pos- 
suída por varias Naçoens seK-agens. 

Na passagem do Arraiai do Pontal para 
o do Carmo (que he de 374 braças no tem- 
po da sua maior diminuição,, e de mais de 
ÔQO quando corre com fartura o rio Tocantins ^^ 
esta o 26® Arraiai nova do^ Porto Beal , coni 
lima Capella , onde reside um Official Militar 
encarregado da inspecção dos Presidies, e do 
expediente dos Correios, que se communicam 
cem o Grão Pará. Neste lug-ar se fundou un» 
Julgado , à que recorrem os Arraiaes de S. 
João das duas Barras , do Carmo , e do PontaL 

Longe 79 legoas do Porto Real do Pon- 
tal, na margem oriental de Tocantins, existe 
a nova Povoação , denominada S, Pedro d& 
Alcântara por seu fundador Francisco Jozé 
Pinto de Magalhaens , pouc© antes do anão 
1810. (43) 



(4») Vede no Putrióta do JRio de Jaaeir© 2» Subs* 



Bo Rio de Janeiro, 



205 



Marchando pela mesma estrada do Nor- 
te , desde o 22*^ Arraial da Natividade^ em^ 
um angulo formado à Suesle, ntmeram-se , 
sobre o seu lado esquerdo , os Arraiaes 
seguintes, que ficanj da parte do Norte , fora 
da estrada de Leste. O das Abnas , distante 
%0 iegoas da Natividade ^ de qneni he íilial 
a Gapeila ahi existente , tem 1 Companhia de 
Ordenança. Seus habitantes criam gados ^ e 
cora o algodão cultivam mantimentos. 

A* l.este d'esse Arraial J2 legcas está a 
Aldta do Duro , i^ue já não existe ; e pouco 
longe d'ella a da f^*rmíga , as quaes se fun- 
daram no anuo 1754, à custo de grande des- 
peza da F. Real, (44) pelo General D. Mar- 
cos, para os Chacriabàs , e Acroàs. 

cripraõ , N 3, [j:(g. ii\ , e sei^uinles, a Historia dessa 
l^ovoaçaõ , cnjo piiitcipio foi mais fantástico, que real, 
pelo dolo do seu appareiíte fundador, a quem agradou 
angariar a índiada Maramecran para tativa-la , e veude- 
la , e naõ para çivilisa-la , co.no praticou , enganando 
com taes pretextos simnladamente o General , a quem 
íííereceu era Janeij-o de !813 a IVÍernoria sobre esse as- 
siírapto , mais circunstanciada, do que jalli te publicou, 
conío se pode ver da Copia do seu Original, que o A, 
destas Memorias possue. O facto leferido foi narrado pelo 
entuõ Governador Fernando Delgado Freire de Castilho, 
por motivo de conversa à esse respeito. 

(44) As Aldeãs do Rio das Pedras, do Pissarraõé 
do Rio das Velhas, e de Lanhoso, despenderam, at „ 
o anno 1810, a quantia de 19:534(^224 reis: as do Du* 
ro , e Formiga, até o an. dito, 84:4êCç^249 reis: a de 
Mossamedes, 67:346^066 reis; a da Nova Beira, 4:582(J^ 
396 reis : a Aldeã ]VJaria 13:684^)021 íeis : e a do Car- 
retão de Pedro Terceiro 24:652^)131 reis , até o ann- 
sobredito. Alem d'essa despeza peia Fazenda Real , hona 
Ae mais a de 17:60C^§11 reis, pelo povo, pela Junto 
da Justiça j g pelos Concelhos dG^ Hdgados, com a Con« 



SOS 



Memorias Históricas 



7^-' ':' 



O da Barra da Palma , que também se 
denomina da Connçeição , situado à 12^ 26', 
na Barra ào Hio, que Jeu nome à este li?»» 
^ar , florece^i nos princípios da Capitania, 
mas despovoado, principia a reviver , por cííei- 
to dos raencionados AHaràs de 18 de Março 
de 1809, e o, de 25 de Fevereiro de 181*. 
O da Couceição , distante 15 íegoas da ]\ati- 
vidude , que tbi descoberto em 1741, iie as- 
sento de t'ma Freguesia dedicada à Conceição' 
da San la Virgem ; e tem I Companliia de 
Cavailaria , l de Infantaria, 1 de Ordenança , 
e i de Henriques, por se achar elevado à 
cabesa de Julgado da Commarca do Norte. 
No do Priucipé , ainda peq-tieno , ha uma 
Freguezia dedicada a S. Miguel , c Almas. 

O de Arraias , situado à J2°, 42', dista 
19 legoas do da Conceição , e he cabeça de 
Julgado. Tem uma Parochia dedicada à N.. 
S. dos Remédios , e conserva 1 Companhia de 
Cavaliana , 2 de Infantaria, c 1 de Orde- 
nança. Foi rico no seu principio , e com as- 
sistência do General D. Luiz de Mascarenhas . 
se repartiram as suas terras , e foi arruado 
o mesmo Arraial ; mas decahindo as Fabri- 
cas , e Lavras, teve jrrande abatimento . até- 
que , desxobrindo-se de novo o ouro em tem- 
po do General Tristão da Cunha , tornou àv 
povoar-se , e à subsistir com ílorencia. 

Em 7 legoas de distancia de Arraias fica . 



quista dos índios , e sua ReducÇaÕ , como consta do cal- 
culo feito em tempo do General Jozó de Almeida. A* 
vista do que , tem custada esse artigo , até o anno men- 
cionado, 231:889ífe^98 reis. , ; - 



150 Rio de Janeirq. 



207 



€t Arraial do Morro do Chapéo (assim chamado, 
|)or sê assemelhar a um chapeo detiabado ) on- 
de íbi achado o ouro no atmo Í769. l\'m uma 
Capella , que he filial da Ficguegia de N. S. 
dos Remédios. 

A* Leste do Morro do Chapeo Í6 kgoas 
fica o Arraial de !i. Doíningos^ do Araaà , 
com Freguezia dedkada ao mesmo Santo, que 
além de pequeno, se acha despovoada , e sub- 
sidie da cultura do gado vacum , e ca\ aliar. 
Tem \)ov fdiaes as Capelias de N. Sra/ do 
Patrocínio no Salitre , e 8. Pedro de Alcân- 
tara ; e no aiíiío 1818 siipphcàram os intitu- 
lados Archiconfrades de S. Fianciseo de Assis , 
e os devotos de S. SebasliSo á Meza da Cons- 
c:ientia e Ordens a faculdade de eriojrem no 
distrlcto desta Fregnezia uma Ca[)el!a à S. 
Francisco, e S. Sebastião, que se lhes conce- 
deu. Foi creado novamente Julgado. (45) 

. Tornando do Morro do Chapeo , em ru- 
mo de SudíTeste , e caminhando 19 legoas, 
se vai ao Arraial í/e Calvalcante (intitulado 
así-im por ter sido seu povoador principal nm 
F. d*esse appellido ) descoberto por Domin- 
gos Pires em 1740 > na latitude de 13° SO'. 
Tem Freguexia dedicada à Santa Ai<na , à 
quem prestam obediência filial as Capelias da; 
Sra. da Boamorte , e do Rosário. N'eHe se 
estabeleceu um Julgado ; e ahi existe uma 
riquíssima Pedreira ; que os moradores d<» si- 
tio entulharam por mui rija, e funda. Guar 
nece-ó 1 Companhia de Cavallaria , 1 de In^ 



í ■'? 



(45] V«de « nota 



t08 



Memorias Históricas 



fantaria, 2 de Ordenança, e 1 de Hehriques, 
*0 terreno do Arraial , assas regado de aguas, 
e criador de abundante hortaliça . produz com 
feriilidade o' trigo : o ar , de que goza , li^ 
frio , e húmido. Soííreu este Arraial als^uma 
(decadência, em quanto não leve em si a Casa 
de Fundiíjão , trasladada^ do Arraial de S. Fe- 
lis pelo General Tristão da Cunha ; e hoje 
sentira o mesmo mal pela extincção d*ella, go.- 
vernando a Capitania D. Ffancisco de Assi» 
Mascarenhas. 

Andadas 14 legoas está o Arraial daà 
Flores , pequeno , e situado na ribeira da Pa- 
ranáa. Foi Julgado , que transferido para Ca- 
valcante , se aboliu aqui ; mas de novo goza 
d'essa prerogativa pelo Corregedor Manoel Joa- 
kim de Aguiar Menezes , no anno 1802 , achan-» 
do a povoação mais florente, do que fôràr 
Sua subsistência consiste em fazendas de ga- 
do vacum , e cavallar , em que se negocea 
para a Capital, e portos de mar*; e tem sido 
doentio o sitio , he hoje mm sadio. A Freguezia 
ahi fundada sob a dedicação de N. Sra. do Ho- 
rário , conserva no seu território uma Capella 
da mesmo titulo , como sua filial. 

Na sobredita Ribeira do Paranáa se acha 
também o Arraial pequeno de Santa Boza , 
com Capella desta mesma Santa , que he fi- 
lial da Freguezia do Rozario ; e outro Ar- 
raiai áimmuio , intitulado de Mata grosso , on- 
de ha também uma Capella dedicada à N. 
Sm. da Piedade , filial da mesma Freguçzia. 

Entre as cousas mais notáveis que appa- 
recem na estrada da Cidade, até o Arraial 



©o Rio de Janeiro. 



^09 



isUimamente referido^ sam d%nas de coDside- 
-ras^áo umas pedras, que por certos buracos , 
40U furos, talhados da natureza^ repiesenlai» 
4i figura de urna caraliurnsna, e outras pers- 
^pectivas mui singulares ^ e junto* às iiiesoias 
-pedras o Monle do Caracol , qive se p;vs:^a 
.pelo caininlio do Eeijue Zaqiie. A Pedreira, 
já meneio imda do Arreliai dí> Pdar , d 'onde *se. 
item extrahido mais de iOO arrobas de orno , 
tqye .p^romctte ainda grande durac-rto. O eslrei- 
ito passo de 50 palmos , qu<í teín o 11 lo Ma- 
ífanhão , à cima da passagem ,geral , onde a 
,ísua largura ge cak-Pila espaçosa \hQ braças» 
•Os olhos , .e © Lago de Agua -q^ ente í;iq At- 
^raia! do Eiesnro ncme , e tand>e^ii o seu Ri* 
beirã-0 , cuja fartura -^utica se ákininn^ , ainda 
riia secca inais rigorosa. A estreiteza 
■Tocantins em certo sitio , onde corre 
vdo , que anitna a quâUpiei- pessoa 



£m 



"Rio 
.e.íicana- 



rívyoluta 



salta-lo , tend<3 mo lugar ©rd i na ri o da sua pas- 
f,Q<yem 60 braças. O n-raiitle Tofubâdoor© de 
,Fr. Theotonio , distante U) legoaf; do Arraial 
de S. F^lis , cujo to^-ansito he-e^ todo íen^- 
j) o perigoso.^ <» <ia m m h afi do d ' idii 'è 1 egoas ao 
^"ascente da estrada.,, as Caldas mediei nae:^ de 
S. Ftíis (ou cl-e Fr. Rayaaldo , como dizem 
íOutros) cora <;iihí€p olhos de agiia , ¥^m assai? 
^quente., áe o § -quatro temperados. Antes de 
jchegar á esse Arraial .2 3e^)íiS ^ indo à rum© 
tile Norte ^ se vè ao pjè da esferada ucría Trom- 
Í3a de pelrgria negra , e por ella abaixo urna 
çan ca V j d a dje .ta © medo n h a , que lio rr o í- i s a a 
gnem pretende .examina-la. A« GratHs, I.* de 
Traíra, distante 1 4eg.oa do Airraial ;, assas 
' Tom. iX 2? 



MeMORÍAS; If istoimcas 



hS 



{e> e pKofooda, qm porissQ não se teim 
màmnmdo exactamente, de sua. ciipwla sai cer- 
to Jiumor petrificaste,, de que se formam co^ 
^ maas, pjas., aoreadas., @ ©utras figuras diffe-^ 
rentes t e e'sta^, quando se iffes ífoca^ tem o^ 
sou^ de n>eiaL 2.- a de Paranáa, junto à San^ 
ta. ív^za,. e perto, da Fazenda de Santa Rita, 
que d!Z€ai. ser vasta.,. @ tamBem criadbm de 
iguaes. pí^trllicacoens , cofuo as de Trairá, Ifà 
li.ii.veui orienta], do. Eio GmnÂe , districto 
de ifiloens, nasce- da aberlwa é^t^ma pedra, 
uni ribeiííu), qis# em. dceiínferencia da sua* 
origem t^iii; diilerentes- mananciae& de Caldas, 
m, fj^iacs se cncorporani eoni o mesmo ribei- 
rio, edizQm que »un utilissinías. Distante l 
legoa da AJdea; do Dimy , o«rdo Registro alii 
estabelecido, adia-se uma Gruta na pontas dê- 
qma, &^rra , coid diversas re pai t-mieutea- no seife 
interior, à- maneira' dtj Cubiculogi Ao- Nas- 
^'íite diis. Terras novas do Descoberto de Ni 
Seí^hora da Piedade 6, à- 7 legoas, exií-ten^ 
Caldas junto à- uni 



lago 



CO mesiíio nome-. 



d^qnde síij #a Ribeirão^., que também^ se ÚU 
i|as , Calda? , c estas ge chamam db;. Moquerm„ 
Saindv) tia Cidade, siíuada ao- Poente ,.. 
pela estrada, do Nas<:.euta,: em distancia de h 
]e.gpa se chig^. Tio .,^r/Yító ,.. qiíe f<>j^ ter sido. < 
o lugar,, onde descaii^çon o df^cobridor do^paix 
PartbplQmeii Bueno , e fez reformiar- a su^ fer-- 
raraenta por. um Ferreira, ^ ficou conllecidOí 
mm esse titulo. N'ô]íe se caaservou apòvaav 
iJo |H;iip.eira d^. r^ov^ provincia de Griàs *• 
boje porem nâu passa de sei- uma- est&lagem ], 
^Qi'. «QyeivdesjQyoado. Ahi. Siibsist» uma Qà^ 



me "Rio I)e Janetho. 



fll 



^ella erecta por. diligência do Tciíenle Jozé 
■<Uomes cm 1761., e dedicada à S. João Ba[i< 
tisla , cujas |)aredes éiiteriores ornam doits pai- 
;ieis famosos ^ em que se debuxáranv o Banquo 
le de Herodes, e a Degola^cão d'dquelle S iuuk 

Dás ta n te d'aiii 3 lego as está o r/f 'Qí.tí^' 
Jtno , cujo titulo lhe deti a <|iíalídade superior 
do metal alii descoberto peles ^ovoadoreí> pri' 
nieiros do C-ontinente He |)í queno hoje : mas 
as «suas lavras patenteam ainda mnita rique?a^ 
à ípesar de lhes faltar ap;tia R^itíiieníe cem 
qite te possa chegar ao Morro ^ onde -se pre- 
sume encerrado o maior cabedal. Tem uma 
Gapella dedieada á Senhora do Í-^ilary quc- 
he filial *áa Matriz da Capital., é i Compa- 
lihia de Ordenança. 

Adiante 15 legoas de Oaro-fini) siilísistò 
'O pequeno j porem muito povoado ^/fr.raial (Jo 
Carrego de Javagnâ ( notne adquirido do Cor- 
Tego próximo)-, cuj© sioio , cm i5^, 30', des« 
cobriram os Freios faiscadoreç no aurro 1736. 
"^eu e^tabclecimen^to consiste em lavouras, 'e 
lia criação de gados , principalmente o vacum : 
|Doris§,o aíbunda de carnes, e do mais preciso 
à mantinicia da povoação, que ge conserva 
em bom pé. Tem as Cafjellas de N. 'Senhora 
'tja Penàa., e d© Rosário, íUiaes da Matriís 
de Meia-pent€* \ Companliia de Ca^/allaria , % 
ÚQ \ n fa n ta r i a , e - 1 de O rd ena n ça . 

Cai^nhando d'aHi 8 lesfoas s© avista ^ 
ipopnloso , e iimi íloren^e -^rrairJ de Meia- 
^onte , (46) situgfdo na iaitit. do iõ^, 5Cv e 



(4(i) O titulo d<; 'Meia-por.te se originou 

'^7 ii 



; terei 



gft 



Memorias- HisucmiiOá» 



:-m 



J^nge da Cidade 27 legoas , cujo local sau^- 
davel^ descobriu Manoel Rodriiiues Thomar 
em j.^31. He Cabeça de Julgado, à que re- 
correm^^ os Arr-akcs do Correio, de Janiguá , 
e de. Umumbl. Seus habiíaní@s^ labofiosos-í 
aíl^eis, e i^KÍm.trioso«., cidtiv-am com assas cuir 
dado ^s. terras do districto, enchcndo-as de 
líoitahça,, áegxmm,^ cana doce, café, trigo» 
çíumo, e fíibrícando. o algodão, de quê iem 
g{*to obtvis. utilissimaa com. m^ita, pteWeiç^o; 
^.e- av^a&tada de peixe criado, n^s rios eircun- 
¥.iwnÍK^s , e de carnes iserdes , tanto de^vac^i 
comp, 4e [ojreo . q|.,e. avultadamente stj criaál'' 
âiJÍi, para fartarem o povo habitante do Ar* 
raujl coíO: essn^ vmmJas^ e vitualharem os dis- 
tnctí)s da Capitania , es^portando avultadas 
carregaçoeng^. A' ígreja^ Matriz dedicada à N. 
vtMiljora dojiosará sam filiaes as Capelia^^dô 
^enh.^iT %>m, ée^tus do> Bô«i<ím., (h Senlíori 
^oHtísariq.,. da. Senhora do Càmno^ da SenhoF^i 
mii4.apa, sjta no sen reciííto,. de Santo An* 
tunio,. fíjndada em distancia do 3 lepoas í^>< 
q^eio da estrada entre Meia-poiót^, e o Cori 
^^o,, ^a (te Seiiiiara dn í^riba de Commbá. 
Mie efíía r arequia imia, das- maiores da Prela- 
zÀn, e a mais^ povoada de^ gente' branca. Ten» 
3; Companhias de CavalJaria , 2 á^^ Infantaria^ 



• iii * -. f\>;. . I 



^^ primt^iro^. Sertã r^istíií^ fiibricada ij^:i ponte de do«». 
laos fm-,-a atr.ve*s«re,n. o,Rlbdraõ a.hi «'ncontriuio ; e ca. 
mo uíu d< l!e^ fo) levado nela corrente d^igua ,, tíca ido o 
#a.ro , rie.c|,v se servirau» , poimo derar« esse Homc a^- 
r.Tíl'!" ^^;^^^^^' ^°"» o>q"'^*l.denomnáraai. tamJt>,eí».o.. 




BO R"!© BE ÍAMBIKO; 



«13 



S ^ Ordenança ,. e^ 1' de Henrfques. Para fnr« 
trucção da mocidade na Gramática Latina, 
Ka alM um Ppofe&sop Régio, (g) 

Ao Sul de Meia-ponte, em dí&tancia de 3 
legoas, está o pequeno ^raikP de Corumbá, 
cujas visinhanças povoam lavradores,, que comi 
os toucinlíos, fumos, e j^auos^de algodf o, abas^ 
tecem a Capitania. Term a €apelfa da N, Se- 
nhora da- Penha.. 

A* vante de €orumBá oousa dè' Í3 leo-oas, 
com algitma' diíTerença de mais , ou de menos*' 
appar^ce^ o Arraial de S. António de Mordes 
Claros, pequeno^ e despovoado ,. em um -vis- 
toso Outeiro,, eiijo' ltig;ar , descoberto no an- 
Bo 17.57', foi bem cultivado, por fértd em 
&uas: faisqifeiraê, Gontam oi^ seuí^ Habitinfes 
que nas fezes d^ v^ntrct da qualquer animal 
eriado n'^sse- terrenov d^por§ de iávadas , sa 
encontram par^^fculas. dè ouro : é d^aqui' se 
suppoem com firmeza , que nas circunvi^ir 
«hançag cfo- dis^tricto ha occulta abundán^ 
eia do mesmo metal; Tem i:ápeíla. de S^ 
Aaitonio*. 

Andadas 9 legoas adiante dè Montas Cia- 
JK)S ,, se ck^ga ^o Arraial' de SaníãiLi^zià, cuio 
»ilio agra.láveh sadlò, e bem regiido de aaya*!s, 
descobriu A*ntomo. Eaeno de A2evpdo na^latit! 
de 18", correudo^ o anno IT4G. He Julgado,*, 
à quem recorrem os habiíantés^ dos Amiiã s' 
de Moates- ©Ih-ros , e dos Gouros. A. Matriz 
dedicada à Sanía Riía tem por sua^ filial ai 



(gj Vtjde. Liv. 4 pag^ 173. 






f|4 MfiMORTAà HlSTOitrCIAi 

Capella da Senhora do Rosário, e a de S; 
Antofâio de Montes Claros, A hi ha 2 Com- 
pr.D^ias de CJa^^^aliaiia do 2,^ Regiinenío , 2 
ée Infantaria, 2 de Ordenança , e J de Hen- 
riques. Decadenie o território pela falta de 
/lavras, sani pori^so as ttM-ras ds sua compre- 
liensão cultivadas coto a k^mira rural, cu)o 
írabalho h^ bem pago com a fartura de. man- 
timentos , de hom nmvmeUos , e de queijos 
primorosos, (^b) 

. Fazendo caminho á esquerda do Arraial 
«obredito , e oHiando para t) Nascent-e , está 
^áo^ Couros y pequeno, e quasi despovoado, 
distante 24 iegoas , :ír4o a |umo de Nordrs- 
íe por S. João das l"'r^ Barras/ e 19 por 
ê. ^Bartholomeu. Foi Julgado até o anno da 
1774, era qu« se mudou essa pi^rogativa pa- 
ra o Arraial de Cavalcante. Tem uma Capei- 
ia de N. Senhora d'o R^gsario , que pelo di- 
reito da posse he fihal da Aiatriz de Paiaca- 
tu ; e presidia-^ I Companhia òq Ordenança, 
Par essa estrada , Md o sitio cWs Arrependi- 
dos , meta da Capitania , iiao ha povoação ai- 
guma /iigna da memoria mais espicial : por- 
tanto fica sabido , que âe ViJla-boa ou da 
Cidade á Santa Luzia medeam 48, á 49 
Iegoas de camiuho; e contando mais 13, des- 
de Santa Luzia até Arrependidos, se nnmera 
a distancia de G? le^oas , o« pouco mais ^ 
da Cidade, á extrema da Capitania, pela es- 
trada do Nascente. 



(h) Vede Liv] J5 pag^ 52. 



, 't;:, «ÍV 



i«naM>«s 



Íf0 Ri0 DE JantiihôV 



215 



Entre as cousas dignas de nota,, que se 
encontram por aquelle caminho, sam mais 
memoráveis os densos , e soberbos matos ,^que 
arredados da Yilla '^ legoas ,. abrangem outra 
tanta "e&íensâo^ de L, á O ^ grande espaço 
para o N, e para Sul se dilatam iníinila- 
mente : poisque havendo á^penas neste paizi 
matos carrasqdnho» „ «u Catingas ( na frase- 
viiJgar), denománáaram pori^so os provincianos 
liig-ar, onde se criam os mais altos , e so- 
berbos arvoredos, com o appellidô de Mato 
Grosòv. (4í7) Em l legoa de^ distaoéia do Air- 
raiai de^ CXuro-fino sâ gela^ na cavidade co 
Morro cei?ía matéria bj anca, e ' firiavel ,. que 
se suppoem ser Salitre, ou, o. AJiimen. Nos 
arredores de Meia^ponte acha,-se a Ped rabeias- 
tica : e adiante cio mesmo. Arraial para apar-. 
te do. Nort^,, ficam os^ Montes Periíieos, d^ 
cujas vertentes naseem os caudalosos^ Rios !■.« 
das Almas;. 2.o o V Rle , que vai des^ guar 
lao denominado Maranhão, @m rumo de Norte;: 
3.^ o. ãn, Peixe,, que correndo para o N - 
Koesíe entra, no das Almas ; e 4,o o- Curum- 
bá, que faz barra no Paraguay. Reíiectií do. 
bem na ^^-iluação d'áqi]aiies Monte.^ , se pôde» 
assever.afi ,, que nenhuma ouíra da Capiíaua. 
a.iguala: em, altura , vendesse 
U 
as 



í ar9 



longa , 



que j 



em distancia tão 

guas. 

Na. Estradai dp Sul , que principia emi 



{47) Wàra o Norte he (^ítensisbiriííi. a mata,;, e carâí 
Sub B4»õ? fife: lhe conhece úm*. 



— u 



tl@ 



íMemorias : HrsTOuici.* 



»*''' 



eia-ponte , estam os Arraiaes seguintes, O 
dlo Boinjim pequeno, e disla.nt:e i8 leg-oas de 
^Jdfíi-poníe, se originou da descoberta do ou- 
10 no anno 17.74 ^ que atrahiu os mineiros á 
jcultiva-lo : mas a faiía de fabricas para esse 
írabalho j o reduzia á decadência. Teai uma 
iCapelIa dedicada ao Senhor J3ani Jeziis de 
Bomíim , que be ftiial da Matriz de Santa 
íCruz, 1 ,Companbia ée Ca^^allaris „ i de In- 
fantaria., e i de O^dena^íí^a. 

íLoMge ^'aquelle Arraia) 15 legoas íica o 
4e Santa Crii^ , sitviado á 17o, M', de cuja 
fertilidade áurea foi descobridor IVlanoel Dias 
^a. Silva pelos anno« 1729 ití ais ou menos, 
A Qiiai passando-se á Cuiabá , (C d'alli ao in- 
terror de «eus Setãos, ?B(^le leAiaiito.u uma Cruz 
com a in^cdpcão = Viva El Rei de Porty- 
gal ::=r c€>mo para se empossar do terreno por 
parte do Soberano Português , de cujo fa< (o 
•queixando- se o M (marcha Espa^nhoU resultou 
o castigo j<€isto , que ^em taes _ circunstancias 
-merecia Silva..; disftinguinfk) p S. M. F. com 
at Mercê do Habito da Qrdein de Christ^) , e 
'Tença de SO^ reis. Por falkarem a.s lavrai 
deste território sente o Arcaial algum^a' dimi- 
^luição., e eontem poticos ^habitantes. Nelle 
^e estabeleceu o Julgado do .dis trineto , que 
abrange .o Arraiíil de íBomíim, Da Paçrocbia 
nhi subsistente he Titular N. Senhora da Con^ 
jceição , á qual i>xe^ta obediência .filial a Ca- 
fiejla áo Arraial antecedente. Tem 1 Compa- 
iilm de XTavallaria , i de InfaR,taria , ;€ 1 à% 
©jdenauça. 

O Arraial do desemboque ^ situado síí* 



■í&r 



DO Rio de Janeiro. 



o]7 



bre a margem esquerda do Rio das Velhas , 
e arredado obra de 10 legoas da rasa de Mi- 
nas Gej*aes , que D'ontro tempo f-e mtiíokua 
=: Descoberta das Cabeceiras do Kso díjs Ve 
lhas =r, c\!Jo lugar disla da Aldeã do LasTÍio^ 
so 22 legoas, aindaque pequeno , nfjo he 
contudo líobre , por haver cooniereio de cniei-» 
jos , e dos géneros do paiz , fabricas de al- 
godão , e de tãa , e serem as ««uas visinhaB- 
^as povoadas de lavradores de viveres^ e de 
criadores do sado vacum. Seu descobrimento » 
e cultura he devida á alguns Generahstas , 
que se augmentáram depois pela protecção 
do Coronel Jozé Manoel da Silva e Obvei- 
ra. lie cabeça de Julgado, e a Igreja Miifris 
ahi estabelecida tem por Orago a ]N. Senho- 
ra do Desterro. Guarnece o lugar 1 Compa- 
nhia de Cavallaria, e 1 de Ordenança. (48J 



(48) A* requeriraenío dos Colonos estabelecidos n© 
Sertaõ da Farinha Podre , por se verem privados do soe- 
corro espiritual , que sem difficuldade naõ podiam obter 
da Fregsezia do Julgado do Dezembóqu^, distante d'ylli 
mais de sessenta legoas: Houve por bem o Senhor D, 
JoaÕ 6^ em Decreto de 2 d© Março de 18^20 mandar 
estabelecer uma Freguezia no Districto de Uberaba até 
a confluência do Rio Paránaiba , e Rio Pardo, coui a 
Invocação de Santo António, e Saõ Sebastião da Ub<- 
rába , dividindo-se com a Capelía de N. Sra, do Monte 
áo Carmo , e com a Freguezia do Dezembói^ue , por onde 
mais conveniente fosse: e outro sim Foi Sei ^ ido o mes- 
Hip Senhor, qiae nesta nova Freguezia houvesse uma Ca- 
pella Curada, no higar , que mais conviesse, para ccrn- 
Miodidade dos haliitantes , que novamente se achavam por 
alH firmes com estabelidade. Foiçando a Meza da Cons- 
ciência , e Ordens nessa inteliigencia , e mandando por 
I^spach© de 10 cPaquelle lucz , e anuo cumprir o reíe» 

Tom, LX, 2i 



âiâ Memorias Históricas 

Eai distaneia de 12 legoas ao Oessut!oes> 



rido Decreto , e passar os Despachos necessários , em vir^ 
t-ude dos njeanios foi o novo Pároco Padre Aatonio Jozé 
da Silva tornar conta , e posse da nova Parochia , sem 
que se Use tivesse designado limites verdadeiros, e certos , 
dowde resultííu um rtq»ieriíne!ito do Vigaiio do Dezern- 
b«'>que Padre Herint^genes Casimira de Araújo Brunsvi» 
eh ( provido por Decreto de ly de Agosto de 18 19 eai 
consequência da Consulta de 25 de Junho do mesmo an- 
Bo ) para se lhe declar irem as balizas do seu território 
parochial , com os da nova igreja Matriz coiafinante , in- 
einuando a divisão pela parte do Sul , desde o Hio Gran- 
de da Barra do Curreg© chamado Veadinho , e seguinda 
)Jór elle à cima até ao Espigão , ou Chapadaõ ; e voU 
tando por este à baixo, até confrontar cora as cabe- 
ceiras do Rio Tijuca , e seguiado-o para baixo , até aa= 
Scrtaõ com todas as-suas vertentes de uma , e outra par* 
te, e as d© Rio das Velhas. A' vista pois do referida 
passou- «e Provisão em 13 de Novembro de 18-20. ao R. 
Bispo de Castoria Prelado de Goiás, paraque ouvindo o> 
Pároco snpplicado de Uberaba, informasse com o seu 
parecer. Na informação exigida d*aquelle Pároco foi pro* 
posta a requerida divisão pelos termos seguintes. =: Que 
a nova Coloaia conprchendia os Rios Farinha Podre, 
Tijuca, Uberaba, Cocaes , e Rio da Prata, com© se 
via da Provisão da Meza da Consciência , e Ordens , 
de 13 de Fí-vereiro de 1811: Que os moradores existen- 
tes eatre esses Ri©s { à excepção do Pai, e do Cunhado 
ào Vigário do Oezembóqne ) reconheciam ao Vigário de: 
Uberúba por seu Pastor legitimo: e que a divísaò pre- 
tendida»., e lembrada pelo Vigário do Dezembóque, na5> 
era só impraticável, mas destituída, e contraria à razaõ ,, 
porque viria elle a ter ovelhas, que ficando para Ube- 
làfea de 8 a 10 legoas, ticariam distante» do Dezembó- 
que 20 a 30: parecendo-lhe portanto coMveniente , que^ 
ficHissem pertencendo à Uberaba unicamente os n©vos eij-N 
trados , ou Colonos , e servindo de divisa à ambas as 
Freguezias o Rio Farinha Podre, como estava decla- 
rado anteriormente , e em tempo, que a Uberaba era 
lama simples Capella. =: Com esta instrucça^, e conforme^ 
à jaeóina, resp<íadeu o dito. Prelado à Meza da Cousa?». 



l>â Rio de Janeiro. 



21 í 



te da Capital está o novo Arraial de Anni- 

28 ii * 



encia , e Ordens em 13 de Outubro de 1821 , í»a'l\jeza 
coiiveio no Despacho de 7 de Ncvembro segiiiate. 

No diotricto d<i Parochia do Dezenibóque, e lííg^ar 
denominado rz dos Separados z^ ha uma Capei la do Ti-* 
tnlo da Conceição , qne Miguel Teixeira de Carvalho 
{ povoador primeiro desse sitio ) e outros conipaoheiroí* it>- 
vantârarn , precedendo a competente Faculdade Regin. 
pelo Tribunal da Meza da Consciência, e Ordens tm 
Provisão de 19 de Agosto de 1819; e pop motivo de 
distar a mesma Capelia SIO le;^oas dn nova Freguezia d<> 
Uberaba, e 50 da Matriz do Dezembóque , havendo de 
permeio muitos rios caudalosos , que impediam o t^-aií- 
sito dss soocorros espiritnaes , e ser aquella Povoação ;i 
única estabelecida em frente ao Oeníio Caia pó ( h-^hi- 
tantes indigenas do sitio ) cujos Colonos novos rresciiiia 
cada dia, naõ sò em razaõ do terreno assas delicioso » 
e o -melhor dos descobertos, contendo unia Cam;janir;i 
-dilatddissima , e mui favorável á criação dos gad!>s vn- 
cum e cavallar, mas «té isenta de herva matadora dei- 
les , e d' outros males destruidores dcs animacs, accrcá- 
cendo à essas circunstancias u abundância de rios , de 
correges , e até de bebedouros naturaes , qu« porisso fa- 
ziam diminuir a despez« do Sal; as grandes njatas, por 
^nde se criavam com fartura, e muito bem os porcos, 
cora os quí^es soccorriam a Capital da Provincia , e ou- 
tras Povoaçoens ; e finalmente porque o terreno sustentava 
com abundância grandiosa todo género de ^raÕ , as ao-uas 
«ram saudáveis, e os ares mui salubres; requererim os 
novos, e actuaes Colonos desse SertaÕ no anno de 18<Í>1 
á ElRei D. Joaõ 6° Fosse Servido Mandar crear aqnelhi 
Capelia era Freguezia, i^entando-a , ou o seu Termo , dos 
Dizifnos das Lavouras, e Criaçoens por dez á vinte ân- 
uos, em proveito da cultura do paiz, e attençaõ ás des- 
pezas enormes dos mesmos Colonos novos, que do (on- 
trário se inhabilitariam no progresso activo da floremia 
rural, de que tanto se precisava, havendo já ai li a po- 
pulação de 289 individuas , e promettendo a fértil , e be- 
íiefica qualidade do paiz, e as mais circuní^tancias oorn 
^ue a.Nnture^a dii-tinj^niu , jivancos futures, e sinae» 



>i 





Memorias Históricas 



aim , situado na margem direita do rio das 
Bois, e muito, povoado, por serem as suas 
niiiia^ mui ricas , e ter-se estabelecido abi 
uma Sociedade miueral, que em 3 annos ex- 
trahiu mais de 8 arrobas de ouro. Poram des- 
cobertas as mesmas minas por Salvador Ma- 
riaano , e a sua pedreira mui fértil por Lu- 
ciano de tal no atino 1809. Seus habitantes 
JBam mineiros, e lavradores; e o terreno apro- 



proaosticadores de grandes fortuníis , e notáveis vantagens, 
r«mo porem' para deliberar sobre a Sexuada parte d* 
supplica foi preciso haver melhor conhecimento dell'4 , 
€» <]ue se exi'^ia pelo Governador , e Capitão General 
íÍ;ís Minas (ieraes (á cuja Província pertence hoje esse 
território ) e accont-eceu depois a constante mudança dos 
peíifocios puhlices, que deram causa à varieJnde da Or- 
ííem, em que elles marchav:,im , ficou porisso suspensa 
a decisão dessa supplica em ambas as suas partes , 
até de novo a promoverem os pretendentes. Sendo o Ar- 
raia! , e a Fregnezia do Dezembòque cômprehendidos n© 
Termo da Co n marca do iVorte de Gaiis , foi pelo Al- 
vará de 4 de Abril de 18 16 desunido delle , e agregado 
ao da nova Commarca de Paracatú , para lhe dar maior 
estensaÕ. Nos confins da Prorincia de Gaias ( entre el!a , 
e a de S. Paulo ) encontrou n@ anuo 18l6, ou pouco an- 
tes, o Engenheiro Guilherme BaraÕ de Eschweg , Te^ 
nente Coronel do Keal Corpo de Engenheiros, umas aguas 
ínineraes , que se conservam nos districtos dos Arraiaes 
<3o Dezembóque, e .do de i\raxá , das qqaes deu noti^ 
ç;ia em C-xrta ao Coiíde' da Barca, descrevendo as suas 
qualidades, e dizendo por ultimo, que segivndo a infor- 
mação do seu proveito, curavam sarna, lepra, e papos. 
Examinando chi tnica mente taes aguas o Padre Mestre 
Fr. Leiniro do Sacramento ( Carmelita ) empregado nes- 
sas operí^ÇfDens pelo Estado, extrahiu delias ( no anno 181? \ 
osíl, de cujo resultado deu conta ao mesmo Conde, 
iMiaistro que era, e Secretario* d' Estado dos Negocio^ 
4a IVIdr^nKa eo Bçasi]. 



DO Eio j)E Janeiuo. 



221 



priado para diferentes produc^c es , prga sem 
cainheza o trabalho iiual. (i) Tem um tfmplo do 
titulo de S. Francisco de Assis , filial da Fre- 
guezia do 'f eiilior Boni Jeyrs de Anfa. 

N'um sJtio apiasivel distante meia le^oa 
da margem seícntrioral do Rio das Velhas 
onde está um efgi^íro, e 40 legoas ao Meio 
dia de Santa Cruz, $e ^è fundado ko anno 
1741, ou ]7c.O, jeio Cororel António ^Pires 
de Campos , ou pelo Gene) ai D. Marcos de 
Noronha, o ^írraivl de ■ Santa Aima i^x^l vi- 
venda dos índios Bójór6s, que de Cuiabá ge^ 
guiram contra os de\asf adores Cajapós em 
soccorro dos Chrisíaoiis Paracís , Consubares, 
e Cathayás. AHi se conservaram esses^ habi- 
tantes novos aíé o anno 1775, em qne foram 
mudados pelo General Jozé de Almeida para 
o Arraial de Lanhoso ( aliás Aldeã ), subs- 
tituindo-os a horda de Judios Chacriabás , 
trazidos das margens do rio Freto , onde vi- 
viam , á que se aggregáram outres de Na- 
çoens ditlerentes. O templo dedicado á San- 
ta Anna , na mesma Aldeã, serve de Paro-? 
quia aos índios Chrisíaons , que vivem visi- 
nhos da estrada de S. Paulo. Âldea do Mio 
das Velhas he a sua dencminação, e dista dí\ 
Aldea do Pissarrão 7 legoas. Um Ribeirão a 
rega, e cobre toda. 

Arredado meia legoa daquella estrada ps-. 
ra Leste existe o arraial de S. SeUstião , 
e Santa António , com um Templo dedicada 



(i) Vede a memoria do ^9.0 Geveraador D. FíêA. 
ç^sco de A»sis Mascarenhí^s, ' 



f' 



2,. 



MiSMOaíAS HiSTOIlICAS 



aos mesmos Santr>s^ cuja fariílação teve prin- 
cipio em I8I4J. Seus babitantes criam gado, 
e caitiva n as terras ^ de que recolhem o mi- 
lho , feijão, arroz, algodão, hortaliças, e 
fructas próprias do paiz. Ha hoje assento diu- 
rna nova Freguezia creaia em 1820 por De- 
creto do Senhor D. Jo.lo VI. á requerimen- 
to dos alli habitantes , como se verá sob a 
jiota (48). 

Pela mesma estrada do Sal se acham es- 
tabelecidas as Aldeãs seg'iiinteá. 

l.a Do Rio das Pedras, fundada pelo 
Coronel António Pires de Campos e'ín 1741 , 
e povoada à prinoipio por B>rórós vindos 
de Culabi a desinfestar os Cayapós da estra- 
da de S. Paulo, por onde hostilisavam seus 
-viandantes ; fcuja povoação mudou o General 
Fernando Delgado, em 1811 , para o Presi- 
dio da Nova Beira , e parece porisso , que 
o sitio he^ habitado apenas por alguns indiví- 
duos particulares. 

â.* Do Pissarra5 , distante d'aquella 4 
á 6 legoas, e da do Rio das Velhas, 7, para 
onde se passaram alg-uns Casaes de índios 
do Rio das Pedras, que a habitam, pela con- 
veniência de venderem promptamente os seus 
eÔeitos aos viajeiros, 

3. a Do Lanhoso ( assim denominada , por 
ter sido seu primeiro habitante um F. d*esse 
appelido ) distante II, á 12 leg\ da do Rio 
das Velhas, 8^ de Meia-ponte , e 10 da Rio 
Grande, meta da Capitania. Acha-se sem po- 
vo, e quasi desçrta , por se unirem os que a 
cuHivavg,ai aos actuaes habitantes da das Pedras. 



rísgí 



DO Rio de Janeiro, 



223 



4.^ De S. Joze de Mossaniendes , ao Su- 
doeste da Capital , de qr.e dista 5 hgom , 
fundada em 1774 pelo Geiieral Jozé de Al- 
n^eida para habitação dos Índios Acroás , Ja- 
vaés , e Carijás vindes da Aldea do Duro, 
Em benefioio da nova. povoação se creou ahi 
uma Parochia. 

5,^ .Aldea Maria, ou Maria 1. , disíante 
d^aqueila 7 íegoas, fundada pelo General Luiz 
da Cnoha , e concluida por seu snccessor 
Tristão da Cunha , junto à mar2;em do Rio 
Fartura , em 1780 , he povoada"" por outros 
índios da Nação Cavapó, Ambas estas se 
acham no estado de agonizantes. 

Entre as cousas memoráveis , que se des- 
cobrem na sobredita €strada , occupam o l.o 
lugar o Morro chamado c/o Elewenio , situa- 
do no território do Arraial, e Frcguezia de 
Santa Cruz , por abundantissimo de ouro em, 
suas pedras , terras , e areias ; mas esse the- 
souro assas rico , he quasi de nenhum pro^ 
veito , pela necessidade de agua , com que 
se trabalha a sua mineração , e ser mui di- 
fficil o meio de introduzi-la por longissíma 
distancia. O General Jozé de Almeida pre- 
tendeu remover os obsíaculos , que impe- 
ndiam a lavoura mineral, mandando o seu Aju- 
daníe de Ordens , Thomàs de Souza , con- 
sultar o trabalho com o Alferes Pedro Ro-, 
drigues de Moraes ; e <endo-se orçado em^ 
5f oitavas a despeza da ccndueção da agua 
por um rego de 9 legoas de estensf o , con> 
um assude , até 'o meio do morro , entrou 
Moraes n^essa diligencia ^cccmpanhado do 



2U 



Memoría.^ HisToiírcAs 



SOO operarioai : mas quanio se trabalhava no 
edifício notável do assuds , que se avaliou 
em íçraade sou na , falleceu o seu director, 
e íicoii a obra siispsnsa , por oMo hc^ver quem 
se animasse à coUimiala. 2."* O Saiío cha- 
mado das Fumzs he oalro objecto digno de 
se perpetuar coin â peaaa : porque , corren- 
do por certo caaapo mm espaçoso um gran- 
de Ribairão , todo elle vai despenhar-se da 
altura de vinte braças àpramo e'uma cavida- 
de qae receba a^i a^ ia->, e as consomme , 
até sairem n'o'atro lugar distanie. 3.^ As A- 
guas Thermxs da virtudes bam conhecidas , e 
prodigiosas , que estam à o^h fado do Ar- 
raial de Saata Cruz , e tem d-íFerentes ori- 
gens na m3sna visinhuiici coai diversos gràos 
de calor. Elias restabel ecerim a saúde de 
muitos accomettidos da moléstia cutânea , e 
ás suas virtudes medicinas^ deveu o Gene- 
ral Tristão da Cunha da Meae^es restituir- 
se SiO estado de vigor , de qiie se via priva- 
do desde'' os diis primeiros do seu governo : 
semelhantemente tem sido o remédio ultimo 
para os que as procuram , conforme as en- 
fermidades., de que se vem opprimidos. D'ôs- 
tas agujs se forma a ílibeira das Caldas, que 
em pí>uca distancia 'i)erJe o calor. 

Foi a Estrada do Sul a primeira da Ca- 
pitania , e porisso muito povoada : mas as 
hostilidades do Gentio Cayapò , talvez occa- 
sionadas do chumbo , co n que os viajantes 
pretenderam empurra-los pira os matos , tra- 
t|indo-oã como inimigos , quando os encon- 
travam , a fizeram ,quasi deserta em parte. 



bo Rio de Janeiro. 



Para o Poente , até o Araraguaya , ou Ríd 
Cirande , onde balisa esta Capitania , contam- 
se 38 legoas , e n*eilas estam o Riô de Pi-^ 
Ivens, dirtante da CidaJ@ 18 legoas, e o Nh 
Claro , que se aparta delle 2 legoas. 

Creada p^ortanto a nova Gonmiarca de S. 
João das duas Barras na repartição do Norte, 
pelo Alvará sobredito de 18 de Março ih 180^, 
foi delia L" Ouvidor Joakiin Theotonia 
Segurado , que desde o anno 1808 occupava 
a mesma Magistratura em toda Capitania, e 
HO se«çuinte 1809 principiou a exertita-Ia pri- 
vativamente na parte dividida. Comprehend© 
cada uma das duas Comfnarcas 8 Julgados, 
em que s€ inclue o da Vilia Capital ^ hoj« 
Cidade. 

A íntendentia , e Provedoria da R. Fà- 
ze da na Proviucia de Goiás teve igual prin- 
cipio que a de Coiabà para o estabeleci- 
mento da Capitação ; e nonieado Sebastião 
Mendes de Carvalho para servi-la , por D. 
de 28 de Janeiro de 1736, se empossou dò 
Cargo no mesmo anno, com o Ordenado an- 
nual de quatro mil cruzados , e conservou D 
até 1744. Por 12 Ministros foi servido este 
lugar, até Florêncio Jozé de Moraes Cid, 
que em 1809 entrou a possui-lo: mas aboli- 
da a Intendência pelo Alvará de 18 de Mar- 
ço desse anno , substituiu nos seus ofiicios 
um Juiz de Fora do Civel Crime, e Orfaons, 
creado nesse tempo e a Fundição ficou á 
cargo de Fiscaes Inspectores. Manoel Ignacio 
de Mello c Souza foi o 1.® Juiz de Fora. 
^esde 1809, 

Tom. JX, 29 



* 




S26 



MíSItfORIAS lílSTÔRiqAS 



Pela L. àe 3 de Dezembro ^de 1750 se 
çreou 11 ^ Capital a Casa de Fundição , cor- 
tendo a era áe 1752, a qual se dizia do SmI, 
por disiincçao d* outra levantada lambem no 
Arraiai de S. Felis , que se denominou do 
K^orte > c ambas em tempo do General D. 
JM.arcos de Noronha, para a arrecadação do 
Qiiinto do Ouro, substituído -às. Capitações 
estinctas. A da Cidade se eonsidera melhor 
. eollocada em Meia-ponte , por ficar esse loc^l 
• como o ponto quasi central ^ para onde cof^ 
jrem os moradores de todos Arraiaes^ e d*on- 
'4e os negociantes, tendo satisfeito/ o Quinto 
do Ouro , e reduzido-o à barra , podem fa- 
'izer caminho para os portos de mar com de§- 
peza mais diminuta , e menor trabalho. A de 
i. Felis., sendo aliás bem situada em bene- 
ficio dos moradores dos Arraiaes dp districto 
jdo Norte, foi mudada , como disse já , pelo 
(GcDeral Tristão da Cunha para o Arraial de 
Cavalcante era 1796; mas em tempo do Go- 
.^erno de D. Francisco de Assis Mascarenhas, 
«nnp 1807', ficou extincta, tal ves^ por se re- 
putar inútil a sua subsistência , ou por ser- 
vir de peso às actuaes despezas da R. Fa- 
zenda, sobre cujo artigo informou também 
SLO Soberano o Juiz Sindicante , de quem á 
mmB. fallei , António Luiz de Souza Leal ^ 
lem 2 de Março 1805. (49) 



(49) Yede Cap. 2 , § . A* pezar , sobre a quantida* 
^é de tjurò , côm tjue estas Fundiçoens contribuem pa- 
ta a subsistência da Capitania de Mo^is-gresset 



í^ô Hí^ i>E Jk^ísíUà. 



2èf 



Para acautelar o extravio do oarõ, achanir 
êè estabelecidos nosta Capitania vários Regis- 
tros (60) assiín no destficto da parte do Sul^ 
como na do Norte, e senielhautetnerite diffe- 
rentes Contagens, 

A Junta da R. P. foi estabelecida por 
Ôrd. Reg. de 23 de Outubro de 1761, è re^ 
formada por outra igual Ordem de W de 
Agosto de 1771 , pelo que pertencia aos De- 
putados délla. Seus Officiaes cresceram em nu- 
mero, por Ordems de 24 de Novembro de 
1773, de 10 de Outubro de 1777, e de 16 
de Maio do mesmo anno. 

29 ii 



(50) Registros , sem Patrulhas , n^uma Capitíinià 
aberta, como a de Geiàs, que confina Cotn todas ás òtl- 
tfâs centraes, fazem despezas consideráveis d« muitos 
contos de reis, sem o menor proveito. S«tn necessariof 
©s Registros para se tomarem ahi as contas das Fazendas 
iHiportáda^ , passarerií-se as gdias áos importadoreè d'eú 
Us , para apresènta-Ia« nbs íú^attes j olidé vàm dispoí 
^ sea <^ornwlercio , e pagar fielmente os direitos, à que 
os obriga a Lei ; mas para vedar, e acautelar extravios 
do ouro, ou de pedras preciosas , stim inúteis, naô sê 
|í^tr«Íhahdò constantemente , e por bem ítaií^e ^ CèhI^ 
uih de seus districtoè. Tanto hé àéáirâj fq^è ftenhuítllíi 
Btenaoria apparece de se haver feito lama so tomaria eia 
» Registros: e depois de consummidos tantos contos de 
réis nas Guardas de Pi loens , e do íiio Claro , descotóii* 
«e efe ta d t^f!feá<í laVrado, e ^la taaítor ptárte inutH^ 
^^^P^5:^^ % Sul d'es^^ Cí^pitliníã acMm - Sè estabèlê(*idoá^ 
8 Registros -, e 7 c Contagens ; e na ,do Norte é Regis, 
troa, e IS Contagens. SoÍd a nota 3!u, supra áèoa <Ííto^ 
mie o cxtravi<) tem «Judaáo à arruinar a Òapitànla àé 
Goiás: e «^ ávi vida;. porqu« , tendo eíla maWr atua- 
'^^'W^y 4® ^W ^f ^*^ * *^^ 2JÍ quilates para baixo , ãé ' 
^uè o^ahV par* ejma^ a maror jparte íréssé oiètáf , 4ue* 
fiítra «8 Casa« "dé FuHOÍçaolit 4ç toiíué siipérief 



fli 






Memorias HíSTOincAS 



Vfíí!!' 



Em curapnnieiito do Âlv. de I8de Janneiro 
dê 1765, ha urna Junta de Justiça para de- 
ferir aos Recursos : o Alv. de 10 de Setembro 
de 18 II estabeleceu outra para resolver aquet- 
les Rcgecios , que antes se expediam pelo re- 
curso áMezá do Desembargo do Paço : e a 
Alv. com força de Lei de 25 de Maio de 1818 
maiidou crear outna Junta para n'elia se decidi- 
rem alguns negócios pertencentes á mesma Meza. 

Tem de rendimento esta Capitania para 
s Reai Coroa o producto das Entradas , que 
chega á mars de 14 Contos de reis ; o dos; 
Dízimos 5 que anda n' outra quantia semeíhau- 
te, ou muito a excede; o das Passagens^ qtie 
Bão avança a %\^^ reis: o dos Ofíicioa Judr- 
«Jaes/qiíe tdcar|^a S-^OOc^JÍ reis; o das Car- 
BCâ verdes , que por Ord. Reg, està-applica- 
do para os Presidios do Norte, 1:800í^ reis^ 
ò da Decima, Selos, e Sisas, applicado pa- 
ra as despezas da Capitania de Mato-gros- 
«0, 3:11 00<^ reis; e por ultimo, o Subsidio de 
Ires arrobas de ouro; que do Re^l Quinte^ 
sie 'poncederani i;)ara as despezas desta Capi- 
tania ^ por cuja Graça equilibrava a reçeiCa 
com a despeza : mas acerescendo posteriormen- 
te com o Plano "de Reforma novos artigo», <]tie 
exigem gastos , be insaldavel a conta da F. 
R. , muito mais, nas cirçuA^taiiçias presentes. 

•Í€ 22 quilates , e muito {ioncõ o d'é^t6'qtíe irtféri©r , ctt- 
já desprèporçaõ maríifesta o sea evídetitê dcstaminho. 
Ouro inferior dà pefda ha Fundição ,'é'séís mil cruza- 
aos do iBesin© em pó, rende do lucro fíOÒçg; reis em 
, cjlialquer Praça marítima , a que o lévem és extraviado* 
xle» , cuja deliberação nenhum terror fazem as penas im« 
í)|jtás lio ilv, ᧠J 1 4e F Wreirô ^«s Vi\!^, 



DO Rio DE jAKEinO. 



9^2 



A Camará, instituída pelo General D. 
Luiz de MaKaren!)as com a posse de seus 
Oíiiciaes à '^5 de Julho de .1739, principiou 
á ter exercício no l."" de Agosto do uíesmo 
anuo pelo acío primeiro de VereaiK^^a. Suas 
rendas cliegam á 1:000 oitavas de ouro, pro- 
venientes de aferiçoens , cabe^^as , talhos , 
açougue, curral, e coimas; e tem uma Ses- 
maria de duas íegoas c meia de terra, em 
i;oda da Cidade, para seu pascigo. Ei^ía Ca- 
sa de Vereançns; , e a da Cadeia, se fizerani 
por Ordem de t:3 de Oulubro de I7C1 ,' à 
custo de SO:/^ cruzados do rendimeiUo da 
mísma Camará , > governando João Manoel 
de Mello. 

Acbam-se construídos na Capital 699 Fó- 
^os , ou pouco mais de ISO, entre os quaes 
sam singulares o Quartel General , erigido 
pelo Governador, e Capitão General D. Mar- 
cos de Noronha , e reduzido à melhor for- 
ma pejo Governador Fernando Delgado , por 
quem foi tan^bem melhorada a Secretaria do 
Governo , e levantado o Corpo da Guarda 
com a despeza de mais de \6^!fp cruzados pró- 
prios, como dizem: a Casa de Fundição , 
junto à qual fica o referido Qu'<^rlel ^ entre 
^s. Igrejas Matiiz á esquerda , e da Boa- 
mòrte à dir^i^ta ; as Casas da Caniara , e da 
Cadela.; a da Contadoria , ou Junta da F. 
íl.; poisque,es£es edifícios se _distingu€m d'en- 
tre os da Cidade, que nerô se construirana 
com grandeza, nem com elegância. Há no 
mesmo lugar um Chafariz fundado com mag- 
jiiÊcencia çm dias cIq General Jogé de Alr^ 



MuMQRiÀs HistomeíÀ* 



U i 



líieida , uma Casa de Açougue , levantada 
por direcçSo de Luiz da Cunha , successoí* 
d^aquelle, e um Quartel para as Companhias 
de Dragoens, e de Pedeàtíes, constando ac- 
tualmente a 1> de 70 Praças . de Soldo de 
seis vinténs de ouro, e a 2. de 80 Praças, 
de três vinteins de ouro. No distrieto da Ci- 
dado acham-se 4 Companhia de Cavallaria 
lililiciana, creadaà pelo General João Manoel 
dé Mello; 4 de Infantaria; 2 dé Ordenan- 
ça , e I de Henriques com exercicio de Ar- 
tilharia. A popula|;âo do Distrieto da mesma 
Cjdade , conforme o calt-ulo feito no anuo 
1804, montava á 9:470 almas adultas: e a 
da Capitania, ^ mais de 33:332 , de que 
consta o Mapa dó Ouvidor* ao Dezeriíbargo 
do Paço em 1809. 

Por toda Capitania se divisam Serras al- 
tíssimas; é sam mais consideráveis a do Es-- 
irondo , na estrada de Atnaro Leite para o 
Bananal; a Dourada, que cortando o témtô- 
fio tcííjo de Goiás, vai aio d é Mato-grosso : 
údús Períneos , ^ue he a ínesmà Dourada , 
éríi distancia de quatro legoas de Meia-pontè , 
cnd0 sé julga o lugar mais alto da Capita- 
nia , nascendo d'ellé para todos os fádõs Rios 
caudalosos , cjué correm á diíFerentes runíos : 
á dás Caldas, mui admirável^ por' èe levan- 
ta:? da terra èm três legoás dístUrttéi d'ô ííid 
Còi-iímbà, è forníar à p^í-ápêtti^a dfe^^dih édíi 
fido de quatí-o ífacles , para iTá qtiatro rtimbk^ 
eafdeáes , cada Umàí das qu^aeâ dista entre 
si' qàatrp légoàs , e Kè cètcádá ^ot todòs ô1 
fââ)s W T^tag^áâr é&câleirt&r ^'"é ater liítóii 



Mh 



no Rio De Jaisei^. 



roens auríferos, que d'e]la rancem. Na sua 
siimmidHde plana se acham logos , e se criam 
cervos, além de outras caças. A dos LhtiS' 
taes f 15 lego2;S á Lesfe de Santa Luzia, en- 
tre S. Maicos , e S. Baríholorreu : a a'e Jo^ 
zé Machado , que se eiUtude dcs Seitoens 
de Amaro Leite, até esse iugar, e lie altís- 
sima : a do Foiíha , entre Crixá , e Amaro 
Leite , também mui elevada : a dt Miguel 
Jgnacio , junto ao Rio Verde , entre JVIcia- 
ponte , e Pilar , iguhlmiente alta , e estensa : 
as do Duro f Tagnatitíga , e de S. Dtmifigos ^ 
que fazem unia só cordilheira , e dam àper:^s 
passagem por algumas becainas , onde se es- 
tabeleceram os Registros. 

A* proporção das Serras, sam os Mon- 
tes de notável , e pasmosa eminência. Entre 
elles se destinguem o dos Picos / que acaba 
em três pontas mui alias , e se avistam de 
distancia longa : o Morro do Pico , no des- 
tricto da Barra da Palma : o Morro do Mo-^ 
leque y na estrada de S. Domingos, junto á 
Cordilheira no destricto de Arraias : o Mor* 
TO do Chapéo , no mesmo districto , e outro , 
«ainda não baptizado , muito ao Sul da Carii*» 
panha do.Neiía, de cuja altura média pare- 
*x?e á vista que todas as montanhas da 3ua 
circHunferencia se abatem , e se aplainam. 

Das Serras, e Mentes sobreditos çe 

originam differentes Lagos, fazeiido*se mais 

aiiemoraveis pelas suas circunstancias a jMgoa 

^^P Padre Arqnda na ntargem do Rio Grande, 

junta à fstrada de Cuiabá que entra pela 



Memorias Históricas 



lo interior da terra , cujo fim se desconheceé 
Nella habitam vários monstros aquáticos , co- 
mo o Sucurí, Jacaré , e Minhocão, de gran- 
deza assas extraordinária, que com facilidade 
trag:atn um boi , ou cavallo. A esta Lagoa 
chamam também Hartigas. h rLagoa féa si- 
tuada ern lugar medoáiho , com a estensão 
de mais de l legoa , e profundidade atégora 
insondável. Suas aguas pretas, em ro-zao do 
fundo, e cobeftas de certo musgo, sam povo- 
adas por outros monstros semelhantes aof da 
Lagoa antece(íeute > e ii* cilas se nutrem 
-variados peixes, priucipalmente- a Trahira. 
He esta concavidade o manancial do Rio Pre^ 
to. O I^igo de Jgoa- quente , ea\ sitio horren- 
do , e distante do Arraial deste nome unrçi 
legoa e quarto , cujas cavernas não se d@ií- 
xam examinar, conhecendo-se alias, que o 
seu fundo he irregular, por ter baixios , e 
profundidade. Das aguas ahi juntas , q«e 
nunca se diminuem, e sam quentes, salobras, 
e de cheiro quasi sulfúreo^ se forma o grati- 
áe Ribeirão ào mesmo nome A^ua-qunnte. 
A Lagoa í/íís CoZ/b.9, em que vivem monstros, 
meia legoa arredada da Paranatinga. O Lago 
(Io Poção grande, profundíssimo , e- abundante 
de pescado , na HibeirsP do Paranàa. O La^ 
go , i]{ie denominam ipoe/ra , e tem as mes- 
mas circunst-mcias do antecedente Poção, en- 
tre a Fazenda da Caissàra, e Jaburu. O 
Lago famoso de 100 leg. de comprimento , e 
SO de largura, como se calcula, «a Ilha do 
Bananal Vit\xa.éd no- AraragUaja , para o qual 
# entra por una pequeno satig^rador épmrmi- 




^o Rta BB JàssíiVLCh. 



23â 



nrcavel corrs o Rio d^o mesmo nome BananaL 
]Sdle stó perde toda visfra de terra , e qqwl 
o vento se levantauí tempestades. 

Das mesma-s ©uigeiís do» Lag©s mencio- 
nados saem os feeund«is.simos Rios, que ret&* 
thãvn as terras â& C0*>Hi*fiite de €roiàs , e ar 
fertilisara. Na- disl^nc^isa de 9 ^goas da Gida^ 
de pela estrada do Notte, tópa^&e eotn o dos 
Bugres, onde h» uma poiMe de pasí«;aíçem > 
e o Terreiro, per onde se divide a Fregue- 
2ia de Santíi. Ánna d?a. Cidade com a do SenboT 
Bom Jeaiis de Anta , què^ também se atra- 
vessa por ponte. PassadO' e^se arraial , e o de 
Sa!ita Rita , acha-se o> Mio do Peiíe , nave- 
gável rm ten^po d^^agíui ^ « Cpixá-y. o Soòcrho 
ende hí4 ponte de j>^s%agen>, e o €olh(iinarcs\ 
Alem de Arraial de Guanncs está o Hií» 
Moguem; de|»>oís do Arraia'1 da^s LavWntes^ 
o Tuguarvissu y em que htv ponte para se 
passar, o Rio Grande dm */l//w</5,-e o Mara' 
nJíão ^. ambos ua.v?egH'*eiíi;- (õ*i) o- 7mA7>íí , que 
corre for dentro do Arraial do aiesauí nome-, 
para cwja pas&agem l-ia uma ponts. Depois da 



{M\. T>f»8 Montes^ Periíieos , basíantemcnie eleva» 
áos , e vikitihos ap Arraial de Meia-poiite , dizem (\m& 
aasce o Rio. Ggaiidg fias Aln;v.s » o f|««i gosreiulo no. 
seu principio à rumo de Leste ^ ao Ocítti , ííoma depois; 
sft dincvaõ de Nort« , à Sul, c passando p»r catre o* 
Arranjes fio Pilíu- , e d^ Agna-qíientív, ej«e Êiam ao Nor* 
4e , recebe com o Ri® Uruhu outros Binitos , d.of? qune^ 
í»e faria para eu^rosvsar o seu corpo. A* baixo yIos Ar* 
raiaes mencionados entoiítra-se um o liio Miiruiibuõ^j^ 
jsAiio ao ArTiaial doesse ii€K».e , fccbíe cuja ori^tui máe.j 
a nota (21). 

Tom. IX. aa 



8S* 



MeSIOETAS HíSTÔ<!!Allil 



Arraial de Tocontins apparece t> Rio Baça* 
Iháp , que a não ser assas espraiado, dífficul- 
taíia a passagem : ^o Bafagem, e o Tncan- 
tins y (52) ambos navegáveis de canoa; e 
neste ultimo se divide a Prelazia com o Bis^ 
pado do Para : o Gameleira Grande, o Preto, 
onde se conserva uma ponte boa, o Bibei' 
rão das Caldas de  gna- quente , o d& S: Felh, 
fluc atravessa por dentro o Arraial do men- 
ino nome , onde ha ponte ; © sobredito Traí- 
ra , o Custodio, difficii em todo tempo de se 
áíf avessar ; o Paranalinga [bS) xm\Qgdi\t\ e 
assas larg^o; o Manoei Alvares e o Srdobro. 
Passado o Arraial da Natividade torna-se 4 
,ver o Bagagem e apparecem o das Lages, 
das Formigas, e o das Arcas; e deaovo , o 
de Tocantins , que na sua maior vasante tem a 
larg-ura de 374 braças. Saindo da Cidade em 
direitura ao Arraiar do Pilar, alem de se pas- 
sar os dòiis Rios primeiros , atrevessa-se o 
do Carretão, e o da I^onte-alta , ambos provi- 
dos de pontes. 



(52) Das vertentes da Serra de ítiquira para o Poen- 
te nascem os Rios de S. FelU , da BaççagcMi , de Luiz, 
on Manoel Alvares , e o Preto , o» quaes utravessaiid» 
com os outros açí;jrre»ado« a distancia de 40 Icgoas en- 
tre CS Arraiaes da S. Feli« , e da Natividade, se encor- 
poram com a das Almas à co.«fi[nir no famoso Maranliaô. 
Vede a nota (19) e a sej^uinte (53). 
• (53) Ao passar por junto ao Arraial do Pontal per- 
âeç o Mat:anhao o set* nome, e toma o de Paranatiaga , 
tendo alii a larirura de qiiasi uma leg;^oa ; e © meslno 
aceontece^ à este no encontro do Ararujrnaya mais ao 
Norte, d'onde adquire o nome dt; Tocajlirins , pelo qual 
«e Câuhece até a Cidade de Belém d^r GraO Pará. Ve- 
à^ UB notas (I9) {'20) (2i), 



(.?í: 



«^xr. 



'do Río d€ Janeiro. 



23S 



Caminhando pela estada do Nassente > he o 
Bio Uruhn o primeiro mais notável, e cau^ 
daloso , (jiie se atravessa por uma ponte : e 
adiante delle o das Almas , jâ referido, onde 
tauibí;m há ponte, o qual, com o Carrega 
de laraguâ , desagua no de Maranhão. Se- 
guem-se o de Corumbá , o das Área , o dos 
Montes C/aros, o da Ponte Alta, que admit- 
tem passagem por pontes , e o de S. Bar" 
ilioltmeii , navegável de canoas. 

Na estrada do Sul sam mais notáveis o 
Jlio Capivar^ , custoso de passar , ainda em 
tempo seco ; das Antas , e o do Peixe , ambos 
transitáveis por pontes ; o sobredito Corumbá^ 
o Braço do Vtrisstmo , o V irisem o , e o P«- 
ranahtjba, todos transitáveis de canoas; o Ri- 
beirão das FarnaSy o Rio das. Velhas, taníbem 
transitavel de canoas, o Uberaba-falsa , e Uhe- 
raba-verde , ambos caudalosos. (54) 

Sendo mui difficil o meio de trazer as 
Nações barbaras ao trato , e commcrcio po-' 
lítico , a reduceão delias ao grémio da Reli- 
gião Chrisíâa he consequentemente trabalhosís- 
sima. A desumanidade dos antigos sertanistas^. 
a fereza, e a enormidade dos seus costumes^ 
tem sido, e sempre será o maior obstáculo a^ 
Conversão d* aquelíes indígenas ini/eraveis ; 
4|ue humildes por educação , e desconfiadas 
por fraqueza , jamai^j dei.^am de temer a vi- 
zinhança , e a sociedade dos Portugueses / 

30 H 



(54) O pritmiro faz barra no Kio das ^'^clhíi ; p á 
srguiido iiQ Kio Grande j n^^cefiU© aii.j|t09 de Faria ha» 
podr<í« 



'^■■-^«l.'.. 



838 



ItíAS KíST6RI<íA 



representados na sua imaginação cémo usur- 
padores avarentos das suas terras , e das pró- 
prias liberdades , de que a Natureza os do- 
tou. As tradicçoens de seus maiores repetidas 
todos os dia« pelos «;us instí-uctores , como 
regras mui importantes à suâ conservação, 
andam gravada* nos ânimos d'aí|udíes Sel- 
vagens , e se perpetuam em seus sentimen- 
tos. Os pais ensinam aos fiilios ^ que as ter- 
ras , d'antes possuidas por elle« sem contra* 
dicção, se acham injustainente occupadas por 
Nação extranlia : que milhares de seus coai- 
patriotas foram arrancados do contro da li- 
berdade para o mais pesado, e duro cativei- 
ro : que a velhice cançada , o sexo frágil, e 
a idade tenra, não mereceram jamais piedade 
ao ferro poríuguez^ que a Religião incuica- 
da , he imperceptível : que a Fé dos Predi- 
cantes não merece obsequio , por serem as 
sAias acções desproporcionadas á sua crença : 
e emfim , que o deixar o Paia nativo , va- 
le tanto 5 corao perder a vida , e tudo. De 
documentos táo enérgicos , e de persuasoem 
assas claras, que se pode esperar? 

A vastíssima estensão de terreno habitado 
por irnmenso povo , que infelizmente desço* 
nhece ^ Lei Evangélica , mais ^ pela falta de 
Cathequisadores , e de Chrinsiaons edifican* 
tes , do que porioerácia r^f «guante ás instruc- 
çoens Catholicas , oBTerece largo campo aos 
incumbidos de propagar a Lei de Jesas Chris- 
to^ para semearem a Palavra Divina em uti- 
lidade da Igrej!!, e do Estado, a quem |^r- 
ÍGmt prestar os aiixilios iiecessârios ao tm 



DO Rio DE 3a}ívMA\ 



êtL Missão. Peluí Diroctorio , e por diversas 
Leis relativas ao« ludios , he certo , que ^ 
ipro metteram progressos notáveis á sua cdejca- 
^ão Christãa , e Civil: mas tiulo tem abor- 
tado pela falta de Direotores dísintercfsados 
effica/.es, e de p í estimo , com génio, e ea- 
iusiasmo conhecido para otcupar Htíkiirnte ® 
cargo de Regente daa Aldea«, depois que 
tí'ellas se ausentaram m Mih^onartos J^í>ui- 

tas. (*) 

Não ha ,p#nto algum ^k) Ori^^oiitie da Ca- 
pitania de Goiás por on^c deixífu de ^ppare- 



cer as hostilidades i^o Oentio. Presos porlãu 
lo os sefâs habitantes pdas Na<çoeiis barba^ 
ms , que m circulam , aí^^^^«^>-^'^ ifn[>edidos de 
estender a povoa<j'iio , de propagar a cultura 
^as terras com estabtlecimeiáos novos, e d^ 
descobrir -o our-o ancer4'ado em seus Sertao-ris. 
Para remover esse« oèíJíaculos , e f> referva r « 
contineRte do cerco infimigo , he preciso ap- 
plitar os imeios mais couduce«tes , de qo« 
já se tem fci-tô uso , ^u i^m havido alf^um^as 
'kmbranças, porque a« dificuldades naturaes 
do Paiz , e as necessidades desta parte do 
Estado , não se profundam por espécies abs- 
tractas. OComme^rciOç e o trato Civil, qiáem 
nej»;arà que sejam meios sólidos ? Entrete los 
Pairem com rudes Naçoen^ , e qtie ^ivem te« 
me rosas da má fé, tsio difficii he , coaio lie- 
cessario. 



(•) V.de Cup. 



5, nota (-6] e K^ Nyi? . bê |«»aíí3» 




sss 



Memorias Histoçigas 



'4- 



Principiando do Poente ao Sul , se es^ 
tende por esse espaço a bravíssima , e irmi 
líumerosa Nação Gaiapó , que entre as dê 
líiais povoadoras dos Sertaons se conhece sef- 
excessivamente barbara , porquanto nem a 
guerra a podem abrandar. Alguns destes Gen- 
tios apanhados em idade tenra, c trazidos á 
kígares povoados, onde viveram muitos an- 
3^os , assim mesmo deram mostras da sua bra^ 
veza, € por ultimo regrediram ao mato. Vi- 
smhos dos Arraiaes de Anta , e de Santa 
Cruz , .hostilizam annuahBente ambas as po-: 
^oaçoens , deixando os Lavradores , e os Mi- 
veiros; sentidos das selas, e do fogo, eora 
*|ue os flagelam. Os meninos, merecedores 
#io compaixão pe!á sua innocencia » sam objec--^ 
to de irrizão , e da crueldade desta Naç5o ^ 
q?Je ( como aíTirmam alguns Sertanií^ías ) de-^ 
pois de mattar a quantos^ aprehendem , sem 
diferença de sexo, nem de idade, íà7. so- 
bre 0!í cadáveres dos desgraçados as maiores 
rnielda->ies^ até se cevar da carne humana. El- 
la sea'ongM aas eaoadas , e correnas aos Ser- 
toens da Cuiitiba , distantes 300 legoas : seus' 
individuo»? sam valenfes^ e guerrei^ros : usam 
alêrn do arco, e da frecha, em qne sam des- 
l4-ls8Ímos, de eerCoa pé^os tostados, e rijos 3,' 
wm que pelejam do perto. Tem alguns rifo^ 
^^udaieos r admittem a polygamia , e'o divof- 
eio : cantam os mezes pôr Luas: fazem fes- 
tas, e ajimtãmeatos nocturnos, er^' que con* 
fundidos procuram a propagação : fazem as^ 
exéquias dQs sem mortos com danças, e se 
<ie i>reta, quando se lhes offerecem 



^•ngem 




A .i:^.%fi«i^. 



DO Rio DE JANElRdé 



motivos de sentimento : nas festas se pintara 
eom tinta de Jenipapo, e tanibcm dos jógos , 
entre que he mais celebre o do Touro , em 
cujo divertimento disputam as forças, corren- 
do , e nesse andar ligeiro , tomando uns de 
•hombro de outros um grande tronco destina- 
do para e«se fim. Do Sul transita a mesma 
Nação ao Nascente, e nas yisiahanças âo Ar- 
raial de Santa Luzia comette com frctjuen- 
eia icrnaes barbaridades. Parte de seus indi- 
viduos habita hoje as Aldeãs Maria, e de S. 
Jozé, 

Do Nascente ao Norte correm os C/í^- 
'Cridb*.'s , e Acrvh, A i.'' destas Naçoens , 
que pixa as terras do Sertro do Parauàa, es* 
leve extincta pelas incursoens da 2.*, sua 
rival; maâ reviveu, para hostilizar os -mora- 
dores do mesmo Sertão, e convidafla por de- 
licencias atractivas do General Jozé de Al- 
meida, foi povoar a Aldeã do Rio das Vc 
ihas :. a 2.* se metten de paz no Presidio 
do Duro, ern tempo do mesmo General, e 
foi Aldeada n'um sitio detrà.^ da Serra Dou- 
rada, onde vivia socegada. 

Do Norte ao Poente discorre a feroz ^ e 
numerosa NaeSo Chavante , que infesta , e 
inquieta os moradores do Arrial do Pilar : 
e não obstante residirem algi::is indivíduos 
delia na Aldeã do Carretão , anda a maior 
parte dispersa pelos bosques entre o Rio 
Araraguaja, e o Tocantins. Usan:i de arco, e 
fiecha ; e além de cruéis , sam roíibadores. 
No an no 1760 se d es cu b ri u u \\\ a lo j a m eiilo 
desta Na<ção em distancia d€ 100 l.egoas á& 




iiMoaiAs Históricas 



s 



Armh] àe F^hr , onde foram acttarfos 5cg} ho- 
met^s eâtabtílecfedôs com kvras , e Casas^ de 
palha ; mas abandofiador o ak>jameiit@« ^ se ro 
tiraram toílos ao ceii-tro. do Sertão . No iiie^ 
fMo nmio éc Norte ao Foent© fieam sídía- 
tk>8, jimfeo ao Araguaja , os Carafh, os^ Fí-* 
m^éíf y e os^ Tapu (ifés : @ edites %i.kMuos , além 
áe pítcfíiiíos , píantaiíi^ fiata;^ e tecem. 

A Nação &.ot\h-, que era étmiiciliariíl! 
dí) Ittgar dii aiuj^a Villa , f das Yiii«haiiças 
4a Scrfa fcíourada , está extkicfca. Da CrLvd 
leroz , que habitava o lugar, onde se fundoa 
e Arrí>i'al d\\-se nome», íiã» há noticia, oa 
porque se exting-ui^sG' , ou pcwqae tomasse 
oiiliHi direcção: e o ^esm© acontece á res,* 
peito ck*s Araeè , c^e povoavam á Lmixo do 
V^ur das Mortes:. A ef iieli^sin)Cfe, ,. e bellicosa 
Naçí^íí d^is^ ^'(uwei^foê , que nã#> :^ab€ fogis» 
«os^ combates, mves(iiid0 fuínosamente a4:é mor* 
giia em eanoas pelos rios .TPocaníiiis » 
aranna , Maiioel Alvares ,;e Barra da = PaU 
Mia, onde be^ ffeik) miik^^ e^ts^s^^os. : Usa de 
kn^as ^cíiíadas aa^ ext^remidades , e eorapri- 
ílas mais de vinte palmos : S^a alimento maÍ3 
sa.bôrt>so he a carne cavallaí»^ 0*^ Apíiwgés^ ,. 
situados em cinco Aldeai» ju-n^o 4 GacloeiPâi 
de S. Ant#nié n^^ Araraguaya , giram po^ 
t^erra . e mr^t^gam em .Ubáíi, Sa^i de talhei 
grande ,,^ © coííservam o fabeHo^ comprido* 
Es^íiveram d« |)az , em quanto n^o setitiião^ 
íflesíriíjdas as su^as roças por algtms. iqdiví- 
áMíís {\;í jrnarniçHo do Prcí^d^Q. do Pará, q«^ 
«nt^o íl;rnm' mortos; de eisjo faclo resultou o 
^^f^i) í}â« Aideas^ por guainigâo militar. QiXíík 






■«"OMJMril 



S>0 RíO DE JA^TÈItlO 



artilharia, e o total estrago d'ellas. Os Cape- 
piuvh indolentes, e preguiçosos, q«e inimigo* 
de plantar, se sustentam de roubos, tem duas 
Aldeãs no lugar do Estri^ito junto ao Arara- 
g^uHya , e sam pouco ferozes. Os Coroas , é 
Coroámirim , que visjuhos d'aque}le8 , e tam- 
bém pouco ferozes , vivem da caça, dá pesca ^ 
e dos roubos , andam por terra , e em biilsas 
atravessam os rios. Os Temimhôs sam paciíi- 
cos, e existem no lugar d@ Pastos bons , de- 
fronte de um morro agudo , com cinco Al* 
dea?. Os Cher entes , e Cher entes de qnà ^ va- 
lentes , e trabalhadores , existem à ciina da 
Cachoeira do Lageado no Tocantins , e se es- 
tende até os Sertoens do Daro, entre o Rio 
Preto , eo Maranhão , onde tem sete Áidea«„ 
Os Gràdaús y Tesscmedús , Amadas, e íinal- 
mente os Giiai/a-gussús , existem nas visinhaíi»^ 
ças do Araraguaya perto dâ Ilha do Bananal/ 
e alguns Bororós dispersos do Cuyabà, (5á) 
A falta de bons Directores, que possui-^ 
dos das maneiras mais prudentes, e judicio- 
sas , hajam de fazer progressar a§ Aldeãs es- 
tabeelcidas , tem motivado a. decadência ds 
todas. As do Lonhoso do Duro , e da Formi^ 
ga , não existem jà : as de S. jozé de Moê- 
samedes , e de Santa Maria, ou Maiia I.^ , estatii, 
cjuasi agonizantes : as de Santa Jnna do Rio das 
Velhas , ^do Pissarão , d^ Rio das Pedras , <5 
de Pedro S.^ do Carretão, por se resentirera 
da in habilidade dos que as regem ^ nio flo- 



(55) Vede Cap. 2. , nota (24). 

TQmlX, . dl 




2m 



Memorias Históricas 



recém: e à excepção da Nova Beira , pot 
âer a mais moderna , todas as outras se achara 
êm estado de desaparecerem, 

Occorrendo no districto de Goiás moti- 
tos iguaes aos què fi/eram exigir urivi Prc- 
}a7ÁA no de Cuiabá, tan^bem nelle se creou 
«atra pela mesma Bulia zzz: Candor lti€is = da- 
tada a 6 de Dezembro de 1746 (56) e em 
quaiftto íião se nomeou Prelado , que tomasse 
â seu cargo a Administração espiritual da 
Província^ conservaram a sua regência os RR. 
Bispos do Rio 'de Joneiro , desde D. Fr. An- 
tónio de Guadalupe (era cujo tempo se des- 
cobriu esta parte do seu dilatado território), 
até D. Jozé Joakiru Justinianno Mascarenhas 
Casteli o -Branco. 

D Fr. Vicente do Espirito Santo, da 
Ordem Augustiniana , e Sagrado Bispo das 
Ilhas de S. Thomé e Principe, a quem- o 
aetual estado de saúde inconstante por mo- 
léstias habituaes impediam a residência na Dio- 
cese destinada, foi o 1.° Eleito no anno 1782 
fiara occupar o Cargo Prelatico de Goiás. 
Por essa circunstancia , em Nome da Rai- 
nha B. Maria 1." (de saudade eterna) íbi 



(56) PelaiBulla citada se creàram as Prelazias d-e 
Goiás, e He Cuiabá , = totaliter exemptas { M^relli Fas- 
ti N«vi Orbis Ordin. 590 , *An. 1746, Q Dec. ) singula» 
pro singulis presbiteris saet-ularibiis aut regularibu» ir» 
Theologia seo Decretis gradyatis , vel ab Ordinário suo 
vel loci , iii quo eos existere contigerit , ad doceiídumí 
alioa approbatis, et per Portiigalliae Regéia a^ teruj^ua 
8Íbi bene .visum deputandis , qui absque alia Komani 
Ptntificis, vel Archiepiscopi S», Salvatoris confirmatioa» 



Dô Rro BE Javetr®. 



243 



Ordenado ao Embaixador na Corte de Roma 
I). Diogo de Noronha (posteriormente Con- 
de de Villa Verde ^ e que falleceu sendo Se- 
cretario d' Estado dos Negoeios do Reino) 
por olíicio do Secretario d' Estado Visconde 
de Villa Nova da Cerveira, datado a 15 de 
Agoálo do mesmo anno, que instasse pela 
accéitação da Renuncia do Bispado sobredi- 
to, e naa Bulias délla se declarasse livre ao 
Bispo Renunciante o exercício da Ordem 
Episcopal no território de Goiás , d'onde es- 
tava nomeado Prelado. Continuando porem o 
impedimento de moléstias , que no anno de 
1788 levaram o Bispo à sepultura, não se 
realisou o exercício Prelaticio pelo mesmo n' el- 
le provido. 

D. Jozé Nicoláo de Azevedo Coutinho 

31 ii 



í >. 



adrainiátrationem Gojasienses et Ciijabaensis territoriuru 
• babere , et inibi praedicare et praedicari facere , gentiles 
coiivertere procuTare , conversisque baiptisini gratiawi , et 
sacramentum Coníirmationis (a) impendcre', et tam tp- , 
sis, qaam omiiibus in dictis territeni* degentibus , et a4 
ea declinantibus , sacramenta , et alia munera spiritua- 
lia , noa tainen qwae sunt ordiíiis , ministr^re et tninis- 
tcari facere , beneficia ad Episcopi Januariensis coliatio- 

^i^M^nv-^a^^M^MB ^i^^MBBMNHW . i ri i i ni.. I —III ■■ m i ■- i^ i i ■ ■ n .mi^^^^^^mKm^ ■' » ' ) .m " i ' t i— 

(a) Coufirmationis Sacramentum. Feruat Episcopuni 
illarum partiura qu^endam aíiversa valetudine impedituia > 
postulape a Clemente 12.® facultateiii ut aliquis de Ca- 
pitularibii8 pro se Sacramentum Confirmationis adifiinis- 
traret , et faisse tantum ea le;<e conceasam , si Vapitu- 
iaris ^onsecraretur episcopus titnlaris. Talvez porque na5 
a« concedesse o indulto supplicado , senaõ »õb a clausu- 
la referida., se diligenciasse com eficácia maior a creaçao 
das duas Prelazias, Vede as meinor, dó» Bispos D. Fran* 



g44 



Memorias Histokic^s 



Gentil, da Ordem de S. Eento de Aviz , 
que por Eleição 'de 23 de Janeiro de 178^ 
havia sido destinado para a Prelazia de Gtiia- 
bà , e por Letras Apostolit-as de li de Se- 
trembro do anno seguinte se Sao;rara Bispo 
Titntar de Zocíra j por nova Eleição de 7 de 
Março d' esse anno foi nonifeado para succes- 
sor d' esta Prela/ia : ' imas empregado dí^póis 
Bo Deado dâ Real Capella da Villa Vif;osa 
por Decreto de \G de Maio de Í795 , ficou 
Goiás sem Prelado , até tpie. 

O Padre Vicente Alexandre de Tovar, 



nem ante pertinentia conferre ; cálices , cíimpanas , et 
alia ofjarnenta cerisecrare ; ecclesiis próíaiuitas aqua peç. 
ipsos benedicta reconciliare ; ecclesivs , loca , et persoiias' 
ifisitare , inquirere , et reformare , et piiníre sf»cris cano- 
liibas inhaerendo ; hetjefidales , rnatriínoniitles , aliasque 
causas ecciesiusticas terminare , vel terminandas delej^a- 
re; ac denique plenam et ordinariam jurisdictionei» ha- 
bere. =: |. — Ac p^p eorum decente habitu subtanam 
rim^ iiiantelletu nigri coloris deferre possint , cam on-,^ 
Tiibus privilegiis quibvjs Vicarius sive Admiuisiracler pra. 



ci»€o de S. Jerónimo, e D. Fr. Auionio de Guadalu- 
pe, no Liv. 4 Cap. 2 e 3 ; e a de D. Fr, António 
d© Desterro ho Liv. 5 Cap. I. Símile quid wli-ra de- 
cretam esse fertnr, ne in&ulanis de Chiloe deesset hu- 
jus Sacraraenti minister ; eo quod Epi^copus GoHceptio- 
nis Larò vel numquam ad oras Chiloenses applicet. Haec 
autem ide© factu aut decreta «nt , non quod Summu^ 
Pontifex nequeat simplici presbítero talem dei egare f- 
cialtatera , ut quidam Praelatus ex concehsioae recent 
miisionariis . facta grátis scandalum passus causabatur; 
sed ne mos vulgaretur in locis ubi nori erat indutus* , 
iDíam de coocedeadi potestate temerarium &it vel dubita» 
lee post tot exempla, praesentis Cftnstitationis , et sdift-»i 
mm jaaiUe, Id. Morelli Wç. cit, Adattal. 



BO JRio rE Jamiko, 



245 



natíiínl da Balíla , Formado em CaroníS , « 
Presbítero Secular , que sendo Ccní go Rei- 
tor da Sé de Faro passara á Goi:\s , e por 
pitnimenU) do Diocesano do Rio de Janeiro, 
occupàra de Encomenda a FatorJiial igreja do 



vincibe seu districtôs in Mozainlitjue ordiíiariam juiisdic* 
tiorietn ibi hubens, utitur : 5)s*!gnat:i per IVgciík «miua 
sniiuna bi-í-centum-vii^iiiti-rcto ríut iiioruiii auri de camtí- 
r.íí , et juliorniií iltctii) íMonetao lOuiHiiae ex anaiio cui- 
íibet Piaelatoi wm prr. siií^lentiitiííne. íi:: íi* ;r: S tat mt qviod 
Çierus et ptpuhis f^ub Pniehituns < i mpjtíj» tísí , in iiè 
tjuae snp.t oídiuis ad A idiitpif to| t.ai S. hnhítviis, hu- 
hitis tairien a buo respcfíive FiiifilrJo dimi^í f;rv!f; rtcunt- 
fie tentaiifur : quodqne l^raílati {-.itiOiie j tibdi ariírn sua- 
rum duutaxat vis tatioiíi , tt suj eri»jritari , liC jurudidic- 
ni*praerucli Archiepistopi bub^tit , et y Çtr-utenlius deíi- 
nitivis tantuni , seu vioj detinili\ atum I ubeiililus , et 
quarimi gravamen per appeilationem à deíinitiva i< parari 
neqneant per ipsos Prwclatos, aut e<iuni cíBciíilei*, ap- 
peliafiones ad eundem Archiepiscí piim ÍBterpoiii , et 
terininari possiat. — 5^. ~ Vidt tandem qnod taxa Ec 
clesiae Januariensis in fíoreois teiitum sejsdccin» cuni 
dnobns tertiis consistens firma remarjfat ; et qu( d taxa 
Kcclesiae Paulitanae et Maria^ne^í^i^ in eudem summa, 
nnaquaeque in libris Caaierae Apo^íolicíe des^cribatur. 
í= Ex Buliar, Luxemb. tom. 1? Conbtit. 22 iiuipit. 
Candor, 



Benedictus l4 (Tom. 16 Buliar. Luxenib. C. \29) 
ait : Minime nos latet , «dministrand? sacramenti Confir- 
mationis potestatem «x indulto apos^tclieo ad sacçidcteia' 
vel missionarium quandoque deferri posse. Hujujsmodi 
néc nova nec inusitate videri debet , cum *S. Gteaorii 
Magni , alierumque Pontificum B emane rum exemplis 
sanetissirsis innitatur. Et Benedietus ip>^e praetcr alia 
conceasit eam facultatem Guardiarw) S, Sepulebri ( ibid. 
Constit. lo) 9 Januarii 1/41 , Abbati Monabterii Çam- 
pidunensis anno 1749 j et praefecto nus^iotiis Coptgrum 
anno 1/50. Id. loc» cit. AdnotAt» 



Memí^rta^ HisTOítieAj 



Pilar, e a Vara d' aqnella Commarca Ecle- 
siástica, desde 6 de Julho de 1791 , à 1800, 
em que se retirou , por obrigado à regressar 
para a Couszia Reitoral , cujo Beneficio dei- 
xou peh Prebeada Cononlcal da Sc da Ba^ 
feia ; por Consulta da Meza da Consciência , 
e Ordens, o Resolução de il de Setembro 
de 1802, foi provido na Prelazia. Como por 
Avizzo da Secretaria d' Estado dos Negócios 
do Reino Uafado a 14 de Setembro do mes- 
mo anno, se lhe facultou impetrar da Sé 
Apostólica a nomeação de Bi^po ín parti bus , 
em proveito dos povos da sua Diocese, pa- 
raqne não se;%tissem a falta de soceorros de- 
pendenteg da jurisdicção da Ordem Episco- 
pal ; por intervenção Benzia se expediram 'as 
Bulias, (]ue o instituíram Bispo de Titopoli, 
ç em virtude d' eilas recebeu a' Sagraçâo ] 
administrada a 28 de Agosto de 1803 na 
Igreja do Loreto pelo actual Núncio Apos- 
tólico o Mousenhoí* D. Lourenço Caleppi , 
Arcebispo de Nisibi , assistido do Arcebispo 
de Adrianopoli D. Manoel Joakim da Silva, 
e do novo Bispo de Angola D. Joakin Ma- 
ria Mascarenhas. NSo satisfeito talvez este 
Prelado com o referido provimento, procura- 
va melhorar de fortuna , demorando-se nâ 
Corte: mas obrigado à sair -d' ella em 1807, 
segaia o seu destino pelo Rio de Janeiro, 
quando de caminho voltou á mesma Cidade , 
para ter a honra de felicitar à S. A. R. 
e Sua Real Família, por saa feliz chegada 
á este porto , e de beijar Suas Angustas 
Maons. Satisfeito ^sse íleve/^ piiqsegiliiu a" 



?swa^?"g 



DO Rio PE Janeiro, 



marcha , e achando-w^é. jà em Farfícatu do 
Principe » falleceu alii , a 8 de Outubro de 
1808 de uma indio:estão , que repentinamente 
o atacou. (57) 



(57) Por efte facto , em conformidade do Cone. de 
Trento f^ess. «4, Cap. I6, e do Cup. fin. de SeppL 
neglig. PrRelatcrviTn in 6.®, e irml < m da difíijiiia an- 
tiga , recorreu a Igi"pj« "^í^ga de Goiás «o 1 rt lado de 
Gniabá , conao o inais vií-inho , para gcveniii-la , depii* 
tiiFido-lhe Adminií-trodor. Aí^sini l.aviu d( tt ín ii íido Gre- 
gor. 13 , pela Eulla ^ Paste 1 ai i:>ír , La ic.caLcia da 
licreja de Goa , que o Bispo de Codntn eiíticu á £:«.ver- 
nar em virtnde da mes^ma Bulia datada á 13 de i)e^ 
zemb. d« 1572 , c;iie se arlia no Pidl. Bom. Con»- 
tit. II. a Paulo 5 providenciou o Igreja vaga do Ja} aÕ 
sob a administraçaã do Proviíicial dob Jeíiuiías pela ( ons- 
tit. datada à 7 de Dezembro de j6l5 : e taUez n'esse 
tempé- succedeu , ^"e vi'garido a Igreja Metvopolitjiua ât 
Bfanila nas Filipinas , impttiéiam c^ I n laixadcres de 
KlKei Catholica , que quaudo acccnttcesse \u2iàv a nies- 
nia Igreja , se íbamasse para o seu gcvtno o Bifepo 
ir.ais visinho , como referiu Solor2ano Biv. 4 Bel. Cap. 
J3. SenjelbantefKente providerciáram as Cciistiluiçccns. 
de 24 de Abril de K79 , e a do amo 1704 por Cle- 
mente ll.í, sobre as Igrejas ví;gas das Bilippiía», ena 
que naõ bà Cabides , para substituir a cdmii-istraçaõ 
delbjs. (b) Fm taes circurstancias fci iicn fado j or aquel. 
le Prelado D. BuÍ7, Pereira de Castro, liífo de 1 tole- 
maidd , o Padre Vicente Ferreira Bu.nduê , 1 or | arecer 



(b) • Eandem viguisse disciplinam tiutiquitus cons* 
lat ex Concilie Rbegin.si , vel pctius Bigensi, aut )4e- 
.C^enensi in Gallia iSaibentu&i ctltbrato tiAiO 48<j cujus 
Canon 5 sic habct : Stabili defmitioLe cti.suhum ett , 
vi de caetero ol^rvaretur, nequis id íani Itclcsiana 
qua?> Episcopum peididisset , iiisi vicinòe íccltsiae Epis- 
cõp.íS exequiarum tempere accederet: qui lamtn Btcle- 
fke ipsius curam districtissiae geieret , i^tquid ante 
•K uatâonem discoidaiitiíim b i.0YÍVdtilu8 cUiicorum 6ufe% 



243 Me>ÍORIÍS UlSTOllIGAâ 

Por Eleição de 21? de Junho de !9l9 



diJ^no dt> Car^a ,ie Acinitilátrador , feudo reunido a Pre- 
la?!?! desde >a de Miirço de 1805, como Procurador, 
o De!e^'tJo do ínestiio Bispb d® Titopoli. Continuou no 
émp:-eg'> por nonea^.i5 do' Prelado successor , até fulie^ 
cer a !0 de Maio de 1812; e por sua morte entrou o 
Píidre Jí>)5é Vicente ée Azevedo Noronha e Camará no 
governo da Prelazia , p^ra que o nomeara Brandão n'n- 
tna* Portaria , em virtude das providencias do novo Pre- 
Jado siucceâ^sr de D. Vicente. Vede Liv. 2, Cap. 4, no- 
ta {.>). 



versioííe íiceret. Iraque cum tale aliquid accidit , vicinig 
vjciisaruui eccleáiarum inspectio , recensioque reram' 
mandato r. 

Sed quid. fiet ubi Papa de adniinistratore subsíi- 
tuendo ní>a pi"ovií!it , et nou est Capitulmn , f3t1ju3 q*- •* 
glij^entiaai- suppleat Métropnrftanus , aut ■ Saffrilftneús 
asitiquior , aut viciniar jnxta Tridentiíium ( Seas» 2-f Cap* 
JÒ*) et Cap. fia. De suppj. nei^lig. Príielutorura in 6 ^* <» 
Casus contin.í4'it aliqaando ijí EcCÍesia" Tucumanensi , ubi 
Capitulutn quatuor aut quinqití praebendatis constans' 
modo, quando haec scribuntur , totuni est in uno í et 
olini reductuui est ad nullurn , mortuo etiam qui Viça* 
rium aj^ebat Capitularem. P. Petrus Lozano in M. S; 
(Conq. dei Parag. et Tucnmná' Cap. * 13 )P inquit : lies- 
pondieroti dei Peru lo que es llano en derecho , que po-' 
diau ( lo9 quatro Beneíiciados non prebendados de ' la 



Cathedril ) proceder à elcccion dei Vigário Genei^d'. 

Videnduá tamen Benedictus I4:(Lib. 2, De Sy- 
nod» Dioeces, Cap. y n. I pa:^. 54), qui postquara- 
tradiderat. Capitulo Vicarlura elig-ere negligente, elec^ 
tionem in Ecclesia suíFraganga ad Metropoiitanuru , iíj 
Metropolitana* ad aníiqu!ore.r. , in exempíit ad propin- 
quiorern pertinere , subdit : Ideinv júris' est , .si Ecclesi-^ 
vacans câreat Capitulo, -a qn* Vicarius canslitui qiieat. 
Si tamen coutiugat vacare Ecclesiam sudrauaneam ca», 
rentem Capitulo tempore quo etidui Metropolitana est; 
swo pastore v*duata , iu hoc casu electionem Vicarii n< ii 
«sipecure ad antiquiorem ex suffragands , ut ntnnulii 



-fc - 



4D[0 Rio de JAHÍfRd. 



249 



^)i provido na Prelazia o Padre António l^o* 
drigi>es de Aguiar , (58) n<ifecido tio Rio de 
Janeiro, Sacerdote Secular , e Bacharel em 
Cânones, "tjue tendo sido Familiar do Bispo 
D Jozé Joakim Jiistinianno . e depois Secrc- 
ta;io do Bispado , accupàra tambecn o Rei- 
torado do Seminário de S. Jozé, e por pro- 
vimento do mesmo anno eslava de posse de 
lijiia das Cottezias da Capeila Real. Tomou- 
pos^e da Prelazia por seu Procurador o Pa- 
dre Vicenle Ferreira Bramlão , a 13 de Ja- 
neiro de 1811 , e p<^f nrorte deste tlcoú go- 
vernando a Diocese o Padre it)zé Vicente de 
Axevedo Noronha e; Camará. Confirmado no 
Bispado de Azoto em 4816 , fói Sagrado «a 
Capella Real à 29 de Setembro do mesmo 
amio, pelo R, Bispo CapelJão Mor D. Jozé 
Caetano da Silva Coutinho , assisti ndo-lhes os 
Monsenhores Nóbrega (Deão), e Cunha (Vi- 
ce Decano). Quando se recolhia para a Pre- 



(58) Vede Liv, 2 , Cap. 1 , inenvor. do Bispo D. 
Jêzé de Barros , nt>ta (2) ; € »o Cap. 3 , nota (1). 



.<ypii3abantuT , sed ar*? Capit^i>arn vacsntis Kcclesiae Me- 
tropoliianae , eGúsuit Sa-cra, Congregalio Coiicihi , à qua 
cura quaesitum fuisset 1.*^ An v«<!anle ErcUsi* stjíínag»- 
nea Capitulo carente , iUius adniiiiiistratio , , et Vicarii 
Sede Vacaníe deputatm fifí^etet ad Mt^tropolitanúm , et 
quatenus Eí-clesia M^tropolkana pastore raivat ? 2,*^ A» 
Sfíecíet ad Capita ium vejTi«.deiia Eccl^s ae Metropolítanae , 
ttJ potíus ad antiquiorein snífraganeuin Episcouum ? Ea-" 
<?em die 28 Aupjafiti lt>B3 ad-í respondit afíírmatfve. Ad 
á spectare ad Capitulnm Metropoliíanae. Iderac^ue i eS". 
ponsura dtdit l4 Aprilia 1€85. H^i-ciisque S«ain3ií« Atac-* 
th-or. Id, Moriílli A-dia-Otat, kâ Ordinat. 4()i ^ A'u^ li04té 



Tom, IX, 






âso 



MíMORIAS HíSTÔRICAS 



a 



vida em 2 
Pedro , de 



lazia , sainda da Cidade a 29 de Setembro 
de 1818 , foi repentinamente assattado defuma 
malioa violenta em Iguassú, Fregue/ia do Pi- 
lar, d' onde , munido com os Santos Sacra- 
mentos , voltou para a mesma Cidade , e n<v 
Kto ditív de IgUfassú terminou 
de Outubro. Jax nalp^reja de 
cuja Irmandade era Irmão. 

Por nova Kleição de 18 d^ aquelle mea 
foi jiravido o Padi-e Franciscof Ferreira de 
Azevedo^^ imatura! de Cuiabá, e Clérigo Secu- 
lar, t^ue actual Pároco da Freguezia de S. 
Antéiiio de Cassarébu , ViUa de Macacú , 
«ra jâ Elerto Bispo de Miliapor em 17 òq 
Dezembro de 181 K Tomou posse da Prela- 
zia a 29 de Agosto de 1819 por procuraçãor 
€ teve o Titulo de Bispo de Castoria , en\ 

3ue S. Santidade Confirmou , mudando-lhe 
d© Meliiapor ,. «o qual aãí> se poude rea- 
lisar. 

Tem os Prelados de Goià-s a Côngrua 
primitiva de 4(M)<à reis» que, pela Kesolu- 
fio Tíegia de 23 de Jaríeirí> de 1805 á Coa- 
%.ulta dó C. LJ. de 20 de Setembro do anna 
. íinteceden(;e , foJ declarada ao novo Prelado 
Bií^po de Titopoli : para Casa do residência,. 
Wi}é reis-: para Ordenados do Provisor , e 
do Vigário Geral, I2€è reis ; o que juiito^„ 
fe5& a quantia de 800è reis:- e por Alvári 
de 12 de Outubro, de 1802 ^ era consequen- 
,€ia do qual se expediu a Provisão de 23 de 
jnlho cie 1S05, mais 20CíJy reis de Côngrua da 
Jgríja Pasocfeial de Santa? Ariaa d^ Cidad«*, que 
se mandou conservar como vaga,, em resulta 



iflo Rio e Janbir®. 



251 



do parecer do H. Bispo D. Jozé JoakiiM Jus*- 
tinianno ^m Conta dada no anno 1789 , para 
servir de adjulorio à Côngrua da Prdazia ^ 
em attcnção á sua pobrczm. Parece portâ«to, 
qwa unida esta parcelia ultima it quantia an- 
tecedente de SOOd reis , vem o Prelada-* á per- 
ceber anualmente a Congroa de 1:Q00A reis; 
Kias realmente não tani mais , que o total da 
60Qè reis , contando com a Con^nía da igre- 
ja de S. Anna ; porqtie os 2{)Õè appiicados 
para os Officiaes da Prela-^ia, e para esmolas, 
nem lhe pertencem , nem se podem reputar 
Con^çraa ; e os outros 200è reis para a Casa 
de residência também não fazem parte da 
Côngrua. Tem mais de ajuda de ctisto para 
as Visitas Ordinárias quanto for suficiente, 
e laxado pelo Governadof da Capitania cm 
Junta da R. F. segundo as distancias dos lu- 
gares, em conformidade da Provisão do C» 
U. de 9 de Julho de 1805. 

Conservou a Prelazia a ô^ parte do ter- 
rjtorio , que pertencera ao Bispado do Ria 
de Janeiro , e fazia a Reparíivão denomina- 
da do Sul, àtí^qne , pela nonie-dcao do Prela- 
do Bispo de Titopoli, se annexou á mesmu 
Diocese toda a parte comprchí^ndida dentre 
dos limites Civis da Capitania de Goiás, em 
que entrava a que pertencia ao Bispado úo 
Pará, c se diz Repartição do Norte, senJo 
para issíí ouvido o actual R. Bispo do mes- 
rrio Bispado , como se vc da Provl*ião do C. 
Ú. de J8 de Julho de IbO". Nfsf is circiias 
tancJas tem por coufrontanteí^ a í^reia?/la de 
Cuiubà^ os Bispaios de S. Panlo , d@ M^a- 

S2 ii* 



15S 



EMOllíAS HiSTORfCA* 



riâniia , de ParnaiBbiaco , 4® Pará / e êo Ma- 
ranhão, -n 

Dividida esta Prelazia em duas Reparti- 
Çoens, do Std , e do. Norte , eonta na pri*- 
ineíia 15 Fregueziías, eiitr* as quaes s(j muiie- 



mm S '• th 

ih i de Índios^ 



Iriílios ; e lia segunda 



12^ entraiJi*^ 



FoHc/icâm d l,^ as seguintes. 



l. Santa Aj3Jia òa Ckla ?r.. Tem por sua?' 
iaes deíUro, da Cidade as Capêlias de N,^ 
Senlíora das Barracas, de N. Senhora da Ab. 
l>adia , N. Senhora do Carmo , N. Senhora 
4u Lapa, N. Sei^lKí*ia do. Rosário , N. Senhora 
d i Boa Morte , e a de S. Francisco de Paur 
$a : c na distanciei de ra^io quanío ée legca 
ao Norle , ík (h Santa Baibara, eoibcada »o« 
br' um monte : no Arraial éa Barjia a de U, 
Senhoril dí<> Rosário;- no do Terreiro, a de S. 
Joxío Baptista ; no de %u-G^6ní^ ^ a de N. 
Sennhora do> Pifar?, no do Cnrralinho, a d<3 N, 
Senhora da Al>badia ; no de Pilocns , á 
Senhor Bom Jezus ;• ' e no de A mie uns , a 
S. Francisco de Assis^ Sam Parocí^s dcs^ 
igreja i)p Pselad^s da raesina Diocese ^ pelx) 



do 

de 



citado Alvaià de 12 de Otitishr® de L 

^2^' Senkor Bom Jesíus d' Anta.. /rem 
l^or suas Filiaes a CapeWa de N. Sí»iíhora dcf 
Rosário, e da Boa Morte , próximas á Ma~ 
^rm ; ^ de Santa Rila, no Arraial d« mesiiM} 
Boni<? ; e a de S, Miguel , eni Tezouras. 

* 3,^.1^ Sdilioçai da Coix^eiçãjQ ds GhiáK 



■ I «MJ 



FLrj,y.%f 



to Rio DE JaneirÍÍ 



23é 



xis» Tem por suas Filiaes as Capella» de N.' 
Senhora de Hosarío ^ e da Baa Morèe. 

4^ N. Senhora da Conceição de Santa 
Cruz. Tem po-r suas Filiaes as Capellaç. do 
Senhor do Bomfini> do Arraial do mesmo r*a* 
.me, ô a de Santa A una do Kio das Veihas^, 
que he Missão , ou Paroquia de índios. 

5^ ]V. Senhsra da Coneeifão de Trairás* 
Tem por suas Filiaes as Capelks do Srnhor 
Bom Jezi^is, e de N. Senhora do Kosario , 
próximas à JVIatuiz ; as de N. Senhora da» 
Mercês, e de S. S^basiião, no Arraial de 
Agua-qucnte ; e a de S» Joakiai bo Arraial 
de Cocai. 

** 6^ N- Senliora éo Desterro do Dezerrí- 
bóqiie. Contava por sua Felial a Capeila. de- 
S. Sebastião , e S. António de L-berába na 
Senão de Parinha-podre :: inab cread?i essa 
Capeíia em Paroquia per|®tua. ;,, perdeu o ti- 
tulo de Filial.. 

* ?'' S*. Domingos de Araxá. Tem por 
suas Filsaes as Capelias- de N. Senhora dts 
Dores , de S. St bastião , è de S. Aiiíonia^ 
íundadas deutío do mesmo Arraial; e íóim 
ra delle , as de N. Senhora do Patrccinio ,, 

,é de S. Pedro de Aleauiara. 

* 8^ S, Jozé de Tocantins. Tem p€>r Pi* 
laes as Capelias d^ N. Seabsira, do Rosaria, 
de N. Senhora da Boa Morte, ô de SanHaí 
Efígenia^ próximas á Matriz:, no Axraial do 
Ivioquem , a de N. Senhora da Abbadia ;. ao 
da Piedade ;,, a q^ue tem o mesni© titulo^ e no^ 
de Amaro Leite, a de Sanío- António. 

^ Qi^ SaMa. Luzia. Tem poK Filiaes m. 



^4 ''lisiíòSusHig toricaI 

Capellas de N. Senhora do Rosário , e de 
S. António, no Arraial de Montes Claros. 

* J O N. Senhora do Pilar. Tem por Fi- 
lmes as Capelias de N. Senhora do Rosário , 
de S Gonçalo^ de N, Senhora das Mercês: 
RO lArraial de Lavrinhaíí , a de S. Sebastião; 
c no de Gnarinos , outra mais. 

^ 11 N. Senhora do Rosário de Mcia-pen- 
t«. Tem por Filiaes as Capelias do Senhor 
do Bom fim , de N. Senhora do Rosário^ d^ 
N. Senhora do Carmo, e de N. Senhora da 
Lapa, fundadas dentro do Arraial , e fora 
dcHe a de S. António , do Arraial de lara- 
guá , de N. Seníiora da Penha, de N. Se- 
íihora da Lapa, e de N. Senhora da Penha, 
lio Corumbá. 

* 12 S Sebastião, e Sw António de ^b®^- 
*taba»-que era Capella Pilial da Freguezia do 

N. Senhora do Desterro do Dezemboquc, pas- 
sou á ser Parrochia destincía , e perpetua, 
por effeito ido Decreto de 2 de Marco de 
1820 à requerimento, dos novos Colonos es- 
tabelecidos no Sert?o de Farinha- podre : e 

iioje tem por sua Filial a Capella de N. Se- 
nhora da Conceição , fundada no lugar inti- 
tulado = Separados = como ficou referido sob 
a nota. (48) 

13 Santa Anna. Aldeã, de índios do Rio 

^as Veljias. 

14* S. Jozéi Aldeã de índios de Mossa- 
medes. 

15* S. Pedro 15.° Aldeã de índios do 
Carreta®. 



1)0 HlO ©E JANEiaèâ 



Fértencem a segunda dô Korte. 

S. Anna e S. António do Pontal 

S. Anna do Cavalcante 

N. Seniíora do Cannd e S Manoel 

N. Senhora da Conceição da Barra iá 
Palma 

* S. Domingos 

S. Felis e S. António 

S. João da Palma 

S. Mígoel e Almas ] 

N. Senhora da Natividade 

N. Senhora dos Ue médios de Arrates 

N. Senhora do Ro&ario das Flores 

S. Jozé Aldeã do Duro 

Ordenando, a* C. R. de 11 de Novem- 
bro de 1797 que todas as Parocliias fixamen* 
te estabelecidas fossam levadas á natureza 
Collativa , e que para o seu provimento as 
posessem os RR. Bispos ena Concurso, e fizes- 
sem as su^a Propostas pela Meza da Cons* 
ciência e Ordem, na férma jà estabelecida 
pelos Alvarás de Faculdades, e ©utras Di»- 
posiçoens Regias, não sei dizer o motivo, 
por que a maior parte das Igrejas Parochiaes 
desta Prelazia (excetuada a primeira de S. 
Amidt da Cidade, e a de Uberaba de novo 
creada) se conservam aiada de Encomenda * 
( orno indicam as não notadas pelo sinal * á 
margem , cujo defeito se observa também 
na Prelazia de Cuiabá , a n' outros Bispado» 
Ultramarinos , a nío^ ser essa falta prove- 
niente de aí^uma particularidade proveitosa 
?ios li. Bispos pelos Provimentoi a.BiJuaeâ da^ 



■' í 



258 



MESfOUÍAS HíSTOIÍieAS 



Igrejas, com qile i^ engrossam os reditôg das 
auas Camarás, 

Pafa commadidade dos PíJvos disperso» 
pela mesma Prelazia , achâm-se estabelecidas 
na Repartição do giil oito Commarças Eccle- 
siasticas providas de Miíiistros , q^e providea- 
cçam os negócios do eeiv íoro^ 

He i.'' a da Cidade, ena cuja Capital 
reside o Vigário Cerai (^59) à quem recor- 
rem os habitantes . das Pre^iieziaa de Santa 
Anna, que he a da mesma Cidade, os do Se- 
nhor Bom Jezas de Anía, os das Aldeãs de 
Mosansedeíi , os do Hio das Velhas , e os de. 
IViaria l.'' 2^ de N. Senhora do Rosário de 
Meiíí Ponte, cujos limites «ao excedem os 
parochiaes. 3^ de Santa Ru:ya, que tam- 
bém nSo se alonga-, dos limites próprios da 
Parochia. 4» de Santa Crrfz , que igwalmen- 
íe tem por termo da sua jurisdição o da 
incsma Parochia.* 5* do Dezembóque , que 
iv5o se entendendo além do território paro- 
í;uial, coraprehende hoje na s^a jurisdicção o 
Ttrmo da «ova Igreja Matriz de S. Sebas- 
tião e S. António de Uberaba no Sertão de 



(59) Ein quanto a Prelazia abnínj^eu em seus limi- 
tes o teryíorlo da Repartição do Sul , ,conserva-se na 
Villa Capital nm Minib-trt> Ecclesiustico authorisado com 
o titulo, e juriedicçaõ de Vigário Geral, por f xecuçaõ de 
Ordem Ref^ia á requeriniento do Povo. Foi í,° nessa Je- 
rarquia o, Padre Jozé Simoens da Mota e Moreira , que 
na mesma época passou á o£Cupar também de proprieda- 
de a Igfeja Paroehial 'de N. Senhora da Conce3»;aó de 
Trairás, a quem succedea o Padre Jozé Correia í^eitaõ, 
jaXé feillecer^á 7 de Se|embro*4& 1797. 



DO Rio de Janeiro. 



2Bf 



Farinha- Podiô , que outr' ora fora parte da 
Fregue/ia de N. Senhora do Desterro do 
mesmo Dezembòque. (k) 6.* do Araxá , cujos 
limites termiaani coai os da Parochia de S. 
Domingos do mesmo Araxà. 7.* de N. Senho- 
ra do Piiar , cuja Vara estende a sua júris- 
dicção sobre o território da Freg-uezia de N. 
Senhora da Conceição de Chrixàs , abran- 
gendo também o da Aldeã de S. Pedro de 
El Rei, ou de S. Pedro 3« do Carretão. 8 
d« Traira$, que se dilata pela Freguczia de 
S. Jozé de Tocantins. 

Na Uepartiçaõ do Norte subsistem ci»oo 
Commarcas semelhante», que sam. 

1.* No Arraial da Natividade , onde resi- 
de um Vigário Geral, cuja jurisdicçaò abran- 
ge a Freguezia de N. Senhoia do Cannt) 
c S. Manoei, e a de S. Jozé da Aldeã do 
Duro. 

2/ No Cavalcante, que Comprehewde a 
Freguezia de N. Senhora do Rosário das Flores. 

3.^ em S. Feiís , cuja Vara naõ se alonga 
do districto da própria Parochia. 

4.* Em Arraias, xjue leva a sua juris- 
dicçaõ sobre a Freguezia de S. Domingos. 

5.^ Na Barra da Palma, que tem por 
seu território qua.ito he o da Freguezia da 
Vila de S. João da Palma, e o de S, Mi- 
guei e Almas do Arraial do Principe, 

Dispresos por ambas as llcparíiyoens , e 



(k) Vtáe o § O Arraial d« Dezembóque , e a nc« 
t-Ê , que Uíe correspoade. 

2h.n. IX. S3 




«•pgl 



Memorias HisTonieás 



por toáa a Prelasia acham-se além de 5^ 
Capellas filiaes , em algumas das quaes tani* 
bem se administra o Curativo das Almas dos 
seus Applicados, pela distancia, em que es- 
tam , das próprias Matrizes. 

Como o territorijo, que boje faz o todo 
da Prqlaaria de Goiá*, se conservava repartida 
entre os Bispados, do Rio de Jaweiro (cuja 
Capital (iista 313 íegoas ) , e da Fmá (lon- 
ge 280 legoas , mais , ou menos )^ , pop ef?sa 
circunstancia he bem de crer; que o Cler© d*e!- 
la Rcm observaria a melhor disciplina nena se ap^ 
pliearia ao Estudo MosaJ , nem finalmente se- 
riam irreprefeenaiveis m seus costumes,, por ví- 
xerem nUim. pais a8sà«» remeto, eltvre, em que 
nunca pizáram ©a seus Pastores- principaes, 
D'abi nasse , que sendo» ignorante a maior 
.parte da Clerezia , he também, o Povo igno-» 
rantissimor e porisso os abusos,, os sacrile- 
irios, as supers.tições „ os prej«Í7©s ,. e a in*> 
fracção, das- Leis; quec Ecciesiasticas , quar 
Civis, se praticam sem escrúpulo r ma* essc« 
mates tto ruinosos á Igreja,, e ao Estado*, 
fugirião do paia com a presença do- pruden- 
te , e circunspecto Prelado ^, que se llie des- 
tiiion , se depois de con&rm«díi Bispo de 
Castorií5 ,, não- foi;a atacad®, da grave molesti^a 
de olhos., qae impossil^iíttando-» de se Sa- 
grar , taníbem. o privou do pmzeií de refcr- 
Jí>ar. , e de melhorar tlp impo^nte, Diecese. 
For essa fatalidad« continua Goiás- na sua^, 
ilesdita originaria de mo ver ainda um &6. 
dos seus Prelados atégora Eleitor para. feli?^ 
€t}X^-li>* no espiritual,. 




»0 IJíIO DE JaNEBRO. 



269 



> «%%^V^> V^«.'^-«%'V^«^V«V%«/^'W%^'%%«'V«^«^ 



CAPITULO rv. 



Ilha de Santa Catharina, 




latitude meridional *de 27"* , 35 

longitude oriental de 327°, 25% conforme 

ou na latitude de 27°, 15', e lon- 

Londres 49°, segundo Mòóre, ou 

na latitude de 27° 25' 30", e lon- 



Pímentel , 
gitude de 
finalmente 

gitude de 329° 35', em conformidade das Ob 
servaçoens 
nheiros A. 
Ilha de 



a 



do Coronel do R. C. de Enge- 
B, P. Gago em 1821 , se demora 
Santa Catharida ( d* antes Ilha dos 
Patos ) lançada de N , á S. Não tendo sur- 
gidouro da banda do mar^ he conhecida pe- 
la Ilha, ao Norte, .que chamam da Galé, 
ao Sul da qual está outra ilhota despovoada, 
de 3, à 4 legoas de circunferência , e co- 
nhecida com o nome de Arvoredo. 

Pela barra do Sul não entram vasos 
maiores, que patachos, até a Enseiada 
dós Castelhanos , fronteira á Ilha das Palmas: 
n' outra de Araçatiba pôde fundear qualquer 
embarcação à fazer aguada , e lenha , entre 
a ponta das pedras de terra firme, e uma 
ilha da banda da barra, á pesar de desabri- 
do o sitio aos ventos Sul , e' Sueste. A em- 
bocadura do Norte da entrada à grandes ar* 

33 ií 



madas ; mas he preciso buscar o meio do 
Canal, chamada, EjsUeMor que. terA da di&r. 
tancia 2*00 braças , cuja largura he. pela par^ 
te do Norte, de 1| legoa , e pela do Sul 
não chega ák ter If die íegoa, , passando 
por entre as Fortalezas situadas , uma na 
ponta do N. da Ilha , que &e denomina de S. 
Jozé da Po7Ua^ Gro^s^ , dí^ paite de terra fir- 
me, € outra, uma legoa á cima. da barra, a 
qual se diz de Santa Cruz de AnhatómiriUi , 
on Ink(^pminim j, ^n' uqaa, ilheta, sBpajRadíà de 
tej^Ká fir^e por um canal d^o pouco fundo , A 
de figi^a ^regAilfr , q^ue t^râ dje lai^go 80, à 

Adianta d^sta ilhoja àsLia fundo, as em^" 
ba|i^^ç5^% maiares entjrè as, duas Ilhas co- 
iibi^i4^s pelo novíkf d,e B^tan&s , e o pontal 
d(^ rip, ^o, mesrpo nome ,, qfiA se acha da, par- 
te^ ^a liíba p^^eip^l d^ Sarít^ Ca^tliarina, ; e 
exú^ frente, àqjaoHas hs^ um^ Enseiada , em etír 
ja^ praja se fa^ aguada^ ^ apparjecemr madei- 
ras^ g^rá,, lenha : querenflo porep surgir ma is^ 
à' y^lj!, d^/dnas ilhas, ' até. à poADapo e&ta- 
b^^ci^a ng WJ^^ d% dç Saí^t?^ Catharina, e 
ponta mais priocipaj deÍH, podem continuar 
s^í?^ péri^^. 15/ alH , até a boca,ijia do Sul ,, 
Iç tild,í> es^arcelado, e sò, entram embarca- 
çia^ii^ pQ^i|eiiai^ coipo Sumaqas. Drest^ bocai-. 
K^ , B\\,, b%rra,, pa^a cioia,, até^ % ViJJa, da< 
Ij§ígl|!ja , ^% sq^ a Ensejada da Arrpaçãa, da 
G|ir;upá|;a , ^ a GaJbel% de. Iipbitul^a , que 
pérri|titt^i ' alg^iim abriga, e desemharqjae hr 
Curvetas, Swmacgs^ ê,. I^^n|í;bas ; pprqiie a 
Coç,t^a^ ajté a ^ar|^^4| L^gupa.^ he de quali- 



II III II -miÈ 



ÉMB 



lÉ^^y.i^.v 



fio Rio ite Jí«n£ikq. 



Í6f 



da^e Ul , que em nenhum lugar dà abrigo, 
nem conser.te tocar as suas praias : por essa 
causa , sendo a barra mui difíkil de se en- 
trar j apenas a commettem pequenos vasos. 

Da Ponta do Norte da Ilha principal, 
atè outra Ponta de terra firme, chamada Mcndu- 
vi e siíuada em latitude de 27^, 23', ha 3 
logoas de distancia,: dentro desta Ponta es- 
tá uma Enseiada. , L O com a Ilha da Ga- 
lé , que denomiriam*, cia Tojnea , ao N. da 
qual íica a do Zinão , mui vasta, cude se 
podem obrigar de todos os veuíos as etebar- 
caçõens> maiores de Sumacas, até perto da Ilha 
dos Lobos. A' terra da referida Galé se acha 
outra Emeiada conhecida ^pelo nome das Bom- 
Z>a^, e ahi um rio de abrigo semelhante para 
Sumacas. 

Mais ao Norte 3 legos se descobre a 
Enseiada das Gcroiipas , cuja boca estensa 2^ 
à 3 legcas , úe^út a Ponta de Taquarássatu- 
ba , até a das Garcupas , dá abrigo á quasi 
•todos os ventos, e muito fundo para navios 
de grande lote, permittindo azilo à Aimadas. 
He mui farta de pescado, abundante de aguas 
.doces, e os montes à seus lados sam ccber- 
tos de matos: entre elles fica uma planície 
dilatada, e mui própria para o estabelecimen- 
to, de uma Cidade grande. Ahi desaguam 
dous ribeiros de aguas cristalinas, que correm 
por seixos brancos: e por taes circunstancias 
se pode di?er, que a En.^eipda dis Gr^rou- 
pas he un a das melhores ras Cestas do mar 
do Sul. Dentro da nesn a está outia, que 
chamam, Ctí2.r« de A^o , atiigada tanibem de 




262 



MEiMoáiAS Histórica» 



todos os ventos , mas só apta para sumacás/ 
e ber|u^antins. 

E !i altura de 27'' fica a Enseiada de lia" 
pocoroi/, ©nde qualquer frota de na,j4os gTan- 
de» se pôde abrigar. Tem ao N. uma ilha re- 
íJonda, que empara os ventos Nordeste, Les- 
te, Sueste, Sal (o mais perigoso d' esses ma- 
res ) Sudueste , e Oeste: n* ella se pode au- 
cor.ir de 5 braças a 2 , ç não tem os ma- 
reantes de que se gaafderg ahi , além do que 
apparece sobre as aguas. Indo da Villa para 
o Sul acham-se^ dous Sacos ; o que íica á 
esquerda chami-se do Rio Tavares; e o á 
direita , de S. Jozé ; ambos de muito fundo; 
aléui dos quaes , há outros muitos em roda 
da líha principal , em que podem ancorar 
embarcaçoens de alto - bordo ; e da Ponta 
do Sul da mesma Ilha, passando a contracos- 
ta d' ella para a pari© do mar grosso , estam 
os do Pântano, das Lagoínhas , e dos In- 
glezes, ' - , 

Na barra do Norte , entre -a Ponta do • 
Rapa , e a das Palmas , cuja largura chega 
a qua«i 2:400 braças , hà duas Fortalezas 
grandes. A do titulo de S. Jozé ; levantada • 
fia Ponta Grossa , em 1740 , pelo Governa- 
dor o Brigadeiro Jozé da Silva Paes , para 
ajudar a defensa da entrada da mesma bar- 
ra , de nada serve, tanto por distar perto 
de uma legoa da de Santa Cruz de Anható- 
mirim, à Oáste, que lhe fica fronteira, e im- 
possibilitar-se porisso o cruzamento dos tiros 
de ámb.iSj como pela construcçSo, e posição 
éas suas fracas batarias^, à cavàlleiro umas 




SM^AOJiX^ 



30 Rio d£ jAN£nie. 



26» 



éas outras , c ficarem os seus quartéis , e 
mais edifícios patentes , com pequtn^s praças 
para o feoun sefvi^o da artilham, que a guar- 
loece. Accrcsce demais a cireuiistancia de 
ter pelas costas usn famoso mo b te, qae Ih® 
«erve de padiasto, c sendo de fiicii accesso^ 
totalmente o commandta ^ sujt» inconveniente 
procurou remediar : eonstruindo ao pri»f 
cipio da praia, à Leste da Fortaleza , @ pe- 
queno Forte de S. Caetan® no anno 1765^ 
Governador Fraacisco de Souza Me^ 
neies , H3aa €ste_^ além da sua. peque- 
nhez 3 e de ser muito descoberto, não tem 
commcdklade a]gnma para guardar a pohorav 
e não pádifi ser defendido da Fortaleza , por 
iBÍtuado ao pé de un^a íornba de terra de per* 
meio,, pop ondie nâo. pode também pastar «oc*- 
corro al^iHn, sem ser visto: alémd@que ; 
para o inimigo se empo&sar é& monte , não 
necesslM^ passa» p^h hg& d^ess^e Fortie, VelsL 
parto dt): mar he iguaknente esííi Fmtnlem 
poucO' desfensavel- , p®r tgs- os- s^us parapeitog 
baixos^ fracos,, e* mnii^- expost^s^ a^s qup 
trabalhaai a artilhada Portanto d^ve este lu- 
gar *er eonteniplad©, gori» de observação. 

No. íneio desta bal»a , e denigro é a qiieN 
k basra, se acham dua& lihasr peguem»-, que 
chamam de liaíocns^, na maior das qaaes edi- 
ficou o st)hredito Pats- , em B\e^m&. anno.. 
I?740 d» antecedente ,. uma» Forial&m ,. qiiç- 
tambena de nada serve , pí^p éistaE da de San'- 
ta Crus, ao Sul, qnmi uma. legoa, e da dè- 
S. J^zé da Ponta Grossa, logoa; e meia. 
leia uma s6 bataria à barba, mm ^a?i 




g6« 



Memorias HisToúicAt 



lii*> 



tos de granck largura: «ai se carretas pré- 
.cisam de recuo , qu« um penedo mui alto 
lhes estorva nas costas. Até a altura d* esta 
i^^rtâleza podeai elitrar embarcaçoens grau-» 
des , por haver fundo de 5 braças ; nia^; d* a* 
lii, até o Estreito, apenas, ch^a o fundo > 
em partes^ à 2 braças escacas^ *?c a raesmô 
•acontece nos Sacos das Tojuquinhas, ^e S. 
IVIigucl, e de S. António) onde os ancora- 
«doures sam lodos.os. 

•4, Na Ilha pequena, e pedragosa, denomi- 
nada Anhatòi^íiím, que separada: de terra 
firme por ham canal pequeno de largura qua- 
8i de 100 b raivas , e ^ á^ fundo , he de ac- 
cesso diííicil, se acha a Fortaleza de Santa 
Cruz levantada ení 1739 pelo sobredito Paes., 
e finalisada no anno 1714, para defensa da 
barra do Sul , distante 5 legoas da Villsj; 
poisque a domina em modo , de não poder 
embarcação alguma entrar pelo canal proxi- 
;tno , fundear, atiro de peça ,5 nem passar pe- 
la Praia de fora, «em ser avistado. Tem ««ra 
bataria boa á canhoneiras , que olha. |)ara a 
liarra ; e outra á barba com parapeitos gros- 
gissimos, <|ue olha para a Ponta-grosí^a , mai 
com pouco recuo ás carretas, por Obstar- 
ihe as pedras, que ficam nas costas. Su^ 
ííonstrucçdo foi muito mal entendida , pelo 
inconveniente de um padrasto perto na terra 
firme, que forma o canal com a ilha; po- 
4^^'^do-se por esse monte situado em alcance, 
não sò dominar, e bater a Fortaleza, mas 
passvr-àe com facilidade por terra , desde a 
Arma^jo das baleias , até a paia de Saco dt 



)fi| n> » 







Bo Río DE Janeiro, 



Magalhaens, e ú'a.\ú ao mesmo monte, sem 
o nieaor temor dos tiros da pra^a. A passa- 
gem dos morros para a Viila por terra fír- 
me , he assas diiíkil p^los pântanos , qoe a 
jntermeiam ; o que fica entre os morros frí^íi* 
teiros á Forlaleza , termina peja parte tío mar 
Ji*urna planície mui apta para se abarracar a 
Tropa destina.da á defender essa [)assagem , 
e oá , desembarques na praia do pequeno Saco 
da Caeira ; e umk peça de Artilharia alli pos~ 
tada poderia também defender o porto dá 
mesma Fortaleza , o que faria bom efieito , 
.por serem * os tiros rasantes proporcionada- 
mente distantes para se encruzarem. Outro 
pântano, que^ passada a Ponta, lhe fica pró- 
xima, ese est^ende por todo o compriííiento. úo 
Soco da*s Tojuquinhas , he muito pior, que 
aqueMe , por precisar de estiva .assas traba- 
lhosa. Os quartéis extraordiríarios d' .esta .Pra- 
ça próximos às batarias, e muito expostos, 
á Casa da poivora^ a do Governador, a Ca-" 
Jíclla , Aimasens , e cozinhas , tudo em iguaes 
circunstancias de patente ao inimig'o , s^m 
clfífeitos bém i:onsideraveis , que denotam ter 
sido o sen constructor mais Ãrchitecto civil, 
■que Militar. '^I^em urna fonte boa, mas desa- 
bngAd# A> roda. da Fortaleza , e em pouca 
distanc^ia d'ella Se 'pode fundear : e a menor 
altura d^igut alli, chega à três braÇas. Ape- 
sar de não se. achar acabada de todo esta 
Fortaleza , devendo-se aliás concluir as suâs 
.obras, por ser a unicá 4^^ <^^^ barra, que 
íiiais precisa de se conservar em actual prom- 
plidão, e^ no estado de boa defensa, he con- 
■ nnL IX. u 



Mê^í^I-AS- ' íííSTOR^Af- 



%jdo-aMfnÊÍMpr diç^ todas do coulfe^ente da Ilha, 
# até a» mmn pr^oxima ao seus sáual. 

K^ufe poiia^ièo c«ntecidov^ que entre oa^ 
tr<ís poíU<)8 referuloà náa há ^ H6iiv p*>dja hav.Qfc 
ei^iízJiiíí^íiK) ée íkos : fiór cujat cauâac fellaiidé* 
Mofiéion (fc) d;e&ses. iWíes.^ disse., que nlò 
^bílaí].tt í?^ai;êui àivisia u.!i3 d*Js. outros , pa<»- 
rfí>cia terem, ^iifeí. coíítstruídíss ^^ ani. gata í^eiv- 
batJcfo.^. e tomado m. frhmim asísaltò,. e os^- 
aiMffís p^ra.expeciaé!^res á<sse facto; poísqi!e>, 
sçiidí) Èancd íie entrada dé porto , e tatDbeiii 
ft'íiii€os us de.sernbaiqjiie3 ,^ íy4o. concorre par^j 
a dífihi] dtíft>j^a da^ JIlia , qijei só lhe pcde- 
Tia lUilisOír a considerável obra- ds^ ij!« molhe.^ 
pela direcção da Ponta Grossa á Pônia dói 
Jiaorro dJji\rwa9^i o. Grande, qu por oalfo luj. 
gar mais êornmodo» 



■■ - ■r' 'g ! 3 ' j ^ff "y ; 



*»nr-n^«vtt:9qr^i^v* ' 



ti); Extmcto díi« \Ílugét)s,d<a la Piívronsc. no anco*, 
i»íio»ro. de Santi^ e»tlvaritia, drwiíá, 6 ,, níc lihée Nexam^^ 
ST- de 1785>,, escriptf» à £)orde da BobasoU etn 15 <ie 
©*izeiitbr.o dftjntísruo anua., Peyrons€ foi o gí^gundo Na^ 
vspgádor d^oist (le Ccck,; cuju viag^íTí tevei por objecto 
^%^r as posi<;oeii6, de nin riiodo '^xa&to , d# todas a<í 
Was, e ttiWas dt> jjraiide rsíir do SuJ ^ ncé^ so as des- 
fttibtrUs p<wrt outros uavAí^ad^jríís ,. coiao assej^u^at-se cÍíiíí, 
^ue ultiiniiiiieníe. Su^fviile dL*ac«briti^, a recoiheceu : viei-. 
laudo èm- coiitiahaçaG tod^s us purtes , ,|ue Cook naã 
fífiUde. retionbec^ir, i^çiiuilíalmante uiiutiUti |íurt#da Cos-, 
^rliv-O, dí*^%merica>,„. de M3íife H^i, ^é &. Moate de^ 
Saj^^a EluiSK.Q ©s. Portos dos- Éemtidiow. §. B^vJartli , des^ 
c^^íírtps- pelôs ilesi.aahoes, «^E». l776v Tev^ @ste homeiu, a, 
liiíèhcidudé d0 «e. separai de im»^ seai poder sabe-se o. 
mmh ,^ e o couip., cuja, parda. bem^. sé. ayalia, p^lo au^--.. 
roáiito quií rec^liÉíu a uavega<,'i*^=>^ a geo^ratí%, e a hit^^^. 
rô|ia. nat^ir.il , sóiiíçiiite coiri. o que este nial afoctutiad». 
mandea, dp Porto d^, Avuiidie . ui peinifísuíá dt Hsdíi^s.^ 



t»Jlr44»4j»> 



n» 



t)b Hio RE Janeiro, 



g6T 



Na b-arra^do Sul, entr'o 'PoHtal de Ara- 
çaluba, e a Pop.ta dos Naufragad<)S , c«iá laim 
Ilhota de pedras, onáe construiu no anuo l^ií 
o Governador 3oté da Silva P-c^es uniii Fot'- 
ííulezrt , d^dkando-a á Cer.-çei-ca5 da Saíiía 
Virgem» Feia sua siliia^no , e ina-ct^sábilidade . 
lie elía verdadeiramente Foitíler/m , e rioiíiiw a ei- 
do H entrada da %Tra , dcmipa taRibcin %^ 
^ràki de ArasMíiUiba. Eai pouca di^taaria de' 
si tem duatj iliolas, que rliamain dos Papa- 
gaios , inaecessivcis pela parfe cio mar , taa- 
io por serem rodcadris de penedias , ccamo por. 
?erem vistas pela Fortalezn , c pela parte de 
terra, por fe a ver 1301 Imi^o ^ por <^nd« €« ca- 
aoas podem navesça^'. O porto h*e pe§^mo , e 
*ó á canoas dá en^lrada em tempo how. > o 
í^ue rafas vezes aocontece j havendo para iss^' 
um pratico segtiro. Ptsr ser larad^ dò mar 
nao tem outras aguas se naÕ a^ de duas nas- 
<'entíís Faiobrai; , o qne s-e remedi^rk , razeUi» 
4o- lhe imia boa cistenia. 

Por qualquer dos bui os , aind-a pela freií- 
ie 30 mar alio, por oiide ba tmIos fíbriiros 
próprios para d^fjembrirqiies . está a ilha de 
Sanla Catf^iarina exposta, e sng^ita aos ataque*'. 
dos inimigos : mas o sen continoníe qnasi qu0 
f>or íji mçsp^íâ se defende, tendo pro::i mas aí- 
turaB grandes , poníanoí? , ^ rios eaudaios-os , 
que diíticulíam as mani>t'iins tios adversarifis »; 
«e proferem m Imbi tentes defensores ífo prtÍ2, . 
Par este molivo , quand-o os Espanhoc-ji se fi- 
sceram Senbort^s delia no aiino 1777, nuncm. 
.<e animaram h adianíar o passo para o seu 
interior; e uma só ve/ que íizeram sullar íic 



MílMORIlS HlSTOSl€i^S 



Freguezia da Enseiada de Brilo. certa escolte 
armada , sofreram a sorpreza clt; um deifacu- 
Hieplo de Portiigiiezes, q.^e aprkionando t|L*asi 
todo troço militar, escaparam apenas alguns 
d^elle , fugindo precipitadamente para as laii- 
chm,'^que os recoiidoziram á Ilha. . 
' Naõ se êeiUindo a€|ui falta de agíias:boa^ 
para o I3S0 ordinário do Povo, padecem ccn- 
ítido CS habilaoícs interiores áo paiz a ne- 
cessidade de Rios oavegaveiã dé vasos,, maio- 
res^ que canoas» de 4 à 6 remos de vo^-a^. 
as quaes trilham os Rios desembocados pela 
costa de terra firme desde a Enseiada das, 
Garowpas , até o Rio de S. Francisco, deno- 
minados Mambiíuba, Jriringuá, Tubarão, Cu- 
batao , Meruy , Bi^uaçú , Tojucas grandes ,. 
Cambory-giiassú, Tajay, das Areis?; , Parana- 
guá, e Sahy , poisque todos os mais , mos- 
trando nas suas bocas abundância de aguas> 
em distancia curta das gargantas se reduzem 
à regatos. Grande parte do terretio da ilha 
Capital he occupada por Lagoas notáveis, co- 
rno a da Conceição , onde está a Frea:i^zia 
doesse titnJo ; a Lagoinha , em cuja foz fica 
a Armação das Baleias ^ a da Garupába^ 
formada pelo rio do roe&ma nome; a La- 
goa grande, na borda da qual se aeba a 
Yilla de Santo Antonio dos Anjos da Laguna, 
além de outras. 

Foi* povoador primeiro desta Ilha Francis-^ 
CO Dias Velho Monteiro, a quem ElRei D. 
JoaÕ IV. a deu, em 1654, por liabita^a des- 
de antes da Era 1651 , como se deduz da 
ix^scrip§aõ gravada ururau Cruz com a mesma 



Jí\J>4-MtkVA 



t>o Ri0 DE Janeiro. 



data, que ainda no anno 1721 existia arvo^ 
rada dcíroiiíe da antiga Igreja Matriz , e ^'sse- 
^-eroirenv seus 'assentos o Capilaf) António Bi. 
.ecdo Coriez have-la ^islo. Cem a familia d^ 
Monteiro , que consigíia em duas filhas , e doug 
Êllíos , à qne estavam unidos vários sVr^^^a- 
dos, e êOO Índios, principioo a cuhum^^do 
Í3aiz, que eia nnia parte de Provincia Tom- 
prdienciiíía na Capitania de Santo Amaro - ' e 
acontecendo depois de alguns annos apertar 
^lu uma. Náo Oiiande^a, qye do Pêro via- 
java com agua aberta, no destino de repa- 
rar a snaruisa, despejou a carga no sitio 
denomifiado Ponta das Canevieiras, snppon- 
do-o deserto : mas surprendidos os incautos 
TOâreaiiíes por Monteiro, qne com a sua gen- 
te os foi fitacar, .precipitadamente levantaram 
as' tendas, e deixacdo; em terra grande par- 
te da carga metálica, tornaram êos mares. 
Eeccdbidos os insiálanos cora aquelle despojo j 
naõ cogitou Monteiro / nem os seus compa- 
nheiros de males futuros: mas offenditios os 
Pllandezes dá passada surpreza , naõ tarda- 
ram em lhes apparecer no anno seg^ninte mais 
acautelados; e tomando à seu bordo, no Rio 
de S. Francisco, um pratico da Cosia, e do 
paiz, demandaram a Ilha. Como por aviso par- 
ticular de um amigo situado n^aquelle lugar 
soube Monteiro da vinda , e intento dos no- 
vos hospedes, preparou se para defender o 
desembarque na praia (boje) da Vilía ; ena5 
Pl^veodo, que seus inimigos procuravam ou- 
tro sitio, alli os foi esperar : mas desembarca- 
dos CS viajantes m Piaia chamada de Fora, 



S70 



Memórias HisTònfCAs 



e fâzeiíáo-se tóiiliores do terreno da Igreja; 
por uma picada que abriram , a prehenderain 
a Mooteiro com a sua familm. e o obrigàr&ra 
à restituir a prata , que na mesina Igreja el- 
le havia depositado. Entretanfoque se coa- 
iliiia a^ principal diíi^encia , procuravam oâ 
da comitiva eiitretér-se no engolfo víéioso com 
us fíihas do dono da casa : c porque com tê 
mesmas armas dns afrontastes qiiÍ2 Monteiro 
despicar tantas injuriaiJ praticadas à siía vista, 
mffveu a morte , que Hie deram. Por ^ est<* 
flicto {5c retiraram da Ilhaíos filhos todos de 
Monteiro, e na Lacuna, para onde Domingos 
d^ Brito Peixoto jmí havia apartado antes do 
rnesmo Moaleiro , foranu assentar a sua riven- 
da, ficaRd<5 por isso qnasi deserta a Ilha [wr 
inuilos annos. NVsse al^ndomí se conservava . 
tlMarido o Con.de de Sarzedas , General de S. 
Psuio, mandou da Viila de Santos ^•arios ca- 
ries à povi)a-i:i , e para !^*overniL-la o Mestroí 
de Campo Sebastião Roflriofijes Bra^.tiça , «. 
quem acompanharam o Capitão Mòr Salvador 
de Souza, e o Satrg^euto Mòr. Manoel Manso 
cJô Avelar. 

No meio interior da Ilha está situada a 
Villa Capita] n^ima lino-iia de terra , que for- 
ma nm estreito de ISO braças de va<5 . e^i 
eú\zs extremidades se c^nstruirani doas For- 
ttts ^ titulo de defenderem a pas^èasc^m para 
o porto d^ella, ^ qwarhe só habilà cmbar- 
cações pequena'^, como Snmacas, e Ciar vetas. 
Em frente da mesma Vilía, fica ao Sul^^a 
Pr^m chamada da Vilía , e ao Norte a Praíí» 
de wíd; á Le&t% a Seira da B^avis ta, e à 



Bô Rio Dl Jankirô. 



2?1 



Oeste a Ponta do Estreito, d*oncIe iíj&ensU 
velmenlfe prÍH<:ipia à eievar-se o Monte dê 
Kita Marra, que cura o oiitsa mais inferior 
cobrem a retaguarda da Yilla. , ficaado ambos. 
enti;e ella^ e a Praia á^ fàrav que defendem 
d Forts d@ S. Francis^ço Xavier, (2) e as duss^ 
Baterias, d^ S. Luiz , {3) e de S. Joaõ , (4;), 
Qom>^ defende o Forte de Santa Bajièara , (di 
â Praia da.Vi]Ja. Este edifício.,, d^ %ura4 ex- 
travagante / tem a sua Srmsaã n^m^a* pedras.^ 
fouca distantes d 3t praia,, e he conununica* 
^el p@i? uaia ponta i e suppostoque defesd^ 
sofrivelmente o sitio, a sua detleiísa, principat; 
deve eíMisistii: na passaj^g®. do Estieilo, para. 
que naõ se^a. peneirada/ €ofn esse fim- se cons- 
^uiu uma^ Bataria eso iSO braças de largu?^ 
nii Punia que forn>aí ©.Continente,, e tron^ 
tmra. à Ponta da Ilha,,^ no E^sireito onde sfi- 
%^ê- a Bivt^ria de Santa Anna , construída enj^ 
Í7(5â peio. Gq v.er=nadoc Francisco. António, CaxK 



' .1 ■ ' ■ U Jil i ■ " l a- ■ 



Cardozo de M.enfcze». « Squzs^ peip. risco do En^enhtiría. 
dmn Custodio de 8á e Faria. 

. (3) Levaatada enci Í77Q pelo Sargento Mqt Frao»^ 
eiisco Jpzé da. íloza.;^, *elida ^iiv,tótnador: Kriuiebcg^ 4% 

(4). Construidaiííte fiisiiia. ena tmm fim» pelo Sôri- 
gento Mófi Engeahtiiro Joakim Gorrea €Ía Strr^ no priíifu 
<QipK) da»|o«:eriio dfc Jqílõ Alberto d« Miraada Ribeiro^ 

(5) Ertgido ii'aq»eUe naesifto anno, ( cnde se guar*. 
dará, a polvortt, eujp iiicon¥*initnte fci: reijiediada pel©. 
€íoí^*rmid©r Jq^ô Alberto, nmiidaiido Inzer usa artoazeiu. 
^mnde da outra. parte do estreito em tiirra firme por.çitoK 
m.obí-a tíceu este Forte à^ aar^k dít afmiyieui aií^.yaf*». 



Memorias Hístoricas 



do25o de Meneses e Souza sobre o risco do 
Enofôaheiro Jozé Custodio de Sà e Faria. 

âeodo assas notório , que os lugares for- 
tificados , mas dominados' por alturas pró- 
ximas , e desamparadas, estam sageiíos à se- 
rem ioiuados , e as alturas ganhadas; o con- 
trario disto se verificará , esíaiido^ eiias bem 
deierididas. Devendo-^e portanto considerar o 
liionte de Rita Maria como o foco de resis- 
tência. ^ porque na distancia de 300 braças, 
ihais , ou menos , commanda os lugares , da 
Praia rfe fòra^ a Bateria de Santa ^^Anna , a 
Yiila, e a Caaipanha, além de ser fácil o 
seu accesso ; he em taes circunstancias de ner- 
cessidade , que se coroe o mesiuo monte com, 
liraa obra canaz de servir de CiJadeila á Yil- 
la. i\ -serra da Boavista , próxima a mesma 
Vili^ , bé muito superior áquelle monte , © 
ésti dentfo do alcance da artilharia ; porém 
sendo vencível por algumas partes ^ n!euíras 
se encontram escarpa,? , que a fazein menos 
apta , e consequentemente mais defensável será 



á % 



ubida dos inimieos. 



.Tom esta ilha pouco mlís de 8 legoas. 
no seu maior comprimento , desd'a ponta do Ra- 
pa , até a dos Naufragados ; e a sua maior 
largara, desde a Ponta dos Freixos , até o 
Pontal da Ponta Grossa', he de 2 lègoas , e 
|-(6}. N-eila se creon. em 1726 uma Villa , 




Bo Rie DE Jakeir». 



'IZ 



ewjos reditos uno dicgçam para as dtspci3:s 
©rdinarias da inspecção da Cí-.mora , concor- 
rendo á conserva ia pobre a falia ^'e 1 inales 
cerlt)s do seu ilecio , que por isso iír cUni- 
doso o luímero de propriedades cbri/^adas à 
pr^gar~Il;e foros: e supposfo coiisle d«s tilti- 
mas Ordens Resfias de 1765 haver o Deseiiv 
b5ir£>'a'ior Rafiiri Pires Sardinha. Ouvidor de 



aí^íiriUfí:!^ , feito essa medição, a qual coí-í- 



V 

ílrniuraiB as rr.crrr.as Ordeas , imvcrido-a por 
boa , corno nno spparf^ça FíOíí Livros da Ca- 
mará dcrlaraÇBÕ alguma, oii tern?o , <^ue pa- 
tí^ntee, se pmcedeu no anno de 175!^ à lun^a 
mcdiçaõ do Recio ; c julgando-se es?a dsífe- 
rente, da primeira , mandada observar pelas 
referidas Ordens, liaõ prodoxio enlaô o seu 
cffVito, íirandp por dividir leg'a!mcntc o ter- 
reno competente ao patrimoniii da Camará. 

A Praça da Viífa , apesar ác grande, e 
proporcionadamente vistosa, be contudo irre- 
j»:ular , e nVl!â'se acham só construídos trcs 
edificios públicos. Tacs sam a IgTeja Matriz , 



de que fallei no T. 3. 



pa 



75 , a Casa da 



Caauira sob a. qual está a Cadea geral, e 



mo Q stia larcMua , sendo fpta em algurauS partes c\e 
qtuíKi dunn legous , em ontriís de iniia sò , ti em oatrj-s 
liRÕ ch{^trart<.>]o a nm terço; de sorte ., qiie toiii!tiid<t-se 
por íiir^ura inediíi a de luiiu U^iv^u ^ t.e pôde di/er, ^ue 
esiu jíhu iiaõ te Si idiíÍ» «Io que ^eis lej^oin emeia «.«vu- 
druJis (fe snperHcie ; í-to he , |)«»nco u.his da dv;od!(i- 
Jjiii p:tjte do que s;f' cuidou até«4í)ni , íjup ella tives^h^ , 
dando-llie^ voaío íaziaísj , df--?*' le^ou?- (]e comprido, eMi» 
de lar^o, e muito r^rnos iiríalivumeiUe aoo (]ue Uie da- 
vnm sjuíitor-re k^roas, 

2úm, IX. 






ê7* 



Memouia» Unromem 



a da residência dos antigos Governadores, oii«. 
de se conserva a Junta da Fazenda , eon^ 
boas accommodações para o actual Corpo de 
Guarda, A .excepção da Jgreja\, cujas pare- 
des se construiram de pedra , e desta caza, 
saní quasi todas fabricadas de páo á pique, 
e cobertas de barro : e semelhantemente , além 
de algumas propriedades levantadas de novo 
em ponto alo de sobrado, a da Camará, e^ 
a dos Governadores , todas as outras naõ pas- 
saS de baixas. As ruas principaes , e soas tra- 
Tessas , que formoseam a mesma Villa , e fo- 
ram alinhadas quasi iodas , ainda boje naã tem 
cbeios os sei-is vácuos , nem ccshecem calça- 
das de pedras , de que a durexa do iêrreno» 
as dispensa, por isso que naÕ incommodan* 
pela chuva os que o pizam, Note-se porém ^ 
que na Villa nenhuma fonte há ,^ onde os seus 
habitantes achem aguas puras, nem perennes ;. 
por cujo motivo usam das que Ibes vam de 
fára , e pela maior parte d'algumas infectas ^ 
ou apauladas. 

Uma casa erigida na mesma Ilha sobre 
páos de plumo , ou esteios , com o nome de 
Trem , e destinada para os fabricos das Obraa 
Reaes (onde pouco se trabalhava n*outro tem- 
po , por faltar a paga aos operaiíios , de que 
procedia o conservarem as peeas , em todas 
as Forialezas ^ necessitadas de novas carretas, 
c desprovidas de seus pelrerhçs mais precisos) 
nada mais era, do que um telheiro. Outra, 
destinada também para Alraazem da pólvora , 
e construída tigualmente d@ páo á pique 
com coberta de barro , além de incapaa 



b» HíO DG JaKSIRC 



rsis 



para esse uso, foi situada em lugar multe 
máo. 

A casa do Hospital Real , por escura , 
peiquena, e sem commodidades para os cu- 
rativos dos enfermos, fundada em lugar, on- 
de as aguas d*uma lomba de terra próxima 
com facilidade se comm única m por todos o« 
quartos (sem forro) , e junta essa humidade 
á da noite , que se introduz pelos telhados; 
tudo coopera- á fazer gravemente doente qual- 
quer ind-ividuo, que para ai li entra eom es* 
perança de •vigorar a sua «aude. A\ém d^essô 
Hospital há o da Carklade ,'e chs Púbres , fun- 
dado pelo Governador Francisco de Barros 
Moraes Teixeim H^mes , como se verá na 
sua memoria , p^ra cuja subsistência conta 
áj}enas com o Capital de 300:000 reis , pago« 
á quartéis, que a Beneficência, e Real Pie- 
dade ' lhe permittiu anniialmente dos Dixinros 
desta Pfoviíicia. Bem se vê portanto , que de 
fundo taõ módico , e quasi insignificante , naÕ 
Jie jamais possível, que tenha dura^aõ esse 
taõ útil estabelecimento , sem outro adjutorip, 
qual as esmolas do Povo , para a sua conser- 
vação. He porém lastimoso , qile existindo 
ahi esses dous Ho§pitaes , ao menos para o 
primeiro nao se destÍD?ísse um Professor de 
Medicina , nem de Cirurgia , havendo àpe- 
fias mui poucos destes ultimos parai acbdir.à 
tantas necessidades da povoação continental. 

Os Jovens do paiz acham nesta Capital 
os Professores das Primeiras Letras, e da 
Grammatica Latina, para a sua instrucçao, 
cujos honorários se ^s^gam (ainda que rnuit^ 

25 ii 



*f* MSMORMs Histórica» 

»iaf ) pelo S.,hsidio Litterario : (7) e «end» 
a»sa* aecessario , que par outro» lugare» d! 
Promeu h«ja™ Mestre» iguac* . como prt 
videuciOM a lie.oluçaõ ^do Senhor D. Joaõ VI 

SJ, ^'«'^«. contudo sente ainda ess» 
Í3.Í4 ta esperariça de meihorctf de fortuna eia 
ííefleSciQ cio Hublico. *" *» em 

^e# («): e a vjvenda no geu território, bem. 
^ue anr^uei e muito fertii. foi. naõ obi, 
tante , pouco freqBenfada , até o anno J 723 
etn que por Ordem de Elll^ D. Joaõ V nas* 
sQii nameTOsa geute das I!lia« Açores àJiabi- 
ís-lo:^e muito mais cresceu a população . de- 
poia de Re^ohet 9 mesmo Scheraao ' a Cou- 



■"•■^ < ■ > I ». . 1» , 1 



^'«t.-E .^ ^"í *• P- 2- P^K.. 80 nota 3. Em S»nta 

f g«»*™ «"". ■»<>«• fc») » a,, febres» periòdic!, ° ( ,?«" mui 

j ® o mç2 ,ie Juiha, ate » <ie Outubco. nela m> 
^«ça, d« e«aç»5 eal„,;,s, pura o h.,ern^ ^ em c^ut Ui»! 
fo »em*.n os »Pato» SQ, e O (muuMa.;)^ e T.pí^ 

ICtíS^da: bT" *- te.uperud». A> ^«^'b:;;!^^: 
T-ia 5 Z ? *"'" "''"''''■'' ' "l^* ' <l«l>iJas d» barba 

*»«!*, va.n apoiK-cef na* praias dos sabok , ouíe w fi.- 
»em aa oi,eraí<,m» próprias áa* Ar.Baço^.„» ,' , ^e eonse'1 
Ta» por ma„ de ,e;*. e oito me.e, .^„fieio«a„d«T n,^ 
voaçoe,,. »,.j„ha,. ,é attribuè o. maaaaciai das m,ole jkí 
2>.: km-oas hoje eonheeidas peta Provincia; e noXç. "I 

l»tew* *. azm ctaioado de pote. «*' » «»«« s» 



.Ji^^^i 



3ê Hl© 5»t JÀVTlJLél 

•ulU ío CoBselho UUramanoo de 8 de Agos. 
to de 1746, mandando transportar d'a(juella9 
lihas para as partes do Brasil, que fosse ma»9 
preciso povoarem-se logo , (9) alé quatFo mi| 
Cíiaaes , *paru cujo fim deu Regimento em 5 
áe Agosto do mao seguinte , Cbtendepdo a pro^ 
vidência , e a gniva às lihas da Madeira. D a- 
lii se originou sà Provisão de ^ cie Agosto de 
1747, que regulou , e ciispoz o eaaleleci- 
iKento d^aquelles cazaes (por outra licísoJu* 

Saõ de Coiísuka do aiesnio Coiueiho de 26 i^ 
unho d^^esse anno) determinando ao Goyer^ 
i>ador do Rio dé Janeiro, e ao Brigadeijo Jo* 
í^ da ^ilva Paes , Governador da Ilha , e d 
Continente do Rio Grande de S. Pedro, 
lhe era annexo , © cuidado sobre o bom ar- 
ranjamento dos novos Colonos , com os quaes 
pareceu conveniente começar a sua fundação 
ttltiEaa do lugar da ilha. (10) Eai observan-. 



•Ki.-»^-^^ ^^ Edital pftiblica^o »•» Açores, pernâttia 

EtKei a emigrtíça5 veluntaria do» que nlli habitavam paí 
ra o Estado, do Brasil , a. ^uem se daria o tiansnort» 
corapetetiíe peia F, R. V. Ah, de 21 de Abril de I75I 
Passaram eiitaÕ para Sasta €atbaMaa , e pai?a & Rio Grai^ 
^e 4ç^ pesgofis ero qvsatro traa?portcs. O Decreto de 3a 
d€ Junh» de 1294 Miaiid©^! ^emimu Irar para a Jíha de 
S»Rt» Caihajrina ♦ D%rt'de do Maranhão e Pará: mas^ 
attenta a bondad« d« seií cli»a , prohibia o Derreto de 
Çí^de N^rembto de'l7€|7 ^ssa comaíuta^aõ, ©Mlenando » 
que oft íeos oiei^eéeáofes do degredo do Brasil ^ se dts* 
tmassera para a Capitania de Mata-grosso, Kio-Branco ^ 
lÍ€frro ^ t Madi^ira , sitios de clima» meiios faTori>«ei* ^ 
« €«ja poToaçaõ precisava pr^movcT-se. 

fio; O» ca2a«s de Ilheoa A^^oristas , p«r efíeit^ s^ 
«* de 16 de- feueiííiro 4e 1813,, mí 4i»t^ibiiuiai ^ulm- 




273 



MíSUonrAf HiâfonreAt 



cia da Provisão referida se escolheram os si* 
tios mais accoi»nfaodadoa , e próprios à crea-» 
çaõ de Lugares , em cada um dos qiiaes se 
deviam estabelecer sessenta cazae&, e n'elles 
constituir logo Juiz na forma da Ordenação* 
D'essa época era diante principiou a Ilha , áf 
florecer em "habitantes , contando-se no Dis-^ 
tricto da Villa Capital pouco menos de 5^ in- 
dividos , e pelo termo do Governo o total à 
cima de 44:041 almas, excluidla a Tropa, se- 
gundo o Mappa do Ouvidor ao Descrpbargo 
do Paço em 1818. 

Augmentados os braços cultivadores, en« 
txou aquelle terreno, aindaque montanhoso, 
e pedragoso , à produzir com prodigalidada 
quanto os novos lavradores entr^egavam de se- 
meadura à sua fértil nutrjçaõ, sem demasia- 
da industria , à que a pobresja naõ pôde au- 
xiliar, mas com snfficiejite applicaçaõ. Unida 
por tanto a impossibilidade dos Colonos à uma 
Provedoria também pobre , à uma Camará de 
rendimentos mui limitadas , e ao Comnaerçio 
^uasi insignificante do paiz , (11) tudo con- 
corre para a falta de augmento mui conside- 



Çapitanias do Rio de Janeiro , Espirito Santo» Porto Se* 
^uro, S. Paulo, e Minas Geraes ; e ôj filhos destfafo» 
ravíi isentos de serem recrutados para. o «erviço da Tropa 
de Linha, e deâobrigados. de servir aos Corpos Miliciaíioa 
contra a sua vontade. Esta niesnia< gra^a ticòn extensi\'a 
á todos os mais cazaqs semeliiantes , qwe para o futuro 
possam vir estabelecer-se .nas Capitanias do Brasil ,> pela 
mesma maneira , que estes. 

., (11) Pouco mais de 19 lojas de fazendas secas, é de 
4^ do. ínolhadasy se acham ahi estabelecÈdajs* 



DO lílO DÊ jAVtmèt 



tno 



ravel clesta previncia. E contudo , sein3o cer- 
to, que só l-.oCO milhas quadradas de terra 
se tem cultivado alii ( porque huma quarta 
parte dè mais de duas iegoas comprehendidas 
entre a ponia dos Fieixos , e o Pontal da 
Ponta Grossa , abunda de Pântanos , e de 
Lagoas, impedindo a agricultura, que ape* 
nos se exerciía em fiouco tnais de ^ de legoa ; 
e da parte de lerra fume para osertaô, sô 
cm 2, á 8 Iegoas que se acham lavradas > 
fioando tudo^uais iriltihpor crlros pâníauos> 
líjgoas , areiaes , e rios ; e conservando-ge 
alfm disso ])oy povoar ainda S^'-| Iegoas de 
terra áesóe a Laguua para o Sul , até o Rio 
SloiTibituba , e o Serlaô tcdo , que vai até 
a Serra da Cordilheiía, por onde se divide 
o Governo da Ilha com a de S. Paulo); fa- 
cilneníe sededuy., que o atrazsirenío de cul- 
tura d^essás terias, e per cor.sequercia o do 
Ccmmercio , em \m terrilcrib a^sás pródigo 
nas suas producçccs, elaindarte de mineraes, 
e áe vígetaes , e criadcr de todo e qualquer 
fructo, geja pioprio da i^nicrica, ou da Eu- 
Topa, tem sido occasionado por motivos mui 
justos. 

Conta-se ccmo a primeira cansa a faltâ 
de estradas para o iríerior do Continente, des- 
de a Villn da Laguna para a de N. Sra. da 
Graça do Pio de S. Francisco , e dcfde a 
"Vllla Capital para a das I.eges , e outros iu-» 
gares da Capitania de S. Paulo , de cujos ca- 
minhos depende sem duvida o augaieuto da 
população, da lavoura, e do Con^mercio , o 
qtie twdo concorre para o accressiiLO àm ren» 



- ú 



Í580 



Memorias Híst^ricaí 




dimenloa da Cdroa, Está patente, que o p»- 
vo he pobre , a Gamara , e a Provedoria , e 
Bestas circunstaacias h~3 difôcultoso entrar no 
grande trabalho de abrir novas estradas pel» 
Seríaõ, cuja despeza na5 se faz com mize- 
rias. Os habitantes da marinha, e os do inte- 
rior da Ilha, que vivfôm acanhados, e sem 
laiíÇiiezas , tendo o meio das estradas , iriam 
povoír a? t'^ms incultas, (12) ambiciosos de 
niuílar de fortuna ; e por este moi«» se fre- 
quentariam os cisam entoii entre ós lavra lores, 
por cuem seriam repartidas as (erras em be- 
iie^cio da povoação d'elhs , e das mesmas cs- 
íradis , que porisso se freqnentariafn. Tarnbem 
os moradores da Villa das Lnges , e os d ou- 
tras situacoens , ou mais prpxgnis , ou nnÍ3 
remotas da Capitanii de S. Paulo, se apro. 
veitiri'im desse auxilio , que lhes diminuiria 
a diíKcallale no transporte dos éflfeitos do 
pai^:, e ni in^rUa^çaõ d«> íçil> pJira a Ca- 
pital , á\ ^n■\\ ãuUva *i5le<çoi3, utilí^aadp ss 
de \r\\i estra U fraica , pfjrque poiiaíu CKportir 
todos os se-í3 g^Moríis com^nerciaes. D'dhi re- 
sultariam outros proveito)? nl:> pequenos, c»- 
Tnu sam a *'fÀÍ)ríi!o de pactos pára a criacio 
de si'l<»s , e n qu3 ac!mriaia conveniência 
excessiva , e o maior calí>r na asrri cultura em 
terreno pjnx'?e. Os reditos da Coroa pelo^ 
Biziír.-v^ , Díreitrrv, Pass-iírens de llegistros 
e Quinto do3 Couros , seriam mais avuiíacf* 



(12) Vede a taômoria do Gorernador Jozé Fcic-ira 
Finto. 



DO IJlO DE JANfilRO; 



ÚÒI 



se dessas estradas houvesse maior zelo, e cui- 
dado ; poisque do seu trilho ha o proveito do 
augmeoío do Commerciw interior das Provín- 
cias , assim como da sua negligencia , e má 
dispoziçâo se origina a decadência do mesmo 
Commercio, e do estado f*m gera!. Supposto- 
q-ue se abrisse a Essirada para aqoella Viila das 
JLci,yfc;3 , a falta de soçcorros espirituaes , e ca- 
iholicos em meio do Sertão , tornou quasi 
.sem ^íFeiío o trabalho ; poisque os novos Co- 
lonos ,: repiigTíando. íirraar ^os seus estabeleci^ 
mentos em iugaies hermos, onde* nao se tem 
prjovideiiciado o pasto espiritual , deixaram fe- 
xar de novo o miUo. Por essa caosa naõ se 
cultiva o.loiig'0 SeríaÕ 5 njem os effeitos áa sua 
lavoura. se,pode.ram conduzir aborda d'agua , 
deixando-se de* preparar pastos sufficicientes pa» 
ra a criação , e sustentcf do gado necessário 
i-os transportes:: do que he consequência gerem 
í-ó cultivadas as terras próximas à marinha, c 
cOs rios 5 onde chega a navegacaÕ por terra 
firme. (13) / 

Concorreu como segunda causa , para o 
Referido aíraz^uneoto da lavoura , e do Com- 

mercio neste districto , o recrutaraento de in- 

* 

dividuos para formar na Ilha um Regimento 
de mais de 700 praças ( número entaõ despro- 
porcionado ao total dos habitantes capazes de 
agricultar as terrais ) ; cujos braços / logoque 
faltaram, se fizera5 sensiveis à lavoura. Se 
na formação do Resrimento naÕ se attendeú à 
proporção úo povo, que havia, quasi todo la- 



(IS) Vede a memoria citada na nota antecedfote* 

Tom. IX. m 



^ 



Mtjyr^iiijis ITii»T0!i7f^ 



^radòr^ mfenor attençaõ se observou r\^ nrr?r« 
BisaçaÕ do Corpo Auxiliar, que, exceptuEdcM 
os de menoridade, os velhos , e os aleijadoí, 
comprehendeu todo Povo : e trazendo a Auxi* 
liatura comsigo alguns pesos , como saõ a 
desf)éza do farda me nto , armamento, &c. , ea 
perda de tempo na cultura C*o campo, tudo 
concorreu para diminui-la. O lavrador obriga- 
do à trabalhar para si , e para a sua fanii- 
lia , às vezes avultadíssima , he ignaimente obri* 
g^do à trabalhar para sustento da Tropa de 
Linha, semqiie, em qualidade de Lavrador, 
t)n (te Auxiliar , fique isento de trabalhos' |>u- 
T)lieos em fabrico , e concerto de pontes, de 
caminhos, de cortes , e conduçoens de ma- 
deiras, de faxinas , de paradas, e outras oc- 
icupaçoens semelhantes , que atrazam as la-» 
fourâs. 

HjC terceira causa a falta de pagamento 
iías farinhas, c d' outros géneros tomados à 
Ibrça para os Armazéns Reaes ,' o que inbibe 
o» lavradores de cuidarem nessa cultura, obri- 
gando-os à occul tarem es mesmos géneros, 
de que precisam para a sua subsistência, e^ 
commercio : e he quarta causa a falta de bra* 
ços cultivadores, que estendam a cultura ésa^ 
terras com outros géneros ,. alêra dos ordina-^ 
jios. 

Ninguém ignora , que © Offieio de Lavra* 
áor he summamente laborioso: e ainda -em 
éccasião de cessar o trabalho actual , Bunca 
se pode considerar ocioso , por que de conti- 
»uo está occupado em dispor 09 trabalhos fu^ 
turos^ c que se seguem uas à ©atros. Par» 



90 TXio DE Janeiro* 



i83 



adoçar portanto o exercício activo do larra*^ 
dor, c promover a cultura com proveito d' 
clle , e do Estado , sempre se consideraram 
efticazes 03 meios do premio, e da honra, so- 
bre os privilégios, e isençoens posaiveis, e 
proporcionadameRte distribuídas pelos que ma- 
ia se avantajaram na qualidade , e augmento 
da agricultura. Por este modo , e sem dispeu- 
dio da F. Nj-alêm de ficar satisfeita o lavra- 
dor, e raeno» sentido dos incommodos pelos 
pesos públicos, utilisa-se mui coBsideravel- 
mente o Estado com a fartura dos effei-? 
tos ruraes, e com o giro de maior coínflaer'» 
cio. (14) 

Sendo a terr2} da liba , e seu contiaente 
mui %rtil , e assas productiva de tudo qu^ 
o^elía se planta^ a mandioca nutre-se abun- 
dantemente para dar a annual somma de mâi« 
de 300 , à 400-^ alqueires de farinha ; o mi- 
lho chega em cada anno de 16, à I7(}5i, al- 
queires ; p feijão , excede de 9 , à 10<^ al- 
queires; o arroz , passa de 18^ à 19 quin- 
taes-, a cebola, dá para cima de 10 A rcsteas , 
e o alho, além de \1^ resteas: a cana doces 
trabalhada em 288 fabricas, (15) cuja cultura 



(14) Vede Liv. ?• Cap. 4. n. 2. e Cap. 6. 12. e 17, 

(15) Dentro do Termo desta Província constava exis- 
tirem àa referidas 288 fabrica» de ossucar , umas maiores , 
outras menores ; poisqu€ no diftrieto da Villa Capital 
co!«:avam-s€ 28 ; no do Ribeirão 36; no da Lagoa 47 1 
110 das Necessidades 37; no d« S. Jozé 9 ; no de S. Mi- 
guel l7 ; no da Enseiada de Brito 29; no da Itepocoroia 
7 ; no da Laguna 54; e no Rio de S, Fianciscó 24 ; ma» 
pelo Mapa feito em 1797 » se observa haverem oeása épo- 
ca ^ò^ somente , e por consequência a difíeren^a de 2t 

3Q ú 



^^l 



Memorias Históricas 



principiou em 1779, produz mais de 700 quín- 
taes de assiicar , e mais de 70i3> medidas de 
aguardente ; poisqiie deste género chega a tanto 
a fãrtiira em alguns tempos , que não hayendo 
Vasilhas para recebé-la , muita quaiilidade d'e]la 
se perde, e se deixa de trabalhar. O anil cresice 
espontaneamente ,€omí) ornato: o café, prií- 
cipiado à cuhivar-se com actividade desde Í786 , 
vegeta iiyciito bem , produzindo 280 quintaes 
dentro de 23 annos : o algodão , chega à fa- 
zer 3'|> quintaes : além dos legumes, e fruc- 
tos próprios da America , criam-se ahi os da Eu* 
3ropa?*coili igual , ou maior fartura. Do linho 
tiram«se mais de 18 quintaes ; e o criado eai 
VilJa no?a ( Preguezia de Santa Anna) he se- 
laielhante em bondade , e. perfeição ao d^ Por- 
tugal j como he o trigo , de que se colhem 
íDuito mais de 4^ alqueires , e a cevaâa. Do 
cânhamo naõ ha ainda tanta fartura, que ex- 
ceda à ê quintaes; (16) a cochonilha prospe- 



fabnças , numerando-se no dii^tricto da Capital 3.5; no dO' 
l^ibeiraõ 4l ; no da Lagoa 38; das. Necessidades 29 ;. no^ 
de S.. Jozé 17;^ no de S: Miouel 21 ; no da Enseiada ds 
Brito 36 ; no da Laguna ]3 ; no da Villa Nova 9; e fi- 
malmente no do Rio <4e S. Ft^ancisco ÍQ. No mesmo anno 
subsistiam no di^tricto do Ribeirão 2 e igenlios somente 
de pilar arroz, e cutros tantos no de 8. Miguel. Por to« 
dos os lugares à cima referidos ai^ham-se 279 ■ Atafanas , 
§84 fabricas 4e mandioca paru- farinha , e 32 de* cortir 
couro. * * 

{16) O- linho Çanamo » ou Cânhamo, cBJa cult«i:a 
nas Villas de Santarém, JVIoacobvo, e em Coimbra, foi 
objeçso das Providencias Regias de 2 ds Dezembro de. 
1653 , 4 de Junho de 1656 ^ \5 de Março de 1658, J5 
de Março de 1659» 4 de Março de 16S4 , e que final*^ 
nieat^ extinguiu o Alvará com for^a de Lei de 2à de. 



Do líio DE Janeiro.^ 



285 



roíi muito Ijem em outro tempo, (17) Além 



Fevereiío de I77I , peloa motives ahi declarados; he co- 
nhecidaineníe uma das boas producçoens do Couliiiente 
do Sul, onde v()jÈ;fta rn-uito bem a plantação, fazewdo se 
do seu ptoducto ^Jasticas para cordoallia , como nos pai- 
zes da Europa. A' pesaf da grande diííicnldade em eon- 
sf^uir a setnente , couí que se podesse fazer experiência" 
da sua vegetação boa, ou má 5 houve-a por casualidade 
o *Vire-Hei Marquez de Lavradio de um navio Fiancez, 
e coiíí efpecial cuidado a dibpoz ; e das poucas espigas, 
qua escHpurarn aos puísaros , mandou as sementes para 
Santa Catharina com pot-itiva ordem íle se plantarem alli , 
õ que hn executou, c taõ ieiiziiitrnte , que ao íenipo da 
invasão da Ilha j^tltís Ca^ít l-haiifes se espersiva do linho 
mui abundante coliieita ; muy p>or esse f«cio dess^racado 
deixaiido *a maior parte dos "lavrudí rts de cuidar" da sua 
cultura , alguns houveríim , a quí sn o deleixancento naÕ 
privou de conservar semewtes , que em C!»tavaõ mais ae^ 
cdramoilada se propaga raiii pelo unesmo território da ilha , 
e pasíiàrain ao Contiiicnte do Kio (írande; por deligencia 
do. mesmo Marquez Viee-Hei , e do seu immediaío Succes- 
sor Luiz de Vasconcellos e Souza , igual íiiente activo no 
adiantanjento d'esse género ultibsimo ao Estado. Algumas, 
causas concorrem para o curto progres«.o da plantucaõ ,^^6 
cultura <lesse linho. I.a a ignorância da esíaçaõ própria 
para a semeadura: 2.ii o método de prepanir a terra/ 3. a 
o e^tado da sazão do linho para sua colheita : 4.a a demo-' 
ra , que elle deve ter no lago : 5. a o osedo de benoficia- 
io. Tudo isto , sendo aliás lemediavel per huma Direc« 
toria circunspecta , e de bons conlit cimentos *jeste ramo 
de agticuitiTa , naõ se cbnhtce ai?.:da ; porque es lavra- 
dores, »fait«!S de instríccoens 5 (que pcideriaõ ter cem a 
leitura dos livros, se a elles se dessem.), e naõ se arre- 
dando dos trabalhos ordirarios da lavoura, em Quh foram 
instruídos por seus avoengcs .( a cujos costumes t-t acham 
aferriidos \ ,, conservam er.tre si a rj:á fé de lhes naõ re- 
compensar as £r«as fadigas, e suores com o lucro correg- 
ipoiídénte , e a paga prcmpta , romo accontecera aa prin» 
cipio com Antcnio Gmu;al\es Pereira de Faria , de cujo 
facto tem elles a mtmrria viva, \ fde Liv. 5. Cap, '•2. t^ob' 
aa Dá€íiiorias dos Vict^iveis Ã^arquíx de Liivradio j e Lui^ 



«86 



Memoria s Histokiga» 



ábs generoR sobreditos saem deste Paiz os ata* 
nados , as betas, ou cordas de imbe , os cou- 
tos , a goma extrahida da maadioca , as cor- 
das de garauaíá , o melado , o mendubi , o 
peixe salgado , o fumo , e a msídeiía , de que 
se descobrem muitas qualidades p^ra construc-" 
çoena diíFerentes, e obrai fiiias da rnarciaaria, 
cujos productos fazem carga ás embarcaçoens' 
ordinárias do Commercio para os poriog do 
Brasil , e da Europa. 



de Vasconcellos ; e neste Liv. o Cap. 5. seguinte nota (6), 
Sobr' o modo de preparar o Canamo , ê o linho, sem qua- 
lidade alg^^UHiâ de curtimento . como se tem utégoia fça- 
balhado, e só por beneíicio de uma machinu , iuventad» 
em França por Mr. Cliriatian, he mui digna de ler-se a 
Memoria publicada no T. I. dos Atinaes das Scienci»» 
&c. p^i^Ç. 156, cujo uso utilissimo incita os lavradores 
desses geaeroi a dilijçenciar o seu estali-elecisnento, onde 
convém. Veja-se no T. 2 do» mesmos Annaes P. '2 pag^, 
04 a Carta à respeito de outra machifta inventada coini 
melhoramento em Barcelona, antes de Mr. Christian dar 
á sua ao prelo ; e a instracçaÕ desta foi exposta no T, 3. 
P, I. dos Annaes citados. Em Alemaaha, onde por ex- 
|iferiencias faz grandes progressos esse machmismo , tem-se 
coastruido muitos engenhos , que ditferentes machini&taa 
procuram melhorar, como referiu a Nota pag. 58 dos 
wesmos Annaes T. 8. P. 2. Com os Açoritas , habitan- 
tes novos dliste paiz, passou também para aqui a semente 
4o linho ordinário , que vulgarmente chamam galego , 
do qual se tem feito panot cazeiroi , e levadas essis fa- 
bricas á maior perfeição, delias appareçem hoje vario» 
tecidos em riscados , em toalhas, e guardanapos com pa- 
droens differeotes ( á imiíaçuÕ dos de Guimaraens ) , e 
n' outras manufacturas semelhantes. D* essa qualtdade de 
linho he mais geral a cultura , porque nella afiançam os 
lavradores oâ seus interesses , como x\a6 esperam coaseguir 
da plantaç lô do Canamo , e jSorisso recuzam cultiva-lo. 

(17) Vede Liv. 2. Cap. 3. sob a melnona da Fre» 
giiezia de N. S. da Assumpção- de Cabo Frio> pa^. 149* 



Bo Rio t>K Janeiro. 



287 



Em todos os sitios do campo tem os la- 
vradores algumas vacas , conforme n capacida- 
de do terreno que oci^-pamj e do resto do 
leite exírahi-do d^tlla?, para o uso siistancial de 
«lias faniilias, feibricam xiueijos , e manteiga, 
priDcipslmente no distiicto da Fre^-uezia de 
S. Miguel , cujos eíTeitos se coDsimie?n na 
Villa Capital, onde por isso nSo ha precisada 
de outros sennelhantes exportados de pniz es* 
trauho , se o luxo os escúzâr. Seria sem du- 
vida esse ramo de cultura um dos mais pro- 
veitosos , e uíeis , se os campenezes fabrican- 
tes^ tivessem auxiiios , com que podessem fa- 
cilitar o aumento do género c< nimercial , .e 
fossem iustruidos na maneira de preparar pac- 
tos aríiíiciaes , e de melhorar os que tem. Na 
America produ^ a ivatureza muitas plantas,* 
além das ordinárias, qoe nutrem eiiccssi vãmen- 
te 09 auimaes, como he.o arbusto Grandiúòa , 
de cuja íblha, e rama sam eíle^ gclosos com 
excesso: mas a nenhuma curiosidade dos la- 
\radores, despresando a plantação de taes ar- 
Tores, de ^ue podiam sustentar es vacas ern 
tempo seco, para lhes tirar maior quantidade 
de leite, os obriga à piocwrar com algum 
custo as sobreditas folhas, e ramos, quando 
centertí a diminuição do alvo liquido das vacas. 
As aves domesticas se criam, e propagam 
exuberantemente :. as selváticas , como o pa- 
pagaio / o macuco, $i roJa , o guará; e outrd^, 
taíínbem nie multiplicam com excesfo ; os mar- 
recos , e os patos , povoam as Ij^goas em baa- 
d©s notáveis. Deste» ultimes se tka o saai» 
delicado, e alvo * " 




S88 



M EMORIAS HisSTORICAS | 




Distante 6 legoas d^ Villa Capital se de?-, 
cobriram à poucos aniios varias fontes de agiins. 
ílíerraaés , ass;is profícuas à. muitas ívuylestias 
rebelles aos esforços da Medecina , e Cirur- 
gia^ que as. experieacias diárias couíirmam ; 
e o olíío da tonte mais distante hc de i02 
grãos. Para esse sitio se vai, sobiiido o rio 
Cubatão, navegável de.sde a sua foz, até a 
proximiJade de l de legoa do mesmo lugar , 
dando íacil accesso aos enfermos debilitai' ^s , 
ou paralíticos. O D. de !S de Março de U 18 
que audiorisoa a Subscripção proposta pelo 
acta-íl Governador para s.-*erigir alfi um Hos- 
pital eín utilidade dos Enferin 03,^ maii(;3oM, fun- 
da-lo, e para seu patrinic- " ■' - mercê 
de uma leg.oa de terra em ^'mulo no mesmo 
'sitio, emí»que elle se fiMidisse, e de cenv bra- 
ças de clha ladi» da estrada, para se aíForar 
em pequenas porçoe*iá , e por pequenos toros 
com os laotiemios da lei. 

Sam 03 povoadores deste paiz mui ro- 
bustos , e dados ao trabalho rural, mui par- 
cos íio seu trato, e económicos , porque só 
interessam nos meios de ajuntar dinheiro pa- 
ra comprarem escravos, que os ajude na agri- 
coltura, S8 aliás não o gastam todo, ou a ni;ii- 
or parte, em nustentar litígios cotrt os^^yisi- 
nhos, e parentes , por confins de proprieda- 
des, íiio dís^klando cada * um de^car sem 
• iwn- olho* . c^ííí^^i'^^^*^'^^^ o seu rival se prive 
' do doos. Algumas ollarias , e tecias de^li-^ 
»ho , de algodão , e de um com outro , fazem 
u^ dos Tamos do seu commercio. 

Pelo districto da Província acham-se «»• 



BO Rl0 DE JANEIRO. 



289 



tabelecidas varias Cazas para o fabrico do 
azeite de peixe , que chamam Armaçoens das 
Baleas ^ de cujos priucipios darei as* mesmas 
noticias , que Jacinto Jorge dos Anjos Corrêa 
perpetuou na memoria firmada em Santa Ca- 
tharina a 11 de Março de 1620, a qual he 
assim. 

*' Foi na Bahia de todos os Santos onde 
primeiro se estabeleceram Armaçoens para pes- 
car Baleas na AfueTica Portugueza, passando 
€l'alli à praticar-se na Capitania do Rio de 
Janeiro este ramo de Comniercio. O negoci- 
ante Brás de Pina foi o primeiro ( como pa- 
rece) que fundou Armaçoens em Cabo Frio, 
Rio de Janeiro, e Ilha Grande, das quaes ape- 
nas as duas primeiras se conservam sem uso, 
por se ter feito precária a Pescaria, e fraca, 
não existindo já vestigio algum da terceira. 
Depois disso, ou ao mesmo tempo se fundou 
outra Armação na Ilha de S. Sebastião , que 
se conserva ainda, à pesar de ser aUi dimi- 
nuta a pesca das Baleas, eGibartes, como he 
íambem dtminuta a da Beríióga , na barra da 
Villa de Santos, cuja Armação fundou poste- 
riormente Silveístre Corrêa. 

'' Para taes estabelecimentos impetraram 
sempre sens fundadores a Permissão Regia, 
que lhes concedeu livremente o desfructo áèl- 
les por alguns annos , no íím dos quaes de- 
viam pajssar á propriedade , da Fazenda Real, 
com quem os novos especuladores contratavam 
o devido*arrendamen{o. Thomo Gomes Morí^i- 
ra foi um dos arrematantes primeiros do Con- 
trato da Pescaria das Baleas, e o que mandou 
Tom. IX. 37 



290 



MxMOltlil HiSTO&tCÃft 



fundar em 1746 { segundo a melhor opiniaõ ) 
a Armação de N. S. da Pieíhde na barra do 
Norte 'da liba de Santa Catarina, em terra 
firme , eajo edificio he o maior de todos des- 
ta natureza pela grandeza da sua fabrica, e 
o que nfâi» activamente labora pela abundân- 
cia da pesca das Raleas. Suecederam á Mo- 
reira Joio de Couto Pereira, João Campeira 
da Silva , e mitros , qne pelo máo methodo 
na» suas administraçocns se privaram dos gran- 
des interesses de tal contracto y atéque Igna- 
ci6 Pedro Quintella , com sete negociantes mais 
da Praça de Lisboa, o arrematou na l."" de 
Abril de 1765 'por doze annos , coif^preben- 
d^n-do as Armaçoens das Províncias da Bahia > 
c do Rio de Janeiro, pela quantia annual d& 
oitenta mil cruzados , pagos na forma seguin^ 
te: 20^ cruzados na Bahia , 40^ no Rio de 
Janeiro, \0i^ na Cidade d« S. Paulo, e 10<Jj^ 
na Ilha de Santa Catharina. No referido es- 
paço de doze amíDs-^ fizera o esses novos Arrs- 
matantes despezas avultadis&imis em escrava- 
tura , utencilios , embarcaçoens , augmento , e 
reediíicaçaô de todas as Armaçoens , e fun- 
daram de novo a da Lagoinha na Costa de Les- 
te da mesma Ilha de Santa Catherina em 1772. 
Alémdisso pagaram a dous Francezes , que, 
pensionados por todo o tempo da arrematação,, 
vieram examinar , se n&s Baleas se achava o 
Âmbar gris , ou o Sparmacete , cuja desco- 
berta nunca appareceu , em quanto não appor- 
tou no Rio de Janeiro em 22 de Setembro 
de 1773 (pela primeira vez ) hum Bergantim 
de Boston , que andava à pe»ca d% Sparma- 



m 



90 Rio D£ Jáneie*. 



991 



€etc. Da tripulação desse vasos se reparti- 
ram os indivíduos por differentes embarcaçoens , 
e com on s€us conhecimeotos , e iníelligencias 
fizeram saber aos Portuguezes o manejo dessa 
nova pescaria , entaÕ interessante pela abun- 
dância do peixe , e felicidade de adquiri-lo , 
d« modo, que desd* os Abrolhos, até a altora 
de 27^^ do Sul se fazia a pesca, como naÕ 
acconteceu d'ahi a annos , por se ir espan- 
tando o peixe , e correndo tanto para o Sul , 
que chegaram algumas embarcaçoens à andar 
quatro mezes pelo mar até o Rio da Prata, 
sem colherem peixe algum , quando jà no Rio 
de Janeiro , e em Lisboa s^ haviam estabele- 
cido Fabricas para se purificar o Sparmacetc, 
como se purificou ^ob a direcção dos íitbredi- 
tos Francezes. NaÕ obstante o prejuizo que 
tiveram os Contratadores com a invasa5 dos 
Espanhoes nesta Ilha em Fevereiro de 1777, 
e s«r entaÕ o preço do azeite no Rio de Ja- 
neiro 140 reis por cada medida, ganhou aquel- 
la Sociedade nos doze annos do Comtrato qua- 
tro milhoens do cruzados, por terem sido abun- 
dantes as pescas ; poisque sò na Armação da 
Piedade se recolheram 523 baleas. *' Tornou 
a Sociedade de Quintella à arrematar per mai« 
de doze annot o mesao Cotrato pela quantia 
<ie cem mil cruzados annuaes para a Fazenda 
Real , pagos na forma antecedente, em cujo 
tempo , havendo fallecido Ignacio Pedro Quin- 
tella , succedeu o seu lugar de Caixa do Con- 
trato Joakim Pedro Quintella : e o excesso 
dessa arrematação se applicou à beneficio áo 
Rio dc" Janeiro, e da Bahia. A'pegar de seu- 

37 ii • 



ã§2 



Memorias Históricas. 



tir-se entaõ grande prejiaizo pela decadencra 
da pesca do Sparniacete , que os Contratado- 
res eram obrigados a conservar, e de perde- 
rem a pesca do anno 1777 nas duas Arma- 
çoens desta Ilha, por se achar occupada pe- 
los Espanhoes , fazendo^e por isso preciso fun- 
dar na Enssiada de Ilapocoroya/ distante 14 
le^oas da Ilha, uma ArmaçSo nova no anno 
1778 para supprir eom a sua pesca a falta 
,d'aquellas ; contudo ainda se salvou aJgumli 
coisa depois de restituida a Ilha , e evacuada 
a 31 de Julho do mesmo anno, porque d 
pois desse* tem ]}o he fez alguma pesca, e an- 
uo houve ,. era que por todas as Armaçoens 
se mataram mais de mil baleas em uma só 
pesca, d' onde procedeu, que no periodo des- 
sa^ nova. arrematação , lucraram os Contrata- 
dores mais de ^juatro miílioens de cruzados. 
Estas Fabricas, avaliada- n- anno 1789 , de- 
r^m a Jmportaneia de 116:854<;^439 reis. 

•/ Foram os sobreditos 84 annos os mais 
fehzes desse Contraio: pcisque tornando á 
ârremafa-lo Joakim Pedro Quintella , associa- 
do com João Ferreira Solia ^ por mais de 
doxe annos , e pela quaErtia de cento e vinte 
mil cruTados , e tendo fundadq^era 1795 a Ar^- 
maçaõ de Garopába ao Sul afilha, com o 
seu supplemento de Imbituba , mais rneridio- 
nal , cm 179G,. tiveram pescas taõ escassas , 
que^ pouco lhes deu de lucro: por cujo moti- 
J^ó naÕ houve em Lisboâ quem quizesse ar- 
remata-lo. Tanto por isso , camo p®r mandar 
o Alvará de 4 de Abril de 1801 extinguir 
esse Contrato, e o do Sal, que nadava ai'- 



DO Rro DE Janeiro. 



r,f\f^ 



nexo j' concedeu- se a todos os Portugueze-' 
a faictrldade para faaer Pescarias na Cosia , 
e no alto Mar , ordenando-se a venda de to- 
das as Armaçoens. 

'' No^ Rio de Janeiro. naÕ houve quem 
se propozessá coài veras ártal iconipra ; na 
Bahia, porém se veiíderam as d^uíis Armaçoens , 
que aiii existiam, de Itaparica, e de Itaptían , 
Ê se -fiaseram, outras, cujos lucros naõ podem 
ser tâÕ felizes , por constar a pesca de G\- 
bartes. ( uma das vinte e tantas cspeeies de 
Baieas ) que apenas rendem de â a 12 pipas 
de azeite, ficando inútil a barbatana , e mui- 
to por acaso pesear-se 'n* aquíflles mares alg u- 
ma Balea, do m^r do Sul, mais rendosa em 
azeite, e de barbatana servivel. 

'* Em circunstanciais tacs tomou-se a re- 
solução de costear a Coroa por sua conta as 
Arraaçoens , desde o 1, de x\biil de 1801 , 
até 31 de Maio de 1816, havendo em todo 
esse tempo unicamente ( anno 1807 ) o aog-- 
mento de um Suppiemeut-o ao- Noite da Ar- 
mação de Itapocorov^V fundado na ilha da 
Graça em a barra do Norte do Rio de S, 
Francisco. Em quanto durou a Administração 
Regia foi tao pouco o seu iiUeresse ^ q«e 
se naõ houvesse a discreta resolução de pns^^ 
sar as Armaçoens á uma Administração 
particular, no 1. de Junlio de Í816, por do- 
ze annos, obrigando-a á pagar aunualmente 
21 contos de reis, estariam sem duvida as 
Armaçoens presentemente incapazes de pes- 
eaf , pela falta de Escravatura, e de tudo maiíi 
preciso para o seu laboratório ; poiscjue che" 



294 



MfiMOEtAS HlSTÒCARIS 



gou ao ponto de ficar devendo aos Baleeiros, 
e Serventuários das Armaçoens do Districto 
de S, Catharina reis 26:418^190, qae até 
gora se lhes naÕ pagou; 

'' O Inventado geral dessts Armaçoens, 
feito em ISOl, importou em reis 176:424«^797 ; 
e o que se fez era 1816 ^ quando passou 
a Administração á particulares , somou reis 
111:663^3^0, em que se mostra ser o seu 
Deficit reis 64:76 íçj) 177; assim como ac* 
conteceu com a Escravatura , que havendo 
n^aquelle tempo em todas as Armaçoens 52& 
pessoas , se inventariaram somente depois 333 
( em cujo numero entraram 84 sem valor ) 
o que mostra o abandono, e a falta de meios 
para a conservação destas Fabricas. 

^' No principio da Administração Regia 
se taxou o preço de S20 reis por cada me- 
dida. de azeite (que até entaõ corria á 140 
reis) ciijo preço abaixou depois a 240, e a 
200 reis, servindo taes mudanças de motivo 
aos golpes fataes para a negociação, assim 
como contribuiu para o prejuizo dos interes- 
ses da Coroa, e dos Serventuários. 

'' Com á diminuição da pesca, que amais 
de 30 annos progressiva«[ienté se conhece, 
por causa das muitas embarcaçoens extranger- 
ras , que á ella andara, entrou a naÕ haver 
gente, que livremente qiiizesse empregar-se 
nas Armaçoens, à pesar de se augmentar o 
preço de seu trabalho , o qual naÕ sendo ain- 
da sufficiente pelas poucas Baleas que se ma- 
tam , desviou a gente boa de taõ laborioso , 
e arriscado exercício , substituindo-lhe braços 



PO Rio 9e Janeiro. 



295 



presos , e obrigados , e por esta forma véndo- 
se augmentar a despeza â custo da diminui- 
ção do lucro. Nesta consideração, e á vista 
das poucas Baleas que já apparçcem na nossa 
Costa , e da sua maior braveza , pelos muitos 
inimigos que tem , talvez venha tempo em que 
ellas sejam mui raras nas nossas Armaçoens , 
e se faça então preciso &bandonarem-se al- 
gumas. 

'' Sendo as Baleas de grandezas diíTe- 
rentes , rendem por isso umas dez pipas de 
azeite , e outras ha que dam vinte e cinco pi- 
pas : portanto , quando ellas se aproveitam 
bem , se podem regular umas por outras a 
deseseis pipas cada uma , e ás vezes mais , 
cofno tem accontecido ordinariamente nas Ar- 
maçoens da Piedade , e de Itapocoroya , que 
nunca cederam de desoito pipas , dando tam- 
bém cada Balea de 14 a \ò arrobas de bar- 
batana. Pelo que, fazendo-se um calculo fa- 
vorável á vista do preço de S20 reis por cada 
medida de azeite , e de 6:CC0 reis por cada 
arroba de barbatana, que d'aníes se vendia 
fâo Rio de Janeiro a 10:000 reis, pode-se di- 
zer, que cada Balea rende um conto déreis, 
despendendo-se com es baleeiros na pesca de 
cada uma delias 136:000 reis, com pouca 
diíFerença , segundo as Armaçoens aonde se 
matam mais , ou menos. 

** Nas oito pescas contadas de 1819, re- 
colhcram-ie nessas Armaçoens 651 Baleas, 
vindo t tocar em cada um anno 81. Dellaâ 
perlencerarii á actual Administração particu- 
lar ^99, por se terem matado 71 no anno 



tfflCfa 




Memorias HisirORrcAs 



1816 , — 80 no de 181T — 89 no de de 1818, 
~ e 59 no de 1819. Em ordenados^ géneros , 
mantimentos , e fardamentos para a Escrava- 
tura, andará a despeza annual das Armaço- 
ens desta Província por 24 a 25 contos de 
reis, em razão da carestia dos mantimentos, 
e d'outr(>s ■ artigoè ; e porisso estando regu* 
lada a despeza diária ide cada escravo em 60 
reis para sustento, e fardamento, naõ he 
possível hoje , que ^se lhe arbitre menos de 
SÔ réis. ,, 

Sabido o principio do estabelecimento das 
Armaçoens das Baleas nas Provincias do Bra- 
sil, e nesta de S. Catharina , apenas di- 
rei, que a Armação Grande, ou da Pie- 
dade , fundada na Barra do Norte da Ilha 
em 1746 mais, ou menos, tem por Ora go 
da sua Capella a mesma Senhora da Pieda- 
de ,^ e se acha - no distrioto da Fregueasia de 
S. Miguel: a da Lagoinha, fundada na Cos- 
ta de Leste da Ilha em =1772, tem por Ti- 
tidar da sua Capella a Saríta Anna; a de 
Itapocoroya , estabelecida , em 1778 , no Rio 
de S. Francisco, em distancia de 14 legoas 
ao lYorte da Ilha , tem por Orago da sua 
Capella a S. João Batista : ( 18) a de Garu- 
pàba. Fundada em 1793, ou 1795, ao Sul 



(i8) A Armação de Itapocoreya tem sido ufilissima , 
por haver ahi haraa população sofFrivel , de que se or- 
ganisáram duas Companhias de Infantaria Milicianna , e 
nraa de Ordenanças, e ser moito bí>a a swa agricultura. 
Sua Capella assistida de Capellão , aa^reçe bem sei ele- 
vada á Parocbi a /corno requer o Povo habitante desse 
djbtricto. Tem bom porto. 




B0 Rio dk JAíraiROe 



^7 



da Ilha t na Enseada de Brito , tem a Ce^ 
peíla dedicada à S. Joakim : a d© ímbitubat^ 
fundada em 1796, está dentro do distrito 
da Freguesia de Santa A ima de Viíla Nova, 
Termo da Villa da Laguna: e finalmente a 
fundada junto à barra grande do Ríq dè SI 
Francisco, na Ilha da Graça, em Í807, por 
Ordem da Junta da Fazenda do Rio de Ja- 
neiro, está ao Norte da de Itapocoroya. 

Um dos artigos mais importantes desta 
Provincia he o producto da pescaria das Ba- 
leas , em que consiste a melhor parí^ dos ren- 
dimentos da Faz^enda Publica. ISÍo tempo da 
sua arrematação por Contrato (19) pagavam 
os Contratadores reis 48;í)00:000 contos de 
Donativo livres, pelas seis Arma^oens esta- 
belecidas nas Costas , e Portos do Brasil , à 
saber a de S. Domingxís , na Praia grande, 
além da* Ensciada do Rio de Janeiro , que 
a mais de ^0 annos nao usa da Pe&caria ; a 
da Ilha de S. SebattiaÕ » e a da Bertiòga , 
junto à barra da Villa de tantos , ambas fun- 
dadas no território do Governo de S. Paulo, 
a da Ilha de Santa Catharina, ou de N. Sra. 
da Piedade na barra grande do Norte da mes- 
ma Ilha ; a de Itapocoroya , ou Tapocofoya , 
e a da La^t inha , ficando excepti^adas as de Ga- 



(19) Sobre o principio do Ct)ntrato das Baleas vede 
Liv. 2. pag. 161. Esse mesrao Contrat© estabelecido tia 
Costa do Brasil em l753 á fa*or de Pedro Gomes, não 
teve efteito, e se arrematou em 1754 por tempo de seis 
arinos, e pela quantia de 48j> cruzados á FrancJãCM? Wi" 
"í 9 de Souza« • 



Ts7i^, IX. 



38 



tm 



Memorias HistoriCíIs 



rupàba, com o seu supplemento na bahia de 
Imbituba , c da Ilha da Graça. 

O rendimento da mesma Província foi 
outr'ora de 61:058:793 reis ; e a sua despeza: 
andava por 53; 160:000 reis; ficando de saldo 
8;398:79â reis, cujo total na sua maior im- 
portância foi sempre remettido á Junta da Pa- 
aenda do Rio de Janeiro, d'onde lhe vam a«^ 
parcellas necessárias ás despezas (e essas mes- 
mas em porfaÔ mui diminuta , que naõ chega 
a pagar as dividas actuaes) , eorrendo duas 
vezes o riácô dé se perderem , ou n^ saida 
do Continente da Ilha , ou na entrada de no*- 
vo : o que bem ccínsiderado , e mais por ha* 
ver-se representado, que faltava o equivaleui^ 
te para as despesas occorrentes , foi provi- 
deniemente determinado pela Provisão de 9 
de Agosto de 1815 ^ que o In4>osto dos novos 
Impostos > destinados pai-a fundo^ ào^ Banco 
Nacional , ficasse alli para supplemento das 
despezas. Os Dízimos montaram também h*ou- 
tr ora em 30;000:000 rets por triennio. 

Mandando a Ordem Regia^ de 8 de Maio- 
de 1746 informar o GoYernad3(>r d^o Rio dê 
Janeiro, se era ^ ou na5 conveniente estabele* 
cer-s4í no Rio Grande uma Provedoria da Fa- 
^nda R^al, jefifeituòu-se essa Casa de Adminis- 
tração na Ilha em 175J , e foi delia 1.° Pro- 
vedor FcIm Gíomes áe Figueiredo, a quem a^ 
Ord. de 27 de Novembro do mesmo anno 
(registrada no Liv. 34, fl«. 5é v. , do Reg^ 
Geral da Provedor. )*^ mandou pagar o Orde- 
nado annual de 640:000 reis ; c por outr^ 
Ord. de 31 de Dezembro dfe 1754 ^j registra- 



»o I^K> BE Janeiro. 



999 



4a também no Liv. 35, fl. 127, da mesmii 
Piovedor. ) se determinou que a arrecadação 
<^o rendimento dos Dizimos da Ilha se fizesse 
alli pelo Provedor da Fazenda d'eUa nova- 
lueiite creado. 

Em resulta da Provisão Regia de 9 de 
Agosto de 1747, que mandou informar o Go- 
vernador Capitão General do Rio de Janeiro, 
« também o Brigadeiro Paes , Governador do 
Continente do Sul , se em razaõ da distancia 
da Duvidaria de Paranaguá seria conveniente, 
qae em alguína das Povoaçoens d'aquelle dis- 
tricto se pozesse Ouvidor separado para a 
administração da Jastiça; por immediata Re- 
solução de 20 de Junho de 1749 á Con- 
sulta do Conselko Uitraraari|io se creou es- 
ta Ouvidoria por Provisão de 19 de No- 
vembro de 1749, e por Carta doesse anno 
foi provido o novo lugar de Ouvidor da Ilha de 
Sauta Catharina no Baoliarel Manoel José de 
Faria , a quem a Ordem de ^ d*aquelle mez, 
€ anno mandou pagar o Ordenado annual ile 
400:000 reis , dividindo-se da sobredita Ouvi- 
dpria de Paranaguá o território desde o Rio 
de, S. Francisco ao Norte , até o Rio Mam- 
fituba ao Sul, cpmprchendendo o Continente 
do Rio Grande de S. Pedro, que sedeuájuris- 
dicçaõ do novo Magistrado. Foi portanto a 
Villa de Santa Catharina Cabeça da Commar- 
ca , atéque o Alvará de 16 de Dezembro de 
-1822 transferiu-a para a Villa de Porto- Ale- 
gre , determinando, que a mesma Commarca , 
que anteriormente se chamava de Santa Ga- 
harina, ficasse com esta nova denominação ; 

38 it 



W6 



M£»fORIA8 LioxOlllCAl 



mas , naõ sendo possível á um- só Magistrado 
corrigir annualmente na vasta estensaõ da mes- 
ma Comni^arca todas as Villas , de que ella 
se compunha , separadas à grandes distancias , 
umas das outras , e satisfazer com a devida 
presteza , e exacçaÕ a* demais obrigaçoens 
iuherentes ao Ca^rgo de Ouvidor , além dfe 
outros motivos urgentes ; creou novamente, o 
Alvará com força de Lei- de lâ de Fevereiro 
de 1821 uma Coramarca nesta Província com 
a denominação de = Com marca da Ilha às 
Santa Catharina = a q^ial ficou sendo a cabe* 
i;a da nova Commarca , cojo Ouvidor percebe 
o mesmo Ordenado , Aposentadoria , e Prc* 
pinas, que tem o Ouvidor da antiga Com- 
marca , de que ♦esta se desmembrou. Seu dis- 
tricto foi entaÕ demarcado pela parte do Sul, 
por onde se divide a Governo; peio centro 
ficou comprehendendo a \'úU das Lages; e 
pelo Norte , onde actualmente se dividia a 
Commarca de Paranaguá e Coritiba. Portanto-, 
à competência do mesmo Ministro estam as 
Villas de N. Sra. do Desterros de Santo An- 
tónio dt>s Anjos da Laguna, e de* N. Sra. da 
Graça do Rio, de ?. Francisco , comprehendida» 
no districto do Governo da Ilha, à que se aggre- 
gou, por disposição do Alvará de 9 de Setembro 
de lS2f>, a das Lages, que era* da Capitania 
de S. Paulo , c f\>ra erecfa em 17'74 pelo Go* 
vernador D; Luiz António de Souza Botelho. 
Separada a Provincia de S. Paulo do Ge— 
verno do Rio de Janeiro em 1709,- ficou á 
cargo do Capitão General della^ o terdtorio 
ádti Ilha, e do Rio Grande de S. Pedro, até- 



BX) Rio de JANXrRê. 



-801 



f[ue a Provisão de II de Agosto de ^TâB as 
*eparou ^ reunmdo-as à Capitania do Rio de 
Janeiro : e nao havend»® entaõ aiii quem a re- 
gesse , nem p^los ann©» seguintes ^ até a ^po- 
ça do Governo do Conde de Sarzedas Antó- 
nio Luiz de Távora , por providencia , e man- 
dado deste ( depois de empossado a 13 de 
Agosto de 1732) foi commandala. 

1.° Sebastião Rodrigues Bragança, Gabo 
Militar da Praça, e Guarnição da Villa de 
Santos j que ahi se conservou por algum 
tempo. • 

2.° Fran€Í«Go Dií^ de Mello , Cabo Mi- 
litar da mesma Praça / com a mesma Patente 
de Mestre de Campo ad hoiiorem , que residiti , 
Biantendo era ordem os habitantes da Provin- 
€Ía , atè passar com o mesmo Cargo de Com- 
mandante da Laguna , onde^se estabeleceu. 

3k° António- de- Oliveira Basto, Capitão 
de Infantaria- da mesma Praça de Santos , d'on- 
de saiu com um Alferes, dou» Sargentos , cin- 
ceoenta e d ous Soldados ií>fantes , e sete arti- 
lheiros, acompanhados de cineo peças de Ar- 
tilharia , e mais petrechos de guerra, rece- 
bendo n'aquella Praça um Regimento datado 
a 28 de Maio de 1737, que JoaÕ dos Santos 
Ala lhe entreg^ára para o bom governo da 
Tropa destacada. 

Creado na Ilha um Governo privativo, e 
independente ( como* no Kfo Grande ). foi oc- 
€upa-lò 

1.° Jpzé da Silva Paes, Brigadeiro d*€ 
Infantaria dos Reaes Exercites, e Cavalleiro 
da: Ordem- de Chrisio , que se empossou áo 



302 



Memorias Histoiiicas 



governo , entregue por António de Oliveira. 
Basto em 7 d&^ Março de 1789, havendo su- 
bstituído antes á Gomea Freire de And rada 
no Governo do Rio de Janeiro. (20) Por sua 
direcção se fundaram ahi as primeiras For- 
tificaçoens do Continente , como foram as de 
Anhatómirim , sob o titulo de Santa Cruz , a 
de S. Jo?.é na Ponta Grossa, e de S. Antó- 
nio na Ilha de Ratones, situada no meio da 
bahia : e despresando o sitio de terra firme 
para o estabelecimento principal da povoaça5, 
onde as vantagens eram mui ateperiores , fez 
erigir no meio da Ilha próxima , e junto à 
ponta do Estreito, distante da barra cinco 
íegoas , os edificios necessários à habitação 
dos novos povoadores , que -nesse mesmo sitio 
fuccederam ^aos primeiros Colonos. 

Sendo entreémto preciso , que por servi- 
ço do Estado passasse o mesmo Paes à Co- 
lónia do Sacramento , incumbido da fortifica- 
ção dessa Praça, substituio-lhe na ausência 

l.'^ Patrício Manoel de Figueiredo, Ca- 
pitão de Infantaria do Regimento Novo da 
Praça do Rio de Janeiro , e Cavalleiro Çro- 
fesso na Qrdem de Ghristo , desde 29 de 
Agosto de 1743, atè alem de 20 de Maio de 
ITi^. Gorernou posteriormente o Rio de Ja- 
neiro., sendo já Tenente Coronel do mesmo 
Regimento , por ausência interina de Jozè 
António Freire de And fada , e fallecimento 
do seu substituto Mathias Coelho de Souza» 



(^Q) Ve íe Liv. 4. Cap. 3. e 4= 



DO Rio i>e Janeiro. 



303 



desde 23 de Março de 1753, até o anno se- 
guinte, (^l) * 

â.® Pedro de Azambuja Ribeiro, Mestre 
de Campo do so^bre Jito Regimento , ou Terço 
Novo, e Ca?alIeiro Professo na Ordem de" 
Christo , que succedeu à Figueiredo em 25 
de *íaneiro do anno referido 1744, atè além 
de 18 de Março de 1746, no qual se reco- 
lheu o proprietário do Posfo da diligencia, 
que lhe fora eomniettida; 

Continuando portanto o mesmo Governa- 
dor Pães Da construcçaÕ das Fortalezas , e no 
detalhe dos terrenos para os . repartir pelos 
novos p<vvGador€s AçoridtaSy que esperava , 
€m conformidade de positivas Ordens Regias^ 
mal podia pôr em pratica o plano estabelecido , 
faltando-lhe para isso o numerário, que taÕ 
escassamente lhe-ia da Capital do Rio de 
Janeiro : e accrescia de mais a necessidade 
de pagamentos à Troga , e à todos os em» 
pregados do Serviço Publico , por -cujo ôio» 
ti vo principiavam os credores à desgokítr-se , 
e à dar sinaes do seu descontentamento^ Acon- 
teceu porem , que à este tempo tocasse alli uma 
embarcação ioviada pelo General Gomes Freire 
Êora uma remessa numeraria para as despe- 
las da. Província do \Uo Grande, sem a me- 
Kor- commemoraçae das que fespeitavam a 
Ilha ; e entrando entaõ a Guarnição delia , e 
o povo interessado na cobrança do que se 
Ibe devia,: em muita displicência, e sussurro, 
foi de receiar porisso, que d'ahi se fermen- 



•(^t): Vede Liv. 5. Cap». J... 



Memorias Histormas 



tass« algtim dissabor funesto, se o Gover- 
nador , deixasse de proceder como convinha , 
^ fiaÕ o acautellasse com previdência. Em cir- 
cunstancias assas criticas foi obrigado o Con» 
ductor daqnella remessa ( á pesar dos seus 
protestos ) á desembarcar os Cofres , e à re- 
colhe-los à Provedoria, recebendo para a sua 
resalva o cotttpetente titulo. Com esse inspe- 
rado soccorro tifdo se pa^ou ; guarnição, em- 
pregados no Serviço publico , e credores de 
fazendas tomadas para o Estado; e de tal pro- 
cedimento deu immediatamente conla* o Go- 
vernador ao General da Capitania, por quem 
de novo foi remettida outra soma em soccorro 
ao Rio Grande, dizendo então/' Que por 
havjer naufragado na Ilha de Santa Catharina 
a primeira remessa no mez tal , dirigia a se- 
gunda „ Por esse motivo Ee certo , que am- 
bos os Governadores se desfizeram em Gontat 
dirigidas à Corte; e que d'ahi em diante foi 
o Brigadeiro Governador afrouxando no mo- 
do de engrandecer o estabelecimento da Pro- 
vincia , e logo â enfermar gravemente. Antes 
c^e finalizar a memoria do Governo de Paes, 
parece ser interessante narrar ao Publico o» 
motivos de discardia entr' elle > e o General 
Andrade, para melhor intelligencia* d*aquelle, 
e d' outros factos então praticados. 

Com o destino de restabelecer as Fortifi- 

« 

caçoens antigas, e de erigir outras de novo 
na Capitania do Rio de> Janeiro , até os s«us 
confins ao Sal , foi pela Corte mandado José 
da Silva Pae% ( como ficou referido no Livro 
4.^ } à quem se ordenou também a Succegsaõ 



iiUerina do Governo da Ca^^iía,! por ausência , 
uu ni©rte <le Audrada. Êí^ta i pravidèiicia cau* 
&o u no fundo d *a I ma de An drada o maior ^da 
ine, e por ijpso d iligeaciou alongar da sua pro- 
ximidade o. declarado SuccesBor. Accoiitf;ceu 
cntaÕ , que ausent^ Aj^ndrad-g cm Minas G<?raei , 
e trabalhando- se x3ora, "vigor a re^difícAçao dá 
Fortaleza da Ilha das Cobras, maBdou Peies? 
loilocar sobre o Portão dessa Praça uma Ins- 
cripçâo lapidar, fazeiudo raemorxi^el o seu no- 
me , como fundador desse edificio , sem lera- 
brar com superioridade o do Governador An- 
drada. Chegado este das Geraes , e naò lhe 
parecendo di^uo de per^ettjidade tal monu- 
.niento, mandou arranca-lo, fazendo collocar 
outro , como bem lhe pareceu , em desabono 
de Paes, que dissimulando por então o modo 
desatento do General , inédita va desafiontar- 
se, quando se Jhe ioiferectsse occasiio oppor- 
tuna j que logo teve com a ausência daquelle 
ims Geraes , em cujo período substituiu á 2.^ 
inscripção oiitra 3. a. em q^ue fazendo perpe- 
tuar com supedoridade o Nome de ElRei , 
eternisou também o seu, como se vê, e as- 
sim cessou a etiqueta. = Reinando ElRei D. 
João y. Nos&o Senhor, e «endo Governador e 
Capitão General desta Capitania , e Minas Ge- 
raes Gomes Freire de Andrada, Governando 
em sua ausência esta o Brigadeiro José da 
Silva Paes, mandou fazer esta Fortaleza de 
S^ Jose.= Anuo de 1736. = Andrada porérá 
não satisfeito ainda, € projectando desviar de 
si o objecto da sua raiva , tentou retomar 
Monte Video, por execução das ántecedejates 
Tom. IX. 39 



Memorias Històuicaí 



Otdètis l^egias expedidas á seu antecessor Ay- 
res cie' Sá Ixfanha de Albuquerque; (^2) e para 
«'^se érfeiló, incumbiu á "Paes da diligencia? as- 
sas í^rdua, encaFregando^-^o târabeni^ das^ Forfei • 
ficaçoeiia fe Praça da Colbtiia, -da Ilha de 
íSànía Catharlna, e d<> Ria Oi^ánJe , onde àpe- 
iias habitay-aiu honientf Taícinoròsos ,, e de todo 
escandalosos. 

As náticiaS' da motestia ^rave de Paes- fa- 
zendo-se certas na Corte suscitaram a cuidiKÍò 
de dcir-lbe Sucdessor quíinio antes , e sò pelo- 
receia. dá súà fàlla ( jaígandó-a j^ falleeidi) ) , 
apressadamente ( coma disse , è Confessou ò 
immediato Substituto) veio 'tomar conta da 
Ilha , e seu território 

Manoel Escudeiro Ferreira de S'ouza, 
Goronèl, com Patente de Governador datada a 
15 de Setembra de 1748 , vencendo^ de Solda 
2;000:00O rs. annuaes , que entrou em posse 
a 2 de Fevereiro de 1749, e conservou-a aló 
35 de Oxitubro de 175S. Conhecendo pela cx- 
perienxiia a desavantagem do^ sitio , oade se 
i^indára á Villa> Capitai de^NVSra. do l>es« 
terro,. deixando-se a local mais^ próprio, e 
|VroVeito«iO na Terra firme , em quid híiviam 
eutras- circunstancias proporcionadas ao seu 
estabelecimento , não só à bem de seus habi- 
tantes , mas do Eí^tado, meditou fnuda là ; 
e commuhiçand!) à Corte , peloí Conselho Ul- 
tramí^tino, ás.òbj^cçr.ens ,qtiè haviam na per- 
petuidade doíocai primeira,, e os avanços \ueis 



(2^^)' Yede.e.ap ,^ Meir.or. da Colónia. |. Para to 



DO Rid l>a jANEXROè 



307 



no*itio projectado, ua5 occmTcnclo para issf> 
n menor difficuldade , foMbe TGgpofndido ein. 
Provisão de 1/53, que ouvido o Brigadeiro 
José da Silva Paes, e o Procurador da Co- 
roa , Era EI-Rei Servido Ordenar a continua- 
ção ' do e&tabelecrmeTito priucipiado na Ilha , 
e Afilia do Desterro, porquanto ahi se acha- 
:vam jà fundadas a Igreja , a Caza de resi* 
dencia dos Governadores, e os Armazéns Reaes. 
(23) A vista pois da KesoluçaÕ. referida, 
coi-tôiderando ?ste Governador infmetifera a 
sua representação assas interessante, foi es~ 
friando sobr' a execução dos projectos que 
traçara, até se lhe nomear Suceessor. 



(25) A vista dos fundamentos declarados, nin^aem » 
qae conhe«er de perto os locaes deste paiz , dutidará,» 
que a fidta de verdade nos infoTmar.tes tera sido causa- 
de muitas desordens, e de ruína, ua5 «ó aos queixosos 
de injustiças, mas uo Pu\>lico, e ao Estado, pelo capri- 
cho de quererem os mpsmos informantes sustentar com 
vi^/^or os seus desvarios à custa de terceiro : A Igreja na» 
passava entaÕ d'uma palhoça; poisque a existente, man- 
dada erigir por Provisão de 17 de Jtilho de 1748, se 
reaiisou n^ Governo de D. José de Mello, como ficou 
referido no Liv. 3. Cap. 1. pag. 75. ficand® ainda íio 
aono 1763 as paredes de pá«i à pique, barreadas , e na 
mesma forma se conservava também a Igreja Matriz de 
S- Miguel no anno 1779. Se ainda hoje naõ tem a Ilha 
Armazéns ( ou Casas dignes desse nome ) que taes seri-jm 
os existentes cm 17501 Havia sim fundada já a nova 
Casa de residência dos Governadores ; más não era a mes- 
ma antiga, e primeira, cujo pé direito não excedia a 
12 palmos de altura, a qual servia ao mesm© temp© de 
Provedoria dá Fazenda Real. Era Dezembro de 1 774 exis- 
tia ainda no meio. da Praça, e junto à praia, uma Ca- 
za de palha servindo de Quartel à Gente da Marinha , 
«nde morava o Ajudante do Regimento, que occupava 
juntamente o Cargo de Director da mesma Marinha. Fi- 

39 ii 



308 



Memorias Históricas. 



P. José de Melío Manoel, que Succo- 
deu àquelle, tomoa posse (lo Governo a W 
ée Oi>tu%) de 1753 , e conservoíi-se até 7 
de Marcd de 1702, em que, tendo entrada 
fm eoníiitoa de Júrisdicção, e debatidas cor^ 
res^^oiidéncías com o General And rada ( poi^ 
que. esráva ipflíd© das mesma» authoridados 
confepdas áos keu's antecessores, dé^d* 'o prr* 
.meiro/José da Silva, como Governadores "in - 
depeiHientCs da subordinação %a General 0<>« 
vernador da Capitania , e só com responsa- 
bilidade fmmediaía k Corte, com quchi- se 
correspondiam ) so apíoveitárarn os se uíré mu- 
los desses motivos para lhe tecereni' a intriga , 
e terem a satisfação de v;ê lo obrigado h res^ 
poiíder a um Libello tumozo; por cujo facto 
.'-seretiroa preso com asj^às ainar^ura, e vili- 
pendio , na 5 o merecendo por suas aceoens.. 
Qiiasi no íim do sen ministério cessou a sua 
i:orrespoí3dear.ra iramediata com a Corte, par 
ttíFeito de uma Provisão, í|ue .^agcitoa em 
diante este Govcrn» aos Governadores Geraos 
lio Estado, 08 quaes, ar«4ros . d«- niúitas re- 
galia? ; fbr^m peio decurso^ do temp/v c?issaa- 
rio :as poiiCiis dcátc, p fednKindo-o à termos 
níui succiníosi em niiido, í]i»e veio o Gover- 
nador â ^^i* mais um Ajudante de Ordens- 



ei portanto' corA*ci<io, qiie t orlas as Obrtis denòvo fei- 
tas, f!am postvfiorcs ao anm^ }75:>, e ikpois de 13 mw 
wos 4à i«form«.-.ão d'ttquelle Bíig^ith^ro Ex-Governndor. ' 
1^ ond« ^ev(mc\ae, que s«m íiíítíi^m cmnmuns de 
irritado o^íj^re {idbríii à V€rdadfe cm jnáte.rm^ irnportíwi- 
^t.'9.•>'edí> Director, ckí^ Irniic^ do K^rò 6 66 cofifitmaá© 
p.eí© -Alvará de I7 de %03t<í de l7ã8v 



IbO lílO DE JaNBIHO^ 



309 



que Chefe de i^ma Provinda. (2f) A' este 
(jovernatlor deve a Freguezia das Necessida- 
des o &eii errgtmeuto. 

Francisco António Cardo zo de MenezeS:, 
e Souza, Coronel que era do íie^^imento Novo 
da Praça do Rio à^ Janeiro, siiccedeu ])ela 
posse a 7 d(d Março de .1702. Corno por Di.s^ 
posifoens Regias se dí^viani íbrutcer os novos 
Colooos Açoritas , e Madeirense.^ , de animaes 
vacum, e cavallar , tirados das Heaos Es.- 
tancias do Rio Grande , para cujo lim se 
expediram providentes Ordens , iiouve n\ 
execução delias algum dissabor entr* este Go- 
vernador, e o Comnnandanle do Hio Grande ^ 
por exigir -o primeiro a prompía remessa do 
íaes animaes , e obsta-la este com abusivas 
interpetracoens. No periodo deste Governo 
viveu o Povo acossado de trabalbo iias obrai* 
publicas úà Igreja, das Fortalezas, cortes dí^ 
madeiras, coiuiucçoens delias, &c.; e como 
se os lavradores fossem jornaleiros , ficaram 
porisso as terras pela maior parte incultas . 
e os operários , serventes das obras , &c. qu^ 
de distrietos ditfereates vinham nomeados se- 
manalmente , privados das ííuas utilidades; 
poisque nem recebiaei seus jí?rnaes , nem suas 
ia-vo^iras podiam progressar, e conseíjuenlç- 
mente o Commercio interrompido dgi^equili- 
brava a manuíensaõ do Estudo, chegriodo ao 
extremo d^ falíar ao» mesmos habitantes da 
Villa Gs necessários mantimentos, e fructoâ , 



{'2r,) \'eã<d ns menieríafí Hos Vice Reis Marquez de 
í^vr*ciio, tí L«h 'ic Vascoactíiios, no Liv. 5. Cap. i e ^, 



310 



MeMOUIAS HlSTôlllCAà; 



de que foram providos por outras Villas cír- 
cunvesinhas, e á reduzirvse as lojas de fa- 
zendas à mm curto numero , cujo mal ainda 
se sentia no anno 177^. Durou . o Governo de 
Francisco António até 12 de Julho de 17^5^ 
le no anno 1769 se lhe deu ò mesmo Cargo 
na Praça da Colónia, onde será referido. Fal- 
leceu no Rio de Janeiro occupando o Posto 
de Brigadeiro' dos Rcaes Exércitos, com o 
qual commandava também o Corpo, de que 
fora Coronel. 

Francisco de Souza Menezes , provido no 
Governo por Patente de 30 de Janeiro de 
J765 , entrou em posse delle a 12 de Julho 
do mesmo anno, e deixou i 5 de Setembro 
de }775é Neste período sentiu a lavoura um 
córtê mortal, por serem obrigados os lavrado- 
res , e geus filhos á assentar praça , para se 
rcalisar a recluta de 400 a 500 homens de 
ema só vez, cuja operação foi assas damnosa 
à uma Colónia quasi nascente, 

Pedro António da Gam^ Freitas , Coronel , 
que havia Governado interinamente a Capita- 
nia das Geraes , por nomeação do Vice- Rei 
do Estado Marquez de Lavradio, tomou conta 
desta Província a 5 de Setembro de 1775 , "c 
nèlla existiu até 7 de Março de 1777 , em • 
qiie os Castelhanos ainvadirgmj e se íi^eram 
Senhores da Ilha, pela assas reprehensivel 
Capitulação tratada no acampamento do Cu- 
batão a 9 do mesmo mez. 

Restituída porém a Ilha em 30 de Julho 
de 1778 pela evacuação das Tropas inimigas^ 
em conformidade do Artigo 13 do Tratado de 



vo Rio DE Janeiro. 



311 



24 de Março do mesmo anno , foi recebe-l^ 
(por designação do Vice- Rei do Estado) e 
tudo que pertencia á Coroa Portugueza 

Francisco António da Veiga Cabral da Ca- 
mará, Coronel, que provido no Governo env 
l de Maio d'aq'U€lle anno, «e empossou de seu 
Commandamento a 4 de Agosto seg-uio^e, e con^ 
serv0u-o atô 5 de Junho d^3 1779, dando as provas 
mais evidentes da sust probidade r aptidão , lil>e- 
ralidade, e amor ás Tropas, com quem foi pró- 
diga ,. lazendo-lhes beneíicios diários, e ali- 
viando líies a indigência com a moeda , do mes- 
mo modo qtie se fc7> ver crAridosatneute atiento á; 
èodos. Nesse temf)0 curto do seu governo re- 
ve)€o« os povos dispersos para se empregarem 
na cultura de seus- prédios , e os Soldados 
debarKÍados peio ílageilo da guerra , para se 
empregarem denovo no serviço , e guarnição 
éa Praça. Organisou os Tiibtmaes , resíituinr 
do os seus emprcígados ao exercício das Car- 
gos;, e do modo que foi pos&ivel reparou^ os; 
estragos , que os ini mires h^iviam^ feito nesta 
Proviru^ia. Passou d' ahi a governar a índia , 
d' onde (senda iá Commendador da Ordem de 
Chrií5Ío ) , regressou ao RIí» de Janeiro cm 1808,. 
em cuja Corte occupou o Cargo de Conselheiro 
do Conselho Supremo Militar, e teve o Ti- 
tulo de Visconde de Mirandella,^ Falieceu no 
anno 1.810^ poucos dias depois de nomeado no 
Fosto de General da§ Armas. 

Francisco de Barros Moraes^ Araújo Tei- 
xeira Hom«m,. que era Coronel do Regimen- 
to ^.° de Bragança, e com Patente de Bri- 
-gadêixq dos Reacs- Exesicitos fora prõvido; neste 



312 



Memorias Históricas 



Governo por Patente datada a 5í]é Dezem- 
bro de 1778, principiou á exercitar o seu Com» 
mandamento a 5 de Junho do anno seguinte 
1779.^ Sendo assas conhecida na Corte a sua 
aptidão, e muitas «ulras circunstancias que o. 
distinguiam entre os da sua profissão, M com 
o Cargo de Governador nomeado também pri- 
meiro Commissario da Demarcação do Sul na 
America Meridional , em conformidade do so- 
bredito Tratado de 24 de Mar^o de 1778, cu- 
jo emprego naõ exerceu por moléstias, e pe- 
so de oitenta annos de idade. Observante exa- 
cto da Lei, que manda dar á Deos o que he 
de Deos , e á César o que he de César , dis- 
tribuiu imparcial justiça, e fez manter a dos 
Ministros do districto , e seus subalternos, 
contendo ao mesmo tempo os excessos de to- 
dos á favor dos poderosos, e contra os umil- 
des , ou pobres, cuja causa apoiou sempre, 
tratando-os com benevolência, caridade, e 
amor, peio que será ahi eterna a sua. memo- 
ria, como foi constante o temor, e o respeito, 
com que os Povos o tfatáram. Com economia, 
€ prudência , quanto lhe permittiam as forças 
assas fracas da Capital do Estado consignadas 
para pagamentos das Três Folhas Ecciesiastica , 
Civil, e Militar, procurou os meios de re- 
parar as ruinas da Provincia, que exigiam a 
providencia mais pronipta. Fez renovar a ca^ 
^a , em que se curavam os Militares, a qual 
ficou servindo também de recurso aos enfer* 
mos pobres, arranjando-a com as accomoda- 
çoens mais necessárias á todos os seus habi- 
tantes temporários : e desvellande-se por ser 



»o Rio DK Janeiro. 



SIS 



DíU li humanidade , ai';itou com a sua mui 
^tiicaz influencia o estabelecimento de um Hos- 
pital em beneficio dos pobres enfermos ^ cuja 
obra eonsesfiiiu ultimar , com o titulo de Hos- 
pitai da Caridade , junto à Capella do Meniiie 
Deus , íob a inspecção da Irmandade do S«- 
chor dos Passos , concorrendo para a sua su- 
l)sisíencia íra»camente com esmoUas pecunia- 
lias , e mensfies , além de certa porção mais 
avantajada, que para esse fim deu, como 
concorreu também para aliviar as precisoeus 
de muitas cazas particulares , de varias Orfans . 
e de Viuvas pobres, \}oi mão do seu Confes- 
sor. Zelou com extremo o pagamento da Tropa 
em soldo , e fardamento , como mostrou , deixan- 
<3o-a sò com o vencimento de 29 dias, quando 
se retirou do Governo. Franqueou as licenças 
aos Soldados para se empregarem no trabalho 
rural , ou n'outro qualquer , ajudando as im os 
(ilhos aos pais , e os cazados procurando os 
meios de austents\r as suas familias indig-entes : 
,e por este sysíema conseguiu naõ só a felici- 
dade dos particulares, mas a da Tropa, que 
fez instruir babiluiente nas evolucoens milita- 
£65 , pondo-a em bom pé. Animou a ag-ricuU 
tura, que em tempo breve floreceu , escusan- 
do em diante os habitantes do pai/, do so- 
corro trazido das Villas circnuvi^inhas , e |)rin- 
cipalmentjfí do paÕ para o seu susteuío ; por 
cujo mofiv.o reviveu ahi o Commercio , e fre- 
quentaram a liha varias embareaçocns , (]\m 
exportaram os eíFeitos produzidos para oi!íiX>s 
lugares do Sul, e do Norte do Brasil, e 
•ainda para os Acures, Prosperando a lavou^ 
Tom, IX. ' 40 



Si4 



Memorias Históricas 



íâ , e o Commercio , principiaram entaÕ á ap- 
parecer bjas abertós de negociantes , construi- 
íarn-se novos- ediâcios , levantàram-se Fabrica», 
efe ass.ncar3 e cresoeu finalsiente a população 
Kinahzou o scu^ Governo em 7 de Junho dó 
i /•»(>, enkegando^o ao i^naíediato Suceessor. 

Joze Fereira Pinto, Sargento: Mòrd'Ar^ 
tiiiiana da eapital do Estado , o qual entrou 
em posscí a 7 do meaj e anno dito. Este Offi- 
ciai, abuadaníe de luzes militares, e politi- 
ca»? , como babil em dexCeridade paca governar 
entrou à reparar as ruinas dos edifícios reaes; 
e tez eonjítTuij' aft^uns. vasos pequenos para o 
serviço, da marinha;. Animando , e promo- 
vendo a agricultura, quanto. Uie foi possível 
diligenciou propagar a. planta do café, que 
ate aquelte tempa so reputava pouco interes- 
sante , e por isso. olhado o s«u, eUltivo com 
a$sàs ladiíkreoça ,, mas hoje muito, estendida 
peio paiz>. em razão da uííI commerciaii, que 
delia lhe provem».. Com igual vigor promoveu 
tximbem o fabrico do anit, cnjarherva he in- 
digeua. do pai-^ , ond^ melhor* sazona nos me- 
xes de j^atwro à Mar^o ; e a plantação da 
Urnmbeba pam sustento do bicho, -ou insecto 
Giiador da Goxonilha,, recommendada peia €cr^ 
M an,ai5 de 50 à 60.annos.; e d^ que os Es^ 
pauhoes tiram muitos interesses., podendo-se 
costa, parte do Bmsí1< conseguir as mesmas uíi- 
fedades, poF ser & «eu^ terreno análogo à essa 
produc^aõ,. muito piincipalment^ desd' o mez 
d'OiUubro até o. de A.bril. Mas que h! esca^ 
laado o pagameiito prompto desse género pe^ 
^ fojííi, de remessas da Capital (em e^niov- 



»o Río i^E Janeiro. 



31 



mídiade do que pela Corta se ordenara ) e 
apurado abi com prejuiao grave dos lavrado- 
res , foram estes desanimaado , e decahiu emflai 
a cultura de tal género. (25) 

Sendo s<jiente , que as Villas da Lagrima , 
^ de S. Francisco se -communicavaarj par e»-, 
tradas com as Povoaçoens úe cima da Serra , 
naõ havendo caminho aberto de Santa Catha- 
rina para o« mesmos lugarcíj , projectou essa 
obra pelo Sertão de terra firme, que se joi- 
^a\-a entaÕ impenetra\'^l por mil obstáculos 
pintados, e prof^ô-la ao Governador Vice-Reí 
do Estado , apontando-lhe os rRcios mais pro- 
porcionados à abertura. Obtida a requerida 
approvaçaõ , fez penetrar felÍ7jn'eDte o Sertão , 
e>m cujo trabalho naõ deixou de encontrar ai- 
guma objeçaÕ da parte dos incumbidos dessa 
diligencia , pelos iecommodos que deviam «eiv 
tir; raas constante em pr*>seg-uir a si?ia tenta- 
tiva, como advertido em desvanecer as ú'ú'íi^ 
culdades apparentes 5 procurou corres}>oR(ier-se 
com as Authoridades de cima da Serra , á 
rvitar os dumes já suscitados de se isnir a 
Villa das Lages, distante 200 legoas da Capi- 
tal de S. Paulo ao Sul, ao território e juris- 
^icçaõ de Santa Catharina , como fora ou- 
trora. (26) 

P-enetrado portanto © Sertão re tratoo da 
factura da Estrada , para que entervf>io a Ca~ 
mara ^ pondo essa obra à lanços €m Praç?i 



(25) Ver}p rm mi^nií^riríí; rins Vire \\t\-~ .'U;i''!í!<^:- '-'if 
I.avradio , »^ L«ii/ d'^ ^'H«í''on<->f>lirts , ní> Liv 5. (.;h[». i ^ ;-• 
(26J Vid, i-^rovís. de !«.> <íe Nov^^mbro de. i; l'-f. 

40 11 



Bie 



Memorias Históricas. 



como determinara o entiío Vice-Rei da Esta- 
úo , e arrematando-a por 2é mil crir/ados em 
pagamentos á quartéis, deduzidos do rendi-: 
inento do Subsidio da mesma Camará : depois 
do que se coliocáram marcos divisórios dos 
Governos ( cuja circuuí^tancia requeria o Ca- 
pitão Mor da Villa das Lages ) , estabellece- 
ram-se guardas pelo districto do Governo de 
Santa Catharina , para evitar a fuga do deser- 
tores , degradados , e escravos , e no Rio úiis 
Canoas ^ um vantajoso Hegisíro , do qual se 
íiVa mui considerável rendimento pelo Dona- 
tivo que pagam os animaes vacuns, e ca- 
vallares , exportados da Provincia do Rio Gran- 
de para as de S. Paula , IVJinas Geraes , e 
Hi# de Janeiro. 

A'penas franqueada a estrada neva naÕ 
tardaram os Lageanog , e outros habitantes de 
cinia da Serra, em transportar por ella o» ar- 
tigos do seu commereio, como sani os^ couros, 
gados, &c. , à troco dos quaes levam os de 
q«e alll precisam , eonio as fa/enda» secas , 
© sal , Ikores , &c. : e como o Governador as- 
severava o estabelecimeíito de Frcguezias no 
Sertão, n€^sa esperança, e na de se peparti- 
:rem as (erras nova» poE individuos peuco abun- 
ilantes de terreno para as saas Guitusas , alr- 
giisjs se íorata alli eslabeMeeer , certos de que 
cm pouco tempo seria todo Sertaõ povoado 
por Soldados casados, t dados á lavoura, os 
quaes ,. segundo os aanos de serviço , obteriam, 
JRS suas baixas ,^ como premeditara o mesmo 
Governador, de cujo plano se seguiriam utt^ 
lidaiies grandes ao Estado. Com este pensa- 



DO Rio »e Janeiro. 



SI7 



Hiento , e taÕ profícuo systhema , nenhum pre- 
tendente de taes terras , cujo intento era ís6 
o de apossarem delias para depois vende-las , 
ou arrenda-las , conseguiu have-las por titulo 
de Sesmarias. 

Informado sufficientemente dos muitos, e 
preciosos artigos de commercio encerrados nas 
luatas d*aquelle Sertão, fez examina-los por 
pessoas , que pareceram hábeis : porem a má 
vantade de taes exploradores, ou a falia de 
pericia , malogrou a diligencia. Assim aconte- 
ceu com a tentativa de extrahir o óleo, ou rc- 
zina dos grandes pinheiros, que alli se sus- 
tentam, talvez porque não sejam os mesmos 
pinheiros de qualidade igual aos da Europa 
( de que tanta utilidade e interesse Já se tira), 
ou por se naÕ conhecer no Brasil a estaça5 
própria , em que elles tem ad querido a saza5 
necessária à condensar o seu sueco , em cujo 
artigo falta a sciencia , por nao se ter cui- 
dado atégora em oTaservar a natureza, e con- 
sequentemente naÕ haver a menor experiên- 
cia, que incite os homens camponezes à uli- 
lisar-se de taò simples trabalho. Vencida a 
dificuldade maior, que era a entrada, e ro- 
tura do Sertão , leve o j)rojecto de abrir ca- 
niinhos de communicaçaõ pelo seu intí^rior ísg 
llio Tijuca grande, para facilitar naò *6 a 
exportação dos mui elevados pinheiros, e de 
extraordmaria grossura , que alli se criam , 
para fornecimento da mastreação , mas para 
extrahir de taõ vastos terrenos as preciosas 
madeiras, de que inutilmente abundam, e se 
esperdiçam, com damno aaõ pequeno do cgm- 



313 



Memorias Hístori<!as 



mercio. Na5 se relealizoii porem esse platie 
por finaiisar o seu Autor o Goverao a 17 de 
Janeiro de 1791 com a mudança do Gover- 
nador Vice-Rei Luiz de Vasconcdios. 

Maaoel Saaies Coimbra, Tenente Coro- 
nel de Regimento de Bragança , destacada 
Jia Capital do Estado , foi provido neste Go- 
•vernn» com a Patente de Coronel do Regimento 
da Guarnição da Ilha, e soido de 600:000 reis 
annualmeiite, como gratificação por esse Car- 
go, além do Soldo relativo a sua Patente, 
por cujo motivo economizou a Fazenda Real 
i : 400: reis de Ordenado do Governador. Pas- 
sados quatro mezes depois da gua pos^e a 
17 de Janeiro de 1791, procedeu à Recruta 
de 500 homens para completar o Regimento 
da guarnição do psiiz , no que sentiu a agrl- 
€:uUura mui lamentável golpe ; e após disto, 
iiao (endo fundo algum pecuniário em caixa , 
detaliiou a fundação de um Quartel sumptuoso 
para aquelle Regimento, è de prospecto magn 
niPica, que nenhuma analogia tem com edi- 
fícios dessa natureza , cm que houve despeza 
iioíavel , ficando a Fazenda Real empenhada, os 
Cofres exhauridos de meios para as despczas 
.necessárias , e as fazendas dos lavradores , to- 
madas para municio da Tropa, por pagar. 
Este procedimento exasperado pela concurren- 
cia onerosa fios rae«mos lavradores, e d*ontros , 
n^aquelle sçrviço , faltando aos trabalhos ru- 
raes , e aos que ministravam o soccorro á« 
suas subistencias , tudo m©tivou queixumes, 
e por contas repetidas contra o Autor ^^o íanto 
^exanae ^ foi elle deposto do Govenic , e áei'^ 



»o Rio De Janeiro. 



nn 



X^mlo-o a 8 de Julho de 1793-, se recolheu 
preso á Capital do Estado. 

Joaõ Alberto de Miranda Ribeiro ,Teiierx« 
te Coronel que era do Kegimento de Moura , 
destacado na Capital do E&tado , a quera pro- 
veu o Vice- Rei Conde de Rezende nesta Snbí- 
tituiçaO ^tornou posse do Governo a 7 do mez , e' 
anno dito : e eonio nessa, estação era de r{- 
ceiar. alguma hostilidade, era ronserjuencia da 
fermentação bellica na Europa , foi seu pri- 
meiío cuidado fazer Gonstruii- inírincheiramtn- 
tos , e fortea de campanha para defensa da. 
Ilha , entr' os qua@s era de mais consideração o 
Forte de S^ João; de Terra firme , fundado^ 
no pequeno monte do Estreito , que fica h ca- 
valleiro d*outra bataria inferior, construída à 
barheta^ na praia opposta ao. Porte de Santa 
Anna. no mesmo Estreito da parle á^ Ilha. 
Com Yig:pr; disciplinoui a. Tropa,, e arranjoa 
as Miíicias,, fazendo-as fardar , e armar, em 
modo quQ. eliaa, chegaram ao melhor gráo de 
exercicio, e re^rujarkiade ; e semelhantemente 
creou. algumas Companhias de Infantaria , e de 
Cavaliaria. nas-, Freguezias ,. e Di»tricíos, que 
lhe pareceu mais proporcionados. Fallòceiido. 
a^ 18- ou 10^ de Janeiro, de 1800, entrou 
interinamenie à. Governar o Triumwrato com- 
posto dos. Membros^ seguinte* 

José da. Gama Lobo Coelho , Tenente Qor 
mml do Regimento da IJha. 

Aleixo Maria Caetano, Ouvidor pela Lei. 
Jozé Pereira;da Cunha, Vereador da Camará' 
Os qnaes mantiveram a boa ordem nos po^. 
TOS, atàjuo entregaram o Governo 4 






3S0 



Memorias Históricas 



Joakim Xavier Curado, Coronel, dando- 
llie a posse a 8 de Dezembro daquelle anno 
3800. E3te habilissimo Official , e de caracter 
assas honrado , moldando-se às Leis prpvideu- 
tissimaB » que lhe prescrevian) o seu cora» 
portameiito , soube respeitar a Magistratura , in- 
fluir no progresso, e prosperidade da ia? 
voura , manter os Povos em tranquilidade ^ 
animar o Conimercio com o maior acolhi-r 
mento , e * disciplinar a Tropa , tanto de 
Linha, como Miliciana, com prudência, e 
moderação. Em conformidade das Instrucr^ 
l»oens , que teve , detalhou algumas obras de 
defensa com a mais vantajoza economia á fa^ 
vor da Fazenda Ueal , e de seus interesses ; 
f sem violência , mas com persuasoens agra^ 
dáveis, e patrióticas, teve a vontade publica 
à sua disposição, como quem conhecia , c 
possuía a destra arte de reger povos, para 
delles se servir opportunamente , empregando- 
os à proporção dos seus préstimos. Policiou 
a Villa Capital , onde se erigiram denovo mui- 
tos edifícios; e no tempo do seu governo se 
levantaram os Templos da Freguezia de S, 
IVliguí^l ( que naõ tem progressado ) , o dos 
Terceiros de 8, Francisco , e o da hoje Fre- 
jvuezia N. S. da Lapa no Ribeirão , que era 
êntaÕ Capella Curada. Cem . afabilidade , e 
igualdade foi sempre prompío em ouvir as 
parlei, para lhes distribuir a Justiça. Os po^ 
bres , je humildes , acharam no seu eoraçaS 
amor, e caridade, com que os acolhia, como 
Pai, e Protector de todos. Religioso em seus 
costunaes , deu provas cvideatçs do respeito 



Í>o Rio De Janeir*. 






H Igreja , e ao Culto Divino, No lugai da 
sua residência só respirava a gravidade, e a 
urbauidade : e para d' uma vez referir quau- 
to faz o seu maior elogio, ainda hoje ig- 
noram os curiosos indagadores da vida do^ 
Empregados públicos, se alli houve alguma 
porta travessa, por onde se maculasse a pro- 
bidade, e a honra, com que desd' os seus 
annos primeiro* se conduziu na carreira Ci- 
vil, e Militar. Chegado o motacuto de se 
retirar do Governo, a 3 de Junho de 1805, 
foi entaõ que o Povo , lastimaiido-se da >ua 
auzencia , correu voluntário ás janellas, por- 
tas, e praias, à significar com la^Timas, e 
com lenços, a grande saudade que ficava 
sentindo, como demonstiaçoens singelas da 
sua gratidaS eterna. Regressado á Capital 
do Rio de Janeiro, d'ahi passou empregado 
ao Rio Grande do Sul ( por motivo da guer- 
ra nas Fronteiras desse Continente ) onde por 
fcnnos fez Serviços de muita uionta ; e vol- 
tando á referida Capital, occuj-a o Lugar de 
Conselheiro do Conselho Supremo de Guerra, 
pela posse a 23 de Dezembro de 18^0, e 
lie Governador, ou General das Armas da 
Corte , com a Patente de Tenente Geiiera! , 
em que fora provido muito antes, qnanr! > 
ainda residia na Campanha do Sul, em cuj^i 
tempo foi -lhe conferida uma Commenda iri 
Ordem de Âviz, da qual era já Cavalleiro , 
« posteriormente outra da Nova Ordem da 
Torre e Empada. 

D. Luiz Mauricio da Silva , Tenente 
que era de Linha no Regimento de Vieiri 
Tom. IX, 41 



323 



RÍEMÇafAâ HlSTORieAS 



2e%TH»"r\' «í^fpu á governar pela 
posse d ã de Junho da anno dito 1805, até 

T^^i^^^n''" 1^ i^^"^- Teve o despacho de 
Tenente Coronel a,ddido ao Estado Maior do 
*,xerc.to e a Commenda na Ordem de Chris- 
to a 4 de Julho de 1818. 

Joa,õ Vieira Tovar de Albuquerque , Co- 
ronel do 2.» Corpo deCavallaria da DivisL 
dos Voluntários Reaes d 'EiRei, por Dcspa- 

ceslf dtí t-'** '^''^''^ foi nomeado sL 
cessor de D. Luiz . e tomou posse do Go- 

verno a H de Agosto do mesmo anno. Ex- 
cessivo , e mui activo para o Real. Serviço 
grangeou talvez por isso inimizades entr'o8 
1 ovos , de que teve origem a Diatribe pu- 
telicada pela Estampa em resposta á Carta 
ingerida na Gazeta do Rio de Janeiro JV. 66 
Joakmi Pereira Valente , Commendatlor 
que snccedeu a Tovar era 2q de Julho de 1821 
poucos dias conservou o Commandamento pelâ 
variedade da marcha , que desd' então fico» 
dirigindo os Negócios Públicos. 

He guarnecida a Província por um Re- 
gtraento de Infantaria da 1.- Linha , disciplina- 
cfo no exercício de Artilharia , do qual se repar- 
te pelo Continente os destamentos , e guardas 
precuas : mas esse €orpo se acha ( anno 
iHiO) destacado em Missoens : um Batalhão 
de Artilharia creado em 1819 cora ã71 Pra- 
ças : dous Regimentos de Infantaria da 2 » Li- 
nha com 1:674 Praças; um dito de, Cavalla^ 
laia , com 463 Praças ; uro Batalhão de Car 
jadores conj 434 Praças , e outro com 40» ; 
duas Companhias de Cavallaria pertenceate* 




# 



o Hio DÈ Janeiro. 



à23 



ao Regimento composto de indivíduos de tó« 
da Província, até o Districto de S. Miguel: 
fc alémdrsso há nm numeroso Corpo de Or- 
denanças , que faz a 3.^ Linha da Província. 

Limita-se este Goverftó ào Norte , e à 
Oeste , coríi o da Capitania de S. Paulo ; e 
ao Sul , com o do Rio Grande. Comprelieii- 
de pela marinha a distancia de 45 legoas em 
linha recta , desde a Villa da Laguna , até a 
de N. Sra. da Graça do Rio de S. Francisco : 
mas seguindo o caminho das Paradas , chega 
à 64 legoas. O seu comprimento desde o Rio 
Sahy , que o extrema ao Norte , até o Rio 
Mambituba , que o termma ao Sul , he de S6 
legoas de 20 ao gráo , correndo a Costa qua- 
si N. S. Sua largura he por toda parte desi- 
gual , assim pela irregularidade dos outeiros, 
e rios , que a demarcaçam , Como pela confi- 
guração de um trapesio , que a demostra ; 
poisque desde a foz do Sahy , ao districto da 
Vdia de Paranaguá (da Capitania de S. Pau- 
lo ) ,^tem 12 , á 13 legoas de fundo , na di- 
recção de L O; e do Manjbituba , ao dis- 
tricto da Villa das Lages (a mais meridionaí , 
e ultima da mesma Capitania ) e seu Termo, 
que pertencera ao território de S. Paulo , abran- 
ge para cima de 10, ou mais legoas, em 
igual direcção , ficando da Laguna ão Mam- 
bituba 22| legoas despovoadas, como he to- 
do Sertaõ que corre até a Serra Cordilheira ^ 
dividente da sobredita Capitania. Alcança por- 
tanto o Governo de Santa Gatharina em terra 
firme mais de 655 legoas quadradas de ter- 
reno , depoin de se lhe incorporar o Termo 

41 ii 



3?4 



Memorias IIistdri 



» 



da Villa das Lages, que era da Capítaiía 
de S. Paulo. 

Foi a Ilha surprendida por D. Pedro Ce- 
valhos Vice- Rei, e Capitão General da Pro- 
víncia do Rio da Prata, apparecendo-lhe de 
jmproviso, e fundeado, em SO de Fevereiçp 
de 1777 , junto ao Arvoredo a sua Armada 
numerosa ^ contra a qual naõ poude haver a 
nienor opposiçaõ: por cujo motivo , desem- 
harcada a Tropa invasora na praia das Cana- 
vieiras i 23 segtiinte, se lizeram os Caste- 
lhanos Senhores do paiz à niaons lavadas, 
aproveitando-ííe opportunamente da retirada da 
Esquadra Portuguesa, que tomara o porto 
do Rio de Janeiro. Os Soldados do Presidio 
da Ilha, tomo se fossem inimigos^ passaram 
^ Mendonça, d' onde se restituíram à Capital 
do Ebtado Portiig^uez ; e voltada finalmente 
a Ilha á Coroa de Portugal,, pelo Tiactado 
Preliminar de Paz e Limites celebrado com 
a Espanha na Anierica Meridional cm 25 
Artigos^ 00 áia \ âe Outubro do ímn9^soUe- 
dito, (â^) tornaram, os seu5 habitantes antigos à 
gozar das beUc'/as,_ que a Maõ provident^ 
do CreadoF de tudo. prodigatiaou neste paiz ., 
do qual^ e¥afíuado5 os Êspanhoes a 30 de 



(26). A to4«ada cksta Ilha, fòi um dos motivos , que , 
a líistaucia. dj Rainha Augusta D. M»»ria 1. , áe saudade 
e.etna , obpi|aram a R^nka D. Maíiariua Victoria , su* 
^ar, a ir k Madrid^ para tjatar cem o CatholicQ Re' 
i.ar!os Mi., seu; irmaõ , dós interesses de Portwo-al , cuinc 
<onsequeMcms foram grandes , coariliando a Hespinhacom 
^.sU llthio , e restituindo-tíe a ilha à Cwoa i^ortMiíJiíí-tíi» 



Dô Rio de Janeiro." S25 

Julho de 1778, tomou posse o Coronel Fran^ 
cisco António da Veiga Cabral da Gamara 
á 4 de Agosto do mesmo anno. 

Como principio da po\oaçaÕ teve origem 
a Parocbia dedicada á N Sra. do Desterro^ 
de que era Vigário Collado em 1743 o Pa- 
dre FraiJcisco Pereira Cardozo, cujo* terri- 
tório desunido deu as porçoens, em qne fo- 
laai estabelecidas as Igrejas Paroqiiiaes de 
-S. José, de S. Miguel e de N. Sra. do Ra- 
sario, todas em terra firme ^ ou no continen- 
te; e as de N. Sra. da Conceição, N. Sra, 
da Lapa^ e N^ Sra. das Necessidades > na 
districto da Ilha y onde ha um Vigário da 
Vara^ aquém ellas recorrenx nos objectos da 
Foro Ecclesiastico. Na Villa da Laguna estam: 
as de Santo. António dos Anjos ^ em. que tam- 
fcçíu se acha uma Commarca Eccksiastica , 
de Sanita; Anua : e no Rio de S. Francisca 
subsidiem as de N. Sra, da Graea eom Vi- 
gararia da Vara , e de N. Sra do Bgír Suc- 
cesso da Villa de S. Luiz de Guaratuba, pe- 
la qual se divide o Bispado do Eia de Ja- 
neiro com o de S. Paulo ,. a quem pertence 
a Freguezia de S, Luiz da mesma Guaratu-- 
ba. (27) Crescendo porém- a população, e a 
cultura das terras,, tem sidu assas preciso^ 
que também se multi;pliqi.iem as Pâfotbias pe- 
la desraembraçao das que eonservam dísíric- 
tos dilatados, e habitantes numerosos, Alen* 
d^outros lugares , he o Sertão firme um dos 



(2^) Yede Liv. 2. Cap. 3. 



-./i.a.'.'* 



M£¥0>RU8 Histórias 

que mais necessitam dessas providencias. |^|) 
As Côngrua* dos Párocos , e a« Ordinária» 
para guizame^ntos das Igrejas da Proviocia de 
§anl;a Catharina, e das mais do Sul, regu- 
l^as á priaeipio pela provisão de 9 de Agos- 
to de i747, tiveram augmento pelo Alvará 
lie 9 de Novembro de 1749, 



"•■«^ 



(22) Vede a m*m©ria do Governador Jozé Pereirs 
Irmto, 



^o Itio »£ jANxin». 



397 



••ik-VWk^l^VVvkWVlL-t^VVVWlrVk-M 



CAPITULO V. 



Bio- Grande do Sul. 

A_ Provinda preciosíssima de S. Pedro do 
Kio-Orande do Sul situada entre os 28" 35' 
de latitude austral , corre do Rio Mambituba ! 
ao JNorte , até os dous morros de Santa Mar- 
tha , 3 legoas ao S O E da barra da Lae^u- 
na , por onde se divide cftm Santa Catharina. 
^fo mesmo rumo termina com a Capitania àtí 
S. Paulo pelo R.o PeMotas : ao Poente par- 
te com o Uraguay pelo Río do mesmo nome: 
ao Su! , com o golfo do Rio da Prata; e aó 
Oriente com o Oceano. Por ser a Costa la^ 
vada de enseiada, ou ilha, naõ dá o menor 
abrigo aos navegantes , que apenas acham azi^ 
lo para suas sumacas na sombra dos sobredi- 
tos dous morros. 'D'esse sitio, até uma ponta 
grossa de terra , d'onde contÍBuam as Serras 
pelx) Sertão dentro , reputam os práticos a 
distancia de 20 legoas. figurando de ensei-a 
o seu lançamento. Alii desemboca o Rio \ra 
íangua situado na latitude de 29° Jl'. „ 
longitude de 336^ 57', que dista 6 Woas' do 
Rio da Alagoa e 11 do IboipitinJn , "corre.,! 
èo a Costa N E 4.^ de N , e se d;scobre,n 
as pedras chamadas Mosteiros ( por se na7e 
cerem, com- as. íew^^ das Igrejaí^) junto aâ 



S28 



Memorias Historícas 



i(par. Da sobredita ponta para S O E se di- 
visa uma Lagoa , que , no seguimento da Co^- 
ta, corre pela praia , e tem 14, á 15 legoas 
de coniprivio : vencidas estas , è d'ahi â 
32 niuis, se acha o paiz delicioso do Rio 
Grande, cujo Porto de S. Pedro, dipta 60 
Icgoas da ilha de Càstílhos ( próxima à pon- 
ta do seo nonae ) , c he perigozo , por lhe 
impedir o Pontal ao N E. Para entra-lo , se 
marca o Capão íiiaicr dos trcs na terra do 
Sul , que fica mai?» ao mar , pela terra de 
íientro, até o Rio Taramandabú, situado em 
30° , 19' , de latitude , e 336'', 10' , de lon- 
gitude , distante 14 lí»goas do Rio Iboipitinhi , 
pondo-lhe a proa à O NO E, para seguir 
o canal direito até a posição de barra aberta 
íia latitude austraj de 32° 32' 27", e nalon- 

fitude de 326^ 4' ^8" contada da Ilha do 
erro. { 1 ) Longe de terra meia Icgoa , 
mais , ou menos , apparecem os baixos , ou 
bancos de areia, entre os quaes ha fundo de 
4 , à 6 braças : d*ahi , uma legoa ao mar , 
corre- outro com altura de 2^ braças , sem 
qne nesse lugar quebrem as aguas fazendo 
estrondo; e sobre os bancos da terra do Sul 
ha 3 , e4 palmos d^agua: porisso , desconhe- 
cendo.se praticamente as circunstancias d*esse 



(1) As latitudes, « longitudes aqui referidas , da si- 
tuaçuõ do Rio Grande do Sul , foram observadas em tem- 
pos difíerentes , € por diversa* Mathematico» , que as 
prefixaram com a variedade iadicada até o ultimo Ber- 
Murdino Pereira do Lago, Coronel de Engenheiros , na 
taboa dada ao Prelo e«i l82l pelo* Annues das Scien, 
cias, ^c. Tomo 14 1 como tei^o uot&áo 11*011 tros lugares 



m 



DO Rio de Janeiro. 



32Í 



lugar, he mui arriscada a navegação para & 
mesmo porto em qualquer estação do anuo. 
Para editar esse perigo nomeou o Comman* 
dante cia Província André Ribeiro Coutinho 
em 1738, uai Patrão Mor com o soldo di^ 
doze mil reis por mez , a quem encarregou 
a guia das embarcaçoens , que demandasse o 
porto, por entre o estreito, e o canal varia« 
vel : e«uccedendt) ainda assim alguns naufrá- 
gios , ^e instituiu em Agosto de 1795 uma Ca- 
ij^aia , ou Barca, que hoje voga, para cuja 
mantença contribue cada embarcação com \0$ 
reis na saida, e outro tanto na entrada. Por 
Decreto de 9 de Dezembro de 1819 foi or* 
denado ura Farol para denoite endereçar os 
navios. 

Esta Província , cuja Capital fora a Vil- 
la de S. Pedro situada na latitude austral de 
B2* 58' 36", e longitude de â26^ 58' 20'* 
contada da Ilha do Ferro , a mais meridional 
das do Império do Brasil , e uma das mais 
importantes , como estensas , he nao só bella , 
pela bondade do clima, que convida à sua 
vivenda, mas procurada por novos Colonos, 
pela fertilidade de seu dilatadissimo terreno, 
cortado por muitos, e mui famosos rios, e 
marchetado de lagoas, onde as fhicías de ca- 
roço , espiciaimente o pecego , e as de pevi- 
de , toda hortaliça, legume, café, e qual- 
quer oatro género de planta , se criam com 
abundância, grandeza, e gosto mais supe- 
rior , que as nutridas «a Europa. Seus cam* 
pos assas espaçosos^, além de aprasiveis, sam 
o viveiro de muitas mil vezes, que darn o 
2'om, IX, 42 






Mebíohías Historfctas 



coiifo, f)am carga ám navks de eoiwmer^ 
CIO; (â) a èame, para as ch^rqueudas, ore 
sustentam n maior parte das provincias mu- 
ntimas do l^rasil, como em outro tenapo fí. 
zera a de Pernambuco, exportando em cada 
um ânuo avultadissimos quintaes de carne 

^ (2) As peles, que vem com o nome de Vaquetas 
nao servem paia o calçado no inverno pela sua porosi- 
<Jade, falta de consistência , e de solidez , e sam além 
disso mui pequenas: o seu uso mais frequente he para 
arreios, e outras obras dest€ género,- o que procede 1 ^ 
de naô serem Curtidas com perfeição; ^.<' do costunié 
íle se matartm indistu.ctamente bois, vacas, e bezerros 
logcque se quer completar certo numero de cowros ' 
sendo consequência disto a diminuição do gado, e a mâ 
qualidade dos couros. Accresíe ainda, que como o eadd- 
anda todo junto vacas, bezerros , &c. ,: concebem aquel- 
las antes de tercHí çií>oro3aa forçais, e dtístroem-se estes 
pelo CIO, em que entram fora de tempo, sendo fraco» 
os animaes que nascem ; e por conseguii»te mais peque- 
nos os couros, e de menor valor. Sobre este ramo , que 
tez o tíbjecto de um Contrato Keàl , vede Liv. 2,«>, Cap 
3, sob a Freguezia de N. Sía. da Assumpção dé Cab» 
í no nota (28). A' pesar d©8 estragos que os Indigena^ 
cfo paiz, e as Onças faziam na fadaria, foi taõ avultado 
enumero de rezes , que pareceu necessário diminui-lo, 
tazendo guerra às viteljas. O governador de Monte-Video 
1>. Joalvim Vianna, sciente da dinsinuiçaò que se obser- 
vava no gado , e das causas d'ella, impediu sob penas 
graves a matança das vitellas, é das vacas, e só permit- 
tm a dos teriveiros , sem offenéa dos touros, e dos bois 
demais de cinco annos , para as coiramas. O Marquez 
de Lavradio, Vice-Rei do Estado, deu sobre o mesme 
c>ojecto algumas providencias. Em couros seccos de novi- 
lho sobem, anno cemmum , à 360:830 os que se expor- 
tam por mar: por terra saem para a Ilha de S. Catha- 
rina 2: a 4:000 novilhos; e para S. Paulo 6:000 à 6-500. 
Alemdisso exportam-se também para S. Paulo lo- a 
!2:000 bestas muares, 1:200 potros, e 1:000 cavai les. 
^0 recenseamento feito em 1805 por Ordem do Gover 



Bo Rio de Janeiro. 



3gl 



salgada , ou seca ; (3) as língua» > .para sG 
prepararem, como o presunto, em conserva 
de molho , ou secas ; o leite , para manteiga , 
e queijos, que, fabricados com perfeição ena 
lugares diftereiítes , fartam doesse alimento as 
povoaçoens além da sua vizinhança. (4) Em 
igual, ou em maior fartura se poderia criar 
o gado lanigero, e tirar d*elle ao menos o 
proveito da lãa, que he alli de boa qualida^ 



»o, contáram-se no recinto da Capitania 56:196 besta® 
muares vendavceis. Sobr' a criaçaÕ destas , e dos Ca vai los 
providenciàmai as Cartas Regias de 22, e 24 de De- 
zembro de 1764, per cuja observância propugnaram os 
Vice-Reis Conde de Cunha, Marquez de Lavradio, e 
IjUÍz de VasGoncellos. 

(3) Qs profincianos dam o nomo de Charqueada à 
manobra de escarolar acame, e pô-la ao Sol pira se se- 
car. Neste ramo de coramercio com os Inglezes , e 01* 
landezes , se despende em Portugal mais de 20 a 30 con- 
tos de reis anuualmente , que bem podiam ficar alli 
JEm carne salgada > ou de cbarque , sobe a extracção, 
em aoao coí^mum , a 1:403:175 arrobas; e na de sal- 
moeira á i:600. Alêmdisso dá o gado outros proveitos 
ao Commerci© , em 100:000 arrobas de cebo , em 307:750 
arrobas de chifres, e na gracha , ©u tutano de boi, 9:213 
arrobas. 

(4) A Irlaada , Ollanda , e outros paizes do Norte 
nos estimulam á cuidar-mos d' aquelies géneros, de quiB 
necessitando diariamente, parece que nenhum caso faze* 
mos, contentando-nos àp«nas com algum leite fresco 
vendido nas Cidades , e com alguma porçaõ de queijo» 
fabricados nos Sertoeas , e Aldeãs: do que procede en- 
<grossar-mos voluntariamente > ou por indolência , o ramci 
do commercio dos Inglezes, Irlandezes, Ollandezes, Chi- 
pre, &c. com os quaes deRpeadeHio« em cada aono pata 
cÍ4aia de 300 contos de reis. Em certos lugares do Rio 
Grande, e tatob&m das Minas Gerães , se Fabricam fea- 
je mui excellentes queijos, que na maça, e no gost© s 
igualam a«€ do Alentejo, 



j-f*^Aj^-'^' 



3S1> 



MiiMoraAs HíSToaieAs 



de ; (5) mas naÕ havendo fabricas para con* 
gnmi-ia, tem os fazendeiros sido pouco cui- 
dadosos doesse género, conservando apenas 
uma parte diminuta de g^do ovelhui» : nao 
Rccontece porem o mesmo com o cavallar, e 
muar, cuja espécie be mais numerosa , pelo 
lucro maior, que tiram, da sua criação. O 
trig-o cultivado no paiz , he, naÕ só mui al- 
vo, porem bem nutrido, e abundante em 
produzir à benefício de seus trabalhadores, 
que annualmente exportam avultadíssimos quin- 
taes d'elle em sacos de couro, conhecidos 
com o nome de SurraÕ (6) O linho produz 
com fertilidade maior, que na Europa ; e a 
sua plantação podéra ser propagfjda com ex- 
cesso , se o zelo da felicidade publica naõ fra« 
queasse, como aeconteceu com a cultura do 
Canarao, à pesar das diligenciai* efficazes dos 
Vice-Reis Marquez de Lavradio , e Luiz de 
Vasconcellos e Souza, (7) em promover os 
meios mais proporcionados , e próprios ao 
adiantamento de sua cultura, à q^ue se oppo. 



(5) Naõ ha quasi Estancia alguma, onde falte a 
criação do gade ovelhum , de cujo veUo ioteiro se ser- 
vem , como de seílins , sohr* o oavallo , denominando-o 
pellego ; e da laa fabricam lombilh«s , ponches , e outros 
atavios, próprios da vida campestre. Nesta sorte de la- 
aificios se avantajara os habitantes da Freguezia de So 
Luiz de Ma«fardas. A temperatura do clima , e a bon- 
dade das pastagéHS influem assásmente à faver dessa 
«riaçaõ : mas naõ há cuidado em aperfeiçoa-la. 

(6) O trigo sobe na exportação á 30O:OO0 alq.ueires 
annualmente em graÕ ; e em farinha à 11.000 arrobas. 

(7) Por motiv» de particulares discursos sob' © Ri©^ 
5te Janeir* ,, e Provincjas annexas , que com © Ex-Yice-^ 



1)0 Rio ©e Janeiro. 



333 



serani, já a desgraça de na5 executarem os 
Governadores do Continente as Ordens , e 
Instrucçoens sobre esse artigo, como as haviam 
dado aquelles Superiores , e já a falta de Re« 
soiuçaõ da Corte à respeito de algumas re- 
presentaçoens proficuas ao progresso doesse 
ramo utilissimo de Commercio , que porisso 
ficou atrasado , sendo só proveitosa a sua 
fuUura aos administradores de tal lavoura, e 
de nao pequeno prejuízo ao Estado pelas 
despezas do seu serviço, para o que nada 
se applica a attençaÒ do Ministério , talvez 
por lhe faltarem as sinceras , e verdadeiras 
informaçoens sobr' esse artigo , que os inte- 
ressados na ruina dò Estado tem atégora oc- 
cultado em prol particular. Ignal desgraça 
acconteceu com á cultura da Cochonilha, que 
o Marquez de Lavradio tanto se empenhou 
em propagar. (8) 

Alem da aptidão d' esta Provincia para 
criar muito bem os vegetaes , conserva tam- 
bém no seu seio mineraes de grande valor, 
que rebentam á face da terra , comogip ferro , 
o magnete, o sulfato de ferro, o carvão de 



Rei Luiz de Vasconcellos teve o A. destas Menaorias 
eoi Lisboa, ficou-lhe o conhecimento do excessivo tra- 
balho , com que eUe se desvelou no adiantamento da 
cultura do linho Canamo ( além de outros géneros mui 
profícuos ao Estado), fazendo alguns planos, que re- 
presentados à Copte , naõ foram resolvidos. Ocçasionáram 
deaaais o acanhamento de seus utilíssimos intentos a 
pouca actividade dos Governadores subalternos do Rio 
Grande , e de S. Catharina. Vede no Liv. S.^ as me- 
morias desses Vice-Reis, e neste o Cap. 4. 
(8) Vede Liv. 2. pag. 149 e seg. 



1^ 



M&SfORIA3 HlSl^ORICA! 



pedra, o Sal de Glauber, bancos de Már- 
more, Bolo Arménio, pedra calcarea, e quan- 
tidade abundante de árgiltas para louça fina; 
é naÕ faltam terrenos , oude S6 descobre o 
ouro, quB explorado no anno 1810 por uma 
Companhia de homens ^babeis enviada pelo 
Estado, produziu 124 marcos^ 2 onças, 5 
oitavas, e â4 graons em pó, .a*té ^Outubro 
de 1812, Bo qual, em virtude da Provisão 
expedida pelo R. Erário em 12 de Maio do 
mesmo anno^ cessou a lavra por conta da 
Fazenda Real, attenta a despeza à cima de 
11:000^ de reis, com Ordenados, Salários &c., 
sem contar os jornaes dos Escravos distrahi- 
dos da Feitoria Real do Linho Canamo. 

O Commercio deste paiz, tendo soffrido 
as vicissitudes * da guerra longa, e ruinosa, 
todavia se sustenta com actividade; poisque 
pela sua barra entram , e saem annualmente 
230 a ^0 bergantins , e Sumacas : no inte- 
rior para o Rio Grande, Rio P«ardo, e ou- 
tros portos pequenos ^ giram 40 Fliates , e 
o utroâittantos Saveiros, >montando ^a â<|5^ indi- 
viduos a «'ua marujada. N-as ^relaçoenis 'mer- 
cantis jelJe na5 se, estreitai .ao Jârasil., mas 
alonga-as á Portugal , ;á Inglaterra , ao Cano 
da Boa Esperança , nm Estados Unidos da 
America Setentrional , á Ilha de Cuba , e á 
outros lugares: e pelo Mapa de Exportação 
dos géneros alli produzidos. em 1815, consta 
o total de seus preços «er 1:^82^809^590 reis. 

He descojihecida a Epoc^, em que o Con- 
tinente do Rio ofâraiide ^ principiou á po- 
voar de gente -naõ índia, por ' itâÔ existirem 



!)o Rio de JA#ieíiio. 



ír33 



memorias exactas desse fada: e eoíitu4o he 
certo, que seus habitantes píune!ro& traBst- 
taram da^ Villas de Santos, S. Viaento , e 
de S. Paulo, e que muito antes do anii<í 
1680 haíviam ahi agricultores das terras, os 
quaes se foram augmentando depois da pas- 
sagem á& Domingos de Brito Peixoto da 
lllia de S. Gatharina para a Laguea, a quem 
seguiram muitos Vicentistas , Santi«tas , e 
Paulistas, atravessando o interior dessa Gam- 
panlia assas estensa. 

Naõ serfdo porem sufficientci á cultivar 
um Continente taÔ longo , e grandemente 
proveitoso, aquell a porção diminuta d© kot- 
raens , foi lambem a í^rovincia do Rio Gran^^ 
de de S. Pedro ( como fora a da liba de S« 
Catbarina ) povoada á principia por enxurros 
de degradados j de mulheres immoraes, e de 
banidos, que plantaram ahi todos os vicios : 
d* onde procede a abundância de indivíduos 
ainda hoje inclinados ao^ roubo , ás mortes , e 
á outros attentados, por vegetar nos descen- 
dentes d*aquelles as raças infames de seus 
progenitores, cujo mal, como pestífero, ata- 
lhou o Decreto de 20 de Novembro de 
1797. (9) Aos indivíduos degradados succe- 
deram alguns Cazaes de Açoritas, e de Fun- 
chalenses ( como succederam em S. Calharia 
na ) , muita parte dos q«aes emigrou , por 
lhes faUarem com o tratamento, e avanços 
promettidos. 



(9) Vede Cap. 4. nota (9). 



833 



MsMOnXAg UlSTORieiS 



No sitio do Estreito haviam os antigos , 
e primeiros povoadores assentado a sua vi- 
venda etn forma de Arraial , por lhes parecer 
então ^o mais accommodado : mas informando 
o Ouvidor de Paranaguá sobr* esse assumpto 
( por pertencer o district® ao Termo da sui 
Commarca ) , era consequência d« parecer do 
niesmo Ministro, á que se seguiu a Provisão 
de 17 de Janeiro de 1747, registrada no Liv< 
33 fl. 121 da Provedoria do Rio de Janeiro j 
realisou-se no sitio propriamente do Rio Gran- 
de esse estâbellecimento em dias últimos de 
ann© J751 pelo Ouvidor Geral da Ilha de S. 
Catharina o Dezembargador Manoel Jozé de 
Faria. Do lugar referido mudou o General 
Gomes Freire de Andrada a povoação para 
outro , distanteJ* ao Sudoeste , perto de uma 
legoa , e longe da barra do JEÍio Grande duas , 
caminho á cima, dando-lhe o Titulo de Villa 
de S. Fedro , em conformidade da Ordem 
Regia de 17 de Julho de 1774, cuja Villa, 
por naõ ser erecta eptaÕ com a formalidade 
legal, ratificou, e restabeleceu o Alvará de 
16 de' Dezembro de 1812, mandando crea-la 
de novo pelo Ouvidor António Monteiro da 
Rocha, 

Contendo portanto esta Villa , e seu Ter- 
mo , mais de 18 mil habitantes , e facilitan- 
do o seu porto de mar um Confimercio van- 
tajoso de importação , e exportação ; porque 
na multiplicidade dos Litigios , que ali se dis- 
cutiam , vacillava continuamente o direito das 
partes pela impericia dos Juizes Ordmarios , 
com detrimento notável do Bem Publico , e 



»ô Rio de Ja^eiik^. ' 



387 



da administração mais prompta da Justiça : 
por esses respeitos , e porque , devenda-se 
promover o progresso da Civilisa^aÕ daquelles 
Povos , era indispensável , que as Leis tives- 
sem nma applicaçaÕ melhor entendida ^ e a 
«ua .observância fosse mais exacta, sem estorvo; 
creou aili o AJvarâ de lõ de Maio de i816 
um I/ugar de Juiz dê Póra do Civel , Cri- 
me , e Orfaans , com o mesmo Ordenado , 
Aposentadoria, e Propinas, que vence o Juiz 
de Fora da Villa de Porto Alegre. 

Com a invasão <3os Espanhoes em 1762 
á 1768, passou para a Capella Grande de 
Viamaõ o assento da Villa , e ne lugar da 
Freguezia de N. Sra. , da Conceição se esta- 
beleceu a Capital da Profincia , atéque o Go- 
vernador Jozé Marcelino de Figueiredo mu- 
dou, em 24 de Julho de 1773^ a povoação 
para o Porto dos Cazaes , distante 43 legoas 
ao Norte de S. Pedro, por haver ahi a com- 
modidade d'um lugar apto, e próprio á sus- 
tentar ,0 Commercio , cujo porto de entrada 
sem perigo , e de bom ancoradouro á vasos 
de carga, hc superior ao de S. Pedro; e 
substituindo com o nome á^ Porto Alegre 
o do Porto dos Cazaes , pelo qnal se conhe- 
cia este sitio, na latitude austral de 30° 58', 
e longitude de 326° 54' 40" contada da Ilha 
do Ferro , para alli foi concorrendo numero- 
so povo , que dentro de curto tempo erigiu 
edifícios nobres , fazendo florente o lugar para 
merecer o titulo 4e Villa, *como se lhe man- 
dou dar no anno 1805 , e que se realisou . 
com a denomiaaçao de Villa de S» Jozé de 
Tom. IX. 48 



Ç98 



MíiwaRiAS {fisToitievM 



Porto .alegre pelo Alvará de 23 de A^oséò 
de 1808 , (iO) realisando^se também nesse tem- 
po o provimento da Vara de Juiz de Fora 
do Civel , Crime , e Orfaons , em que havia 
sido nomeado o Bacharel Manoel Affonso Frei- 
re , por Despacho de 15 de Oulubro do so-* 
bredito anno 1805 , com o Ordenado de 400(^ 
r«is , e os cmolumentosT iguaes aos que ven- 
ce o Ministro semelhante da Villa de Santos. 
Por Alvará de 16 de Dezembro de Í8J3 
ficon a VilJa de S. Jozé de Porto Alegre 
cora a prerogativa de ser a Cabeça da Com- 
líiarea de S. Pedro do Rio Grande , e á^ 
Santa Catharina , por se haver declarado ^ 
^ue a mesma Villa servisse de Capital da 
Provinda , e nella residisse o denovo crea- 
do Governador e Capitão General , e seus 
Sucoessores : com essas circunstancias mudou- 
se para ahi o assento da Ouvidoria estabele- 
cido n'aqo«llã ilha : mas em atten^ao ás cau- 
sas ufgentes , que o Alvará com força de 
hei de 12 de Fevereiro de i82l ponderou , 
novamente se creou na mesma Ilha uma Cora« 
marca com a denominação de zz Commarca 
da IJha de Santa Gatharina = , que porisso 
Be dividiu da antiga, a qual ficou com o ti- 
tglo de zi Commarca do Rio Grande do SuK zi 



(lO) Com o titule de S. J©zé de Porto Alegre foi 
cvcado Baraõ Januário Agostinho de A limei da ^ por Bes- 
p?icho de 2ô de' Julho de l8l4,. coroo foraoa creados 
lambem por Despacho^ d« 6 de Fevereiro^ de J818 o 
Baronato da Laguna no Tenente General Caílcb Fred- 
rièa Lecór ; e o de S. Simaõ , em Paulo Fernandes Ca* 
D«in> YiaaBa* 



»0 Rio D£ JA!IE11t«U 



33^ 



Comprehende portafito esta no?a Commarca 
a outr'ora Villa de S. Jozé , (hoje Cidade, 
pela Carta de Lei âe 14 de Novembro de 18í^2 , 
que elevo«-a a essa prerogativa ) a Villa de 
S. Pedro; a de Santo António da Paíni!ha , 
©recta em 1811; a de N- Sra. do Rosário do 
Rio Pardo creada no irie^mo anno ; a de S. 
Luiz da Leal Bragança^ que o Alvará de 13 de 
Outubro de 1817 mandou crt3ar em Musíardas ; 
e a Viila nova de S. Joaõ da Cachoeira , des- 
membrada da do Ri© Pardo , que o Alvará de 26 
de Abril de 1819 maedou crear, a qual , e seu 
Termo, por outro Alvará de 19 de Dezembro de 
1822 ficaram §eparados da JurisdicçaÕ do Jtiíz 
de Fora da Villa do |iio Pardo , deciaraudo 
assim o mesmo Alvará o da sua creaçaõ. 

Por Cartas Regias de 14 de Julhe de 
1802 dirigidas ao Vice-:Rei , e Capitão Oe^ 
neral B. Fernando Jozé de Portugal ^ e a« 
Governadar desta Capitania Paulc Jozé da Sil- 
va Gama , foi abolida a Provedoria antiga, oae 
sre estabelecera na Villa de S. Pedro, (11) 
com todos o6 geus offieios, e incumbências , 
& creada em seu lugar uma Junta de Fa- 
xenda, como as que se achavam fundadas nas 
mais Capitanias do Ultramar, para adminis* 

(li) Por D. de i9 de Noverabio de 1749 se creou 
uma Provedoria privativa para administrar as Rendas 
Publicas desta Provincia ( que um Commissario de Mos- 
tras até eiitaó as manejava ) dando immediatamea- 
te as »ua6>GBnta8 á Provedoria da» Fazenda Real do Rio 
de Jau^iro. Delia foi I.^ Provedor o Bacharel Manoel 
<3a Costa Mora«s Barbarrica, V. Liv. 5. Cap. I. p»g. 
l^-, «ob a memoria da- Freg^^àa- de-N> Sf^r dft-]Vl*dce- 
de Dtuê^ de iBorto alegre. 

43 ii 



3*0 



MKMOmAlS HlSToálCAS 



liar , e aíreta<Jar os rendimentos Reaes por 
novo sisthema, o que se estabeleceu em Ja- 
neiro de ISOS , principiando as &uas Sessoens 
a lé de Fevereiro. 

Sendo esta Provincta já notável peh prós* 
peridade do seu eommmereiG , que fazia a 
necessidade de uma- Alfandega,, onde se ma- 
nifestassem as fazendas importadas , e expor- 
tadas, e os diíeitos de entrada, e saida igual- 
mente se arrecadassem por boa ordem ; man- 
dou -a fundar ahi a C. R. de 15^ de Julho de 
1800, que por motivo de embaraço , se reali- 
sou no anno de 1804; (12) e por Despacho 
de 17 de Dezembro de 1811 foi nomeada 
Juiz d'eíla o Bacharel «J^ozé Feliciano Fernan- 
des Pinheiro , que servia de Auditor Geral 
da Gente de Guerra, eom o predicamento do 
primeiro Ranço ,, e Beca Honorária. Nestíi 
Villa há também uma Intendência da Marinha. 

Em parallelo ao território de Santa Ca- 
tbarina , pelo que respeita á populaçaS , esta- 
va o do Rio Grande , para onde se transpor- 
taram outros casaes dos Açores , e da Madei- 
ra , em virtude de Ordem liegia expedida em 
1723 ; e por consequência da falta de braços , 
que cultivassem taÕ profii*.uas^ terras, naÕ en- 
trava este paiz na ordem do* mais interessan- 
tes : mas primiipiando elle á de«en^^olver as 
suas producçoena com assas exuberância , de** 
pois de trabalhado por hábeis lavradores ; he 
koje o inananciaL de effeitos ultigsimos ao Com- 
mercio. 



ilS) y. Liv. 5 no lugar proxi^iamente citado» 



Í^O KlO t»£ Ji^NEIRe. 



3ií 



No atino 1801 con<a\a_ a Província do 
Rio Grantle CO<tp homens í mo cie 1814 foi 
orçada a popiilaí^aÕ em 7Q^6b6 habitantes ^ 
á excepção dos Corpos de Linha de guari 
niçaÕ , do nunrero crescido dos vagamundos^ 
e dr>s que, pelas distancias das Freguezias , 
ou por ' í^ubíerfngios , naõ se davam ao lloí 
Paroquial, cujo radastro se organizou á vista 
das Listas apresentadas officialmente ao Gover- 
no. Mas , em conformidade do Mapa do Ou- 
vidor dessa Com marca ao Dezenibargo do 
Paço em 1818, numeram se ahi 79:137 pes- 
soas de todas as Classes. Portanto, no espa- 
ço de quatro annos , desde 1814 a J818, ap- 
parece o ajugmento de, 8S475 pessoas : e po- 
derá ser hoje mais avultí-da a população, se 
a necessidade naÕ exigisse o sacrifício de sus- 
tentar a guerra continua com a Naeaõ confi- 
nante , levando ( á força ) grande parte da 
mocidade agricola , atenuando tarwbcm os Ca- 
pitães de seus habitantes , e destroindo-os , o 
que nao he mui fácil de reparar-se. Alémdis- 
so , a inércia dos que vivem nas Estancias , 
a mdeza , a ociosidade, e a devassidão, con- 
tribuem vigorozamente para a mizeria , e fa- 
aem estancar a multiplicação da espécie hu- 
mana» Do deduzido se vê mui claramente, 
que em relação á área do território assas ex- 
tenso , naõ corresponde o numero actual de 
seus habitantes. 

A falta de povoaçaS sufficiente oceasio- 
nava a necessidade de Tropa militar, que pre- 
sidiasse , e defendesse o mesmo paiz dos as- 
«altos inimigos^ sendo porisso ^ que por Ord* 



MkMORIAS líltTORlCUS 



Iteg. se formasse no districto de Ilha Gran- 
jàe (Termo do Rio de Janeiro) um Terço com 
os Officiaes competentes, para serriralli na Cam-» 
panha de 1697. (13) Havia Ordenado Elílei 
p. Joaõ V. em 17^3 , ou 25, qwe neste Con- 
tinente se fundasse uma Forlaleza ; pa5 basían-» 
te porém tao fraca resistência 4 invasoena 
4e inimigos , que além de visinhos ^ se íicha^ 
«am fortificados á preceito , e conhecendo -se 
depois a necessidade de se levantarem outros 
iguaes edifícios, e bem defensáveis, pelos lu- 
gares menos seguros da província ; foi com 
essas vistas inviado da Corte o Brigadeiro Jo- 
zé da Siiva Paes , á cargo de quem ficou a 
iie.aovaçfliÕ dos Fortes antigos , e a er.ecçaÕ d*o«- 
l^ros por todo Continente do Sul , que impe- 
dissem a franqueza dos accontecimentos hos- 
tis : e passando Paes à satidkzer a sua com- 
aiissaõ no anno de 1736, levantou ahi algu- 
mas fortiíicaçoens , à que accresceram outra» 
fundadas pelo General Gomes Freire de An* 
drade , quanio, por eífeítuar o Tratado de 
Linjiites de 1750, passou ao mesmo Continen- 
te em Março de 1752 , onde residiu , até se 
retirar para a Capital em 1758, (14) Todas 
as fortificâçoeiís porém até é«se tempo fun- 
dadas, e outras, que posteriar mente se e^e- 
giram , naÕ subsistem hoje , ou por fraqueza 



'-%" ^ «^'^^if ' 



' (13) Consta do Terino de Veceança de i24 de De- 
zembro do anno tufOGionado , que se vê e»crito no Liv« 
dos. Termos da Ca aia ra da nfiesma IIhj|, 

* {14) V«de ÍÂY, 5 , Cap. l.<* sob a memoria d' esse 
Xíe^eralè 



P<h RíO T5E JArNEIRT>í 



daá suas erecçoens ;, ou por irtcçipèti(ía,4€y d6 
terreno areiento , nue naÕ adrcitte solidez dè 
alicerces. 

Um Regimente de Dragoens de Linlia (I5r) 
com 424 praças , que guarnece tanbein a 
Fronteira do Rio Pardo , Pardo, uma Legião 
de Cavailaria Ligeira (16) composta de douà 
Esquadroens , com ^62 praças ; um Batalhão 
de quatro Comparliias organizadas de 413 SoU 
dfldos , entr' Infantes i e Artilheiros , que, com 
a Lcgiaõ , guarnecem ignakr ente a Fronteira 
do Rio Grande , e conn andadas á principio 
poJ um Sargento Mór , sam dirigidas hoje 
p<>r um Coronel ; um Baíalhaõ de Infantaria 
Ligeira; (17) um Regipaento de Ca\allaria Me* 



(15) Foi priíiifirsoií-iite destinado eí>te RfgiíEtfito 
para a Pi-aça da Ccloiiia d« Sacramento: e tendo para 
alli feeg^iido o iiv prlneirc Cojonel Diogo Ozcrjo Car- 
dozo , por UKífr» verneiites lo< aes se tranfeiiu para e re* 
cem erecto presidio do Rio Grunde , onde &e organisá- 
ram os dous piinieiros Esquadrotns um a gfnte desta* 
cada do Hio de Janeiro, Bíihia , e Parnemburo, ebrin- 
do-se-íbe assento por Portaria do Comndandatite Goverii 
nador Jozé da Silva Paes, em data de g de De/t^Yò 
de 1737 j conforme o Plano assinado pelo SecretariP^d' 
Estado António Guedes Pereira. 

(16) Principiou em Junho de 1770 por uma Com* 
panhia de Voluntários sob a denominação de — Aventu- 
reiros Escolhidas --- Por AvÍ2o da Sccrètcria d' Fttado 
dos Negócios do Reino de 31 de Julho de 1776 foi augi 
mentada á uma Legi«õ de 600 hcmens, c designado 
Rafael Pinto Bandeira para seu primeiro C^rcnel. A C. 
R. de 31 de Outubro de 1799 augnaentou uni» Compa- 
nhia mais és três, que tinha; e outra C. R, de 30 dõ 
iresmo mez, e anuo, igualou os Soldos dos Capitaens, 
e Offiriaes Subalternes aos que verjciam os de grtiduaçaíí 
wmelhante no Regimento de Dragoens. 

(i7J Por Ordena do Yict-K^i Marqu«» de Lavradi# 



344 



Memorias Historicáí 



liciana , (18) formado de gente luzida do Rio 
Grande; outro semelhante de gente de Por- 
to Alegre ; outro de gente do Rio Pardo ; 
outro de Voluntários Reaes d'Entre-Rios ; e 
uma Companhia de Artilheiros , que guarnece 
a Fronteira de Missoens, e he composta de 
índios Guaranis ; além de um* Gorpo de Or- 
denanças, e dos Corpos Milicianos; fazem a 
força militar desta Província , onde , approvan- 
do o Decreto de 9 de Julho de 1811 o Pla- 
no para a organisaçaÓ de um Regirneuto de 
Milieias Guaranis á cavallo , mandou formar 
(na Província de Missoens) três Com panbiasl 
de Cavallaria Meliciana com homens brancos , 
que deviam servir de ,cascq para outro Regi- 
mento completo ha mesma Província quando 
a população do$ Districtos respectivos o per- 
mittir. Em tempo de guerra se levantam ah» 
demais Partidas varias Guerrilhas , compostas 
de aventureiros, criminosos, e outros indiví- 
duos de igual natureza , que' homens das 
mesmas , ou semelhantes qualidades com* 
moldam. 
^ Parecia* que constando ser sufficíente- 



foi levantado esse Batalhão, cujo Com mando , e intitruc- 
çaÕ se incumbiu ao Capitão de Artilhana do Rio de Ja- 
neiro Roberto Redrí^ues da Costa Homem. 

(Ig) Em 177O formou-se • primeiro Regimento de 
Cavallaria Auxiliar ( hoje Miliciana ) neste Continente » 
mandando o Governador Jozé Marcellino de Figueiredo 
matricula-lo por Portaria de l6 de Março do anno- dito„ 
Em 1813 foi dividido em três Corpos da mesma Arma, 
aos quaes accresceu o de— Entre Rios-—, Governando 
teítii Província « Capitão General D. Diog» de Sousa « 
poff Authoridade que para isso tere. * 



DO ;RlO BE JANE-lHb. 



3ib 



mente populosa esta Pfoviucia , houvesse so- 
br' a sua cultura Litteraria os mesmos cuida- 
dos , como mereceram outros artigos : mas o 
nenhum interesse pela instrucçaÕ da mocidade , 
de que tanto depende o Bem geral do Esta- 
do, fez esquecer o estabelecimento de Aulas 
publicas de ler , escrever , e contar, de Gra- 
mática, quer Portugueza , quer Latina, de 
Rethorica > e de Filosofia , onde os Joveais 
se habilitassem para os Cargos , e empregos ^ 
que os destinos futuros lhes preparassem. Por- 
isso , tendo a Provincia do Rio Grande todo 
direito à melhor consideração sobr' este arti- 
go, apenas na Capital de Porto Alegre via 
estabelecida», e conservada uma Aula única 
de Gramática Latina, para onde era impra- 
ticável, que de lugares assas remotos concor- 
resse a mocidade. Pode ser , que essa falta 
procedesse do inconveniente occasionado da 
guerra d assoladora , em que , ao tempo da 
Lei de 10 de Novembro de 1772, ardia o 
Rio Grande , por cjjo motivo foi esta Pro- 
víncia exceptuada do Imposto, e Collecta ap- 
applicada para o estabelecimento , e manuten- 
ção dos Professores : mas , por execução do 
que foi ordenado pelo Erário Régio em Pro- 
visão de 24 de Novembro de 1813, se esta* 
oeleceu em Março de 1814 o Subsidio Litte- 
2ario , cujo rendimento chegou no primeiro 
anno a 3:3128780 reis. 

A necessidade extrema das Aulas sobre- 
Jitas fazia- se taÕ conhecida, que obrigou o 
Capitão General Marquez de Alegrete á Re- 
presenta-la ao Throno em 23 de Dezembro 
Tom. IX, 44 



340 



Memoriís Históricas 



de 1815: e sendo entaõ Consultado o Desiem- 
bargo do Paço sobr' o seu assumpto , Foi o 
Senhor D. João VI. Servido por iminediata 
Besoluçaõ de 14 de Janeiro de 1820 Mandar 
crear oito Aulas das Primeiras Letras, e seis 
maiores , com os Ordenados competentes ás 
localidades, e aos objectos de inôtrucçaS, que 
constam da ProvisaS expedida por aquelle 
Tribunal a 7 de Fevereiro de ISiO como 
se vê. 



ntâ Rio DE Javcieo. 



347 



^ulas de Primeiras Letras. 



1 
1 
1 
1 
1 
1 

1 
I 



Lugares dt estabelecimento 

Na Capital de Porto Alegre 
Na Viila do Rio Grande 
Na Villa do Rio Pardo 
Na Villa de Saiito António 
Na Villa da Cachoeira 
Na Freguezia de S. Fran* 

cisco de Paula 
Na Fregiiezia do Triunfo 
Num dos Povos da Pro- 
vincia de Missoens o naais 
central , e numerofiro 

Aulas maiores. 



Ftmprarió 

250U000 
200U00Í) 
200UO00 
150U000 
100U009 

loouooo 

1GOUOO0 



loouooo 



j^a Capita l de Porto Alegre. 




1 De Gramática Latina 


3001)000 


1 De Filosofia Racional > e 




Moral 


300U00O 


1 De Rethoricá 


300U000 


1 De Arithmetica, Álgebra, 




Geometria , e Trigonome* 




rria. 


400U000 


JVb Rio Grande. 





i De Gramática Latina 

JVí) Rio Pardo. 
i De Gramática Latina 



25OUOO0 



25OU0OO 



Somim o Honorário 3:000U000 



44 ii 



Si?^ 



MeBíORIAs -HlSTOUlCAç 



A' vrstavpbis da despeza de três conto? 
íle reis ,, tendo produzido o Subsidio no anno 
priíTiéiro' ^ do síeii estabelecimento tr^s conío^ 
trezentos e do^e mil, setecentos e oitenta réis , 
íira assas claro, que o excesso se deve em- 
pregar ha niultipíicaçaõ das Aulas pelas Fre- 
guezias 'mais populosas da Provincia, atéque 
se firme geralmente em todas uma de Ler, 
escrever , e contar , em beneficio dos Pofos : 
porquanto sendo a instrucçaõ publica o meio 
mais profícuo de adoçar os costumes, por ella 
também se obtém o interesse bera entendido 
da civilisaçao , se conseguem utilidades incom- 
paráveis , e até mesmo o melhoramento das 
Associaçoens Commerliaes. Esta' providencia 
he de precisão que se entenda por todas as 
Provincias , e Freguezias do diladissimo Im- 
pério do Brasil. 

Depois de D. Pedro Cevalhos, Governa- 
dor de Buenos Ayres, e Jesuíta em voto, 
occupar a Praça da Colónia do Sacramento 
era 5 de Outubro de 1762, como se verá , 
ebeio de ufania pela prosperidade successiva 
de suas acçoens guerreiras , mtrcbou oontra 
a Provincia do Rio Grande ( onde chegou a 
12 de Maio de 1813) naõ à conquista-la, 
mas à triunfar d 'ella , fazendo logo conduzir 
carretas carregadas de grilhoens , algemas , e 
correntes , como se as destinasse para malfei- 
tores , facinorosos, e inimigos da Pátria; e 
contando de certo com o vencimento áo paiz, 
por conhecer a sua fraqueza n*aquella esta- 
ção. Naõ se enganou no prqjecto ; porque , 
além d'aquella circunstancia , por si só mui 



DO Rio DE Janeiko* 



349 



sufficiente , accresceram a <^bardia de quem 
governava o lugar , a falta de caatella , e a 
inacção, e concorreu para a felicidade da em- 
preza o desconcerto do Coronel de Dragoens 
1'lioniaz Luiz Ozorio , no abandono da Trin- 
cheira de Santa Thereza, á que se seguiu a 
precipitação do Povo em fugir confuzamente 
no dia 8 de Maio de 1763, desamparando o 
sitio. As mulheres^ e alguns homens, aquém 
foi diíiicil a deserção ern lance taõ apertado; 
soííeram sob ferros o bárbaro tratamento dos 
Senhores do campo, fazendo-os coduzir (à 
sua custa ) em carreias á Maldonado , e a 
outras terras precisadas de povoadores ; e o 
povo que «poude escapar ás niaons ferozes de 
taes inimigos, apenas teve tempo de se em- 
barcar em pequenas Sumacas, no mesmo es- 
tado, em que cada uni se achou sem o menor 
provimento , seguindo a derrota ate a Capital 
do Rio de Janeiro , e deixando aos agresso- 
res todas as suas possessoens , e riquezas. 
Com disposição a mais favorável , e sem al- 
gum encontro , se senhorearam os Castelha- 
nos da Villa de S. Pedro , e do respectivo 
Continente, à maons lavadas , no dia 12 de 
Maio, até fehzmente reconquista lo o bravo , 
destemido, e intelligente Tenente GeneralJoão 
Henrique de Bohon no dia ultimo de Março , 
e no segundo de Abril de 1776 : e como cer- 
tos de fortuna constante, atravessaram o Rio 
Grande para a margem do Norte , dií»posíos 
à conquistar Viamaõ , Laguna , e também a 
Ilha de Santa Catharina. 

Naõ pode entrar em duvida, que o& Por- 



S50 



Memorias Históricas. 



ttóguezes possuíam ne^le Continente toda loa- 
giíude por Costa de mar , até Castilhos gran- 
des, (19) e por terra dentro todo território 
até o Passo de Jaouby : (20) mas parecendo 
à Cevalhos , que com a mesma facilidade , 
com que taÕ felizmente conquistara a Colónia , 
e havia occupado a Villa de S. Pedro , se- 
guiria a empreza projectada sobre o Jacuhy , 
e Rio Pardo ^ deliberou tenta-la : e contudo 
temendo os Dragoens , e Paulistas , que guar- 
neciam aquella Fronteira , cujo valor , in- 
trepidez . e constância inimitável nos traba- 
lhos , eram assas conhecidas pelos mesmos 
Castelhanos, e pelos Jesuítas da sua naçaõ , 
que com escritos infaVnes tanto procuravam 
anniquilar o seu bom conceito , e acçoens he- 
róicas ; preparou -se com forças mui excessi- 
vas, e fez marchar adiantados dous mil ho- 
mens de tropa escolhida com uma parte de 



(19) He um outeiro coroado de penedos com ap- 
parencias de torreoeos. Dista 60 legoas do Rio Grande » 
caminho do Sul, cujo ten-tfno largo 6 legoas entr' o 
mar, e a Lagoa Mirim,, corre por igual. 

(20) O Pass© de Jacuhy alonga-se qaa$i 20 legoa» 
da boca do Rio Pardo; porem d'ahi, até • lugar onde 
conflue o mesmo Pardo, tem o nome de Gaiba , e cora 
elle desagua na gran<le Lagoa de "Viamaõ , situada à 
maÕ direita do Rio Grande; e do sitio 4a confluência 
para cima, se denomina Jacuhy. As Sumacas navegam 
por este rio até a boca do Pardo; mas as^icanoas vo- 
gam adiante. Sua Tia^-^gaçaõ he privativa dos Portugue- 
zes : e ura braço do mesmo Jacuhy , qwe vem do Su- 
doçste até a sua fonte , tem servido de divisa iftteri«a 
entre os Portuguezes , e os ladios Tapes. O Passo de 
Jacuhy finalmente cobre as Fortalezas do Rio Pardo , <í*í 
Santo Amaro, e de ViamaÕ. 



fio Rio d£ Ja&eíiio, 



S5I 



petrechos, e de artilharia , eniija&nto clle o$ 
beguia com o grosso do seu exercito nume- 
roso. (21) 

Era de fiwppor , que <$ Corpo açultad© 
dos dianteiros , confiando no êxito prospero 
das acçoens antecedentes , e á sombra do ter^ 
ror espalhado por todo Continente ^ onde che- 
gava o espantoso nome do papaÕ Cevalhos , 
nada temesse , e sem receio do menor en- 
contro proscguisse a marcha , certo da ?icto- 
ria sobre os lugares, à que se dirigia NaÕ 
acconteceu porém assim : porque escolhendo 
um campo aberto por muitas legoas de alto, 
e espesso bosque , distante vinte legoas do 
Passo de.Jacuby, onde acampoa à esperar 
o resto do Exercito, e com elle o seu Com*' 
mandante , ahi mesmo naõ se deu por segu- 
ro dos Dragoens , e Paulistas , contra quem 
levantou um Porte rodeado de fossos , collo- 
cando sobre a praça sete peças de artilharia , 
e cobrindo tudo com sentinellas avançadas , 
rondas , patrulhas , e com a vigilância mais 
cuidadosa. 

Entretanto nada obstou a 200 , ou 230 
Portuguezes do Rio Pardo , entre Dragoens , 
e Paulistas , que armados só de espingardas 
se encontraram com o bosque dilatado, por- 
onde era-lhes defeza a entrada à cavallo : e 
cm quanto os Paulistas mateiros rompiam o ca- 



iai) Desse facto existe uma Relação manuscrita, 
« mui circunstanciada pelo Padre Pedro Fernandes de 
Mesquita , como testemunha ocular. Vede Cap. 6. seg. 



352 



TffííMOUÍÂS HíSTOUlCAS 



miiího , assas trabalhoso pela densidade da 
mata^ e &ua dilatada estensaõ, à custo de 
sedes continuas, e fomes, que disfarçavam 
com as viandas de hervas cruas, raízes^, c 
palmitos, por evitar a africçaÕ de lume, e«jo 
sinal noticiasse aos contrários a sua proximi- 
dade, suspenderam todos a marcha, atéque 
concluida a abertura do caminho depois de 
muitos dias, proseguiram à cavallo em pello^ 
e à surdina sairam ao campo, onde percebi* 
dos das sentinellas avançadas, e das guardas 
vigilantes , foram recebidos com estrondoso 
fogo de fuzil, e de artilharia. A* pesar da 
disparidade das forças, prenderam os Portu* 
guezes as guardas, e s^ntinellas ioimigas ; te 
despre^sando intrépidos o chuveiro de balas, 
romperam por entre ellas, até montarem o 
Forte, onde dando a morte à uns, apri* 
sionando a outros , e afugentando o resto do 
Corpo adianteiro, ficaram Senhores da Praça , 
do seu guarnecimento, e>de tudo que fazia 
a sua defensa, de 20 mil vacas, grande nu- 
mero de bois, e outros muitos despojos. No 
numero dos prisioneiros entraram alguns Je- 
suitas , que transportados á Capital -do Rio 
de Janeiro-, acharam ahi mui diíferente tra» 
taniento , e caridade!, da que os seus/ com« 
patriotas haviam usado com òs Portuguezes > 
quer paizanos , quer militares de Patente su- 
perior, cujos individuos soíFreram os obze- 
quios mais cruéis , e já mais praticados em 
taes circunstancias. Pojr aquelle modo respon- 
deram os Paulistas às invectivas, e affrontaji? 
publicas, que os Jesuitas , seus Capitaç;? ini* 



©o ttlí> DE jANEfROf. 



^355 



migos , (52) haviam espalhado contra o seu crc^ 

^^^^....-^.^MMaMMMMW ■■■ I I ir— _. J U^J^—. - I ~ III I II ■ — L : Tl— mi ii i ■ - i rl^ ^- -^ 

^2í) L>«? Memorias «ulhí^iítioa» cousttt — Que eia 
timti á»9 inva<M>eii» «rduast do» Paufiitta!* , foraiu por eltt^i 
coiuluaitjo» <1« Goaym 15^ ludio*» , os quai^a »tf rt^trti-. 
rain , e *en(ieraui em pr» a pnblica: que o Paulista Mfc- 
noel Preto checou á roníHr na «u» Fazenda de N. Sra, 
da Expectação 1^000 IndtOii de arco , e frt^vhn seus ca- 
tivos ; e de tal niodo tra;iai«i aterrada aqu^ílU parte dià. 
America Bspauhoia » que obrigou a Corte de Madrid â 
instruir teruiiu*»i»teiuei»te o seu Eiiviad«> em Portucçal { <* 
Abbcide IVIazerati ) paru representar a« queixai» do Conde 
de Casteilar, seado Vice-Kei do Peru, sobr' 0!# Poitu- 
^ue/.es dl* Brasil , habitatite» da V^dU de S. Paulo , pelo 
costume de pa&«ar a Cordilheira coiu uu.ijero de geu^e 
para apre7Hr íadios , Icva-loii ás jsuas fazendas, e servi» 
rem-se deíle* , esteadeudo-se nas entradas , e correrias 
até Santa Cruz de la Siei/ra , e até os Rios Maranhão s 
e Auiazoaas: Que ravadiram , e destrui ra lu auuos aiitL3 
Ciudud Real, e Ciudad Xerét, dtixaudo aSíioladu toda 
« Fioviucia d* Goayra , e parte de Parai^uoy, aprezando 
«o mesmo teuipo parte da Naçaõ dos índios Guaranies ; 
Que veado os Padres da Companhia o estrago, que coí.- 
tiuuuinenie recebiam os «aturaes , retiraram os que rea- 
tavam á Provi iu'ia do Pai-aaá, e Urnguay , distante cem 
le^oas da dita Serra , e ahi formaram mnitus DoutrLjds 
aos Povos: Que aem assim escap^indo , e até «Ui me^mo 
chejbfando os Paulistas á fazerem as hostilidades coisiu- 
fiiauas, iuibrmado do perit^o o Marquez d»' Mousera , em- 
taõ Vice Rei , os soccorteu com bocas de fo^t» , polvo.a, 
« yauniyoeus, em chJo manejo se adestraram para repeU 
iirem as ii^vrasoens: Que saiudo unia Tropu de S. Pauio, 
«om mandada por Francisco Pedrozo Xavier, a 14 de 
Fevereiro de»l67t>, saquearam, c derrotaram Villa Rica 
do Espirito Santo, levando os índios das circiMivisiiihua- 
ças : Que portanto, em obiservancia do Tratado de Puz 
subsistente, requeria a restituição dos índios com suuii 
fauiilia», &c« = 

Das instancias assas vi^oroeiís, e activas do Env|udo 
•obredito apoiada a Nota datada uo 1.^ de Janeiro de 
1^79» por G. R. de i9 de Minço do mesmo anuo Míi:í« 
-dou o Priacipe Regente D. Pedr'> informar f>obr* o fác*- 



Me wròáVA^ «lítfsilaif f f^ fm 



€ H(^ nos PdlíU-ítífíii^íiaehòb' o ponipo;*« 
to de CavaUiíS _oppoi!;i^i][õ rija, uue 



dito 

Exercito de CavaUiíS _oppofc;^i][o rya , ^ue 
refreaodo-líie a jarianetti ^,.e i^imiuniníio-lhe a 
opinião /stispeivdeu-Uietmwbewi a- entrada tFiua- 
fante petí! Fronteira do Riô Pardo. 

Naõ perdendo da,yista aqaeUes, inin.igos 
o seiíherio , e a pesse absoluta áertihà^itMt- 
ritoric tfo Sul, úe^ée a Ifba à^ Sama Gé- 



to exp^^^tb o GavêruackK^ Úo Rb 'étfi Junèif©^ D»* MàMOet 
l.fho ,' t«j« i^i&nnaçaõ se ignora, e twlve« n\iõ íte eft^i- 
tiiou f o qtie htí iwais certw ) peio ia»tivo expostb ho Cap, 

ArgHiríít© «Camará de 8» Patilo o* Je/B-itas por 
prm arHr*-!» atrahic só á si » e em pregar o» ín^íoi* no ser- 
viço de sna» fazendas , contaVido etitr' os séu*. dbme.^tit-o» 
o m'»fHor áf- setef-enttís , u» Catita daáti em ^8 d<> JuVha 
ia !t'7é> sobr* »» q^uaitro Aldeãs do Padroado K*»»!, e 
reí-uUvUido da», fjovas <lesc®ntía«ça» do» habitaiiteaí d« mes- 
mfc Pro^iiieiíi cou.tr' a^í^élies Ilrdividoe* o projecto de 
expt^}»a-]oí^ €tth 34 cí* J»1W df 1^87, eemo- baViam ou- 
tr^>'H praticado, f a tS á« Mhe d€ iO40 ) e ?efidf» 'rééli- 
ri!;<lf.s aos seu* €oilegios tie Sawtos-,. e d^ S-. Pawlo , por 
Alvitra de 3 dV Outubrw éhi me^m*» aniio l^'40 ( como 
fiíOh referido bo Liv. 3. eiide si*' ai-ha a ni.emoria do' 
(lovernador fieuaride» ) preced<^ndo unja Eseritura de 
í/-Hns4t<f<,a5 ,. e aiiiiiíaAíeli com poniçaõ ,. celebrada <n a. Gama- 
ra da VUla Caprta!:- d* S. Vii:ent€ ; 'para dtesViai^ o ^o*- 
pe , q\ie os araeaçava, protestaram a soa i«Ti«cewc4a 7 e 
por mu Termo asMiwítdo líaqueUe aano 1^87 se 9«geítá» 
naín ás 'dedJií-»<?oeB» ^ e imyiosiçoens *stab€^èí*írlas. De 
ÍHctos ta«$ ^ e d* outro» ft^mf»ifcííntt»9 , sf •©•rgínàram os- 
rt»i)íor«fr iigfldae» di» Soci^ade Jeaoitica cuntre osr Pau- 
listas , q«e reeendírm nos i*eu» 'eâirito«s- conft«í^se í-è^em 
\'uiíí8»te Hiiítoiré Geograf, fÍG<Heáa»tíííe1?, Civi! '^^í« 1*2 
p«i>:. 2 IS da EdJva^ Pai-f9Í<*n«e em 1753', ^ IFHíiri^ívoix 
Hi^trtire de FíM-^tmay -fci*' 61:: «^i. 1ífti«^í^*e'oiltroSi Ved, 
MifmuT, para «* tfa»t0ri tia <:?a^')itíHiia d^ S-. Vicentip 4.iv, 
\. pa-j. IIÍJ.. desd: e iiúiu. 16ô,, e © Cap, seg, dcbie 
lÀv- mote- (J15)! 



DO KíO ©E J/WítElR«i 



S55 



thanna,, na Era de 1-777 a suq)m;a<lerain , t 
p<M? disp<3siçaõ scmelhdnte preteiídeu o me»iT)0 
Oeiíeral Cevfillos atacar este (/oulinçiHe , m- 
tentand«0| «urgir Mia HUfí barr» : mas íiefpudivlo 
de entra-k por |çi?andes> tempotaes , ' dejaíft«ç- 
íioti ôc^Rio da Pr«(ta, c te«i destífuèaicaf *^a 
Tropa em iVloute Video , onde demorada por 
alguHh- tfHV|tt»^, <le líova— «e pre|>**'o«-— |jara »e- 
conmiii*tter a Colonifi do Sacramento , como 
conseguiu , ai>ortáiido-a uo dia 22 de Maio 
do sobredito asino... ,, .. 

N o f ) ri noi pi o do presen N5 sec nlq 1 8 , q ti a«- 
do a g^uerfà entréf ás dunls Coi^oas F. e C 
se 'húsçuou n,^ ;<E tiro pa, foram os habitamos 
de<a . Fraviucia obii^ados à ioterromper a 
paz , em que se conservavam desde o sobre- 
dito aatio de I7Í7, tornaiKÍo as arina^' ifontra 
08 visiiiiios da uiuiiçi^oi Occidental dos Pat»»s , 
os ffonUiros do Ilio Pardo, e os do Rio Gran- 
de , cujo resultado foi a posse da Frovincia 
daa Seie Mnsocns do Ura^uay, coai o cei»e- 
noiitutrat, que media do arroio Chuy , limi- 
te antigo , até Thaim , res^ervado peiii Tiuta- 
do Je 1777 , (23) e fizeram parte da de S. 



Í2J) lias N»çoeri> ter«z,es de Indioí di:4rruas , l'a- 
pes , e Guará mis , íie f«r»nár«in »8 Aídtaa ^ que chumitiii 
Poccs , n<> território entr' ot Rioi Piratiui, e ^'■^f gran- 
de, proxiniRs á ra»»rge?ii oriental áo fjraj^uay , ^tn Lati- 
tude- Austral d*«dt? Hà,'^ 39* 5 i ", e I..ons^irnd<* da { onta 
Hiut» Occidental da Hha do Ferro» de 3=^1 ^' 45' 45 '^ 
até a Latitude (lt;^8.** 18- 13 ', ea Loni^itoétí de 323 ^ 
41 ''^í»**. NnÕ }»€!riMÍttindo iílles a e«tr«dw d<* ««♦u paiz 
á extMng^eiro» , Cf>n seguiram c«nt«do o« ,l«^suitas Espa- 
iihoen redi4^i-iog , domestica-los, e civiUsíi los , e incvin© 
d«n)iua'los, induxiudo-os por ultii«io à impedir o- ingíes- 

45 li 



«3B 



MeíVíOKíA* H^t.TOK}' 



PiHÍro , por pouco mai& («o todo) tje 15(1^^ 
hoífu^ns, a quem ticá raro seis carretas de ma- 
niíMiens , ârm«» , ierracrmatas -, viveres , alguot» 
Hiítnimentos imathlímflticttSí quH^ro pét*as de 
pequeno calibre, um surtifDeiyto de barracte 
de campanha , e cincoeiíta prisionetios. Por 



fio dus l\1^ki*oen^ ( que eni 1731, chfg»vj»rn h triot» ) *99 
pÇO(j)rio? m*ivviil[^i.os da Naça5^ Por «"«te modo, t- t-oi» 
prettxt» de nao "^ síe p^rturí>aireiiM , e corron»per«iD os < o*. 
tnnies hiaocentes d** í^fns conversos , èt^. kni}fi'H\tiéiffi 'áff^* 
ÍNtÁusteate aquelle» Mi«»ion:irr«s ái vip^ateci* : 4hí rÃothori- 
diJíUK , aí("m àa 4o .Ch**t*í tia sma .Sisuiedvvde; fjt^vfdfs 
dfv rtrgttliiQ temerário checaram á resistir àí^ dusti» Naçoea» 
Pofttt^iu^za , ê Espanhola k' força tihtffa , ai^que fvbrií^a- 
doji p*!» Tratado de Liidites^de l75t>^ èváruaVany o ter* 
r«n», tr pt^rderam o d©mini«» delle , dt^txattdn: os ^v^f 
« iB j(|>i«udaneia , seus urmazeni) sobejamente akjijt(8ieci4<>i<» 
e siti*!^ Estancias cobertas de gadàrita iiuntierosai De^rsêtc 
Mis^oéns f t»m c^»e se cf^bipféHendiara as ^cte >on<jiii^^a- 
da* í>ela força claTfop», di Rioí C^^^ruki, * íaber, 6. 
Niro>lá<v, fuiutadn «em |6^7,vf Í^» Lutz ^f>nza«^a iniifilada 
í^iií l!();ii , S. Miguel, uo tuv^nio »nno^ S. FrqttjLWcp de 
BofKi, e») I69O, S. Loikrenço^ eiá lt)ôl ,. S. Joàív Bap- 
tista» em I6i)8, e R^ A^jof em 1.7lit Í' nas q»aè»* !»e cmi- 
tarw 7;j>51 kabitai^es, ente* In^ms^ bffr»cos , » êpcravf* ) 
depoi* dt^ saireto os Jifsuitas fiiM; a7|)3 f«ram ^u^tita» -X. 
direrça« crvtl , e ereleaiasticH d» Rio #í» Prata > e as tre- 
ae íí»«i« setenfriouaes ií»tt-ben»m por pflrtHtta ho tiímrrrno- 
e Bispado da Parat^uãy.. Suas Pov«aç©ens feit»s com re-^ 
^ulHFÍdade y eram provida» de OlBeina» ^ e de TetnpJoa 
sumptaos©8„ q»*; eonserv^va» det^nteH adorne»,., c abuM- 
d«n*e8 íilfaia» de pr-aU. Dirijçido» os ladie» por Mestres 
ííss'is htibeie',. tuhivavuw •» terras v ít»»baW)studo alterna- 
da r»ei»re eni comintim , c se eecwpav»ni n^cmlro» swrvi 
*;ni iitt^h^ A Herva Maàtây ou do Paragvay ^ que «s 
ifjesiiiDs ii)di«8 va.tM coUier annualuieute iiá* tjrrfldw»: p;*^.* 
ttínosíís da Serruiiia de Mí*racayw , dÍ8ta*»te duzeuta»^ « 
irv^t^nt»^ h^ifOHg de cada Misbaõ', ÍHZ am dus rauxea loaiw 
ííotyiveis do seu Comoierci*» 



DO Rio d li Jí\neiro. 



S57 



5slai Missoens trocava o Tratado de limitc« 
i)e MM a Colónia do Sacramento, cuja troca 
frustaram o^ Jesuítas com. at suas iDanu- 
bra*. (24) 

Foi o Continente do Rio Grande Com* 
mandado por difiereiUes Cabos Militarei com 
submdiuaçao ao Governo de S. Paulo, até* 
i|ue a ProYisaÔ de 1 1 de Agosto de 1738 o 
separawiie, rcuuindo-o, como taiubem a Pro^ 
vincia . de S^ Catharina^ e a da Ln^una, â 
Capiíania do Hio de Janeiro: elevado porem 
à Urdem da* Capilanias independentes . prinei- 
piutt à gozar dessa preeminência pelo De- 
creto de 2ò de Fevereiro de 1807, e Carta 
Patente d3 19 de Setembro do mesmo anm», 
em que foi declarado o vencimento annnal 
de quinze mil cruzados de Soldo ao Gover- 
nador. fCorao a falta de memoiias documeií- 
lac8 «aÕ snbminislra a serie dos empregados 
no Cargo de Governador , áe^á' o principio 
do í*eu estabelecimento, parece naõ haver 
duvida, que os mesmos sugciíos encarregados 
do Governo da Ilha de S. Catharina , à cujo 
uiwtncto ef-tava anexa a Proviucia do Rio 
Grande, furam também os directores desta, 
ate se lhe destinar Governador privativo. 

I.'' Jozé da Siiva Paes, que voltando 
da Colónia, para onde havia levado s<»ccor- 
To« no anno 1737, e tendo reconhecido o por- 
to de Maldonado, com o intento de lançar 



|J4) VedL no Cap. »eg. 00 dveomentos ahi tran*eri» 
tos íob o titwlo = Papeis de «oticiu» reíiitivas ao rie^o» 
«<* dtt Uemvrctt^aõ de LiuiittMj peía pnrtt do SuL =; 



359 



MeMOUTAS HíSÍORTCáS 



a!Ii 08 alicerce» â uma |)ovoaçaõ nova , »<!e* 
mandou a barra do Rio Grande/ oode apor^ 
tado a 19 de Fe verei rí> da mies mo anHo , If^- 
'^ antoii no porto um Furte com a denomiiraçaõ 
de Jezifs , Maria, Jí<>zê , % na distancia de 
Meia iegoa peio IrtteTOr «ma Fortificação, 
r^ssiiii como nas Serrai^ de S. Miguel <on«^ 
tniiii outro Porte de pedra, e cal; foi o 
primeiro dos Governadores deste Continente, 
á i\\ui estava armexa « Provincia da Ilha de 
S. Catbarina. *. 

^•"^ André Ribeiro Coulinho, Mestre de 
Campo d' Artilharia, desde 1738 por 4re« an- 

liOS. 

3" Diogo Ozorid Cardo7o,'que sendo 
Cíipitaõ do Regiin<ínto de Cavallaria de Al- 
cântara, fora mandado trazer da Corte a par- 
ticipação do Armisticio, e crear um Regi- 
mento de Dragoens para guarntcer a Coiouia 
do Sacramento, e margens do Rio da Prata, 
d*on(le ( naõ podendo executar essa Ordem 
pelas difíiculdades que lhe obstaram ) passou 
para o novo Presidio d'aqualle Rio. e orga* 
íiizando ahi o Corpo, em conformidade do 
Plano af^aJçnado peh> Secretarif> dMO-^tado^ An- 
tónio Guedes Pereira , Governou o Continente 
de*de 1741 : e he para lembrar, que des- 
«rosiozo o Corpo Militar pela falta notarei 
de vinte mezes de Sólio, do fardamento de 
três íLonos , . e da penúria de nuinicoená de 
l>oca, rompeu no desafogo de se sublevar a ã 
de Janeiro de I74'Z. 

Em çonse^uèueia das Reprcf^éntaçoens do 
Govertíadpr, e Çapitaõ Giiiieiai Goiíiie* Fíci- 



DO Fio DF Janetho. 



359 



re de Arídrada se elevou a Provihcia á Go- 
veiuo inde|)€ridente , ou distineto, como eia m 
ju a Colotila , e a Ilha do 8. Calhai ina, 
coííi subordinação ao Chefe da Capkaina; áo 
Kio de Janeiro : e ^ara go'verna-ia piívair 
'v<4iiiefíte foi nomeado, ^ 

1.° Ignacio Eloj? de Mudureiía, Com- 
nel, por Paffiite, e Carta Uegia de 9 'de 
Setcfíibro de I7tí0, vencendo o Ordenado de 
2:0(M>^ reis, até fallecer afli em 1764. 

2.° Jozé Cubèodio de Sá e Faria, Co- 
ronel qúe era dVurti dos Ueginientos de Lj- 
nha da Praça do Rio de Janeiro, e feavia 
acíoaipauhado o General Andrada na Expe- 
dirão sobr o Tractaéo de LmUes ^ sabstitutu 
( na conjnnctura majs espinhosa ) o Posto , 
por nomeação do í.^ Více-Hei Conde de Cul 
ilha, tomando posse da Provincia no dia \& 
de Junho do mesmo anno Í764, c«ia nornea- 
(;aó confirmou a Carta Regia de lè líe Mar- 
co de K67, mandando por ella que \eii-. 
cesse SoWo, e tempo, desde o dia da sua 
expedição. Foi Brigadeiro dos Reaes Exerei^ 
lob por outra C. Ih de 2 de Outubro de í;7i , 
coKi o vencimento de Soldo ^ e tempo, de 
íjuc 8e lhe passou Patente a ^ do mesmo 
niez, e anno. Tendo observado em 1774 a 
parte tio Pararás, desde o encontro toui o 
Kio Pardo, até as S^te Quedaâ, fui de Cooi» 
ii;issaõ à Buenos Ayies para diligeneiar a 
execução do Tratado de f777 nos Aiíieo* 
4. 7.° e 22 «, cofiio foi também p«r nonua- 
çaÕ do^Vice-Rei Marquez de Lavradio o €o- 
lonel Vieente-Joaé d« Vellaico e Molma oi 



3G0 



Memorias H1[F'í'ôi?.iO'A5 



qu?\es falleceram Mi depois de annos , $ém 
poderem effeituar os objecto» cocnnícUídos pe- 
las (ergiversaçoens repetidas^ das Governadores 
E panhoe«. 

3.* Jozé Marcellino de Figueiredo ( poi- 
teriormeate Manotl Jorg-e de Sepulve<3a ) Co- 
ronel que era do Regimento de Ca vali ária 
^nxilier do Rio de Janeiro, c Commandaate 
que fora do acampameoto de S. Caetano em 
1766, substituiu o Governo por nomeação dn 
Vice-Rei Conde de Azambuja, e Patente de 9 
de Março de 1769, que a C. R. de 14 dfe 
Junho de 1774 confirmou, e foi incumbido 
também de Commandar o Regimento de Dra- 
goens , cujo Coronel Jòzè Casimiro RoncaMi ^e 
mandara recolher à Capital. Tomou posse a 
23 d' Abril do mesmo «nno : c occupando os 
«eus cuidado» em fazer florente a Província 
que governava , mudou a sede do Governo , 
e mais Estaçoens firmadas no território da 
Fregnezia de Viamaõ , para o sitio vantajozo 
do Forto dos Cazaes ^ { ho^e áer\*ym\nsLáo For- 
to Aleiíre ) em 24 de Julho de 1773. No dis- 
tricto da Parochia de N. .gra. dos Anjos, col- 
locada na margem do Caraguatay , Rio à cima 
sete léguas do Porto Alegre, e por t*>rra qua- 
tro, em .vituaçaõ amena, se empregou com 
cxtn mo em fomentar enir' os índios a agrir 
cultura, e a industria, instituindo Escolas de 
primeiras Letras para in^trucçaõ dos rapazes, 
e nm Recolhimento de educação para rapari- 
gas , construindo fabricas de telha, de tijolo, 
è de looça, teares, moinhos d* agua, &c. , c 
ordenado um methodo de arrecadação > em 



1>0 Rie DE JáNEfRO. 



S6l 



arca publica , do rendimento das suas manu- 
facturas : e d* uma Estancia formada entr' as 
de S. SimaÕ , (^5) e Palmares^ com mais de 
l2cJ5) cateças de gado vacum, procurou alli- 
•viar a Fazenda Real das despezas com a sua 
«nanutençao annual em quinze mil cruzados. 
He porem de lamentar, que começando taÕ 
felizmente esse Estabelecimento , e prometten- 
do muita prosperidade , terminasse com a 
admin-istraçaÕ do seti discreto Fundador / por 
d«leixo dos que liie substituíram no Posto, e 
naÕ se interessarem nos meios de fazer pros- 
pero o Estado do Brasil, tendo só em vista 
a sua perpetua ColonisaçaÕ, Sendo assas cons- 
tante a integridade deste Governador, o seu 
desinteresse, e o génio creador , a firmeza 
do seu caracter lhe suscitou intrigas , calum- 
nias, e dissabores com os Vice-Reis do Es- 
tado: e contudo 08 seus adversários jamais 
poderam escurecer suas virtudes, actividade , 
e zeio pelo bera geral .; poisque vigiando elle 
a administração publica, sem transeursar pe- 
lo Cargo Militar, também solicitou a funda- 
da© das Freguezias de Porto Alegre, Santo 
Amaro, Santa Anna, Conceição da Serra, S. 
Luiz éc Mostardas, S. Nicoláo de Jacny, e 
de N, Sra. dos Anjos. Regressando á Por- 
tugal , revocou o seu próprio nome , e fci 



(25) Esta Estancia foi dada a© Dezembargador do 
Paço, e Ivtendente Geral da Policia Paulo Fernandes 
Vianiia , à cujo íilho Paub Fernandes €arn«iro Vianna 
eoiiferiíi o Decreto de 6 de Fevereiro de Í8I8 o Ba;o« 
Bfeto cem o Titulo de S« SimaÕ, 

Tom. IX. 46 



eeã 



Memouias Históricas 



proviáo m> Posto de Tenfjnte General* e no 
Governo das Armas da Província de Trás-os- 
Montesi 

4.'' Scbastiaã Xavier ^a Veiga .Cabral 
da Camará, Coronel do Regimento "de Brá^ 
gança, destacada no Rio de Janeiro, quõ ira 
Kxpediçaã em soecqrro desta Provincia ac- 
compaabára o Tenente General JoaÕ Heflri- 
qiie de Bohon no anuo 1775 > e actual Bri- 
g:adeirO;, tomou posse do Governo a 31 de 
Maio de 1780, por nomeação do Vice- Rei 
Marquez de Lavradio. Como com o provia 
mento do GoVerno fosse taínbem- incumbido 
de começar a mui importante jtifigencia da 
demarcação de Limites» (26) na qualidade de 
Primeiro Comissário , e era assas dífficil abran- 
ger a um tempo o regimen interno^ da Pro* 
^incia, ficou interinamente na Capitai para o 
expediente ordinário , e com (irnmediata swbor* 
dinaça5 áquelíe. 

4.** Rafael Pinto Bandeira, Coronel ^ por 
quasi três annos. 

2."' Joíikim Jozé Ribeiro da Costa , que 
sendo Tenerite Go^onel do Regimenío de Ca> 
vallarim Milicianas do Rio de Janeiro, accom» 
panbára 'também o Tenente General Bobon- na 
Expfedèçao sobredita de 1775^^ > o quando jâ 
Coronel do íme«mo Regimento , foi nomeado 
para essa substituição pelo Vice- Rei Marquez 



{^) A 5 de Fevereiro de 1784 se abriram no acam» 
panMOito de Chnjy as Conferencias para essa Demarca- 
do, qae iâa5 teve «^ fira dézejado ( como era de espe» 
rar ) pelos subterfagies do» ^panhees. 



B© Rlô De J^NBltl». 



S6S 



áe Lavradia. Fínaífeoii sè»8 dks no Rio de 
Janeiro, swa Pátria, cOm a Patente de Ma- 
nchai de Campo, e no Exercido de Vogal 
do Conselho de Guerra, por Provimento Re- 
gia^ de 2ò de Abril de 1808. 

-Regressando Sebastião Xavter á Capital 
do seu Governo continuou no exerciciò^ do 
Posto ; e , provido já na Patente de Tenente 
General; foi nomeado Governador da Previu- 
cia de,Parnambuco, de cujo Carg« na 5 che- 
gou a emposaar-se , por falkcer á 5 de No- 
vembro de 1801 no mesmo Governo. 

Francisco Joaõ Roscio , Brigadeiro do Cor- 
po de Engenheiros, que interinamente se a^ha- 
va encarregado alli do mando da Capital por 
moléstia do proprietário do BastaÕ , entrou 
pela substituição na serventia de Governador , 
até entregar a Província ao legitimo Successor! 
5.^ Paulo Jozé da Silva Gama, Chefe 
de Esquadra, nomeado para este Governo em 

de WVd: dahi passou á occupar o Posto de 
Governador, e Capi(a5 General do Maranhão 
em 1809^, ou pouco depois. He Commenda- 
dor da Ordem de S. Bento d'Âviz , e Bara5 
loo. ^^' ^""^ I>espacho de 26 de Março de 
l8il CUJO sitio he fia mesma Província do 
Kio Grande. (27) Em dias do seu Governo 
e correndo o mez de Janeiro de 1803^ sé 



f 



• /-J) /'este Gama deu ElRei D. aouõ. yí^a pro. 
pnedade do Rmcaõ de Santa Tecla da' me/ma Provia- 
cia do Rio Grande. 



46 



II 



r"í» ^- 



â64 



Memorias Historicí^s 



CFeou nesta Província a Junta da Fazenda ^ 
ficando d'entaÕ #xtincta à Provedocia ai - 

tiga. 

Cread^ f níi Capitania a Província da 
Rio. Gran(?e do Sul pela cilada C. R. d© 
ISOji, foi i5€i* Governador, e Capitão Ge- 
neral 

l.° D. Diogo de Souza, nomead© a Si^ 
de Fetereiro. de 1807, tendo já servido de 
Governador em Mossambique, e- ^ocupado o 
Governo da Capitania do Maranhão. Toraoa 
posse a 9 de Outubro de 1809 ,4 e por Des- 
pacho de 13 de Maio^ d« 1315 pasmou com 
igual emprego ao Estado da índia , d^onde- 
regjressott no fim do anno 1822:. For Despa-- 
cho do anno 1808 teve lugar ao Conselho da 
Fazenda do Hio de Jkiueiro ,. de que se em- 
possou, a 14 de Novembro do mes^rno anno. Hé 
Commendador da Ordem de S. Bento d^Aviz, 
Cavalleiro da .Ordem da Torre e Espada , e 
Graõ Cruz, da.Oi^em de Cbristo. Foi creado 
Conde do Rio Pardo por Decreto de 26 de 
Julho de 1815; e provido no Posto d© Te- 
nente General effectivo em Setembro, do mes- 
mo anu:®» 

â.*» Lttiz Telles da Silva , 4.° Marquez 
d*Akgret€j que Governava a Provincia de So 
Paulo, succedcu por Despacho de 13 de Maio 
de 1814, e posse a< 13 de Novembro do mes^ 
mo annp. P^r Despacho do dia 4 de Julho 
de 1817 «ntroiô ; na effecti¥idade do Posto de 
Tenente Oeneraí , e se lhe conferiu, a Digni- 
dade de Gl-ao Cr«z> da Ordem dá Torre e 
Espada: e por outro despacho de 4 de Jaitw> 






^í> Riô í)B Janeiro, 



365 



áe 1S18 leve â Commenda âa nova Ordem 
de N^ Sra. da Conceição. (28) 

3.° D. Jozé de Castello. Branco , Conde 
da Fiffueira, succedeu por Despacho de 4 de 
Julho de 18!S áqcrelTe Marquez , tomando 
posse do Bastão. Era Commendador da Cora- 
ínenda de S. Pedro de Vai de Ladroens na 
Ordem de Christo, e Graõ Gruz da nova Or- 
dem da Conceição. ^ , , , ^.i- . 

4.° Joaõ Carlos de Saldanha Oliveifa 
Souza', c Daun, seccedea por Despacho de 
26 de Março de 1821, e posse do Bastão 
no mesmo anno. Era Brigadeiro dos Rcaes 
Exércitos , Comniendador da Ordem de Chr is- 
to, e da Torre e Espada. Foi o ultimo, que 
occupou o Posto de Capitão Genetal «esta 

Província .^ 

No termo territorial do Bispado d;.. Kio 
de Janeiro se comprehende o desta Capitania, 
era Conformidade da Bulia da ^iia creaçaõ , e 
da que instituiu a Dieeese de S. Paulo, divi- 
dindo-se com esta ivo interior, pelo Rio Pel- 
totas^, e por Costa maritima desde o Rio. de 
S. Francisco do Sul , onde termina com o dis- 
tricto de Santa Catharina. Dentro d'esses h- 
mitea acham-se estabelecidas 21 Igrejas Paro- 



las) Por C. R. de J9 de Julho de 1816 foi deter- 
minada, aos Governadores, e ÇapUtt«ns Geheraea dest* 
Froriwcia, ^ac oe Reoa merecedwres da pena uUímí» 
foB5«i0 com ella punido», estabellecend© o modo, coca 
;^U8 9« devia prpced«f jpara. esse effeito. 



566 MeMORIÀS^í HfSTÍ^ltl^AíS 

çhiac^, (29) que go.am a natureza de perpe. 



(W) Taes sam 

iVb disiricfd de Porto Alegre. 
N. Sra. Madre de Deus. 
N. Sra. dos Anjos da Aldeã de Viamaõ. 
Santa Anna da Ilha do Rio dos Sinos, 
penhor Bom Jezus do Triunfo. 
N. Sra. da Conceição de Viamaô/ 

No districto de S, António da Patrulha. 

S. Antónia da Patrullia , o« da Guarda Velha. 
IV. ^ra. da Conceição do Arroio 
VacW®"'^' ''* ^"''«i™. «= S. rra'n<.i,c. de Paula da 
No districto do Ria Pardo. 

N. Sra. do Rosário do Rio Pardo. 
S. Jozé de Taquary. 
S. Amaro. 

da IJyT^''^ Encruzilhada, que foi a «!«;« crea- 
No districto da Cachoeira, 

N. Sra. da Conceição da Cachoeira. 
rv. bra. da Assumpção de Cassapáva. 

No districto do Rio Grande. 

S. Pedro, c«ja invocação substituiu a da êimori. 
gem que consta ter sido N. Sra. do Rosarío? 
b. F'«nGisco de PauU de Pelotas. 
«' r ' «a Conceição do Estreito e Norte. 
S. Luiz de Mostardas. 
N. Sra. da Conceição de Piratinim. 
IN. í^ra. da Gonct^içaõ de Canguçu. > 
i^^pinto Santo do Serrito , ou "do Arroio Grande. 

o òfrZh''' ^'■^-"^^^^s «o^»*edítas subsistem nO drstnc- 
.« da Cachoeira a^ Capellas Curadas de S. Gabriel , em 



DO Rio jde Janetho. 



f7 



iuas , e conservam difataclas eçtf nsccns , bem 
capazes de adnuttir ciitras stiritlhaiotís , e iiiui- 
ías Capelias Curadas , onde se administra o 
Pasto Éspiritiml aos Povos rios seus distrittos. 
N*ella9 tem Bsseiíto \arias Cornrrarcas í ceie- 
siastica-s , cujas Varos servem os Párocos res- 
pectivos de cada uma Percebia , onde se fir- 
aaâram ; € das mesmas recorrem os povos á 
Vigararia Geral de novo creada ^m 1813 na 
Gapital de Porto-alegre , ele que be primeiro 
Ministro j desde 1814, o Cónego extranume- 
rario da Real Capella António Vieira da 
Soledade. 

Correndo os motivos da longa distancia 
de mar , da população assas crescida , íloren- 
cia do Coriímercio , uécessidades de Providen- 



Vacacahy ; de Santa Maria, na Boca do Monte; e de 
S. Sebastião, em Bagé , as quaes sam Filiaes : e no dis- 
tricto do Ri© Grande, a de N. Sra. das Necessidades, 
^ue he também filiai da Freguezia dè S. Pedro, 

Na Provinda de Missoens^ 

S. Luiz Gonzaga. 

S. Francisco de Borja, 

S. Nicoláo de Bary, 

S. Joaõ Baptista. 

S, I^urenço, 

S. Miguel. 

S. Anjo Cuatfídio, 

A*excepça5 destas Igrejas de Missoens , que sarai 
Congruadas com 160^ leia pelaa Ceram unidades dos 
Índios Guaramins , e por ellas alimentadas, cujos ren- 
dimentos, estabelecido» por essas mesmas Corpora^oens , 
sara incertos, todas as da Província do Bio Grande per- 
eebeai a Ordinária ancual de 200^ reis. 



I! i 



iX: 



c68 



Memoriai Históricas 



cias promptas, e outras circunstancias, assim 
como a do estabelecimento de um Tribunal 
ée AdminiitraçaS de P. N. , de uma Inten- 
dência (c Marinha, de uma casa de Alfan- 
dega , e de Magistraturas Judieiaes à bene- 
ficio do« povos, para se crear pelo Decreto 
de 25 de Fevereiro de 1807 em Capitania 
independente da do Rio de Janeiro o territó- 
rio do Rio Grande , que termina aò N, com 
a Província de S. Paulo, ao Sul com Monte 
Video , á E.com o Occeano , á O com Bue- 
Ayres , e Paraguay ; naõ he de menor preci- 
são que se desligue dos cuidado» do R. Bispo 
do Rio de Janeiro essa parte taõ distante da 
sua Diocese, que juntamente com o districto 
de Santa Catharina , e com outra porçaã do 
Bispado de S. Paulo, podem fazer estensaõ 
para o e«tabelecimento de ftovo Bispado, ou 
de uma Prelazia , como as de Mossambique , 
de Goiás , e de Cuiabá , e^ritando-se assim os 
graves incommodos dos habitantes desta Pro- 
víncia , e 08 perigos de mar , nos seus recur- 
sos ao Rio de Janeiro por objectos meramente 
ecciesiasticos. Este assumpto de iotereage pu- 
blico, talvez que, ponderado na Real Pre- 
sença de S, Majestade Imperial, produza o 
eíieito da Sua Singular, e Paternal Providen. 
cia á bem dos Povos, 



to ItlO DE JaNBIRO.^ 



369 



^A«^%«%«%«W«1 



k «« v««/»« %%V»i»»»»»%%»»»%4»%l>%»»»«»^'^'>* 



CAPITULO Vi. 



Mroa Colónia de ISacremenío, 



M 



Ediando 42 legoas do Rio de S, Pedro 
ao Cabo de Saitta Maria na Ponta tio Norte 
do Rio da Prata , que se demara na latitude 
de 35^ e Jongitude de 33i», 20^ ou na Ia- 
titude de 34% ^6' õT^^^^^está o Rio notável 
da Prata, Aitna das duas chaves do Brasil, (1) 



(l) C©m assas noticia tem di Aferentes Autores liis- 
toriado os deus Rios maiores do Mundo, conhecidos, e 
descobertos ao Sul da Equinocial. Oe ambos repetirei 
quarit« UBrrou o Padre VascoRcellos no Liv. 1.* das No- 
jfcioias das cousas do Brasil , desde o numero 22, que 
Brito. Freifte ex^oz também no Liv. L« da Guerra Bra- 
síiíca, ^íag. mi' kl] §. 38, sob as notas (l) (2). '* En- 
tre os dous Rios, chamado ura das Almazonas , ou do 
GiaÕ-Pará , e outro 3a Prata , que saõ como duas chíb. 
ves de pvaía, ou dé «uro , fee adia a terra do Brasil. O 
das Ali«azoná8 ( a que <Nhamaõ <^s naturaes Paraguaçu , 
íjue quer di?:er Mar grande ) Tie o Imperador de todos 
©s Rios do Mund«. Seu comprimento he de 1:300, J:6^00, 
ou 1:800 legoas , segundo o computo dos que o navega- 
ram. A distancia por onde estende seus braços, som ma. 
afêm de 1:000 legoas, d»ndo-se as mao«R no meio do 
Sertão est-e Rio cem o da Prata. A' proporção do seu 
compriment© , he a gross'aTa do seu corpo, ç o largo 
da sua boca , sommaiido-se â circuíifeTencia do «eu gran- 
de dominio sobre 4 mil legoas. Peli* boca, que contaõ 
ser inai« de 80 iegoas , vaõ correndo sii as aguas doces 
ftO , e 3» legoas ao mar , ronue «s colheai os mareante* 

Tom. IX. 47 



ff!" 




MFMOiaiAg HiSTOálCA* 



éê c vvf a . bftca .€síeu sa maw. de .40 legoas. áhi^ 
a Nova Colónia do Sacranient© 60 , à 65 , 
descobrindo-se por elias sei* rios maiores , 



pvimeir©, que avistem, a terra. Em lugar de a2 dente* 
humano» ^ tera esta boca outras tantas Ilíias , pequenas 
limas, oiitraè granulei* 7 '*to<^» «è dêmdraç da- banda do 
Sul. As demais llhe» deete Rio^ saô innumeraveií» , cora 
variedttde apraziveK As ©rdinarias saõ de 2,, 4. Qr IQ., 20, 
e mais^ legoas ; e taes ha> que tem de circunferência 
TttA de lOO* Caataõ os Índio» versados no Sei^taô , que 
bem, lu) meio delle saô yiatoso* díirem>-3e as Nna<pna «^stes 
dou& Rios ,.. em huma Álagoa fuiuo^a ,. oa Lagcr- prefun» 
do, de aguas que se ajuntaõ das vertentes €63- grafndleô 
Serra» do» Ghilli ,, e Perá^e denjora- sobre as eabeceiras- 
4o Riô> que chumaõ S^ Francisco, que :vem desembo-^ 
ç^r ao mar era altura de IQ^gr^os,, e l quarto: e que 
desta' graiide alagoa se formão ôs' braços datjuellés gros- 
aus corpo»;; o direito ,^ ae das Alma^enas pura o Norte;, 
• esjrquerdô,, ao. da Prata, para^ o Sul ; e que çom este» 
ábarcaõ, e torneaõ todo o Sertaã do Brasil ;e que coai 
o mais grosso do peito> pescoço,, e boca ^ prewdem ao 
mar. Traz origem este grande Rio de humas monàtruo- 
sas Serranias de comprimento ,, e altura i mmensíi , era 
muito notável ditítancia^ ;: ellas saõ abundantis&iraas de 
©ur©,. prata ,^ e pedras preciosas ,. scjibre ás quaes correwi 
as aguas do Rio ;^ e estas saõ férteis de varias castas de 
pescado, assim como seus arredores de caças, {a) „ 

*' O Rio Paraguay , ou da Prata., qwase irmaõ eta 
ageas, e potencia ao das Almazonas, dá ás maons ao» 
líiesmo naquelle grande Lago, de que falleí |à, é corte 
ao Sul de 12 até 24' grãos, quase fronteiros ao Sertaõv 
ÒA Ilha de Santa Catharina, onde se acha engrossado 
fâ o tronco d« seu corpo com largura., e funldo ,mons» 



\a\^ Sobre a origem, àit^t.^ Rto notável veja»se T. 4 
dia tiov* Histor^ do Brás. per Beuchacnp ,. Liv. 29, des- 
de pag, 148, e a nota do Traductor Porfcugiiez : c so- 
bre a. sua agricultura,, navegação , &g; féa se a— Quin- 
ta Parte- do Thes«uro descoberto no Rio Máximo Ama* 
stnaa — impress© no Rio de Janeiro, Anno 1820. 



Do Rio de Janeiev, 



371 



que supposto s€jam volutoosos , só o de Santa 
Luzia, o da Conceição, e o do Rosário per- 
mittem navegação. Américo Vespucio manda-» 



truoso. Desemboca ao «aar entre o Promontório de San- 
tu Maria, e Cabo Branco, on de S. António , ern 35» 
e 36 grãos dii Equinocial com 40 tííox^as de boca. Sua» 
«goas por espaço da mnitás l«goas da praia (b) ^'ãõ igual- 
mente doce*, q«e as da própria garganta; e d-ellas be-« 
bem os navegantes, ainda naõ tendo avistado a terra 
<3o top© dos ma«tos maií» altos. Com seus braços vai pe- 
«ttrando, e rodeando mais ao interior do Sertão, at« 
avisinhar-sc a pouca distancia coia o»' do seu t>onfede- 
rado o Graõ Pará, fazendo com elle aqu^eile circuito 
<\e 2:í)00 legoas. Quando pelas enchentes do Sertão, que 
«í^em ^iescendo das gí-átíd*« 'Serranias á«C^ilii, e Peru, 
^ahe fora daj svja niadrt; , ^espraia suas agoas taô iicexi- 
ciosaraente , quf* toma de campos, sementeiras, e es- 
tancias por le»'oas inteiras, e por espaço de três mezes, 
Ern seu bojo com^rehendcí muitas, e grandes llljus , to- 
das amenas , e -enfeitadas da natureza. Seus «rredores 
*aõ fertilissiinos; campinas eítendidas , até cançar os 
oliios, <}apazes de searas, vinhas, e de toda a qualidade 
^de plantaçoens Ewropeas : a abundância de gado \m tao 
•exhorUtaate , que cljcga a naõ ter estima. Ariqueza do 
ouro, prata, e pedrana, que vem descobrindo suas 
sigoas por todos seos Sertaons, naõ- he menor, como ho« 
je ^'onhecerii os Ch^llis, os Perus, a^5 Maldivas, os Po- 
tocis, e CS iuai» lugares, doude se tem desentranhiido 
«iQ raaior abundj,ncja , que as potencias d-e um David , 
•e de uto Salamaõ. Paj^saõ de duzentos os Rios, que di- 
ínanaÕ deste ^ e ceatõ e setenta suõ os ca,udaloses desta 
Costa^ »» 

Tei-n este famoso Rio as suas próprias, ç mais re- 
iBotas fontes lego ao Poente das cabeceiras do Rio doa 
Ariíios, n*uma grande chapada sobre a Serra do Pary , 



{Ò) Brito Freire ( Lva e l«gar cit. ) disse — £ni 
^35 grãos de akura o recebe o mar por 40 legoas de 
isoca, vomitando a agoa doce outras tantas, depois de 
-se utettei mx saigad^. 

47 ii 



•• -/*' ,.■»»{'<■ 



372 



Miafí^RiAíij Históricas . 



áo? investi ti^r a Costa do Brasil por ElRci 
D. Mono^el ^ foi o seu descobridor em 1501 : e 
tendo firmado na barra do Rio OreBOco > aa 
Norte, o primeiro marco por parte de Por- 
tugal y ítnco4i o segundo ha barra do Rio Desa- 
guadeiro, que sai à Bahia de ' S. Mathias ^ 
ao Sul, cujo nome substituiram 05 Casthelha- 
nos , dando-lbe o de Bahia sem fimdo. Arri- 
bado casualmente n*^esse porto D. António So- 
Ez , por quem foi sciente o Imperador Car- 
los V. da sua belleza , nao tardou y qwe in- 
citada a sua hydropica cobiça de terras , man- 
dasse o mesmo Soberano a Sebastião Gáboto^ 
tomar posse da margem austral da menciona- 
do Rio , (2) e em f535 inviasse a D. Pedra 
d^ Mendonça* ÍDCumbindo-lhe a fimdaçaÕ d% 



porçaõ d^ dos^ Pftricis,. no sitio ckamado Sete Lmgoas^ 
pela latitude de 13.®, e ro^ridiano: de íJ20®, segundo a»; 
«bservaçoens , e exames uMmos : e correndo ao- Sul pel* 
«stensaã de 600 legoas ,. entra' no OcceanO' com- o nome 
de Rio da Prata , que adfcpjire depois de confluir o Pa- 
raná com o Puraguay na margeca oriental d*^elle era la» 
titude àa '27'% 25,,^ Distam aquella» cabeceiras 70^ le- 
goas do^ Para^uay ao Nordeste da^ Villa Bel4a antiga , 
e hoje Cidade de Mato Grosso ,, e 40 à Leste dk Cida- 
de dfr Cuiabá. Sobre a origem dt> nome Rio da Prata 
Teja-se Memor» para a Histor. da Capitan, de S». Vicen- 
te , L» 1 , pag. 33 , n, 53^. 

(2) Moreíli ( Fasti novi Orbis ) , e com ellie Beu- 
champ^ Tc 1^ pag. 56, referiram, que Joaõ Dias So- 
íís , Piloto raót de Castella , entrara prifueiro^ o Rio da 
Prata no anno J;5l6; outfos> que em 1515. Sebastião 
Gaboto deu principio à povoar Buenos Ayre» na mar- 
gem do Sul do mesmo Rio em 15^5,^ ciijO' estabeleci- 
mento foi continuar D^ Pedro de Mendonça,, em 1535 9. 
»as terras dos Indio& Maracoto», por quem' foi mort«> 
em 153^1 e a maior parte da &ua gente* 



D© Rio de Janeirov 



^73 



Cidade de Buenos Ayres , e outras povoaçoetis 
pelo interior do paiz , aproveitando-se da le- 
targia de Portugal à respeito do Brasil , e 
só desvelado nos progressos da índia Orien- 
tal. Depois de Vespucio, navegou Martim Af- 
fonso de Sou.za o mesmo Rio no anuo 1531, 
e na Ilha de Maldonado assentou outro mar- 
co com as Quinas de Portugal. (3) 

A terra que circunda taÕ considerável Rio 
contem â maior das campanhas descobertas 
nas duas Américas ; e a sua vivenda mui agra* 
davel , he assas apetecida. Ella goza de ares 
finos / e salutiferos ; as aguas sam christali- 
nas ; os sitios aprasiveis , por esmaltados de 
flores de J)om cheiro ^^ e abundantes também 
de hervas medicinaes ; os arvoredos , além de 
corpulentos , faxem-se admirar pela criaçaS 
de volumosos , e gostosos pomos ^ assim bra- 
silicos , como européos ; as oliveiras vistosís- 
simas pela altura > e formosura , fructificam 
bem a azeitona , cujo fructo , se naÕ he me- 
lhor > iguala ao menos ao vegetado cm El- 
vas, c Sevilha: as íruetas de pevide, ou de 
caroço , tem sabor muito agradável ; toda hor- 
taliça se cria soberbamente , e qualquer outra 
planta, cuja producçaõ he sempre avultada^^ 
As carnes de vacarias innumeraveis , que ( co- 
mo referiu Brito Freire Liv. 1., ^. 38, n. 2.) 
matam só para carregar de couros os navios, 
sustentadas em vastíssimos campos com assas 
fartura ^ sam igualmente deliciosas , que as nu- 



(3) Yasconc, Livt 1 > Notici dus cousas do BrasLi * 



37* 



MeÍIORIAS HiSTôRICia 



triáas no terreno d« Entre o Douro, c Mi- 
nho; e com a mesma abundância sé criam 
os gados cavallar , e muar. As varas de por»- 
"cos se multiplicam com fartura ; a caça toi 
ma-se á montes; as aves nao tem conto, nem 
jamais se poderam extinguir ; o peixe , em 
fim , he gostoso , e de espécies diflfere^teái 
Historiadores antigos, (4) exactamente infor^ 
tnados pr»r testemunhas numerosas , que alli 
viveram ^ sem faltar à verdade afíirmárani , qiiè 
Tienhuina terra da Europa se podia comparar 
com a da Golonia , nem com as das visinhan- 
■ças do Rio da Prata , onde tem o se» asseu- 
'to o Paraizo terrestre. Isto mesmo confir-mant 
cjuantos residiram, e haòilam esses ^ sítios ame- 
hissimos , e appetitosos, para o cstabelecimeni 
to dos homens. 

Possuindo Portoga! a vasta reg-iaô do llra- 
àil da parte do Norte d'aquelle Rio, e Espa- 
nha a terra ao longo do mesmo ao Sul , (5) 



(4) Síinta Maria , on Santuar. Manau. 1\ 10, Liv« 
3, til. <) , que tinha á sua vi^átft u Histor. manuscrita dé 
í^adve Fr, Vicente do Salvador, c repetidas ^-tizes « 
cita, 

(5) O mesmo Vasconc. no Liv, sobrècit. n, 66 , 
'xjjgse — E por aqui temos visto a Costa toda do Brasil 
Se 1:050 legoas , mais oii menos ,,,. Porem tJõMb' a li- 
íiha , que corta o Sertaõ,.,, vá sahir mais à vatite jun- 
to à bahia de í^» Mathias , corre mais a terra do Brasil 
da boca do Rio da Prata i70 legoas ao Sul,.,, e na 
ultima ponta cia bahia de S» Mathias , aa terra ^ que 
chàma'5 do m^rco , he tradição se metteu o d« nossas 
armas de Portugal: e vem a ficar em 44 para 45 grãos 
de altura — Brito Freire , dando noticia do "qúe pertencia 
ès duas Coroas, Portugaèzá , e Espanhola , nas Conquis- 
tai da America, referia no Liv» 1. cit. sap. pag, 47, 



DO Rio de Jakeir*^ 



S75 



para evitar íissensoens entre entre os Vassal- 



B. 88, que os Papas MartinljO' 5,*^ , e Alexandre 6*^, 
BO anno 1493 intentando accommodar as duvidas entre 
os Reis de Portugal , e de Castella , repartirara as terras 
descobertas por seus vassaHos, mandando — Que deitada 
lima linha nas Ilhas de Cabo Verde , trezentas e setenta 
legoas ao- Ocsidentê de S, AntaÕ , lançassem do ultima 
;^onto dessa linha transversal , outra linha ima;ginaria de 
Norte a Sul r ficando a linha do^ que tocasse à Portu- 
gal , para o Levante ; e a do que pertencesse à Castella ^ 
para o Poente, - — E continuando o mesmo A» a fallar 
sobre essa divisão , para que foram mandados doze Geó- 
grafos , por duvidas movidas trinta e um annos depois 
entre o Imperador Carlos 5.*^ , e El Rei D.. Manoel, se 
expressou assim. — Mas nunca desembaraçarão bem a 
meada, que se fez dessas liijihas; porque como na incer-* 
teza de Leste Oeste , alarga , ou estreita a Mathematica 
os seus compassos na maneira que ella quer , ( refutanda 
outras opinioens , aqui citou vários autores ) , se confor- 
Hiaõ mais dtias,. Huma , que olhando para o mar , dá 
ao Brasil trmta e cinco gríos : que tanto distaõ os Rios 
das Amazonas , e o da Frata , no que estamos hoje de 
posse. Outra, que lhe sinala quarenta e cinco: se cor- 
rem para o SertaÕ, tomando do mesmo rio das Amazo» 
i«H5 , tomando o porto de S» JMathiasv Assim mostrou a 
experiência,, que sobre a variedade d'e repartirem entre 
si o Orbe , estas duas Coroas , toda* as Bulas , que se 
expedirão ; juntas que se fizeraõ r e acordos que se to« 
maraõ ; foi mais para atalhar queixas ,. que resolver em- 
baraços ; porque naõ haverá divisoens- ajustadas ,, em quan-^ 
to houver Reinos confinantesé — O descobrimento das 
Molucas alterou a harmonia entre as duas Coroas, por 
pretender cada uma , que ellas fossem d^as suas Con- 
quistas, d' onde se originou, que aspirando Ciarios 5.**, 
à Monarchia universal, deputassem ambos os Monarchas 
Juizes, e Procuradores para decidirem a Causa. Os Ma- 
thematicos, e Geographos da obediência do Imperador, 
interessados em servi-lo à seu geiío , situaram a& terras 
em posição conveniente à Gastellãj, e lavrando mapas , e 
Cortas Geographicas com erros mui notaveia , conseguir- 



ia- 



S76 



McMoniAS Históricas 



Ias de ambas as Coroas à cerca das Colónias 



iam , que ellas se propagassem com successo mais feliz, 
do que tiveram ait publicadas por bons , e indefferente» 
Geographes Portuguezes, D' ahi resultou, que empenha- 
dos os CastcMianos à puchar o firasil para o Oecidente^ 
deram ao Mar Occeano ( entre o mesmo Brasil , e as 
Ilhas declaradas na Bulia de Alexandre 6.^ ) maior es- 
paço , do que realmente tem , bastando saber-se , que 
eiles , com taes vistas , atrazáram para o Occidente o 
Cabo de S. Agostinho, em Parnambuco , sem lhes obs- 
tar as observaçoens frequentes, e verdadeiras dos Pilotos 
de todas as Na^ocmt , que o situam na longitude quasi 
de 349.^, ou de 34^.*', 46\ Semelhantemente procederam 
d*aquelie Cabo para a Bahia de Todos os Santos , à úni 
de se apossarem das terras do Rio da Prata , do Rio 
Grande , e de Santa Catharjna ; e estando a boca do 
Ri© da Prata na longitude de 330.«», tanto a pucháram 
para Oeste , que a pozeram na de 323 , ou 342.* Certi- 
licado Carlos 5.^ do armamento da Inglaterra , e da 
França, que o obrigavam à pôr em liberdade ò Rei 
Christianissimo Francisco 1.*', e carecendo enUiõ de di- 
nheiro para sustentar as guerras continuadas com os seus 
vizinhos , a quem inquietou [wr toda sua vida ; fez ura 
Tratado com Portugal na Cidade de CJaragoca em 1529 , 
que se confirmou em Lerida no anno seguinte , à cust» 
de 300(^ ducados (<•) recebidos: e deixando de fallar so- 
br* -o que foi entaõ pactuado à respeito das Molucas , 
referirei só o Ar/igo relativo a America, concebido nos 
seguintes termos. — Iten queda assentado y concordado 
por los dichos procuradores, en nombre de los dicho^ 
sus Constituintes, íjue las Capitulaciones entre los dichoâ 
Catholicos Reyes Don Fernando y Dono, y ElHei Doa 
Juan el 2.** sobre ía deraarcacion dei mar Oceano, que- 
den firmes y vakdor-es en todo , y por todo , como en 
dias hes contenido y declarado. — Naõ apparccendo po- 
rem as Capitulaçoens , à que se referia esse Tratado, nem 
se explicando a sua formalidade, voUou tudo ao estado 
da escuridão. 



(e) Moeda estrangeira, e rària d'cst« aome. 



DO Rio DE Janeiro. 



377 



alll estabellecidas , (6) mandou o Príncipe Re- 
gente D. Pedro II., por Ordem de J2 de 
Novembro de 1678 , que se formasse tim a Co- 
lónia na Ilha de S. Gabriel , e passando D. 
Manoel Lobo áquelle sitio ^ fundasse uma Pra- 
ça , onde parecesse mais conveniente. Para «e 
executar essa determinação teve Lobo a in- 
cumbência do Governo do Rio de Janeiro, 
por Patente de 8 de Outubro de 1678 , e a 
sugeiçaõ das Capitanias do Sul , por D. de 
12 de Novembro do mesmo anno ; e por C, 
R. de igual data foi ordenado ao Provedor da 
F. Real, que pontualmente observasse as dis« 
posiçoens d'aquelle Governador na parte rela- 
tiva à essa diligencia. (7) Empossado da Ca- 
pital no dia 9 de Maio de 1679, ahi se de- 
morou Lobo, emquanto aprontava o resto de 
petrechos necessários no edifício que tinha de 
fundar, e adiantava os cazaes de povoadores 
trazidos de Lisboa (8) com outros semelhantes ^ 



:í 



(6) Vede a nota (15). 

(7) Esses documentos se registraram no Liv.| 10 do 
Reg. Ger. da Provedor, do Rio de .lan. fl. 143. 

(8) O D. de 29 de Outubro de 1689 determinou, 
que se mandassem pelo Rio de Janeiro para a Nova 
Colónia do Sacramento os homens , e mulheres degrada- 
dos para o Brasil, que estivessem em disposição de aug- 
mentarem aquella povoação: mas outro D. de 28 de 
Março de 172Í2 prohibiu o degredo para o Brasil , e 
Nova Colónia. Por Ordem de 22 de Maio de 1716 se 
mandou pagar a António Rodrigues Carneiro , que cora 
a sua família passou de Trás os Montes à servir na Co- 
lónia do Sacramento , levando comsigo quarenta Cazaes 
para ajudar à povoa-la , o vencimento do Posto de Sar- 
gento mór delia , como vencia o dos Terços pagos da 

Tõ7n. IX, 48 



378 



Memorias Históricas 



Sfeos qaaes se uDiram muitos indivíduos de am- 
b^s os «exôs , por deliberada vontade de ha- 
bitar a nova profincia^ da qual esperavam' 
colher grandes proveitos, em conformidade 
das boas notieia», e vulgares promessas. 

Em dias do mez de Outubro de 1679 
seguétt o Governador a soa eoiumissaÕ : mas 
leYado por contratempos á ViUa de Santos^ 
reparoti ahi os provimento* de boca , e me- 
morada a estação coistimioii a viagem, que 
Ii0 iJ^ de Janeiro da anão seguinte láadou ,. 
chegando a» porto destinado, Sem perder mô* 
uaentos deu principio à Fortaleza dedicada aO 
SS. Ss^ratnento , como determinara o Sobera-» 
»0 , e á 'Nova Colónia^ na margem Seten- 
trioíMii do Bio da Prata, (9) termo do Esta- 
do , c Provinciâ d© Brasil peia. parte do Sul r 
mas espalhados já os Castelhanos pelos Gam-- 
pos da margem do Norte com eulturas , e 
criaçoeas de gados , surprenderam os de Bue* 
nos Ayres as guarniçoens de ambos os luga- 
fes , lendo á sua freiate o Governador D. Jo«é 
Garro ; e senhores do Campo , sustentaram o^ 



Píaça da Rio de Janeiro : e a C. R. de 7 de Outubro 
d© mesma aimo ordenou, que se dessent quartéis, e lOO 
reis por d^a à cada uta do» sobreditos CaKaes , em 
i|ttanto se dèínora&senv no Rio de Janeiro, Reg. no L. 19. 
do. sobfetUto Reg. Ger, fi. 4. e íi- 339. 

(9) O terreiK) da parte setentriotial do Rio da Pra- 
is»f desde o» seu prirícipio se reconhecea pertencer á Co» 
loa de Portugal ; e tanto ,. que passando Sebastião Ga- 
boto à povoar o mesmo Rio , deixou as Gonveniencias do^ 
porto da Colónia , para fo»dar uraa fortaleza na margem 
Occidental , « ahi a Cidade de Buenos Ayres» 



DO Rio t)E JAiremau 



ato 



ccTco por al^ns mezes , a,^siiiatt4o a £UJt tro* 
pa com o reforço mmd© de Lima ^ NeccB«i- 
d&d«s extremas , que fináraoqi a «wiitoi ám 
Portugueses, e as brecha» abertas petos ini- 
migos, franqueáram-^lhes a Praça, cuja ea^ 
trada furiosa dando a t^nerte à maior parte 
da guarnição , e dos Cabos , deixou apenas 
livres à alguns dos que, na coroa de um ro-^ 
ch«do , cercado de mar, «e fortificaram , e 
fe defenderam com as s«a4 arpas , o Gxi- 
vcrnador , a quem o General D. António de 
Vera Muzica prisionou em*6 áe Agosto d« 
1680, achando-^o gravemente enfermo n^tóma 
cama , e D. Francisco Naper d« AleneaHt^o. 
C0nduzido8 todos com sobejas offen^sas áBue* 
nos Ayres, terminaram alti a vida o Gev^r- 
nador , e muitos outros , que o acompanharam 
prisioneiros , à excepção de D. Francisco , 
que por fuga, ou por «e lhe dar liberdade 
com a, res4ituiça5 da Pra^ça , se recolheu aos 
Dominio» Portuguezes. 

Seiente a O^rte de Portugal da falsidade 
commettida pelo Governador de Buienòs Ay*- 
res , pediu á áe Madrid a satisfa^a^ dèv4dà , 
que lhe foi dada , invia«do o Ministério Es- 
panhol um Embaixador. Com este negoeio 
veio o fam©60 Duque GioTinazzo, qtie aí^ran* 
dando o Regente Príncipe , também o moveu 
à fazer o Tratado Provisional de Li«boa de 
7 de Maio d« 1^1 (10) composto por 17 Ar- 



(10) Foi ratificado e^se Tratado com a Espanha a. 
l de J unho do mesmo anno : e como Secretario d'^iEs- 

48 ii 



380 



Memôrias^ HisTonreAs 



tigòs^. No l.« se prometteu o castigo do Go^ 
vernailor , que naõ se excGutou , entendendo- 
se^por feso,. que a invasão da nova Praça 
procediera de Ordem positiva da Corte. No 
2.0, e S^."",, se mandou restituir a Colónia na 
mesmo estado eoi que foi invadida, e atacT» 
da. No 4.<» SC ordenou a conservação de tu- 
do , sem algum augmento : porém os^ Gaste* 
lhanos nao observaram assim. No 5,<^ se de- 
terminou , que ifaõ se molestassem os índios 
dos Jesuítas. No 6.» gç deliberou punir os 
excessos, ehostiKdades dos Paulistas rrosSef- 
toensi Estes dous artigos foram dictadoa sem 
duvida pelos mesmos Jesuitas., a quem os 
Paulistas tanto molestaram neste continente, 
co;no referem as Historias, cujos, 'factos se 
apontaram aqui.. No JJ" disse = Os visinhos 
de Buenos Ayres go:&áram do. uso , e apro* 
vcitamenta do mesmo Gentio , seus . gados ^ 
madeira, pesca, e lavoura de carvão , como 
que nelle se fizesse a povoação; sem diffe- 
Tcaçâç aJg^raa, assistindo no sitio todo o, tem- 
po que quizerem , sem impedimento algum. =2 
O 8.° >foi concebido nos termos seguintes zz 
Po por^o , e enseiada ;, ujsaram , como d'an- 
tes., os navios de Sua Magestade Catliolica , 
tendo neUe sous surgidouros , e estancias li- 
vres ; cortaram, as madeiras ,. darára suas ore- 
ms y, e faram tudo aquiílo , que foziam nelle , 
em si^ Costa, e Campanha , antes da dita 



^mmi^mmm , *S 



tado 'se assipou ahi o R. Bispo dõ Rio de Janeiro D' 
Pr- Mapoel Pereira, como referi na sua memoria To 4" 



Bo Rid Dxr Janeiro, 



381; 



Povoação, sem limièaça5 alguma, r: No 12.° 
se declarou , que tudo a referido fosse , e se 
entendesse sem prejuízo, nem alteração dos 
direitos da posse, e propriedade de tiina, e 
outra Coroa; pòr quanto este Assento se to- 
mava por via de meio provisional, durante o 
tempo da controvérsia. = Estipulada por este 
modo a restituição da Praça, a liberdade da 
*soa > guarnição , e o restabelecimento da Co- 
lónia, ficou pôr decidir o ponto principal á 
respeito do Senhorio da mesma Colónia , e 
seu território para sempre : ponto este , que 
para remediar o seu defeito , fez o objecto 
dós ires Tratados posteriores , ainda que cia- 
res, todavia inúteis. 

Nas eiVcunsitancias referidas tommetteu a 
C. R. de 6 de Setembro de 1681 o govei'no 
do Rio de Janeiro a Duarte Teixeira Chaves, 
que occupava na Bahia o Posto de Mestre de 
Campo, ea Provisão de 7 de Janeiro de 1689 
cstendeu-lhe a jurisdicç^o nos districtos ao Sul, 
para providenciar a segunda povoação da Coló- 
nia, e tomar posse da Praça com o território eòm« 
petente,Gomo tomou no anno seguinte; Nomea- 
do D. Francisco Naper de Alencastro para esse 
governo, e interinamente, por Patente de 24 de 
Fevereiro de 1689, para o do Rio de J^nei^ 
ro, e Capitanias do Sul, emquanto chegasse 
o Governador já destinado , tomou posse do 
Com mandamento , e sem descuido fez adian- 
lar 08 Fortes, e as obras nccessariaí? ae pre- 
sidio. Exaltado enta5 Filíppe V. ao TIttoíio 
de Espapíia , com elje concluiu Portugol uma 
aJlian^a, pelo Tratado de 18 de Junho de 



3B: 



MkUOSHAS- Hl^TOItlCfS 



1701 , em que se franqueou o Commercío do 
Rio de Jaaeiro para Buenos AyreQ , i^l) ^ 
fiCOQ cedidii a Çolo«^ com as terras 'áejla 
adjacentes, xonjo coosta de tir»ja Ceàiil^ do 
Rei Catholico , remeltida em Officio di^ Se- 
cretario d' Estado de Portugal, gatado a 9 d^ 
Dezembro do mesmo auno, que ge Tegi^troti 
no Liv. 15 do Reg, Ger. da Proved.. dç^ Rio de 
Janeiro, fl. 213, e historiou p Marquex de 
S Piljppe nos Comm^ntarios das guerras de 
Filippe V, Tora. l.^ além de «utrcnj. 

Em çoíiívequeacia daquellô Tratado man.- 
dou ElRei formar em Monte Video uuia Co- 
lónia , por U R. dM^da enpi OtftubrQ da J701 , 
expedindo para isso as Orde«s i^c^ssar ia;5 : c 
por outra C. semelbante d^ 29 'do iflpesmo 
mez., e anno , d^ternaiaou que d(>us Relígio^ 
SOS da Companhia fossem administrar afli os 
Santos SacramentQ9 , vencendo a npias«^ Con^ 
grua dos que se imandáfam para a Golonia 
do Sacrameato. Outra Ç. R. de 4 dé Janei* 
rpi de 1702 determinou os-: Soldos , e os Qt»- 
deviados , que se baviam de vencer n'es8a Far- 
taleípa, e povoaça5 ; d^arandp também, que 
o seu Governador uaõ ficava sugeito ao d.a Co^ 
lonia do Sacramento. Essas Qrden$ porém, e 
todas as mais à respeito de Monte Video , se 



l^»< H | \ Il| 



(11) A CidadQ GApiínl d^ Buçijo». Ayre» aiiwadfc 
em 34.'-% 85.', dç latitude, e. 327.o», 32.^ d* bn^itude , 
dista 1 legoas da Colónia, quç lhe fjca fronteira A C. 
R. de 20 de Dezembro de 1640 havia prohibido o conci- 
mercio do Rio de Janeiro com o Rio da í^ata , que (í. 
Tratado «nlaõ fran^ueoa. 



DO Ri» ÍÍ jAVtlM. 



383 



1^. • 



suspenderam por «ffeito da C. R. de 15 de 
^!ar\*o de 1702 ; e o que se havia disposto 
para formar essa nova CoJonia , mandou a C. 
R. ât 22 do mesmo mez , e anno, que se 
applicasse á aperfeiçoar a do Sacramento , pa- 
ra onde foi também mandada passar o Sarge!!- 
tú mòr Engenheiro, e toda a Infantaria ne- 
cessária , da que viera de Portugal para a 
de Monte Video , como accontecea também 
com a Tropa de Cavallaria , vioda igualmente 
de Portugal para alii , por outra Ò. 11. de 
18 de Janeiro de 1704, que junta com as 
«obreditas , se registraram no Liv. 15 do Reg. 
Ger. da Provedoria do Rio de Janeiro. 

Naõ obstante haver Castella restituido à 
Portugal tdÕ delicioso paiz pelo Tratado de 
16 de Maio de 1703 , especialmente pelo Ar- 
tigo separado, em que o Rei Espanhol re- 
iiunciou ao de Portugal toda a demand-9 so- 
bre as terras disputadas nos arredores do Bio 
da Prata ; como os mesmos Espanhoes jamais 
pertenderam desistir d* elle , e conservavam 
a» vistas mais cuidadosats para naõ lhe esca- 
par, sé depois do Tratado seguinte se eífei- 
tuou a restituição da Colónia do Sacramento , 
e do seu território. 

Lizongeado o Soberano de Portugal , D. 
Pedro , com promessas ap parentes do Archi« 
duque Carlos líí. ;, e das Cortes de Inglaterra , 
e Ollanda , se esqueceu de soccorrer aquella 
Praça, e de faase-la defensável de seus inimi- 
gos , applicando todas a^ forcas e actividade , 
em ajudar o Archiduque à successaÕ da Es- 
panha contra Fiiippe V., pelo tratado de Ai- 



384 



MEMaKUS HlSTORIUAd 



liança entre as Coroas de Inglaterra, do Im-» 
perio , e de Ollanda , firmado a 16 do mez, 
e anno sobredido 1 703. D'ahi resultou , que 
n'esse anno mesmo, governando a Praça da 
Colónia Sebastião da Veiga Cabral, segunda 
vez a commetteram os Espaiihoes de Buenos 
Ayres , capitaneadoa por I>. Affônso Valdez ^ 
seu Governador, sitiando por terra a Forta- 
leza com 6S cavallos , e por mar com avul^ 
tado numero de veias : prisionaBdo , e quei- 
mando as embarcaçoens portuguezas ancoradas 
110 porto , e pondo era extremo aperto naÕ 
80 a tropa , mas os habitantes do território , 
que por falta de viveres chegaram à ultima 
consternação. Sustentado constantemente o cer- 
co além de seÍ5 mezes \ e sempre 'com valoro- 
sa resistência aos combates continues, que a 
força Espanhola fazia á 600 Portuguezes , en- 
tre seis companhias completas de Soldados in- 
fantes , e alguns artilheiros, á que se uniam 
os paizanos, nenhum remédio havia, que ani- 
masse a ta5 poucos combatentes , além da ©s» 
perança de soccorros pedidos á Capital do Es- 
tado , e ás Províncias da repartição do Sul, 
Depois de tantos , e taõ notáveis trabalhos , por 
Ordem positiva do Governador Geral do Es- 
tado D. Rodrigo da Costa se abandonou a 
Praça ; e antes que o Governador d'ella abris- 
se maÕ da sua posse , fez embarcar nos vasos 
mandados à conduzir toda a guarnição , quan- 
to existia de precioso , e de rico , armas , e 
peças de artilharia , à excepção de seis , que 
por falta de aparelhos proporcionados ao seu 
calibre Vna5 se poderam levar à bordo ^ e ô* 



Bo Rio de Janetuo, 



385 



cáram encravadas. Retirando-se entaÕ Cabral 
<>om a Tropa , e mais habitantes , em Março 
àe 1705, depois de incendiar a Pra^a , ve- 
lejou para o Rio de Janeiro, 

Como pelo Tratado entre Portugal , e Es- 
panha-, assignado era Utrecht a 6 de Feve- 
reiro de 17 i5, foi declarado, que r= S. Ma« 
^estade Câtholica naÕ somente restituiria o 
território , e Colónia do Sacramento á S. Ma- 
jestade Pidelissima , nrias cederia de toda ac- 
ça5, e direito, que pretendia ter ao dito ter- 
ritório , e Colónia , paraque fícassena compre- 
liendidos nos dominios da Coroa de Portugal , 
e pertencessem à S. Magestade Portugueza, 
como parte dos seus Domínios, e Estados, 
com todo direito de Soberania, Poder abso« 
luto , e inteiro Domínio, = e se accressentoii 
mais, que = o Tratado Provisional ficasse sem 



cíFeito , € 



vigor 



se£:unda vex se restituiu 



a Colónia do Sacramento ; mas com território 
taÕ curto, que apenas abrangia a distancia, 
que a artilharia da Praça podia cobrir : e pa- 
ra os Castelhanos conservarem illeso tudo mais, 
que excedesse a 5 legoas retiradas da Praça, 
poseram uma guarda de Cavallaria nas mar- 
gens do Rio de S. João, fazendo-se arbitroi 
de toda, e dilatada Campanha, á fim de re- 
duzirem a Colónia a outro MazagaÕ com os 
seus bloqueos contínuos, e impedirem aos Por- 
tuguezes o Forte de Monte Video Deste fa- 
cto se originaram as reclamaçoens , que fi- 
zeram as correspondências officiaes entr' o Se- 
cretario d* Estado de S, M. C. o Marquey. de 
Ctimaldi i e o nosso Embaixador na Corte 
Tom. IX, 49 



^ A^^ 



386 



Memorias HiSTORieAS 



de Madrid D. Luiz da Cunha ^ prefendenda 
aqueíle ( aftifieioíamente ) no se« Officiò de 
SO de Março de 1720 , que por tal modo se 
houvessem cumprido a$ condiçoeus do Tra- 
tado , lestituindo-se simplesmente a Praça ; e 
este contestando no seu Oiíicio do \2 de 
Abril do mesmo anno= Que naS se exigia 
a restituição do território da Colónia , mas 
sim a restimiçaÕ do território , e da Coló- 
nia r= deduzindo. se do texto dos mesmoê Ar- 
tigos do Traetado , jque' se considerava o ter- 
ritório como principal , e a Colónia como 
acces^orio. 

Para tomar posse da Praça , e governa- 
la , mandou- a Ordem Regia de 20 de Setem- 
bro de 1715, que Manoel Gomes Barboza , 
actual Governador da Praça ^ e Villa de San- 
tos , passasse áquelle lugar, em sua falta o 
Mestre de Campo Manoel de Almeida, ena 
de ambos Martim Corrêa de Sá; e cum- 
prindo-a o primeiro dos nomeados, tomou con- 
ta do Commandamentò , e do teiritorio, que 
o Cabildo de Buenos Ayres lhe entregou em 
Novembro de 17'^ ^ e ficou dirigindo sob 
as instrucçoens enviadas pela Corte , e 
remettidas ao Governador do Rio de Janeiro 
por Ordem de 18 de Outubro do mesmo an- 
no. Na boa fé da execução prompta do Tra- 
tado sobredito Ordenou ElRei D. Joa5 V. a 
Ayres de Saldanha de Albuquerque , Gover- 
nador do Rio de Janeiro, que mandasse fun- 
dar uma povoação em Monte Video ; e para 
esse effeito foi o Mestre de Campo Manoel 
de Ffeitas da Fonceca incumbido da diligeo* 



DO Rio de Janeiro. 



387 



cia. Assim como foi {ardia a deliberação so- 
bre os fundamentos da Nova Colónia do Sa- 
cramento ^ por se terem espalhado os Caste- 
llianos pelos Campos da margem d« Norte , 
criand© gados, e cuitivando as suas terras ; 
também para povoar , e fortificar Monte Vi- 
deo já passava de tempo: e eoni tudo ievan- 
tarara alU as Tropas portnguezas uma bata- 
ria em Novembro de 1723 , que a falta de 
melhores prevençoens tanto de guerra , como 
de boca, capazes de sustentar a empreza, 
fez inútil. Em taes circunstancias, aproveitan- 
do-se os Castelhanos da retirada dos Portu- 
guezes , correram à occupar o lugar princi- 
piado à fortificar, e sem perder alg^ura mo- 
niento edificaram a Praça de Monte Video no 
anno seguinte de 1724 , povoando-a de mui- 
tos eazaes , e defenderam a sua entrada com 
artilharia, e guarnição militar, que tio anno 
1726 lhe introduziram. A* pesar desse accon- 
tecimento triste, foi de novo tentar o Gover- 
nador Manoel Gomes melhor fortuna , que na5 
poude erífentrar , dando motivo sobejo aos 
Castelhanos para mofarem dos Portuguezes , 
e á custa do seu nome celebrarem o triunfo 
com festividades. Outro tanto acconteceu ao 
Brigadeiro Jozé da Silva Paes , e ao Coro- 
nel de Artilharia André Ribeiro Coutinho , 
que desembarcados a 15 de Setembro de 
1736 na Ilha das Gaivotas , situada na En- 
seiada do porto , foram obrigados à deixa-la 
pela vivacidade do fogo inimigo. 

Sem perturbaijoens se conservou . a Coló- 
nia do Sacramento por todo tempo do go* 

49 ii 



kl 



V, 



•( /%^ 



388 



MeUTORIAS fkSTORICAS 



verno de Barboza , e no mesmo socego con- 
tinuava com o Commandamento de seu suc- 
cessor immediato o Brigadeiro António Pedro 
de Vasconceilos , concorrendo para i^so as 
belías qualidades, de que elle era adornado, 
e que sem esforço atrahiram a estimação da 
Governador de Buenos Ajres D. Bruno Za- 
balla, com quem contrahru mui particular ami- 
zade , naõ faltando cada um d*elles aos de- 
veres de seus Postos. Da boa hga , em que 
ambos se conservaram , resultou a tEanquili- 
dade dos habitantes da Colónia, o augmentô 
da cultura das terias ^ a propag&çaÕ dos ga- 
dos vacum , e cavailar , e a felicidade do 
Cominercio : mas o Povo Castelhano, que nas 
podia ver eom bons olhos tanta medra nos 
Pojtugoeíes , e cobiçava só a sua fortuna, 
naõ divertia a vista da Praça , e vigiava sem- 
pre os meios de po&sui-la com o cooipetente 
território. 

Bavia Casteíía cedido ao Imperador, no 
anno 17â4, os Ducados de Toscana , Parma, 
e Placença , cuja perda instava plÉa recom- 
pensa , que assêíitou tirar de Portugal. Era 
quanto na Offieina do Gabinete de Madrid 
se forjavam causas apparentes para a des- 
eontinuaçao da paz. entre os dous Estados, 
acconteceu ( por desgraça ) n^aquella Corte a 
22 de Fevereiro de' 1735, o Attentado com- 
mettido pela insultante fainilia de Pedro Al- 
vares Cabral, Ministro Portugez , tirando das 
maons da Justiça ,. cujos Oíliciae? espanca- 
ram , um Reo de grave delicto , qae condu- 
zido à casa de seu amo, n*ella se viu pu- 



1)6 Rio de Janeiro. 



S89 



blicamente conversar cora o Secretario de Ca- 
bral. Este facto produziu a consequência de 
emprehendtr-se unia guerra entre os dous Rei- 
nos , (lá) que supposto naÕ se effeituasse em 



(r2) A Histor. de Portug-. composta no idioma In- 
glez poi urna Sociedade de Litteratos , e vertida em vid- 
gar por António de Moraes Silva ( Baclunei Legista ) fal- 
lando do Reinado de ElRei D. Joaõ ó.*' no T. 3 , disse 
( pa«>. 356 ) — NaÕ referimos aqui a diliercnça que a 
Corte de Portugal teve com a de Hespanha por causa 
de hum criminoso , que os criados do Embaixador de 
Portugal em Madrid tiraram das maons da Justiça; por- 
que o deixamos jii tratado na Historia de Hespanha, 
entre a qual ^ e a deste K^ino há taõ estreita connexacj 
que se naô pode tratar de huma , sem misturar algvipja 
parte da outra. — Como naõ possuo a Historia referida 
de Hespanha, e pcrisso ignoro o que disseram nella os 
seus Autores , valer-me-hei dos manuscritos verdadeiros , 
que sobre o assumpto rae foram conimunicados em Lis- 
boa ( dos quaes eonseivo Copias ) , e d'elles consta o 
motivo verdadeiro do rompimento de Castella com Portu- 
gal , cuja causa remota foi mui diversa , da que se pa- 
tenteou como próxima ; do mesmo modo que foi também 
diíferente a que occasionou a guerra entre El Bei O. 
Afíbnso 4.°, e o Rei de Leaõ D. Affonso ll.°, mencio- 
nada pelos mesmos Historiadores de Portugal no T. 1 , 
pag. 235. Elia se originou de naõ se eíFeituar o casa- 
mento da filha herdeira dos Condes de Villa Nova de 
Portimão, contratado pelo Padre Fr. Manoel de S. Jozé, 
Carmelita Descalço em Castella , com o filho segundo 
dos Duques de Veraguàs , cuja Duquezá viuva era pri- 
meira Dama da Rainha. Como a mesma Rainha havia 
ajustado essa alliança , e viu , que por etiquetas prece- 
dentes com a Princeza das Astúrias D. Maria Barbara, 
íillia de ElRei D. Joaõ 6.^, naõ se effeituou , por casar 
a filha dos sobredites Condes com o filho terceiro dos 
Condes de Alvor, premeditou, escandalisada , vingar-se 
d» EiRei , suscitando a interrupção da paz entre os doas 



^w 



390 



Memorias HistorijCaí 



Portugal, foi realisar-se no Sul, expedindo 
aquelle Gabinete Ordens secretas ao Gover- 
nador nomeado de Buenos Ayres D. Mig^uel 



Estados , de cuja deligencia foi instmido ,ô nevp Gover- 
iiaíior de Buenos Ayres , antes do acconteci mento memo- 
rado com a farailia de Cabral, Para se praticar a discór- 
dia houveram muitas neg-ociaçoens nas Cortes de França » 
e de Inglaterra ; porquanto Castella meditava por esse 
modo satisfazer-se da injuria , com que se considerara ag- 
gravaUa , e a França , longe de se empenhar em tal ne- 
gocio , procurava a.juntar'Se à Castella , para desmanchar 
a liga de Portugal com Inglaterra , à beneficio de seus 
interesses, Aindaqne uma grande parte do bom êxito d*esse 
facto se devesse à mediação da França, foi* o seu pri- 
meiro, e mais principal motivo a vista da^mui poderosa 
Armada Ingleza surta no Tejo , e a certeza de outra se* 
melhante , que à primeira voz se lhe viria ajuntar , para 
decidir cathegoricamente quaesquer questoens. Notando 
Alexandre de Gusmaõ esta historia , disse — - Quem lê , 
e examina estas cousas com prudente , e madura refle- 
xão , e viu , e ponderou grande parte dos prejuízos que 
ellas produziram nos dous Reinos , no referido anno de 
1735, naõ deixa de hmentar as desventuras , a que os 
Povos estam sugeitos. — Sobre o mesmo assumpto escre- 
veu D. Luiz da Cunha ao Secretario d*Estado de Portu- 
gal em Carta datada em Pariz a 4 de Janeiro de 1736, 
da qual transcreverei apenas o §. seguinte. -— lllm. e Exm. 
Sr. O attentado , que commetteu a Familia de Pedro Al- 
vares Cabral , nosso Ministro na Corte de Madrid , nos 
obriga a tomar as Armas no tempo que gosavamos a 
mais deliciosa Paz, As irregulares acçoens d'este Cava- 
llieiro estam sabidas nas Cortes da Europa , por Avisos 
de seus Ministros residentes na Corte de Madrid. Ne- 
nhum d'eUos dá razaõ ao de Portugal , que para todos 
ficou sem credito , e somente poderá encontrá-lo em pes- 
soas ignorantes do caso , como saõ muitas do nosso Rei- 
no, O seu Sscretario da Inviatura , e os Criados que se- 
guirão , e escutarão o seu empenho , merecem exemplar 
castigo , por causarem todas as desordens , cora que per- 



©o Fi© DE Janeiro. 



391 



Salzedo , para conquistar a C^nia , como 
íintecedenteniente se havia delilBIpdo. Sob o 
pretexto de regular , e de líiarrar es limite» 
da Praça em conformidade dos Arli^ijos 5, 
e 6 , da paz aj notada cm 1715 , saiu Sal- 
zedo da sua Corte munido de instrucçoeiís , 
e entrando pelo Rio da Prata a 19 de IVlar- 
ço de 1734, deu niostiap evidentes do que 
pretendia , , abandoiiando o caniinlio pelo ca- 
nal do Sul , por onde era costume emproar o 
port© de Buenos Ayres, e entrando pelo do 
Norte, que se indireita ao sitio da Colónia^ 
para rejçistrar ao lor-ge tcda a margem se- 
tentrional do Rio, até descobrir a Praça, 
á vista da qual atravessou a largura de 
10 léguas de correnteza até a n^rgem occi- 
dental , onde desembarcou no mesmii dia 19. 
Sem mediar tempo longo participou Sal- 
jzedo ao Governador Vasconcdlos , epn Offi- 
cio de 26 d'aquelle mez , a Ordem expressa 
d'ElRei seu amo sobre o apparente objecto, 
que para alli o conduzira, exigindo a firme- 
za do dia para se executar promptamente a 



deraÕ o Ministro , que era Fidalgo bem inteiscionado , e 
chegarão os deus Reinos à empreliender huma guerra , 
,de que se poderiaõ seguir muitas despezas , trabaihos , 
'e perdas. Tanto se pode esperar de huma Família mal 
educada , sem politica , e viciosa , como era a do nosso 
Ministro, segundo sentem geralmente as pessoas, que a 
conhecerão. — Além da Carta referida , outros manuscri- 
ptos circunstanciados expozeram esse facto desgraçado por 
ambas as parte?. O certo he , que entaõ se consumiu 
unia somma excessiva de milhoens. 



• -^ f 



393 



Memorias Históricas 



diligencia, n^ supposiçaõ (ideal) de estar 
Vascoiíceilos^iistruido com Ordens semelhan- 
tes da Corte de Portugal. Respondendo o Go- 
vernador ao referido Officio, certificou a fal- 
ta de legitimidade para entrar em taÕ circuns- 
pecta, e ponderável Conferencia ; poisque ne- 
nhuma Ordem positiva, instrucçaÕ^, e autho- 
ridade havia recebido para esse fim : naÕ agra- 
dando porém ao Governador Salzedo essa pri- 
meira , nem a segunda, e terceira resposta 
conformemente dada aos Officios repetidos , 
principiou a machinar a Conquista da Coló- 
nia, fazendt) adiantar os aprestos militares com 
assas actividade , e nenhum rebuço. Sciente 
Yasconcellos d*aquellas' manobras *, preveniu 
o seu fim , avizando por mar , e por terra , 
aos Governadores do Rio de Janeiro , da Ba- 
hia , e de Parnambuco , o perigo evidente, 
em que se achava , e pedindo-lhes repetidas 
vezes soccorro prompto para resistir à força 
dos adversários, contra quem preparou a Pra- 
ça no modo possível , e dispoz a sua guar- 
nição. 

Para Salzedo romper o socego do Con- 
tinente atacKúdo a Praça, era-lhe necessário 
allegar causas justas, que a prudência, a vi- 
gilância , e os conhçcimomos grandes de Vas- 
concellos haviam tolhido pela prevenção; e 
naÕ obstante faUarem motivos para o preten- 
dido rompimento, inventou o pretexto de naÕ 
poder por mais tempo disfarçar os Contraban- 
dos , que alli se faziam pelos Castelhanos , e 
PortuguQzes , devendo elle providenciar os 
meios de prohibir entre os seus súbditos todo 



í>o 'Rio D£ Janeiro. 



39S 



Comraercio tendente ao furto dos dUeitoí , o 
que ommittiu, por lhe parecr mais fácil o 
expediente de uma guerra injusta à custo de 
grandes desgraças, e damnos gravissimos. Deg* 
prezando portanto o Protesto , que Vaseonceí- 
los lhe fizera em 1§ de Maio do anno sobre- 
dito , e respondendo-o à 23 do mesmo mez^ 
pretendeu obrigar o regulamento da Praça , 
e distancia do seu território , até onde che- 
gassç o tiro de çanhaõ ; e deliberado à txe^ 
cutar esse plano , investiu a Colónia, 

O dia 29 *de Julho de l7Sb foi o do 
começo das hostilidades por mar y com a pre- 
«a de ura navio , que saia carregado para a 
Bahia ; e"à 20 de Outubro principiou a guerra 
por terra. Depois de usurpados todos os bens , 
çjue os Portuguezes possuiam na distancia de 
dez legoas, cujo total se reputou em um mi- 
lhão e. meio de cruaados, sitiou Salzedo a 
Praça, bateu-a , e abriu-lhe brecha: mas, 
nem assim deixou de temer o seu assalto, 
por desconfiar o feliz successo da acçaÕ , na 
certeza de que es poucos Portuguezes, sus- 
tentados mais pelo valor, e prudência inimir 
tavel do seu Governodor , que pelos viveres 
(pois naÕ comiam já outros manjares saboro- 
sos , além de gatos, ratos , e outros animaes , 
de que a natureza tem horror, como acconter 
cera também aos valei*osos combatentes.de 
Diu, e de varias situaçoens da índia), o es* 
pera^fcam com anciã, e a todos os inimigoá,, 
na brecha da muralha aberta duzentos palmos ,. 
que até o momento ultimo da vida se propi^ 
nham defender. Conhecida portanto ^ lira,* 
Tom. IX. 5Õ 



' ^f 



394 



Memoriaí Histórica» 



vurâ dos leaes Port»juezes, sempre intrepi- 
dos em meio dos mais arriscados perigos , 
quiz Salzedo persuadir a Vasconcéllos , erti 
Officio de 10 de Dezemliro, que nas eircuna- 
tancias da accessibilidade do assalto , e da 
pouca esperança de soccorrros para se defen- 
der , tomasse a resolução de se render , cer- 
tificando lhe ao mesmo tempo, que o furor 
ultimo das suas tropas náõ perdoaria a vida 
d'Hma só ereatura da guarnição , e de suas 
visinhanças , querendo refeistií;-lbe». 

A' pesar de tantos ameaços , e do es- 
tado critico , à que Vasconcellos se via re- 
duzido , tendo observado , desde o dia 28 
de Novembro , até 9 de DezembVo , o ex- 
cessivo fogo de 2:440 balas de calibre dè 
8 , à âé , e de 66 bombas , que fizeram o 
mais horroroso estrago nos edifícios da povoa- 
ção; nem assim temeu resistir, como certifi» 
cou na resposta de 10 do mez dito de De- 
zembro ao Officio de Salzedo da mesma data. 
A* vista pois de tal resolução , que o fogo 
de artilharia da Praça confirmou , dando a 
porte á muitos, e confundindo o exercito 
inimigo disposto para o projectado assalto, 
tudo fugiu vergonhosamente , e se retirou ás 
trincheiras , deixando os mortos fardados , c 
armados uo sitio do Rosário, distante da bre- 
cha 120 passos. Furiosos enta5 os agressores 
por este destroço, dobraram as suas forças/- 
e das trincheiras continuaram à bombardear 
de noite , e à acanhonar de dia a Praça com 
4:874 bailas de ferro de vários calibres , e 
620 bombas, despedidas de 20 peças de ar- 



eo Rio D£ Janbir»; 



39S 



tilharia , c 2 morteiros , que manobraram des- 
de <8 de Novembro , até os dias primeiros 
de Janeiro do «eguiate anno 1736 , semque 
a po!vora incendiada pelos canhoens portugue- 
zes lhes diminuísse os tiros. 

Persuadido o Goneral Salzedo da inha- 
bilidade actual da Praça, naõ só pelo estrago 
das suas muralhas , fáceis já ao assalto, mas 
pela necessidade de viveres, era que se con- 
servava a guarnição inteira , meditava sem de- 
masiado custo a Conquista, contando-a coni 
certeza : a tarde porém do dia 5 de Ja- 
neiro transtornou os seus projectos , e aba- 
teu-Ihe o animo, offereceado-lhe à ^ista sei« 
vasos portuguezes , que do Rio de Janeiro» 
da Bahia , e de Parnambuco conduziam auffi- 
ciente soccorro , por cuja providencia ficou a 
Praça com perto de dous mil defensores no- 
vos , entre os quaes se numeravam os Dra- 
goens de minas Geraes, ( 1 3) Com este mo- 
vimento insperado , e sem querer disputar o 
seu apparatoso valor por mais tempo , se re- 
tirou preeipitadamente Salzedo às Ilhas de S. 
Gabriel , deixando alli as peças encravadas ^ 
e os petrechos de guerra, para se recolher ao 
Porto de Barregana , 5 legoas à baixo dê 
Buenos Ajres : e com tanta preça levantou 



(13) Por Ordem de 23 de Janeiro de 1730 se par- 
ticipou mandar-se satisfazer peJa F* R, das Mijias Geraés 
a despeza, que pdia Provedoria do Rio de Janeieo se fi- 
zera com a Tropa <3e Dragoens d'aquella repartição , con- 
duzida em soccorro de Monte Video. Rep-istr» no Liv* 23. 
do Reg* Ger, da referida. Fioyedor^ fl. I6l v« 

50 ii 



iM 



396 



BÍEMORiAs- Históricas 



o campa ,_que em. Êret^S' *días ficaram desfei- 
tas as «uàs oUiras f% «itèrqaes. 

Pretendeu depois- draso o mesma Safe«- 
do defender o AWamI de Vei^^- cora' a árft- 
llmrja > que ha\ia salvatíaV onde deixou um^a 
parte da sua tropa , paira Bloquear a l^raça, 
distante três qnartos de legoa. Na5 convinha 
cntaõ a(> Governador Vascóncelíos adiantar o 
seu piano sobre esse arr a ml /tanto pela cri- 
tica Estação invernosa, que apocanhava os 
Soldados destacadas com frequentes moléstias 
(poisquc desde o mez deMaio, até o de Se- 
tembro, se sente o frio mais rigoroso) pela 
falta d# bastimentos de boca-, e de pagamen- 
tos de soldos, qúe obrigavam à grandes ne- 
cessidades , e podiam caitsar algum descon'-» 
tentamento aos Soldados, Sabiam todos, qufe 
a distancia de SOO legoas de mar, contadag 
do Rio de Janeiro à Colónia , e a contrarie- 
dade dos ventos na quadra entre o outono , e 
a primavera, variavam as derrotas, e faziam 
retardar os soccorros, como havia accontecido 
n'esse tempo, em que o p^vo se sustentou de 
cavallos, caens, gatos, e d^òutros animaes se- 
melhantes; e à ninguém era desconhecida a 
actividade excessiva do Governador do Ria 
de Janeira Gomes Freire de Andrada , em 
aprestar todo subsidio àquella Praça, e aos 
seus defensores. Assim se verificou com a che- 
gada de daus transportes, que por tempo lar- 
go fartaram a tropa , e o povo , de muni- 
çoens , e de bastimentos. 

Melhoradas as circunstancias díspoz Tas- 
concdlofi o assalta sobre o Arraial de Veras^^ 




^ 



Bo Uio DE Janeiro. 



397 



confiando dos dous Mestres de Campo, Ma^ 
noel Botelho de Lacerda, e Pedro Games íTe 
Figueiredo, taÕ importante deligencia , que 
feliamentò foi executada no dia 4 de Outu- 
bro de 1736, ficando mortos muitos de seus 
habitantes, e outros aprisionados; o estabele- 
cimento arrasado; quanto era susceptivel dè 
fogo, queimado; os armazéns evacuados de 
armas, e de muuiciamento de boca; c por 
íím com uma peça de Campanha de meuos, 
que se conduziu á Praça com outros despo- 
jos. Em quanto os Soldados Portuguezes so 
Gccupàvam por terra em limpar o campo, e 
livrar a Colónia de seus perseguidores ; naa 
se descuicláram estes de infestar o Rio da 
Praia, e de embaraçar a sua navegação, ven- 
do já diminuta a esquadra portugueza/ que 
no anuo de 1737 consistia em cinco vasos de 
pequeno lote. Assim mesmo saíram todos, no 
dia 21 de Maio, ao corço dos inimigos, que 
demandando a Ilha de Martim Garcia, 10 
legoas à cima da Colónia , foram obrigados 
à fugir, depois de repetidos combates, venda 
queimada uma das suas embareaçoens , e ou- 
tra mui maltratada , alem de terem já perdi- 
do um paquete, que à vista de Buenos Ay- 
res queimaram os Portuguezes, depois dè 
três horas de resistência, ficando a guarni§aÕ 
prisioneija. 

Com os success.os referidos ia-se desa- 
sorabrando a Colónia de taÕ molestos , è as- 
sas pesados visinhos;e passavam mais de 2Z 
mezes , que a Praça se conservava sitiada , 
quando com viagem de 75 diag chegou d4 



399 



Memoriab Históricas 



Lisboa a Náo de Guerra N. Sra, da Boa- 
viagem, e a ferrou n'aquelle porto em pria- 
cipio do mez de Setembro, levando os 5 Ar- 
tigos do Armisticto, assinados em Pariz a 16 
de Março de 17^7, para, em cnmprimeato 
d*elles, cessarem as hostilidades, segundo os 
ajustamentos das difFerenças entre as duas 
Coroas de Portugal, e de Castella. Diziam 
os Artigos 

l.° S®Itar-se-ham os presos de uma, e 
outra parte, aos 31 de Março do presente 
anno de 1737. 

2."* No dia 31 de Março nomearam as 
Cortes respectivas de Portugal e Castella os 
seus Embaixadores. 

3.** Ao mesmo tempo se expediram de 
uma parte e outra Ordens, para fazer cessar 
as hostilidades na Amerka, 

4.° As cousas ficaram nella na mesma 
situação, em que se acharem ao tempo, em 
que as ditas Ordens lá chegarem. 

5.^ Esta cessaõ de hostilidades durará, 
atéque se ajustem as disputas entre as duas 
Cortes de Portugal , e Castella. 

Recebidos os Artigos, e com elles as 
Ordens de ElRei, avisou Vasconceilos a Sal- 
,zedo o seu conteúdo, c se expediram as pro- 
videncias para a suspensão de armas : mas o 
Campo do inimigo se trocou em Campo de 
bloqueio , armado de um Official maior de 
Dragoens, e duzentos Soldados, debaixo da 
.artilharia da Praça, à fim de defender a saí- 
da dos PoTtuguezes áquelles lugares, Nao 
accon teceria assim, se depois da referida vic- 



/ 



DO Rio de Janeiro. 



39* 



(oria do Arraial de Veras se continuasse k 
perseguir os inimigos, podendo entaõ os Por- 
tuguezes occupar esse território, e o da Co-- 
lonia : mas perdendo-se a melhor occasiaõ de 
•egura-los, ficou o campo limpo, para de- 
novo ser povoado pelos Castelhanos, que erti' 
obzequio d* esse procedimento pozeram à mer- 
cê sua os Portuguezes , por cujo heroísmo 
ficara salva a Praça a custo de tanto risco, 
e prejuizo. 

A 'pesar do estrago notável que o exer- 
cito de Salzedo sentiu , perdendo • os seus 
Officiaes maiores, e Soldados mais dignos d* 
esse nome^, poisque çiontou o total à 2:864: 
homens mortos ( entre os quaes foi o Jesuita 
Thomàs Berly, Commandante da Cavallariaí 
Tapuia ) feridos , e desertores ; e ficassem 
destroçados muitos canhoens da sua artilha- 
ria ; foi aquella operação muito proveitosa 
aos Espanhoes , pela surpreza de alguns vasos 
portuguezes, pela tomadia de 18:443 caval- 
gadurar de toda espécie , 2:332 cabeças de 
gado vacum j 104 carro» com instrumentos, 
e madeiras da abegoaria , 46 escravos bons 
lavradores , 2:455 alqueires de trigo , avulta- 
dos alqueires d*outros legumes, e sementes, 
248 propriedades de casas, Capellas , Ola- 
rias , moinhos , e fornos de cal ; varias quin- 
tas bem cultivadas , em parte das quaes sè 
contavam mais de 90 pés de bacello, e por 
ultimo, excessivo numero de animaes, e aves 
domesticas, de que se aproveitaram. 

Pelo tempo do Reinado de Fernando, 
filho de Filippe 5.° , se conservou a Colónia 



wo 



Memória* HisT^ateis 



cm socego: succedendo-lhe pôreov na Thr<mo 
seu irmaõ Carlos^, Rei de Nápoles,- cujo 
génio bellicoso motivava algum receio de do* 
-vidadas , cuidou Portugal era tomar medida^ 
©pportunas para um Tratado de Limites da 
u^merica Meridional , à fim de atalhar qual- 
quer estimulo à futuras discórdias entre as 
4uas Coroas. Justificavam esses Teceioss befn 
fundados, os passos agigantados, com que 
Toavam os Jesuitas Espanhoes à occuparaf 
terras interiores em beneficio da sua corf)o- 
raçaõ, capitaneando os índios, que , mais , 
como escravos, tinham sugeitado ao seu do- 
minio, à titulo de Cathecumenos da Religião 
Catholica, Entre esses 'ígnacianòs ^è consider 
rava mui distincto na ardileja, e cadencia para 
cativar a vontade dos índios, o Padre Jozé 
ãe Arcas, liheo das Canárias , que com ha* 
bU desírexa , e muito engenho, se fez Senhor 
ía Naçaõ dos Xiquitos , e das -soas terras > 
das Lagoas dos Xaraes , e suas grandes ilhas 
no centro do Brasil. 

Scieníes os Paulistas , a quem os matos 
paõ afrontam , da marcha progressiva d^aquelr 
le conquistador , e naõ tardando acorrer após 
de seus athletas maravilhosos , depois de atra-^ 
vessarem o grande Paraguay , e outros rios 
de noUvel corpo , com derrota d^ seis raeze« 
^e caminho, se arrostaram intrépidos ao men- 
cionado Padre, e aos seos sequazes Xiquitcs, 
^ue o desampararam, como em outra occar 
siao' semelhante praticaram, os Tapes. Estes 
Paulistas mesmos , dotados de valor^ deitem i- 
âo^.tapto mais odipsos eram .aos Jesuítas ««Es- 



^ 



DO Rio dk Janetv^o. 



4(1 



panhoes , qnanto viam oppor-se^ a sua iílinii- 
tada ambicfxõ, obstando lhe os intentos Bobie 
a esfensaÕ de terreno pelo interior da Ame- 
rica. Cresceu o rancor contra eMès , quando , 
Atravessados os matos do districto mineral de 
Cuiabá, e de Mato Gr*.sso, desceram peio Rio 
Sararé (14) às Aldeãs de Santa Maria Mag- 
dalena , da Exaltação de Santa Cruz de la 
Sierra , onde recebidos pela primeira vez com 
humanidade , nao encontraram igual tratamen- 
to na se{:çunda digressão do ap-no 1742 , por- 
que se persuadiram aqueiles Padres , que ou- 
tros fins levavam os sertanejos à tao longas 
distancias^ e justamente receia vam os seus 
in^-ressos , para naõ lí^es embaraçar o avanço 
de novas*^Missoen& era território alheio , à que 
se apressavam. Asíiim aeconteeeria , se o Com- 
maudante de Mato Grosso, stiente dos pro- 
gressos rápidos, com que caminhavam os Pa- 
dres Espanhoes , estivesse muiddo de Ordens 
positivas para entrar €m disputa bellica , e 
íosse favorecido de forças competentes , tendo 
prom^pta a boa vontade^ e animo do povo 
para executa ia. (15) 



(14) Vede Cap. 2., nota (19). 

(15) Os Vicentist;ns , e Paulistas, empreg-adoa sem- 
pre no serviço do seu Rei , foram os deseebvideres de Uj- 
;la3 as mifías de ouro , que tem e Brasil , sem a me-ior 
c^cspeza da Coroa , e seiii premio e iriCttidos pelos Ser- 
toetiii à custo de evidentes perigo-^ de vida , e de incoru- 
ip-^odos ». romperam ©s matos denso?., abriram caminfios . 
;iiitivàrarn as terras , e por uhirr.,e conquistaram os ín- 
dios , q«e as habitavam. Como por esses factos haviam 
t«mado posse do território da II' ;> ée S^ Gabriel; e ííuus 

Tom, JX^ 51 



íí'.* fí.!'* 



402 



Memorias MisTOYtfeif 



Os movimentos referidos, e nutroi rad- 
tivos , dignos de mui seria consideração , caU' 
savam teuioreíi de futuras dissçnçoens, q«e 
Portugal cautelosamente qmz evitai*, apres- 
sando a conclusão do Tratado de Limites, (16) 



adjacências , naõ soffreram que os Egpanho3s assentassem 
alli vivenda, e os fizeram despejar o sitio , igualmente que 
os Jesuítas seus eompanhéiroíu Corridos enta(5 os novos pre- 
tendentes do lugar setentrional io Rio da Prata , passaram à 
margem meridional <Jelle , d'onde voltaram para o Uraguay : 
-€ scientes os animosos Paulistas dos projectos , e progressos 
dos Jesuítas Espanhoes , tendo ajuntado wn Gorpo de «00 ho- 
mens , depois de &ek meses de marcha , caíram furiosa- 
«lente sobr« a tíirba dos rvovos povoadores, e dos Tapes 
que os ac^iuvpanhavam, Venáo-s6 os Jesuíta^ ^expiílsos do 
Uraguay,, e sem .© adjunto da Indiada , (|ue os Paulistas 
levaram presioneira , iflarchàram ao interior áo Paraná, 
onde estabeleceram varias Aldie^s , e tornaram ao Ura- 
guay , sem que de seus desígnios , c .operaçoeiw cavillo- 
sas fossem penetrados de seus contrários enormemente dis- 
^anU:s. Assim mesmo expulsaram os Paulistas os Padres 
ígnacJanos das Caías de S. Cosme , S. BamiaÕ , Santa 
Anaa , e soutraç , que as accupavam pelos annos 1736 , 
.« 38 ., «as terras de S. Gabiid , « os fizeram alongar para 
a Província d© Paragnay.. Da resistência que sempre fi* 
z^ram os sobreditos ViccRtistas , e Paulistas aos intentos 
ambiciosos dos .Jesuítas Espanhoes , se originou a male- 
dicência , e im^í>stu.ra , cora que estes os trataram em seus 
escritos públicos , invecíindo-os desenfreadamente , para 
-denegrirem =q oredito , « o nome heróico de &eus contra- 
lios , cujns proezas eiam ^constantes. Ved^e Memor. para a 
Histor. Capitan. de S, Vicente Liv. 1, à num, 165. Vede 
tambfm no Liv^ 8., Cap, ?, a nota (l8), 

,(iG) A nt^gociaçíiõ relativa à Colónia do Sacramento 
na Coríe de IVJíjdrid se principiou em tempo de ElRei 
V .loaf) V. ; € o Tratad:0. foi manobrada por Alexandre 
.d« Gusmaõ, Sobra alie houv«jam algumavs duvidas, que 
o retardàrarn , ou a ex,,e(Ci:^aõ do seu Piano: e quanto à 



mo ÍCtO t^t ^AÍÍEÍHO. 



403 



euja convesçao, firmada em Madrid a 16 de 
de Janeko de 1750, se mandou executar, 
por parte da Coroa Fortagiieza , pelo Gover- 
nador e Capitão General do Rio de Janeiro 
Gomes Freire de Andrada ( posferiormentc 
Conde de Bobadella ) , e por parte da Coroa 
Espanhola, pelo Marquez de Vaídelirioí D. 
José Andonaighi. Continha o Tratado os ar- 
tigos seguintes. 

Que o Brasrti se dividisse dos Dominios 
de Castella , principiando à separar- se na bar- 
ra , que na Costa do niar fí>rma o regato de 
Castilhos Grandes: (17) Que da terra d'elle 
se subiria pelos cumes dos montes , até a 
erigem do Rio I^egro,, (18) e d'ahi , à origem 



cessaõ da Coloaia com o seu território , parecendo â An- 
tónio Pedro de Vasconcellos , Ex-Governador dèlla , que 
seria sensível aos interesses de Portug:al , e à segurança 
de seus Dominios , eujo voto foi dado por escrito à Êl- 
,Rei D. Joze , respondeu o mesmo Gusmão com uma 
mui erudita exposição em Carta à Vasconcellos , em que 
lhe abria os oihos à esse assumpto , por uma analyse ao 
seu parecer, cóm a data* de 8 de Setem^bro de I75I. 
£sses manuscritos conserva, por copia , o A. das presca- 
tes Memofias , com outro» muitos^ de GusmaC. 

(17) Castilhos Grandes be um outeiro junto à pon- 
ta do seu nome , coroado de penedos , que parecem tor- 
íeoens. Fica entre o mar, e a Lagoa Mirim ( larga 6 
kgoas ) e dista do Rio Grande 60 legoas , caminhando 
ao Sul, como ficou dito no €ap. 4 , nota (9). 

(18) Esse Rio se origina de lugar mui próximo k 
nascença do Ibicuy : cGinm«nica-se ecm o Orinoco , como 
referiu e Padre Bento da Fonceca , Jesuita , na Carta 
junta (em principio) ao? Anuaes de lVíarariba5: cgrre sem- 
pre ao Sudoeste , e engrossado per eiitros encorpora-se 
c©m o Uxaguay , cídíCO legoa? antes de sair no Paraguay, 

ôi 11 



40-4 



E MaRIAS .JiíSiUafllÇAg 



ào Jibíeuy , o qyal serviria ^le diiusa até 
desefiíbôcar no Uraguay. (19) Por este à ci- 
ma correria a divisão até a barra do J^eperv. 
{ t>i3 PiqiHry )'., d*ònde se seguiria á sua *Gri- 
gcni f e tíçila iria o rumo divisório buscar , 
pela terra rnaís alta , a fonte « do Rio niai» 
próximo , que desembocasse no íguassú , o 
qual sepv-iria de xlivi^íor, até se metter no Pa- 
ranáa. (20) Que este Paranáa serviria de li- 
mite até o lygar , ond« se lhe ajunta o ígu- 
rey , e este seria termo devidente até a sua 
fonte principal , d'onde buacaria, pela terra 
niais alta , a origem cfo rio avais visiníio , qjiie 
desaguasse no Puraguay. Que pelo canal mais 
i-niportante deste so subiria A Lagoa dos Xa» 
raes , aíé a boca do Jaurú , (2i) &e cujo 1li- 



tendo regado o espaço estenso de oitenta lf'o:;oas\. Veda 
€ap. '?. nota ('^5), O íbicuy aasce aos Campo« de^ Ja-. 

(19) Tem as suas fontes nas Serras fronteiras à 
Ilha de Sawta Catharina: «níra no Para^uay pela mar- 
gem de Leste eotn 240 legoas de curso, recebendo por 
ambos os lados muitos , e naõ pequenos rios , que o fa- 
Zi^x profiifído^ e caudaloso, e que regam a ^ne mais 
nrt ri d ioiial da Província de S. Piulo. denominada CaiUT 
pçs da Vncaría^ Com o nome de Pelotas coire dilatado 
ospa,o ao poente, por entre ribanceir^is de rocha à pi- 
aue. Sua fwz está na latitude d(- Sj.!"^, onde anda o. tãi- 
iiie {.'era! do Sul , que traz o grande ^araguay , d,es^a a 
sua Oií^jem remota, e o meridiano de 320?,. cuja çí^tea-». 
siíõ he dj 509 iegfoas , corta-o em muitos pontos , tà pe- 
sar das muitas voUhs que dá ^ indo , passar mui j)íjrto 
da Cidadã de Buenos" Ayres. 

('>0) Vede Cap. ] . , nota (25) , , e Gai;> ^^„ riQt^; 
i9}, e {tD\ ' \- 

(2Ij Vede Cap. 2. nota (21j... 



DO. Rio de Janeiuo. 



40Í 



gar ÍYÍ5i «buscar a margem do Sul do ílio 
Guaporé , (22) defronte da barra do Sara- 
ré , (.23)» ficando privativa úon Portugiie^<3^'vaí 
navegação do Jaaíu. D ' aifuç 1 Ic lugái* baixaria, 
a divisão pelo Guaporé , ate mais á baixo 
da uniaõ eom o Mamoré , (24) e baixaria 
pelo Madeira , (25) cujo rio serviria, de divi- 
sa , até a pnragem igualmente distante do 
Fará, e da boca do Mamoré , d'oiMÍe sciCòr- 
reria um rumo. L O até o Rio Javary (ou Yaba* 
ry) , que fosse divisório , até desembocar o mes- 
mo Rio no Graõ Pará. Que seria o Gr<íÕ Pará » 
di vidente até a boca mais occidental do Jupurá , 
cuja.subida se costearia sempre ao N, , até en- 
contrar o alto da Cordillieira, que medeia ewtre o 
Pará, e o^^renoco ; e d'ahi começaria ao Orien- 
te , sempre pelo <iurae d'el]a , até os fiii« de 
Êwnbas as Monarchias. Que Pertugal cedia á 
Castella a Colónia com todo sen território ad» 
jacente na mârs^era do Norte do Rio da -Pra- 
ia, até -os confins declarados no artigo prece- 
dente , renunciíindo o Tratada de Uticobt, 
e o de Lisboa: e Castella c«dia à Portugal as 
terras dos Sete Povos, Tapes da Liiagua Gua- 
rani ni, a margem direita do Uraguay , -e as*; 
das Aideas de Santa Roza , e de S. Okris- 
tovaõ. 

A' pesar da ref rida convençaQ v muito ao 
talhe dos intererebses de Castella , .que aggre- 



(22) Vede Cap.- g. iiçU (3,),;- 

(.2^] Vede, Gap, 2. , môt4 (19). 

(24) VeiieCap. 5..', nsta (36). 

1^52, Vede €ap. 2^^, nota (20], 



406 



MjEMííRiA» Históricas 



▼àva á sua Coroa toíío território da^ Colónia^ 
d*onde dimartavam tatitas, e taõ repetidas quês- 
toen« , amda assim se repugnou rf» entrega 
dos sete Fóvos, que a General Andrada fez 
evacuar do Oraguaj; (26) e eonsequentemer. 
te íicoir a Colónia na posse de Portugal. 

Annulado^^ ©Tratado sobredito de 1750 
pelo de 12 de Fevereiro de 1761, mandan- 
do-se oba rvar inteiramente os anfecedenees , pro* 
^ctárara entae as Cortes de Castella, e de 
França, que a de Portugal se lhes unisse of-' 
fensiva, e defensivamente (eomo um só Du- 
cado , oa na consideração de ser a Península 
de um só dono) contra a de Riglaterra, rom* 
p«Bdo todo tracto^ e comnaunicaçaõ com eíla> 
havendo-a corn^ inimigV commum V' naS; »6 
das três Provincias mencionadas , ecoili^das, 
mas de todas as outras Marítimas, íaiiçanda 
^ra de seus portos os individiíos daquelle^- 
Reino , e tendo-os fechados à todos os Na- 
tíos de guerra, ou mercant«s , ajuntasse as 
«uas próprias forças às da Espanha , e da 
França, até se obter o fim principal da dis-^ 
cordia: repugnando porém Portugal (sempre 
fiel no cumpriniento dè seiís Tratos , e nas 
maneiras de operar) em accender à Liga , 
nasceu d*àhi , que tomando Espanha as Ar- 
mas , entrassem as suas Tropa» em Pòrtugali 
Jítk anno de 1762. com apparente titulo de 
amizade. (^7) 



f26) Vede o Poema do me»ino titolô por Józé Ba* 
filio da Gama, impresso em 1769, e o Cáp, 4 deste 
lirro. ^ 

(?7) Vea« as Respostas , ^ue o SecreUrio de Esta- 



D© Rio DE Janeiro. 



407 



Era consequência dest€ rompimetito pria- 
vcipiou D. Pedro Cevallos à vexar d« continuo 
o povo da Colónia com acintes , e pirraças ; 
-c tendo-lhe apertado o bloqueio , investiu a 
Praça em B de Outubro d*aquelle anno , si- 
tiou-a em forma, ^ lan^ando-Ihe de quinze a 
4esoito mil balas, « duzentas bom4)as , conse- 
guiu abrir breclia em suas muralhas. Em taei 
circunstancias Capitulou o Governador Vicente 
da Silva da Fonceca a 29 , ou 3J do mesnío 
mez, e dando eiitrada á Cevalltís no dia 2 
do seguinte Novee>bro ., saiu com a guarni- 
ção para o Rk) de Janeiro a iS desse mez, 
em 19 erabarcaçoens queJiaviam no poi'to. (28) 
Surprendido o General Andrada com a noti« 
cia de taá desgraçado acontecimento , que os 
primeiros vasos , chegados á Capital do Rio 
em 5 de Dezembro^ affirmavam , concebeu 
.d*ella o maior desgosto , muito mais por se 
malograr o soccorro enviado à 20 de Novem- 
bro em uma Náo Portuguesa , e n'outras errv 



H> 



H 



âo D. iuÍ2 da Cunha fez eni 20 de Março, 5 de Abri!, 
.6 25 do mesmo mez , e anno de 176^ , às Pro-Memorias 
dos Embràx adoras dos Reis CatheHcô , e Christiacissimo, 
.-<jue correram kiipressas em Madrid por Ordeai d'aquella 
Corte, € se reimprimiram em Lisboa, Leam-se também as 
Cartas Apologéticas 11, IQ , l3 , e 14 estampadas em 
Londres ao anno Í777, e o Juizo q^e d'eilas foimou o 
Marquf2 I.® de Pombal no Com peiídio Histórico, e Ana- 
lytico írabaihado px)r elle no anní) seguinte, 

(28) Vi-ceníe da Silva acaJjou os seus dias presa 
no Limoeiro de Lisboa. O Coronel Thomaz Luiz Ozcria 
foi enforcado; e os mais Oífias^s complices da entrega, 
.acabáiam uns em Angola, outros em Castio-Mamn. 



'408 



Memqrias Históricas. 



baftaceoens menores , qu€ acompanharam uma 
'IVáô, e- um Corsário Inglezes. Aportada a 
E«Cjuadra em Moníe Vídeo , onde foi sabido 
o ^esijjtado. do^ combMe , consultaram os Che- 
fes iPaquelIa expedirão '' Se atacar Monte 
Vídeo, entaS desprevenido 3 seria melhor, e 
mais opportuoo , do que tontar a restauração 
da Goloriia ? ,, »>&s deliberado o seguimento 
da derrota ao lugar do seu destino , velejua 
tudo, e entrando em combate assas forte, 
que pronostieava. o- mais feliz successo , por 
fátaí desgraça ftcou inútil o- esforço mareial 
com o incêndio da Náo íngíeza , em 6 de 
Janeiro de 1763 , que , unida ao Corsário,, 
pelejava intrépida em distancia mais aproxima- 
da às baía« iaimigas. 

For execução do Artigo âl do Tratad<> 
de Paz celebrado em Pari^ a 10 de Feverei- 
ro de 1762 entre as. Cortes de Portugal, Ma- 
drid, Versailles, e Gram Bretanha-, e db 
JDecreto de 3 de Jrunho do anuo seguinte', 
assinado pelo Punho do Rei de Espanha,, 
tornou a Colónia à Coroa Portugueza, para 
eujo recebiinento foi destinado o Brigadeiro 
Jozé Fer^nandes Pinto Alpoim, a c^juem a en** 
tregou o General Espanhol no dia 28 de De* 
zembro do tnesrrjo anno : e o 7'enente Coro-- 
nel de liiíaataria Pedro Jozé" Soares de Fi- 
gueiredo- Sarmeiííó^ enviado pela Cortti* ^- pa- 
ra, governa la , no anno de 116S, tomou conía 
da sua direcção no 1.° de Janeiro de 1764:, 
com, reserva das Ilhas de Martim G^àrcia e 
duas. Irmãos, e o vasto território até uma. e 
outra margem do Rio Grande,, Coiis«rvou-s« 



^0 Kio <pz Janbiuo. 



459 



aquella província em socego até o anno 1773 ,* 
mas no fim d'elle principiou o povo portu- 
guez à sentir alguns insultos, que se atribai- 
ram à rivalidade entre as duas Naçoens vi- 
sinhas , enquanto desenganado pelo Mani- 
festo publicado no Rio Pardo com authoridade 
de D. Francisco Bruno de Chavála, à frente 
úe^fjítp roil homens de Tropa regular, decla- 
rando = Que todo aquelle paiz pertencia ao 
Rei de Espanha, e que elíe trataria a todos 
os Portuguezes como ladroens , e salteado- 
res =, (29) naÕ hesitou mais sobre o moti- 
vo das hostilidades^ que foram insinuaBdo as 
Káos de^ guerra cajrreíçadas de artilharia , 
munição, e outros soccorros militares, con- 
duzidos de Espanha no anno seguinte, e con- 
firmavam o fogo continuo cpntra as embar- 
caçoens portuguezas, dirigidas com auxilio 
ao Porto do Patraõ mor, situado ao N. do 
Rio Grande, única passagem por onde o^ 
Portuguezes podiam receber os provimentos 
necessários. 

Em volta da expedição do Rio Pardo 
tentou Cevallos a surpreza de Santa Catba- 
rina , que ^conseguiu, (30) e denovo a do 
Rio Grande de S. Pedro, cujo ingresso lhe 
foi defeso pelos temporaes : mas, abrangen- 
do *as vistam d' esse General a Conquista de 
todo Contiuente, até a Colónia, demandou 
o Rio da Prata , e depois de refrescar em, 



t MJ 



(39) Vede Cap. 5. 
(30) Vede Cap. 4. 
2bm, ÍX. 






410 



MeMORIÍSI ^HT-OniCAS 



Monte Video a sua Esquadra, que reforçou 
também alU, no dia 22 de Maio de 1777 ac». 
commetteu a Praça com 48 einbarcaçoeas mu- 
nida» de 8 mil homens de Tropa escolhida. 
Sabia muito bem o mesmo General, que a 
Praça naÕ tinha viveres, e os conservados 
Bos Armazéns Reaes , d' onde se sustenlavai» 
a Tropa militar , e pouco menos de 200J|pai* 
izanos , escassameote chegariam ao fim do mez 
de Maio , por se terem passado além de oito 
mezes, que as embareaçoens do Coramerci^ 
haviam conduzido alguns effeitos ; e certifi- 
cado d* essa circunstancias, que o cerco por 
mar, e por terra apertava mais,^^na5 dei- 
xando entrar em beneficio dos sitiados o me- 
nor auxilio , foi fundear na Costa do Sul , 
íóra do tiro de canha5 da Praça, onde for- 
imou o Corpo do Exercito pam o ataque , dô 
que muito mal se podia defender a guarnição 
d*ella, e os seus defensores, faltando-lhes os 
reforços de guerra , e de boca , que pedidos 
à Capital do Rio de Janeiro , e prestesmente 
mandados pelo Vice-Rei Marquez de Lavra- 
dio , foram inúteis , por se haverem aprehen^ 
dido os vasos expedidos de ambos os portos, 
é n^elles^os Officios dos Governadores. Pare- 
cendo em termos iaes ao Coronel Governador 
Francisco Jozé da Rocha ser mais acertítdo, 
e que faria melhor serviço em render a Pra-. 
ça aos inimigos, salvando a vida , c os ben» 
de seus habitantes , a quem naÕ faltava o ani- 
b© , e a boa vontade disposta a sustentar o 
combate , mandou pedir Capitulação ; mas ne- 
gada por Ccvallos a soppUca, foi a Praga 



DO Rio »e Janbiro. 



411 



combatida , até se entregar á disposição dos 
inimigos, e logo depois arrasada. 

Desarmada a guarnleaÕ no dia 3 de Ju- 
lho , evacuaram os defensores o sitio no dia 
4 , recolhendo-se os Officiaes militares com as 
suas famílias, e alguns particulares, á bordo 
de quatro embarcaçoens , que 09 levaram à 
Buenos Ayres, e d*ahi à Córdova (31) sem 
se permittir aos prisioneiros outro porto , por 
intentar Cevallos o consumo dos Poituguezes 
nas Villas , que pretendia levantar em sitios 
differentes das Fronteiras , onde os índios 
( inimigos atrozes dos Espanhoes , cujas vidas 
Baõ perdoam , desb<^stando-os , e abrazando 
as suas campanhas) cevassem melhor a sua 
barbaridade na carne dos desterrados. Com 
esse projecto arrastaram de Buenos Ayres os 
prioneiròs infclices (a excepçaÔ de cinco, ou 
seis famílias perdoadas do extermínio, qite 
compraram ao Tenente Rei Governador à 
èusto de moeda, e de jóias ), e por lugares 
^ssàs distantes, onde nenhum abrigo havia de 
casas , nem de mantimentos , que só por al- 
tíssimos preços se vendiam aos desgraçados, 
"despojando-os dos últimos vestidos, distribuí»» 
ram quasi todos os povoadores da Colónia: e 
"pouco satisfeitos de ile«terra-lo« , naS se pou- 
param os Castelhanos ao tratamento vil , e 
cruel, com que se lizongeavam de enxugar a« 
iagriraas de tantos aflitos, raandando-os ( como 



(3V)Í Foi obra de De Jerónimo Lura de Cabrera na 
Provinda de Tocumãn, E«tá na latitude m«ridior*al de 33**, 
e longitude de 313."^, segundo MarelU, 

52 ii 



412 



Memorias HiSTourcAs 



à escravos ) trabalhar na fabrica de adobes 
para ranchos , como praticou o Commandante 
de Pergaminho. (32) Na Villa de Lujan po- 
seram mais de trinta famiiías , persuadindo-as 
publicamente " que nenhuma voltaria aos Do- 
mínios Portwguezes, por se acharem exaustas 
de meios subsidiários , e porque a Coroa d» 
Portugal nunca pediria a restituição daquelta 
Praça , nem de seus antigos habitantes ; mas, 
que succedendo o contrario ,^ seria inútil toda 
a força j porque a Coroa de Espanha faria o 
que, nesse caso, muito lhe parecesse, e qui- 
zesse „ E o mais he , que com exemplos ve- 
rificados à pesar nosso ^, afíirmavam estensa- 
mente essa proposição ! 

Por effeito do Tratado Preliminar de Paz , 
e Limites , celebrado entre as duas coroas de 
Portugal , e de Espanha , era S. Ildefonso no 
l.« de Outubro de 1777, e ratificado em da- 
ta semelhante do anno seguinte , se restituiram 
os Portuguezes , cuja parte mais considerá- 
vel foi povoar o continente da Ilha de San- 
ta Catharina, e do Rio Grande, e mui pou- 
cos voltaram ao Rio de Janeiro : mas a Pro- 
vincia da Colónia ficou em poder dos £spa« 



(32) Outro tanto , e mais , praticaram no Mato 
Grosso com os prisionados na declaração da Guerra de 
1762 , amarrando-os com cordas por pês , maons , e pes- 
coços , como referiram os Annaes d'aqueUa Capitania , e 
a Relação Noticiosa do que se passou nas suas frontei- 
ras desde o anno 1759, até o principio do de 1764, cu- 
jos monumentos conserva o A» destas Memorias. Que taei 
aam es nossos vizinhos \ 



DO Rio DE JaneirôI 



413 



nliocs , em virtude do mesmo Tratado , pelq 
quai se estabeleceu nova Linha Divisória na 
parte meridional somente , deixaudo-se pai;a 
Campo neutral o terreno que medeia do ar^ 
roiOv.Chuy, até Thahim, cujo Campo oecu»- 
pàram os Portugueses do Rio Grande na 
guerra de 1801 , surprendendo o acarapamea- 
to de Chuy , saqueando-o , e abandonando-o ;, 
como "^zeram n'outros lugares estendidos até 
Jacuhy , entre os quaes se contou o acam-. 
pamento de Santa Tecia , que de todo foi 
desmantelado. (33) 

Fazia o território da Colónia a parte ul-^ 
tima, ao Sul, do Bispado do Rio de Janei- 
ro ; (34) t cora a fíindaçaõ da Praça teve 
alli principio a da Igreja Matriz dedicada 
ao Santíssimo Sacramento , que se numerou 
entre as de natureza Collativa; e por C. R. 
de 5 de Dezembro de 1694 se estabeleceu 
uma Commarca Ecclesiastica , à cujo Minis- 
tro, denominado Vigário da Vara, arbitrou 
outra semelhante Carta de 2 de Dezembro 
do anno seguinte Côngrua proporcionada à 
sua decente subsistência. 

Dentro da Fortificação havia, além da 
Casa do Governador ^ a das Armas , em uma 
das melhores salas do Trem , onde se conta- 
vam 3c)Ji fuzis , e outras tantas armas de fo- 
go , os Armazéns Reaes , vários edifícios pu-' 
blico» , como eram o Collegio dos Padres Je- 



(53) Vede Cap. 4. nota ( ) 
(34) Vede Liv, 2., Cap. 1 

% Bulia ; ^ue lhe de» os limites* 



» > 



oiide ncâ iranscritft 



'^«W.^^^i 



mi 



Memorias Histôríca9 



STiitas , e o Hospício dos Padres Capuchos da 
Província da Conceição do Rio de Janeiro , 
à cada um dos quaes estava unido um Tem- 
plo ; as Capellas das Ordens Terceiras do 
Carmo, e de S. Francisco, a de Santa Ri- 
la, de N. Sra. do Pilar, e de S. Pedro de 
Alcântara ; e fora da Praça, ao N. , existiam 
as de N. Sra. da Conceição, N. ?. d^ Bora- 
successo, e N. Sra. de Nazareth. Numera- 
\âm-se LS ruas, e 16 travessas, que occupat- 
das por 327 propriedades , admittam-se n'e!- 
las 3, à 4^ pessoas de ambos ob sexos , sii- 
geitas a Sacramentos. Quatro terreiros públi- 
cos davam o desabafo, geral aos ,, habitantes 
do paiz , e arejavam de continuo as suas ré- 
tsidencias. (35) 

Foram Governadores desta Provincía 
1.° D. Manoel Lobo, desde o principio 
do anno 1680. Veja-se a sua memoria no Liv. 
S, Cap. 7, e ahi as notas (7) que lhe corres- 
pondem. 

2." Duarte Teixeira Chaves , desde 1683. 
Veja-se a sua memoria no Liv. 4, Cap. 1. 

3.** D. Francisco Naper de Aiencastro, 
desde 1690. Veja-se a sua memoria no sobre- 
'citado Liv. 4, Cap. • 

4.° Sebastião da Veíga Cabral, desde 
1703. Por C. R. de 19 de iSíovembro de 1704, 
eOrd. de 18 de Agosto de 1706 ( registr. nos 
Liv. 16. e 17. do Reg. Ger. da Provedor, do 



(35) No Liv. á.", Cap. 7v » ficou a memoriada fnn- 
daçaõ da Ifreja Matriz do SS^ Sacramento da Coloma , 
que se rerà. 



DO Rxo PE jÀ^hine, 



41^ 



Bio de Jan. fl. 147 c fl. 27 ) se lhe mandou 
pagar o que elle despendeu da ?iia fazenda 
em beneficio da Igreja Matriz da Praça, e 
da Fortificação. 

Francisco Ribeiro , teve Patente de Go-* 
vernador, e por Ordem de 27 de Março de 
1?05^ registr. no Liv. 1^. do Reg. Ger, da 
sobredita Provedor. íl. 135 v. , se lhe mandou 
pagar o Soldo da Patente de Mestre de Cam- 
po, desde o dia do seu embarque em Lis- 
boa: mas accontecendo â esse tempo o se- 
gundo ataque da Praça por D. AíFobso Bal* 
dez , e o seu abandono , naÕ se eíFeituou a 
posse, nem o governp de Ribeiro. 

5.^ Manoel Gomes Barboza/ Mestre de 
Campo 5 que governava a Praça de Santos , 
tomou posse desta da Colónia no anno 1716. 
Por Ord de 10 de Janeiro de 1719 teve 800S 
reis de ajuda de custo, e por outra de 27 
de Novembro do mesmo anno , se lhe mandou 
pagar o soldo desde o dia do seu embarque. 

6.° António Pedro de Vasconcellos , Fi-* 
dalgo da Casa de Sua Magestade , Cavallciro da 
Ordem deChristo , Brigadeiro de Infantaria, e 
Ajudante General dos Exércitos Reaes , en- 
trou à governar em 1722. Além dos quatro 
xnil cruzados de soldo , que tinham os Gover- 
nadores , venceu mais por anno 400(^ reis 
por Ordem positiva. 

7.® Luiz Garcia de Bivar , Fidalgo da 
Casa de Sua Magestade , e General de Ba- 
talha dos Reaes Exércitos, entrou em 1749. 
Por Ordem de 15 de Setembro d© 1748 se 
lhe mandou p^ar annualmeiíte mais 400^ rs. , 



■-<<W^^Ay 



416 



Mkmôrías Histôríías 



aléra dos quatro mil cruzados ordinários de 
soldo. 

S." Vicente da Silva da Ponceea , Fi- 
dalgo da Casa Real , Cavalleiro da Ordem de 
Christj», e Brigadeiro de InfaBtaria, que des- 
de o principio do anno 1759 governava a 
Praça , por C. R. de 23 de Agosto do mes- 
mo an«o, dirigida ao Governador do Rio de 
Janeiro, foi mandado substituir á Bivar, ven- 
cendo o soldo competente de Governador, e 
por Ordem de igual data foi determinado , que 
elle Brigadeiro com exexcicio de Coronel de 
Infantaria da Praça do Rio de Janpi»"> , ven- 
cesse o soldo dessa Pa^tente des' dia do 
seu embarque. Liv. 36 do Reg. da Pro- 
vedor, do Rio de Jan. fl. 125, « u. 117. v. 
Por Capitular a Praça com Cevallos no anno 
de 1762, foi morrer no Limoeiro de Lisboa 
em J772. 

9.° Pedro Jozé Soares de Figueiredo, por 
Patente de 7 de Agosto de 17G3 , e com o 
Posto de Teoente Coronel de Infantaria, para 
o evercer nas Tropas de Portugal, quando 
voltasse , entrou a governar no l.° de Janei- 
ro de 1763, em cujo dia lhe entregou Ceval- 
los a Colónia. Por Ord. de 9 de Agosto do 
mesmo anno se lhe mandou pagar o soldo , 
desde o dia do seu embarque em Lisboa. Fal- 
leceu alli antes de findar o governo. 

lo.® Francisco António Cardozo de Me- 
nezes , , Cavalleiro da Ordem de Christo , e 
Coronel do Regimento Novo de Infantaria da 
Praça do Rio de Janeiro, que havia acom- 
pauhado o General Gomes Freire na diligen- 




DO Rio de Janeiiig. 



41? 



cia da Demarcação dos Limites, e governara 
a Ilha de Santa Catharina , tomou posse do 
Governo no anna de 1769. Falleceu n® Pos- 
to de Brigadeiro, eommandando o seu Re- 
gimento. 

IL'' Francisco Jozé da Rocha , Corone! 
de Infantaria, principiou à governar ^ por pro- 
vimento do Vice-Rei Marquez de Lavradio, 
em 1775. Entregando a Praça aos Castelha- 
nos em 4 de Junho de 1777, e passando à 
Euenos Ayres, voltou d'alli ao Rio de Ja^ 
neiro, d*onde foi remettido preso à Lisboa: 
e sendo sentenceado à morrer, por inimitá- 
vel Piedade da sempre saudosa Rainha D. Ma- 
ria L , se lhe commutou a pena na de degre- 
do para Angola^, em cujo lugar falUceu den- 
tro de breves dias. 



"k-^^^w^^-wv^w-wv^ v% v^-v^^-www^vw v^vfcvtv^^w^^v^v^v* : 



. Arecendo-me muito proveitoso á Historia, 
que se publiquem as noticias de vários factos 
sobr' a execução do Tratado de Limii s de 
1750 peia parte Meridional da America, ho- 
je occultas, ou escassamente sabidas; delibe- 
rei transmitti-las em separado das notas , ha- 
vendo-as em Lisboa de manuscritos origin.ies, 
e relativos ao objecto das demarcaçoens , dos 
quaes sam Copias fieis os documentos se- 
guintes. 



Tom. IX. 



BS 



'■i <'/*'.« 



- % 



Mejiob^ias Historicsa 



DOCUMENTO í. 

€arta dó Governado)'' do Pard Farnchcó Xavier 

de Mçndo7iça, ao Secretor to d* Estado Se^ 

basíidd Jozé de Curvalho c Mdté, 



LTustrrssimo e ExceUèntissimo Senhor. Meu 
lrma5 do meu Goraçaõ : auidaque supponho 
a V. E«.* muito bem iofoimado do cpe íeíu 
succedido na Demarcarão da pâi^te do Sul , 
BaÕ posso deixais de lhe remettef a Copia doa 
doús papeis <ie noticias , que aq»'^ me man* 
ííáram os Qovernadoresr do Mato ^?rosso, e 
Maranhão ; e aindaque ambos na ^bstanciâ 
(COíitoín o mesmo , ^eii^pre declara qualquet 
delies diversas circunvStancia» , que naõ dei- 
xaÔ de ser attèndiveis. *' Por estas notjcías 
vej o , i\Y^ a^o íí-ell es Ind \^^ eírtao Siib4<í4' a d n s , 
e nao sei qual será o fim da<iuelle es€anda* 
loso insulto ; porque o tal Caciqne naÕ decla^ 
roíi , que s« movia; por v^onlade prv>pria (se 
he verdade o qoe di^em este^s píiígeis }, «e^ 
BâO; eca ipxeeuçao de ordem , que ràes dàvaÕ, 
os seus Padres Santos , ou os seus Bemditos 
Padres, que he o que b»Mn para en^ naô 
poder atinar eoma sfnda ileste negocio , quan* 
do elle se move à impulsos de tanta virtu»- 
de. ,, Isto que siiccede cora maõ armada dft 
parte do Sul, vou eu tumbem aqui experi- 
mentando com os Índios pobrea , e mise la- 
ceis , que não tendo acção pam disputarem 8$ 
Ordens , c^ue se lhes di&tribuirem , saõ gu- 



)íO Rio de Janeiro. 



áU 



vemadôs deserte , qu« Y^m a surtir o mes- 
mo effeito , qual he, o âe invalidar a ôxe- 
.cuçaõ das Reaes Ordens de S. Magestade ; 
porqae, como saÔ ítconselbados a que naS su* 
BJstaÕ ^n^ Real Serviço , e a serem protegi- 
dos , quahdo delle desertaÕ , e a que nao la- 
vrem mantimentos , naÕ podendo dar-se à 
e?íecuçaÕ as ditas Reaea Ordens , sem índios 
que remem, e mautiínentos para sustentar a 
muita gente, que se deve empregar nesta di~ 
ligencia ; se demonstra cora toda a evidencia ,: 
que he impossível a tal execução , e que por 
meios totalmente opp©stos , se vem a conse- 
guir o mesmo fim , sendo a mesma causa » 
que influe em toda , a parte , para produzir 
hum taõ abominável eíFeito. '"" A' pesar porém 
de hunlas taõ fortes eontestaçoens , hirei fa- 
zendo q»anto couber no possível , porque se 
executem as Reaes Ordens ;, que S. Mages- 
tade foi Servido expedir-me , até onde che- 
garem as minhas poucas forças , nao perdoan- 
do a meio alguns de as fazer obedecer. ,, As 
Aldeãs' do Rio Guaporé , me consta ^ que se 
V2l6 'evacuando , e qoe já se achaÕ da outra 
parte do Rio as de S. Sima5 , e S.Miguel, 
-e que andavaÕ os Padres cuidando em mu- 
dar a de Santa Roza , que he a ultima , e 
mais populosa. Gomque supposto isto , não 
teremos por esta parte duvidas com os Bem- 
ditos Padres. **" Jáque estamos tratando deí- 
les , aindaque seja passar dos- interesses pú- 
blicos aos particulares, informarei a V, Ex.^ 
de alguns casos que aqui tem succedido^ que 
sendo diversos d'aqueilcs , se vê porém ó 

53 ii 



'<«'^Á'^.*i'A-'^ 



^ ^ % 



Memorias IIistori€a» 



absoluto procedimento, e a violência , com 
que esta geníe obra era tudo o que lhe diz 
respeito. ,, Da Carta que escrevi > V^ Ex.% 
no dia de hontem , em que o informei das 
desordens que havia na Mouxa, v^eria V. Ex.^ 
que o Padre Manoel Gonzaga, Superior de 
hum chamado Hospicio , que he cabeça dag 
ínnumeraveis , e importantes Fazendas, que 
a Companhia tem n^aquella Capitania , se re- 
Mvcra a- intimar as três. Canónicas admoes- 
íaçoeng a hum Ministro , e passara ao ex- 
cesso de o xieclarar , nao tendo elle mais ju- 
risdicçaõ para este procedimento , do que 
aquella , que lhe íhe ministrava o seu. orgu- 
lho , e o absoluto, poder, que tem em todas 
estas Capitanias: e conio o Bispo, aquém o 
Governador do Bispado do Maranhão deu con- 
ta deste caso , informa, a V.. Ex.'' larga e dou- 
tamente , naõ tenho paraque lhe tome mais 
tempo, com esta novidade. „ Outra historia, 
succede presentesnente ,^ que ainda naõ sei a 
yerdade delia; porém basta a; voz, que se 
espalhou , para fazer horror , e sep^o. certo 
(o que naõ he faciF d^ crer), faz outra de- 
íiianstr^aõ de que se naõ poupa à caminho 
algum , por mais iniquo que seja , paraque 
se consigam os. fins, que intentaõ. '" Ha mui- 
tos aqnos que os Padres intentaram arruinar 
a miserável Villa chamada de Souza na mar- 
gem do Rio. Cayté , e lhe applicáraõ taes meios, 
que o conseguirão por^ hm ;. e restando-lhe 
ainda cinco, ou seis palhoças ,, que era o 
que ^hoje constituía a Villa , e como se per- 
suadiao á que ainda os pobres moradores que 



DO Rio de Janeiro. 421 

nellas assistiaõ , pod^íriaÔ testitnunhar as ia* 
fiuitRS violências, e desosclens , que estaõ fa- 
zendo , em huma Aidea contigua à mesma 
chamada Villa , intentou o Padre Theodoro 
da Cruz, Missionário actual delia , acabar de 
exting^uir aíjUí ílas reliquias , que ainda alli 
se conservavao. ,, Para conseguir este fim , 
se uniu com hum. Clérigo que estava por Pá- 
roco daquella gente , e amboos juntos princi- 
piarão a fazer taes violências áquelles desgra- 
çados morador**» , que vendo-se na ultima cons- 
íernaçaô , vieiao buscar o remédio, fav:endô 
presente a« Bispo as violências do tal Páro- 
co j que tomando conhecimento delias , e 
acbando-as vercjadeiras , o mandou logo reco- 
lher á esta Cidade ^ e poz naquella terra hum 
Clérigo prudente, e bemem de propósito pa- 
raque podesse consolar , e pacificar aquelle 
povo ; e conseguiu com efíeito aqúelle fim ,. 
ficando toda aquella gente quieta , e socega- 
da com o Pasíor que lhe deram. ^* Vendo o 
dito Missionário esta mudança , veio pela Se- 
mana Santa á esta Cidade , e fez o seu em- 
penho paraque tornasse para aquella Villa o 
antigo Pároco da sua facção , e se tirasse delia 
o que novamente, se lhe tinha mandado , que 
naõ condescendia com elle , e que só cuidava 
em apacentar o Rebanho, que lhe fora entse- 
gue ; e naÕ o podendo conseguir , se recclheu 
á sua Aldeã sumidamente desconsolado ,. e des- 
gostoso, ,, Estando [íois as cousas nestes ter- 
mos, e eile em mui pouca arnionia com o Pá- 
roco , succedeu convidallo á jantar^ e dizem 
q^ue á noite lhe mandara um frango aasado ; 



■íí./*'..fll^! 



Me^ori\s Históricas 



e succedendo nessa mesma noite morrer o 
Pároco , e achando-se-lhe ( conforme me di- 
xem ) huma quantidade de nódoas negras no 
pescoço, peito, e unhas, se levantara h*! ma 
voz geral, que fera morto com veneno, que 
lhe dera o Padre Missionário; e em pouco» 
íliaa chegou a esta terra, e se fez publica, e 
notória á todos a tal noticia. '' O mesmo Pa- 
dre Missionário tomou a resolução de escre- 
ver ao Bispo, dizendo , que íhe tinhao le- 
vantado aquelle testemunho , e que queria que 
íhe dessani uma í^atisfaçaõ publica. A mim 
por<^m naS se resolveu a faz€r-me outro tan- 
to. ,, Ao Povo intimidou dizendo-lhe, que es- 
crevia a seus Padres ,, paraque pedíssera a 
mesma satisfação , e fossem castigados todos 
os que lhe tinhaõ levantado o tal testemunho, 
'' O pai do pobre Clérigo morto escreveu ao 
Bispo , pedindo-lhe Justiça contra quem lhe 
tinha morto seu filho com veneno, cuja carta 
dava á conhecer bem a affliçaõ em que ficava 
aquelle miserável velho. ,, Como vi esta fama 
espalhada, e em occasiaÕ em que tinha man- 
dado o Ouvidor á mesma Villa a dar as Pro- 
videncias necessárias para os moradores , que 
novamente vou mandando para ella , me píi- 
receu iudispensavel o avisar ao dito Ministro 
da publicidade em que estava a tal noticia nes- 
ta Cidade , e que se a havia n'aquella Povoa- 
ção, como me diziaÕ , que deveria proceder 
á Devaça do caso, paraque se aclarasse a 
verdade , fallando-lhe á oste respeito nos ter- 
mos , que V: Ex.^ verá da Copia da Carta 
que escrevi ao mesmo Ministro. '' Os Padres 



©o Rio ©a Janjki&ô. 



^^li 



«f/^ora tiaê tem fallado iieíRta makrm hwmft 
«nica palavra: di/tns mie que maiida€ mudar 
© Mi&sto» aiio ; portni não «ei «irda se isto 
he ceítt) : e se elies o tivesstfii feito quando 
deviao , e souberaÕ de caii^sa bastante pura 
isso, ftííiõ tenaô agora esse diefegosto, neva ha- 
veria e^íla iiidigna iussimia, que ainda send<í) 
«nentira , Keinpie Í>e ifijoriosa a lumia Reli- 
gião. ,, E(« o Ouvidor se recolhendo , sa-^ 
berei a venUit'p d«r r^ir houve ne.ste particular; 
€ se siuHeder chcKiade de que seja ecr* 

to estí- «acto 1 i\(i' < &peiiindo qu^Rdo me 

succede o id' c uvo , que ao pobre Clérigo, ao 
Prelado, e i os ^?.ílíI»ít^os , paraque se acabe 
ii^to |Jor hl. a a vez , ,e íiqi\e tudo em paz. 5, 
Ot-iici hi«u ri • de «atra ivaturexa se píesenta 
agora, q^íC naÕ irívgan*!í> irregtvlarid&de , he 
t anrib em b a s t i ate me n 1 e p r ej uá icml , qual a ÚQ 
Álriioxaiiíltí do Maranliaõ , que se at ha prego j 
por mandar humas Caría^í aVjui para bireni pa- 
ra Lisboa , € chegando á maõ de hum Padre 
da Corapanhia, tomou a resolução de as abrir ^ 
€ de as ler , e vendo cpie nellas se queixava 
õ preso do Ouvidor do Maranl ao , para se- 
gurarem a aiTHzade , daqut He Minifstro ^ Jhas 
remeteram, e elle, paraque naõ houvesse ru- 
vida , as mostrou ao Governador di\qrei?a Ca- 
pitania ,, creio qíir desvanecendo se da grande 
amizade, que di*\ ia áí^uella' Ccmmuíiidede, 
•' Vem t) que, njf^ii Irmafe , hlo pt r cá tai 
Iiuma maravilha ; porque por buma parte le- 
vantaÇ-se às niaioies C(ni os Estados , pela 
©uíia fulmhiao exconrin urihoens , por ouírii 
(sendo c^irío o que se. díx j daÕ yetieuo a 



it./Jh ',.«.! 



424 Memorias Histérica* 

quem lhes pode fazer embaraço , e finâlraentí 
por outra faltaõ à fé pubblica, em virtude 
tieste facto sftcrificaõ hum homem , só com o 
fim de corromperem hum Ministro, eo pô- 
reiíi à sua devoção, para faíer as injustiças, 
que à elles lhes parecem'. „ Deos Nosso 'Se- 
nhor queira , que isto se reduza ao verdadeir« 
caminho, em que o seu Santo Serviço, e c 
de S. Magestade se possa5 fazer sem emba- 
raço , os Povos vívaõ em paz , e quietação , 
e que em consequência de tudo floreça este 
Estado tanto , quanto o permittem as excel- 
lentes disposiçoens , que nelle há, para ser, 
sem duvida alguma , o mais opulento dos Do' 
minios de S. Magestade nesta America. Deos 
Guarde a V. Ex.^ muitos annos. Pará l.° de 
Julho de 1754. '— Í1I.'"> e Ex."»<^ Sr. Sebastião 
Jozé de Carvalho e Mello. — Ir. muito aman- 
te do C. — Francisco. — 



Fapeis de noticias relativas ão negocio da De- 
marcação de Limites pela parte do Sul de 
que fez menção a Carta sobredita, 

JV.^ 1. 

Evendo concorrer os dous Commiss 
Principaes de S. Maj^estade Fidelissima , e 
de S. Magestade Gatliolica, no Carapo de 
Castilhos Grandes , lugar destinado por am- 
bos os Soberanos para terem as mutuas Con- 
ferencias, a fim de dar cumprimento ao Tra- 
tado . de Limites , escreveo o Governador ç 






Bo ítio DE Janeiro. 

Capitão General da Capitania do Rio de Ja- 
neiro', logoque foi entregue das Ordens^ ao 
Marquez de ValdeIirÍ0vS\ seu Conferente, pe- 
dindo-lhe dia para se avistarem naquella para- 
gem , e sahindo a Barra do Rio de Janeira 
na Náo N. Sra. da Larapadoza em 19 de 
Fevereiro de 1752 , concluiu felizmente era 
cinco dias a sua viagem à Ilha de Santa Ca- 
tharina, 

Nella se demorou alguns dias , pelo con- 
trario vento que existia , aproveitando o tem- 
po com escrever á Corte por hum Navio de 
transporte que estava a partir para as Ilhas, 
e em dez de Março sahio a barra do Sul em 
hum escaler para as vizinhanças da Laguna , 
aonde chegou com dous dias de viagem ; e 
tornando a embarcar naquella Villa em hama 
Canoa para o sitio de Guarupába, delle se- 
guio sua jornada à cavallo pelas prayas ao 
Kio Grande de S, Pedro. 

O dia 7 de Abril entrou naquelle esta- 
belecimento , aonde achando sem effeito as 
prevençoens , que havia muito tempo antes 
mandado adiantar, fez trabalhar vigorosamen- 
te na factura de hlima nova Falua, e no 
concerto de outras , para transportar pela 
Lagoa Mirim (a) algumas Tropas , e baga- 
gens à Fortaleza de S. Miguel^ e em carre- 
tas , e carros para conduzir três pesados mar- 
cos de Mármore, e as mais muniçoens, e 
viveres , que deviao hir â Castilhos. 



(a) Entre ella , e o mar , fica Castilhos Grandes 

Tom. IX, 54 



4.2& 



Memorias Histórica» 




No dia !.° de Junho mandou S. Ex.* 
inarchar o Coronel de Artilharia Jozé Fer- 
Bandes Pinto Alpoim com as três Compa- 
nhias de Granadeiros dos Batalhoens do Rio 
de Janeiro para qs Tisinhíinças de Castilhos, 
levando cada hiima a sua peça de amiudar : 
Pouco depois marchou o Coronel Diogo Ozo- 
rio Cardozo com 120 Dragoens ; e em 29 
do dito mez e:!:ecutou S. Ex.* a mesma mar- 
cha, campando com as ditas Tropas na Guar- 
da de Chuy, à esperar o avizo do Marquez 
de Valdelirios^ aonde respondeo , e recebeo 
as Cartas da Frota. 

Logoque teve o refe.rido avizo sp poz era 
marcha para Castilhos Grandes, em cuja pa- 
ragem campou o dia â6 de Agosto sobre 
huma Lombra próxima ao Serro de Navarro , 
e distante três quartos de legoa do Arrayal 
Castelhano, aonde estava hum Tenente de 
JDragoens, que havia adiantado o Marquez 
com algumas equipagens. 

No dia 29 pelas oito horas da noite che- 
gou o Marquez ao Campo , o que logo fez 
participar a S. Ex.*, que no dia seguinte- 
mandou o Coronel de Infantaria Francisco 
António Cardozo a comprimentallo da sua 
parte : cortejo , que o Marquez pagou ao 
outro dia pelo Capitão de Fragata D. Ma- 
noel António de Flores. 

No }.® de Setembro tiverao os Commis- 
sarios principaes huma iníervista na margem 
êe hum ribeiro, que corria entre os dous 
Campamentoi, mais próximo ao dos Castelha- 
mos; e chegando S. Ex/ a elle, veado qua 




D<> Rio de Janeiíio. 



427 



pela sua inundação o Marquez o vinha pas« 
sando em pellota, nactteo o Cavallo à cor- 
rente do Ribeiro, e encontrando-se no meyo 
delle , se detivera5 em cortezanas disputas , 
vencendo S. Ex.^ ao Marquez, que retro- 
cedeo, saltando ambos da outra parte, aon- 
de sós, e em pé estiverao communicando por 
espaço de três horas. 

No dia B veyo o Marquez visitar a S. 
Ex.*: e porque o seguinte foi tempestuoso, 
lhe pagou a Visita em 5, e era 7 foraõ am- 
bos à praya de Castilhos, distante quatro le- 
goas do^ Campamentos ; e achando tapada a 
boca do Ribeiro, q^ue sabe ao mar, e tam- 
bém diífcrente a enseiada do que a figurão 
os mapas, convieraÕ em mandar vir, o Mar- 
quez pela sua parte os Práticos do Paiz , 
que elle naÕ havia trazido ; e que no entre- 
tanto fossem os Geógrafos configurando o 
terreno , ribeiro , e enseiada , para se deter- 
minar a duvida na primeira conferencia. 

O tempo era o rigor do Inverno, que 
teve principio no mez de Junho com insu- 
portáveis neves , e frios , sendo taÕ continua- 
das as chuvas , que poserao intratáveis os 
caminhos, desde o Rio Grande, até aquella 
paragem, com tao horriveis pântanos, e ala- 
gadiços, que a marcha das Tropas, sem hy- 
perbole se pode dizer, a fizeraÕ por baxo 
de agua ; o que deo também motivo com a 
inundação dos valles, a suspenderem os Geó- 
grafos por algum tempo o seu trabalho. 

Em 22 do dito mez de Setembro pre- 
senteou o Marques a S. Es.« ; ao que ell@ 

1)4 ii 



428 



Memorias HisTORrcAs 



corr(3spondeo na manhãa do dia seguinte , 
Hiduindo» nos ditos presentes algumas peças 
primorosamente obradas , e pouco depois pas- 
sou com os Officiaes à coiiíer com o Mar- 
quez, por ser dia, em que festejava os ân- 
uos de Eillei Catholico ; e à noite o obze- 
quiou S. E^,^ com hum baile de esquipati- 
cas, e vistosas mascaras, instrumentos, e 
boa musica, que havia trazido em sua com- 
panhia do Rio de Janeiro; e lado pelo pri- 
moroso , e era tal deserto , po2 em admiração 
€s Castelhanos. 

No dia 25 chegarão os Práticos ao Mar 
quez ; e com os que ?. Ex.* havia trazido 
se dissolveo a duvida : e sendo mandados a 
descobrir paragem sufficiente, e próxima ao 
Monte chamado de Castilhos, que licava ao 
pé do mar, paraque , na forma do Tratado, 
se estabelecessem alh os Campamentos, e se 
terem as mutuas Conferencias, declararão ser 
impraticável a madarem-se, pelos movimentos 
«a areia, e contínuos alagadiços, que haviaõ 
encontrada; por cujo motivo eonvieraõ os 
Commissarios Principae* em que se pozesse 
Bo mejo dos Campamentos hama Tenda de 
Campanha, que S» Ex.^ havia levado sobr«- 
salente , para nella se celebrarem as Con- 
ferencias. 

Foi a primeira no ám 9 de Outubro; e 
Bella apresentaram os Commissarios Princi- 
pães, hum ao outro, os plenos poderes, e 
as mais Ordens que tinhaõ de seos Sobera- 
B09 , noticiando cadahum também as preven- 
f oens ^ qjàe na forma das ditas Ordens ha-^ 




DO KlO DE JaNFJRÔ. 



4í^9 



viaõ adiantado , conducentes à facilitar a de- 
HiarcaçaÕ : e assentarão em que no dia I2 
passariaÕ à praya de Castilhos à escolher ^ e 
assinalar a paragem , em que havia de erigir- 
se o primeiro Março ^ tenda «sta Conferen- 
cia o lugar da primeira Visita. 

No referido dia 12 veyo o Marquez ; e 
depois de comer com S.. Ex.^ (o que sem- 
pre fez na hida e volta de Castilhos ) mar- 
charam àquella paragem , aonde vendo insiif- 
ficiente , por arenoso , o terreno, em que se 
de via ^ na fórraa do Tratado , eoliocar o Mar- 
co , eonvieraÕ (depois de commetter a dous 
Ofíiciaes ^ diligencia.^de buscar o sitio mais 
próprio (em que se elevasse sobre huma pe- 
dra ao pé do mar , e mais próxima ao Mon« 
te de Castilhos, delineando-se logo com hum 
Ciíizel na mesma pedra o quadrado da base, 
e que os Commissarios- nomeados para a pri* 
meira partida assistissem a sua positura. 

Em 18 houve huraa Conferencia, em que 
assentaram em mandar S. Ex.^ para a Coló- 
nia , e o Marquez para Buenos Ayres , oa 
Oíieiaes da segunda, e terceira partida, co- 
mo também em passar à praya de Castilhos, 
logoque os Commissarios da primeira dessefa 
parte de estar já levantado o Marco : o que 
iizeraÕ no dia 29 , e no dia 30 forao es Com- 
missarios Principaes , que o achàraÕ posto na 
parte , em que haviaÕ determinado. 

Está o Marco collocado Norte Sul : da 
parte do Norte esta© as Armas de Portugal, 
e tem debaixo huma inscripçao que diz. — Sub 
Joannc V. Liasitunorum Rege Fidelíâsimo — - ° 



'•i:c<yjt'-.«t.!'i 



íso 



Memorias Histouicais 



da parte do Sul estaô as Armas de Espa- 
nha ^ e huma inscripçaõ que diz — Sub Fer- 
dioando VL Hispanie Rege Catholico — • : da 
parte de Leste diz a inscripçaõ — • Justitia et 
Pax osculatae suns — : e da parte de Oeste -^ 
Ex Pactis finiutn regutidorum convenctis Ma- 
dritz Idibus Januarii 17^)0 • cujas inscripçoens 
fiaÕ as mesmas em todos os quatro Marcos de 
mármore , que se remetteram da nossa Cor- 
te, (b) 

Do dito Narco se tirou huma linha ao 
Monte de Castilhos , aonde pas»ara5 os Com" 
missarios PrincipaeSj e subirão á sua immi- 
nencia , para melhor á^scobrirem çlella o pau- 
to , d'onde se havia oe erigir a linha divisó- 
ria; o que entap ficou indeciso, por dizer 
o Marquez , que devia buscar o Monte de 
Navarro, que ficava na retaguarda do nosso 
Campamento ; e S. Ex.% que era mais con- 
forme à disposição do Tratado , que manda 
buscar os Montes mais altos, iirair-se alinha 
ao de Chufaloto , que ficava na retaguarda , 
e distante quatro legoas do Campamento Cas- 
telhano , por ser o mais elevado : e naÕ áe 
conformando, determinaram , que os Geógra- 
fos configurassem novaniente o terreno, para 
com a configuração deite se decidir a questão. 

Em 15 de Novembro se fez terceira coo- 
forencia, e assentarão os Commissarios Prin- 



{b) Outro marco semelhante se firmou na margem 
Occidental d© Rio Jaurú , coriia âcôu referido no Cap. 2. , 
s®b a nota (20), 




DO Rio de Janeiro, 



431 



cipaes em mandar os Geógrafos a descobiír 
paragem própria , em que se houvesse de 
collocar o segundo Marco : ao que com efíei- 
to forao ; e voltando com a noticia de a te- 
rem achado na índia Morta, se mandou eon-^ 
duzir, e bvaiUar nella o dito Mareo* 

Em 3 de Dezembro foi a quarta Confe- 
rencia, era que se tratou da extensão, que 
devia ter a lalda meridional do Monte de 
Castilhos : e na5 se decidindo, se reservoíi 
para' o dia 5, era cuju conferencia repetio o 
Murquez as rasoena que lhe occorriao-, para 
na5 convir em que a dita falda excedesse o 
declivio dq mesmo ]\í|onte ; e pelas quQ S, 
Ex.^ deo em contrario , cedeo o Marquezr 
três quartos de legoa para a parte de Espa- 
nha, por ser a distancia que se julgou podia 
alcançar o tiro de canhão. 

Depois de se assinalar a referida falda, 
se disputou vigorosamente na sexta Conferen- 
cia , que foi no dia 7, à vista da configura- 
ção do terreno, a direcção que devia dar se 
à linha divisória : e durando a questaS quatro 
horas largas, se concíuio o dia, sem que se 
resolvesse a matéria, o que se effeituou na 
Sétima e ultima Conferencia, feita íio dia 9, 
cedendo o Marquez, e convindo se tirasse a 
linha ao^ alto do Chafalote; e se assentou, em 
que se apromptassem para a pailida, que se- 
ria logoque chegassem ao Marquez os man- 
timentos da primeira Tropa , os quaes havia 
mandado buscar a Monte- Vidio. 

O Marquez offertou a S. Ex.^ dous Ca^- 
Yallos : e chegados que foraÕ os mantimento» 



'432 



Memorias Histouicas 



esperados de Monte-Vidío , ^^e pozeraÕ em 
ordem para a viagem, a que deraÕ principia 
a 23 de Dezembro; e antes de se proceder 
á marcha, se lançarão sortes para saber-se, 
Cjuera devia levara vanguarda, que tocou nesse 
dia aos Castelhanos , observando-se nos mais a 
alternativa disposta nas Reaes Ordens dos 
dous Soberanos. 

No se2:uinte dia continuou a marcha , e 
a linha peio cume de hura monte, cujas ver- 
tentes va5 pela parte de Espanha ao mar, 
pela de Portugal à Lagoa Mirim , campando 
no sitio chamado índia M)rta, em que se 
liavia erigido o segundq, Marco. A^' esta para- 
gem veyo o Coronel de Ordenança Christo- 
vaõ Pereira de Abreo dar parte à S. Ex.^ de 
ler já na-Guarda de Chuy os duzentos Ser- 
tanejos , que lhe havia mandado conduzir da 
Commarca de S. Paulo, para abrirem as pi- 
cadas, e caminhos á 2.a , e3.a, partida, por 
serem práticos neàse ministério. 

Nos mais dias se seguio o cume do mes- 
mo monte, continuando os Astrotiomos , e 
Geógrafos de huma , e outra Nacaõ as suas 
observaçoen3 , e em todas as partes que se 
encontrarão pedras grandes, se abrirão nellas 
as Letras Iniciaes : da parte de Porttigal R. 
F. que quer dizer -r- Rex Fidelissimus — ; e 
da parte de Espanha R. C, que dizem — 
Rex Catholicus. — 

No dia 4 á(- Janeiro de 1753 se campou 
cm huma das Serras de Maldonado , distante 
5 legoas do dito Porto , e se. lhe deo o nome 
de ^erra dos Reis , por ' se collocar nella a 




DO Rio de Janeiro. 



433 



6 de Janeiro o terceiro Marco de mármore; 
donde resolverão os Comrnissarios Príncipaes 
expedir a primeira partida , parâque conti- 
nuasse a demarcação até a boca do Rio Ibi- 
cuy , em q«e finaliza » seu destino : o que 
se executou no dia 12 , e em 13 marchou 
S. Ex,* com o Marquez , comendo sempre 
juntos, até 19 do mesmo mez , em que se 
apartarão, elle para Monte Vidio, e S Ex.a 
para a Colónia, onde chegou no dia 25. 

A 19 de Fevereiro chegou o Marquez á 
esta Praça , aonde o hospedou S. Ex.^, e 
lhe oífereceo hum Berlindó / por estar áquelle 
tempo falto de coche , em que podesse an- 
dar em Byenos Ayres>; e demorando-se desta 
parte the o dia 6 de Março , no dia 7 pas- 
sou áquella Cidade à apromptar o de que 
necessitava para a 2.% e o.^ partidt. 

Em 24- de Março veyo hum próprio com 
Cartas dos Commissarios que hiaÕ demarcan- 
do , era que davaõ parte , de que tendo mar- 
chado , e demarcado terreno , que poderia in* 
cluir cem legoas , chegando ao sitio chamado 
Santa Tecla , primeiro posto dos Tapes , nel- 
le acharão alguns armados ^ que lhe negarão 
o passo ; e pertendendo dispersuadillos d'aquel- 
le intento , procurarão associallos , dando-lhes 
alguns géneros, que levavaõ à esse fim, e 
tratando os com toda a docilidade : mas que 
nada fora bastante paraque desistissem da- 
quelle empenho , dizendo em conclusão , que 
os seus Bemditos Padres lhes aconselhavaõ , 
que defendessem aquellas terras , pois erao 
suas , e ninguém lhas devia tirar : e porque 
Tom, IX. 55 



:c</Á,'-.«i-,l 



4ài 



MEMÔlttABl HSIÍÔHICAS 



núõ lêvávâõ os ditos Commissàríos Ordena para 
©§ obrigaf coíii âs armas, huvig® toftiado o 
expedieiíte de se retirarem a esta Pra(»a. 

Chégáfaô á eila ô dki lâ de Abril: e 
ieuáo esta ilotieia o M^tqueê de Valdeliriôí; , 
entreg^ou àé Capitão General ^e Buenos Ay- 
res huma Carta de ElRèi Catholico , etn que 
lhe Ordenava no caso de sublevação, ou 're- 
sistenci*à 3 passasse â evacuar pela Fòf^ã as 
sete Missòens , que se haviam de entregar 
à Coroa de Portugal : e voltando o Marquez 
a esta Praça a conferir com S. Ex*^ a expe- 
dição da 3.^ partida ^ couvíerao ém hir à 
Ilha de Martim Garcia , (c), à despàchálla : 
o que se executou no l.° de Junko , aonde 
foi também tá Oeneral -de Buenos Ayres a 
tí-atar coíti S. Ex.* (que o deve > na forl^na 
do Tratad? , auxiliar ) o modo de obrigarèoi 
as Aldeãs sublevadas. 

Na conferencia qae alli tiverao, declarou 
S. Ex.* tinha mil homctis promptos , e o di- 
to Capitão General , que se lhe fazia preciso 
alistar hová Tropa, por oa5 seriíurhero feuf- 
ficiente a da veterana : o que concluído tor- 
narão a ajuntar.se na mesma Ilha, para ajus- 
tar o dia , em que se devia emprehender a 
marcha. 

Logoaue se recolheu o dito Capitão Ge- 
iveríii de Buenos Ayres, vendo os Padres da 
Coaípiâuhia as preveuçoens , e diligencias que 
elle applicàva â factura das novas Tropas , pa- 



(c) Dista 10 Fegoas á cinia da Golonia, 



Bo Rio de Janeiro. 



43i 



ra cora ellas. hir evacuar as Aldeyas , resol- 
verão mandar às Missoens dous Padres ( ea- 
tre elles os de msiior authoridade ) a persua- 
dir aos índios a *[iudaiiça , ou (como elíes 
aíFectadamente dixem ) a retirar-se os Curas, 
no caso de naÕ poderem reduzillos à verda^ 
deira obediência : e quem naõ ignora a in- 
comparável , e profunda submissão ^ com que 
delies foram sempre obedecidos , e respeita- 
dos os Padres, sd contempla os índios re»» 
beldes em pura execução dos seus dictames. 

Aos dous Padres deo o dito Capitão Ge- 
neral athé o fim de Agosto para eíFeituarcm 
a diligencia , a que foraÕ, a qual se entende 
virá a sejr efficaz , por verem proseguir nas 
prevençoens precisas , e conducentes a íazer- 
ee a evacuação por meio das Armas. 

Nos presentes avizos , que os 'Comrnissa- 
rios principais íiveraõ das soas Cortes , se 
lhes recommenda, permittaõ aos Padres tem- 
po competente a fazerem , na parte que se 
lhes destinou para Aldeyarem os índios , al- 
guns ranchos, em que estes se recolhaS , e 
a faculdade de poderem colher na em qu# ao 
presente estão situados, os frutos que tiverem 
pendentes, cuidando no emtanto em expedir as 
partidas , que fazem a demarcação, paraque esta 
se adiante ; ao que deo motivo huma Carta, 
que em 12 de Abril de 1752 escreveo S. Ex.^ 
do Rio Grande ao Marquez , dizendo-lhe , que 
sendo aquelle o tempo , em que desta parte 
tinhaõ principio as sementeiras , naÕ devia 
permittir, que os Índios as fizessem, por. 
naõ demorarem com $, colheita dos fructos ^ 

55 ii 



436 



Memorias Históricas 



evacuação das Aldeyas grandes ; porquanto os 
deus Soberanos recommendavaÕ tanío a bre- 
vidade na execução do Tratado : e avixando 
o Marquez ao Padre Aliainirano , Commissa- 
rio Geral daquelles Povos , o fizesse assim 
praticar, naõ foi outro a seu cuidado, que 
o remetter á Madrid , t á Roma ao seu Ge- 
neral as ditas Cartas , e de pretextar com 
a desobediência dos índios a demora do tem- 
po que era preciso, para obter das Cortes a 
dilação, que agora se lhes concede, (d) 

N/- 2. 

Colonin 30 de Março de I7r>3. 

Jà dei parte dos progressos da nossa 
viagem athé 8 de Janeiro do anno supra, em 
que se levantou o terceiro Marco no Serro 
de Mine, e que a 12 do dito abalara a pri- 
meira partida, de que era Cabo o Coronel 
Francisco António. Este levou Ordem de raar- 
cbar , e acampar sobre as Missoens , a ob- 
servuir o estado das cousas , e o animo , de 
que estavao os índios , e dar parte a S. Ex.^ 
à Praça da Colónia , para a qual abalamos a 
13 do mez supra. 

Junto com a. nossa partida marchou a 



(d) Na CollecçaÕ dos Breves Pontifícios., e Leis Re- 
gias sobre a Liberdade das Pessoas , B«ns , e Commer- 
cio dos índios do Brasil, impressa na Secretarie d'Esta* 
'o , que o A. destas Memorias\conserva assignados por D» 
*<.uÍ2 4»Cupha ; vejam-se os N.os 4, e 5, 





DO Rio PE Janeiho. 



437 



Castelhana , da qual era Cabo D. Joa5 Xa- 
bars , de NaçaÕ Biscainha , motor das duvi- 
das q\ie houve , e muito apaixonado contra a 
entrega das Misso&ns. Do dito lugar abala- 
mos junto com o nosso Marquez > que na 
altura de Monte Vidio se apartou para aquel- 
la Praça, e nós para esta, a que chegamos 
a 25 de Janeiro. Fora das Portas da Praça 
se achava o Regimento formado: o Governa- 
dor , e mais a primeira Plana se avançarão 
a esperar a S. Éx.* ; e marchando todos athé 
dentro das Portas, e apeados, fez o Gover- 
nador (e) à S. Ex.^ a Oração, que junta re- 
metto > com a resposta que deu S. Ex.* na 
entrada d^ Porta. 

CraçaÕ, 

Felicitar a boa vinda de V. Ex.* à esta 
Praça , he obrigação minha : agora a tenho 
de dizer a V. Ex," com as mais efficazea 
expressoens, que sendo muita^ , e mui singu- 
lares as virtudes , de que he dotado o Mui- 
to Alto , e Potente Rey Fidelissimo o Se- 
nhor D. Jozé o I., Nosso Senhor, nos 
mostra a experiência, que huma das que ef- 
lectivamente exercita, dignissima de louvor, 
he a boa escolha de beneméritos para os em- 
pregos do Seu Real Serviço. Assim o acre- 
dita com a que fez de V. Ex.^ para Seu 
principal Commissario das Divisoens de Limi- 



(c) Jiuiz Garcia de Bívar. 



438 



Memorias HiSTOáiCAS. 



tes nesta America , CommissaÕ assas impor- 
tante aos interesse? da Moiiarchia , e porisso 
só a y. Ex.^ encarregada . por ser preciía 
a sua incomparável capacidade para concluilla^ 
e desempenhar o emprego, em que ao mes- 
mo tempo S. Mageslade Fidelíssima digna- 
mente o conserva de Capitão General de to- 
das estas Capitaiaias , que ao meo entender 
só ditosas, quando por V. Ex.^ governadas. 
Eu tenho a veatura de me achar encarrega- 
do do governo desta , que V. Ex.' vem ho- 
je a honrar com a sua assistência : e me ve- 
jo na obrigação de offerecér-lhe naÕ &ó as 
chaves desta Praça, e Governo delia, mas 
também a minha fiel obediência, jjinta com 
a de todos estes Vassallos de S. Magestade 
Fidelíssima, que mui obedientes, e gostosos 
nos oíFerecemos para fieis executores das suas 
Ordens; pois nos promette a experiência, 
que dos prudentes acertos de V, Ex/ nos 
hao de resultar na5 só muitas felicidades , mas 
também mais credito à Naçaõ , e augmento 
ao Estado, Com esta certeza individual todos 
damos a V. Ex*' o parabém da sua feliz via- 
gem , com aquelle ^ffecto , que devemos, e 
somos obrigados: e eu COHI especial distinc- 
çaô de Criado taõ antiga da Illuatre Gaza 
de V. Ex.^ 

Mesposta do General, 

Se os. effeitos da mioha CommissaÕ po- 
dessem ser regulados pelos meos dezejos , 
Raõ haveria Povo mais ditoso , que © da 
Coloiiiia. 



áò Rió BÈ Jàííírmô. 



439 



D'aqui marchou a Corto athé a Matriz, 
letêndo debaixo do Palio a S. Éx.* , com 
assistência do qiial se cantou o Te Deum ; 
e con<:húda mtú àcçaõ :, voltou para ô Pa- 
lácio , (f ) onde ficou niorando S. Ex.^ em 
hum quarto delle , e alli achou preparado 
hum banquete para o hospedar. O Marquez, que 
da altura de Monte Vidio tinha marchado para 
aquella Praça , chegou à 19 de Fevereiro. 
Poi S. .Ex/ buscallo ao arrayal Castelhano , 
meya legoa distante desta Praça, em que o 
receberão com tjfftejois Militares, è salvas de 
artilharia , ficando morador eth outro quarto 
do Palácio , xomendo todos três a hutna me- 
za , e os da Primeira' Plana. Houve Saráo , 
precedendo cavalhadas de onze em quadri- 
iha, em quê se ostentou muito luzimento^ e 
festas dos mesmos, que pela perda das Ca^as , 
e Quintas andavaÔ chorando. 

Já dei parte á V.m. dos presentes que 
houve de parte a parte; se bem que nesta 
Praça regalou S. Ex.* ao Marquez com hu- 
ma Carruagem, que lhe tinha vindo da Cor- 
te. A 5 de Março passou o Marquez a Bue- 
nos Aj^res. Estava determinado, que se ajun- 
taria a Corte Castelhana, e Portugueza na 
Ilha de Martim Garcia , pjira fazerem con- 
ferencia , e d'aqui se hiriao as duas partidas. 
O segundo Cabo desta era o Sargento 



(/) A Provisão do Con-selho Ultramarino de 27 de 
Nov. de 1730 declarou, que os Governadores do Brasil 
2iaõ podiam chamar Palácio as casas de sua residência , 
como lembrei n'outro lugar. 



449 



Memouias HíSTomcAs 



Jozé Custodio , e da terceira o Coronel A^ 
poim ; e despedidos , voltarão os dous C©m- 
íHisssarios á esta Praça com a noticia , de 
que estavaõ as Missoens pacificas, e entre- 
gyes : por isso abalarão os dons, e com el- 
les as famílias "Ma Colónia , e logo depois o 
Governador com o resto da Guarnição, e 
Payzanos , estando piimeiro petrechada a Pra- 
ça de todas as muniçoens de g^uerra, e en- 
tregue aos Castel|ianos. Mas tudo desyaneceo 
o Postilhão, que em 25 de Março pelas 8 
'horas da noite entrou nesta Praça, enviado 
pelo Coronel Ftancisco António , muito diííe- 
rente do que se esperava por alguns, que 
outros assim o suppozerão sempre. » 

Chegados os dous Coronéis á primeira 
Povoação, em distancia das Missoens 40 le- 
goas, se acamparão as duas partidas Caste- 
lhana e Portugueza. Daquelle lugar mandou 
chamar o Coronel Francisco António ao Com- 
mandante da primeira Povoação , a que cha- 
maõ Cacique ; e fazendo o dito pouco caso , 
se continuou athé quinto recado. Veyo o Ca- 
cique acompanhado de hum esquadrão de 80 
homens , guarnecidos de arco , e lança , e 
clavina, mettidos era boa forma, que admi- 
rarão os nossos , e grandemente perfilados. 

Chegadas as guardas , poz a frente o pé 
em terra , ficando o mais Corpo montado ; e 
entrando o Cacique com gs dous Cabos em 
conferencia , foi o Principal cxammar o que 
queriao os Portuguezes naquellas partes , di- 
zendo , que aquelles paizes eraÕ seos , e só 
Deos lhos podia tirar ; que os Castelhanos 




x>0 Tlio Díi Janeiro. 



441 



poderiaS passar adiante ; porém os Portu^ue* 
zes talvez viriaÕ a pagar o que lhes tinhaÔ 
feito. Nestas conferencias , em que se porta- 
rão com muito desaforo , e arrogância , e à 
que se sacrificarão os dous Coronéis , tanto 
por naõ terem ordem de romper , como pelo 
nosso poder ser pequeno , porquanto mais 
adiante , em breve distancia , se achava o Pa* 
dre TrovaÕ com seos índios bem armados , 
gastarão alguns dias^ em os quaes o Cacique 
visitou a Barraca Castelhana, cujos indiví- 
duos send# , como já disse, apaixonados con- 
tra esta entrega*, bem se colhe, o como ex« 
hortariaõ sobre a entrega das terras. Nesta 
dependeuçia quiz o poronel convidar ao Ca- 
cique com hum chapeo de plumas , que por 
erro do portador se deo à outro, e querendo 
desfazer a duvida , e dallo ao Cacique , este 
o naõ quiz acceitar : e ficando por isso na 
maõ do primeiro , quando este se poz à ca- 
valio/ o metteo debaixo da Sella , ou Lom- 
bilho. Com estes, e outros desaforos anda- 
vao fazendo mil insolências , vendendo Ca- 
vaílos , em que depois pegavao á vista dos 
mesmos Castelhanos , a quem os tinhaÕ ven- 
dido , ineitando-os ao rompimento de Guerra.. 
Ordenou o Coronel Portuguez , que se não 
comprasse cavallo algum , por naÕ succeder 
alguma discórdia ; assim por observância das 
Ordens, como por nao dizerem, que os Por- 
tuguezés rompiaõ guerra. Hum D. Bruno , 
Official da partida Castelhana, perguntou ao 
Cacique , porque se portava tao mal ? ao que 
lhe respondeo :=í= Tu fazes o que te maur 
Tom. IX. m ^ 



442 



Memorias Histouicâs 



teu Rey; e eu o que me m anda o Padre 
Santo =, que he o Superior que os gover- 
na, cujos doçupaentos observad athé morre- 
rem. O^ Padres Éeni posto os índios em gran- 
de dontrina ; ipas he a militar : achaõ-se pro- 
ibidos de todo o género de armas, e artilha*- 
ria^ qu€ guarnecem hum Forte. 

Está nesta Praça hum Medico Florenti* 
BO , que diz , estando em Itália , conhecia mui- 
to bem todos aquelles , que à pouco tempo pas- 
sarão pelo Rio de Janeira feitos Padres da 
Companhia ,e estiveraõ no CoJIegio ; e pou^ 
Gos sao Castelhanos ; a maior parte delles sao 
Italianos, e Alemaens , buns, grandes Mes- 
tres de Fundição de Artilharia, outros, de 
Armas : hum foi Coronel*, outro General. Ve- 
ja a doutrina, que lhas ensinarão ! 

, S. Ex.* mandou em continente aviso ao 
Marquez do espado das cousas, o qual, co-^ 
mo Plenipotenciário de El Rey Catholico, obri» 
gado à entrega pacifica d'aquelles paizes, dea 
conta à S. Ex.* ,, qae unido o poder Caste- 
lhano , e Poríugueg , se marchasse â atacar 
os índios , e fazer sahir os Padres, proce- 
dendo contra elles , como principaes cabeças 
da Kebelliaõ dos Povos , para. o que , comi 
todo o valor se va5 aprestando em Buenos^ 
Ayres Tropas , e rnuniçoens , e se tem no- 
meado Cabos, e Officiaes da primeira Planai 
naquella Cidade. 

Sv Ex.* manda .destacar do Rio vários 
Officiaes de^ipuerra , e algum Corpo de Tro- 
pas, como também de Santos, e Santa Ca- 
tharina , para fazer hum Corpo de l§bOO ho- 





DO Rio de Janeiro. 



443 



mens pagos ; e ficaõ-se preparando os mais 
petrechos de guerra , como remontar a arti- 
lharia , soma de granadas de maÕ , e aug- 
mentar a nossa Cavallaria com mais 2^ ca- 
vallos para o serviço da Campanha. 

Desta Praça fica a marchar para o Ria 
Grande hum Batalhão de Dragoens ; e sup* 
poem-se , que se atacarão as Missoens per 
aquella parte com o maior aperto. O Mar- 
quez de Buenos Ayres ^ e o Governador , 
tem acordado , que S. Ex/ dará as instruc* 
çoens da guerra , e o modo de atacar os ín- 
dios ; e que tudo se faça pór seu parecer. 
NaÕ ha duvida , que os Padres poraõ em 
campo milhares , açsim como nós dúzias :; 
porém entende-se , que nos naÕ faraõ frente : 
nem ha Portuguez , que naõ esteja com 
grande dezejo de marchar , e grande animo 
para o combate, e muito mais vontade de 
ver este encanto de Missoens, pelo qual com- 
mettera os Padres , como Cabeças , hum taS 
grande desatino de induzirem os índios á Re- 
belião contra dous Monarchas ; que era fim 
nem estes índios sa5 mais valerosos , que oà 
da índia Oriental , nem os Portuguezes sao 
outros , mas os mesmos , ou a mesma Na* 
çao, que tantas lhe dera5 na cabeça. Em 
fim, he chegada a occasiao de recordar o 
valor antigo : nem este General , que tem 
trazido a fortuna à soldo , deixará dd levan- 
tar o maior Padrão à sua fama , e valor na 
America Meridional , como o fizeraÕ os mai? 
Heroes na Ásia. 

56 'ú 



' •■«</>> ■..«!.>>• 



444 



Memorias Históricas 
DOCUMENTO. 2.^ 



€arta de Sebastião Jozé de Carvalho ao Go- 
vernador, e Capiiaõ General do Pará Fran- 
cisco Xavier de Mendojtça , sohre as ulti- 
7nas novas , eoncei^nentes ao estado das De- 
marcaçoens , até o mez , de Outubro de 
1754 , que havia coimnuni cado o General 
Gomes Freire de Andrada , cvjo documento 
foi ewirahido fielmente do Copiador original, 
das Cartas do mesiUQ Ministro d' Estado,, 

^ Meo írmaÕ do meo coração. Bem notOv- 
Tio VOS he, que desde os principios do fe- 
liz Reinado de S, Mage^ítade pareceo ao mes- 
mo Senhor , que na negociação do Tratado 
de Limitei das Conquistas , e da sua exe- 
cução , nem tinha obrado, nem obrava o Mif 
nisterio de Madrid com a boa íé , que fa- 
zia crer á Seiihora Rainha Gatholica , e se 
procurava debalde persuadir por todos os mo- 
dos a ElRei N.. S. " Porisso, ao mesmo 
tempo eia que se expedio a Gomes Freire 
de Andrada a InstrncçaÕ , que se havia ajus^- 
tado entre as duas Coroas , que se desse aos 
Tespectivos Coramissarios para a execução do 
referido Tratado ^ me mandou S. Magestade 
Instruir particularmente o dito General pela 
Secretissima Carta, que lhe escrevi era 21 
de Setembro de 1751; Dando-lhe huma ca- 
bal noçaõ dos motivos ,, que tinha5 concorri- 
do , para ser bem fundada^ e prudentíssima 
a desconfiança que havia do dito Ministério ; 
'^ participando-llie as cautellas ;, com que S. 





DO Rio de Janeiro. 



44 



ti 



Magestade o mandava prevenir , para se se- 
gurar em liuma matéria de tanta importância ^ 
que as fraudes , que iiella se iníentavaÕ , de- 
cidiriaÕ de todas os Domínios do Brasil. „ 
E por isso desde a primeira vez em que vos 
escrevi sobre esfa matéria na data de 6 de 
Julho de lt52 , havendo-se ratificado naquel- 
ie dia as Instrucçoeiís , que se vos deviaõ 
remetter , vos preveni íog'o p^ra Vos hires 
pondo vm toda a possível segurança ; e pela 
outra Caria que vos dirig'i na data de 14 de 
Maio de 175S , vos remetti para vossa com- 
pleta ÍUí^trucçc.õ a sobredita Carta Seí"retis&i- 
ma , escrita a Gomes Freire, para conhece- 
res inteiramente os juntos motivos de des- 
confiança de EíRei N. S. ^ e para nsai-ês das 
mesmas cauteilas , que haviaÕ sido ordenadas 
na referida Carta Secreíissima. ^' O que de- 
pois se tem seg^uido , naõ só na o C(meorreo 
para se diminuir aquelk justa desconfiatjça ^ 
mas antes mauifest^u ^'r(^::' :^'" ■rraiâ justifica- 
dos os motivos delia , ^ ..ecpssarias as 
cauteilas, que tinha pre. ) a incompará- 
vel providencia de S. Magestade. ,, O estado 
em que se achava a ;.K(!)ra5 do referido 
Tratado pur aquella parte athé o mez * de 
Jiilho do anno próximo passado , era em vS-um- 
ma terem -se exhiurido os Cofres da grossa 
Provedoria do Rio de Janeiro , para se sus- 
tentar a ^lign idade dos rviinistros c-e S. Ma- 
gestade ' nas Conferencias do Rio Grande de 
S. Pedro , e o Exercito , que se poz em 
Cam|)anha , haverem voltado as duas Tropas 
^oiubmadas de. ElRei N. S. , e de ElRey Ca.- 



446 



Memorias Hístoricas 



tholico, que hiaõ fazer as demarcaçoens , .c.- 
chaçados pela rebeldia, e iasoleacia dos Ta- 
pes , e virem estes dar dous assaltos a huma 
Fortaleza , que Gomes Freire havia feito le- 
vantar ne Rio Pardo , para lhe segurar o 
passo do referido Rio; trazendo a queiles 
Bárbaros peças de artilharia de bater , que 
certam^ente na5 forjariaõ nos Sertoens' que 
habitaÕ; e declarando que obravaõ por ordem 
de seos Bemditos Padres. „ Chegando aquel- 
Ias novas a Corte de Madrid , e havendo no 
Mmisteno, que de novo tinha entrado uaquel- 
la Corte , um urgente motivo , que fazia pa- 
ra elle indespensavel passar a esta Corte hum 
Officio , que ao mesmq tempo em que cum- 
prisse* com a neoe^i^idade domestica , que o 
dito Ministério tinha de o formar , em benefi- 
cio^ seo, de escusa à extraordinária frouxi- 
da5, com que hâviaõ obrado os Commissa- 
rios Hespanhoes naquella parte : Ainda assim 
usou o sobredito Ministério da tergiversação 
de fornaar o referido Officio na fio^ura de 
huma Carta dirigida ao seu Embaixador, pa- 
ra este ma confirmar verbalmente , em or- 
dem a que delia me naÕ ficasse copia. *' Re- 
pliquei ao mesmo Embaixador, que para 
obrarmos segundo as formas ordinárias, me 
remettesse a dita Carta em Officio, paraque 
eu também em Officio lhe significasse digna- 
mente o reconhecimento com que ElRei meo 
Amo ouviria aquellas expressoens de'S. Ma- 
gestade Catholica. „ TaÕ apertada era porem 
a cautelosa Ordem , que o dito Embaixador 
havia recebido T que naõ me podendo negar 





MD Rio de Janeiro.' 



447 



a ra/iaõ , com que lhe instei , subterfúgio a 
minha instancia com hum insignificante Bi- 
lhete , em que n\e dissa, que me remettia o 
tal Papei , sem declarar o conteúdo nelle. 
" E porque assim veyo a ficar mais mani- 
festa a necessidade que havia de se conser- 
tar aqwelie importante Papel para o que po- 
desse succeder no futuro, me mandou S. Ma- 
gestade autenticar pelo indirecto modo que 
vos será presente pela copia que leva o N.* 
1. „ Com o que havendo crescido os moti- 
vos para acautelar-nos , me mandou também 
S. Magestade logo surcessivamente instruir 
Gomes Freire de Andrada nos mezes de Ou- 
tubro , e Pezembro do anno próximo passa- 
do, com as prevençoens de segurança , que 
também vos seraõ presentes pelas ouíras Co- 
pias que levaõ os ]N.°^ 2, S, 4. " Achavaõ- 
se as cousas neste estado, quando pela Náo 
Natividade , que acaba de chegar do Rio de 
Janeiro*' recebemos agora Cartas do dito Go« 
mes Freire de Andrada, e de seu irnuiõ Jo- 
zé António Freire : Accressentando-se nella.^ 
o mais que tinha oecorrido desde o dito mez 
de Julho aíhé o de Outubro do referido an- 
no. „ O que também somado se reduz : quan- 
to à Gomes Freire de Andrada , à haver-se 
internado pelo Sertão até a distancia de 25^ 
legoas das Aldejas cedidas , fiando-se na boa 
fé do pacto, de que nellas acharia o General 
Hespanhul : A haver fei^o por km desde 12 
de Agosio , athé o dia i8 de Setemabro , bu- 
fíia tiabalhosisbima marcha por desertos esíe- 
leis, e iavios: A haver passado com graiide 



-*• . 



418 



MeMOUIAS HlSTORlfASI 



trabalho o Rio Pardo, o Rio Butucaray , ^ 
o Rio JacLihy, sempre com os Rebeldes, a 
incommodado por elies à vista, passando os 
Soldados, e bagagens à nado, e eai odres : 
A haver campado, e suspendido a marcha 
junto da uitimo dos referidos Rios, athé es- 
perar resposta do General Hespanhol^ qué já 
era desnecessária , supposta a Carta que dà- 
íe havia recebido no dia li de Setembro: E 
a ficar em nm naquelle distante , e escarbo- 
so Campamento, obrigado a retirar-&c delle 
com outra marcha igualmente penosa , com 
os referidos Rios na retaguarda , e com o 
próximo perigo de ser atacado por todas as 
forças dos Rebeldes , sem haver quem nellas 
lhe faça diversão. '* Poisque quanto ao Ge- 
neral Hespanhol se reduzirão também os seos 
prog-ressos a marchar setenta legoas em mais 
de setenta dias: A suspender a marcha ao 
mesmo tempo que deixava adiantar Gomes 
Freire para o sacrifício : A suspenáer tam- 
bém a participação , que lhe devia fazer da- 
quelle estranho retrocesso, escusando-se com 
o frivolo pretexto de naÕ ter Portador para o 
avizar: A ter já desde 8 de Agosto voltado 
vergonhosamente a cara segunda vez aos Re- 
beldes : A capear a sua fugida com os pretex- 
tos , de que na5 tinha Gados , e de que todos 
os Povos das Missoens estavaÕ levantados; 
como se elle devesse ter sabido sem as pre- 
vençoens necessárias ; e como se o' levanta- 
mento dos: Povos naÕ- fosse o que fez o obje- 
cto da sua marcha : A mandar por Emissário 
com aquelle tardo, e capcioso Avizo da sua 



<."■ Vjtv* . 



Bo Jlio DE Janeiro. 



44a 



retirada hum Official instruido para persuadir 
Cxonies Freire à retroceder em II de Setem- 
bro , depoisque elle General Hespanliol o ha- 
via feito a 8 de agosto : À encher a tal Car- 
ta , ou Aviso de imposturas conhecidas por 
taes : E a fugir em fim para Buenos Ayres 
insaííitato hospite , havendo eserito ao dito 
Gomes Freire, que só retrocedia 5^ ou 6 
Jegoas , para achar melhores pastos: ,, Tudo 
vos será presente com maior extensa© pelas 
Copias , que ajunto debaixo dos N.''^ 5,6, 
7 j e 8. E nestas circunstancias bem vereis : 
que tuJo se deve temer de quem ebm por 
semelhante modo: e que o mais que presen- 
temente podemos esperar daquella parte, de- 
pois de tantas despezas , e de tantos traba- 
lhos, he^ que Deos assista a Gomes Frei- 
re depois da mal considerada resolução que 
tomou , de esperar o ataque dos Rebeldes,, 
para se retirar com as forçag qu<e lhe craÕ , 
e saõ m«is rtecessarias para cobrir a Colónia 
do Santíssimo Sacran^ento, qwe eile considera 
nos seus Despachos , que naõ tem defez a igniai 
à sua importância. '* O que vos recapitulo, 
e participo de Ordem de S. Mssfesíude , ao 
fim de vos servir de luz , e de governo para 
o que e?tacs obrando dessa parte : E paraque 
nella nem deis passo, que na6 seja seguro: 
nem aventureií^ cousa alguma , qtí^mdo o suc- 
oesso for dcpendcTíte 4a boa fé , ou da pa- 
lavra d/Os Conimissarios , com quem conferi- 
reis, senxque constndo lhes deis motivos para 
entenderem , que de II es s6' desconfia; e \'à' 
lendo- voâ:, para vos segurares , dos pretextos^ 
Tom. IX, 57 



''450 



Memorias HfSTORièAs. 



de que sendo estes negócios tratados tao loft, 
ge das respectivas Cortes , he preciso que se 
-façaõ com toda a formalidade, para evitar 
os reparos .dos dous Ministérios ; e de qu'c 
assim terão elles Commissarios , e vos , a 
certeza de serem approvados , vendo-se , que 
obraõ corn toda a exactidão devida em ta5 
grave matéria. „ Huma das maiores precau- 
çoens que se podiaÕ tomar por esta parte em 
taõ criticaPs circunstancias , he a que a iii^ 
comparável previdência de S. Magestade ha- 
via Ordenado, ainda antes de receber as Car- 
tas de Gomes Freire, e de seu irmaÕ , que 
-deixo indicadas. Quero dizer, a erecção de 
novo Governador de S. Joze do Rio Negror 
-o qual agora bem verefs ,. que dev*e &er pro- 
movido com o mayor cuidado , pela indes- 
pensavel necessidade de se povoar essa fron- 
teira Occidental , e de segurarmos com ella 
a navegação do Rio Madeira para o Mato 
Grosso, e a passagem daquellas Minas para 
o Cu} abá. *' Sobre o que escuso advertir-vos , 
que as Aldeyas , que os fíespanhoes houve- 
rem desocupado desta parte Oriental do dito 
Rio, seja5 logo ap-rehendidas ; e que se al- 
guma estiver ainda por evacuaF , que deveis 
fazer toda a possivel deligencia para sahirem 
delia os ditos fíespanhoes, e por introduzires 
Bo higar delles, Portuguezes : valendo-vos 
para isso das cautellas , e dos meyos , com 
que instrui Gomes Freire pela sobredita Car- 
ta Secretíssima de 21 de Setembro. çle 1751 » 
e dos que para essa parte vos apontei ndt 
outra Secretissima Carta, que vos eácrevi em 




Bo Rio de Janeiro. 



4H 



15 de Maio de 1753. Paraque tudo vos fi- 
que mais praticável , espero em Deos , que ^ 
primeira embarcação que partir, leve os es- 
tabelébimentos da Companhia do Comraercio, 
das Côngruas dos Regulares , da Liberdade 
dos índios, e do seo Governo temporal , co- 
roo já vos tenho avizado. ,, E tudo isto se* 
rá muito melhor negociado , e dirigido , guar- 
dando vós em hum segredo , que ahi seja 
impenetrável , o que tem succedido pela par- 
te do Sul a Gomes Freire; porque assim 
excluireis melhor a presumpçao de que obrae,s 
desconfiado nas cautellas , que vos saõ ía5 
precisas. *' A este respeito he necessário pre- 
venir-vçsj que tem parecido muito mal a li- 
berdade com que os Officiaes Militares , e 
Pessoas que acompanharão Gomes Freire , 
tem mandado ao Rio de Janeiro, e à esta 
Corte , relaçocns de tudo o que passou , as- 
sim nas referidas conferencias , como nas mar- 
chas , e aççoens que nellas houve, para ahi 
prohibires que se escreva semelhantes novas, 
porque , além de que só as costumáÕ escre- 
ver os Generaes , he summamente prejudicial , 
que se publiquem semelhantes noticias , que 
humas vezes se faz preciso conservar em se- 
gredo inviolável, e outras publicar com estas 
ou aquellas restricçoens , naõ se podendo di- 
vulgar tudo sem grave prejuizo. „ Escuzo de 
vos lembrar o muito que se faz necessário se- 
parar 08 Padres Jesuitas (que já claramente 
estaõ fazendo esíu Guerra) da Fronteira de 
Hespanlia, valendo-vos para isso de todos os 
possíveis pretextos. Também será boisi , que 

57 li 



U2 



Memorias HisTonreAs 



acheis meios para lhes interromperes toda a 
communrcaçaõ com os outros Padres que re- 
sidem nos Domínios de Hespanha ; ganhando 
algumas pessoas daquellas, por onde passarem 
esitas correspondências, ou interceptando-as (ha- 
vendo para isso occasioens que o permittaÕ ) : 
\kio que com esta Potencia Ecclesiastica nos 
achamos em taõ dura, e taÕ custosa Guerra. 
**^ Fico para servir-vos com o maior aíFecto , 
pedindo a Deos que vos guarde, e conserve 
com perfeita saúde. Lisboa em 17 de Março 
de 1755. j, 



Fim pa Tomo IX., e ultimo* 



l «y%»%%-»<t/»%^%^%%%%^^V» 



índice do IX. TOMO. 

Capitulo I. Cuiabá. 

CAP. II. Mato Grosso. 

CAP. III. Goiás. 

CBP. IV. Ilha de Santa Catharina, 

CAP. V. Rio Grande do Sul. 

CAP« VI. Nova Colónia do Sacramento» 



Pag, 3- 




\ 



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;#*^**^,*#####^***^k#^«##*#*íK##*###*##****Ar##«*S***^#>#*.*#####w 



ERRATAS. 



Ptig. Noi. 


Lhi, Erros. 


Emendas, 


5 n. 


28 da Vacazia 


da Vacaria 


33 n. 


1 sitou-o na 


situou-o na 


.18 
24 
25 
33 


9 pespezas 
â a certanejar 
33 de segururar 
33 do aniio como 


despezas x 
a sertanejar 
de segurar 
do anno , como 


38 - 


i8 deixarão 


deixaram 


40 


22 fundada tem 


funda tem 


4â n. 
43 


2 porque 

4 de de Cavallaria 


por que 

de Cavallaria 


44 n. 


i7 Posto Capitão 
3 da villa de 


Posto de Capit^ã 
da Villa de 


45. 


,10 diaas 


dias 


4^ 


26 de novo 


denov® 




27 Intentendente 


Intendente 


48 


6 para a Villa 


para Villa 


■ 


23 e senso 


e censo 


49 


1 officias 


©fficios 


P. 


10 Annual 


Annal 


ÍO 
51 


8 metaes^ preciosos 
13 datado 


metaes preciosos 
datada 


58 


14 desdeo 


desd*G j 


, 


18 bezerrros 


bcerros '; 


59 
^61 


38 deligeneiando 
16 medido 


diligenciando 
médio 


62 n. 


29 persaaçaõ 
5 de clarada 


persuasão 
declarada 


n. 


9 BeneíicÍ5 


Benefícios 


67 


34 das imutas 


das muitas . 


69 


12 e a diante 


e adiante 




2l desaguadouro 


descarregadour» 




22 as canoa 


as Canoas. 


I 


27 Jauru cujo 
30 su foz 


Jaurá , cujo 
sua foz 




32 e meia acham-se 


e meia , acham-se 


70 ] 


2i côíta Mio 


corta-se © Rio 



m 



456 



Errata 



Pag, 


Not. 


71 




72 




73 




77 




79 




83 


n. 


84 


Tl. 


89 




91 




S4 




95 


' 


96 




97 


n. 


98 


n. 


100 


n. 


102 


n. 


104 


n. 


106 




108 






n. 


110 




112 





114 
115 
116 



il9 

120 
127 
130 

134 



XI. 



n. 



Lm, Erros, 

16 formão 

27 Formigueiro, do Pa- 
redão 
1 o Rio gastam-se 
15 ameudadas 
33 conhecida ) e mui 

notória 
29 á baixo Capivary 

3 Xjoayciiries 
13 mineraes foram 
l5 começarão 
33 impediaõ 
9 judidicial 

25 deste desie Gover- 

nador 
17 nameado 
7 es aço 

17 deosas matariai 
9 o qual distando 

'23 muita assucar 
i6 penas 
2 a Leste da Cidade 

26 se extrabem 

2 se deminou 

23 da Cabeira do 

7 unanemente 
2â a metade meridional 
28 Bragança pel«o - 

3 de Villa 

l5 Begia Magestatis 
15 sistema 
11 da Villa 
20 desta Villa de Cuia- 
bá 
22 Porte Feliz 

6 lonçá 
31 miatâs 

9 e n' entras 

9 de novo 
15 de novo 



Emendas» 

formam 

Formigueiro , € do 
Paredão 

o Rio , gastam-se 

amiudadas 

conhecida , e mui no- 
tória ) 

abaixo do Capivary 

Goayeuròs 

mineraes , foram 

começaram 

impediam 

judicial 

deste Governador 

nomeado 

espaço 

densas matarias ^ 

o qual , distando 

muito assucar 

apenas 

á Leste da Cidade 

se extrahem 

se denominou 

da Cachoen-a do 

nnanimemente 

a meta meridional 

Bragança levantado 

pelo ■ 

da antiga Villa 
Regiae Magestatis 
cisterna 

da antiga VHla 
da Cidade de Cuia^ 

bá 
Porto Feiiz 
louça 
muitas 
e n' outras 
denovo 
d® no* o 



> ^.r í^ -t- -m.. r~. 



E A T A S, 



4:37 



P«g, NoC, Lin* Erros. 

137 20 elavadas 

13S 13 oade 

140 8 € do Ouro 

142 8 Agostinha 
IO i novo 

n, 4 pominio 

143 IS doeutio 

144 5 Da traição 
B, 4 os pices de 

I 145 12 ameaçando os 

18 a fatura do 
147 2 accasionando-lhe 

150 14 extrehiatíi 
31 com sigo 

151 6 e n'outra Minas 

153 ' , 3 da Capinania 

154 n. i naõ tenho 

155 2l' e senso 

156 32 Govervou 

158 3 Governo privativo, 

ij, 6 e gwiarda por 

n, 7 de descobri o lugar 

n. 12 ne qual 



Emendas. 

elevadas 

onde 

e a do Ouro 

Agostinho 

à nova 

dominio | 

doentio 

Da tradição 

os picos de 

ameaçBndo-os 

a fartura do 

occasionando-lh» 

extí-ahiaai 

comsigo 

e n'outras Minas 

da Capitania 

naõ tendo 

e censo 

Gíívernou 

Governador privativo 

e guiaia por 

de descobrir o lugar 

no qual 



N, B. Acabando a folha 20 cara o N,'"* 158, por 
descuido do Compositor na Typografta ficaram ommitíi- 
dos ©s números l59 , e 160 , que se seguiam , continuaa- 
'|o a folha 21 com o numero lêl. 

1^1 1 e senso e censo 

n. 9 adespeza a despeza 

163 13 púbicos públicos 

iò, prender g remetter , prender, e remetter 



165 



174 



Tom, IX, 



ao 
â do Coronel 
3 destacado de Mou- 
ra no 
19 o Ordeado 
l6 eu pelos 
24 cipconstancias 
6 apeaas eatou a , 



ao 
de Coronel 
de Moura destacado 

nõ 
^ o OrdeRado 
ou pelos 
circunstancias! 
apeoa§ en.trou \ 

5b 




E ic R A r ^ s. 



2l9 

221 



Lie* Erros» 



15 pos Ordenados 

22 Fundição 

23 consideranda 
S8 GoHS 

34 Eufidiçaõ , que 
29 instucçoens 
14 permaHente. D'aki 
27 ODtaa vez 

2 da Tntroducçaõ 
1 1 introduaçaõ 
10 da terra , os tlie- 
aouros 

7 exercita Ia 
*14 derrogou 

5 snbditas 

34 tomar ^ 

4 Agua quente 

13 concorram 
36 da correição 

29 cousa 

7 os quaes todõs per- 
tencem 

33 inteorma 

34 firma em 
"1 ha de 

2 Connceiçaõ 
7 e o de 

14 cabf ça - 
18 cabeça * 

21 e tem sido doentio 

30 de Mata grosso 
16 SetãoBs 

22 distinguindo O S, 

M.. F. 
4 Descoberta 
9 tãa 
l3 soocorros 

6 Velhas onde 
30 dedicada 

1 de Mossamei!ídes 
4 diitante 



Emenãas,. 

dos Ordenados 

Fundição 

considerado 

Goiás 

Fundição , o que 

instrucçoens 

permanente ; dVhi 

outra vez 

da introducçaõ 

introdueçaõ 

da terra , offereceu <>' 

thesouros 
exercita-la 
derogou 
súbditas 
Tomar „ 
Agua^quente 
conconeram 
da Correição 
causa 
os quaes pertenceis 

interina 

firma o em 

lia-de 

Conceição 

e de 

Cabeça 

Cabeça 

e tendo sido doentio 

IVI ato-grosso 

Sertaons 

distinguindo-o S. M 

F. 
Descoberto 
lãa 

soccorros 
"Velhas , onde 
dedicado 
de Mossamedes 
distante. 



Ê R a A TA 



S. 



P«ár« 



2^6 
227 



228 
S29 

530 
231 
232 

233 
234 



No(» Liiu 
5 



235 

236 
241 

t43 



n. 



Erres, Emendas* 

se ápaota se aparta 

tempo e a tempo, e a 

de mar e cam demar com 

iiosta nesta 

Reg^istros (50) assim Reg^istfes, (50) assim 

Ordems Ordens 

impoptas impostas 

JV. B, O numero des.ta pagina foi invertido , Ct« 
mo abi se vé. 

Gompa,nhias 
se estende 
em razaõ 
o qual se entra 
encontra-se 
Tocantins 
Alvams., e o 
. Bagagem , e . 
com o "das 



Companhia 

se entende 

em rozaõ 

o qual e entra 

entro nta-se 

Tocontins 

Alvares e ,o 

Bagagem e 

com a das 

perdeo o MaranhaÕ perde o MaranhaS 

pela estada do " pftla estrada do 



das Areia 

do contro da 

estabeclcida» 

Loniioso 

Gôíasi<*rises 

postaiape 



das Areias 
do centro da 
estabeieeidas 
Lanho&o , do Dttr® 
Ooiasiensis 
postttlasse 
Por inadevertenci-a do Compositor da Ti- 
pografia foi introduzido lesta nota (co- 
mo se delia fizesse parte) quanto se 
\ê desde — Talvez porqile — - até — 
Liv. 5. Cap, 1. — eujas linhas occupâi* 
vaiia uma nota separada. 



244 


d* 8 fcultatem 


facu.líatem 


246 


24 Joakin 


Joakim 


247 


M. lê Catholiea 


GatfiolròQ 




ia, (b) 3 cujo 


CUjUS 


249 


18 asvsistindo-lhes 


assistindo-Ihe 




li. 1 Liv. 2. Cap. 1, 


Liv. 4. Cap. 1» 




n. {h) 2 consuit 


censuit 


252 


9 sua Filiaes 


suas Filiaes 


253 


j6 FeUal 


Filiai 



■E 



K R A T A S. 



Pag. 


Not. 


2.54 




255 


v*> 


256 


Hr 


257 




25« 




259 




^63 





264 

265 

267 
271 
274 



275 
280 
281 

583 

284 

291 

303 
304 
306 
314 
317 
321 



n. 



n. 






hhi. Kfros, 

20 Parrochia 

21 e Ordirm 
1 Em quanto 

30 Dispresos ^ 

12 disciplina nebi 
1 35 longitude 
6 padi astro 
8 inconveniente prodtl- 
lou remediar: cons- 
truindo no principio 
da praia, á Leste da 
Fortaleza , o peque • 
no Forte de S.Cae- 
tano no anno l765 
o Governador Fran- 
cisco de Souza «Me- 
nezes , mas" 
1 mas se carrretas 
23 avistado 
17 Soco 

15 sabe-se o modo 
19 se naõ 
10 anno ( onde 

16 por isso 
28 conservarem as 
33 tigiialmente 
15 H ornes 
30 avultado 

6 ds estado . 
14 de novo 

1 eCap, 6. 12 e 13 

2 38 ; das Necessida- 

des 
1 vasos 
14 Açoriatais 

14 de novo 
1 Ayre de 

12 entrou á reparar 

3 o de apossarem 

15 «ue ficava sentindo 



Emendas, 

Parochia 
e Ordens 
Emquanto 
Dispersos 
disciplina, nenti 
35', e longitude 
padrasto 

inc©nvenieíito se pro- 
curou remediar, cons- 
truindo o Governador 
Francisco' de Souza 
Menezes , no anno 
1765 , o pequeno For- 
te de ?. Caetano , à 
Leste da Fortaleza , e 
no principio 'da praia : 
mas 

mas as carretas 
avistada 
Saco 

saber-se • modo 
senaõ 

anno, e no lugar ênde 

porisso 

conservarem-se as 

igualmente 

li ornem 

avultados 

do Estad® 

denovo 

eCap. 6.n. IS e lò> 

31; no das Necessi- 
dades 

"vaso 

A^oritas 

denovo 

Ayres de 

principiou à reparar 



o de se 

que ser 

ausen. 



^sf-arera 



Erratas. 



461 



Pag. 
325 



332 
339 
341 
343 
344 
345 
354 
375 
379 
387 
388 
390 
391 
393 
398 
404 
406 
413 

416 
419 
420 

421 
423 

226 
430 



446 



Not, Lin, Erros, 



u. 



n. 



n. 



n. 



1 



Como prtncipio 
Vara , aquém ellas 
de Saata Anna 
de Mastardas 
em Mustardas 
porisso , que 
Pardo , Pardo, uma 
varias Guerrilhas 
ap applicada 
de Cavallos 
entre entre os 
petos inimigos 
e com tudo 
que nas podia 
e escutarão 
legcuas 

lhe parecr mais 
e J. ferrou 
o rume geral 
em accender á Liga 
Cap, 4 nota ( } 



23 evercer 
18 porque 

16 aquera 

24 demanstraçaÕ 
9 amboos 

25 amizade daqueile 

17 Lombra 
3 Hispanie 
5 suns 

11 dito Narco . 
22 de Chafaloto , 
2 rechaçados 



Eihcndas, 

Com o principio 

Vara, a quem ellas 

e de Santa Anua 

de Mostardas 

em Mostardas 

porisso pieeiso , que 

Pardo , uma 

varias de Guerrilhas 

applicada 

de Cevullos 

entr'os 

pelos inimigos 

e contudo 

que naõ podia 

e executarão 

legoas 

lhe parecer mais 

e aferrou 

o rumo geral 

em aceeder á Liga 

Cap. 4 pag. 355 | No 

principi© 
exercer 
por que 
à quem 
demonstração 
ambos 

aml2ade d^aquelle 
Lomba 
Hispaniae 
sunt 

dito Marco 
de Chafalote 
lechacadas 






^^"èi^&.^^- . 




b"- 



i 



I